segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Ministra do Ambiente promete resolução do problema das suiniculturas

A ministra do Ambiente assegurou que o problema das suiniculturas na região de Leiria, situação que envergonha a região e o país, é para resolver esta legislatura.

“Vamos rapidamente promover uma reunião para que em definitivo se esclareça alguma dúvida, porque nós entendemos que com base no que estava definido já se devia estar em obra”, afirmou Dulce Pássaro a propósito da construção da Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ETES). A ETES é um investimento na ordem dos 18 milhões de euros, projectado para a freguesia de Amor, Leiria, da responsabilidade da Recilis.

A estação vai ter capacidade para tratar, diariamente, dois mil metros cúbicos de efluentes de suiniculturas e de outras explorações agro-pecuárias da região de Leiria, prevendo-se que com a sua construção acabem as descargas poluentes na Ribeira dos Milagres.

Na Batalha, onde participou num almoço de trabalho com mais 20 elementos do Governo e com os presidentes das 16 câmaras municipais do distrito, no âmbito da primeira iniciativa “Governo Presente” desta legislatura, Dulce Pássaro insistiu que a ETES já devia “estar a avançar”.

A ministra do Ambiente reconheceu, contudo, que o atraso na resolução deste processo “durante algum tempo foi perceptível e explicável porque o sector não estava muito organizado”. “Era uma sector com alguma fragilidade organizativa e, realmente, com uma grande carga poluente, mas por isso o Estado ajudou na organização e criou-se a Recilis e um conjunto de instrumentos para que a Recilis possa executar”, lembrou, sustentando que as descargas de efluentes suinícolas para a Ribeira dos Milagres “só deixarão de acontecer se se construir o que está previsto”.

À Agência Lusa, o presidente da Recilis, David Neves, defendeu igualmente que “o processo já devia estar concluído”, até porque “manter a situação tal como está não interessa”.

Questionado sobre os motivos que estão a adiar a construção da ETES, David Neves apontou “várias questões que carecem de clarificação” que não especificou, prometendo comentários quinta-feira, após uma reunião da comissão de acompanhamento do projecto de despoluição da bacia do Lis na vertente das suiniculturas.

O presidente da Recilis adiantou que gostaria de reunir com a ministra do Ambiente e enquadrar a problemática do projecto.

Fonte: LUSA

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Bloco de Esquerda - Rita Calvário preocupada com dificuldades dos VNs

Na sequência do último Comunicado de Imprensa da APGVN , o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda lançou perguntas ao governo, que se espera, sejam respondidas.
Artigo publicado no site oficial do Partido:

As funções de vigilância e fiscalização em matéria ambiental são fundamentais para a conservação da natureza, da biodiversidade e da paisagem, bem como para a promoção da saúde pública e da qualidade de vida das populações.
O corpo de Vigilantes da Natureza, afectos a várias entidades sob tutela do Ministério do Ambiente, executa funções importantes nos domínios da vigilância, fiscalização, educação, informação, sensibilização e monitorização das Áreas Protegidas e recursos naturais.
Ao longo dos anos têm sido evidentes as dificuldades sentidas por estes profissionais, seja ao nível da falta de meios físicos e do reduzido número de efectivos, como em termos das próprias condições de trabalho. São comuns as notícias de atraso no pagamento de salários e horas extraordinárias, a ausência de actualização do subsídio de risco e da grelha salarial, a falta de regulamentação quanto aos uniformes e à formação profissional, entre outros. Neste sentido, o Bloco de Esquerda questiona o Governo, através do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, sobre como vai o Ministério reforçar o número de efectivos dos vigilantes da natureza e dotar este corpo de meios físicos adequados ao desempenho das suas funções, como sejam ao nível das comunicações, transportes, uniformes e vestuários de protecção? Porque motivo o Decreto-Lei n.º 470/99, de 6 de Novembro, permanece por regulamentar e implementar em pontos fundamentais para a actividade dos vigilantes da natureza? Como justifica o Ministério que os vigilantes da natureza ainda não estejam integrados em termos de carreira profissional, essencial para a dignificação da actividade destes trabalhadores? Que medidas vai tomar para resolver, com urgência, esta situação?

Fonte: Esquerda.net

Ver aqui as Perguntas ao Governo (pdf)

Maravilhas da Natureza: primeira lista de concorrentes inclui 323 candidaturas


Duzentos e setenta locais do continente e regiões autónomas, relativos a 323 candidaturas, integram a primeira lista de candidatos a “7 Maravilhas Naturais de Portugal”, que ficará reduzida a 77 sítios no próximo mês.

