domingo, 13 de dezembro de 2009

Vida do Bodião: Um solitário que muda de sexo

Nasce fêmea, mas com passar dos anos, muitos transformam-se em machos e são pais exemplares, pelo menos até à eclosão dos ovos. Só em Portugal são conhecidas 16 espécies de bodião.

O bodião é um dos peixes mais curiosos nas águas portuguesas. O facto de ser uma espécie "hermafrodita protogínica", só por si, já lhe confere um estatuto peculiar. Todos os bodiões nascem fêmeas, mas acabam por mudar de sexo entre os quatro e os 14 anos. É após este fenómeno mutante que a espécie está habilitada a construir ninhos circulares de algas, executando fendas, onde uma ou mais fêmeas hão-de depositar os ovos.

É aqui que o instinto paternal deste solitário dos mares assume proporções quase exacerbadas. "É uma espécie que segue os cuidados parentais. Fica a defender o ninho, tomando conta das posturas até à sua eclosão", refere a bióloga Dinah Sobral, do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB).

Aliás, a forma destemida que o bodião deposita na defesa das posturas, levando-o a não aban-donar o local mesmo em caso de ameaça extrema, fez com que as associações de pesca submarina alertassem os praticantes para que antes de dispararem o arpão sobre esta espécie procurem verificar se o exemplar estará a guardar algum ninho. Sobretudo se o mergulho se realizar nos meses da Primavera, quando o bodião entra em fase de reprodução.

De resto, não é por acaso que no portal do Departamento de Oceanografia e Pescas o bodião é, inclusivamente, apontado como o principal exemplo do que deve ser o "respeito pelos elementos regeneradores das zonas exploradas", sendo sublinhado que um disparo em tempo de reprodução "poderá estar a interferir injustamente com uma espécie".

O departamento alerta os praticantes que, "por muito que o mergulhador seja inapto, estes animais não irão abandonar o seu ninho e a sua descendência. Manter-se-ão lá e lutarão para defender a sua prole, sem imaginar que são incapazes de se defender contra um arpão".

Já em terra, são os próprios pescadores desportivos que atestam a parca inteligência do bodião, movida pelo seu instinto voraz. É a gula pelo isco - seja ele qual for - que o leva a ficar, regularmente, preso nos anzóis, sobretudo durante o dia, quando se mostra uma espécie bastante activa na procura de alimento. Os juvenis fazem-no nas zonas de maré, com profundidade reduzida, mas os adultos chegam a atingir profundidades até aos 25 metros na procura de crustáceos, molusco e peixes mais pequenos.

Diz quem sabe que o bodião não resiste ao chamariz de uma minhoca coreana a agitar-se no anzol ou ao cheiro do casulo e do lingueirão, acabando por ver abruptamente interrompida a sua esperança média de vida, que pode durar até aos 29 anos.

"Para um peixe, estamos a falar de uma idade bastante avançada", acrescenta Dinah Sobral, garantindo que, apesar de ser presa aparentemente fácil de enganar, se trata de uma espécie que não está ameaçada.

"Há muito bodião na nossa costa, principalmente, porque não é alvo de grandes pescarias. Como não tem valor comercial, os pescadores profissionais nunca fizeram pescarias dirigidas a esta espécie", admite a bióloga do ICNB.

Só em Portugal existem nada menos de 16 espécies de bodiões, algumas bastante grandes; outras minúsculas. Espécie sedentária, das mais comuns nas águas portuguesas, concentra-se, essencialmente, nas zonas resguardadas, onde predominam rochas ou ervas marinhas, desde que a profundidade não vá além dos 25 metros.

Solitário e extremamente territorial, o bodião não é um nadador muito rápido, já que as suas barbatanas são pouco desenvolvidas. E são os olhos o que mais se destaca na sua morfologia, apresentando-se salientes, sobre uma boca pequena, que, claramente, destoa em proporção ao resto do corpo, revestido por pequenas e finas escamas.

Porém, não é pela ausência de valor comercial que deixamos de estar na presença de um peixe cada vez apreciado pelos consumidores, que começa a surgir nas ementas de alguns restaurantes, mesmo dos ditos "mais requintados", que apresentam o bodião como um peixe macio e bastante gostoso, que pode ser servido frito, assado ou cozido. Nas bancas dos mercados a sul do Tejo é cada vez mais comum vê-los em cima da pedra. O preço do quilo varia entre os cinco e os sete euros. Todos capturados à linha, a qualquer altura do ano junto de pontões, cais ou muralhas. Seja à bóia ou ao fundo.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 12 de dezembro de 2009

Só falta espaço e parceiros para instalar Centro de Interpretação do Lince em Silves

A colaboração entre a Câmara de Silves e o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) deverá fazer surgir um Centro de Interpretação do Lince-ibérico, naquela cidade.

Ainda não há certezas, mas a presidente da Câmara Isabel Soares já afirmou ao «barlavento» que «o presidente do ICNB esteve numa reunião e uma das ideias é de que deveria ser em Silves, porque é o local mais visitado».

A criação deste espaço é importante, pois o Centro de Reprodução não permite visitas e esta pode ser a maneira de a população poder tomar contacto com a rotina dos felinos, através de um circuito de vídeo que transmitirá a partir do Centro de Reprodução.

Falta, contudo, escolher o edifício que reúna as condições necessárias para instalar o Centro de Interpretação e, segundo Tito Rosa, presidente do ICNB, parceiros que possam ajudar a criar o posto de observação.

«O centro de interpretação poderá ser mais um ponto de atracção para o turismo e para a investigação, porque já sabemos que existem muitas pessoas voluntárias vindas do mundo inteiro para a observação dos animais».

Fonte: Barlavento Online

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

"Cães-biólogos" ajudam estudos de impacte ambiental

Polícia e empresa Bio3 unem-se no treino e uso de cães para a detecção de animais mortos, o que vai ajudar a monitorizar espécies protegidas.

"Balita, busca, busca!" Ao incentivo do tratador, a cadela pastora- -alemã corre pelo meio do mato e, poucos minutos depois, pára e indica um pássaro morto. O jogo faz parte da demonstração do Projecto Cão-Biólogo desenvolvido pela empresa Bio3 em parceria com a Unidade Especial da Polícia. O pássaro morto tinha sido escondido para demonstrar a eficácia da cadela na busca e detecção de cadáveres de aves e morcegos, uma técnica que visa a conservação de espécies protegidas.

Balita, uma pastora-alemã de três anos de idade, é a nova arma da defesa do ambiente em Portugal. O melhor amigo do homem já era usado para os mais diversos fins, da busca e salvamento à detecção de droga e explosivos. Agora, também temos cães especialistas na monitorização ambiental. Balita foi o primeiro cão treinado para busca e detecção de cadáveres de aves e morcegos, usado para o estudo do impacte de parques eólicos e linhas eléctricas. Faz parte do Projecto Cão- -Biólogo, um serviço inovador em Portugal, apresentado ontem à comunicação social pela empresa Bio3, no parque eólico da serra dos Candeeiros, em Rio Maior.

No alto da serra, em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, o nevoeiro cerrado não deixa ver um palmo à frente dos olhos. Indiferente ao frio e humidade, Balita corre pela vegetação com visível alegria. Mesmo quando duas técnicas do Instituto de Conservação da Natureza insistem na realização de um exercício numa zona de mato espinhoso e molhado, para testar a fiabilidade da cadela.

