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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Lobo-ibérico e cabra-montês vítimas de caça ilegal em Montalegre


    O Núcleo de Protecção Ambiental (NPA) do Destacamento Territorial de Chaves da GNR recolheu no domingo, em Maixedo, concelho de Montalegre, um lobo-ibérico, ainda jovem, que estava preso por uma pata num laço usado na caça ilegal, e uma cabra-montês abatida ilegalmente.
O lobo-ibérico (Canis lupus signatus), ainda jovem, foi entregue ao Parque Nacional da Peneda-Gerês, para receber tratamento das lesões que sofreu enquanto esteve cativo e posteriormente ser libertado, segundo o site da Guarda Nacional Republicana (GNR). A operação foi realizada em colaboração com o Posto Territorial de Montalegre e com o Veterinário Municipal de Montalegre.

Nesse mesmo dia, a GNR apreendeu, na freguesia de Outeiro, concelho de Montalegre, uma cabra-montês (Capra pyrenaica), com 20 quilos de peso e idade aproximada de três anos, que tinha sido abatida numa acção de caça ilegal. "Apesar de ter sido encontrada, e apreendida, uma arma de caça calibre 12, não foi possível identificar o autor por este se ter colocado em fuga", informa a GNR que, avança, está a desenvolver diligências de investigação em ambas as situações.

O lobo-ibérico é uma espécie classificada como Em Perigo, pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. De acordo com o Censo Nacional de Lobo 2002/2003, deverão existir apenas entre 200 e 400 animais e o número de alcateias deverá variar entre as 45 e 55 a Norte do rio Douro e não ultrapassando as 10 a sul desse rio. Entre as principais ameaças à sua sobrevivência está o furtivismo e a mortalidade causada pelo Homem, segundo o Livro Vermelho.

A cabra-montês está classificada como Criticamente em Perigo e deverão existir 50 indivíduos na Serra do Gerês e da Serra Amarela. O furtivismo está entre as ameaças à espécie.

Fonte: Público/Helena Geraldes

terça-feira, 24 de abril de 2012

Caçadores furtivos de elefantes foram mortos no Quénia


    Cinco pessoas, suspeitas de serem caçadores furtivos de elefantes, foram mortos na noite de sexta-feira para sábado durante um confronto com os Park Ranger’s (Vigilantes da Natureza) no Norte do Quénia, anunciou o Serviço de Vida Selvagem daquele país.
Os confrontos aconteceram na zona de Chepareria, a 400 quilómetros da capital, Nairobi, informou o Serviço de Vida Selvagem do Quénia (KWS, sigla em inglês), em comunicado.

Dois Park Ranger’s (Vigilantes da Natureza) ficaram feridos no incidente, precisou o KWS, segundo o qual foram recuperados 50 quilos de dentes de elefante e três armas AK47.

“Mais do que nunca, o KWS está determinado em pôr um fim à caça e à posse ilegal de produtos derivados da fauna”, declarou o organismo, citado pela agência AFP.

A Convenção sobre o comércio internacional de espécies selvagens de fauna e de flora ameaçadas de extinção (CITES) proíbe o comércio internacional de marfim desde 1989. Mas a partir de 1997, autoriza os países da África Austral a realizar algumas vendas pontuais.

Segundo as autoridades quenianas, dezenas de elefantes têm sido vítimas de caça furtiva nos últimos anos, num mercado negro que está a ser relançado, dizem, pela venda em 2008 dos stocks de marfim na posse de quatro países da África Austral, no âmbito de uma cláusula especial da CITES.

Fonte: Público


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Espanha: Lince-ibérico morre atropelado na Andaluzia


    Espanha: Lince-ibérico morre atropelado na Andaluzia e relança debate conservacionista

    Um lince-ibérico morreu atropelado numa estrada da Andaluzia, entre Sevilha e Huelva, informaram nesta quarta-feira as autoridades espanholas. A morte do animal, que pertence à espécie de felino mais ameaçada do planeta, relança o debate sobre a eficácia de algumas das medidas de protecção em vigor.
O animal - um juvenil cujo sexo ainda não foi determinado, devido ao seu mau estado - foi atropelado perto da localidade de Palma del Condado e deverá pertencer à população de Doñana, segundo a agência Europa Press. O condutor que atropelou o animal, ontem de madrugada, contactou a Guardia Civil espanhola e deu conta do sucedido.

Os peritos do programa Life-Lince e responsáveis da autoridade ambiental da região deslocaram-se à zona para recolher o lince e levá-lo para o Centro de Análises e Diagnóstico de Andaluzia, em Málaga, onde será feita uma necropsia.

Em conferência de imprensa, o delegado de Ambiente da Junta da Andaluzia em Huelva, Juan Manuel López, confirmou a morte por atropelamento e disse que este seria um lince jovem em época de dispersão, à procura de novos territórios.

As autoridades andaluzas estimam que a população de linces da província seja de 321 animais, 82 dos quais na população de Doñana; os restantes estão na região de Andújar.

Juan Manuel López lamentou a morte deste animal mas lembrou que vem confirmar que a espécie, em perigo de extinção, está a expandir-se para zonas de onde desapareceu há muito.

Os atropelamentos são a maior causa de morte dos linces-ibéricos que vivem em liberdade na região do Parque Nacional de Doñana.

O conselheiro para o Ambiente, José Juan Díaz Trillo, reconheceu que é preciso implementar “muitas medidas de precaução” para que não aconteçam mais atropelamentos, noticia hoje o jornal Huelva Información.

A morte deste animal reabriu o debate sobre a mobilidade destes animais em espaços naturais. “Investem-se muitos esforços e dinheiro para construir passagens subterrâneas e em altura mas não se corrigiram pontos negros”, disse o porta-voz das organizações de ambiente no Conselho de Participação de Doñana, Juan Romero. Este lamentou a “hipocrisia” das administrações públicas “que gastam o dinheiro da União Europeia, da Junta da Andaluzia e do próprio Governo em outros trabalhos, mas não na correcção destes pontos negros e nas outras causas da morte desta espécie ameaçada”.

Romero disse ainda que os linces são “muito territorialistas” e estão sempre a tentar colonizar novos espaços. “Existem na zona corredores ecológicos declarados pela União Europeia mas não se tem feito nada para pô-los a funcionar. Se não se articulam os territórios, as políticas de conservação do lince irão fracassar”, acrescentou.

Fonte: Helena Geraldes/Público


terça-feira, 3 de abril de 2012

Nasceram mais 12 crias de lince-ibérico em Portugal


   Nasceram nos últimos dias mais 12 crias de lince-ibérico em Portugal, um número inédito no centro nacional de reprodução que luta para evitar a extinção desta espécie de felino. Com um total de 17 crias, Silves é hoje o centro ibérico com mais nascimentos.
Das 12 crias, apenas uma não sobreviveu, informa o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB). Os onze animais estão a ser amamentados naturalmente, no interior das caixa-ninho, pelas fêmeas Fresa, Flora e Fruta. Os progenitores são Éon, Foco e Fresco.

Normalmente as ninhadas desta espécie têm dois animais mas desta vez, tiveram quatro. As três ninhadas resultam do emparelhamento de animais com três anos de idade que já nasceram em cativeiro, a maioria no centro de reprodução El Acebuche, no Parque nacional espanhol de Doñana, no Sul de Andaluzia.

