terça-feira, 24 de novembro de 2009

Previsto aumento da temperatura em sete graus até 2100

Um grupo de 24 cientistas internacionais alertou hoje que a temperatura global deverá aumentar sete graus até 2100, pelo que são necessárias medidas rápidas e eficazes para travar o aquecimento climatérico.

O alerta consta de um relatório divulgado pelo Instituto de Investigação sobre os Impactos do Clima, com sede em Potsdam, na Alemanha, no qual estão sintetizados vários trabalhos científicos relativos às alterações climáticas.

Nesse documento, o grupo de 24 investigadores prevê que a temperatura média do ar "suba entre dois e sete graus até 2100 "

Por outro lado, o aumento registado de 40 por cento das emissões de CO2 entre 1990 e 2008 dificulta o cumprimento da meta de limitar em dois graus a subida do aquecimento global. Este limite tinha sido fixado em Julho passado pelos dirigentes de alguns dos países mais desenvolvidos do mundo.

"Aumentam, desta forma, as possibilidades de o aquecimento climatérico ultrapassar os valor determinados", advertiram os investigadores, aludindo aos crescentes níveis de CO2 na atmosfera.

De acordo com o director do Instituto de Potsdam, Hans Joachum Schellnhuber, o relatório deverá ser entendido como "um último apelo" dos cientistas para que as negociações relativas ao aquecimento global prossigam entre os 192 países envolvidos.

"É necessário apanhar o comboio da protecção climática", declarou, numa referência às decisões que resultarão da Cimeira de Copenhaga, agendada para Dezembro.

"Eles deverão conhecer a verdade sobre o aquecimento global e as respectivas consequências", sublinhou ainda Hans Joachum Scellnhuber.

Um dos efeitos que mais preocupa a comunidade científica relaciona-se com a multiplicação de fenómenos meteorológicos extremos, que se manifestam ao nível das temperaturas (canículas) e das precipitações, como as inundações.

Outra consequência é o aumento do nível do mar, resultado do degelo das zonas glaciais, bem como a desflorestação.

Para travar o aumento previsto de dois graus, os cientistas alertam para a necessidade de travar drasticamente as emissões de CO2, no período compreendido entre 2015 e 2020.

"Uma sociedade mundial mais descarbonizada, sem emissões de CO2 ou de outros gases produzirá efeitos visíveis e duradouros", conclui a comunidade científica

Fonte: LUSA

Guarda-Parques, por Reinaldo Morcos Castro

A história do Guarda-parque moderno começa em 1872 com a criação dos parques nacionais de Yellowostone e Yosemite nos Estados Unidos da América. A partir daí, a história dessa função tomou proporções maiores e avançando principalmente em vários países das Américas, muitas vezes com denominações diferentes, mas com a mesma função, passou a ser reconhecida profissionalmente. Um exemplo disso é a Argentina, que desde a década de trinta possui curso de capacitação de Guarda-parque com profissionais de nível médio e universitário, e a Federação Internacional de Guarda-parques, criada em 1992, que conta com mais de cinqüenta associações de filiadas em todo mundo.
Já no Brasil, apesar de acompanharmos o aumento da presença do Guarda-parque nas Unidades de Conservação, em todos os Estados da Federação, essa função não é reconhecida por lei.
Responsável pelo controle, vigilância, proteção das unidades, entre outras atribuições, o Guarda-parque é uma função exercida na maioria das vezes por agentes ou auxiliares administrativos, fiscais ou de outras categorias profissionais. Apesar disso, como Instrutor do Curso de Formação de Guarda-parques da Fundação o Boticário de Proteção à Natureza, noto um crescente interesse pela profissionalização desta atividade e creio na necessidade da criação e regulamentação da carreira, para que também passe a existir de direito, pois hoje ela já existe de fato.
O Guarda-parque desenvolve muitas vezes as suas atividades sem a devida capacitação. Geralmente são pessoas (homens e mulheres) motivadas, com responsabilidade, vínculo com a conservação e que realizam a atividade em locais de risco ou difícil acesso. Portanto necessitam de capacitação periódica para que se sintam seguros para prevenir, negociar e resolver situações que possam vir a enfrentar.
Precisamos também, urgentemente, da unificação do conceito missão, função, obrigações e atividades específicas do Guarda-parque nos diversos níveis: Municipal, Estadual e Federal. Só assim poderemos ter uma padronização dos conceitos para que não ocorram distorções como vemos atualmente.
O decreto Federal nº 6.515 22/07/2008, que institui O Programa Corpo de Guarda-Parques que será formado por integrantes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar e seus Batalhões Florestais e Ambientais, cuja atuação será dirigida à proteção ambiental das unidades de conservação federais situadas no território do respectivo ente federativo. É claro que é muito útil e eficiente podermos contar com Bombeiros e Policiais Ambientais em cada unidade de conservação. Como também é interessante contarmos com instalações físicas apropriadas e outros profissionais das mais diversas áreas do conhecimento colaborando com o trabalho na Unidade.
Porém vejo que esse decreto está atribuindo aos Bombeiros e Policiais Militares, mais uma missão além das já existentes e que são muitas.
É importante frisar que considero toda atitude que venha a contribuir para a proteção das Unidades de Conservação válida, mas acredito que seja necessária uma reflexão minuciosa antes de qualquer aprovação.
Acredito que alguns assuntos poderiam ser revistos, tais como:
*Ao invés de sobrecarregarmos Bombeiros e Policiais Militares para atuar além das suas funções, também como Guarda-parques, não seria mais produtivo criar a carreira Guarda-parque?
*A capacitação desses Guarda-parques não seria mais especializada e em menor tempo?
*Oportunidade da criação de vagas às populações que vivem próximas a Unidades de Conservação, que geralmente estão em regiões afastadas dos centros urbanos e carentes de empregos;
*Aproveitar os que possuem certo conhecimento do local, da fauna e flora ali distribuídas e dos membros da vizinhança para o exercício da função;
*Não seria uma maneira de envolver a própria comunidade na proteção das unidades?
*Poder tornar mais atrativa a profissionalização da carreira através de planos de cargos e salários adequados conforme o grau de instrução;
Mediante isso, vejo a necessidade urgente do reconhecimento legal do profissional Guarda-parque no Brasil, e para isso, devem-se romper as barreiras que impedem a valorização e o reconhecimento dessa profissão.