Miguel Mascarenhas, da empresa Bio3, disse que teve conhecimento desta metodologia já usada há algum tempo nos EUA. "Fizemos a proposta à Unidade Especial da Polícia, uma das instituições mais credenciadas no treino de cães, e que aceitou o desafio, tendo iniciado em Abril de 2008 os treinos de dois cães e dois técnicos da Bio3", disse este biólogo que fez formação com a Cássia, a segunda cadela usada neste projecto.

Entre os observadores deste exercício, além dos jornalistas e técnicos do Instituto de Conservação da natureza, contam-se a comissária Paula Monteiro, da Unidade Especial da Polícia, e o agente especial Miguel Lemos, do Grupo Operacional Cinotécnico, que apoiam este projecto.

A comissária Paula Monteiro justificou a participação da PSP neste projecto pioneiro com "a importância da defesa do ambiente", assim como a necessidade de termos uma "polícia moderna com consciência do seu papel e responsabilidade social". A Unidade Especial de Polícia já tinha cães de busca e salvamento, de detecção de drogas e explosivos, e recentemente criou grupos de detecção de armas de fogo e possui ainda cães para operações tácticas. Agora, em parceria com a Bio3 surgiu este projecto pioneiro em Portugal.

"A monitorização ambiental dos parques eólicos e a protecção das espécies é do interesse da sociedade, por isso aceitámos esta parceria com a Bio3", disse a comissária Paula Monteiro.

Com o recurso a estes cães treinados especialmente para detectar cadáveres de animais, esta solução pretende conferir maior rigor nas avaliações de impacte ambiental e nos estudos e monitorizações de biodiversidade.

Prova disso, Balita descobre, um após outro, todos os cadáveres das aves escondidos na vegetação, recebendo satisfeita os elogios e carinhos do tratador. Para o animal, tudo isto é um jogo, uma brincadeira que faz com alegria infantil.

Mas para as aves e morcegos este é um trabalho sério que pode significar a sobrevivência de muitas espécies protegidas.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Zona de proteção especial para salvar aves ameaçadas é prioridade em Portugal


A criação de Zonas de Proteção Especial (ZPE) no mar para conservar as aves marinhas foi defendida nesta terça-feira (08) por especialistas no Congresso Nacional de Ornitologia em Elvas, Portugal.

“As aves marinhas eram pouco conhecidas mas, devido a um projeto pioneiro desenvolvido pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) temos identificado as principais espécies a serem protegidas” disse Luís Costa, diretor executivo da SPEA.

Uma das espécies em risco iminente de extinção é a Pardela-balear (Puffinus mauretanicus). “É uma ave que tem ninhos e colônias nas ilhas Baleares, na Espanha, mas que também depende da costa portuguesa durante a migração e o inverno”, alerta o biólogo.

Para a conservação da espécie, Luís Costa defende que é necessário sensibilizar os pescadores. “Os pescadores, quando lançam anzóis ou redes à água, fazem capturas acidentais. É nesta sensibilização que vamos trabalhar numa próxima etapa”.

Como as aves não conhecem fronteiras, é essencial a cooperação entre os países para melhor definir essas áreas de Proteção Especial. É esse o objetivo de dois projetos pioneiros em Portugal e Espanha, que contam com o cofinanciamento do Programa LIFE-Natureza da Comissão Europeia.

Luís Costa sublinha de igual modo a importância dos parceiros também a nível nacional. “Na ilha de S. Miguel (Açores) conseguimos salvar da extinção o priolo por meio da colaboração das autoridades regionais e o cofinanciamento comunitário”, exemplificou.

Fonte: LUSA

Vigilantes da Natureza - A anilhagem de juvenis de Freira da Madeira

O projecto de estudo da Freira da Madeira, Pterodroma madeira, coordenado pelo Dr. Francis Zino, Investigador Associado do Museu Municipal do Funchal (História Natural), continua a decorrer com o apoio do Parque Natural da Madeira. Neste âmbito procedeu-se à anilhagem dos juvenis desta espécie nascidos este ano na colónia do Pico do Areeiro. Esta operação, que teve lugar no passado dia 9 de Outubro de 2009, envolveu uma equipa do Museu Municipal do Funchal (História Natural) composta pelos Drs. Manuel Biscoito, Ysabel Gonçalves e Juan Silva e outra do Parque Natural da Madeira composta pelos Vigilantes da Natureza, Carlos Viveiros e Alexandre Luís.

Os Vigilantes da Natureza encarregaram-se de monitorizar os ninhos, com recurso a técnicas de escalada muito exigentes, só ao alcance de profissionais com elevado grau de treino. A equipa do Museu procedeu à anilhagem das aves e à recolha de sangue das mesmas para efeitos de posterior determinação do sexo e estudos de genética populacional. No total foram anilhadas 5 aves juvenis e uma adulta. Num dos ninhos, dada a sua profundidade e com vista a produzir o menor distúrbio possível, a equipa optou por não anilhar a ave presente.

Refira-se a propósito que a Freira da Madeira é uma ave marinha endémica, altamente ameaçada de extinção e que tem sido alvo de intenso estudo por parte da equipa liderada pelo Dr. Francis Zino e de medidas protectoras excepcionais da responsabilidade do Parque Natural da Madeira, com o apoio da União Europeia e de entidades não governamentais como sejam a Associação Freiras, o “Fauna and Flora International” e a “Zeneca Agrochemicals”, entre outras. Os técnicos do Parque Natural da Madeira mantêm um esquema de controlo de predadores (ratos e gatos assilvestrados), o que tem evitado a progressiva extinção desta espécie muito rara.

Fonte: http://www.cm-funchal.pt/

Espécies invasores ameaçam Portugal e Espanha

Dezenas de cientistas portugueses e espanhóis identificaram no VI Congresso de Ornitologia as espécies exóticas invasoras como um dos maiores problemas ambientais e de ameaça à biodiversidade. Espécies introduzidas pelo Homem em ambientes naturais podem tornar-se pragas e colocar em risco a biodiversidade nacional. Este problema é ainda mais grave e notório nas ilhas de Açores e Madeira, onde algumas espécies, como o Priolo, estão ameaçadas de extinção.

As espécies introduzidas pelo Homem, quer de forma intencional quer por acidente, podem em circunstâncias particulares encontrar nos locais para onde são transportadas, condições excelentes para a sua multiplicação e desta forma rapidamente atingirem populações numerosas. Estas espécies que podem ser animais, como os ratos ou coelhos, plantas, como a acácia ou o chorão, ou insectos, podem-se tornar importantes pragas que podem provocar prejuízos para o Homem (por exemplo pragas agrícolas) ou colocar em causa a sobrevivência de espécies que apenas existem nas áreas onde foram introduzidas. A nível mundial a expansão de espécies exóticas é já considerada a segunda maior ameaça à Biodiversidade, e verifica-se que um numero cada vez maior de espécies de plantas e animais introduzidas pelo Homem se estão a tornar uma das maiores causas do desaparecimento de espécies, nomeadamente aves, muitas delas raras e únicas de locais muito específicos.

Um excelente exemplo dos prejuízos causados por espécies invasores são os efeitos das reintroduções de ratos e ratazanas em ilhas. Para além do impacto directo na qualidade de vida das populações humanas, pela destruição de culturas ou transmissão de doenças, os ratos provocam danos elevadíssimos em várias espécies de aves. Estes danos podem ser ao nível da predação de ovos e crias, mas também indirectamente através da eliminação de espécies vegetais innportantes para algumas aves.