De acordo com a organização, o número de candidaturas é superior ao número de locais escolhidos por autarquias e instituições da área do ambiente porque cada área pode concorrer em mais do que uma categoria.

Hoje, durante uma conferência de imprensa em Lisboa, Luís Segadães, da promotora New 7 Wonders Portugal, revelou que o Centro é a região com mais candidaturas (69), seguido do Norte (56) e Lisboa e Vale do Tejo (47).

Segundo o responsável, as três categorias com maior número de concorrentes são grandes relevos, praias e falésias e zonas protegidas, com respectivamente, 75, 73 e 69 possíveis escolhas.

Existem ainda mais quatro categorias: zonas marinhas, grutas e cavernas, florestas e matas e zonas aquáticas não marinhas.

Depois da apresentação de hoje, um painel de 77 especialistas, representantes de várias áreas científicas e de todo o país, vai definir até 07 de Fevereiro uma lista de 77 candidaturas (11 por categoria) e a 07 de Março serão revelados os 21 finalistas (três por categoria).

Este último grupo, que será alvo de votação electrónica do público até Setembro, terá de incluir pelo menos um local de cada uma das sete regiões (Açores, Alentejo, Algarve, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Madeira e Norte) para assegurar a “representatividade geográfica do país”.

Outra das regras impede que sejam eleitas mais de duas maravilhas por região.

Durante a conferência, o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, disse não estar surpreendido com a “vastidão” da lista hoje divulgada, tendo em conta a beleza e a diversidade da natureza em Portugal, e afirmou que esta é uma oportunidade única para acabar com a “secundarização” de que a biodiversidade é alvo a nível mediático e de informação pública.

“Já toda a gente percebeu que existem problemas em relação às alterações climáticas, mas a toda a hora nos esquecemos que há serviços importantes para a humanidade prestados pela natureza”, referiu, lembrando que 2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade.

Humberto Rosa sublinhou, contudo, que essa falta de atenção não acontece a nível escolar, onde há “um trabalho regular com efeitos concretos”.

No evento estiveram também presentes representantes de outros parceiros institucionais, além do Ministério do Ambiente (Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Liga para a Protecção da Natureza, Quercus, Geota e National Geographic Portugal), que destacaram o objectivo de apelar a uma reflexão sobre os problemas e a preservação das paisagens portuguesas.

Entre os concorrentes encontram-se, por exemplo, a Fajã da Caldeira de Santos Cristo e dos Cubres e a Lagoa das Sete Cidades (Açores), o Grande Lago do Alqueva e a Praia de Vila Nova de Milfontes (Alentejo), a Praia da Arrifana e o Pinhal de Bordalete (Algarve), as Grutas de Mira de Aire e o Parque Natural da Serra da Estrela (Centro), o Estuário do Tejo e a Serra de Grândola (Lisboa e Vale do Tejo), as Ilhas Selvagens e as Dunas de São Jacinto (Madeira) e o Rio Douro e o Muro de Abalona (Norte).

Fonte: ionline

Biodiversidade procura espaço nas estratégias empresariais

Apresentada no segundo semestre de 2007, pela Presidência Portuguesa da União Europeia, a iniciativa Business&Biodiversity (B&B) em Portugal reúne actualmente 49 entidades relacionadas com o mercado da biodiversidade.

Apesar de ser um número ainda modesto, o projecto vai merecer especial atenção do Instituto de Conservação da Natureza e Bidiversidade (ICNB), este ano, no âmbito do Ano Internacional da Biodiversidade.

«Vamos reforçar as parcerias da iniciativa B&B, quer através do encontro nacional anual, quer através de duas reuniões de trabalho, que já estão programadas para este ano», salienta a directora do departamento de comunicação e gestão de operações do ICNB, Anabela Isidoro.
Para já, a última entidade associada ao projecto B&B é a Cascais Natura, a agência de ambiente criada pela Câmara Municipal de Cascais. O organismo tem promovido, junto dos vários agentes sociais, institucionais e económicos da região, o conceito de desenvolvimento sustentável e de utilização sustentável das componentes da biodiversidade.

Projectos em curso
Com a missão de contribuir para a preservação, aproveitamento lúdico, turístico e pedagógico do património natural do concelho, a Cascais Natura tem em marcha dois projectos importantes de preservação da biodiversidade. Por um lado, a agência está a desenvolver um banco genético vegetal, que visa assegurar a integridade genética das espécies vegetais do Parque Natural de Sintra-Cascais. Através deste banco, o município pretende ainda forncecer material vegetal a futuras acções de povoamento e repovoamento florestal.