Por: Reinaldo Marcos Castro

Impacto ecológico do Homem atinge níveis recorde


A concentração de gases com efeito de estufa atingiu níveis recorde e aproxima-se do "cenário pessimista" previsto pelos cientistas, advertiu a Organização Meteorológica Mundial (OMM) a duas semanas da Cimeira de Copenhaga. Um estudo independente revela também que o planeta precisa cada vez de mais tempo para repôr os recursos consumidos pelas actividades humanas.
A OMM reclamou uma acção internacional imediata para atenuar a concentração de gases perigosos. "As novidades não são boas: a concentração dos gases com efeito de estufa continua a aumentar a um ritmo mais rápido", indicou o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, ao apresentar os últimos dados reunidos pela agência da ONU em todo o mundo.

A concentração de CO2, o principal gás com efeito de estufa, aumentou 38% desde 1750, cem anos antes da Revolução Industrial, e contribuiu desde então para 63,5% do crescimento do efeito de estufa na atmosfera, segundo os dados da OMM. Este contributo passou mesmo para 86% nos últimos cinco anos.

Esta situação "confirma a tendência para um aumento exponencial", afirmou o mesmo responsável, acrescentando: "estamos cada vez mais próximo de um cenário pessimista" apontado pelo Grupo Internacional de Peritos sobre as Alterações Climáticas. "É preciso agir o mais rapidamente possível", advertiu.

Jarraud instou os governos a alcançar um acordo significativo em Copenhaga "já que quanto mais demorar a decisão, mais graves serão as consequências das alterações climáticas".

Um fracasso na definição de objectivos ambiciosos nessa conferência significaria que as acções destinadas a atenuar os efeitos das mudanças climáticas seriam "mais difíceis e com maiores custos, em particular para os países em desenvolvimento", defendeu. Para o responsável da OMM, "há que colocar a fasquia o mais elevada possível".

A Conferência de Copenhaga sobre Alterações Climáticas da ONU, que decorrerá de 7 a 18 de Dezembro, é vista pela comunidade científica como uma oportunidade crucial para se chegar a acordo quanto a medidas que permitam abrandar o aquecimento global.

"O aquecimento do planeta está provado por múltiplos factos e não apenas pela alteração da temperatura. Observamos o retrocesso dos glaciares e do gelo no Árctico no final de cada Verão ou a mudança das chuvas. Não são hipóteses, são situações que podemos medir e observar", insistiu Jarraud.

Questionado sobre se este balanço negativo reflecte um fracasso do Protocolo de Quioto, o primeiro acordo internacional que abordou as alterações climáticas, Jarraud assinalou que a conclusão é que "Quioto não foi suficiente, mas sem esse acordo a situação seria muito pior".

Terra suporta cada vez menos o impacto ecológico do homem

A Terra suporta cada vez menos o impacto ecológico das actividades humanas, já que são necessários 18 meses ao planeta para regenerar os recursos que a humanidade consome num ano, segundo um estudo de um grupo de investigação privado norte-americano hoje publicado.

Os dados recolhidos numa centena de países pelo Global Footprint Network, um grupo de defesa do ambiente, indicam que a humanidade consome recursos e produz dióxido de carbono (CO2), principal gás com efeito de estufa, a um ritmo 44% mais elevado do que a natureza pode produzir e absorver.

"As ameaças iminentes que enfrentamos hoje, nomeadamente as alterações climáticas mas também a desflorestação, a diminuição das pescas, a sobre-utilização da água doce, são sintomas de uma tendência alarmante", escrevem os autores deste relatório.

O Global Footprint Network, com sede em Oakland, Califórnia, calcula todos os anos desde a sua criação, em 2003, aquilo que chama de "impressão digital ecológica" de mais de cem países e da humanidade como um todo.