Algumas espécies de Aves que apenas existem em Portugal e Espanha estão actualmente em risco de desaparecer por causa de espécies exóticas. Esta situação esteve hoje em debate no Congresso Ibérico de Ornitologia a decorrer em Elvas sob a organização conjunta da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e da Sociedade Espanhola de Ornitologia. Segundo Luís Costa, director-executivo da SPEA, “o combate às espécies exóticas é das acções mais urgentes e importantes para evitar o desaparecimento de muitas espécies em Portugal e Espanha, principalmente nas ilhas”. A acção das espécies introduzidas sobre as aves pode ser de formas muito diferentes, Por exemplo, através da
predação das próprias aves (ou ovos), por falta de alimento por desaparecimento de determinadas plantas causado pela expansão de espécies invasoras, ou devido a transmissão de doenças provenientes de outras áreas. A acção conjunta da SPEA com as autoridades regionais foi apontada como um exemplo de defesa da biodiversidade e uma luta pioneira e significativa no combate ao problema das espécies invasoras.

As ilhas pela sua menor dimensão territorial e por ser detentoras de uma vasta riqueza natural são das regiões mais afectadas por esta ameaça. Manuel Nogales, do Consejo Superior de Investigaciones Cientificas, e um investigador de referência com base no Arquipélago das Canárias referiu que “aves como o Priolo dos Açores ou as aves marinhas das ilhas atlânticas são exemplos da urgência de actuação a nível ibérico”. A invasão de plantas introduzidas e a destruição de ninhos por ratos são as principais ameaças nestes casos. “Não investir na eliminação destas ameaças poderá ter consequências incalculáveis na Natureza e na qualidade de vida das pessoas” refere ainda Manuel Nogales.

O controlo e eliminação de espécies exóticas tem vindo nos últimos anos a ser o objectivo de numerosos projectos de conservação a nível europeu e mundial, no valor de centenas de milhões de euros. “A vigilância e controlo imediato destas ameaças é essencial e pode significar uma importante poupança de recursos financeiros” refere Luís Costa. “Em Portugal nos últimos anos tem sido realizado um importante esforço com alguns casos de sucesso, com casos de sucesso local na Serra da Tronqueira em São Miguel, o único sítio onde ainda subsistem manchas de laurissilva na ilha e o Priolo. Neste momento a guerra ainda está a ser ganha pelos invasores, mas a comunidade internacional começa a acordar para a situação catastrófica que pode acontecer e para os prejuízos económicos que daí podem resultar.” alertou.

Fonte: SPEA

Serra da Estrela pronta para nova rede de percursos pedestres

Uma nova rede de percursos pedestres, adaptada às exigências de hoje em dia, está a ser preparada no parque natural da maior serra de Portugal continental. Em 2010, Ano Internacional da Biodiversidade, deverá ser apresentada a candidatura para a criação desta nova rede, planeada através da articulação entre o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) e 18 outras entidades, incluindo a administração local, operadores turísticos e entidades privadas do sector do alojamento.

«Foi preciso um grande esforço de diálogo e de articulação», confessa Armando Carvalho, director regional do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) para o Centro e Alto Alentejo. O responsável pela gestão do PNSE salienta, no entanto, a iniciativa pioneira do parque, que conseguiu um compromisso a longo prazo de todas as entidades para a gestão da futura rede de percursos. «Existirá uma divulgação uniforme da rede por parte de todas as entidades envolvidas e o contributo de cada uma delas será prolongado no tempo», explicou o director ao AmbienteOnline, em vésperas do Dia Internacional das Montanhas, que se comemora a 11 de Dezembro.
Requalificação da zona da torre é urgente
O cume mais alto de Portugal continental, a 1993 metros de altitude, é um dos pontos mais importantes de turismo de montanha do País. No ano passado, os postos de turismo abrangidos pela Região de Turismo da Serra da Estrela registaram 127 772 visitantes, o que representou um acréscimo de 20 mil visitantes em relação a 2007.

Apenas superada em altura pela Serra do Pico, nos Açores, que tem 2351 metros de altitude, a Serra da Estrela mantém-se como ex-libris natural do país, pelas características geológicas e de biodiversidade que apresenta. Das 77 serras existentes em Portugal, a mais pequena é a da Boa Viagem, junto à Figueira da Foz, com 261 metros de altitude.

Enquanto as unidades hoteleiras da região da Serra da Estrela esperam por uma boa afluência na época natalícia, Armando Carvalho relembra que apenas uma pequena parte dos visitantes se interessa pelo turismo de natureza. Os cinco pontos do PNSE para acolhimento de turistas interessados em conhecer o património natural da Serra da Estrela receberam, até ao fim do terceiro trimestre de 2009, cerca de 12 500 visitas.

No cimo da serra, uma torre de 7 metros perfaz a altitude de 2000 metros da montanha. Este é o destino natural dos milhares de turistas que rumam todos os anos à Serra da Estrela, atraídos principalmente pela promessa de neve. Chegados ao topo, a atracção dá, muitas vezes, lugar à desilusão. Acessos congestionados, trânsito caótico e um centro comercial frequentado por multidões à procura dos produtos típicos da região é a primeira impressão de quem atinge o ponto mais alto de Portugal continental, uma visão muito aquém dos potenciais desta área protegida.

«É necessária uma requalificação da zona da Torre», reconhece Armando Carvalho, requalificação essa que será feita ao nível dos próprios espaços, mas também dos acessos, tendo em atenção algumas questões relacionadas com o comércio de produtos regionais. «Precisamos de adaptar as infra-estruturas que existem», conclui.

Abandono da pastorícia ameaça ecossistema
Mas este não é o único problema com que se depara o local. Um dos perigos em termos de conservação da natureza e biodiversidade com que se depara a Serra da Estrela é a perda dos homens da terra, que durante centenas de anos foram companheiros habituais desta formação rochosa. Os pastores na região são cada vez menos.

«O declínio das actividades tradicionais leva à perda de certos nichos de biodiversidade e, por outro lado, ao abandono de terrenos, cuja limpeza seria essencial para evitar os incêndios florestais», relembra o director regional do ICNB.

Com a reestruturação do ICNB, em 2007, o PNSE, a Reserva Natural da Serra da Malcata, o Parque Natural do Tejo Internacional, a Paisagem Protegida da Serra do Açor e o Parque Natural da Serra de São Mamede passaram a estar sob alçada do mesmo director. Como resultado, a gestão destas áreas protegidas passou a ser feita numa óptica global.

Ano Internacional da Biodiversidade celebrado na Estrela
Apostar na educação ambiental de quem convive com o PNSE deve ser uma aposta importante no âmbito do Ano Internacional da Biodiversidade, que se celebra em 2010. Pelo menos, esta é a opinião do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE), uma estrutura do município de Seia que promove o conhecimento e divulgação do património ambiental da região.

Para o próximo ano, o centro vai apresentar uma nova exposição temática, no âmbito das celebrações pela biodiversidade. A exibição junta-se assim à exposição permanente do CISE, que integra aspectos científicos, didácticos e lúdicos para explicar as especificidades da região centro e da Serra da Estrela a quem lá passa.

