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quinta-feira, 18 de março de 2010

União Europeia falha meta da biodiversidade

Deveria cumprir-se este ano, mas o Conselho de Ministros do Ambiente da União Europeia (UE) e o comissário para aquela área, Janez Potocnick, foram obrigados a reconhecer que a meta dos 27 para a biodiversidade no espaço europeu falhou. "Não cumprimos o nosso objectivo para 2010", admitiu ontem, em Bruxelas, o comissário Potocnick, notando: "Não podemos repetir o erro."

O erro dos 27 da UE foi não terem posto em prática planos para travar a perda de biodiversidade no espaço europeu, como se tinham proposto para esta altura. O Conselho de Ministros adiou assim para 2020 a concretização dessa meta e solicitou à Comissão Europeia um plano de acção.

Fonte: LUSA

segunda-feira, 15 de março de 2010

Investigador alerta: Portugueses desperdiçam riqueza das algas

Portugal não está a aproveitar uma importante riqueza que são as algas, capaz de desenvolver indústrias locais, num país sem paralelo pela sua biodiversidade, onde se encontram espécies características do Norte da Europa, mediterrânicas e tropicais, segundo um especialista.

Apesar da sua extensa região costeira, da rica biodiversidade, e das múltiplas aplicações das macroalgas, como produto alimentar, na investigação biomédica, e nas indústrias alimentar, de cosmética e farmacêutica, Portugal praticamente não dispõe de actividades económicas associadas.

Leonel Pereira, especialista e docente na Universidade de Coimbra, ciente desse potencial, criou o portal português das macroalgas - o "MACOI - Portuguese Seaweeds Website" - e tem-se empenhado em divulgar junto de autarquias e associações o potencial desta riqueza natural, para a indústria e a gastronomia.

"Não há mais nenhum país europeu com estas características. Potencialmente deveríamos ter esta área muito desenvolvida em Portugal, porque temos condições ótimas e deveria haver muita gente a trabalhar neste sector, na investigação e utilização industrial e comercial", referiu à agência Lusa o investigador.

Contudo, recorda que em meados do século passado Portugal chegou a ser um dos maiores produtores mundiais de "agarófitas", do "agar" (substância extraída das algas marinhas), um componente com elevado valor económico, utilizado na indústria alimentar e na investigação científica, em culturas de tecidos e microbiológicas.

Segundo o docente, até então era o Japão que fornecia os mercados internacionais, mas a sua entrada na II Guerra Mundial ajudou a que a "muitas populações ribeirinhas", de pescadores, tirassem partido dessa actividade, sobretudo no Sudoeste alentejano e no Oeste.

Das várias empresas que na altura operavam com "agar" - frisou - agora só é conhecida uma, a multinacional Iberagar, instalada na Península de Setúbal, e trabalha exclusivamente com algas importadas.

Leonel Pereira realça que as características da costa portuguesa, muito exposta, e com grande ondulação, não favorece o desenvolvimento da maricultura, mas pode ser feita nos estuários dos rios, nas antigas salinas e nas rias, de Aveiro e Formosa, que, acredita, com a implementação da Diretiva Quadro da Água ficarão suficientemente despoluídas.

Nas antigas salinas poderia desenvolver-se uma "aquacultura multitrófica", ou seja, uma cultura em que simultaneamente se combinam a produção de peixes, bivalves ou mariscos, com a de macroalgas.

Optando pelas macroalgas adequadas elas poderão ter uma dupla função. Servirem de "biofiltradores naturais", de purificadores da água onde se produzem os peixes, e a sua biomassa aproveitada para fins industriais, alimentares, ou como fertilizantes.

Como Portugal não conseguirá produzir em larga escala como acontece nos países asiáticos, pelas condições adversas da costa, poderá apostar em nichos de mercado, e "tirar partido de qualquer coisa especial que os outros não conseguem", adiantou.

Na sua tese de doutoramento Leonel Pereira comparou as algas vermelhas de Portugal com as de outras partes do mundo e concluiu que as portuguesas "são das mais ricas na quantidade e na qualidade das 'carragenanas'", que têm um elevado uso na gastronomia e como aditivos da indústria alimentar.

Portugal poderá também tirar partido de uma preocupação da indústria transformadora das macroalgas, que a é de encontrar alternativas de fornecimento a médio prazo por receio de que as alterações climáticas inviabilizem as culturas em regiões actualmente produtoras. Como o país dispõe de microalgas características de águas frias e águas quentes, o impacto das alterações climáticas poderá ser menor nestas culturas.

Fonte: LUSA

quinta-feira, 11 de março de 2010

Comissão Europeia mobiliza portugueses a plantarem árvores

Plantar dez mil árvores entre 15 e 21 de Março, mas multiplicar o gesto em acções de sensibilização, é o mote de uma campanha da Comissão Europeia, com diversos parceiros nacionais, entre eles a Autoridade Nacional Florestal e a Associação Nacional de Municípios Portugueses.

O objectivo da Comissão é sensibilizar os cidadãos para as questões da biodiversidade e das alterações climáticas – dois temas centrais da política europeia na área ambiental e da sustentabilidade.

As árvores serão plantadas sobretudo em meio urbano, em acções promovidas por autarquias, escolas e associações locais. Algumas empresas do sector florestal, como a Altri e a Portucel-Soporcel, e de gestão de resíduos, como a Lipor e a Valorsul, associaram-se à inciativa. Também participarão organizações não-governamentais de ambiente, como o GEOTA e a Liga para a Protecção da Natureza.

Dez mil árvores é um número modesto, perante os milhões plantados todos os anos pelas empresas florestais. “Temos consciência de que é insuficiente”, disse Margarida Marques, chefe da representação da Comissão Europeia em Portugal. Mas o objectivo, segundo Margarida Marques, é criar uma dinâmica pró-activa e de sensibilização.

Além disso, o projecto poderá lançar outras ideias, como a possibilidade de pessoas ou empresas apadrinharem as árvores plantadas, cuidando do seu futuro. Muitas iniciativas semelhantes levadas a cabo nessa altura acabam por resultar na morte das árvores, por falta de tratamento posterior.

Fonte: Publico.pt

sexta-feira, 5 de março de 2010

Nemátodo "continua a avançar de forma descontrolada" dizem proprietários

O presidente da Federação Nacional das Associações de Produtores Florestais (FNAPF), Vasco Campos, garante que o nemátodo do pinheiro “continua a avançar de forma descontrolada”, por falta de medidas, contudo o Ministério está optimista.

“O combate do nemátodo [doença do pinheiro] está parado. A Autoridade Florestal Nacional (AFN) protocolou com as associações (de produtores) uma série de medidas de combate da doença do pinheiro-bravo, mas esse protocolo acabou em 31 de Dezembro”, declarou Vasco Campos à agência Lusa.

O nemátodo da madeira do pinheiro é uma doença causada por um verme microscópico transportado por um insecto que contamina as árvores por onde passa, afectando sobretudo a copa e os ramos



Vasco Campos, que é também presidente da Caule - Associação Florestal da Beira Serra, avança que o pinheiro-bravo “está mesmo em risco de desaparecer na região Centro”.

Também o coordenador da Associação dos Baldios e dos Produtores Florestais do Centro (SEBALDIC), Isménio de Oliveira, denuncia a “falta de informação verdadeira sobre a realidade” e de uma análise real no terreno.