A juntar a estas 11 crias, o centro de Silves cuida de outras seis que nasceram no início de Março. Segundo o ICNB estas continuam bem de saúde. “Os registos da videovigilância das caixas-ninho revelam que Castañuela, a fêmea que tinha parido quatro crias no início de Março, mantém os cuidados parentais adequados. Segue também positiva a amamentação artificial pelos técnicos do CNRLI, das duas crias da Biznaga, que pesam agora já cerca de 800 gramas”.

A temporada de partos prolonga-se durante o mês de Abril. Até agora, segundo a agência Europa Press, já nasceram 40 crias: 17 em Silves, 11 no centro de La Olivilla, nove em El Acebuche e três em Granadilla.

A reprodução em cativeiro é uma solução de fim de linha para tentar evitar a extinção do lince-ibérico (Lynx pardinus). Esta ferramenta de apoio ao programa de recuperação da espécie no seu habitat natural tem como objectivo conservar o máximo de variabilidade genética existente actualmente na natureza (85%) durante um período de 30 anos. Para isso é preciso que o programa de reprodução em cativeiro conte com, pelo menos, um núcleo reprodutor de 60 animais (30 machos e 30 fêmeas).

Os cinco centros ibéricos tentam ainda ter um número suficiente de animais para a sua reintrodução nas áreas de distribuição histórica da espécie. A primeira vez que nasceram linces em cativeiro foi em 2005 e desde então o número de crias tem vindo a aumentar, à excepção de 2010 (oito crias) por causa da doença renal crónica que afectou os animais. No ano passado sobreviveram 25 crias (12 machos e 13 fêmeas).

No total, a população de linces em cativeiro era, em 2011, de 96 animais (49 machos e 47 fêmeas).

A próxima fase da conservação ex-situ da espécie é preparar animais nos centros para a libertação na natureza. A 14 de Fevereiro de 2011, Grazalema e Granadilla – nascidas no centro de reprodução de La Olivilla – tornaram-se nos primeiros linces-ibéricos nascidos em cativeiro a ser libertados na natureza. Em Novembro desse ano, Granadilla estabeleceu o seu território na zona de reintrodução de Guarrizas; Grazalema foi encontrada morta em Agosto numa jaula para controlo de predadores em Castela-La Mancha.

Este ano, em Janeiro, já foram libertados 11 linces na zona de Guadalmellato, em Córdova e em Guarrizas. As informações disponíveis até agora indicam que estão a adaptar-se bem à liberdade.

Fonte: Público/Helena Geraldes

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Portugal: Tartaruga gigante encontrada na Nazaré


   A tartaruga com 1,5 metros e 160 quilos, encontrada este domingo na Nazaré, tem alguns ferimentos, está magra e desidratada e foi entregue aos cuidados do Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM) de Quiaios, Figueira da Foz.

«Está magra, está debilitada, tem vários ferimentos, alguns até antigos», disse à agência Lusa, Marisa Ferreira, bióloga responsável pelo CRAM.

A tartaruga de couro, uma espécie habitual na costa portuguesa, chegou às instalações do centro de reabilitação ao início da tarde, tendo sido necessárias nove pessoas para a colocar numa piscina, operação que contou com a ajuda de elementos dos bombeiros municipais.

«Já está na água há algum tempo e está mais calma. Mas ainda está a habituar-se a este mar com paredes», indicou.

Ressalvou, no entanto, que o tipo de piscina utilizada, em tela, com paredes «maleáveis», permite que os animais «ainda a conhecer os limites que têm [na piscina] possam bater na parede e não se magoem».

As primeiras análises sanguíneas efetuadas à tartaruga revelaram problemas de desidratação, indicou a bióloga, frisando que agora vai ser alimentada e medicada «e, posteriormente, se tudo correr bem», devolvida de novo à natureza.

Apesar de «realmente grande» dentro da sua espécie, a tartaruga de couro não é das maiores que já passaram pelo Centro de Reabilitação de Animais Marinhos.

«Este animal ainda é pequeno, já tivemos ocorrências com dois metros e meio de comprimento e esta tem apenas metro e meio. Tudo indica que é ainda um animal imaturo», sublinhou.

O animal foi encontrado por um pescador nas águas do mar da Nazaré, disse este domingo à agência Lusa uma fonte da Polícia Marítima local.

«A tartaruga estava desorientada e um pescador rebocou-a com um cabo para o interior do porto de abrigo», explicou a mesma fonte.


Africa Geographic Special Rhino Issue - “Run Baby Run”

    RHINO WAR NEWS - FEATURE - Africa Geographic Special Rhino Issue - “Run Baby Run” April 2012

    RUN BABY RUN - THE HISTORY  *  THE CRISIS  *  THE SOLUTIONS
A special issue dedicated to rhinos

More than one a day. That’s the rate which rhinos are being massacred in South Africa. We are bombarded daily with kill counts, court cases, corruption allegations and those awful images. Debates, arguments and the opinions of everyone from conservationists to bloggers to economists about What Should Be Done rage back and forth. Depressed? Confused? The team Africa Geographic was and, in an effort to cut through the clutter and voices, has dedicated its entire April issue to rhinos. 

Leading rhino experts have helped to produce Run Baby Run – the most accessible and comprehensive guide to rhinos and their plight.  How many are there? What do they use their horns for? Are the horns just like hair (no), do they have any medicinal qualities (jury’s out) and how long do we have before rhino populations start to decline (depends, but worst-case scenario is 2016)? 

Most importantly, all the proposed solutions to the current poaching crisis are discussed: beefing up security; increasing legal penalties; poisoning the horn; cutting it off; fighting demand in Asia; and, possibly the hottest debate of all, proposals to legalise the trade in rhino horn. With input from SANParks, Department of Environmental Affairs, the Hawks, rhino conservationists, rhino farmers, forensic specialists, scientists and economists, the April issue of Africa Geographic gives you all the information you need to come to your own, well-informed decision.

PLUS: Moved to make your own contribution? Africa Geographic presents more than 60 NGOs working to save rhinos – telling you what they stand for, how they spend your money and how to contact them.

 RUN BABY RUN is available for syndication in part or as a whole. For further information about the issue or to arrange interviews with the writers and editors, please contact: Carole Lowen
Marketing managerTel. +27 (0)21 762 2180

sarah borchert | editor | africa geographic  e-mail: sarah@africageographic.com tel: +27 (0)21 762 2180 | fax: +27 (0)21 762 2246

Enquiries  visit: www.africageographic.com | follow: FACEBOOK | tweet: TWITTER


terça-feira, 27 de março de 2012

Espécie classificada como “Em Perigo” recupera no PNM.


    Ave marinha em perigo de extinção na Madeira conseguiu sobreviver a incêndio

    A ave freira da Madeira, espécie em perigo de extinção, conseguiu sobreviver ao incêndio que, em 2010, destruiu mais de 90% do Parque Natural do Funchal. Hoje, dizem as autoridades, está em recuperação.
O incêndio que, a 13 de Agosto, destruiu 92% do Parque Natural do Funchal desferiu um duro golpe nas medidas de conservação da freira da madeira (Pterodroma madeira), espécie classificada como Em Perigo, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. A população mundial, em 2005, era de menos de 250 animais adultos.