O centro tem ainda uma exposição temporária dedicada aos “Habitates Natura(is) da Estrela”, que pretende dar a conhecer cada um dos habitates de importância comunitária identificados na Serra da Estrela e definidos na Rede Natura. Criado em 2000, o centro já sente «a constante procura por parte das escolas do concelho para o desenvolvimento das diferentes actividades de educação ambiental», explica Ana Fonseca, uma das responsáveis do CISE.

Já o PNSE também terá actividades específicas de educação ambiental no âmbito do Ano Internacional da Biodiversidade, que ainda estão a ser delineadas, a nível global, pelo ICNB.

Fonte: AmbienteOnline

Linces de Silves atraem dezenas de visitantes

Os animais geram a curiosidade do público, que no entanto não pode passar os portões do centro de reprodução de Silves. Autarquia pode vir a criar centro de interpretação, onde se poderá conhecer melhor o lince

Desde que a notícia da chegada do lince-ibérico a Silves começou a circular nos meios de comuni-cação social, a curiosidade dos populares levou dezenas de pessoas até aos portões do Centro de Reprodução do Lince-Ibérico. Mas apenas aos portões, porque dali não passam. Isto porque acima do interesse do público está a necessidade de preservar um animal em vias de extinção.

Quem procura ver o lince é informado de que o centro não é visitável, para preservar os animais do contacto com os seres humanos e para diminuir o risco de possíveis doenças nos linces.

Mas para que a curiosidade de todos possa ser satisfeita e como forma de divulgação do trabalho que é desenvolvido diariamente no centro, o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e a autarquia de Silves falam na possibilidade de criar um centro de interpretação onde se possa conhecer melhor o lince- -ibérico e de que forma todas as pessoas podem contribuir para a sua preservação.

Um projecto que para já não passa de uma intenção, até porque a prioridade, segundo os responsáveis, é criar todas as condições para que os 16 exemplares possam adaptar-se bem à nova casa e começar a preparar todas as condições para a tentativa de reprodução, que vai acontecer já no início do próximo ano.

No passado dia 1 chegaram os dois últimos machos ao centro. Éon e Calabacin vieram de Olivilla, em Espanha, para fechar o grupo reprodutivo para esta época. Pelo menos até Setembro de 2010, os 16 felinos vão ser os habitantes da Herdade das Santinhas, em Silves. Nessa altura, haverá uma avaliação do número de animais, em cada centro e poderá haver transferências, entre Portugal e Espanha, já que os dois países têm trabalhado em rede.

A adaptação dos 11 machos e cinco fêmeas tem decorrido consoante as expectativas. Os animais já reconhecem os cercados como território próprio, revelam comportamentos de adaptação aos tratadores e aos restantes animais, com a emissão de sons próprios de chamamento.

O trabalho no centro de reprodução entra claramente numa nova fase. Embora não haja registo de nenhum caso de reprodução no primeiro ano de existência dos centros, em Silves prepararam-se todas as condições para tentar quebrar esta evidência.

As expectativas centram-se no dia 15 de Janeiro. Não por razões científicas, mas porque 15 de Janeiro é sempre um dia em que são registadas cópulas entre pelo menos um dos casais reprodutores. Azahar é a fêmea com mais con- dições para tentar a reprodução, já entre os machos perfilam-se o Drago, Daman II, Enebro ou o Calabacin.

Fonte: LUSA

Escrevedeira-amarela: Um 'martelinho amarelo' que canta

Pode ser observada no extremo norte do País nos meses mais quentes. Mas não se sabe onde passa o Inverno. O fim da agricultura tradicional e o uso de pesticidas são a maior ameaça para a escrevedeira-amarela, uma pequena ave quase desconhecida em Portugal

O piar característico levou os ingleses a chamá-lo familiarmente de yellowhammer (martelinho amarelo). Mas em Portugal este pequeno pássaro, de penugem amarelada, é quase um desconhecido. Só no extremo norte português, onde a ave nidifica a partir da Primavera, se ouve o seu canto. Para onde voa nos meses mais frios? É uma incógnita.

Estudos europeus revelam que não é uma espécie migradora. No Centro e Norte da Europa, zonas onde tem uma distribuição mais vasta e homogénea, é residente. Passam o Inverno na mesma zona onde nidificam ou fazem pequenas migrações, de curta distância. Em Portugal, criam os seus ninhos em altitudes elevadas, entre 900 e 1000 metros, e "provavelmente no Inverno descem para terras mais baixas, dentro da mesma região. Mas é um movimento ainda pouco conhecido", explica Gonçalo Elias, coordenador do portal Aves de Portugal e que faz observação de aves há mais de 20 anos.

Sabe-se que os indivíduos chegam à região do Barroso (onde têm maior representação) e zona de Melgaço no final de Março, começam a preparar os ninhos em Abril e ficam até princípios de Outubro. Depois desses meses não há registos.

Há observações esporádicas na Beira Alta, Beira Baixa, e até na Estremadura, ao pé do estuário do Sado. "São zonas onde não há ocorrência regular durante o Inverno. Mas podem ser vistos indivíduos perdidos que provavelmente seguiram numa direcção diferente." Houve em 2005 um caso isolado, de 36 aves que foram observadas na região de Chaves durante o Inverno, no entanto, de acordo com Gonçalo Elias, "podem ter vindo da Galiza". Nunca se chegou a conhecer ao certo a sua origem.

Os primeiros dados históricos da presença da espécie em Portugal remontam ao início do séc. XX (nos anos 20 e 30) exactamente na região do Barroso. Pelo seu pequeno ta-manho, a escrevedeira-amarela é uma ave de difícil recenseamento. As estimativas populacionais publicadas em 1996 no Atlas das Aves do Parque Nacional da Peneda-Gerês apontam para os 250 a 350 casais naquela que é a sua principal zona de ocorrência. Fora do parque, de acordo com estudos do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade, existe uma população quase equivalente, no máximo de 250 casais. Estes números representam assim uma fracção muito reduzida quando comparada com as estimativas europeias que andam entre os 15 e os 25 milhões de casais. "Estamos no limite da distribuição da população, que tem maior expressão na Europa Central e do Leste."

Em Portugal, a espécie foi considerada "vulnerável" no Livro Vermelho dos Vertebrados, "justamente por ter uma população reduzida". A nível europeu, é considerada "não ameaçada", embora um estudo da BirdLife, publicado em 2004, aponte para o rápido declínio nas últimas décadas. No Reino Unido, a escrevedeira-amarela foi classificada como "ameaçada" porque houve, entre 1970 e 2003, um declínio de 54% no número de casais.

As ameaças estão relacionadas com a destruição dos terrenos agrícolas e matas, e o uso intensivo de pesticidas, que reduzem a disponibilidade de alimento (sementes e pequenos insectos) de que a escrevedeira-amarela se alimenta.

A maioria dos registos da espécie em Portugal é feita por observação. "O Parque da Peneda-Gerês tem realizado algumas campanhas de anilhagem", diz Gonçalo Elias. "As aves são capturadas com re-des colocadas no meio da vegetação e depois põe-se uma anilha de metal que tem uma sequência de números na pata. Assim, quando a ave volta a ser recuperada é possível extrair informação sobre a sua longevidade e as suas movimentações", explica. Mas com o fim da agricultura tradicional, Portugal corre o risco de ver desaparecer uma das suas aves menos conhecida.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 5 de dezembro de 2009

Nuevas Becas que aplican a la Maestría en Gerencia Ambiental

Apreciados:

WWF y la Fundación Moore acaban de abrir una nueva convocatoria de becas para maestrías en universidades de la Alianza Andes Tropicales, entre ellas para la Maestría en Gerencia Ambiental de la Universidad de los Andes. Esta Maestría se reúne cada tres semanas (jueves, viernes y medio sábado) durante 22 meses. Encontrarán información detallada de la Maestría en la siguiente página web: http://administracion/posgrado/maestria_en_gerencia_ambiental .

