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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fusão do ICNB e AFN visa evitar sobreposição de tarefas


    A eventual fusão entre o Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e a Autoridade Florestal Nacional (AFN) visa evitar a sobreposição de tarefas e aumentar a eficácia, afirmou o secretário de Estado das Florestas.
Questionado sobre se a extinção do ICNB iria pôr em causa as políticas de conservação da natureza, Daniel Campelo disse que não está em causa uma extinção, mas sim uma conjugação de esforços.
"Estamos a conjugar esforços para que alguém se junte a outro, para sermos mais fortes e mais eficazes", declarou o secretário de Estado aos jornalistas, à margem do lançamento de uma edição filatélica comemorativa do Ano Mundial da Medicina Veterinária.

LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
Raquel Rio

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Convocatoria Premio a la Conservación Carlos Ponce del Prado 2011


    El Fondo Carlos Ponce del Prado convoca a la nominación de candidatos
para la Tercera Edición del Premio para la Conservación Carlos Ponce
del Prado 2011 en sus tres categorías.  Para mayor información y para
poder descarga la ficha de postulantes dirigirse a las siguientes
direcciones (Links):

·         Página oficial de PROFONANPE
(http://www.profonanpe.org.pe/premioCarlosPonce.html)

·         Blog del Premio
(http://premiocarlosponceconvocatoria.blogspot.com/

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Estão abertas candidaturas ao título de Capital Verde da Europa 2014



    “Será a sua cidade a próxima Capital Verde da Europa?” Foi com esta interrogação em jeito de convite que a Comissão Europeia abriu ontem o processo de selecção da cidade que receberá em 2014 o ceptro de Capital Verde da Europa. O prémio anual pretende incentivar as cidades europeias a tornarem-se espaços mais atraentes e saudáveis, “próprios para viver”, sintetiza a organização. Até agora, quatro cidades foram já galardoadas – Estocolmo (Suécia), Hamburgo (Alemanha), Vitória-Gasteiz (Espanha) e Nantes (França) – de 2010 a 2013, respectivamente.


Reconhecer e distinguir cidades que se encontrem na vanguarda de um habitat urbano respeitador do ambiente e que possam agir como modelos de inspiração para outras é a missão do troféu. Nas palavras do Comissário Janez Potocnik, “o prémio Capital Verde da Europa é um poderoso incentivo para convencer as autoridades locais de que um desenvolvimento urbano sustentável é a chave para um futuro de êxito”, cita um comunicado divulgado esta terça-feira em Bruxelas.

A candidatura está aberta a todas as cidades da Europa com mais de 200 mil habitantes e prolonga-se até 14 de Outubro. A escolha terá por base os resultados de 12 indicadores: contributo local para as alterações climáticas à escala mundial, transportes, zonas verdes urbanas, ruído, produção e gestão de resíduos, natureza e biodiversidade, ar, consumo de água, tratamento de águas residuais, eco-inovação e emprego sustentável, gestão ambiental por parte da autoridade local e eficiência energética. Em Junho de 2012, será anunciada a cidade vencedora.

O conceito “Capital Verde” surgiu por iniciativa de Jüri Ratas, antigo presidente da Câmara Municipal de Tallin, Estónia, em 2006. O memorando de entendimento relativo à instituição deste prémio, assinado inicialmente por 15 cidades e pela Associação de Cidades Estónias, contava em Maio de 2008, quando do lançamento do prémio, com a subscrição de 40 cidades, incluindo 21 capitais da União Europeia.



Fonte: Redacção portal arquitecturas

segunda-feira, 27 de junho de 2011

NUEVA PUBLICACIÓN For life, for the future.



   For life, for the future. Biosphere reserves and climate change. A collection of good practice case studies


Las reservas de biósfera de la UNESCO, son lugares ideales para probar, evaluar y poner en práctica las políticas de cambio climático. Esta publicación presenta estudios de caso acerca de buenas prácticas para demostrar lo que las reservas de biósfera ya están haciendo en este campo de políticas. Los estudios de caso se extraen de un estudio internacional. 28 estudios de caso cubren las buenas prácticas por ejemplo, de reservas de biósfera de la UNESCO en Perú, Costa Rica, México, Etiopía, Senegal, China, República de Corea, EE.UU., Alemania, España, Suecia, Colombia o muchos otros.



ISBN: 978-3-940785-27-5

Número de páginas: 80 p.

Editorial: German Commision para UNESCO

Año de edición: 2011

Lugar de edición: Bonn, Alemania



Descarga la publicación: http://tinyurl.com/3ra3cy9


http://www.infoandina.org/sites/default/files/recursos/biosphere_reserves_climate_change_web_9mb.pdf

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A gralha-de-bico-vermelho no PNSAC - programa Biosfera, RTP2

A gralha-de-bico-vermelho no PNSAC - programa Biosfera, RTP2, com a participação dos VNs Francisco Barros e António Frazão.



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Paulo Lawson o orgulho dos Vigilantes da Natureza

   
    Para além de ser um excelente Vigilante da Natureza, Paulo Lawson é um dos maiores cantores da sua geração, foi finalista do concurso “Chuva de Estrelas” onde encantou Portugal com as suas electrizantes actuações. Foi vocalista de grupos de Rock e de música tradicional portuguesa, abraçando neste momento um novo projecto com o grande músico e compositor Rogério Amorim. Encontrámos no youtube o primeiro videoclip desta sua nova aventura musical.


Parabéns companheiro!

Esperamos por novos sucessos!

Consultem no You Tube o video com o titulo:

In Visible Connections - The Child (with tears in her eyes)




APGVN

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Em 2 de Fevereiro comemora-se o DIA NACIONAL DO VIGILANTE DA NATUREZA.

   
Os Vigilantes da Natureza foram instituídos em 1975 como um Corpo Especializado na Preservação do Ambiente e Conservação da Natureza.

Os Vigilantes da Natureza asseguram, nas respectivas áreas de actuação (ICNB, CCDR’s, ARH’s e Regiões Autónomas), as funções de vigilância, fiscalização e monitorização relativas ao ambiente e recursos naturais, nomeadamente no âmbito do domínio hídrico, do património natural e da conservação da natureza.

Actualmente existem 238 Vigilantes da Natureza, 121 no Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), 27 nas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e 30 nas Administrações das Regiões Hidrográficas (ARH), que exercem funções tuteladas pelo Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território. Na Região Autónoma da Madeira existem 35 Vigilantes da Natureza e na Região Autónoma dos Açores exercem funções 25 profissionais, tutelados pelos Governos Regionais.

Os 121 Vigilantes da Natureza do Instituto da Conservação da Natureza têm a seu cargo a vigilância e fiscalização de 2007567,26 hectares de áreas com estatuto de protecção da natureza, temos ainda que incluir nestes territórios a fiscalizar os cerca de 2 milhões de hectares de área referente à monitorização de prejuízos atribuídos ao lobo.

Os 27 Vigilantes da Natureza das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e os 30 das Administrações das Regiões Hidrográficas (ARH’s) exercem as suas funções nas 5 Regiões Administrativas que abrangem todo o território nacional continental e nas 5 Regiões Hidrográficas. Nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira os Vigilantes da Natureza exercem as suas funções dando execução prática ao objectivo de preservação e defesa do património natural.