Gerida pela Cascais Natura, a Quinta do Pisão – Parque de Natureza, por seu lado, pretende criar condições ao desenvolvimento da vida selvagem do parque natural, tendo em conta, especialmente, as relações entre os agrossistemas e a biodiversidade associada. Esta quinta tenta compensar o declínio gradual das actividades agrícolas e pastoris, através do fomento da interacção entre a actividade humana e o espaço natural.

Preocupação empresarial ou «exercício de marketing»?
A B&B é uma iniciativa voluntária criada pela União Europeia com o objectivo de promover o relacionamento entre as empresas e a biodiversidade, com a introdução desta última nas estratégias de gestão corporativa. Como resultado, espera-se que o projecto contribua para a protecção da biodiversidade e para a redução das taxas de perda de biodiversidade.

De qualquier modo, a tentativa de chamar a atenção do mundo empresarial para a biodiversidade não é nova. Em 2004, a União Internacional para a Conservação da Natureza lançou a rede Countdown 2010, que reúne parceiros comprometidos com esforços adicionais para travar a perda da biodiversidade. «Nesse sentido, muitas entidades e empresas foram chamadas a colaborar e passaram a dar mais atenção a este tema», explica José Paulo Martins, da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza. Contudo, «em termos de consequências práticas no terreno ficámos, infelizmente, muitas vezes apenas num mero exercício de marketing para muitos dos subscritores», crítica o responsável.

A Quercus tem acompanhado alguns projectos desenvolvidos no âmbito do B&B, mas para José Paulo Martins, uma verdadeira avaliação da iniciativa só será conseguida se todos os projectos desenvolvidos pelos parceiros forem analisados.

Também no caso da administração pública, o trabalho pela biodiversidade ficou aquém do esperado pela associação ambiental. «A política pública não se pode centrar unicamente na preservação de uma única espécie, o lince-ibérico», independentemente da sua importância, afirma José Paulo Martins.

Quercus protege biodiversidade
Para 2010, a Quercus tem planeadas alguns projectos específicos em prol da biodiversidade. Um deles passa por dinamizar acções de conservação da garça-vermelha, uma espécie de estatuto “em perigo” e que necessita de um conjunto de esforços para salvaguarda e melhoria do seu habitat.

Paralelamente, a associação vai avançar com um projecto para conhecer melhor a qualidade ambiental dos cursos de água, através da utilização de indicadores biológicos. José Paulo Martins salienta ainda o projecto de restauro de um troço do rio Alcabrichel, necessário para o repovoamento com exemplares de boga do Oeste nascidos nas instalações da Quercus de Campelo.

Estes projectos vão juntar-se a outras iniciativas da Quercus já no terreno. Além dos três centros de recuperação de animais selvagens, a associação tem feito um trabalho importante na conservação de organismos fluviais, na constituição de micro-reservas para preservar espécies da flora ameaçada e habitats, na criação de bosques de espécies autóctones e na avaliação do impacte das linhas eléctricas sobre a avifauna, entre muitas outras iniciativas.

Os esforços da Quercus não são, no entanto, suficientes. «Estamos muito longe de evitar o desaparecimento de muitas espécies», ressalva José Paulo Martins, enquanto insta a uma política pública com prioridades claramente definidas no domínio da biodiversidade.

Fonte: AmbienteOnline

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Discussão - Debate sobre o futuro da carreira de Vigilante da Natureza

Caros Colegas, nesta fase de Debate sobre que modelo de carreira queremos para os Vigilantes da Natureza julgo que será pertinente recordarmos um texto já com quatro anos, apresentado no Encontro Nacional de Ponte de Lima, que poderá conter algumas questões que permitam alargar a reflexão conjunta.

Considero que falar de 30 anos dos vigilantes da natureza é falar de uma profissão fantasma, talvez cada vez mais uma miragem, e entender essa fantasmagoria de duas maneiras, por dificuldades de implantação no território real da conservação da natureza e pela natureza difusa, cambaleante, errónea do modelo de carreira com que nos pretendem vestir. As dificuldades de implantação provêem do desinvestimento público em matéria de àreas Classificadas, de resistências culturais das populações, de resistências organizativas das instituições nacionais, regionais e locais, quer da A.Central quer da A Local; por outro lado, de um modo geral, as carreiras de fiscalização estatal apresentam uma degradação geral, no nosso país, devido a uma crise das políticas públicas e a uma crise de autoridade e a de VN não terá sido excepção, sendo uma das primeiras em que tais factores de decadência se fizeram e se fazem sentir: a tarefa de proteger os valores naturais dos avanços prejudiciais do desenvolvimento é gigantesca e o percurso de consolidação da nossa carreira não se tem adequado aos problemas, nem na estrutura, nem nas competências, menos ainda nos recursos disponíveis mas sobretudo na ausência de delimitação do papel funcional e na sua articulação com os objectivos e responsabilidades do ICN/AP’s e das CCDR’s visando a concretização das políticas ambientais.