Pueden postularse candidatos de Colombia, Venezuela, Peru, Ecuador y Bolivia. Los candidatos deben tener al menos dos años de trabajo en conservación en la región Andino- Amazónica. La fecha límite para postularse a la beca y enviar la documentación completa a la WWF en Washington es el 31 de enero del 2010. Para poder postularse a la beca deben haber sido aceptados a la Maestría o realizar la inscripción al Programa antes de esta fecha. (Favor usar el enlace que encontrarán en este correo, diligenciar el formulario y pagar los derechos de inscripción).

Si tienen alguna consulta, pueden comunicarse con mcv@adm.uniandes.edu.co. También les agradezco a todos divulgar esta información entre sus conocidos en Colombia, Venezuela, Peru, Ecuador y Bolivia.

Fabián Peña Clavijo
Profesional de Diseño Gráfico
Facultad de Administración
Universidad de los Andes
frp@adm.uniandes.edu.co
Tel.: (571) 3394949/99 Ext.: 3682
Bogotá, Colombia

Más de 150 guardaparques iniciarán estudios superiores - VENEZUELA

Con la finalidad de consolidar la formación integral de todos los venezolanos y venezolanas, más de 150 guardaparques del Instituto Nacional de Parques (Inparques) serán incorporado al Plan Especial de Profesionalización.

El presidente de Inparques, Leonardo Millán, precisó que esta iniciativa la adelanta el Ministerio del Poder Popular para el Ambiente (Minamb) con el apoyo de la Universidad Bolivariana de Venezuela (UBV).

En este programa, que tendrá un tiempo de duración de un año, los guardaparques reforzarán sus conocimientos técnicos en el área de táctica, control combate y extinción e interpretación de aves, entre otras.

“Es un plan que se llevará a cabo en todos los estados del país. Ellos (guardaparques) serán formados académicamente y, serán egresados con el título de Técnico Superior Universitario en Gestión Ambiental”, dijo.

Para tales fines, explicó Millán, se dispondrán dos horarios -nocturno y fines de semana- para no interrumpir sus labores en las áreas protegidas.

La fuente original de este documento es:
Agencia Bolivariana de Noticias (ABN) (http://www.abn.info.ve/)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Aos Vigilantes da Natureza: Protesto sobre o Código Florestal

Colegas, o texto abaixo foi enviado ao Presidente do ICNB e com conhecimento à Ministra do Ambiente:

Como decerto é do conhecimento de Vª. Exª. foi publicado o Decreto-Lei nº 254/2009, de 24 de Setembro, que instituiu o Código Florestal, que entrará plenamente em vigor a 24 de Dezembro próximo.


O referido diploma, no seu artigo nº 38 refere-se aos Vigilantes da Natureza de uma forma que a APGVN considera vexatória já que estes são designados como meros auxiliares das forças de segurança, durante acções de fiscalização que aquelas empreendam, mesmo que dentro de áreas protegidas e matas nacionais sob jurisdição do ICNB, e surgem subalternizados quer às demais autoridades administrativas e de segurança, e sobretudo de forma que se considera desprimorosa e intencionalmente desvalorizativa quando surgem posicionados depois dos agentes de recursos florestais (figura inexistente fora do papel) e dos sapadores florestais.

Em anteriores diplomas legais de diversos sectores os VN são colocados ao mesmo nível de outras forças fiscalizadoras, nomeadamente policiais, embora geralmente designados por letra minúscula, e assistiram a uma crescente desvalorização da sua referência que culminou na omissão constante nos estatutos e lei orgânica do ICNB.

Ora os VN existem desde 1975 como agentes administrativos e em certas circunstâncias são equiparados a agentes de polícia, no uso das suas competências legais e para dar cumprimento às competências do ICNB, nomeadamente enquanto Autoridade Nacional de Conservação da Natureza, de que os VN são órgão de fiscalização.

Sabendo a Associação que este diploma mereceu validação e posicionamento prévio do ICNB não pode deixar de manifestar estranheza perante esta subalternização imposta pelo código florestal, e vem assim protestar energicamente junto de V. Exª e instando o ICNB a de imediato pugnar pela revogação desta norma, devolvendo aos VN a dignidade profissional, pessoal e institucional que lhes pertence por direito e que o seu papel no seio da ANCN impõe.

Propõe a APGVN que o ICNB alerte a Srª Ministra para a necessidade de corrigir esta situação, aproveitando a possibilidade jurídica de reapreciação dos diplomas publicados em final de legislatura.

Os VN habituaram-se a ver na Presidência do ICNB uma instância de justiça e de equilíbrio, no que toca à gestão das actividades que lhes atribui e na consideração com que os trata enquanto profissionais da defesa da conservação da natureza, pelo que mais uma vez lhe confiam a clarificação desta situação ofensiva e atentatória da dignidade deles próprios e do Instituto em última análise.

Planta única no mundo sob investigação em Castelo Branco

Trabalhos de investigação da Escola Superior Agrária (ESA) de Castelo Branco vão permitir criar insecticidas biológicos com uma planta e preservar uma outra espécie da região que é única no mundo, disse à Agência Lusa, Fernanda Delgado, docente e investigadora.

A preservação e valorização da biodiversidade "é uma das áreas de intervenção" daquela escola do Instituto Politécnico de Castelo Branco que está actualmente a trabalhar com duas das diversas espécies vegetais da Beira Interior.

Estão sob os microscópios a Lavandula Luisieri, um rosmaninho específico do sudoeste da Península Ibérica, e a Asphodelus bento-rainhae, uma abrótea que só nasce na vertente norte da Serra da Gardunha.

No trabalho com esta espécie única, a ESA já desvendou o segredo para fazer germinar a planta a partir da semente. A Asphodelus é semelhante a um tubérculo e propaga-se de ano para ano no subsolo. Também tem uma semente, mas "não germina normalmente no seu habitat natural".

"O que nós conseguimos, após várias tentativas, foi alcançar a germinação. Os resultados devem ser apresentados numa tese de doutoramento no próximo ano", referiu Fernanda Delgado. O feito é importante para "aumentar a variedade de plantas no local de origem", explicou.

Para já, a planta não tem qualquer tipo de aproveitamento, servindo os estudos para evitar a extinção e assim garantir a biodiversidade.

No caso da Lavandula Luisieri, a ESA está a estudar os componentes químicos da espécie para "produção de insecticidas biológicos, que protejam os produtos hortícolas das pragas, mas poluam menos", explicou Fernanda Delgado.

Uma protecção mais amiga do ambiente graças a um rosmaninho com uma química diferente de outras plantas semelhantes. A Lavandula Luisieri já está a nascer em campos de produção da Quinta da Senhora de Mércules, da ESA.

"Já fizemos um ano de produção e vamos continuar", destacou. Para o futuro fica o agendamento de testes e estudos relativamente às formas de produção, "que pode ser portuguesa, espanhola ou ibérica", concluiu.