“De imediato iniciámos um trabalho de recuperação da área e hoje podemos considerar que os trabalhos de conservação conseguiram reverter o problema”, disse o director do Parque Natural da Madeira (PNM), Paulo Oliveira.
No ano passado “houve, obviamente, uma quebra no número de juvenis que nasceram mas tivemos números que nos dão bons indicadores para o futuro”, apontou. Os 17 juvenis que nasceram nos ninhos recuperados após o incêndio que dizimou a vegetação do Pico do Areeiro, a 1818 metros de altitude, sobreviveram todos. Esta é uma ave que passa seis meses em alto mar e outros seis em terra para nidificar em zonas escarpadas do maciço montanhoso central (Março/Abril a Outubro).
O director do PNM lembra que o Pico do Areeiro “é dos sítios da Madeira com mais visitas, quer por parte de turistas, quer por parte de residentes” e, por isso, o Parque Natural pretende “dar uma mais-valia àquela área, baseada na estratégia da divulgação do património natural do maciço montanhoso central que é um sítio da Rede Natural 2000”.

O Presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, inaugura hoje no Pico do Areeiro o Centro da Freira da Madeira. Segundo o Governo, este “é um espaço que surge enquadrado com a estratégia do Governo Regional, através da Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, de aproveitar o potencial económico subjacente à existência na Região de um valioso e único património natural”. Neste Centro, estará disponível informação sobre “a espécie Freira da Madeira, bem como sobre o seu habitat, através de uma exposição permanente, dinâmica e interactiva, composta por diversos ‘posters’ que ilustram o ciclo de vida da freira da Madeira e todo o esforço desenvolvido pelo governo regional na conservação da biodiversidade”, refere uma nota explicativa.

“É uma estratégia que nós pretendemos de auto-sustentabilidade das áreas protegidas da Madeira, ou seja, vamos ter ali uma zona de prestação de serviços e de venda de merchandising ambiental que tornará a gestão e os trabalhos de conservação auto-sustentados”, conclui.

Este espaço, que será gerido pelo Serviço do Parque Natural da Madeira, representa um investimento na ordem dos 65 mil euros, contando com apoios do Governo Regional e da União Europeia, através do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural, no âmbito do PRODERAM.

Fonte:LUSA

sexta-feira, 23 de março de 2012

Nasceram sete crias de lince-ibérico no centro de Silves


    Sete crias de lince-ibérico, uma das espécies-símbolo da luta contra a extinção de animais, nasceram no início de Março no Centro de Reprodução de Lince-ibérico em Silves. Uma acabou por morrer e as outras seis estão bem de saúde.
A época de partos em Portugal foi inaugurada com Biznaga, uma fêmea que deu à luz três crias a 5 de Março, segundo informações do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB). “Duas das crias foram abandonadas uma hora após o nascimento, pelo que está a ser tentada a sua sobrevivência com amamentação artificial e incubadora”, de acordo com uma nota do instituto. Hoje pesam cerca de 400 gramas cada uma. A terceira cria acabou por morrer passadas 48 horas, apesar de a fêmea ter “demonstrado cuidados parentais normais”.

Biznaga, com seis anos, foi mãe pela primeira vez no ano passado e deu à luz duas fêmeas, depois de 64 dias de gestação. Mas Biznaga acabou por abandonar as crias poucas horas depois, algo normal para as fêmeas que dão à luz pela primeira vez. Os animais acabaram por não resistir.

Além de Biznaga, outra fêmea foi mãe no início deste mês. A 6 de Março foi a vez de Castañuela dar à luz quatro crias. “Apesar de serem muito raros partos com número tão elevado de crias, esta fêmea mostra grande dedicação e demonstra estar a cuidar adequadamente de toda a sua prole, que segue com actividade e ritmos de lactação normais”.

A temporada de cria 2011/2012 começou em Dezembro e só terminará em Abril. Em Silves foram formados nove casais, pelo que se esperam mais novidades para breve. Além das parelhas Biznaga e Drago e Castañuela e Fado foram formados os casais Fresa e Eon, Flora e Foco, Fruta e Fresco, Era e Fauno, Espiga e Calabacin e Azahar, Enebro, Erica e Gamma. As datas previstas para os partos estendem-se até a primeira semana de Abril, segundo o Programa ibérico de reprodução em cativeiro para esta espécie.

A população residente do Centro de Reprodução de Lince-ibérico em Silves conta, de momento, com 18 linces (nove fêmeas e nove machos): 13 dos que inauguraram o centro em 2009, três foram transferidos no final de 2010 e dois transferidos no final de 2011.

"Este é um projecto muito querido do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade", disse ao PÚBLICO Paula Sarmento, presidente do Instituto. "O lince-ibérico é uma espécie emblemática para a Península Ibérica, nomeadamente para Portugal", acrescentou.

Este é o segundo ano de reprodução em Silves. Na época 2010/2011 foram registados seis abortos e três crias - das fêmeas Biznaga, Fresa, Fruta e Azahar. Mas nenhuma das três crias sobreviveu.

"Agora, este ano está a correr muito melhor e aguardamos com alguma expectativa" o que se passa em Silves, disse Paula Sarmento. "O centro está a acompanhar as mães e as crias, 24 horas por dia, através de televigilância", acrescentou.

A rede ibérica dos cinco centros de reprodução em cativeiro – Silves, El Acebuche, La Olivilla, Granadilla e Gerez – conta esta época de reprodução com um total de 28 casais. E já há uma história de sucesso para contar. Pela primeira vez, uma equipa de um destes centros (El Acebuche, em Doñana) recuperou uma cria que tinha sido abandonada pela mãe, Boj, através sete dias em cuidados intensivos numa incubadora, e conseguiu que a progenitora a aceitasse de volta.

A reprodução em cativeiro é uma solução de fim de linha para tentar evitar a extinção do lince-ibérico (Lynx pardinus). O objectivo é reforçar com estes animais as duas únicas populações em estado selvagem, em Doñana e na Serra de Andújar, na Andaluzia. Para este ano, o programa de conservação espanhol pretende reintroduzir na natureza entre 14 e 15 linces nascidos em cativeiro, nomeadamente nas populações silvestres de Guadalmellato (Córdova) e Guarrizas (Jaén).

"As condições difíceis que o país atravessa são indiscutíveis. Mas projectos como este, que contam com patrocínios como medidas de minimização de impactes, podem ser uma mais-valia para o desenvolvimento de uma região, nomeadamente através do turismo de natureza", considerou ainda Paula Sarmento.

Fonte: Helena Geraldes/Público



terça-feira, 13 de março de 2012

População de lince-ibérico na Andaluzia perto de quadruplicar


    População de lince-ibérico na Andaluzia passou de 94 para 312 animais em nove anos

    Na Andaluzia, a população de lince-ibérico, o felino mais ameaçado do planeta, mais do que triplicou nos últimos nove anos, existindo hoje 312 animais, revela o censo de 2011 realizado pelas autoridades espanholas.
O censo do lince-ibérico (Lynx pardinus) de 2011 registou um aumento de 13% em relação aos 275 linces registados no ano anterior e um aumento de 231% em relação aos 94 animais detectados em 2002, segundo dados citados pela agência Europa Press.