O número de Vigilantes da Natureza em Portugal é notoriamente insuficiente, podemos indicar como exemplo os 6000 profissionais que exercem a actividade na vizinha Espanha e com tendência a aumentar.

Neste dia de reflexão seria importante para a APGVN que se discutisse a diferente situação existente entre os Vigilantes da Natureza em Portugal e os seus restantes colegas da União Europeia. Na maioria dos países da União Europeia a profissão de Vigilante da Natureza (Park Ranger) é tida como uma actividade prestigiada e respeitada, enquanto que no nosso país é vista como o parente pobre da defesa do ambiente. Os Vigilantes da Natureza que estão na primeira linha da defesa do ambiente foram relegados para segundo plano, contrariamente ao que acontece na União Europeia e mesmo a nível mundial, a aposta na defesa do ambiente tem como factor principal a constituição de Corpos Nacionais de Vigilantes da Natureza, enquanto que em Portugal esta medida tarda em ser implementada.



APGVN

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vigilante da Natureza António Frazão no programa "Terra Alerta" - SIC Notícias


Vigilante da Natureza no Parque natural das Serras de Aire e Candeeiros, António Frazão continua a fazer de tudo para defender e valorizar a natureza e populações locais. Tenta gerir conflitos entre a conservação da natureza com as actividades económicas como a extracção de pedra.

A reportagem pode ser visualizada a partir do minuto 15:55 do seguinte vídeo:

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Código florestal deve ser revisto, reconhece o ICNB


Caros Colegas e Amigos,

Passou um ano desde que a APGVN protestou junto da Assembleia da República, do Ministério e do ICNB (ver ligação no site  em Recursos/Documentos) .

Como poderão ler no parecer jurídico que nos foi remetido o Presidente do ICNB colocou à Tutela a necessidade reconhecida e sublinhada de promover a alteração do artigo 38º da Lei nº 254/2009, de 24 de Setembro, conhecida por Código Florestal, cuja eficácia se encontra suspensa por 360 dias, nos termos da Lei nº 116/2009, de 23 de Dezembro, nos seguintes termos : "retirar a parte final d alínea d) ou seja os vigilantes da natureza não são auxiliares das forças de segurança nas acções de fiscalização promovidas nas matas sob jurisdição do ICNB e no interior das áreas classificadas".

Ou seja, os VN deverão ser considerados, enquanto dotados de competência e autoridade próprias, como representantes da Autoridade Nacional de Conservação da Natureza (ICNB) quer para aplicar o Código Florestal, quer a demais legislação ambiental nacional e internacional.

No entanto, a suspensão do Código Florestal terminará nos primeiros dias de Dezembro pelo que a Associação irá alertar os Grupos Parlamentares para a necessidade de repristinar esta Lei e repor a legitimidade jurídica das referências aos Vigilantes da Natureza.

>> Protesto do Código Florestal

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Um filme e projecto a seguir com atenção sobre a Crise Ecológica e os seus Limites











"We do not burn down the Louvre. We do not set fire to the Library of

Congress. So why do we go on erasing the database of life itself?



By exploiting the living world, we are dangerously impoverishing our

planet, putting our own welfare in danger.



Every day, species are dying, never to come back. Ecosystems around the

world are unravelling, leaving many people without access to healthy food,

clean water, and other essentials for their daily needs. This is a Crisis

of Life, and it is up to us to stop it.



In the „Crisis of Life“ video project, ecologists and activists talk about

ways to stop the ongoing biodiversity crisis to ensure the survival of all

living beings, including ourselves."

domingo, 7 de novembro de 2010

Concursos para Vigilantes da Natureza nos Açores

Serviços de Ambiente do Pico
Oferta nº 4145 - Contrato por tempo indeterminado com vista ao provimento de 3 lugar(es) de Vigilante da Natureza 2 Cl do quadro de Ilha do Pico afecto ao/à Serviços de Ambiente do Pico para a área Vigilante da Natureza da(o) Gabinete do Secretário Regional da(o) Secretaria Regional do Ambiente e Mar, publicitada a 2010-11-03

Visualizar Anúncio: http://bepa.azores.gov.pt/avisos/d6ba01c4-201e-44e8-b281-ac0f0736abfb.pdf
(publicado em: http://bepa.azores.gov.pt/ a 04-11-10)
Se desejar manter-se informado sobre as oportunidades de emprego que surgem diariamente na área do Ambiente e Gestão de Recursos Naturais, siga a página "NaturJobs" que a Naturlink criou no Twitter em http://twitter.com/NaturJobs

NOTA : saudamos o esforço das Regiões Autónomas em defender o seu/nosso Património natural continuando a recrutar e a promover VN desde o ponto de início da profissão até aos lugares de Vigilante da Natureza Especialista;  é talvez necessário que os VN do Continente se candidatem em massa para as ilhas já que o ICNB prometeu desde Fevereiro de 2010 proceder à abertura de concurso para VN Principal, que aguardam há 14 anos pela mudança e de VN Especialista que esperam desde 2000 pelo mesmo concurso.
 
APGVN

Nuno Ferrand de Almeida: Nunca Olhamos para o outro País que existe

Choca-o o pessimismo das elites portugueses. Acredita que o país tem pessoas e conhecimento que lhe garantem um futuro. Diz que as crises são uma espécie de "ajustes que é preciso fazer". Como "as réplicas de um terramoto". Tem uma convicção: "Vamos dar a volta a isto."
É biólogo, director do Cibio, Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, professor do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da mesma universidade, onde lecciona Genética e Evolução. Move-se no circuito da ciência internacional. Tem 47 anos e olha para o país com um inesperado optimismo, que esta entrevista acaba por explicar. Há 25 anos não tínhamos nada. Hoje temos nichos de excelência que podem ombrear com o melhor do melhor. Um país que tem isto tem futuro.



Esta entrevista ocorreu, por acaso, no dia em que terminava em Nagoya, Japão, a cimeira da ONU sobre a Biodiversidade.



Como é que se mobilizam as pessoas para a importância da biodiversidade, quando o mundo, e sobretudo as sociedades ocidentais que normalmente financiam estas iniciativas, atravessa uma tremenda crise económica da qual não se sabe ainda bem como vai sair?



É difícil, mas penso que podemos transformar esta crise numa oportunidade. A crise resulta também do modelo de crescimento que temos tido ao longo destes últimos 50 anos, praticamente desde o pós-guerra. E, se quiser, tem raízes históricas que começam há 10 mil anos, quando o homem começa a domesticar os animais, que é o início daquilo a que chamamos hoje "civilização".



Este distanciamento do homem em relação à natureza acentua-se com a Revolução Industrial. A maior parte das pessoas começa a dirigir-se para as cidades, onde hoje vive mais de 50 por cento da população mundial. Há uma espécie de dissociação entre a nossa espécie e a nossa vivência e o mundo natural, que é o mundo que nos suporta. Basicamente, aquilo a que chamamos "recursos naturais e recursos biológicos" fazem parte de uma pequeníssima camada a que chamamos "biosfera" e que tem recursos finitos.



Explicar isso não é nada fácil...



Não é nada fácil, mas este é o momento ideal precisamente por ser um momento de crise. É preciso que as pessoas percebam - e percebem agora melhor - que alguma coisa vamos ter de mudar, porque a perda de recursos a que se está a assistir hoje, a perda dos serviços dos ecossistemas, não é compatível com a preservação do enorme nível de bem-estar que alcançámos.