Os trabalhos da ESA estão a ser feitos em parceria com o Departamento de Química da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, e com o CSIC - Consejo Superior de Investigaciones Científicas, em Madrid.

Fonte: LUSA

Aves: alterações climáticas terão impacto nas espécies

As alterações climáticas vão provocar "impactos profundos" nos habitats das aves, com o previsível aumento de temperaturas a "empurrar" mais para Norte as rotas migratórias e distribuição populacional de muitas espécies, alertou hoje um especialista.

"As alterações climáticas são um tema cada vez mais falado na opinião pública, bem conhecido da comunidade científica, que não tem andado a dormir, nomeadamente quem está ligado à conservação das aves", disse Luís Costa, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), na véspera do VI Congresso de Ornitologia, que decorre em Évora de sábado a terça-feira.

O director executivo da SPEA realçou à agência Lusa que, à semelhança de outros animais, também as aves vão sofrer "impactos profundos" devido ao aquecimento global, estando a investigação científica a estudar quais poderão ser esses efeitos.

"Muitas pessoas que trabalham na área da conservação de aves já estão a fazer modelos do clima esperado para o futuro, por exemplo para 2050, e a cruzar essas informações com as características das espécies", disse.

Desta forma, segundo Luís Costa, é possível "ver quais poderão ser os impactos" e "simular a diminuição populacional" das espécies, que se vão deslocar "cada vez mais para Norte", para "fugir" à subida das temperaturas.

No caso do Alentejo, indicou o director executivo da SPEA, "esses previsíveis aumentos de temperatura vão levar aves características da região, como o peneireiro-das-torres ou o abelharuco, a mudar as suas rotas migratórias e distribuição populacional".

"Mas esta tendência de várias espécies mudarem as suas migrações ou distribuição mais para Norte, devido às alterações climáticas, aplica-se a todo o país e à Península Ibérica", acrescentou.

O impacto das alterações climáticas na conservação das aves é um dos temas em debate em Elvas (Portalegre), a partir do próximo sábado e até terça-feira, num encontro que deve juntar "cerca de 300" cientistas ligados à conservação de aves.

O Centro de Negócios Transfronteiriços de Elvas vai acolher o VI Congresso de Ornitologia da SPEA e o IV Congresso Ibérico de Ornitologia, organizado por aquela associação portuguesa em parceria com a Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO).

Em vésperas da conferência das Nações Unidas de Copenhaga (Dinamarca) - de segunda-feira até dia 18 - que visa estabelecer uma estratégia comum contra as alterações climáticas que suceda ao protocolo de Quioto (após 2012), Luís Costa destacou a importância de sensibilizar para os efeitos que se prevêem na conservação de aves.

"A SPEA, tal como organizações internacionais nesta área, têm trabalhado muito neste tema. O congresso é uma boa ocasião para o discutir e divulgar investigações mais recentes, ainda para mais em vésperas da conferência de Copenhaga", sublinhou.

Além das alterações climáticas, o evento vai ainda centrar atenções na relação da agricultura com a conservação das aves e da natureza e na importância de áreas marinhas protegidas para as aves, em que a SPEA e a SEO "lideram projectos pioneiros a nível europeu".

Fonte: LUSA

Três vezes menos pessoas controlam a caça clandestina nas florestas

No meio da tempestade de más notícias ambientais nos últimos anos, a história dos tigres de Amur - também conhecidos como tigres siberianos ou tigres de Ussuri -, na Rússia, trouxe um pouco de otimismo. Quase extintos meio século atrás, os tigres retornaram quando o governo impôs proteções, e sua contagem permaneceu mais ou menos estável durante grande parte da década passada.

Porém, novos estudos sugerem que a população de tigres da Rússia está novamente em declínio.

Resultados de uma pesquisa anual conduzida pela Sociedade de Conservação da Vida Selvagem, um grupo ambiental situado em Nova York, junto a diversas organizações russas, mostraram uma queda de 41% na população de tigres de Amur em relação à sua média dos últimos 12 anos.

"O declínio mais dramático ocorreu no último inverno, em 2009, onde havia, em nossas unidades de pesquisa, muito menos tigres do que qualquer um dos anos anteriores", disse Dale G. Miquelle, chefe do programa Extremo Oriente Russo da sociedade. "É hora de reagir."

Miquelle avisou que fatores aleatórios, como as fortes nevascas do inverno passado, quando foi realizada a pesquisa, poderiam ter interferido com os dados. Mesmo assim, segundo ele, as evidências apontam para uma estável queda nos últimos anos.

O declínio do tigre de Amur na Rússia é particularmente perturbador, pois o animal tinha sido considerado uma história de sucesso de conservação. As populações de tigres da China, Índia e outros locais têm caído rapidamente, e muitas espécies estão extintas.

"Estamos reduzidos a poucos milhares de tigres em todo o mundo, e isso é realmente muito pouco", disse John Robinson, vice-presidente executivo da sociedade.

Na Rússia, o tigre de Amur já chegou a ser encontrado até no Lago Baikal, na Sibéria central, a 3.200 quilômetros do Oceano Pacífico, além da China e Coreia do Norte. Antes da recente pesquisa, imaginava-se que havia de 400 a 500 animais confinados nas regiões de Primorsky e Khabarovsky, na parte sul do que é chamado de Extremo Oriente Russo.

Essa região esparsamente povoada foi considerada o último bastião de sobrevivência do animal.

Nos últimos três anos, o governo inaugurou três parques nacionais, com mais de um milhão de acres de território para tigres. Mesmo assim, a pesquisa apontou populações em declínio em todas as cinco zonas protegidas, indicando que os animais não estavam mais seguros dentro dos parques.

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir V. Putin, expressou consternação frente ao número decrescente de tigres de Amur. O animal é um dos favoritos de Putin, que ganhou um filhote de tigre de aniversário no ano passado, logo após voltar de uma expedição onde ele mesmo sedou e rotulou um grande animal.

"Para a Rússia isso é particularmente doloroso", disse Putin, em visita a uma reserva de tigres russos no ano passado. "Animais como o tigre de Ussuri, o maior e mais belo tigre do mundo, são como nosso cartão de visita".

O tigre de Amur é uma mascote adequada para a imagem de aço da Rússia que Putin gosta de apresentar ao mundo. Trata-se da maior subespécie de tigre em todo o mundo: o macho pode chegar a 3 metros de comprimento e pesar até 300 quilos. O grande felino caminha pela vasta imensidão nevada do oriente russo, caçando cervos, porcos selvagens e, conforme rareiam os suprimentos de alimento, animais de estimação das casas.

O governo russo solicitou uma reunião da cúpula internacional sobre tigres, que aconteceria em 2010 na cidade oriental de Vladivostok, para abordar os problemas.

Sem muita surpresa, o desenvolvimento em catalogação e infraestrutura no habitat dos tigres contribuiu para parte do declínio, dizem especialistas ambientais.

Porém, o maior motivo de preocupação é o aumento da caça clandestina, segundo Igor E. Chestin, diretor da WWF Rússia. Nos últimos anos, disse ele, as autoridades federais reduziram os recursos contra essa prática.

"Nossos cálculos apontam que, atualmente, temos aproximadamente três vezes menos pessoas controlando a caça clandestina nas florestas do que há dez anos", afirmou Chestin.