De momento existem na Andaluzia as populações de Andújar-Cardeña, Guadalmellato, Guarrizas e Doñana-Aljarafe e em todas elas o número de animais aumentou. As autoridades destacam o caso da população de Doñana-Aljarafe, onde o número de exemplares duplicou nos últimos anos, passando dos 41 linces de 2002 para 88 em 2011. Esta população “poderá estar a sair da sua crítica situação”, acreditam os especialistas, segundo os quais existe um novo núcleo populacional, na província de Sevilha, onde vivem 14 animais.

Além do número de indivíduos, as autoridades andaluzas revelam que também aumentou o número de fêmeas (em idade reprodutiva e com território), exemplares dos quais depende em grande medida o potencial reprodutor da espécie em liberdade. Em 2011 existiam 76 destas fêmeas, acima das 27 registadas em 2002. No ano passado foram detectadas 86 crias de lince em liberdade.

A Junta de Andaluzia já está a reintroduzir linces na região de Guadalmellato e Guarrizas e assinou protocolos de colaboração com 169 proprietários e sociedades de caçadores que permitem gerir os habitats em 180.840 hectares de terrenos.

O projecto Iberlince (de 1 de Setembro de 2011 a 31 de Agosto de 2016) - orçado em 34 milhões de euros e com financiamento do programa Life+ - quer aumentar o número das duas populações reprodutoras do planeta para 70 fêmeas na Serra Morena e 25 em Doñana. Além disso, o projecto, proposto pela Junta de Andaluzia, quer estabelecer quatro novas populações de lince, com cinco fêmeas cada uma, em locais onde a espécie já existiu.

“Este projecto pretende recuperar a distribuição histórica do lince-ibérico nas regiões da Andaluzia, Castela-La Mancha, Estremadura espanhola e em Portugal”, segundo o resumo do projecto. O objectivo é identificar áreas com recursos naturais suficientes para a posterior reintrodução da espécie. Portugal, através do Instituto para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), vai responsabilizar-se por acções no valor de 3,6 milhões de euros a que corresponde uma comparticipação nacional de 1,4 milhões.
Fonte: Helena Geraldes/Público

quinta-feira, 8 de março de 2012

Alvão: Ritual de sobrevivência com milhões de anos


    Voluntários vão ajudar sapos e salamandras do Alvão a atravessar a estrada

    É um ritual de sobrevivência com milhões de anos aquele que, nesta altura, leva os anfíbios a sair da hibernação e a procurar zonas de água para reprodução. No Alvão, há uma estrada no seu caminho. Dezenas de voluntários vão torná-la menos ameaçadora.
Nos dias 9 e 10 de Março, dezenas de cidadãos de Vila Real vão construir um muro com 40 centímetros de altura, dos dois lados da estrada nacional EN313 – que liga Vila Real a Lamas de Olo –, num troço de 1400 metros. “Esta estrada já tem uma série de passagens hidráulicas por baixo da estrada. Aquilo que vamos fazer é construir um murete que conduza os anfíbios até essas passagens, para diminuir a mortalidade acidental por atropelamento, que no ano passado foi muito elevada”, disse ao PÚBLICO Carlos Lima da Divisão de Planeamento da Câmara Municipal de Vila Real. A iniciativa “Salvemos os Sapos” já tem confirmadas 50 pessoas para sexta-feira mas as inscrições ainda estão abertas.

“Nesta altura do ano, havia voluntários a transportar manualmente os animais de um lado para o outro da estrada. Mas isso não funcionava”, comentou. A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) monitorizou aquele troço da EN313 e concluiu que a mortalidade acidental por atropelamento é “muito elevada”, acrescentou Carlos Lima. Especialmente para o sapo-comum (Bufo bufo), o sapo-corredor (Bufo calamita) e a salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica), esta última espécie endémica da Península Ibérica e classificada como Vulnerável pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

Agora será construído no troço mais sensível da estrada um murete de betão, coberto com pedras locais para melhor integração na paisagem. Mas esta intervenção já está em contagem decrescente. “Não temos muito tempo”, disse Carlos Lima, que lembrou que os animais estão prestes a começar a migração de zonas mais elevadas, e secas, onde passaram o Inverno, em hibernação, até aos charcos temporários e turfeiras perto da barragem do Alvão para se reproduzirem.

A iniciativa surge no âmbito do projecto SeivaCorgo – uma das vertentes do Programa da Biodiversidade de Vila Real – e conta com a colaboração do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade e Parque Natural do Alvão e com o co-financiamento do Programa Operacional Regional do Norte (ON2).

O Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal, de 2010, lista 17 espécies de anfíbios, espécies especialmente sensíveis às alterações climáticas e às perturbações nos padrões de precipitação. Carlos Lima informou que, por enquanto, a seca que afecta todo o território de Portugal Continental, ainda não está a ter efeitos nas populações de anfíbios daquele concelho. “Na última saída de campo que fizemos, os charcos temporários estavam, pelo menos, húmidos. E a barragem do Alvão tem níveis de água assinaláveis”, constatou.
Fonte: Helena Geraldes/Público

segunda-feira, 5 de março de 2012

«Zoo» de células pode salvar espécies de extinção

   Segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, produzida pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN), 61.900 espécies correm risco de extinção. Mas o trabalho de uma cientista israelita, orientada por americanos, pode mudar essa realidade com o uso de células estaminais.
A pesquisa de Inbal Friedrich Ben-Nun foi feita sob orientação de Jeanne Loring, professor do Instituto de Pesquisas Scripps, na Califórnia, e Oliver Ryder, coordenador de pesquisas genéticas do Jardim Zoológico de San Diego. Ele é responsável pelo «Frozen Zoo», um banco criogénico de células de mais de 800 tipos de animais.
A partir de amostras da pele desses animais, Ben-Nun conseguiu cultivar células estaminais pluripotentes, ou seja, capazes de se diferenciar em diferentes tipos de células. A ideia é que, a partir delas, seja possível recriar óvulos e espermatozóides de animais em extinção e gerar crias.
Ao cultivar células do rinoceronte branco, espécie em extinção (há apenas sete animais espalhados pelo mundo), os cientistas mostraram que é possível desenvolver células de animais mais desenvolvidos. Até então, os cientistas só tinham conseguido cultivar células estaminais de ratos.
O estudo também foi realizado com células do primata drill e, de acordo com Ben-Nun, esse é o início de um zoo de células estaminais. O estudo foi publicado na Nature Methods.
O próximo passo é conseguir recursos financeiros para prosseguir com as pesquisas, criar espermatozóides e óvulos a partir dessas células e testar a fertilização in vitro.
Fonte: DiárioDigital


Vigilantes da Natureza vão monitorizar espécies de morcegos nos Açores

   Governo lança projeto para monitorizar espécies de morcego existentes no arquipélago

   O Governo dos Açores inicia este mês um projeto de inventariação e monitorização das espécies de morcegos existentes no arquipélago, que se encontram entre as menos conhecidas e as mais ameaçadas em Portugal.


Nos Açores, estão registadas quatro espécies de morcegos, a mais emblemática é o Morcego-dos-Açores (Nyctalus azoreum), que é a única espécie de mamíferos endémica da região.

Apesar de estarem registadas quatro espécies, os especialistas admitem que atualmente apenas existam no arquipélago populações de duas, o Morcego-dos-Açores e o Morcego-da-Madeira (Pipistrellus maderensis), o que indicia a regressão e a vulnerabilidade destas espécies.