Mas é difícil explicar às pessoas que o papel de uma borboleta, de um pássaro ou de um lince são fundamentais para o seu bem-estar e para a sua sobrevivência.



Isso é importante, porque cada espécie vale por si. Mas não devemos ir por aí. Devemos explicar que há uma diferença qualitativa na crise da biodiversidade em relação a tudo o resto - às alterações climáticas, à poluição, à destruição do ambiente. A perda da biodiversidade é irreversível. Não há retorno possível.



O que está a dizer é que este modelo de desenvolvimento actual é insustentável?



É. Muita investigação recente mostra uma progressiva dissociação entre aquilo que ganhamos, o nosso rendimento, e os nossos níveis de bem-estar e de fruição da vida. Atingiu-se uma espécie de patamar que põe em causa aquilo que estamos a fazer. Não temos de crescer por crescer. Há outras maneiras de avaliar o progresso.



Mas essa é hoje a lógica das nossas sociedades...



Que é incompatível com os recursos que temos, porque são finitos.



O que está a propor é uma verdadeira revolução dos nossos padrões e do nosso modo de vida. Hoje, melhorar a vida das pessoas é melhorar o seu acesso ao consumo e a bens fundamentais, como saúde e educação.



Absolutamente. A ideia de consumo vai ter de ir mudando. Há muitas outras formas de fruir a vida que podem estar muito mais ligadas à nossa satisfação intelectual e que não estão ligadas ao consumo material. Vai demorar gerações a mudar, mas acho que esta crise que estamos a viver é o primeiro grande sinal...



Que implica uma mudança de valores?



Implica uma mudanças de valores. Temos de começar a pensar a economia global em termos mais ligados à sustentabilidade. Temos de evoluir para uma economia mais baseada na avaliação dos recursos que temos à nossa disposição e, depois, para uma maior justiça da distribuição, que também é fundamental. É chocante a continuação, ou mesmo o aumento da desigualdade numa altura em que a nossa capacidade para criar bem-estar nunca foi tão grande. E seria com muito poucos recursos que nós faríamos a grande diferença nos países a que chamamos "em desenvolvimento". Com muito poucos recursos, poderíamos rapidamente aumentar o bem-estar dessas pessoas em termos de alimentação, de saúde, de esperança de vida...



Aí, saímos da ciência para o patamar da política. É preciso organizar o mundo de outra maneira.



É isso que tem falhado.



A cimeira da biodiversidade no Japão [na semana passada] pôs em evidência um padrão comum de comportamento que se pode resumir assim: os países em desenvolvimento, mesmo os que são mais avançados, como a China ou o Brasil, apontam o dedo às sociedades desenvolvidas, responsabilizando-as pelo modelo que levou à delapidação dos recursos. Mas não abdicam de copiar esse modelo. Como se sai daqui?



A única via é a educação. É evidente que a ambição de países em vias de desenvolvimento que estão em grande crescimento é copiar os países ricos. Quando se pensa na China ou na Índia ou no Brasil, é isso que se vê.



Mas a natureza não aguentará?



Não aguentará. Já estamos a consumir muito mais do que aquilo que o planeta nos pode dar. Todos os estudos nos mostram isso, que está hoje traduzido na metáfora da pegada ecológica. Se continuarmos assim, vamos precisar de muito mais em muito pouco tempo e isso pode levar-nos a uma situação insustentável.



Que pode ameaçar o próprio homem?



Que vai, pelo menos, desencadear conflitos tremendos pelos recursos.



Este para mim é o momento ideal, por causa da crise, para começarmos a discutir estas coisas. E sou optimista, na medida em que penso que se tem vindo a fazer cada vez mais para resolver estes problemas a nível global. Nunca tivemos na ciência níveis tão avançados, em particular na biologia, e a biologia vai ser a ciência do século XXI. Já é um lugar-comum dizer isto. Atingiu níveis de maturidade e de aplicação que atingem todas as esferas da vida, da saúde ao ambiente, até à compreensão do mundo que nos rodeia e à compreensão da nossa própria natureza. O que é que somos, porque é que somos assim. É uma diferença qualitativa em relação à química e à física, que marcaram o século XIX e o século XX. Estamos a falar dos gnomas, da possibilidade de mudar geneticamente as plantas e os animais e isso é uma revolução que nos poderá permitir, por exemplo, responder a muitas das necessidades dos países em desenvolvimento, tornando a sua agricultura mais sustentável e as espécies mais resistentes.



A diferença hoje é que a biologia nos permite uma reflexão sobre o mundo e sobre nós próprios que, se calhar, não tínhamos tido antes. E sobre a partilha da vida com muitos outros milhões de espécies, algumas que estão ainda por conhecer e que vão ser fundamentais para o nosso bem-estar no futuro. Este vai ser um século marcado pela biologia e marcado por uma nova perspectiva que ela nos permite ter em relação ao planeta e a nós próprios. Sem dúvida.



Mas falta a tal resposta política, o governo global que possa harmonizar tudo isso, para conseguir concertar interesses.



Falta. Mas penso que isso chegará cada vez mais aos grandes líderes mundiais por imposição das sociedades. Há um registo pessimista em relação à crise mundial - e, já agora, em relação à crise portuguesa - que não partilho. Se pensar que há 20 anos praticamente não havia investigação em Portugal e hoje estamos no nível em que estamos em menos de uma geração...



Em Portugal, temos a sensação que não sabemos o que nos pode acontecer no dia de amanhã. Há um discurso dominante profundamente derrotista...



Tremendo. Nas elites portuguesas instalou-se um pessimismo tremendo...



Como é que um cientista olha para tudo isto?



Sou optimista por natureza. Ainda sou relativamente novo, mas sei exactamente o que era Portugal há 25 anos, quando entrei para a Universidade do Porto, e o que se fez desde aí. Tinha 11 anos no 25 de Abril, mas sei como era Portugal antes disso. Estávamos fora do mundo.



Assistir em menos de 25 anos à transformação que se viveu em Portugal é um privilégio absolutamente extraordinário. Há 20 anos, eu nunca imaginaria que poderia ter um centro que faz investigação no mundo inteiro e que não fica nada atrás dos melhores centros do mundo e estou a falar de Berkeley, Cambridge ou Oxford. E ainda menos imaginaria - falo pela minha experiência, mas isso é visível em muitos outros centros de investigação em Portugal - que seríamos capazes de atrair tantos estrangeiros. Quase 50 por cento dos 1200 investigadores contratados nos últimos dois anos pelo Programa Ciência são estrangeiros e isto diz alguma coisa.



Nem nos apercebemos disso.



Mas isso é fundamental. O caminho tem de passar pela aposta na ciência e isso tem sido feito de uma forma notável. Nos últimos dez, 15 anos conseguimos chegar ao topo dos países que mais têm investido na ciência...



Mas partimos de uma posição muito recuada.



É verdade, não havia nada, ou havia pouco. Mas quando se fala hoje em 5 ou 6 mil artigos científicos publicados e reconhecidos internacionalmente [por ano], isso representa um avanço extraordinário. É quase um milagre. O número de doutorados... E disso as pessoas falam pouco e é preciso que falem muito mais. É preciso falar muito mais das pessoas que trazem conhecimento para cá e que produzem conhecimento cá.



É por isso que me choca muito o pessimismo constante das elites portuguesas. E isso tem reflexo sobre as pessoas. Esse pessimismo cola-se-nos à pele.