“Há uma falta de informação do Ministério da Agricultura sobre a verdadeira situação, sabemos que aumentou a área do pinheiro com doença, há concelhos como Arganil e Castanheira de Pêra onde há mais pinheiros mortos do que há três meses atrás, não sabemos porquê”, criticou.

Isménio de Oliveira lamenta que, neste momento, “não esteja a funcionar, no terreno, o plano de combate do nemátodo”.

“Estamos num interregno, o que é mau porque é nesta fase que se pode abater as árvores, entre Abril e Outubro é quando o insecto vector propaga a doença”, disse.

Segundo o presidente da FNAPF e da Caule, “o que está a ser feito é residual”.

Contactado pela Lusa, fonte do Ministério da Agricultura confirma que estão no terreno “acções de prospecção e eliminação de árvores com sintomas de declínio”, por organizações de produtores florestais que “não tinham desenvolvido todas as acções protocoladas e dispunham de saldos de protocolo (verbas por aplicar)”.

“O que é preciso é renovar o protocolo e avançar, de novo, para o terreno em força, porque continuamos com um problema muito grave de nemátodo, que não está controlado”, contrapõe Vasco Campos.

Para o Ministério da Agricultura, “os resultados obtidos até ao momento são optimistas quanto às perspectivas de contenção da expansão da doença do Nemátodo da Madeira do Pinheiro na região Centro”, onde “estima que tenham sido eliminadas cerca de 1,9 milhões de árvores”.

“Desde Outubro até à presente data, a AFN deu continuidade à execução das acções de prospeção e eliminação de árvores com sintomas de declínio” e “até ao final de Abril está prevista a continuidade das acções de corte das árvores com sintomas”, garante o Ministério.

O combate do nemátodo envolve vários grupos de investigação, através de estudos financiados pela AFN.

Burocracias dificultam candidaturas a medidas de combate

A Caule, denunciou hoje as “enormes dificuldades” das entidades gestoras das Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) em se candidatar a medidas de combate do nemátodo, pelas burocracias impostas.

“Estamos a perder dinheiro da União Europeia, as ZIF estão com tremendas dificuldades em se candidatar ao Proder (Programa de Desenvolvimento Rural), porque vêm fazer exigências impraticáveis”, declarou à Agência Lusa o presidente da Caule, Vasco Campos.

O também presidente da FNAPF critica a exigência de um “inventário da propriedade que compõe a ZIF, parcela a parcela”, coisa que, disse, as entidades gestoras “não têm capacidade e deveria ser o Estado a fazer”.

“Uma ZIF com dez mil proprietários é uma coisa banal”, frisou, acrescentando que a CAULE gere 12 ZIF que congregam cerca de sete mil proprietários dos concelhos de Seia, Oliveira do Hospital, Tábua, Arganil, Penacova e Santa Comba Dão.

Há um mês, a Caule fez chegar as suas preocupações ao ministro da Agricultura, numa carta que enviou também aos grupos parlamentares.

Na missiva, a Caule pede uma “definição clara” das competências das entidades gestoras das ZIF, por considerar que aí reside “parte do problema do acesso aos apoios” do Proder.

“Verifica-se uma total incompreensão da realidade fundiária, por parte da Autoridade Florestal Nacional (AFN), ao exigir (…) uma identificação nominal de todos os proprietários, e, através do registo matricial das Finanças ou do Registo Predial da Conservatória, de todos os prédios rústicos das ZIF em questão”, critica a associação.

Se a situação não for “rapidamente desbloqueada”, avisa, “será o descrédito total das ZIF, assumindo a sua inutilidade, transformando-se em estruturas administrativas vazias de competências e de poderes sem ação no terreno”.

Contactado pela Lusa, o Ministério da Agricultura esclarece que “não é exigido um inventário da totalidade das parcelas que constituem as ZIF” mas “existe a obrigatoriedade de identificar e caracterizar todas as parcelas onde se pretendem efectuar acções de controlo do nemátodo”.

“O problema do nemátodo não se esgota nas parcelas que conseguimos identificar, se um dos apoios é para a prospecção (da doença) como é que querem que se faça o trabalho antes”, questionou Vasco Campos, sublinhando que para a criação de uma ZIF basta a adesão de “metade dos proprietários” abrangidos.

No esclarecimento enviado à Lusa, o Ministério da Agricultura informa que a Autoridade de Gestão do Proder e a AFN “estão a trabalhar no sentido da simplificação das questões relacionadas com a comprovação da titularidade, para efeitos de apresentação de candidaturas das ZIF”.

Fonte: LUSA

quarta-feira, 3 de março de 2010

Quercus vê na instalação de loja da Decathlon ameaça ao montado de sobro

A instalação de uma loja da Decathlon em Setúbal, projecto que em Fevereiro obteve estatuto de Imprescindível Utilidade Pública, representa mais uma ameaça ao montado de sobro, denuncia hoje a Quercus.

Hoje termina a consulta do acompanhamento público relativo ao Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do projecto. A Quercus vem hoje sublinhar que deu parecer negativo ao Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução.

“Durante todo o período de acompanhamento público, a informação sobre o projecto não esteve disponível” no site da CCDR-LVT, “facto que pode ter condicionado a participação” pública, denuncia a associação em comunicado.

Em causa está a instalação da loja da Decathlon no Vale de Ana Gomes, freguesia de S. Sebastião e fora da área urbana de Setúbal. No local existe “uma linha de água que não deve ser afectada, zonas de espaço verde de protecção e um povoamento de sobreiros em bom estado de conservação”. Apesar disso, lembra a associação, o Governo emitiu um despacho com uma Declaração de Imprescindível Utilidade Pública, a 5 de Fevereiro, “para favorecer a viabilização do abate de sobreiros deste projecto, eminentemente privado, violando manifestamente a legislação de protecção do sobreiro, constituindo mais um processo escandaloso”. Segundo a Autoridade Florestal Nacional estarão em causa 231 sobreiros para abate.

No entanto, critica a Quercus, não foram “avaliadas alternativas à sua localização, situação inaceitável”, e as minimizações ou compensações dos impactos são insuficientes, no seu entender.

Outra crítica é o facto de o projecto não estar em conformidade com o Plano Director Municipal (PDM) de Setúbal.

Fonte: Publico.pt

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Composto da casca do pinheiro pode acabar com poluição dos curtumes

Componentes da casca do pinheiro-bravo podem ser um substituto “muito eficiente” e ambientalmente adequado para o crómio na indústria dos curtumes, conclui uma investigação realizada na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Os processos convencionais utilizam o crómio na indústria de curtumes, que produz grandes quantidades de efluentes e obrigam ao seu tratamento para minimizar o efeito poluidor. A investigação coordenada por Hermínio Sousa propõe uma alternativa capaz de resolver o problema ambiental.

“Os taninos vegetais obtidos a partir da casca de pinheiro foram já testados no curtimento de peles e revelaram serem mais eficientes do que os normalmente conseguidos pelos processos convencionais. Permitem, também, a substituição do crómio nestes processos industriais, evitando-se assim os problemas ambientais e toxicológicos associados”, explica o investigador.

Uma nota de imprensa da FCTUC refere que a casca do pinheiro-marítimo (Pinus pinaster - também conhecido como pinheiro-bravo) é um resíduo extremamente abundante produzido pela indústria da madeira, frisando que este projecto de investigação contou com a parceria da empresa de Curtumes João B. Salgueiro Lda. e do Centro Tecnológico das Indústrias do Couro, de Alcanena.