"O acompanhamento destas populações é fundamental para reverter uma eventual situação de decréscimo populacional de morcegos nas ilhas dos Açores", refere a Secretaria Regional do Ambiente, numa nota divulgada através do gabinete de comunicação do executivo.

Nesse sentido, considera que "dada a sua vulnerabilidade e as lacunas existentes no conhecimento de fatores essenciais para a conservação destas espécies, é importante a realização de censos que forneçam informações sobre o estado, a tendência das populações e os potenciais fatores de ameaça".

O projeto envolve a formação de Vigilantes da Natureza para os dotar com os conhecimentos necessários para identificar as espécies através das características morfológicas e de vocalização, estando previsto para abril o início de uma campanha de censos para permitir um melhor acompanhamento das populações de morcegos existentes nas áreas protegidas do arquipélago.

A iniciativa do executivo regional insere-se nas celebrações do Ano Internacional do Morcego, promovido pela Convenção sobre a Conservação das Espécies Migradoras Pertencentes à Fauna Selvagem e pelo Acordo sobre a Conservação dos Morcegos Europeus, que visa promover a conservação, investigação e divulgação das cerca de 1.200 espécies de morcegos existentes no planeta, das quais metade estão ameaçadas de extinção.

Fonte: LUSA



Conservação do lince e abutre-preto ganha 5000 hectares no Alentejo


    O lince-ibérico e o abutre-preto, duas das espécies mais ameaçadas de Portugal, ganharam 5000 hectares de refúgio no Baixo Alentejo, no âmbito de uma parceria para a sua conservação assinada na Herdade da Contenda.
Com mais de 5000 hectares, a Herdade da Contenda – gerida pela Câmara Municipal de Moura – vai ser alvo de uma série de medidas para “melhorar as condições de sobrevivência, alimentação e reprodução do lince-ibérico e do abutre-preto”, explicou Eduardo Santos, da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) e coordenador do projecto LIFE - Natureza “Habitat Lince Abutre”, iniciado em Janeiro de 2010.

O protocolo de parceria foi assinado em Dezembro e, nos próximos cinco anos, serão instalados ninhos artificiais de abutre-preto e um campo de alimentação para esta ave necrófaga, e implementadas medidas de melhoria do habitat para o coelho-bravo, presa do lince-ibérico (Lynx pardinus) e do abutre-preto (Aegypius monachus).

“A Contenda é um espaço muito especial”, contou ao PÚBLICO Eduardo Santos. “É considerada, há muito tempo, uma das melhores áreas de habitat para o lince-ibérico e para o abutre-preto. Está bem conservada e tem uma área geográfica com muito boa dimensão”, acrescentou.

Eduardo Santos lembrou que, na Contenda "são observados regularmente, em média, 20 abutres-pretos. A zona é usada por estas aves como área de alimentação e alguns já foram vistos a pernoitar no perímetro da herdade". Esta está localizada a 20 quilómetros de uma colónia de abutre-preto em Espanha com 100 casais. Além disso está próxima da Serra Morena, habitat de lince-ibérico.

Ainda assim, há trabalho a fazer, como conseguir que a população de coelho-bravo aumente. “De momento não existem grandes populações de coelho-bravo mas há um núcleo que tem potencial para crescer”, considerou.

A Contenda tem áreas de pinhal, montado e sobreiral e uma zona de caça nacional. "Dentro de poucos anos poderemos esperar ter abutres-pretos a nidificar na Contenda", disse Eduardo Santos.

O projecto LIFE Natureza “Promoção do Habitat do Lince-ibérico e do Abutre-preto no Sudeste de Portugal” é co-financiado a 75% pelo Programa LIFE da Comissão Europeia e tem um orçamento global de cerca de 2,6 milhões de euros. O Projecto, com duração de 4 anos, de Janeiro de 2010 a Dezembro de 2013, será implementado nas regiões de Mourão, Moura e Barrancos, do Vale do Guadiana e da Serra do Caldeirão, nas áreas da Rede Natura 2000 aí existentes.

Até ao momento, e além da Herdade da Contenda, o projecto já estabeleceu protocolos com propriedades privadas, totalizando cerca de 7000 hectares, com o objectivo de “promover a conservação da paisagem natural que serve de habitat” àquelas duas espécies Criticamente em Perigo, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

Em Portugal, actualmente não se conhecem populações reprodutoras de lince-ibérico e em Espanha estima-se que existam apenas 200 indivíduos em duas populações. Quanto ao abutre-preto, depois de se ter extinguido como reprodutor nos anos 70, em 2010, quatro casais voltaram a nidificar em Portugal, na região do Tejo Internacional.

Fonte: Helena Geraldes/Público

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O ICNB recusa seguir a nova legislação europeia!


    Abutres estão a passar fome

    O Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) recusa seguir a nova legislação europeia que permite aos agricultores deixar as carcaças de animais mortos nos campos, para alimentar os abutres que sobrevoam o país.
Em causa, segundo admitiu ao SOL fonte do Ministério do Ambiente está o medo da transmissão de doenças, como a BSE ou a tuberculose. É uma questão de «salvaguarda da saúde pública e animal», explica a mesma fonte.
Mas a Quercus lembra que, em alternativa, o Executivo ficou de licenciar locais próprios para os abutres comerem (alimentadores), o que ainda não aconteceu no Parque Natural do Tejo Internacional (PNTI) – área com mais abutres em via de extinção. Por isso, a associação ameaça queixar-se a Bruxelas. «Se o Governo não assegurar a sobrevivência destas espécies vamos apresentar queixa na União Europeia (UE)», explica fonte da Quercus.
Isto porque segundo as regras das autoridades europeias, cada Estado-membro tem de ter, pelo menos, uma destas opções (alimentadores ou carcaças deixadas nos campos) para garantir a sobrevivência dos abutres.
Em Fevereiro de 2011, a UE decidiu autorizar que os agricultores passassem a deixar de novo nos campos as carcaças dos animais mortos, mediante regras específicas. Uma prática que estava proibida desde 2002 devido à BSE (doença das vacas loucas).
Na altura a proibição deixou os abutres, aves protegidas por lei, em perigo de extinção, sem alimento disponível, correndo mesmo o risco de morrer à fome. Por isso, a UE aprovou a criação de campos de alimentação nos quais seriam deixados «corpos de animais mortos».
Mas, segundo a Quercus, em Portugal nem uma, nem outra solução está a ser aplicada.
Ao mesmo tempo, a falta de alimento tem gerado situações perigosas, como as que aconteceram no ano passado: para conseguirem comer, vários abutres (sobretudo grifos) atacaram gado vivo na zona da Beira Interior, lançando o pânico entre os agricultores. Na altura, fonte oficial do ICNB, entidade à qual cabe o licenciamento dos alimentadores – no PNTI há por licenciar dois da Quercus e um privado –, garantia ao SOL que estaria «para breve» esta medida, que então esperava os pareceres da DGV.
Um ano depois, fonte oficial daquele instituto, admite que ainda não está concluído: «O processo de licenciamento dos alimentadores foi acelerado e está a ser finalizado».
Segundo o que o SOL apurou, a DGV já deu luz verde ao licenciamento. Além disso, o Plano Nacional Para a Conservação das Aves Necrófagas, há anos na gaveta, poderá avançar em Março.
Para a Quercus, a falta de alimento para os abutres é o principal ponto que o plano deverá colmatar. Aliás, fonte da associação conta que já este ano, houve abutres a ‘roubar’ alimentos. «Roubaram mais de 30 carcaças de veados, enquanto os caçadores almoçavam».
Para a Quercus a melhor solução seria o Governo permitir a existência do gado nos campos e ao mesmo tempo licenciar aqueles centros de alimentação. «Só assim os abutres terão comida suficiente», avisa a associação.