Como é que o explica? Mede-se tudo pelo défice?



Em parte é isso. Não sei. Mas não sei porque nunca se olha para o outro país que existe. Existem dois países. Todos os países têm dois países, mesmo que em Portugal essa diferença seja mais acentuada. Mas há 25 anos não tínhamos dois, tínhamos um, que era mau. Hoje temos um país que se distingue nas ciências, nas artes, na literatura, no desporto.



Mas há aquela sensação de que, quando estamos quase a conseguir o nosso objectivo de sermos "europeus", qualquer coisa nos impede. Historicamente, parece que nunca conseguimos percorrer a última milha. Acha que é isso que desmoraliza as pessoas?



Percebo isso. Mas a mim não me desanima. E digo-lhe já porquê: nunca achei que isso fosse possível numa geração. É preciso mais tempo. Estamos a falar de países como a Inglaterra, a França, a Alemanha, que têm uma tradição de mais de 100 anos de investigação e de produção de conhecimento, de reflexão, que nós não tínhamos. Vivíamos completamente marginalizados dessa Europa. Há 30 anos não havia um paper.



Penso que as nossas elites estão um bocadinho gastas na maneira como olham para o lado antigo do que foi Portugal, quando temos ao lado um país a desenvolver-se muitíssimo e a mostrar que é perfeitamente capaz de ombrear com os mais desenvolvidos. Claro que ainda temos o resto, que ainda pesa. E que alimenta essa espécie de frustração que se transmite nesse discurso e que é má, porque leva facilmente as pessoas a desanimarem, a acomodarem-se... Penso que é a nossa obrigação, e também da comunicação social, dar conta desse outro país. Não quero com isso desculpar algumas lideranças...



Justamente, temos hoje muito mais gente educada, universidades muito melhores, uma massa crítica que deveria ser mais exigente. Como é que se explica, então, a fragilidade das lideranças políticas?



Há aí uma contradição para a qual não tenho resposta. Há uma espécie de alheamento em relação ao serviço público e há uma espécie de dissociação progressiva em relação aos partidos e às pessoas que nos governam, que me assusta um pouco... Não sei responder a essa pergunta, só sei que ela faz parte das interrogações que muitos de nós colocamos.



Mas não há também uma responsabilidade das pessoas? Talvez que o país mereça uma coisa melhor e não se esteja a esforçar-se o suficiente para a ter?



Talvez. São contradições e desequilíbrios que julgo que resultam de transformações muito aceleradas do tecido social português. Este pode ser um momento em que isso seja muito visível.



Há já alguns anos perguntei a Manuel Castells onde estava a força maior da sociedade americana. A resposta foi curta: nas suas universidades. Artur Santos Silva dizia, numa entrevista que lhe fiz recentemente, que é nesse conhecimento acumulado nas nossas universidades que vamos de ter de ir buscar as condições do nosso futuro. Temos de transformar isso em valor económico. Como é que se faz isso?



Concordo absolutamente com essa visão, acho que é o único caminho. Muita gente, mesmo lá fora, tem dito isso mesmo. Mas aquilo que falta - a ligação entre o saber e a economia - é o que leva mais tempo. Outros países têm mecanismos muito mais eficazes para essa transferência, vão buscar às universidades o conhecimento para o transformar em valor acrescentado. Nós aí somos ainda muito mais frágeis.



Não pode ser o professor universitário a fazer isso, porque não o consegue. É mais uma dessas contradições ou desequilíbrios do nosso desenvolvimento. Mas as coisas começam a acontecer. Posso dar-lhe um exemplo da Universidade do Porto. Temos hoje três cátedras convidadas abertas - é a única universidade do país que as tem no domínio da biodiversidade -, que estão a atrair imenso interesse...



O que é uma cátedra convidada?



É um programa que o Ministério da Ciência e Tecnologia lançou e que tem como base o financiamento combinado da Fundação de Ciência e Tecnologia, a 25 por cento, e de uma empresa, a 75 por cento. Foi uma ideia excelente para promover a passagem de conhecimento que é desenvolvido nas universidades para as empresas. E estamos precisamente a lançá-las neste momento de crise. Já recebi telefonemas do estrangeiro, de Inglaterra, a perguntarem-me como é que um país que está à beira da falência está a lançar estas iniciativas na área da biodiversidade.



Vamos contratar três professores catedráticos, provavelmente fora - a ideia é trazer talentos de fora do país. As cátedras são suportadas pelo BES, pela Refer e pela EDP. A ideia é desenvolvermos precisamente aquilo em que ainda falhamos mais. O que temos de fazer é, em primeiro lugar, criar uma massa crítica, uma elite científica sólida e numerosa, como estamos a fazer, e depois, em consequência da geração de novas ideias, vão nascer novas empresas. Já estão a nascer. São cada vez mais.



Mesmo assim, o nosso tecido empresarial ainda não parece capaz de absorver os jovens que as universidades estão a educar. Essa é outra forma de impedir a utilização desse saber acumulado.



É mais uma dificuldade. Alguma coisa tem de ser feita. E esse problema também existe em outros países europeus. Veja o brain-drain da França para os Estados Unidos...



Em França é outra coisa, creio. Tem mais a ver com burocracia e menos com capacidade empresarial. Aqui, as empresas parece que não absorvem as pessoas mais qualificadas, que podiam, de facto, alterar a forma como fazem as coisas.



Isso é verdade. É mais difícil mudar uma empresa do que uma universidade. Isso, para mim, explica-se também pelas transformações aceleradas que vivemos e pelos desequilíbrios que elas geram. O que, para mim, é importante é ver que esses jovens portugueses são já competitivos. Veja o sucesso dos jovens investigadores portugueses no European Research Council no Verão passado. Muitos deles na área da biologia, num domínio altamente competitivo onde Portugal parte em desvantagem em relação aos outros concorrentes.



Hoje, o que está a sustentar as faculdades de ciências é a biologia. Colocam 200 alunos de Biologia por ano e, se for a ver, a Física quase não tem alunos. É impressionante. Há 20 anos, a Biologia era um curso para professores de liceu. Hoje já não há ninguém que vá para lá com esse fim. Vão porque a Biologia é a ciência do futuro, e eles sabem isso, tem a ver com muitos outros sectores de actividade...



E isso não se deve ao medo da matemática?



Não, não acho. As pessoas sabem a importância da biologia e também sabem que a biologia absorveu imenso da química, da física, da matemática e tem imensas áreas de intersecção, não só com estas disciplinas mais exactas, como com a medicina, com o ambiente e até com a economia... Esse é um campo em grande desenvolvimento...



Que também pode ter impacte no desenvolvimento industrial nas área dos medicamentos, das biotecnologias. Há aqui um potencial...



Sem qualquer dívida. E há outra coisa, que já foi muito referida mas que nós nunca verdadeiramente aproveitámos, que é a nossa situação geográfica e a língua.



Esse é agora o discurso em moda. Descobrimos que não podemos colocar as fichas todas na Europa e que temos de começar a olhar para o Atlântico. Isto também faz sentido do ponto de vista de um cientista?



Faz todo o sentido. O Brasil é o país mais rico em biodiversidade. Temos aí muito espaço, porque desenvolvemos núcleos de excelência com os quais eles querem cooperar. Tenho muitíssimos alunos do Brasil a trabalhar cá e podiam ser muitos mais.