Este indicador determina a superfície de terra e de água requerida para produzir recursos que uma dada população consome e para absorver os desperdícios daí resultantes.

Noutros termos, estes investigadores calculam o potencial de produção de recursos da natureza, como são utilizados e quem os utiliza, explicou a organização.

Estes dados mostram que entre 2005 e 2006 o impacto ecológico da humanidade aumentou cerca de 2% sobre o mesmo período precedente.

Este crescimento resultou de um aumento da população e do consumo de recursos per capita.

Nos últimos 10 anos, o impacto do homem na natureza aumentou 22% enquanto que a bio-capacidade, quantidade de recursos que a natureza pode produzir, permaneceu constante e pode mesmo ter diminuído, segundo o "Global Footprint Network".


Fonte: Diário de Notícias

Aquecimento global: Leste da Antárctida está a "perder gelo"

Cientistas da missão Grace, da NASA, dizem-se surpreendidos com os resultados.

A camada de gelo da zona leste da Antárctida está a perder gelo há três anos, segundo uma análise de dados de um satélite medidor de gravidade.

Os cientistas envolvidos nesta missão dizem que estão "surpreendidos" pela descoberta, porque a camada gigante do leste da Antárctida, ao contrário da zona oeste, pensava-se que estava estável. Outros cientistas dizem não ter a certeza de que a perda de gelo possa ser ligada ao aquecimento global. Além disso, as incertezas sobre os dados do satélite também são grandes. Os satélites da Experiência Climática de Recolha por Gravidade da NASA (Grace) mostraram que a zona oeste da Antárctica e a Gronelândia estavam a perder massa. Os dois corpos têm água suficiente para subir o nível do mar em sete metros se derreterem totalmente.

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Descobertas milhares de espécies a viver em profundidade

Um grupo de cientistas que está a catalogar a vida dos Oceanos manifestou-se hoje surpreendido com a descoberta de milhares de espécies encontradas em grandes profundidades onde nunca chega a luz solar.

Os cientistas do Centro da Vida Marinha (CVM), um projecto internacional que apresentara em 2010 a primeira listagem da vida oceânica, já registaram 17.650 espécies que vivem a mais de 200 metros de profundidade e outras 5.722 que habitam a mais de um quilómetro de profundidade, onde quase nunca chega a luz do sol.

É o que os estudiosos definem como a "zona do crepúsculo", o lugar onde a ausência de luz impede o processo de fotossíntese e, por enquanto, a existência de uma flora activa.

Os investigadores estão surpreendidos com a diversidade de vida existente em profundidades abissais, onde se pode encontrar numerosos organismos vivos.

Robert Carney, um dos responsáveis do projecto, destacou em declarações à agência noticiosa espanhola EFE que "é difícil de entender que haja tanta diversidade" no fundo dos mares e oceanos.

Entre as criaturas mais estranhas encontradas pelos investigadores está um polvo de dois metros que vive a 1,5 quilómetros de profundidade.

Os investigadores destacaram ainda a existência de uma larva marinha que foi surpreendida enquanto ingeria crude petrolífero em águas do golfe do México.

Carney frisou que a grande maioria das criaturas recolhidas são novas para a ciência e que das 680 espécies de copépodes (um grupo de crustáceos) recolhidas apenas se conhecem sete.

Fonte: LUSA

Projecto da UAlg mede carbono na Ria Formosa

Uma equipa de investigadores da Universidade do Algarve arranca em Janeiro com um projecto que visa estimar se a Ria Formosa consome ou produz mais carbono e de que forma as actividades humanas influenciam o metabolismo da ria.

A Ria Formosa - sistema lagunar que se estende ao longo de 60 quilómetros entre o Ancão e a Manta Rota -, é à partida um consumidor de dióxido de carbono (CO2), por ser dominada por plantas, que o consomem para a fotossíntese.

Contudo, a presença de animais (peixes e bactérias) e as actividades desenvolvidas pelo homem, como construções ou estabelecimento de viveiros, poderão contribuir para que a ria produza mais dióxido de carbono do que o que consome.

"A ideia é ver se a Ria Formosa se comporta como uma planta, consumindo mais CO2 do que aquele que produz ou, pelo contrário, como um animal", resumiu Rui Santos, coordenador do grupo Algae, do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve.

De acordo com o investigador, o projecto é importante por permitir dar mais um passo no conhecimento dos efeitos da libertação de carbono na atmosfera, sobretudo pelo homem, e consequentes alterações climáticas.

"Vamos avaliar como é que a presença do homem afecta o metabolismo da ria", disse, lembrando que todas as actividades humanas que impliquem a destruição das comunidades vegetais têm efeitos nefastos no sistema.

Como exemplos, Rui Santos indica a construção de marinas, a instalação de viveiros de bivalves - feita normalmente nas zonas de ervas marinhas , e as alterações da qualidade das águas provocadas pelas descargas das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).