Além daquela aplicação específica, “os extractos de casca de pinheiro apresentaram também resultados bastante promissores como compostos anti-oxidantes, no tratamento de águas residuais e na preparação de bio-adesivos de base vegetal”, adianta Hermínio Sousa.

Na sequência dos bons resultados conseguidos, os investigadores estenderam já os seus estudos ao bagaço da baga de sabugueiro a aos resíduos do fruto da nogueira, igualmente subprodutos agrícolas e da indústria alimentar portuguesa.

Deles extraíram corantes naturais e compostos com elevado poder antioxidante, que estão a ser sujeitos a estudos complementares, em colaboração com a Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra e com a Cooperativa Agrícola do Vale do Varosa, em Tarouca.

Hermínio Sousa coordena uma equipa de investigadores da FCTUC que, em colaboração com cientistas e empresas de 11 países ibero-americanos, têm vindo a utilizar resíduos e subprodutos da indústria agro-alimentar no desenvolvimento de potenciais aplicações industriais inovadoras nas áreas da cosmética, farmacêutica, curtumes e tratamento de águas.

A partir de resíduos vegetais de baixo valor económico e “que, na maioria das vezes, constituem também um fardo ambiental importante” - acrescenta a mesma nota - ,“é possível obter compostos de elevado potencial e valor acrescentado, como, por exemplo, antioxidantes, antocianinas, corantes naturais e ainda taninos vegetais”.

“Usando tecnologias “verdes” e solventes seguros como o dióxido de carbono supercrítico, a água e o etanol, os produtos finais obtidos não contêm quaisquer resíduos de solventes orgânicos tóxicos ou perigosos, pelo que poderão ser vantajosamente usados na indústria alimentar, cosmética e farmacêutica”, conclui.

Fonte: LUSA

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Quercus denuncia abate de dezenas de sobreiros em Setúbal




Os troncos de sobreiros empilhados perto de Setúbal chamaram a atenção de vários particulares que se queixaram à Quercus. A associação denunciou hoje o abate de dezenas de árvores, situação que agrava a fragmentação dos montados às portas daquela cidade.

As árvores, de uma espécie protegida por Lei, foram abatidas para a construção de uma nova ligação rodoviária promovida pela Brisa, designada A12 Setúbal-Montijo, que visa criar uma nova via rápida entre a A12 e a EN10-8, na freguesia de S. Sebastião/Alto do Guerra. O abate aconteceu num local junto à circular externa a Setúbal, junto da estrada de Algeruz.

“Estranhei que as árvores não estivessem marcadas [para o abate] e que não existisse placa de identificação da obra”, comentou ao PÚBLICO Domingos Patacho, do Núcleo regional da Quercus do Ribatejo e Estremadura.

O abate terá sido autorizado em Outubro de 2009 pela Autoridade Florestal Nacional.

A Quercus não questiona a pertinência da obra. “O que denunciamos é a falta de informação sobre o que se está a passar no terreno. Temos recebido telefonemas de pessoas que moram nas proximidades ou que passaram pela estrada e viram os troncos empilhados. Além disso, este é mais um caso de abate de sobreiros numa zona que podia ter melhor qualidade de vida”, comentou.

Este abate de dezenas de sobreiros expõe o “deficiente planeamento do território onde se destroem inúmeras áreas verdes que poderiam ser incluídas num desenvolvimento urbano integrado”.

Em 2009 foram 1300 os sobreiros abatidos na região para o Projecto da Nova Setúbal.

Fonte: Publico.pt

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Pradarias nativas da África do Sul ameaçadas pelas monoculturas de árvores

As florestas não são as únicas paisagens que estão sendo invadidas pelas plantações de árvores. As biologicamente diversas pradarias nativas da África do Sul estão sendo rapidamente substituídas por monoculturas que requerem muita água, incluindo o eucalipto e o pinus tropical – árvores usadas para exportações de pasta de papel.

Estamos parados no God’s Window, um mirante popular na borda da escarpa Drakensberg no nordeste da África do Sul. Embaixo de nós, um precipício de 700 metros se mergulha em um escuro mar de folhagem. Milha trás milha de floresta se abre na frente o caminho todo para o Parque Nacional de Kruger na fronteira com Moçambique.

“O problema é que estas não são florestas. São gigantes monoculturas de origem exótica”, explica Philip Owen, coordenador de Geasphere, uma organização ambiental apoiada pela Sociedade Sueca para a Conservação da Natureza.

Quando os europeus chegaram pela primeira vez aqui às planícies baixas, a paisagem embaixo de nós estava dominada por pradarias e savana, com florestas limitadas aos vales do rio. Hoje somente vestígios desse ecossistema original sobrevivem.

“Muitas pessoas consideram as pradarias como paisagens uniformes, quando na realidade contêm uma enorme gama de diversidade –82 espécies de plantas por quilômetro e uma abundância de insetos, pássaros e pequenos mamíferos. Somente uma de cada seis espécies de plantas é pastagem, enquanto a maioria são espécies perenes resilientes. Em alguns casos podem sobreviver durante milhares de anos em um local.”

Mais de sessenta por cento das pradarias da África do Sul têm desaparecido e nunca poderão ser restabelecidas. Aqui na província de Mpumalanga o processo tem continuado sem pausas por gerações –isso é tão assim, de fato, que muitos consideram hoje o eucalipto australiano e os pinus mexicanos tropicais como espécies de árvores nativas. O primeiro deles foi plantado há cem anos como fonte de madeira para a indústria da mineração.

As plantações de árvores cobrem agora 1,5 milhões de hectares na África do Sul, incluindo 600.000 em Mpumalanga. O caminho que se estende desde God’s Window até o capitólio da província, Nelspruit, dá a impressão de uma floresta do norte da Suécia. Mas as fileiras de árvores perfeitamente alinhadas e o esgotado e cinzento solo contam outra história.

O solo aqui carece dos microorganismos necessários para que as folhas de pinus e eucaliptos se descomponham. O dossel bloqueia toda a luz, enquanto as raízes se esticam até o lençol freático.

“Estes pinus absorvem 25 litros de água ao dia, enquanto que os eucaliptos podem consumir até 600. Isso é significativamente mais do que qualquer uma das espécies de árvores nativas,” diz Philip Owen.

Philip começou com Geasphere em 1999 depois de uma grande cúpula sobre a crise da água da África do Sul. Em muitos sentidos, o prejuízo a Mpumalanga já foi causado. As plantações estão aqui, e a falta de terra disponível limita sua expansão. Mas os esforços de Geasphere vão além Mpumalanga, espalhando informação e influência até os países vizinhos de Moçambique e Suazilândia, onde as espécies de árvores exóticas estão arraigando-se rapidamente. Na pequena Suazilândia agora cobrem dez por cento da superfície do país.

“O desenvolvimento é crucial para a África do Sul, mas as plantações adicionais de madeira não são o modelo correto. Não fornecem grandes quantidades de emprego nem de renda, e têm um impacto drástico no acesso à água, na diversidade biológica e nas estruturas sociais.”