Temos de ir por aí: aumentar o nosso relacionamento com o Brasil em todas as áreas, incluindo na ciência e tecnologia.



E o resto do mundo? Podemos tirar mais partido da economia global? Também na ciência?



Os Estados Unidos são cruciais. Mais tarde vamos beneficiar de todo o esforço de investimento, feito nos últimos anos, com as parcerias que foram desenvolvidas com várias instituições de referência americanas - MIT, Carnegie Mellon, Austin Texas, Harvard Medical School. Estamos a falar das melhores universidades do mundo. Obviamente que há o espaço europeu, onde já nos movemos muito bem. Há o potencial da relação com o Brasil e toda a comunidade de língua portuguesa até Timor. É simbólico estarmos hoje aqui no Instituto de Investigação Científica Tropical, que para mim devia ser o motor e é o motor dessa relação. E há outro aspecto que, para mim, é muito importante por razões que ultrapassam a biologia e que são os países do Magrebe.



Temos alguma presença nesses países?



Temos uma relação muito sólida com as universidades desses países. O Cibio tem uma série de protocolos e projectos de formação avançada com alguns. Se apostarmos nessa formação avançada, estamos a criar laços com pessoas que vão ser as futuras elites decisoras. Somos muito bem aceites, porque há dificuldades de relacionamento com os antigos países colonizadores. E isso tem uma importância política e estratégica fundamental para a Europa, sobretudo depois do 11 de Setembro.



Antes de começarmos esta entrevista, estava a explicar-me a importância do reitor da Universidade do Porto na sua afirmação internacional. As lideranças podem, portanto, fazer a diferença?



Houve uma série de circunstâncias que fizeram com que várias pessoas com um papel muito relevante na ciência mundial tivessem regressado, trazendo com elas a sua experiência. Estou a falar de nomes como a Maria de Sousa, o Alexandre Quintanilha, o Sobrinho Simões, etc..., que se juntaram na Universidade do Porto e que criaram centros de excelência a nível internacional. Isso atraiu muita gente de toda a parte, estudantes e investigadores de muito talento que foram à procura dessas pessoas e do exemplo e da visibilidade dessas pessoas. Tudo isso é anterior aos últimos quatro ou cinco anos. Mas, depois, há esse esforço, que tem sido conduzido pelo professor Marques dos Santos e que tem mobilizado, como nunca se conseguiu fazer antes, toda a universidade.



Está a dar dois exemplos de como as pessoas que não se sujeitam às circunstâncias fazem toda a diferença.



Fazem completamente. O que o reitor também conseguiu fazer foi outra coisa muito importante que foi passar a Universidade do Porto a fundação, e isso significa um salto muito significativo em relação ao passado...



Quando o ministro Mariano Gago criou as fundações, foi tão criticado que parecia que ia acabar o mundo...



(riso) Exactamente. Mas agora tenho a certeza que muita gente vai fazer o que fez a Universidade do Porto. Isso, para mim, é mérito absoluto dele. Esse tipo de lideranças são absolutamente essenciais e sentimos muito a falta delas. Marcam completamente a diferença.



O retrato que acaba de fazer da ciência em Portugal fez-me lembrar que temos um caso muito interessante: o mesmo ministro da Ciência e Tecnologia há 15 anos, com um pequenino hiato de dois anos pelo meio. Damos pouco por isso, mas, se calhar, foi muito importante.



É absolutamente fundamental. E o ministro já tinha tido um papel anterior, quando liderou a antiga JNICT [Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica]...



Ainda no tempo dos governos de Cavaco Silva...



Exacto. Tem, de facto, um talento e uma percepção das prioridades e de como fazer o desenvolvimento científico do país que é, para mim, inigualável. Pode discordar-se ou concordar-se com isto ou aquilo, não é isso que interessa. Eu sou muito a favor da rotatividade, mas, neste caso, não há dúvida que o professor Mariano Gago deixou para sempre uma marca de mudança que acho que já não volta para trás. Quero acreditar que já não volta para trás, mas penso que a nossa posição ainda é frágil e que é preciso continuar.




Nuno Ferrand de Almeida: Nunca se olha para o outro país que existe

Continuo a pensar que era bom que estas coisas ligadas ao desenvolvimento científico fossem objecto de um pacto de regime para ficarem independentes da conjuntura política. Era bom que fosse claro, e para mim ainda não é completamente claro, que estas políticas são para continuar.



Se lhe perguntar como vê o país daqui a dez anos, o que responde?



Vamos dar a volta a isto. É como as réplicas depois de um terramoto. [As crises] são ajustes que é preciso fazer, que podem ser difíceis, que resultaram de perspectivas provavelmente falhadas. Mas vejo isso como um processo que é normal num país com um desenvolvimento tão acelerado como aquele que vivemos nas últimas décadas. Estou optimista. Temos hoje pessoas e conhecimento como nunca tivemos, temos níveis de bem-estar como nunca tivemos. Temos a obrigação de transmitir para nos tornarmos num país com níveis de cultura e de educação muito maiores a todos os níveis. Temos de fazer com que as pessoas se apercebam desses recursos e que percebam que podem ser utilizados.

Fonte: Ecosfera, O Público

domingo, 31 de outubro de 2010

Comunidade internacional aprova nova estratégia para a biodiversidade até 2020

Ministros de cerca de 200 países aprovaram, hoje, um novo plano global para travar a perda de biodiversidade do planeta, lançando ao mesmo tempo um sopro de ânimo sobre a diplomacia ambiental internacional.


Depois de anos de negociações, foi também aprovado um regime para a repartição dos benefícios do uso de recursos genéticos - como substâncias activas de plantas na indústria farmacêutica ou variedades genéticas para a produção de alimentos.



O plano estratégico ontem acordado fixa 20 objectivos para proteger a biodiversidade até 2020, com mecanismos para monitorizar o seu progresso. Um deles preconiza o alargamento das áreas protegidas terrestres de 12,5 por cento para 17 por cento da superfície do planeta. A área coberta por parques e reservas marinhas deverá subir de um por cento hoje para dez por cento nos próximos dez anos.



A repartição dos benefícios potencialmente milionários dos recursos genéticos, por sua vez, está agora regulada por um novo tratado internacional, o Protocolo de Nagoya, ontem aprovado. Os países poderão ser compensados, em dinheiro ou por outras formas, pelo uso do seu património genético por terceiros. Comunidades locais também podem ser recompensadas pela transmissão do conhecimento que detêm sobre o uso da natureza.



"Conseguiu-se um bom equilíbrio entre os provedores e os utilizadores dos recursos genéticos", avalia o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, numa entrevista telefónica, a partir de Nagoya.



Outra decisão importante da conferência refere-se a uma estratégia para mobilizar os recursos que se julgam necessários para conter a extinção de espécies e proteger a diversidade biológica nos países em desenvolvimento. Os países desenvolvidos têm dois anos para delinear onde e como conseguirão as verbas - estimadas em milhares de milhões de euros por ano. A promessa deste apoio soma-se a outras feitas mais ainda não cumpridas, na ajuda internacional ao desenvolvimento e no auxílio aos países mais pobres para lidarem com o aquecimento global.



"Este encontro proporcionou uma mudança radical na compreensão global da multi-bilionária importância da biodiversidade das florestas, zonas húmidas e outros ecossistemas", sustenta Achim Steiner, chefe do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, num comunicado.