Os investigadores vão usar dois métodos para medir a quantidade de carbono, nomeadamente, a análise das trocas efectuadas entre a ria e o oceano, a atmosfera e todo o CO2 que entra vindo das ETAR, ribeiras e linhas de água.

Por outro lado, vão analisar com mais detalhe cada componente biológica da ria (ervas marinhas, algas, sapal e viveiros, por exemplo) para quantificar quanto produzem e quanto consomem, fazendo depois uma estimativa global.

O projecto, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), arranca em Janeiro e deverá durar cerca de três anos, embora no decurso desse período já devam haver relatórios preliminares.

Fonte: Diário de Notícias

Recurso a espécies exóticas prejudica ambiente

A associação ambientalista Quercus alertou hoje que o recurso a espécies florestais não autóctones tem contribuído para o agravamento de problemas ambientais, como a erosão dos solos, e restringido recursos económicos do país.

Em comunicado, divulgado quando se assinala o Dia da Floresta Autóctone, a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, salienta que "deveria haver um maior cuidado na preservação dos bosques de floresta autóctone" e que "espécies mais raras e ameaçadas devem ser alvo de legislação específica, com vista à sua conservação".

No texto, a associação especifica que a "aposta nas florestas de crescimento rápido, com recurso a espécies exóticas, tem contribuído" também para "propagação dos incêndios" e "perda de biodiversidade".

"Por outro lado, escasseiam algumas das espécies autóctones com importância económica, seja no sector de produção de madeiras nobres como de derivados diversos", salienta a Quercus.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 21 de novembro de 2009

Justiça: O lobo e os ecologistas ganham batalha!

O Tribunal Superior de Justiça de Castilla y León aceitou a tese dos ecologistas e admite proibir a caça ao lobo a sul do rio Douro, contrariando o Plano de Conservação e Gestão do Lobo da Consejería de Medio Ambiente de la Junta. Os grupos ecologistas ganharam um novo alento graças à sentença que considera que a caça ao lobo contraria a normativa estatal e europeia, o teor da resolução da secção de Contencioso Administrativo do Tribunal Superior de Justiça de Castilla y León, deu provimento ao recurso que a Federación de Ecologistas en Acción de Castilla y León interpôs contra o Plano de Conservação e Gestão do Lobo.


Fonte: Guardabosques Foto: Luis Cavero

Héctor Moscoso: A Natureza perde um amigo!

É com grande tristeza que participamos o falecimento do nosso companheiro Héctor Adolfo Ortíz Moscoso, Guardarecurso do Parque Nacional Tikal na Guatemala.


O seu falecimento inundou de tristeza todos os companheiros que com ele privaram, viram assim partir um homem dedicado à protecção da Natureza.

Travava uma longa batalha contra a doença que o afectava há alguns anos, ontem terminou o seu sofrimento.

Que descanse em Paz!


Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza

PCP questiona governo sobre a situação dos Vigilantes da Natureza

Companheiros!


A Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza, tem desde sempre lutado pela dignificação da nossa profissão. Constantemente procura sensibilizar a classe politica para a realidade em que vivemos. Constantemente denuncia as graves situações em que a profissão vive, junto de todos os Grupos Parlamentares.

Para vosso conhecimento enviamos, em anexo, as questões que o Grupo Parlamentar do PCP colocou ao Governo, esperamos que outros se seguiam!

A nota de imprensa que enviamos no Dia Mundial do Vigilante da Natureza despertou o interesse de alguns partidos políticos, o texto difundido em 31 de Julho segue juntamente na mensagem para que não seja esquecido!

Com os melhores cumprimentos,

A Direcção da APGVN

Francisco Correia

Ver Questões do Grupo Parlamentar do PCP (pdf)

Ver nota de imprensa de 31 de Julho (pdf)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Asociación de Guardaparques del Perú filia-se na IRF


A Asociación de Guardaparques del Perú filiou-se na International Ranger Federation (IRF) no passado dia 6 de Novembro durante o VI Congresso Mundial de Guardaparques / Park Rangers.

Benvindos à grande família mundial de Rangers!!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Algarve já tem 14 linces ibéricos no Centro de Silves

Quatro linces ibéricos chegaram terça-feira à noite a Silves para se juntarem aos 10 que já habitam no centro nacional de reprodução do Algarve, faltando dois exemplares para completar as 16 transferências da primeira fase.

"Fauno", "Foco", "Eucalipto" e "Drago" são os nomes dos quatro felinos machos que chegaram ao Algarve oriundos do Centro de Cria La Olivilla, um dos três centros da Andaluzia que participam no programa de conservação de lince-ibérico fora do habitat natural.

O Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) adiantou em comunicado que "Fauno" e "Foco" fazem parte da ninhada de cativeiro de 2009, "Eucalipto" nasceu em 2008 e "Drago" em 2007, todos no Centro La Olivilla.

A equipa técnica, responsável agora por 14 linces-ibéricos, está incumbida de estimular os instintos naturais destes animais, como a caça, territorialidade e interacções sociais, assim como a manutenção de um ambiente livre de agitação artificial.