Philip está particularmente preocupado pelo fato de que 80 por cento das plantações madeireiras da África do Sul tem recebido a certificação do FSC por atividade florestal responsável. Para os consumidores do norte, esse panorama é enganoso. Depois de tudo, é aqui em países industrializados onde a maioria da madeira é consumida.

No oeste de Nelspruit está a maior fábrica de pasta de celulose, Ngodwana. Enquanto ingressamos no vale, o ar fica pesado com o fedor do sulfato. Uma neblina de fumaça amarelenta nos rodeia antes de que os chaminés apareçam no horizonte.

“O fluxo de água é considerado suficiente para diluir os resíduos até um nível ‘aceitável’. Mas isso não considera o fato de que os períodos de seca estão virando mais longos e o fluxo de água está diminuindo.”

A fábrica produz 500.000 toneladas de pasta de papel anualmente, a maioria da qual é exportada. A demanda é alta, e o dono da fábrica, a multinacional grupo Sappi, planeja aumentar a produção em 70 por cento. Fornecer-se-ão matérias-primas adicionais em parte transformando plantações de pinus para eucaliptos, que oferece crescimento mais rápido às expensas de maior consumo de água. Enquanto a produção aumenta, os níveis de emprego continuarão sendo os mesmos.

Enquanto a África do Sul, a nação arco-íris, luta pela igualdade entre negros e brancos, o ambiente de trabalho aqui parece congelado no tempo. Os trabalhadores negros vivem no vale, onde visitamos Bhamgee, um bairro pobre caótico carente tanto de caminhos quanto de comodidades básicas. O que tinha sido um pequeno povoado tem crescido agora para albergar prostitutas, que se tem dirigido ao vale com a perspectiva de uma grande população de trabalhadores da fábrica e motoristas. A prostituição, o HIV e o AIDS são agora endêmicos na área.

Mais acima do lado da montanha, empregados de maior hierarquia vivem em comunidades cercadas. Como visitantes brancos, passamos ao lado do segurança preto armado sem problemas, apesar do fato de que não temos razão oficial para nossa visita. Somente empregados brancos podem ser vistos fora das luxuosas vivendas luxuosas, às vezes com dois carros parqueados nas garagens. Verdes parques separam as casas, dando a impressão de um bairro sueco rico.

Philip Owen cresceu na época do apartheid. Descreve seus anos de escola em Nelspruit como uma forma de lavagem cerebral, bem diferente às experiências em casa, onde as linhas raciais eram às vezes menos claras. Em Geasphere, os brancos e negros trabalham juntos. A trinta quilômetros, na casa de Philip, conheci Thelma Nkosi e December Ndlovu, ambos os quais trabalham para a organização.

“As plantações têm muitos efeitos sociais negativos e a falta de água afeta mais às mulheres. Elas devem caminhar muito mais para coletar água e lenha,”explica Thelma.

A vida também tem virado menos segura. É perigoso passar pelas plantações, onde às vezes se ocultam violadores e criminosos. As árvores causam erosão, esgotamento do solo e ameaçam o fornecimento de alimentos. Ao mesmo tempo, os efeitos culturais também são evidentes.

“Nossa identidade é ameaçada quando os sítios rituais são deslocados pelas plantações. Os sítios funerários dos antepassados viram inacessíveis, árvores com funções tradicionais desaparecem, e as iniciações, entre outros ritos, já não podem acontecer,” explica December.

Essas experiências em Mpumalanga são importantes para países menos ricos como por exemplo, Moçambique e Angola.

“Estão pedindo a gritos investimentos, porque é fácil ficar envolvido pela a propaganda das companhias madeireiras. As desvantagens não são visíveis até tempo depois”, diz Thelma.

O ativismo ambiental de Philip se ativou quando as plantações de árvores foram estabelecidas na montanha acima de Sudwalaskraal. Aqui Philip vive da granja familiar, que foi comprada por seu avô na década de 60 e está agora divida entre parentes. O lado da montanha está coberto por floresta tropical nativa e os precipícios cobertos de cavernas calcárias de três bilhões de anos que já estavam habitadas por humanos (homo habilis) há 1,8 milhões de anos. As cavernas de Sudwala são maravilhas históricas e geológicas que atraem multidões de visitantes todo ano.

Os efeitos das plantações são claramente evidentes. Hoje as cavernas se têm secado e são regadas com mangueira. As nascentes que sustentavam a floresta tropical têm desaparecido durante a estação seca.

Nós marchamos à pradaria remanescente no topo da montanha. O pôr-do-sol oferece um vislumbre da envolvente beleza original da paisagem nativa. A mulher de Philip, Elsmarie, aponta raras ervas, espécies de pastagem e ninhos de cobras, junto com as pequenas mudas de pinus que constantemente aparecem da escura parede da plantação no lado oposto da montanha.

“É uma batalha contínua para evitar o espalhamento de espécies não nativas. Na África do Sul, tanta área está coberta por plantações de árvores quanto por árvores que se têm espalhado descontroladamente. Os pinus podem ser cortados, mas para remover eucaliptos é preciso envenenar as raízes,” explica Philip.

Porções de pradarias enegrecidas testemunham incêndios recentes. Isso precisa acontecer de forma regular para manter a biodiversidade, mas quando os incêndios se encontram com plantações, os resultados podem ser devastadores.

“Recentemente temos tido sérios incêndios florestais que têm matado muitas pessoas. Antigamente, as árvores nativas armazenavam a umidade e atuavam como amortecedores, mas agora está seco demais. O calor é tão extremo que a superfície do solo fica cozinhada em uma dura crosta. A água da chuva se escoa e se evapora em vez de penetrar na terra.”

No seguinte dia seguimos December até sua cidade nativa, Bushbuck Ridge, onde o contraste com as granjas dos brancos é drástico. Aqui vive um milhão de pessoas em um irregular bairro pobre, às vezes sem água nem eletricidade. December sustenta sua família lavando carros em um celeiro aberto ao lado de sua casa.

Mais de 80 por cento dos sul-africanos utilizam as medicinas tradicionais em vez das técnicas ocidentais. Enquanto as pradarias desaparecem, vira cada vez mais difícil para os profissionais achar suas matérias-primas. December nos leva até Hilda Calinah Manyike, uma nganga diplomada ou curandeira herbórea. Ela possui uma licença oficial para coletar ervas em parques nacionais e reservas. Sua cabana de recepção contém uma pequena drogaria.

“Antigamente era mais fácil achar todas as ervas que precisava. Agora devo viajar longas distâncias para achá-las e algumas já não existem.”

Atualmente, Hilda acha impossível curar determinadas doenças, como a asma. Em vez disso, ela deve enviar pacientes a um médico ocidental –se tiverem condições de –pagá-lo.

Bushbuck Ridge limita com o Parque Nacional de Kruger para o leste. Dentro das cercas do parque vivem os mesmos grandes animais que antigamente percorriam as planícies baixas e savanas circundantes.

Enquanto passamos pela cerca, temos que frear para que passe um rebanho de elefantes. Gnus, girafas, zebras e uma variedade de antílope vagam ao longo de ambos os lados do caminho. Aqui também vemos babuínos, que as companhias florestais têm exterminado nas plantações.

Passamos a noite no parque. Na escuridão eu escuto elefantes produzindo estalidos como peças de um enorme maquinário de madeira. No amanhecer, um leão ruge.