O resultado da conferência de Nagoya também está a ser visto como um balão de oxigénio para a diplomacia ambiental, afectada pelo fracasso da última cimeira climática da ONU, em Copenhaga, em Dezembro passado. "É muito importante para o multilateralismo", afirma Humberto Rosa.



As decisões mais importantes de Nagoya foram ovacionadas de pé pelos representantes dos diversos países, num plenário final que terminou horas depois do prazo inicialmente previsto.

Fonte : O Público, 29 de Outubro

Reclassificação de áreas protegidas avança depois de ser denunciado o seu atraso



Como se pode verificar pela leitura do site do ICNB irá decorrer de 15 de Novembro a 15 de Dezembro a discussão pública das propostas de reclassificação e regulamento para diversos Sítios Classificados, agora promovidos a Monumento Natural e Reserva Natural.

O que não é explicado é porque não foi respeitado o prazo estipulado pelo Decreto-Lei nº 142/2008, que fixou até Junho de 2010 a data para essa reclassificação. E já agora quem explica como foi aprovada primeiro a reclassificação e apenas agora se pergunta às populações se concordam com o regulamento?

Mas sobretudo qual foi o critério de escolha dos Sitios a reclassificar e porque razão os Sitios Classificados de Coruche, logo três de uma assentada, foram preteridos e entregues à autarquia, mais tarde aos proprietários seguramente, e os VN que lá trabalharam durante duas décadas nem foram imformados e foram ilegalmente transferidos para Alcochete (RNET), a mais de 70 Km das suas residências, dois concelhos afastados de uma área que fica entregue a ninguém, e que compreende o vale do Sorraia, que é apenas o território onde reside a maior população permanente de cegonhas, para lá de inúmeras espécies em diversos graus de ameaça?

De qualquer modo, vale a pena participar na discussão pública e divulgá-la localmente que é onde nem sempre chegam estas coisas!....


Áreas Protegidas ardidas foi menor que em 2009?

Segundo declarou a Srª Minista do Ambiente, no passado dia 21 de Outubro a área ardida nas áreas protegidas foi menor que em 2009, e quase desvalorizou as ocorrências com um subterfúgio dizendo que dos cerca de 20 mil hectares ardidos apenas uma pequena percentagem tinha sido em áreas prioritárias.

Nós ficamos um pouco confusos já que julgávamos que todas os Parques e Reservas do nosso país eram áreas prioritárias!

E alguém já disse à ministra o que são habitats e redes ecológicas e qual a importância do continuum natural?

Falou também a Srª Ministra que os concursos para Vigilantes da Natureza iam avançar já que esta é uma área prioritária.

Acontece que a ministra confunde as coisas: primeiro o concurso só avança porque durante um ano os candidatos a VN ganham próximo do salário minimo enqiuanto estagiários e não há lugar a negociação de salário, condição presente no despacho que congelou os concursos; segundo, este concurso obedece ao principio do descongelamento de quotas próprias que o icnb não utiliza desde 1998!!! foi este o ano em que se realizou a última admissão de vigilantes e desde aí perderam-se mais de 30 VN com as saidas ; terceiro a ministra anuncia um paliativo já que se faz um concurso de apenas CINCO lugares, para colocar VN a trabalhar sózinhos em áreas como o Parque Natural do Douro Internacional ou o PN do Tejo Internacional!

Por ùltimo, a maior confusão da Srª Ministra é confundir Vigilantes da Natureza, quer seja no ICNB, nas CCDR ou nas ARH, com sapadores florestais, guardas florestais ou bombeiros e somente se lembrar destes profissionais no final do verão, para justificar a área ardida nas Áreas Protegidas.

Para memória futura vale a pena ver a ligação  http://www.google.com/url?sa=X&q=http://www.tvi24.iol.pt/ambiente/tvi24-incendios-area-protegida-ambiente-ministra-dulce-passaro/1200995-4070.html&ct=ga&cad=:s7:f2:v0:d1:i0:lt:e0:p0:t1287674390:&cd=-arZ7TmvnSs&usg=AFQjCNEvemeTe5QFlDEUiiuxppbu0trkXQ

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Estação de tratamento de efluentes suinícolas ao abandono em Rio Maior



A estação de tratamento de efluentes suinícolas de Alcobertas, no concelho de Rio Maior, considerada pioneira quando entrou em funcionamento, em 1995, está abandonada, com os riscos ambientais inerentes numa infra-estrutura localizada em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC).


O estado de “degradação” da estação foi confirmado à agência Lusa tanto pela presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Isaura Morais, como pelo presidente da assembleia geral da Associação para o Desenvolvimento das Serras de Aire e Candeeiros (ADSAICA), José Alho.

Isaura Morais disse à Lusa que a autarquia está a tentar assumir a posse da infra-estrutura para poder arrancar com um projecto de recuperação, orçado em 100 mil euros numa primeira fase, sublinhando que seria urgente uma intervenção antes do Inverno.

A estação, um dos bens geridos pela ADSAICA, organização criada em 1990 pelos sete municípios da área do PNSAC e por esta estrutura do então Instituto de Conservação da Natureza (ICN), foi construída com o objectivo de resolver o problema da poluição provocada pelas pequenas explorações suinícolas da zona, introduzindo, ao mesmo tempo, uma inovação à época, a produção de energia através do biogás, disse José Alho à Lusa.

Situada em solos de elevada permeabilidade, portanto mais vulneráveis à poluição dos recursos hídricos subterrâneos, a estação foi feita de forma a permitir a recolha dos efluentes para produção de biogás, usado como combustível de um motor de co-geração que produzia energia vendida à Rede Eléctrica Nacional, solução pioneira na altura. Por outro lado, as lamas da estação passaram a ser aproveitadas para fins agrícolas, como fertilizantes.

Com as alterações introduzidas na ADSAICA, na sequência da transformação do ICN em Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICN-B), a manutenção da estação foi-se degradando, já que o técnico que acompanhava a infra-estrutura foi afastado dessa função e o funcionário que retirava as lamas entrou de baixa, não sendo substituído, disseram à Lusa fontes conhecedoras do processo.

A Lusa questionou o ICN-B sobre a situação desta infra-estrutura, mas, apesar da insistência, não obteve qualquer resposta.

José Alho disse à Lusa que a nova direcção da ADSAICA, presidida pela presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Fernanda Asseiceira, está a tentar resolver o problema do património colocado sob a sua alçada, tendo sido aprovada na assembleia geral do passado dia 29 de Setembro a devolução do património a cada um dos municípios, já que a associação “não tem condições” para o gerir.

No caso da estação de tratamento de efluentes suinícolas de Alcobertas, situação que José Alho reconheceu ser “complicadíssima” por representar “um risco ambiental”, a câmara de Rio Maior decidiu assumir a recuperação e reactivação da estrutura, no que o também vereador da câmara de Ourém classificou de “espírito altruísta”.

José Alho, que acredita que a resolução do problema está agora “encaminhada”, reconheceu algum risco na situação, já que nem o gás acumulado na manga gigante que liga ao motor estava a ser drenado.

Fonte: Público/LUSA

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Costa Rica: 12º Humedal de Importancia Internacional.


El Sitio Ramsar Humedal Maquenque incluye la totalidad del área del Refugio Nacional de Vida Silvestre Mixto Maquenque y una franja intermedia del Refugio Nacional de Vida Silvestre Corredor Biológico Fronterizo Nicaragua-Costa Rica.