O primeiro lince ibérico - a fêmea "Azahar" - chegou ao centro nacional de reprodução em Silves dia 26 de Outubro, proveniente de Jerez de la Frontera.

Até 01 de Dezembro, deverá ficar concluída a primeira fase de transferência dos felinos mais ameaçados do mundo para Silves, com o centro português a ficar responsável por um total de 16 linces, segundo o ICNB.

O centro de Silves está equipado com um sistema de vídeovigilância que permite aos técnicos acompanhar o dia-a-dia dos linces 24 horas por dia.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Raia europeia ameaçada de extinção por erro

Duas espécies diferentes foram classificadas como sendo uma mesma. Pesca excessiva deixou a maior em risco.

Por ter sido confundida com outra, uma espécie de raia europeia está actualmente ameaçada de extinção, depois de anos de pesca excessiva, segundo um estudo francês. Duas espécies distintas de raias foram confundidas e agrupadas sob o único nome de Dipturus batis há 80 anos, revelaram os investigadores da estação de biologia marinha de Concarneau.

As análises efectuadas pelos investigadores mostraram que havia afinal duas espécies que estavam a ser tratadas como apenas uma, que foram agora provisoriamente apelidadas de Dipturus flossada e Dipturus intermedia.

Esta última está mais vulnerável à pesca excessiva devido ao seu tamanho (mais de 2,5 metros) e a sua maturidade sexual tardia (perto dos 20 anos). A probabilidade de que seja capturada antes de poder se reproduzir é por isso muito elevada. Por falta de reconhecimento do seu estatuto de espécie em perigo, esta raia deverá extinguir-se num futuro próximo. Das 75 espécies de raias avaliadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza, 17 estão em perigo de extinção.

Fonte: Diário de Notícias

Cousteau tem ilha com o seu nome no Pacífico


O México decidiu dar a uma das suas pequenas ilhas do golfo da Califórnia, no oceano Pacífico, o nome do célebre oceanográfico francês Jacques Cousteau.

Desta forma, a ilha, até agora designada Cerralvo, foi rebaptizada no registo nacional de informação geográfica. O México já tinha anunciado, em Junho, a intenção de rebaptizar uma ilha com o nome de Jacques-Yves Costeau, o oceanográfico que faleceu em 1997 e que fez várias expedições a bordo do Calypso nas águas das costas mexicanas e, em particular, naquela região que apelidou de "o aquário do mundo" graças à riqueza da fauna e flora ali existente.

Reserva ecológica, a península californiana do México onde fica localizada a ilha agora rebaptizada com o nome de Costeau é também uma área que acolhe numerosas estâncias dedicadas ao turismo.

Fonte: Diário de Notícias

ONU diz que conter a população ajudaria no combate às alterações climáticas

Conter a população mundial pode ser tão eficaz no combate às alterações climáticas como construir milhões de aerogeradores para a produção de electricidade a partir do vento, defende o Fundo das Nações Unidas para a População.

“Reduzir o aumento da população ajudaria a aumentar a resiliência da sociedade às alterações climáticas e a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa no futuro”, diz a organização, num comunicado sobre o relatório Estado da População Mundial 2009, hoje divulgado.

O relatório aborda especificamente as relações entre a população e as alterações climáticas, com ênfase particular sobre as mulheres. “É verdadeiramente a primeira vez que uma agência das Nações Unidas se debruça sobre os laços entre população e mudança climática”, disse à agência noticiosa AFP Bob Engelman, um dos autores do estudo e vice-presidente do Worldwatch Institute, organização não governamental com sede em Washington.

O documento sustenta que se a população crescer até oito mil milhões de pessoas até 2050 – e não nove mil milhões, que é a projecção média das Nações Unidas – seriam evitadas emissões de gases com efeito de esfufa equivalentes a um a dois mil milhões de toneladas de dióxido de carbono. O mesmo efeito poderia ser conseguido, por exemplo, se fossem instalados dois milhões de aergeradores com um megawatt de potência – o que equivale a multiplicar por 17 a capacidade mundial actualmente instalada em energia eólica.

O relatório chama a atenção para os movimentos migratórios que as alterações climáticas podem provocar, à medida que populações vulneráveis deixem zonas inundáveis, áridas ou inóspitas. Cerca de 200 milhões de pessoas poderão passar à condição de refugiados climáticos até 2050.

As mulheres estão também no centro da análise do Fundo das Nações Unidas para a População. “As mulheres, em particular nos países mais pobres, serão afectadas de forma diferente dos homens”, diz a organização. O relatório considera que as mulheres asseguram 60 a 80 por cento da produção de alimentos nos países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, tendem a ter a família e a habitação ao seu cargo, o que limita a sua mobilidade, tornando-as mais vulneráveis a extremos climáticos.

“A conexão próxima entre género, produção alimentar e alterações climáticas merece muito mais atenção do que a que actualmente recebe”, diz o fundo da ONU.

Os acordos internacionais sobre o clima teriam melhor hipótese de resultar se tivessem em conta “a dinâmica da população, as relações entre os sexos e o bem-estar das mulheres", diz o trabalho, publicado 20 dias antes da cimeira sobre o clima que as Nações Unidas realizam em Copenhaga.