A inspiração do modelo anglosaxónico num país em que vigora ainda um modelo de intervenção estatal autoritário, centralizador e de administração pública enclausurada em si mesma não conseguiu enraizar-se na sociedade portuguesa e daí decorrem os principais constrangimentos profissionais que todos nós vivemos há quase duas décadas, e que infelizmente não aparentam ter solução nem remedeio.

No entanto, podem elencar-se etapas dessa profissionalização que desde já considero incompleta; etapas legislativas e reinvidicativas, etapas de mobilização nacional, etapas de decadência funcional. Podemos até delimitar três grandes fases da nossa existência social enquanto profissionais: uma fase juvenil, uma segunda de acomodação, a terceira de crise institucional.

Comecei por afirmar que esta é uma profissão fantasma já que, embora prevista desde 30 de Setembro de 1975, apenas em 1987 se verificou o recrutamento inicial e a formação de ingresso nas então carreiras distintas de guarda e vigilante da natureza, e que apenas em 1990 tomou posse oficial; profissão fantasma também quanto aos efectivos no terreno 154 no caso do ICN, mais cerca de 80 nas CCDR.; fantasma ainda se considerarmos a densidade populacional da carreira, segundo o Relatório do Estado do Ambiente, 2003, cada VN do ICN apresenta um rácio com a superfície de AP,s de 1/3500Ha, mas como é bom de ver se considerarmos a totalidade dos 22% de território nacional classificado, nomeadamente o abrangido pela RN2000 este rácio forçosamente sobe até valores próximos dos 10000Ha!!! Recordo uma frase muito antiga sobre guardas da natureza e marcianos e apetece-me dizer que será mais fácil haver vida em Plutão do que encontrarmos no dia a dia um VN num qualquer destes hectares supostamente valiosos para a afirmação nacional do património natural e necessitados de protecção e garantia para o futuro…

Todos nós recordamos as dificuldades na obtenção do primeiro diploma da carreira, em 1990, 15 de Outubro, na véspera do Encontro do Gerês e com certeza nos recordamos da extrema dificuldade registada na publicação do decreto-lei 470/99 de 6 de Novembro que ainda hoje vigora, apesar da crónica ausência de regulamentação dos seus aspectos fundamentais; recordamos também o processo atabalhoado de integração dos guarda-rios na carreira de VN, em 1995…. Façamos ainda as contas e note-se que estamos agora a perfazer sete anos de espera na concretização dos aspectos básicos da nossa profissão!

Essa ausência tão prolongada na regulamentação do uniforme e na sua regular atribuição, na atribuição de um simples cartão de identificação, na definição do currículo formativo, na definição da atribuição, actualização e revalorização do subsidio de risco e da grelha salarial, a atribuição de viaturas e equipamentos indispensáveis, a inserção dos VN na gestão das AP;s e zonas de intervenção e ao acesso à informação e à legislação, as perdas de direitos quanto à aposentação, a não aplicação de normas previstas e negociadas, em suma, a indefinição quanto ao papel institucional e organizacional da nossa carreira e o esvaziamento do conteúdo funcional, com a consequente perda de imagem pública e a progressiva substituição por outras forças de fiscalização mais repressivas, tudo isto são factores que permitem afirmar o abandono, o esquecimento a perda propositada de eficácia, a não profissionalização dos VN. O modelo de carreira de tão difuso tornou os VN invisíveis e a médio prazo, se nada se alterar, substituíveis!

A nossa entrega em prol da conservação dos recursos durante a fase juvenil da carreira, a nossa perseverança na luta durante a fase de associação e sindicalização, foram substituidas por atitudes desmotivadoras e desmobilizadoras, que penalizam o nosso futuro mas sobretudo colocam em causa a existência do ICN, cujos problemas estruturais parecem querer fazer de nós cordeiros do sacrificio como à semelhança se passa com os colegas das CCDR’s nas respectivas regiões em permanente reestruturação e em perca geral de meios de trabalho e intervenção. A perspectiva de que o Estado apenas deve assegurar as intervenções em caso de catástrofes naturais e outras parece conduzir agora à militarização dos incêndios, das florestas, dos recursos hídricos e sem que se saiba como nem porquê sobretudo à militarização da natureza enquanto único instrumento de protecção . Julgo que esta estratégia de usar meios de Guerra na promoção do Ambiente, da Biodiversidade e do Desenvolvimento Sustentável fazem do nosso país, a nível europeu e mundial um utilizador de Bomba Atómica e não um construtor de sociedades equilibradas. A incerteza quanto ao futuro e o desalento que crescentemente nos afecta, os rumores de extinção do ICN, que regularmente circulam apesar dos discursos políticos comemorativos de sinal contrário não favorecem atitudes positivas nem resistências perante a manutenção das condições adversas referidas.