Fonte: Sónia Balasteiro/SOL

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Aldeia na Índia é deslocada para dar habitat para tigres


    Uma aldeia chamada Umri, com mais de 350 pessoas, foi deslocada na semana passada para uma nova localização, com o objectivo de melhorar o habitat dos tigres. A aldeia situava-se na reserva de tigres Sariska, no estado de Rajasthan, que fica no Norte da Índia, colado ao Paquistão, e é a segunda aldeia no país a ser deslocada devido aos tigres.
“O processo foi feito em cooperação com as famílias. Vai ajudar a assegurar um habitat próprio para os grandes felinos, por isso tanto os governos dos estados como o centro (o Governo federal) estão a trabalhar para isso”, disse R. S. Shekhawat, director do campo do parque nacional, à AFP.

As autoridades compensaram as 82 famílias da aldeia com uma quantia de 15.500 euros ou com uma área de terreno mais dinheiro para construírem casas. Os novos terrenos ficam nas imediações da reserva, onde haja solo arável.

Existem 11 aldeias no centro do parque, com uma população de 2500 pessoas, o objectivo é ir deslocando as aldeias para que o parque se torne seguro para os tigres. Há quase cinco anos, uma outra aldeia da região também foi deslocada.

Em 2002 existiam 16 tigres no parque, o número chegou a descer a zero, hoje são cinco. O parque tem 866 quilómetros quadrados. “Para manter uma reserva com este tamanho, precisamos de um número mínimo de 20 tigres fêmeas para ajudar na reprodução de uma população viável de 80 a 100 tigres”, disse P. S. Somasekhar, responsável pela conservação das florestas do estado, à BBC News.

O tigre é um animal protegido na Índia. A população aumentou de 1411 para 1706 indivíduos, entre 2007 e 2011, graças a uma política de conservação que vigora no país. Mas o número é uma sombra comparando com os 100.000 tigres que existiam há um século.

Contra o contrabando de tigres

O habitat do tigre, embora já tenha no passado chegado ao Cáucaso, está agora reduzido à Índia e a áreas fragmentadas do sudeste da Ásia e numa pequena região da Sibéria, com uma população que não ultrapassa os 3200 tigres, segundo a WWF, distribuídos por seis subespécies.

Entretanto, os responsáveis da polícia dos 13 países onde ainda existem tigres, reuniram-se nesta semana para acordarem um plano contra o comércio ilegal de tigres e melhorarem a comunicação entre fronteiras para protegerem o grande felino.

O seminário feito em Banguecoque, capital da Tailândia, foi organizado pela Interpol. “Os nossos esforços para lutar contra o crime [feito aos] tigres não pode só resultar em apreensões – tem que resultar em acusações e condenações, e em penalidades fortes de modo a parar a corrente de contrabando”, disse John Scanlonm, secretário-geral da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies em Perigo, citado pela BBC News.

Fonte: Público
Foto: Adeel Halim/Reuters

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Nasceram três lontras no Fluvário de Mora, já se prepara um Lontrário


   O Fluviário de Mora anunciou hoje o nascimento de três crias do casal de lontras que usam dois célebres nomes artísticos: "Mariza" e "Cristiano Ronaldo". Chegam a tempo de estrear o novo Lontrário, actualmente em construção.
As crias das lontras-de-garras-pequena nasceram em Dezembro mas o anúncio oficial só foi feito agora. Os bebés são filhos do casal "Cristiano Ronaldo” e "Mariza" (nomes artísticos - no baptismo oficial são Nico e Nacy), junto há quase cinco anos e que, por fim, gerou descendência.
"Por ora, o trio de pequenitos ainda só vê a luz do dia a partir do seu ninho, onde têm permanecido sobre atenta guarda" dos pais, informa o Fluviário. Mas "estarão aptos a usufruir totalmente do futuro Lontrário hoje em construção e integrado nas obras de ampliação do Fluviário de Mora".
O novo habitat acolherá não apenas este casal e crias: terão como vizinha a espécie existente em Portugal, a Lontra-europeia, Lutra lutra. "Tratando-se de uma espécie protegida, todo o processo tem sido acompanhado pela Direcção-Geral de Veterinária e pelo Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, estando as duas espécies devidamente separadas", informam.

A obra em curso transformará o tanque, onde actualmente vivem "Mariza" e "Ronaldo", "num aquário para peixes de grande porte, uma espécie de Monstros do Rio: carpas de mais de 20 quilos, esturjões com mais de 1 metro de comprimento, enguias".

Quanto ao recém-nascido trio de lontrinhas ainda não tem nome e vive "superprotegido pelos dois pais orgulhosos".

O Fluviário de Mora tem mais de 500 peixes de 55 espécies diferentes de todo o mundo em habitats naturais, aquáticos e terrestres, num percurso entre a nascente e a foz de um rio. Desde a abertura, em Março de 2007, já recebeu mais de 660 mil visitantes.

Fonte: fugasnotícias

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Brasil: Guardaparques fazendo monitoreo na Mata Atlântica