O relatório recorda que a transição para uma curva demográfica mais branda depende da promoção da igualdade de géneros e de maior acesso das mulheres à educação e saúde reprodutiva.

Fonte: Publico.pt     Foto: Rafiquir Rahman/Reuters

terça-feira, 17 de novembro de 2009

COMUNICADO da APGVN - Aos Vigilantes da Natureza!


Aos Vigilantes da Natureza!

Nunca os Vigilantes da Natureza viveram um período de instabilidade e incerteza tão grande, perante a sua situação profissional, como na actualidade.

Os sucessivos Governos sempre desprezaram a profissão, chegou o momento de darmos o grito de revolta! Não temos nada a perder! Temos que nos unir e lutar, fazer ver aos políticos que estão errados e que devem apostar na dignificação da nossa profissão, já que sem a nossa presença a Natureza ficará a perder!

Contra a extinção! Lutemos pelo reconhecimento da Profissão! É agora que é preciso dizer o que pensamos sobre o nosso futuro!

Apelamos à participação de todos na sessão de Esclarecimento/Debate a ter lugar no dia 12 de Dezembro, pelas 9h 30m, no Instituto Português da Juventude de Castelo Branco!

Participa! Divulga! Juntos iremos salvar a profissão da extinção!

Imprimir Comunicado (pdf)
Faz dowload do Poster e divulga !!! (pdf)
► Ficha de inscrição (pdf)


A Direcção da Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza
Apartado 1037
2711-801 Sintra
Portugal
Telemóveis: 968466240 / 969920033 / 919423466

Limpar Portugal? Nós vamos fazê-lo! E tu? Vais ficar em casa?

Vivemos num país repleto de belas paisagens mas, infelizmente, todos os dias as vemos invadidas por lixo que aí é ilegalmente depositado.

Partindo do relato de um projecto desenvolvido na Estónia em 2008, um grupo de amigos decidiu colocar “Mãos à Obra” e propor “Vamos limpar a floresta portuguesa num só dia”. Em poucos dias estava em marcha um movimento cívico que conta já com cerca de 6000 voluntários.

Neste momento já muitas pessoas acreditam que é possível. O objectivo é juntar o maior número de voluntários e parceiros, para que todos juntos possamos, no dia 20 de Março de 2010, fazer algo de essencial por nós, por Portugal, pelo planeta, e pelo futuro dos nossos filhos.

Muito ainda há a fazer, pelo que toda a ajuda é bem vinda!

Quem quiser ajudar como voluntário só tem que consultar o sítio do projecto na internet, http://www.limparportugal.org/, onde tem toda a informação de como o fazer.

O projecto Limpar Portugal também está aberto a parcerias com instituições e empresas, públicas e/ou privadas, que, através da cedência de meios (humanos e/ou materiais à excepção de dinheiro) estejam interessadas em dar o seu apoio ao movimento.

No dia 20 de Março de 2010, por um dia, vamos fazer parte da solução deixando de ser parte do problema.

“Limpar Portugal? Nós vamos fazê-lo! E tu? Vais ficar em casa?"


in: http://www.limparportugal.org/

Pegadas de dinossaurios: Peritos já avaliaram jazidas


Uma dupla de peritos da União Internacional para a Conservação da Natureza visitou na semana passada três jazidas portuguesas com fósseis de dinossáurios, para avaliar se estas devem ser incluídas como Património Mundial da UNESCO. No final da visita ao País, os avaliadores mostraram-se enigmáticos e, por isso, só em Julho de 2010 se saberá a decisão

Uma dupla de peritos " exigentes, independentes, enigmáticos e bastante confidenciais" esteve a passar a pente fino as jazidas da Pedreira do Galinha, Vale de Meios e Pedra da Mua para avaliar se devem ser incluídas na Lista de Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). "Não houve maneira de saber se ficaram satisfeitos com o que viram", contou ao DN Sofia Castel-Branco Silveira, directora do Departamento de Gestão das Áreas Classificadas de Lisboa e Litoral Oeste do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB).

Um geólogo e uma geógrafa, ele irlandês e ela alemã, foram os peritos escolhidos pela União Internacional de Conservação da Natureza (UICN) para visitar, as três jazidas portuguesas e as oito espanholas candidatas como "Icnitos de Dinossáurio da Península Ibérica (IDPI)". Estiveram no nosso pais desde o dia 9 a 15 deste mês.