Os VN são lembrados nas operações “Larus” ou “Prestige”, nas campanhas de monitorização do lince e da cegonha, e nas épocas oficiais de prevenção a fogos florestais e de períodos de seca extrema ou de inundações e rupturas de barragens nos períodos de inverno rigoroso, mas são objecto de esquecimento e de clandestinidade forçada, como sucede no caso de algumas AP’s em que os VN são impedidos de cumprir com a sua missão por vontade dos dirigentes, que preferem castigar e obstruir o nosso trabalho a manter a defesa dos valores naturais que detém a responsabilidade de gerir.

Os VN são esquecidos até em coisas simples como seja a Agenda Anual do ICN em que esta função não merece referência ao longo dos anos, nem sequer na menção dos contactos da APGVN, que ao contrário de outras ONG’s não tem direito a menção. O dia do VN - 2 de Fevereiro, para além de não ter destaque na dita agenda, apesar das catorze edições que já leva e apesar de solicitado a três presidentes e quatro secretários de estado, ao contrário de outras categorias profissionais não conta até hoje com a consagração legal e publicação oficial que a nossa carreira dignamente mereceria. A coincidência do nosso Dia Nacional com o Dia das Zonas Húmidas, criado posteriormente, apresenta este ano a coincidência de figurar no site do ICN enquanto semana de comemorações que, vejam só vai de 30 de Janeiro a 3 de Fevereiro; enquanto isso este nosso Encontro Nacional e Jornadas Técnicas, iniciativa única de uma categoria profissional, que deve ser raro encontrar noutras categorias e institutos públicos não merece referência no mesmo site.Tanto esquecimento, tanto silêncio, tantos incómodos, tantos engulhos que a nossa iniciativa e capacidade reinvidicativa e o nosso brio profissional colectivo parecem despertar….!

Cabe então aqui colocar duas questões centrais, falando das questões por resolver, importa discutir se somos de facto profissão ou se ainda não e das condições estruturais para se concretizar essa profissionalização essencial para o Ambiente e refletir sobre o futuro, o nosso futuro comum com o ICN, e da necessidade de uma refundação necessária da carreira de vigilante da natureza, terminando com uma tónica, apesar de tudo de esperança com sugestões sobre o que nos cabe fazer e sobre o que está ao nosso alcance, individualmente e em conjunto como verdadeiro Corpo Nacional de Vigilantes da Natureza.

A primeira questão é a de sabermos se já somos uma profissão ou se tão somente uma categoria funcional da administração pública? E o que nos falta para essa profissionalização? No meu entender, enquanto não extravasarmos o âmbito da A.Central, e não existirem profissionais nas autarquias, nas ONG’S e no sector privado e enquanto as universidades não se interessarem por produzir conteúdos académicos específicos para manejo da natureza não seremos profissão real, apesar do nosso desempenho diário indicar o contrário. Quanto ao que nos falta, são necessárias três condições básicas para a existência social de uma profissão: autonomia face a outras profissões e ocupações, deontologia própria com autoregulação e credenciação de competências e campo de conhecimentos específicos.

No que respeita a autonomia, permanece a confusão com outros profissionais mesmo dentro dos organismos a que pertencemos e também com outros corpos funcionais e até com actividades de iniciativa individual; também não temos autonomia hierárquica e institucional face aos serviços locais e ao organismo central que nos enquadra, sendo conflitual por vezes a relação de subordinação e a missão legal que devemos desempenhar. Quanto à deontologia, apesar da existência de uma associação socio-profisssional, de organizações regionais e de filiações sindicais ou em organizações internacionais não temos ainda um código deontológico e um organismo de classe que promova um espirito de desempenho ético de elevada competência. Por último, no que se refere à credenciação de conhecimentos, a actual exigência de habilitações para o desempenho de funções, a ausência de formação e reciclagem, a má gestão de recursos humanos, a ausência de avaliação de desempenho e o bloqueio na criação de cursos secundários e superiores capazes de habilitar correctamente os futuros recrutados para VN conjuntamente com a deficiente valorização da nossa experiência diária enquanto factor de formação impedem a real profissionalização da nossa função social.