Cientistas estimam que os seres humanos causem de 65 a 80% das mortes dos tigres, principalmente através da caça. Partes do tigre, como ossos, órgãos internos e bigodes, alcançam altos preços em mercados da Ásia, onde são populares como remédios tradicionais. A pele âmbar-alaranjado também é uma valiosa aquisição no interior da Rússia.

Aqueles que são pegos caçando clandestinamente sofrem apenas penalidades menores.

"Aqui, você pode pegar um caçador arrastando um tigre para fora de uma floresta, mas ele só receberá uma multa de mil rublos", disse Miquelle, citando o equivalente a cerca de 35 dólares.

Fonte: Folha Online

Ministra suspende aumento das taxas cobradas pelo ICNB

Desde 13 de Outubro que qualquer pedido feito ao Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) para a emissão de pareceres, informações ou autorizações de quaisquer actividades custa no mínimo 200 euros. A medida levantou várias críticas, desde autarcas a associações desportivas e de caça. Agora, a nova ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, decidiu suspender a portaria por 90 dias.

Tal como tinha anunciado ao PÚBLICO, Dulce Pássaro mandou suspender a portaria por considerar que esta tinha de ser reavaliada. Na entrevista publicada no dia 23 de Novembro, a ministra disse que “se o ICNB presta serviços no âmbito das suas competências, é natural que haja cobrança pela prestação destes serviços, mas esta cobrança não deve ser desproporcionada.”


A portaria 1245/2009, de 13 de Outubro, que foi aprovada pelo anterior governo já em final de mandato, reviu uma anterior de 2003 que definia as taxas a cobrar pelos serviços prestados pelo ICNB, definindo um mínimo de 200 euros por cada parecer.

Rapidamente começaram a surgir críticas, vindas tanto dos ambientalistas, que consideraram que as taxas penalizavam os moradores nas áreas protegidas, como de partidos como o Bloco de Esquerda ou o PCP, que apresentou um projecto de lei para revogar estas, e outras, taxas cobradas pelo ICNB.

O presidente da Câmara de Marvão, Vítor Frutuoso, chegou a acusar o ICNB de “parasitar” os moradores do concelho com o aumento das taxas. Foi posta a correr uma petição por um clube de montanhismo e os caçadores juntaram-se aos protestos.

Agora, volta a estar em vigor a anterior portaria até que o diploma entretanto suspenso seja revisto.
Fonte: Público.pt

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Aves: Parques eólicos mal planeados interferem nas migrações

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) criticou hoje a falta de «estratégia» na localização de parques eólicos em Portugal, que diz serem por vezes instalados em plenas «vias migratórias de aves».

"A SPEA é apoiante das energias alternativas, mas nem todos os parques eólicos estão a ser bem feitos em Portugal", argumentou hoje à agência Lusa o director executivo da SPEA, Luís Costa.


Segundo o mesmo responsável, que falava a propósito do congresso de ornitologia que arranca sábado em Elvas, a política energética nacional deve apostar nas fontes de energia alternativas, como a eólica, mas os conflitos que surgem no terreno devem merecer estudo mais cuidadoso.

"Os parques eólicos têm benefícios, mas surgem também conflitos, por exemplo quando são instalados em vias migratórias, o que pode prejudicar as aves. Muitos desses equipamentos são colocados sem estratégia, tanto no que toca ao vento, como à avifauna", frisou.

Como exemplo, o director executivo da SPEA aludiu à "zona do sudoeste alentejano e de Sagres (no Algarve)", onde se verifica a construção de "parques eólicos na via migratória de aves de rapina".

Luís Costa defendeu, por isso, que a definição ou aprovação da localização desse tipo de projectos deve ser antecedida pelo estudo estratégico dos possíveis impactos envolvidos, para garantir que são evitados ou minorados.

O impacto dos parques eólicos e das linhas eléctricas na conservação das aves é um dos muitos assuntos em debate, em Elvas, no VI Congresso de Ornitologia da SPEA e no IV Congresso Ibérico de Ornitologia, organizado em parceria com a Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO).

O encontro decorre até terça-feira no Centro de Negócios Transfronteiriço, devendo juntar "cerca de 300" ornitólogos e cientistas ligados à conservação das aves, de Portugal e de Espanha.

"Há muita gente em Portugal a estudar aves. Já não existem as carências que tínhamos há alguns anos e, de três em três anos, aproveitamos o congresso para fazer um ponto da situação e divulgar os trabalhos de investigação mais recentes", disse Luís Costa.

O evento na cidade alentejana, situada na raia com a Extremadura espanhola, vai ser "o maior e mais ambicioso de sempre", garantiu o director executivo da SPEA, explicando que, ao longo de quatro dias, os participantes e o público têm à sua disposição várias propostas.

"Há um grande número de comunicações e saídas de campo para observação de aves (estas começam logo sexta-feira)", indicou, realçando ainda que a iniciativa inclui a I Feira Natureza Convida, de entrada livre.

Produtos tradicionais alentejanos, exposições de fotografia, ilustração e dos projectos desenvolvidos a nível ibérico no âmbito do estudo e conservação das aves selvagens, projecção de vídeos sobre a natureza e actividades para os mais pequenos são várias das atracções.

Fonte:  Lusa      Foto: Jiri Bohdal

Ariasella lusitanica - Nova espécie para a ciência

Em 2008 foi descoberta por Rui Andrade uma pequena espécie de mosca da família Hybotidae (Insecta, Diptera) com pouco mais de 2 mm e que apresenta braquipterismo (presença de asas rudimentares) em ambos os sexos embora em graus diferentes.

Esta espécie não voadora veio a revelar-se uma nova espécie para a Ciência e foi descrita em 2009 com o nome Ariasella lusitanica por Patrick Grootaert, Igor Shamshev e Rui Andrade.

Os adultos, superficialmente semelhantes a formigas e com as quais se podem confundir, podem ser vistos a deslocarem-se sobre a manta morta em busca de pequenos insectos dos quais se alimentam. Algumas das presas mais habituais são dípteros das famílias Chironomidae e Sciaridae.

A espécie, que surge na forma adulta apenas na Primavera, está a ser observada e o seu comportamento registado. Espera-se que no futuro um trabalho possa ser publicado.

Fonte: http://www.naturdata.com/        Foto: Rui Andrade

Açores: Vigilantes da Natureza recolhem sementes de plantas endémicas

É uma acção considerada importante para conservar e alimentar a reserva genética do arquipélago, porque, a flora original dos Açores cedeu terreno a espécies invasoras e, as plantas da Região, estão em autêntico "alerta amarelo".


O que se está a fazer é a recolha das plantas endémicas dos Açores, aquelas que já se encontravam nas ilhas, quando os primeiros povoadores aqui chegaram.

Nos dias de hoje, são raras, devido à actividade humana que tem levado ao seu desaparecimento.

As sementes que agora se recolhem, são guardadas num banco de sementes, servem novos plantios públicos e privados - segundo afirmou à Antena 1 / Açores o director regional do Ambiente, Frederico Cardigos.

Na Região Autónoma existem dados que indicam que 90% das plantas endémicas já desapareceram ou foram cruzadas com outras plantas.

Os responsáveis pelo Ambiente preferem falar em termos de cores, ao afirmarem que o estado do problema requer um alerta amarelo, ou seja, uma atitude de prudência.