“A diversidade biológica dessas pradarias tem sustentado a vida humana por milhares de anos. Nos passados cem anos tem sido totalmente transformada,” diz Philip, que quer ver um acordar.

“As pradarias, como a pradaria da América do Norte, a puszta húngara e as estepes russas são as mais ameaçadas de todos os tipos de vegetação. 80 por cento já desapareceram e estão além do restabelecimento.”

(Extraído da revista “Sveriges Natur” da Sociedade Sueca para a Conservação da Natureza, EcoDebate, 17/02/2010)

Fonte: AmbienteJá

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Controlo de espécies invasoras falha meta global para 2010

Mais um falhanço na área da biodiversidade: um estudo divulgado hoje sugere que o mundo não está a conseguir conter o impacto das espécies invasoras – aquelas que não existem numa determinada região e que, uma vez introduzidas, causam impactos consideráveis nos ecossistemas.

Controlar as espécies exóticas problemáticas era uma das sub-metas incluídas no objectivo internacional de reduzir substancialmente o ritmo de extinção de espécies até 2010. Mas acabou por contribuir para o fracasso já reconhecido daquela meta global. “Para este indicador de ameaça à biodiversidade, a meta de 2010 (...) não foi cumprida”, escrevem Melodie McGeoch e outros investigadores da Universidade de Stellenbosch (África do Sul), da organização Birdlife Internacional e da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), num artigo publicado hoje na revista Diversity and Distributions.

As invasoras normalmente competem com outras espécies locais, comprometendo a biodiversidade. Em Portugal, há muitos casos conhecidos de plantas, como as acácias e o jacinto-de-água, de peixes, como a perca-sol, e de invertebrados, como o lagostim-vermelho.

Não existe ainda uma forma acordada internacionalmente para medir as tendências e o impacto das espécies invasoras. O artigo hoje divulgado é uma tentativa neste sentido. A partir de um conjunto representativo de 57 países (Portugal não está incluído), os investigadores avaliaram o número de espécies exóticas invasoras, a pressão que exercem sobre a biodiversidade e a resposta política, em termos de adesão a acordos internacionais e de planos nacionais para enfrentar o problema.

Foram identificadas 542 espécies invasoras nos 57 países – um número que o próprio artigo reconhece como subestimado. Em países menos desenvolvidos, por exemplo, há menos investigação e, portanto, menos informação disponível. Na Guiné Equatorial, apenas nove espécies estão documentadas. Na Nova Zelândia, são 222. O menor número também resulta do próprio nível de desenvolvimento: um país mais pobre tem menos trocas comerciais com o exterior, e por isso menos transporte internacional – uma das principais vias de entrada de espécies exóticas num país.

Anfíbios são os mais afectados pelas invasoras

Os cientistas concluíram que as invasoras estão a ter um impacto negativo na biodiversidade global. Quem mais sofre são os anfíbios: pelo menos 205 espécies ficaram em maior risco de extinção primordialmente devido a espécies exóticas. Para outras 41 espécies de anfíbios, as invasores foram uma causa secundária para a sua maior vulnerabilidade. Um fungo patogénico, possivelmente originário de África e disseminado pela exportação de sapos na década de 1930, é a causa principal. “Era completamente desconhecido até 1998, mas acredita-se que é o responsável pelo dramático declínio de muitas populações de anfíbios em todo o mundo”, afirma Melodie McGeoch, numa entrevista ao PÚBLICO por email.

Pelo menos 54 aves e 23 mamíferos também têm sido directa ou indirectamente afectados por espécies invasoras, segundo o estudo.

Apesar de haver mais acordos internacionais que podem ajudar a conter o problema das espécies invasoras, a nível nacional ainda está muito por fazer. “Apenas 55 por cento dos países signatários da Convenção da Diversidade Biológica tem legislação nacional relevante para as espécies invasoras”, diz o artigo.

A conclusão da investigação não é animadora: “Não há actualmente nenhuma evidência a sugerir que a adopção de políticas tenha resultado num declínio do impacto sobre a biodiversidade”.

Estes novos dados adicionam mais pessimismo sobre os actuais esforços mundiais para conter a perda de biodiversidade. Em 2002, a comunidade internacional assumiu, no âmbito da Convenção da Diversidade Biológica, a meta de “atingir até 2010 uma significativa redução do actual ritmo de perda de de biodiversidade”. Mas o ano começou com a assunção oficial, através de declarações do secretário executivo da convenção, Ahmed Djoghlaf, de que a meta não foi atingida. A União Europeia também já reconheceu que falhou o seu compromisso.

Fonte: Publico.pt

PNSAC: Parque Eólico de S.Bento foi chumbado


O Parque Eólico de S. Bento, para onde estava previsto um investimento de 100 milhões de euros foi chumbado pelo Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território
A “Declaração de Impacte Ambiental Desfavorável” já foi assinada pela ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, e tem poder vinculativo.
“Confrontando os impactes positivos e negativos, conclui-se que o projecto [que previa a instalação de 42 aerogeradores numa vasta área dividida pelos concelhos de Porto de Mós, Santarém, Alcobaça, Rio Maior e Caldas da Rainha] não é compatível com os objectivos de Conservação da Natureza, bem como com os instrumentos de gestão territorial, pelo que não poderá ser aprovado”, justifica a Agência Portuguesa do Ambiente no parecer submetido à aprovação da ministra.
“Para além da localização do projecto dentro do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) importa salientar que uma parte significativa da área prevista para a instalação deste parque eólico exibe grande valor natural, quer ao nível geológico e geomorfológico, quer ao nível florístico e dos habitats naturais, e desempenha igualmente um papel muito importante no equilíbrio e manutenção das principais comunidades faunísticas do PNSAC (morcegos e avifauna)” pode ler-se no documento.
“As zonas de implatação do projecto são, também, das floristicamente mais ricas no Sítio de Importância Comunitária (SIC) e de grande importância para a população de gralha-de-bico-vermelho, como áreas fundamentais de nidificação, alimentação e dormitório comunitário (em particular a Mendiga) e para as aves de rapina, como território de caça e nidificação”, acrescenta-se.
Apesar de se reconhecerem os impactes positivos ao nível socio-ecónomico, principalmente, pela contribuição para a redução da dependência externa nas necessidades de consumo eléctrico e para o cumprimento das metas nacionais de produção de energias renováveis e devido ao arrendamento dos terrenos e às contrapartidas directas a atribuir às câmaras municipais, os impactes negativos tiveram mais peso na decisão final.
A destruição e fragmentação de habitats de orquídeas e de outros considerados prioritários, em particular nos núcleos de Serro Ventoso e Mendiga; a destruição e perturbação de habitat de fauna, com especial destaque para a perturbação de três algares ocupados pela gralha-de-bico-vermelho (“em perigo” segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal Continental) áreas de nidificação de aves de rapina e áreas de grande actividade de morcegos, são, segundo os especialistas, os principais impactes negativos deste projecto e que levaram ao seu chumbo por parte do Ministério do Ambiente e Administração do Território.
A esses há, ainda, a acrescentar a destruição de estruturas cársicas e ou impactes indirectos sobre estas estruturas, os impactes paisagísticos sobre a paisagem uma vez que os 42 aerogeradores destacar-se-iam na paisagem tornando-a menos natural, os aumentos dos níveis sonoros nalguns locais com incumprimento do critério de incomodidade e a afectação directa e indirecta de elemento patrimoniais, destacando-se o Arco da Memória (elemento patrimonial em vias de classificação).
Face a este cenário o ministério entende que “a construção do Parque Eólico de S. Bento, pela sua extensão, pelo equipamento a instalar, pelas outras estruturas associadas, pelos efeitos cumulativos com outros equipamentos similares, acarreta impactes negativos muito signicativos sobre o território, sobre a sua integridade ecológica e patrimonial não desprezíveis nem minimizáveis”