Perante este quadro o que fazer? Sem dúvida que resolver a falta de formação e a desadequação das habilitações iniciais; promover a imagem da carreira; resolver os bloqueios do decreto-lei 470/99; devolver a capacidade de intervenção e a autoridade aos VN, mas sobretudo definir um MODELO DE CARREIRA.

Permitam que retome uma ideia que já apresento pelo menos há 10 anos sendo considerado utópico e fundamentalista. Tenho para mim que a nossa função perante a natureza dos problemas e a importância estratégica e civilizacional da conservação da natureza e do ambiente é cada vez mais técnica e cientificamente exigente, que reque a integração de conhecimentos e tecnologias e o desenvolvimento de tarefas mais pertinentes do que a passagem de autos de notícia. Defendo por isso que a nossa carreira é técnica e não policial nem de serventia básica.

Proponho a refundação da carreira de VN em Técnico de protecção da natureza e ambiente, com dois níveis de acesso, um técnico profissional inicialmente com o 12º ano, outro nível com habilitação superior (bacharelato, licenciatura); gradualmente estes níveis fundir-se-ão e por serem compostos por elementos de áreas científicas distintas, as equipas de terreno seriam dotadas de um elevado nível de conhecimentos que permitiriam agir e prevenir problemas em lugar de reagir e remediar caso a caso, perdendo tempo com as crónicas carências de recursos técnicos e de disponibilidade para analisar processos, que vem sendo um obstáculo crónico dos organismos que nos enquadram. Este modelo permitiria aos organismos fortalecerem a sua acção gestora e fiscalizadora, resolverem problemas de recrutamento técnico, concretizarem as propaladas reformas e requalificações de recursos humanos na administração e reavalorizarem os profissionais em causa, reconhecendo o mérito, o esforço, as competências formais e a experiência, permitindo-lhes desenvolverem quadros de motivação pessoal e profissional que produzam os resultados que são necessários às nossas àreas de intervenção.

Esta é seguramente uma meta dificil que poderá demorar, no actual quadro de crise, alguns anos a negociar, mas é sobretudo um desafio para a reestruturação que nos prometem para os nossos organismos. É um desafio para o Ministério do Ambiente e para os actuais VN mas é um caminho que valerá a pena iniciar e construir para benefício da nossa acção em prol da concretização das estratégias e políticas de ambiente e para a real profissionalização das funções nobres de protecção da natureza. É com esta sugestão que termino desafiando cada um de nós a aceitar fazer parte dos que não desistem de acreditar que é pelo sonho é que vamos….
João Martins

Encuentro Nacional de Gestión Participativa de Áreas Naturales Protegidas

El 24 y 25 de marzo, en Lima, se realizará el “Encuentro Nacional de Gestión Participativa de Áreas Naturales Protegidas”. El Encuentro tiene como meta constituirse como un espacio de presentación, intercambio y socialización de experiencias innovadoras en la gestión participativa de las áreas naturales protegidas del país.
Son tres los temas centrales los que se analizarán en la cita: 1) la contribución de las Áreas Naturales Protegidas al Desarrollo local y regional, 2) la gobernabilidad de las Áreas Naturales Protegidas y 3) la sostenibilidad financiera de las Áreas Naturales Protegidas.
Debido a que la naturaleza del evento será participativa, los organizadores (el Servicio Nacional de Áreas Naturales Protegidas –SERNANP, y el Fondo Nacional para Áreas Naturales Protegidas por el Estado – PROFONANPE) ha señalado que está abierta la invitación a presentar experiencias relacionada con algunos de los temas señalados, que puedan ser compartidas a lo largo del Encuentro.
Para presentar su experiencia, se debe completar el formato de Ficha de Registro indicado (ver: http://www.profonanpe.org.pe/gpan/documentos/NotaconvocatoriaEncuentroNacionalGPAN040309.php#FichaRegistro) y enviarlo, según se señala en dicho formato. Luego de la evaluación de las diferentes presentaciones, se seleccionarán la que formen parte del Programa del Encuentro Nacional. La fecha límite para inscribir las presentaciones es el miércoles 20 de enero del 2010.