"Correu tudo bem, o tempo esteve de feição para a visita, mas os peritos são enigmáticos quanto baste e não houve maneira de saber a opinião deles", diz a directora que aproveita para informar que os dois foram escolhidos "externamente e de forma independente" apenas para esta função. Agora só para o ano é que se sabe se as jazidas da Península Ibérica vão integrar o Património Mundial da UNESCO: "Haverá uma reunião em Julho", acrescenta Sofia Silveira. Os icnitos são pegadas fossilizadas da actividade de animais que ficam gravadas nos sedimentos. Com o passar do tempo servem como registo geológicos e fonte de informação para se conhecer o comportamento e a evolução dos dinossáurios, complementando os dados fornecidos pelos restos ósseos conservados destes répteis. As 11 jazidas (três em Portugal e oito em Espanha), foram escolhidos em função da importância e representatividade para ilustrar a relevância das centenas de jazidas existentes na Península Ibérica. As jazidas propostas são as seguintes : em Portugal, Pedreira do Galinha (Ourém/Torres Novas), Vale de Meios (Santarém) e Pedra da Mua (Sesimbra). Em Espanha, Tereñes (Principado de Astúrias), Fuentesalvo, Costalomo (Castilha e Leão), Las Cerradicas (Aragão), El Peladillo, Los Cayos (Rioja), Tambuc (Comunidade Valenciana) e Fumanya (Catalunha).

Fonte: Diário de Notícias

Terminou o VI Congresso Mundial de Guardaparques / Park Rangers na Bolívia

No VI Congresso Mundial de Guardaparques, realizado de 2 a 7 de Novembro de 2009 em Santa Cruz, na Bolívia, participaram 261 companheiros de 43 países. Como era de esperar, a maior percentagem de participantes proveio da América Central e América do Sul, 164 de 13 países (63% dos participantes e 30% dos países).

A Declaração de Santa Cruz e a Declaração sobre as Alterações Climáticas foram aprovadas em 6 de Novembro. A Declaração sobre as Alterações Climáticas reconhece a situação critica em que está o nosso planeta e o papel importante dos Guardaparques na mudança de atitudes a tomar. A Declaração de Santa Cruz centra-se nos Guardaparques profissionais, a importância do seu papel nas áreas protegidas e na vigilância das alterações climáticas, concluiu-se que em muitos casos aos Guardaparques não lhes é reconhecido o seu papel de autoridade judicial, nem lhes é concedido o reconhecimento por parte dos Governos dos seus países.

Foram efectuados debates em grupo, que estabeleceram contributos para o futuro da IRF, centraram-se no esforço de planificação estratégica para a IRF e em propostas para a consolidação de um acordo com a Google Earth para criar uma base de dados e um mapa que localize a distribuição dos Guardaparques no terreno. O Projecto dos Guardaparques sem Fronteiras deverá ser integrado na Fundação Green Line.


► Ver Declaração das Alterações Climáticas
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Fotos:

domingo, 15 de novembro de 2009

Gronelândia perde gelo cada vez mais depressa

Anualmente, a massa perdida equivale a 273 quilómetros cúbicos. Nesta década, foram 1500.

A Gronelândia está a perder gelo a um ritmo mais elevado do que se supunha. Entre 2006 e 2008, nos meses de Verão, a camada de gelo sobre esta ilha perdeu o equivalente a 273 quilómetros cúbicos de água por ano, o que corresponde ao aumento do nível global do oceano em 0,75 milímetros.

Estes cálculos constam de um trabalho publicado pela revista Science e realizado por uma equipa da Universidade de Bristol, liderada por Jonathan Bamber. Os cientistas usaram um sofisticado modelo climático regional e observações de satélite que confirmaram de forma independente esse modelo.

Segundo explicou Bamber, o degelo acelerou em relação aos anos 90 e o processo poderá aumentar o seu ritmo nos próximos anos, pois as causas do fenómeno não desapareceram.

Se a massa de gelo da Gronelândia desaparecesse de uma vez, a subida global dos oceanos seria da ordem de sete metros. Nesta década, a Gronelândia já perdeu um total de 1500 quilómetros cúbicos (ou gigatoneladas, Gt), o que equivale a 5 milímetros de subida do oceano.

O degelo acelerou em meados da década de 90, mas durante alguns anos, a perda de massa foi compensada por dois fenómenos: o aumento da queda de neve e o facto de muita da água derretida voltar a congelar. Estes efeitos são cada vez menos visíveis.

Fonte: Diário de Notícias

Um pequeno carnívoro que poucos conhecem

Ágil e discreta, a marta (Martes martes) é uma quase desconhecida em Portugal. A sua presença foi detectada pela primeira vez na década de 80, confirmando que, afinal, este pequeno carnívoro também habita nas nossas florestas. No entanto, a reduzida densidade populacional e dificuldade de captura têm complicado uma investigação que pode ser necessária para a sobrevivência da espécie. É que, a julgar por alguns países como o caso da Inglaterra, a desflorestação e a pressão humana estão a colocar a marta em risco de extinção. Pelo menos no estado selvagem.

O primeiro animal observado foi encontrado morto numa zona próxima da serra da Estrela. A identificação não é fácil, dadas as semelhanças da marta com a sua congénere, a fuinha (Martes foina). "Só uma pessoa muito experiente consegue identificar as características que as distinguem. A fuinha é um dos carnívoros mais abundantes em Portugal e durante muitas décadas pensou-se que nem sequer existisse marta no País", diz Margarida Santos-Reis, investigadora do Centro de Biologia Animal da Faculdade de Ciências de Lisboa. Depois da primeira observação em Portugal, começou a haver um cuidado redobrado de procura destes carnívoros.