Autarca e ambientalista divergem

“Inesperada e sem sentido” ou “mais do que sensata e natural”? As opiniões dividem-se.
Para o presidente da Câmara de Porto de Mós, João Salgueiro, o chumbo do Parque Eólico de S, Bento, por parte do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAOT) é uma decisão “inesperada e sem sentido” e daí já ter pedido uma audiência à ministra do Ambiente para lhe dar conta da sua discordância.
Opinião bem diferente tem Nuno Carvalho, o presidente da associação ecologista “Oikos” para quem esta decisão foi “mais do que sensata”, a única esperada, aliás, “à luz daquilo que é a normalidade”.
Em declarações à Dom Fuas Fm, João Salgueiro mostrou-se preocupado e surpreendido com esta situação “até porque a localização tinha sido previamente acordada com o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (representado pelo Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros)”
Para o autarca a declaração de impacte ambiental assinada pela ministra Dulce Pássaro, no passado dia 20 de Novembro e que chumba um investimento previsto de , “não faz sentido porque o local, como muita gente sabe, é onde existiram durante muitos anos explorações de pedra de calçada, a zona está degradada, a preservação da natureza ali é minima”.
“Há aqui qualquer coisa que não está bem. Contrariamente às nossas expectativas estão a tentar localizar o parque eólico noutra zona do PNSAC sendo que essa área me parece de todo mais desfavorável em termos ambientais”, denuncia o edil.
No entender de Nuno Carvalho, o portomosense que lidera a OIKOS, o que não fazia sentido era aprovar um parque eólico que “tal como estava concebido teria consequências gravosas e não só para a conservação da natureza. Tinha impactos significativos e violava o próprio Plano Director Municipal (PDM) e daí ter sido pedida a suspensão deste”.
Embora defenda como extremamente importante o investimento na produção de energias renováveis, o ambientalista diz que “essa aposta não pode ser feita a troco de todos os atropelos possíveis e mais algum. Temos de escolher os locais indicados e os projectos correctos de modo a não passar por cima de outros valores”, diz.
Nuno Carvalho explica que o parque eólico em causa era demasiado grande, correspondendo, na prática, não a um, mas a quatro parques. Apesar da extensa área abrangida “só foi elaborado um único estudo de impacte ambiental”, o que merece a crítica do ambientalista, dizendo tratar-se de “uma coisa absurda”.
Depois do chumbo do MAOT, o presidente da OIKOS não acredita que o projecto do parque eólico, tal como está, possa ser aprovado no futuro, já que “é péssimo sobre todos os pontos de vista, mesmo o económico”, lembrando os valores da conservação da natureza e o potencial em termos de turismo de natureza que devem ter predominância num parque natural como é o caso.
Tendo em conta que estamos “numa área protegida com vários problemas ambientais não faz sentido estar a criar mais em vez de resolver os existentes”, sublinha Nuno Carvalho.

Fonte: O Portomosense

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Jardim Botânico de Londres anuncia descoberta de 250 novas espécies em 2009

O Kew Gardens, jardim botânico de Londres, anunciou que, ao longo de 2009, os seus biólogos e botânicos descobriram e descreveram 250 novas espécies de plantas e fungos em vários locais do planeta.

Entre as novas espécies encontram-se orquídeas, árvores que crescem até aos 42 metros de altura e fungos minúsculos com menos de um milímetro de espessura. A lista inclui 24 novas espécies de palmeiras, 13 novas espécies de orquídeas e uma nova espécie de maracujá da Amazónia, encontrada em Mato Grosso.

As descobertas foram feitas em vários locais do planeta e com a colaboração de peritos de cem países, sendo que o maior número de espécies novas (62) foi encontrado no Bornéu. O Brasil registou a descoberta de 20 novas espécies.

>> Ver Mapa das descobertas

Os investigadores do Kew Gardens – que descobrem, em média, 200 novas espécies de plantas por ano - acreditam que um terço deste grupo de 250 estará ameaçado de extinção.

“Este trabalho nunca foi tão importante”, escreve o jardim botânico em comunicado, lembrando que o planeta vive numa era de alterações climáticas globais e de perda da biodiversidade.

Todos os anos são descobertas, em média, cerca de duas mil novas espécies vegetais. “Estas novas descobertas salientam o facto de que há ainda há muito no mundo das plantas para ser descoberto e documentado. Sem saber o que existe e onde ocorre não temos nenhuma base científica para uma conservação efectiva”, comentou Stephen Hopper, director do Kew Gardens.

Este jardim botânico criou o programa Breathing Planet para “acelerar a descoberta e classificação da diversidade vegetal e para encontrar soluções para a sua conservação”, acrescenta. Hopper.

Fonte: Publico.pt

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Montado: Sobreiros podem impedir a erosão do solo

Esta espécie de árvore conserva os solos, regula o ciclo da água, fixa o carbono e ajuda a promover a biodiversidade. Além disso, é um 'habitat' para espécies em perigo

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) considera que os montados portugueses podem ter um papel fundamental no combate à desertificação no País inteiro ao impedir a erosão do solo. "O clima em Portugal é actualmente caracterizado por chuvadas intensas e pouco dispersas durante o ano. Esta chuva concentrada provoca a erosão do solo, pois a água é arrastada e não se infiltra no solo", explicou ao DN Luís Silva da WWF.

Mas de que forma podem os sobreiros impedir a erosão? "Estas árvores cobrem o solo e fazem aumentar a infiltração de água no solo." O solo rejuvenesce e a biodiversidade aumenta. O sobreiro destaca-se pelo valor económico, ambiental e social, ocupando 736 mil h em território nacional. Conserva os solos, regula o ciclo da água e fixa o carbono. A exploração da cortiça é processo sustentável, pois a cortiça é retirada apenas a cada nove anos. A águia-de-bonelli e o lince-ibérico têm nos montados o seu habitat de eleição.

"Ao perderem-se as condições para que as diferentes espécies, tanto da fauna como da flora, existam, o ecossistema torna-se mais pobre", explica o ecologista. Neste cenário, a desertificação tem condições para singrar facilmente. "É um ciclo vicioso", acrescenta. No relatório, "O Sobreiro, Uma Barreira contra a Desertificação", a WWF assume que este é "um problema crescente no mundo e o seu combate uma missão à escala global". "Portugal é um dos países do Sul da Europa mais afectados pela desertificação. É em boa parte um efeito das suas condições climáticas: verões secos e quentes, a que acresce um regime de precipitação torrencial", diz a WWF. A solução encontra-se na floresta portuguesa. Cerca de um milhão e 800 mil hectares estão localizados em zonas de grande susceptibilidade à desertificação. Nestas áreas, a azinheira e o sobreiro são as principais espécies de árvores. O pinheiro manso, também pode ajudar mais no Norte do País.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Espécies invasores ameaçam Portugal e Espanha

Dezenas de cientistas portugueses e espanhóis identificaram no VI Congresso de Ornitologia as espécies exóticas invasoras como um dos maiores problemas ambientais e de ameaça à biodiversidade. Espécies introduzidas pelo Homem em ambientes naturais podem tornar-se pragas e colocar em risco a biodiversidade nacional. Este problema é ainda mais grave e notório nas ilhas de Açores e Madeira, onde algumas espécies, como o Priolo, estão ameaçadas de extinção.