Establecen Reserva Nacional en la costa peruana

El Consejo de Ministros del Perú aprobó la designación de la última área natural protegida establecida en el 2009. Se trata de la Reserva Nacional Sistema de Islas, Islotes y Puntas Guaneras en la costa peruana, con la cual el Sistema Nacional de Áreas Naturales Protegidas por el Estado, SINANPE, incrementa de 18,046,256 hectáreas a 19,381,191 hectáreas su extensión de áreas naturales protegidas en beneficio de la biodiversidad, los bosques y las comunidades nativas del Perú.

Esta nueva área natural protegida consta de 22 islas e islotes, así como de 11 puntas guaneras que conforman el sistema con 140,833 hectáreas, en las que gracias a esta denominación, se protegerá a la población de aves y mamíferos marinos que utilizan a las islas guaneras como parte de sus rutas de migración.

Lima, 30 de diciembre de 2009
Oficina de Comunicaciones del MINAM

Fuente: http://www.minam.gob.pe/index.php?option=com_content&view=article&id=571:ministerio-del-ambiente-y-sernanp-cierran-el-ano-con-mas-de-19-millones-de-hectareas-de-areas-naturales-protegidas-por-el-estado&catid=1:noticias&Itemid=21


Más información:

Estado incorpora como áreas protegidas 22 islas y 11 puntas guaneras

El Ejecutivo firmó la resolución de creación de la Reserva Nacional Sistema de Islas, Islotes y Puntas Guaneras. De esta manera, el Sistema Nacional de Áreas Naturales Protegidas por el Estado-SINANPE, integra como una sola gran Reserva Nacional, 22 Islas e islotes y 11 puntas guaneras, que cubre 140,833 hectáreas. Estas se distribuyen desde la isla Lobos de Tierra (Piura) hasta la punta Coles, en Moquegua.

"El objetivo de su creación es conservar una muestra representativa de la diversidad biológica de los ecosistemas marino costeros del mar frío de la corriente de Humboldt, que asegure la continuidad del ciclo biológico de las especies que en ella habitan, así como el manejo sostenible de los recursos naturales a través de actividades compatibles tales como el turismo, la recreación, entre otros", destacó el Jefe del Servicio Nacional de Áreas Naturales Protegidas por el Estado-SERNANP, Luis Alfaro.

Las 22 islas e islotes y 11 puntas del litoral peruano, que conforman el Sistema de Islas y Puntas han sido protegidas por el Estado Peruano en forma continua desde hace 100 años en que se creó la Compañía Administradora del Guano.

Debido a esta protección, con el fin de aprovechar el recurso guano de la isla, en la actualidad estas islas y puntas albergan las principales poblaciones de aves y mamíferos marinos y algunos de los principales sitios de reproducción y cría para peces e invertebrados de la costa peruana. Su incorporación al SINANPE conforma la primera red de áreas marinas protegidas en Sudamérica, y le otorga al Perú un rol de liderazgo en la conservación de los recursos marinos costeros.

A crise da biodiversidade ameaça a humanidade a curto prazo

O desaparecimento acelerado da vida animal e vegetal será uma ameaça para a humanidade nas próximas décadas, alerta o astrofísico Hubert Reeves, numa altura em que a ONU proclamou 2010 o Ano Internacional da Biodiversidade.

“A ameaça coloca-se à escala de algumas décadas, no máximo”, salienta numa entrevista à agência AFP o astrónomo de 77 anos, grande defensor do Ambiente.

“Actualmente já vemos a degradação das terras a grande velocidade, por causa dos pesticidas e tratamentos excessivos para eliminar insectos”, acrescenta.

Mas não só. Cada vez mais “estamos a esvaziar os oceanos”.

Se não fizermos nada, dentro de “dez, 20 ou 30 anos no máximo poderemos a perguntar o que vamos comer hoje”, adverte.

Segundo a União Internacional para a Conservação (UICN), organismo de referência em matéria de biodiversidade, metade das espécies de mamíferos está em declínio e um quarto está ameaçada de extinção.

“Tenho filhos e netos e muitas vezes temo por eles: em que mundo vão eles viver?”, questiona Reeves.

Este astrofísico diz-se “muito preocupado” com o futuro: “Ninguém pode dizer como será este planeta dentro de 30 anos. Tudo depende das decisões que forem tomadas agora”.

Contudo, até ao momento, as palavras parecem suprimir os actos. Durante a cimeira da Terra em Joanesburgo, em 2002, os líderes mundiais comprometeram-se a “abrandar significativamente” até 2010 a perda de biodiversidade.

“Os últimos resultados não só mostram que não conseguimos parar nada como também a situação se continua a agravar cada vez mais rapidamente”, constata.

“Estamos todos no mesmo barco, ameaçado de naufragar. É preciso reagir de forma global à escala da humanidade”, apela.