Continuam a ser observados alguns animais mortos (especialmente devido a atropelamentos). E, de vez em quando, encontram-se peles que se suspeitam pertencer à marta. Segundo um estudo português feito em 2006 e publicado no livro Martes in Carnivore Communities, tinham sido encontrados seis registos de observação directa da espécie desde 1988. Todos associados a zonas de precipitação elevada, florestas de carvalhos (escolhidas pela maior probabilidade de existência de abrigos) e ausência de campos agrícolas e florestas de pinheiros. "A população total estimada varia entre os 25 e os 294 indivíduos", refere o estudo.

A perda e a perturbação do habitat (devido a incêndios, construções de estradas e actividades turísticas) nas últimas décadas é uma das maiores ameaças. A professora Margarida Santos-Reis acrescenta o facto de "ser uma espécie que em acções de controlo de predadores é facilmente capturável e, por isso, quando são usados meios não selectivos a espécie acaba por sofrer". Por outro lado, em alguns países, a pelagem da marta é ainda usada e a espécie continua a ser explorada comercialmente. "A legislação europeia impede que isso aconteça, mas não existe nenhuma lei específica para a espécie no nosso país."

O Norte e centro de Portugal são as zonas de maior probabilidade de ocorrência da espécie, sendo que a população mais próxima é a que existe em Espanha e está separada por cerca de 60 quilómetros, o que significa que as populações portuguesas podem estar também isoladas em termos de reprodução.

Já nas suas áreas centrais de distribuição, correspondentes ao Norte e centro europeus, a marta não é uma espécie ameaçada. "Há locais onde inclusivamente é considerada uma espécie cinegética e por isso sujeita a acções de controlo".

Contudo, na zona mediterrânica e também no canto ibérico, por representar a franja da sua distribuição, tem densidades mais reduzidas. "A conservação da espécie é uma preocupação nesses países." Mas o que existe são dados pontuais, resultantes de alguns registos que indicam que, mesmo no passado, a espécie já existiria nessa zona.

Por outro lado, os censos e a monitorização destas espécies são muito complicados porque, na maioria das vezes, os animais vivem em reduzidas densidades. A sua distribuição é avaliada numa macroescala e baseada em poucos registos, o que pode afectar a capacidade de detectar a espécie, prejudicando as suas estratégias de conservação. A marta é um dos grandes exemplos deste problema.

Sabe-se que os mustelídeos de forma geral são espécies muito curiosas, que correspondem bem a estímulos externos. No entanto, a marta, sendo uma espécie florestal e nocturna, não tem por hábito aproximar-se do homem. Sabe-se que a fuinha tende também a esconder-se da presença humana, mas curiosamente, nas áreas onde coexiste com a marta, aproxima-se mais das zonas urbanas. Segundo Margarida Santos-Reis, uma das razões pode estar "no corpo mais robusto da marta, que é vantajoso em termos de competição com a fuinha e a empurra para os locais periurbanos".

Seria importante saber qual o seu estatuto actual, se ela se está a expandir ou não. "Até porque, com o abandono da agricultura e da pastorícia, muitas áreas florestais estão a recuperar. É, claro, uma tendência contrariada pelos fogos, mas existe." Existe também outro factor muito importante que afecta directamente a vida da espécie, a expansão do esquilo-vermelho. "É conhecido na Europa do Norte e Centro como uma das presas principais da marta. Esteve praticamente extinto em Portugal até à década de 80, altura em que começou a haver uma recuperação. Não sabemos até que ponto a marta está a corresponder a esta expansão."

Fonte: Diário de Notícias       Foto: Jiri Bohdal

Grous estão a ser contados nos campos de Évora

A contagem de grous começou ontem em Évora. Portugal acolhe habitualmente seis mil destas aves migratórias, distribuídas por meia dúzia de locais de invernia.


O grou (Grus grus) costuma chegar a Portugal em meados de Novembro, sendo o Alentejo o local de eleição para passar o tempo frio. Durante esta época, a ave procura planícies de campos abertos, optando, no rigor do Inverno, pelos montados de azinho.

Esta espécie enfrenta vários tipos de perigo, desde a destruição dos seus habitat de alimentação e substituição por áreas agrícolas, a perturbação dos locais de dormida, até mesmo ao abate por caçadores furtivos.

Por ser uma espécie protegida, a sua presença tem sido importante em determinadas áreas do território português, pois tem sido possível definir e estabelecer os limites de zonas de protecção especial para aves (ZPE), integradas na rede de espaços protegidos da Europa.

A monitorização dos grous começou a realizar-se há já 20 anos, na altura por iniciativa de um grupo de jovens eborenses, autodenominado Vamos Conhecer a Natureza de Perto. Actualmente, o projecto encontra-se sob a alçada do Centro de Estudos da Avifauna Ibérica, em colaboração com o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

Fonte: Diário de Notícias   Foto: Jiri Bohdal