As espécies introduzidas pelo Homem, quer de forma intencional quer por acidente, podem em circunstâncias particulares encontrar nos locais para onde são transportadas, condições excelentes para a sua multiplicação e desta forma rapidamente atingirem populações numerosas. Estas espécies que podem ser animais, como os ratos ou coelhos, plantas, como a acácia ou o chorão, ou insectos, podem-se tornar importantes pragas que podem provocar prejuízos para o Homem (por exemplo pragas agrícolas) ou colocar em causa a sobrevivência de espécies que apenas existem nas áreas onde foram introduzidas. A nível mundial a expansão de espécies exóticas é já considerada a segunda maior ameaça à Biodiversidade, e verifica-se que um numero cada vez maior de espécies de plantas e animais introduzidas pelo Homem se estão a tornar uma das maiores causas do desaparecimento de espécies, nomeadamente aves, muitas delas raras e únicas de locais muito específicos.

Um excelente exemplo dos prejuízos causados por espécies invasores são os efeitos das reintroduções de ratos e ratazanas em ilhas. Para além do impacto directo na qualidade de vida das populações humanas, pela destruição de culturas ou transmissão de doenças, os ratos provocam danos elevadíssimos em várias espécies de aves. Estes danos podem ser ao nível da predação de ovos e crias, mas também indirectamente através da eliminação de espécies vegetais innportantes para algumas aves.

Algumas espécies de Aves que apenas existem em Portugal e Espanha estão actualmente em risco de desaparecer por causa de espécies exóticas. Esta situação esteve hoje em debate no Congresso Ibérico de Ornitologia a decorrer em Elvas sob a organização conjunta da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e da Sociedade Espanhola de Ornitologia. Segundo Luís Costa, director-executivo da SPEA, “o combate às espécies exóticas é das acções mais urgentes e importantes para evitar o desaparecimento de muitas espécies em Portugal e Espanha, principalmente nas ilhas”. A acção das espécies introduzidas sobre as aves pode ser de formas muito diferentes, Por exemplo, através da
predação das próprias aves (ou ovos), por falta de alimento por desaparecimento de determinadas plantas causado pela expansão de espécies invasoras, ou devido a transmissão de doenças provenientes de outras áreas. A acção conjunta da SPEA com as autoridades regionais foi apontada como um exemplo de defesa da biodiversidade e uma luta pioneira e significativa no combate ao problema das espécies invasoras.

As ilhas pela sua menor dimensão territorial e por ser detentoras de uma vasta riqueza natural são das regiões mais afectadas por esta ameaça. Manuel Nogales, do Consejo Superior de Investigaciones Cientificas, e um investigador de referência com base no Arquipélago das Canárias referiu que “aves como o Priolo dos Açores ou as aves marinhas das ilhas atlânticas são exemplos da urgência de actuação a nível ibérico”. A invasão de plantas introduzidas e a destruição de ninhos por ratos são as principais ameaças nestes casos. “Não investir na eliminação destas ameaças poderá ter consequências incalculáveis na Natureza e na qualidade de vida das pessoas” refere ainda Manuel Nogales.

O controlo e eliminação de espécies exóticas tem vindo nos últimos anos a ser o objectivo de numerosos projectos de conservação a nível europeu e mundial, no valor de centenas de milhões de euros. “A vigilância e controlo imediato destas ameaças é essencial e pode significar uma importante poupança de recursos financeiros” refere Luís Costa. “Em Portugal nos últimos anos tem sido realizado um importante esforço com alguns casos de sucesso, com casos de sucesso local na Serra da Tronqueira em São Miguel, o único sítio onde ainda subsistem manchas de laurissilva na ilha e o Priolo. Neste momento a guerra ainda está a ser ganha pelos invasores, mas a comunidade internacional começa a acordar para a situação catastrófica que pode acontecer e para os prejuízos económicos que daí podem resultar.” alertou.

Fonte: SPEA

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Planta única no mundo sob investigação em Castelo Branco

Trabalhos de investigação da Escola Superior Agrária (ESA) de Castelo Branco vão permitir criar insecticidas biológicos com uma planta e preservar uma outra espécie da região que é única no mundo, disse à Agência Lusa, Fernanda Delgado, docente e investigadora.

A preservação e valorização da biodiversidade "é uma das áreas de intervenção" daquela escola do Instituto Politécnico de Castelo Branco que está actualmente a trabalhar com duas das diversas espécies vegetais da Beira Interior.

Estão sob os microscópios a Lavandula Luisieri, um rosmaninho específico do sudoeste da Península Ibérica, e a Asphodelus bento-rainhae, uma abrótea que só nasce na vertente norte da Serra da Gardunha.

No trabalho com esta espécie única, a ESA já desvendou o segredo para fazer germinar a planta a partir da semente. A Asphodelus é semelhante a um tubérculo e propaga-se de ano para ano no subsolo. Também tem uma semente, mas "não germina normalmente no seu habitat natural".

"O que nós conseguimos, após várias tentativas, foi alcançar a germinação. Os resultados devem ser apresentados numa tese de doutoramento no próximo ano", referiu Fernanda Delgado. O feito é importante para "aumentar a variedade de plantas no local de origem", explicou.

Para já, a planta não tem qualquer tipo de aproveitamento, servindo os estudos para evitar a extinção e assim garantir a biodiversidade.

No caso da Lavandula Luisieri, a ESA está a estudar os componentes químicos da espécie para "produção de insecticidas biológicos, que protejam os produtos hortícolas das pragas, mas poluam menos", explicou Fernanda Delgado.

Uma protecção mais amiga do ambiente graças a um rosmaninho com uma química diferente de outras plantas semelhantes. A Lavandula Luisieri já está a nascer em campos de produção da Quinta da Senhora de Mércules, da ESA.

"Já fizemos um ano de produção e vamos continuar", destacou. Para o futuro fica o agendamento de testes e estudos relativamente às formas de produção, "que pode ser portuguesa, espanhola ou ibérica", concluiu.

Os trabalhos da ESA estão a ser feitos em parceria com o Departamento de Química da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, e com o CSIC - Consejo Superior de Investigaciones Científicas, em Madrid.

Fonte: LUSA

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Açores: Vigilantes da Natureza recolhem sementes de plantas endémicas

É uma acção considerada importante para conservar e alimentar a reserva genética do arquipélago, porque, a flora original dos Açores cedeu terreno a espécies invasoras e, as plantas da Região, estão em autêntico "alerta amarelo".


O que se está a fazer é a recolha das plantas endémicas dos Açores, aquelas que já se encontravam nas ilhas, quando os primeiros povoadores aqui chegaram.

Nos dias de hoje, são raras, devido à actividade humana que tem levado ao seu desaparecimento.

As sementes que agora se recolhem, são guardadas num banco de sementes, servem novos plantios públicos e privados - segundo afirmou à Antena 1 / Açores o director regional do Ambiente, Frederico Cardigos.