El Sitio comprende un complejo lagunar y ecosistemas palustres propios de la ecoregión del Bosque muy húmedo tropical y caracterizada por su alta biodiversidad y el sustento de especies en peligro de extinción como ser la Lapa Verde (Ara ambigua), especies vulnerable como el Manatí (Trichechus manatus) y otras especies importante como el Jaguar (Panthera onca) y el Pez Gaspars (Atractosteus tropicus).

Además, el humedal desempeña un papel hidrológico importante para el funcionamiento de las cuencas aledañas. Las principales amenazas en el Sitio Ramsar son las actividades forestales y ganaderas ubicadas a las orillas de las lagunas Colpachí y Laguna Manatí. Las dos Áreas Protegidas que comprenden el Sitio Ramsar Humedal Maquenque poseen un plan de manejo que guía sus actividades de conservación.

Costa Rica posee ahora 12 Sitios Ramsar totalizando 569,742 ha.



Fonte: Ramsar Org.
           Antonio Tovar Narváez
Foto: Mauricio Salas

Em menos de 40 anos, o mundo perdeu 30% de sua biodiversidade.


Ecossistemas saudáveis são fundamentais para a manutenção da vida no Planeta.




As últimas análises demonstram que as populações de espécies tropicais estão em queda livre e a demanda humana por recursos naturais sobe vertiginosamente e chega a 50% a mais do que o planeta pode suportar. Isto é o que revela a edição de 2010 do Relatório do Planeta Vivo, da Rede WWF, publicação que apresenta a principal pesquisa sobre a saúde do planeta.

O relatório bianual da Rede WWF, produzido em colaboração com a Sociedade Zoológica de Londres e a Global Footprint Network, utiliza o Índice do Planeta Vivo para medir a saúde de quase 8 mil populações de mais de 2.500 espécies. Esse índice mundial demonstra uma redução de 30% desde 1970. O declínio é mais acentuado nas regiões tropicais, onde se verifica uma queda de 60% em menos de 40 anos.

“É alarmante o ritmo da perda de biodiversidade que se verifica nos países de baixa renda, em sua maioria situados nos trópicos, enquanto o mundo desenvolvido vive num falso paraíso, alimentado pelo consumo excessivo e elevadas emissões de carbono”, declarou Jim Leape, diretor geral da Rede WWF.

O Relatório mostra que, em algumas áreas temperadas, houve uma recuperação promissora de populações de espécies — graças, em parte, ao aumento dos esforços de conservação da natureza e a um melhor controle da poluição e do lixo. No entanto, nas áreas tropicais, houve uma queda de quase 70% nas populações aquáticas (água doce) que foram rastreadas – esse percentual corresponde ao maior declínio já mensurado em quaisquer espécies, em áreas terrestres ou nos oceanos.

“As espécies são a base dos ecossistemas,” afirmou Jonathan Baillie, diretor do Programa de Conservação da Sociedade Zoológica de Londres. “Ecossistemas saudáveis constituem as fundações de tudo o que nós temos – se perdemos isso, destruímos o sistema do qual depende a vida”, completou Baillie.

A Pegada Ecológica — um dos indicadores utilizados no Relatório — demonstra que a nossa demanda por recursos naturais duplicou desde 1966 e que utilizamos o equivalente a um planeta e meio para sustentar nossas atividades. Se continuarmos a viver além da capacidade do planeta, até 2030 precisaremos de uma capacidade produtiva equivalente a dois planetas para satisfazer os níveis anuais da nossa demanda.

“O Relatório demonstra que, se as tendências atuais de consumo forem mantidas, chegaremos a um ponto sem retorno,” acrescentou Leape. A conclusão é de que “seriam necessários quatro planetas e meio (4,5) para atender a uma população mundial num estilo de vida equiparável ao de quem vive hoje nos Emirados Árabes Unidos ou nos Estados Unidos.”

O carbono é o principal culpado por levar o planeta a usar uma espécie de “cheque sem fundos” ecológico. Nossa pegada de carbono aumentou de forma assustadora e nesses últimos 50 anos multiplicou-se por onze. Isso significa que hoje o carbono é responsável por mais da metade da Pegada Ecológica mundial.

Os dez países com a maior Pegada Ecológica per capita são: Emirados Árabes Unidos, Catar, Dinamarca, Bélgica, Estados Unidos, Estônia, Canadá, Austrália, Kuwait e Irlanda. O Brasil ocupa a 56º posição neste ranking.

Os 32 países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre os quais se incluem as mais ricas economias mundiais, são responsáveis por quase 40% da Pegada mundial. Os países do BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – têm o dobro dos habitantes dos países da OCDE e, segundo o Relatório, sua Pegada per capita atual segue na mesma trajetória da OCDE; se for mantido esse modelo de desenvolvimento, o BRIC irá ultrapassar o índice per capita da Pegada da OCDE.

“Países que mantêm um nível elevado de dependência dos recursos (naturais) colocam em risco sua própria economia”, alertou Mathis Wackernagel, presidente da Global Footprint Network. “Os países que conseguem proporcionar um nível mais elevado de qualidade de vida com a menor demanda ecológica atenderão o interesse mundial e, mais do que isso, vão se tornar os líderes de um mundo com recursos limitados”, completou Wackernagel.

O Relatório mostra novas análises que comprovam que o declínio mais agudo da biodiversidade ocorre em países de baixa renda. Em menos de 40 anos, esses países sofreram uma queda de 60% em sua biodiversidade.

A maior Pegada é a dos países de alta renda. Em média, a Pegada desses países é cinco vezes maior do que a dos países de baixa renda. Isso sugere que o consumo em nível não-sustentável das nações mais ricas está baseado, em grande parte, no esgotamento dos recursos naturais das nações mais pobres; e que, muitas vezes, essas nações mais pobres são também as mais ricas em recursos naturais e estão situadas em regiões tropicais.

O Relatório do Planeta Vivo (RPV) mostra, também, que uma grande Pegada e um elevado nível de consumo – muitas vezes mantido às custas dos outros – não se refletem num nível elevado de desenvolvimento. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas — baseado na expectativa de vida, renda e nível de instrução – pode ser alto em países com uma Pegada média.

O RPV aponta as soluções necessárias para garantir que o planeta possa aguentar a população mundial que, segundo projeções, será de mais de nove bilhões de pessoas em 2050. Entre as questões críticas a serem abordadas para reduzir a Pegada incluem-se a dieta e o consumo energético, assim como maiores esforços para valorizar e investir em nosso capital natural.

“O desafio colocado pelo Relatório do Planeta Vivo é bem claro”, disse Leape. “Precisamos, de alguma maneira, encontrar uma forma de satisfazer as necessidades de uma população crescente e cada vez mais próspera e, ao mesmo tempo, nos manter dentro dos limites dos recursos deste planeta, que é um só. Precisamos, todos nós, encontrar uma maneira de fazer melhores escolhas em nosso consumo e em nossa forma de produção e uso de energia”, concluiu.

Desafio do Brasil é crescer sem destruir

O Brasil possui uma alta biocapacidade, mas isso não nos coloca em uma situação confortável. As mudanças nos hábitos de consumo da população brasileira e a demanda crescente por produtos agrícolas têm pressionado os recursos naturais, aumentado a Pegada Ecológica do país. Hoje, a média de consumo da população brasileira já chega a 2,1 hectares por pessoa e a soma do consumo de todas as pessoas mostra que no Brasil já estamos consumindo mais de um planeta.