Mamíferos ameaçados de extinção serão mais conhecidos na Mata Atlântica

    Projeto apoiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza pretende conhecer para melhor preservar o habitat dos animais de médio e grande porte.
Curitiba – Os mamíferos terrestres de médio e grande porte que estão ameaçados de extinção no litoral paranaense – como onça-parda, cachorro-vinagre, cateto e jaguatirica – vão ser mais conhecidos. Essa é a grande proposta do projeto Status de mamíferos de médio e grande porte ameaçados de extinção em áreas protegidas de Floresta Atlântica costeira do litoral do Paraná, realizado na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba pelo Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
O estudo, que teve início em 2009, já com o apoio da Fundação Grupo Boticário, avalia a ocorrência e a distribuição dos mamíferos de médio e grande porte nos diferentes tipos de habitat na Floresta Atlântica costeira, dentro de quatro Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs): Salto Morato – mantida pela Fundação Grupo Boticário, Morro da Mina, Rio Cachoeira e Serra do Itaqui. “Em outras palavras, queremos saber quais deles estão presentes em cada RPPN e em que locais exatamente eles se localizam”, diz Roberto Fusco-Costa, responsável técnico pelo projeto, doutorando e coordenador de projetos científicos do Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC).
Ao final do projeto, o pesquisador repassará os resultados do estudo para cada reserva, junto com recomendações e orientações para que os gestores dessas unidades de conservação continuem o monitoramento dessas espécies a longo prazo. “Para os gestores das reservas, é importante saber onde as espécies estão localizadas, para que esses locais possam ser adequadamente protegidos. Por outro lado, a falta de animais em outras áreas pode indicar que estas regiões estejam sofrendo pressões, como a caça, e que por isso a fiscalização precisa ser intensificada ali”, explica Fusco.
Até o momento, foram detectadas mais de 20 espécies de mamíferos de médio e grande porte nas quatro reservas estudadas e praticamente 50% delas estão ameaçadas de extinção. Onze guarda-parques experientes na identificação de mamíferos estão sendo orientados para a prática do monitoramento por meio de rastros. Na Reserva Natural Salto Morato, foram 15 as espécies detectadas, sendo que sete estão ameaçadas de extinção: anta, onça-parda, jaguatirica, cateto, paca, gato-maracajá e gato-do-mato-pequeno.
“Até agora estamos muito satisfeitos com os resultados preliminares da pesquisa. Existe um incentivo e colaboração muito grandes por parte das reservas estudadas”, afirma Fusco.
A pesquisa terá conclusão em 2012 e também tem o apoio da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e parceria com os Laboratórios de Dinâmicas Ecológicas e de Biologia e Ecologia de Vertebrados da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Sensíveis indicadores -O pesquisador Fusco explica que os mamíferos de médio e grande porte foram escolhidos para esta pesquisa porque eles têm grande importância ecológica, estão entre as espécies mais sensíveis às alterações de habitat, e, consequentemente, a presença ou não deles pode indicar o grau de qualidade de conservação de uma determinada área.
Para sobreviver, alguns animais necessitam de grandes áreas conservadas. “Uma única onça-parda, por exemplo, pode precisar até de 15 mil hectares de área”, diz Fusco. No entanto, a vida desses animais é comprometida pela degradação da floresta e atividades ilegais de caça, que ainda ocorrem no litoral Paraná, inclusive dentro de unidades de conservação públicas e privadas.
A ausência dos mamíferos também pode desequilibrar os ecossistemas onde vivem. Felinos como a onça-parda, a onça-pintada e a jaguatirica estão no topo da cadeia alimentar, sendo que a ausência ou diminuição desses predadores pode prejudicar o controle das populações de suas presas. Já com a perda de herbívoros, como as antas e queixadas, a floresta deixa de ter um importante dispersor de sementes para contribuir na manutenção de diversidade de árvores.
A procura de mamíferos na floresta -A maioria dos mamíferos possui hábitos discretos e costuma sair de seus abrigos durante as horas crepusculares (final da tarde e início da manhã) e noturnas. Mesmo nestes períodos, é difícil visualizar esses animais no meio da floresta. Por isso, a melhor forma de identificar a presença deles é por meio dos vestígios que deixam pelo caminho, como restos de alimentos, rastros, fezes e pegadas.
O estudo realizado por Fusco utiliza duas técnicas para registrá-los. Uma é a instalação de armadilhas fotográficas em vários pontos das Reservas, que fazem imagens dos animais durante o dia e a noite. Outra técnica é a de observação e identificação de pegadas que ficam marcadas nas trilhas
Para auxiliá-lo nos trabalhos de campo, Fusco selecionou funcionários das próprias reservas – os chamados guarda-parques – que são experientes na identificação de espécies de mamíferos por pegadas. Eles foram treinados e orientados para percorrer periodicamente algumas trilhas pré-definidas dentro das reservas e anotar em uma planilha os mamíferos cujas pegadas foram vistas. Os funcionários também receberam instruções para manusear as armadilhas fotográficas. “A intenção é fazer com que os próprios guarda-parques participem do monitoramento da fauna ao mesmo tempo em que praticam a fiscalização na unidade de conservação”, explica Fusco, que monitora os trabalhos mensalmente.
Pode acontecer de algumas espécies existirem numa determinada reserva, mas não serem detectadas ao longo do projeto. “A chance de um animal ser detectado, pode variar, além de outros fatores, com o ambiente, época do ano e até com as características biológicas de cada espécie, por exemplo, se existem poucos indivíduos de onça-parda na reserva, será bem mais difícil detectá-la. Da mesma forma, se o animal for muito esquivo, a probabilidade fica bastante reduzida”, explica Fusco.
Por isso, ele também realiza uma modelagem estatística. “Com base nas espécies detectadas, nós utilizamos a estatística para nos mostrar se existe uma maior probabilidade dela ocorrer na região. A estatística irá nos indicar se a espécie varia de acordo com o tempo, época do ano ou espaço. Esse modelo estatístico fornecerá uma estimativa mais confiável da riqueza e ocupação das espécies estudadas”, comenta o pesquisador.
Pesquisa na Reserva Natural Salto Morato -Uma das RPPNs alvo da pesquisa de Roberto Fusco-Costa é a Reserva Natural Salto Morato, de propriedade da Fundação Grupo Boticário. Em seus 2.253 hectares, a Reserva protege a rica biodiversidade e também tem um centro de pesquisas com alojamento e laboratório para oferecer suporte aos pesquisadores. Mais de 80 pesquisas já foram realizadas no local, incluindo teses de doutorado, dissertações de mestrado e monografias de especialização, em assuntos diversos como biologia e ecologia de espécies de fauna e flora, análise do manejo da Reserva, visitação, trilhas, ecoturismo, bem como os que diretamente embasam as ações de manejo do patrimônio natural da Reserva.
.[Os pesquisadores interessados em realizar trabalhos na Reserva Natural Salto Morato podem acessar os procedimentos necessários e as normas para pesquisa no site: www.fundacaogrupoboticario.org.br, no item: “O que Fazemos” > “Áreas Protegidas” > “Reserva Natural Salto Morato”].
Perfil-A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador do Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já doou quase U$ 11,3 milhões para 1.282 projetos de cerca de 448 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Projeto Oásis. Na internet: www.fundacaogrupoboticario.org.br, www.twitter.com/fund_boticario e www.facebook.com/fundacaogrupoboticario.



Fonte: Marcelo Segalerba 
 http://www.revistafator.com.br/ver_noticia.php?not=188819

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Uma micro-reserva para proteger a borboleta azul


    Uma micro-reserva para proteger a borboleta azul que imita formigas

    A rara e ameaçada borboleta azul, que apenas sobrevive se for adoptada por formigas, ganhou esta semana uma micro-reserva na serra de Montemuro, no Norte do país, graças a um projecto da Quercus que teve o apoio da paróquia local.
A estratégia de sobrevivência da borboleta azul das turfeiras é, talvez, a mais surpreendente em todas as 135 espécies de borboletas diurnas conhecidas em Portugal.

Ao contrário do que acontece com as lagartas de outras espécies que, no Inverno, aguardam, escondidas na vegetação, pelo calor e Sol da Primavera para voar, a Phengaris alcon (anteriormente conhecida como Maculinea alcon) está debaixo da terra, dentro de um formigueiro. Aqui, a lagarta leva uma vida predatória, alimentando-se das larvas das formigas até estar pronta para surgir nos lameiros como uma das borboletas mais ameaçadas de Portugal. Actualmente apenas são conhecidas populações no Parque Natural do Alvão e na serra de Montemuro, esta última descoberta no Verão de 2011 pelo Tagis - Centro de Conservação das Borboletas de Portugal.

Na semana passada, a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza comprou 3500 metros quadrados no município de Castro Daire, na Serra de Montemuro, para criar uma micro-reserva e ajudar à sobrevivência dessa população de borboleta azul. “É um terreno privado, rodeado de baldios e pequenas propriedades, que comprámos com donativos de privados”, disse Paulo Lucas, do Grupo de Trabalho de conservação da natureza daquela organização.”Esta era uma ambição antiga nossa e quisemos perseguir o sonho de ter um espaço para esta borboleta”, acrescentou, em declarações ao PÚBLICO.