Na Região Autónoma existem dados que indicam que 90% das plantas endémicas já desapareceram ou foram cruzadas com outras plantas.

Os responsáveis pelo Ambiente preferem falar em termos de cores, ao afirmarem que o estado do problema requer um alerta amarelo, ou seja, uma atitude de prudência.

Para já, as sementes das plantas endémicas dos Açores, agora recolhidas, alimentam o banco de sementes existente no Jardim Botânico da Ilha do Faial e um outro sediado nas ilhas espanholas de Canárias.

Fonte: RTP Açores

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Quercus quer impedir mais parques eólicos nas Serras de Aire e Candeeiros

A associação ambientalista Quercus quer que sejam proibidos novos parques eólicos no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) devido aos seus impactos, admitindo que pode estar comprometido o estatuto de área protegida.

“A Quercus considera que deve ser interditada a instalação de novos parques eólicos, devido aos impactes associados”, sustenta a associação no parecer emitido no âmbito da discussão pública da revisão do plano de ordenamento do PNSAC, que termina terça-feira. Segundo a associação, os impactos decorrem da “abertura de novos acessos, fragmentação de habitats e mortalidade de espécies da fauna ameaçadas de extinção”, como é o caso de morcegos ou da gralha-de-bico-vermelho.

“Devem apenas ser permitidos projectos de microgeração para o aproveitamento das energias renováveis”, defende a Quercus, lembrando que “a possibilidade de instalação de novos parques eólicos é algo que contradiz as orientações definidas no Plano Sectorial da Rede Natura 2000”.

O presidente do Núcleo do Ribatejo e Estremadura da Quercus, sediado em Ourém, afirmou hoje que o plano dá “enorme relevância a algumas actividades económicas como é o caso do sector da extracção de inertes”. “Fica-se com a sensação que, com o rol extenso de artigos, estamos na presença de um plano sectorial para regulamentar o sector da indústria extractiva da pedra calcária”, disse Domingos Patacho a este propósito.

Ao invés, o ambientalista entende que “algumas espécies da flora e da fauna com distribuição restrita ou com estatuto de conservação desfavorável mereciam regras de protecção mais eficazes e objectivas”. O dirigente adiantou que no parecer da Quercus ao plano de ordenamento é sugerida a integração de “um artigo que defina uma área-tampão ou pré-parque como existe em outros países, constituída por uma faixa de 500 metros contíguos aos limites do PNSAC”.

Para o responsável, neste corredor, “actividades susceptíveis de afectar áreas naturais importantes para a conservação de habitats ou de espécies com estatuto de conservação desfavorável” deveriam estar sujeitas a parecer do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

Domingos Patacho considerou ainda que a proposta de plano de ordenamento pode colocar em causa a manutenção do estatuto de área protegida, devido às propostas de novos parques eólicos e aos impactos cumulativos que terão juntamente com as centenas de pedreiras existentes do Parque Natural."

Fonte: LUSA

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Recurso a espécies exóticas prejudica ambiente

A associação ambientalista Quercus alertou hoje que o recurso a espécies florestais não autóctones tem contribuído para o agravamento de problemas ambientais, como a erosão dos solos, e restringido recursos económicos do país.

Em comunicado, divulgado quando se assinala o Dia da Floresta Autóctone, a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, salienta que "deveria haver um maior cuidado na preservação dos bosques de floresta autóctone" e que "espécies mais raras e ameaçadas devem ser alvo de legislação específica, com vista à sua conservação".

No texto, a associação especifica que a "aposta nas florestas de crescimento rápido, com recurso a espécies exóticas, tem contribuído" também para "propagação dos incêndios" e "perda de biodiversidade".

"Por outro lado, escasseiam algumas das espécies autóctones com importância económica, seja no sector de produção de madeiras nobres como de derivados diversos", salienta a Quercus.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 17 de maio de 2009

Plantas: Oito espécies da flora portuguesa "em perigo crítico" de extinção

Oito plantas, das quais sete só existem em Portugal, estão classificadas como espécies "em perigo crítico" de extinção, segundo o Plano Nacional de Conservação da Flora em Perigo.
O relatório final da primeira fase deste Plano, que data de Março de 2007, indica que sete destas espécies só existem em Portugal: Corriola do Espichel (Convolvulus fernandesii), Linaria ricardoi, Narciso do Mondego (Narcisus scaberulus), Miosótis-das-praias (Omphalodes kuzinskyanae), Diabelha do Algarve (Plantago algarbiensis), Diabelha do Almograve (Plantago almogravensis) e Álcar do Algarve (Tuberaria major).

A oitava planta, conhecida como Trevo-de-quatro-folhas (Marsilea quadrifolia), existe em vários países, mas tem vindo a regredir em Portugal.

Todas as espécies classificadas como "em perigo crítico" de extinção ocupam uma área de distribuição reduzida, sendo o principal objectivo deste projecto contribuir para a sua conservação.

A Corriola do Espichel encontra-se restrita às áreas do Cabo Espichel e litoral da Serra da Arrábida, enquanto a "Linaria ricardoi", uma herbácea associada a ecossistemas agrícolas, prefere o Baixo Alentejo Interior.

O Trevo-de-quatro-folhas habita essencialmente locais inundados e margens de rios (bacias do Vouga, Lima, Minho e Douro). O único núcleo conhecido localiza-se na praia fluvial da cidade do Peso da Régua.

O Narciso-do-Mondego, uma planta com flores amarelas que ocorre em áreas abertas e clareiras florestais, prefere, como o nome indica, a bacia do Mondego.

A área de distribuição do Miosótis-das-praias é igualmente muito reduzida, já que se encontra na totalidade no Parque Natural Sintra-Cascais. Cerca de 95 por cento desta população com cem mil exemplares está localizada junto à praia do Abano.

Da Diabelha do Algarve conhecem-se apenas três núcleos, que ocupam 50 hectares, estando um destes inserido no Sítio de Importância Comunitária do Barrocal. A população conhecida não ultrapassa os dez mil indivíduos.

Ainda mais escassa é a população de Diabelha do Almograve (três a quatro mil exemplares). Este pequeno arbusto coloniza clareiras de matos litorais, persistindo apenas junto a Vila Nova de Milfontes.

Quanto ao Álcar do Algarve, os cerca de 10 mil espécimes existentes estão espalhados pelos solos arenosos do litoral algarvio nos concelhos de Faro, Olhão e Loulé.

O director do Departamento de Conservação e Gestão da Biodiversidade do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) disse à Lusa que não está previsto, para já, dar continuidade a este projecto, mas salientou que vai ser concluída a elaboração da lista de referência das espécies da flora portuguesa.

Esta lista vai incluir todas as espécies vegetais, com e sem estatuto de protecção, e servirá de base a um futuro Livro Vermelho das Plantas, considerado essencial para a conservação da flora.

O ICNB, acrescentou Mário Silva, está também a coordenar o processo de avaliação do estado de conservação das mais de cem plantas protegidas existentes em Portugal.

Apesar de o conhecimento sobre as espécies da flora "ter mais lacunas e ser mais difícil de sistematizar" do que as espécies da fauna, o responsável do ICNB adiantou que esta avaliação deve terminar ainda em 2009.

O Dia Mundial da Conservação das Plantas comemora-se na na próxima segunda-feira, 18 de Maio.

Fonte: LUSA