Esse modelo é insustentável e preocupante. “A redução da desigualdade com aumento do poder aquisitivo da população brasileira é uma conquista positiva. No entanto, também nos coloca frente a um grande desafio que é o de crescer sem esgotar nossos recursos naturais”, destaca a Secretária-Geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.

As riquezas naturais são parte dos ativos necessários ao crescimento econômico que estamos presenciando, mas deve existir sempre um equilíbrio entre o que é consumido e o que a natureza pode prover. Para Hamú, esta é a principal mensagem do Relatório Planeta Vivo 2010.“O estudo é uma ferramenta importante para os tomadores de decisão estimularem uma economia de baixo carbono, uma economia verde, criando novas oportunidades de crescimento para o País e protegendo os serviços ecossistêmicos que são a base de nosso desenvolvimento econômico”, afirma.

O Relatório traz indicadores que apontam o quanto está sendo consumido – a pegada ecológica e a pegada hidrológica – e o quanto o planeta pode prover em recursos naturais renováveis – a biocapacidade. “O desafio será manter esses fatores balanceados para que possamos garantir um desenvolvimento sustentável no Planeta”, diz o coordenador do Programa Pantanal do WWF-Brasil, Michael Becker.

Segundo ele, para que haja esse equilíbrio, além de políticas de proteção de áreas importantes para as espécies, é importante valorizar produtos sustentáveis e certificados e aperfeiçoar mecanismos de monitoramento que possibilitem a redução de impactos, como o cálculo da Pegada Ecológica pelas cidades.

Versão brasileira

A versão em português do Relatório Planeta Vivo 2010 está disponível no endereço www.wwf.org.br/informacoes/bliblioteca/?26162/Relatrio-Planeta-Vivo-2010. Esta é a primeira vez que o relatório é traduzido integralmente para este idioma.



Fonte: WWF

Marcelo Segalerba

Brasil - incêndios criminosos consumiram metade de 10 Parques em 2 meses.

Quase metade da área de dez unidades de conservação federais foi castigada por queimadas de Agosto a Setembro deste ano. Um levantamento do G1 revela que dos quase 3 milhões de hectares ocupados pelos dez parques (2.941,824 ha), mais de 1,3 milhão (1.373.542 ha) foi atingido, o equivalente a 46% da área. E todos os representantes das reservas nacionais ouvidos afirmam que as causas dos incêndios são intencionais.


Os dez parques são uma amostra do prejuízo causado pelos incêndios ao bioma brasileiro, sobretudo ao cerrado. A quantificação oficial da área queimada é um processo demorado e, às vezes, subjetivo, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) – autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. Segundo o coordenador geral de proteção ambiental do ICMBio, Paulo Carneiro, a estimativa total ainda vai demorar algumas semanas. “Estamos nesse processo, mas não estamos conseguindo acompanhar o ritmo dos incêndios”, afirma.

Algumas unidades das regiões Centro-Oeste e Sudeste, que registraram a maioria das ocorrências da temporada, só conseguiram extinguir o fogo depois que mais de 60% da área havia sido queimada. O caso mais grave foi do Parque Nacional das Emas, em Goiás, que é Patrimônio Mundial da Natureza e contabiliza 93% da área consumida pelo fogo. Outra fonte de preocupação para os ambientalistas foi o Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais, onde há espécies de animais em risco de extinção e os danos chegaram a 72% da unidade.

O chefe do parque, Darlan Alcântara de Pádua, ressalta que não é possível quantificar as perdas da fauna e flora. “A perturbação do ecossistema é imediata, mas o impacto é mais complexo e aparece lá na frente. Uma boa parte do que se morre no incêndio é transformado em cinzas, um exemplo são os ninhos de pássaros. E muitos bichos que escapam do incêndio morrem depois, por ferimentos, stress ou fome”, lamenta.

Outra unidade severamente afetada foi a Área de Proteção Ambiental Meandros do Rio Araguaia, na divisa de Goiás com Mato Grosso e Tocantins, que estima prejuízos em 71% da região. O chefe do parque, José Vanderlei Cambuim, relata que a ocorrência de vários focos simultâneos deixou animais encurralados. “Os brigadistas encontraram um bando de 40 queixadas mortos. Vimos capivaras mortas e até uma paca, que é um animal bem esperto e ágil”, disse.

Nos demais parques, animais de maior porte conseguiram escapar para regiões que não queimaram, onde havia água ou mata fechada. Répteis e anfíbios, porém, foram bastante afetados.

Cuidado especial – Especialistas estão ansiosos por sinais de vida e adaptação das espécies sob risco de extinção. Os animais mais citados foram as onças, lobo-guará, tamanduás e especialmente o pato-mergulhão, do qual se tem notícia de apenas 250 indivíduos em todo o país. Na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, o pato-mergulhão costuma ser avistado em áreas de canyon. Segundo o chefe do parque, Leonard Schumm, “ele não deve ter sido afetado, porque sai voando, mas o ambiente em que ele mora ficou impactado”.

O cenário se repete na Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins. A analista ambiental Lara Côrtes conta que os únicos oito pássaros da unidade ocorrem em uma área de conflito com a comunidade local, que queima a vegetação para forçar a rebrota do pasto para o gado. “O pato-mergulhão fica num trecho específico do rio onde estamos tentando fazer um acordo com os residentes, para usarem o fogo controlado, pelo menos”, explica Côrtes.

Cultura do fogo – O hábito de usar queimadas para renovar pastos, limpar terrenos e dar fim ao lixo é antigo no Brasil e um desafio considerável para autoridades e ambientalistas. O monitoramento dos focos de incêndio via satélite já permite algumas conclusões. Segundo o Coordenador da Gestão do Fogo da Defesa Civil do Mato Grosso, major Márcio Paulo da Silva, “a noite é o horário mais propício para pessoas atearem fogo. A cultura do uso do fogo no nosso estado é muito arraigada, não só na população rural como na urbana, que usa o fogo na limpeza dos quintais. As pessoas apostam na impunidade e na extensão territorial”, conclui.

Paulo Carneiro, do ICMBio, destaca que, este ano, houve condições atípicas de baixa umidade do ar que propiciaram a propagação dos incêndios, mas aponta a pecuária como um desafio histórico para os parques nacionais. “As queimadas têm uma relação muito grande com a renovação de pastagem. Pecuaristas põem fogo numa área para que venha a brota e perde o controle, levando prejuízo até pra ele mesmo. Nas nossas unidades de conservação do cerrado, essa prática está muito associada ao gado”, sentencia.

O Parque Nacional do Itatiaia, no Rio de Janeiro, conseguiu um feito raro para os administradores das unidades nacionais, prendeu em flagrante dois incendiários no fim de agosto. Gustavo Tomzhinski, responsável pelo núcleo de combate a incêndio do parque, conta que dois agricultores foram vistos pelo helicóptero empenhado no combate de outro foco. Para ele, as prisões e multas de R$ 84 mil para cada infrator “têm um efeito simbólico muito grande paras pessoas estarem conscientes que realmente é crime”, disse.



Fonte: Luciana Ribeiro/ G1

Marcelo Segalerba