Para já, as sementes das plantas endémicas dos Açores, agora recolhidas, alimentam o banco de sementes existente no Jardim Botânico da Ilha do Faial e um outro sediado nas ilhas espanholas de Canárias.

Fonte: RTP Açores

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Portugal terá habitat para libertar linces em três anos

O secretário de Estado do Ambiente diz estar convicto de que Portugal terá um habitat natural preparado para receber linces ibéricos no espaço de três anos e conseguirá chegar a acordo com os proprietários de terrenos agrícolas, florestais e de caça.

"Temos o compromisso com Espanha de termos, num calendário a três anos, pelo menos um local na natureza pronto para o efeito e, ao mesmo tempo, termos as condições de presa para devolvê-los à natureza", afirmou Humberto Rosa no Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico de Silves, onde assistiu à chegada dos dois últimos animais de uma série de 16, que completam a primeira fase do projecto.

Humberto Rosa sabe que, para se atingir essa meta, "nada pode ser feito sem a vontade dos proprietários rurais e dos produtores agrícolas florestais, dos caçadores, dos municípios e das organizações não-governamentais de ambiente".

"Diria que há um pré-requisito para a libertação, que é haver uma concertação social com essas partes para o efeito. Tenho a convicção que essa concertação social não é só alcançável como está facilitada, porque há hoje, por exemplo, gestores de caça que, além da sua actividade cinegética, gostariam de poder garantir que o lince, no futuro, é um sinal de qualidade dos seus terrenos", acrescentou.

O governante disse ainda estar convencido de que em Portugal acontecerá "tal como em Espanha, onde 150 proprietários se puseram de acordo, contratualizando a disponibilização dos seus terrenos para o efeito".

"Encontrámos uma quantidade de parcerias" para proteger o felino mais ameaçado do mundo, realçou, acrescentando que "este é o programa de conservação da natureza mais ibérico", frisou Humberto Rosa.

"Estou convencido de que hoje há uma percepção social do significado da biodiversidade que faz com que cada vez mais portugueses encarem com valor o que se está a fazer", sublinhou.

O secretário de Estado do Ambiente acrescentou, no entanto, que "a tarefa mais complicada é a que se segue": garantir que na natureza haverá habitats com condições para os linces viverem em liberdade.

Fonte: LUSA

Nível do mar sobe o dobro do previsto até 2100

Quando estiver reparado o buraco na camada do ozono, o continente gelado estará mais exposto ao aumento de temperaturas dos mares, o que significa uma aceleração do degelo e da subida dos níveis da água. Esta pode chegar, em 2100, aos 1,40 metros, alertou um relatório ontem divulgado em Londres pelo Comité Científico de Pesquisa da Antárctida (SCAR).

Por causa do aquecimentos global, o nível do mar vai subir o dobro do previsto para este século, alertou um relatório divulgado ontem, em Londres, da autoria do Comité Científico de Pesquisa da Antárctida (SCAR).

Assim, em vez de, até 2100, o mar subir entre 28 e 43 centímetros, como previu, há dois anos, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU, pode subir até 1,40 metros.

Isso poderia significar que 10% da população mundial seria obrigada a mudar-se por causa da perda de terras. As cidades costeiras, como Veneza, tornar-se-iam autênticas fortificações. Algumas ilhas, como as Maldivas, poderiam mesmo acabar por desaparecer da face da Terra.

O relatório elaborado por cem cientistas de várias áreas, revisto por duas centenas de outros, refere que o aquecimento dos mares está a acelerar o degelo na parte ocidental da Antárctida.

Ao longo de meio século, a subida de temperaturas foi mascarada no continente pela influência que o buraco na camada do ozono teve nos sistemas globais de pressão de ar.

"A poluição causada por CFC tornou as alterações climáticas mais lentas na Antárctida", disse ao Times John Turner, cientista britânico que entrou no estudo. "É como se tivéssemos um 'cobertor' de ozono e quando o tirámos houve um arrefecimento. E a Antárctida ficou protegida dos impactos do aquecimento global. Mas isso não pode durar para sempre", afirmou o mesmo ao site da BBC.

"A água mais quente está a infiltrar-se nas camadas de gelo da Antárctida Ocidental e a acelerar o fluxo de gelo para o oceano", explicou o responsável.

O buraco do ozono, considerado perigoso para os humanos, para as plantas e animais, deverá estar reparado em 50 anos, depois do que foi estabelecido pelo Protocolo de Montreal.

Quando essa reparação estiver concluída deixará de haver um contrabalanço para manter controladas as alterações climáticas na Antárctida.

Isso poderia significar novos aumentos de temperatura na ordem dos três graus centígrados, fazendo derreter as camadas de gelo no continente e conduzindo a uma possível extinção das espécies vegetais e animais que ali existem actualmente.

Fonte: Diário de Notícias

Plano do Parque Nacional (PNPG) gera polémica mas poucas propostas


Fim do prazo de discussão pública ainda não trouxe novidades ao nível das sugestões apresentadas.

A discussão pública do novo Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG) termina hoje. Há quem queira prolongar o debate, mas foram apresentadas poucas propostas substanciais neste período.

Apesar do prazo da discussão pública terminar hoje, há já quem queira que o período seja alargado. O deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, Pedro Soares, considera que o período de debate deveria ser alargado no sentido de haver uma maior participação. Pedro Soares, que realizou encontros de trabalho com os envolvidos no processo, afirmou que os responsáveis pelo PNPG deveriam "ter mais atenção aos residentes e à humanização do parque".

De resto, também Agostinho Lopes, deputado do PCP, tem a questão na sua agenda considerando numa "primeira avaliação que o debate não foi tão longe" quanto deveria. O deputado comunista avança que o "Governo deveria ter começado por ouvir todos os envolvidos em vez de realizar um inquérito onde o prazo de resposta foi "reduzido".
"Este deveria ser o ponto de partida para a revisão do plano e devia ser uma oportunidade para fazer o reencontro entre a população e o parque", afirmou.

Também Daniel Alves, representante das Comissões dos Baldios de Castro Laboreiro, considera que devem haver um plano elaborado em conjunto com as populações. "Queremos fazer parte do plano, queremos sugerir porque somos parte integrante da região e ao longo dos tempos souberam protegê-la", garantiu.

Daniel Alves considera que o Ministério do Ambiente "não pode deixar passar o plano com esta metodologia". O plano em discussão é, para o mesmo responsável, "um ataque frontal aos usos e costumes das populações" que pretende nomeadamente "suprimir a caça e proibir a exploração de água nas áreas de protecção parciais".

Por outro lado, Alves critica a proibição de produzir energias alternativas "sem apresentar estudos concretos". "O PNPG tem de tirar a ilação que nós não queremos este plano", declarou.

O Movimento "Peneda Gerês Com Gente", organização cívica representante das populações, também fez um conjunto de sugestões e reclamações que vão desde a livre circulação de pessoas até ao desenvolvimento de actividades. "O PNPG já percebeu que está a seguir o caminho errado", adiantou o porta voz do movimento, José Carlos Pires mostrando-se convencido de que as sugestões serão aceites.

Já o responsável pelas Áreas Protegidas do Norte do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiverdidade, Lagido Domingos, disse ter a ideia que não existem muitas questões. Contudo, salvaguardou que não é uma ideia "real" uma vez que o usual é entregarem as sugestões no último dia de discussão.

Fonte: Jornal de Noticias