Para Patrícia Garcia Pereira, bióloga do Tagis, esta é uma “grande notícia”. “Foi por acaso, durante uma visita ao campo guiada pelo botânico da região Tiago Monteiro Henrique, em meados de Junho, que soubemos que havia naquela zona a planta onde a borboleta põe os ovos”, contou a investigadora. “Mas ainda não era a época de voo da borboleta. Bom, tenho de voltar, pensei. Poucas semanas depois fizemos uma nova visita e aí sim, encontrámos as borboletas, confirmámos aquela população”. Hoje é a população mais a Sul que se conhece desta espécie, em Portugal.

Naquela região, marcada pelo despovoamento, “as pessoas estão receptivas. Na verdade, a paróquia local ajudou-nos muito, por exemplo, a encontrar terrenos e a contactar os proprietários”, contou Paulo Lucas.

Gado, formigas e flores: a equação perfeita

No Verão, centenas de borboletas azuis esvoaçam nos lameiros de altitude. Mas há milhares de ovos que não sobrevivem, comidos por predadores como os gafanhotos. “A mortalidade é muito grande”, disse ao PÚBLICO Paula Seixas, que estuda a espécie desde 2003 no Departamento de Protecção de Plantas da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Mas o ciclo de vida desta borboleta está ele mesmo cheio de desafios, conta a investigadora. É na primeira semana de Julho que se podem ver os primeiros adultos a voar, normalmente machos. “As fêmeas surgem três a quatro dias depois”. Quando chega a altura, acasalam e fazem as posturas nas flores de uma única espécie de planta, também ela rara, a Genciana-das-turfeiras (Gentiana pneumonanthe). Cada borboleta põe entre 40 a 50 ovos, que distribui por várias plantas. Um dos maiores problemas é a alteração deste habitat através do abandono do gado que mantém estas espécies de plantas, impedindo a vegetação de crescer demasiado. Um dos objectivos da micro-reserva é, segundo a Quercus, garantir que o gado continua a alimentar-se naquelas zonas.

Depois de passarem várias semanas na flor, as lagartas – na altura já medindo três milímetros - abrem um orifício e atiram-se para o solo onde são colhidas por uma única espécie de formigas, do género Myrmica, que as capturam pelas mandíbulas e as levam para o seu formigueiro. Estas confundem a lagarta por crias de formigas perdidas, por causa de uma substância hormonal, que imita os odores tão seus conhecidos. “Mas se não houver um formigueiro a uma distância de, pelo menos, dois metros da planta, as formigas não irão buscar as lagartas e estas acabam por morrer”, acrescentou Paula Seixas. Depois de terminarem o seu desenvolvimento larvar, as borboletas têm à sua espera, em média, dez dias de voo.

Tendência de aumento

Agora, o futuro da Phengaris alcon parece estar mais seguro. “No Parque Natural do Alvão, há densidades populacionais bem estimadas. Na maior população foram contadas entre 4000 e 5000 borboletas numa zona com 2,5 hectares”, disse Paula Seixas, da UTAD. Todos os Verões, Paula e a sua equipa saem para os lameiros para monitorizar e chegam a ter várias borboletas azuis pousadas sobre si. “De manhã à noite fazemos contagens, nomeadamente do números de ovos, a altura das plantas, que plantas preferem, etc. Queremos conhecer todo o ecossistema”.

“Nesta altura a população está a registar um aumento, especialmente por causa da gestão especial das turfeiras, nos lameiros, que se faz há alguns anos”, acrescentou. Ainda assim, o trabalho não tem sido fácil. “Tentamos sempre conversar com as populações, envolver as pessoas e falar-lhes da necessidade de promover a qualidade ecológica”, disse. “Em 2011 conseguimos a aceitação para usar a turfeira para o gado mas com diminuição do pisoteio em determinadas quinzenas cruciais para as borboletas. Aí não foi fácil e compreende-se bem a razão”.

Neste momento, um grupo de trabalho na Suécia está a fazer a composição genética das borboletas azuis das turfeiras. “Somos a zona periférica da distribuição da espécie, que também ocorre em outros países na Europa, e queremos saber se há diferença genética”. Além disso, a Câmara de Vila Real está a promover um projecto para reintroduzir a borboleta na Campeã, zona onde a espécie foi encontrada pela primeira vez, em 1949, e de onde já desapareceu. “Os campos foram transformados em milheiral, batatal e os cursos de água naturais já não existem. Mas agora estão novamente disponíveis” e poderão ser uma oportunidade para as borboletas azuis, trazendo de volta um campo rico em vida selvagem.

Fonte: Helena Geraldes/Público
Foto: Dinis Cortes

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Espécie rara de tartaruga gigante que se julgava extinta reapareceu

 

    Uma espécie rara de tartaruga gigante das  ilhas Galápagos, no Equador, que se julgava extinta há mais de 150 anos,   reapareceu em muito pequeno número, revela uma investigação hoje publicada  nos Estados Unidos.  


    Segundo a agência AFP, cientistas norte-americanos chegaram a esta conclusão  depois de terem redescoberto a marca genética da tartaruga Chelonoidis elephantopus  no ADN dos seus descendentes híbridos. 
Um grupo de investigadores da Universidade de Yale detetou os traços  genéticos desta espécie no ADN de onze tartarugas de outra espécie, a Chelonoidis  becki, que habitam na ilha de Isabela, a maior do arquipélago das Galápagos.
Originalmente, a Chelonoidis elephantopus encontrava-se apenas numa  outra ilha das Galápagos, a Floreana, tendo sido dada como extinta pouco  depois da viagem do naturalista britânico Charles Darwin ao arquipélago,  em 1835. "Pelo que sabemos, é a primeira vez que se redescobre uma espécie animal  extinta", afirmou Ryan Garrick, da Universidade de Yale, e um dos coautores  do estudo publicado na revista "Current Biology".  
As tartarugas das Galápagos ficaram célebres por terem inspirado Charles  Darwin na teoria da evolução das espécies pela seleção natural. 
Os répteis podem pesar perto de 400 quilos, medir mais de 1,80 metros  de comprimento e viver mais de cem anos. Atualmente, alguns exemplares das  13 espécies de tartarugas das Galápagos estão em risco de extinção.  
De acordo com os investigadores norte-americanos, o transporte de tartarugas  de uma ilha para outra das Galápagos, por parte de piratas e baleeiros,  não era raro no século XIX. 

Fonte: SIC Noticias  

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Devolução à Natureza de uma águia-de-asa-redonda no Sabugal


    Esta águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) tinha sido encontrada por um particular no dia 24 de Novembro amarrada a um chafariz em Aldeia da ponte, Sabugal. A ave foi encaminhada para o CERVAS através de Vigilantes da Natureza da Reserva Natural da Serra da Malcata e do Parque Natural da Serra da Estrela.
No momento do ingresso a ave não se conseguia manter de pé e apresentava vários sinais compatíveis com uma situação de trauma. Após tratamento e recuperação clínica a águia-de asa-redonda passou por um processo de treino e musculação em conjunto com outras aves da mesma espécie para poder novamente ser devolvida à Natureza num local próximo daquele onde tinha sido encontrada.
Fonte: CERVAS