Reeves evoca o início da “tomada de consciência planetária” da crise e espera que um “IPCC [Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas] da biodiversidade” seja criado este ano.

Mas o que pode o simples cidadão fazer? Pode “reduzir o consumo de carne”, cuja produção é muito mais gastadora de recursos do que a produção de vegetais, sugere.

Fonte: Publico.pt    Foto: Jan Sevcik

Baleias: Nova Zelândia e Austrália desafiam Japão com métodos científicos não letais

A Nova Zelândia e a Austrália vão juntar-se para estudar três espécies de baleias nas águas da Antárctida através de métodos não letais, numa tentativa de desafiar o programa japonês de caça aos cetáceos.

No início de Fevereiro, 18 cientistas vão partir de Wellington, capital da Nova Zelândia, a bordo do navio neo-zelandês “Tangaroa” em direcção à Antárctida para estudar, durante seis semanas, as populações de baleias-anãs, baleias-de-bossa e baleias-azuis e como estas estão a enfrentar os efeitos das alterações climáticas, informa a BBC online.

Os cientistas esperam provar que o Japão não precisa de matar baleias para as estudar. Para isso vão utilizar uma série de técnicas não letais como espingardas de ar comprimido com setas para recolher amostras de gordura e pele ou transmissores que permitem seguir os animais por satélite. Além disso serão recolhidos excrementos e tiradas muitas fotografias. Instrumentos acústicos irão registar os sons emitidos pelas baleias.

“Toda a informação relevante para a conservação e gestão das baleias pode ser recolhida com métodos não letais novos e muito eficazes”, comentou Nick Gales, da Australian Antarctic Division e responsável pela expedição.

“Esta expedição e todo o programa de investigação vai demonstrar ao mundo que não precisamos de matar baleias para as estudar e compreender”, comentou em Junho Peter Garrett, ministro australiano do Ambiente, aquando do lançamento da campanha.

O Japão faz parte da Comissão Baleeira Internacional, organismo que instaurou no final da década de 80 uma moratória à caça comercial à baleia. Mas Tóquio continua a matar baleias alegando fins científicos, uma excepção prevista pela Comissão.

Contudo, vários países acusam o Japão de estar apenas a encobrir a venda e consumo de carne de baleia.

A frota japonesa partiu a 19 de Novembro para mais uma época de caça à baleia nas águas da Antárctida. A meta para 2009/2010 é caçar 850 baleias-anãs e 50 baleias-comuns.

Fonte: Publico.pt

Concurso Interno para Vigilante da Natureza Principal

Caros Colegas,

Votos de Bom Ano para todos!

Saiu hoje no Diário da República um aviso de Abertura de concurso interno de acesso geral para a carreira de Vigilante da Natureza, categoria Vigilante da Natureza Principal, na CCDR Algarve.
Aqui fica o ficheiro para os que possam e queiram candidatar-se.

http://dre.pt/pdf2sdip/2010/01/002000000/0012600128.pdf

Cumprimentos.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Suécia autoriza caça ao lobo pela primeira vez nos últimos 45 anos

De 2 de Janeiro a 15 de Fevereiro, a Suécia pode abater 27 lobos, uma autorização inédita nos últimos 45 anos e já criticada por movimentos ecologistas. Até ao momento já foram caçados 23 animais.

Segundo a imprensa sueca, no sábado – primeiro dia desta caça destinada a limitar o número de lobos e autorizada pelo Parlamento - foram abatidos logo 20 animais e outros três morreram ontem.

A administração sueca da protecção do ambiente (Naturvaardsverket) emitiu licenças para a caça de um total de 27 lobos nas cinco regiões da Suécia onde a espécie se reproduz. Esta quota representa dez por cento da população de lobos do país.

Em Outubro, o Parlamento sueco decidiu limitar o número de lobos a um máximo de 210 indivíduos e 20 alcateias nos próximos cinco anos, instaurando para isso uma licença de caça nas regiões onde os animais se reproduziram ao longo dos últimos três anos.

A presença do lobo é controversa neste país nórdico, onde os animais domésticos e o gado sofrem cada vez mais ataques.

Várias organizações de defesa do Ambiente consideram que esta autorização de caça viola directivas europeias.

A Sociedade sueca de conservação da natureza lançou ontem um apelo à opinião mundial para que “o Governo ponha fim a esta matança”. “É um dia triste para todos aqueles que defendem a natureza”, comentou o seu presidente Mikael Karlsson.

Depois de quase ter desaparecido nos anos 70 do século passado, o lobo foi reintroduzido na Suécia e a sua população tem vindo a aumentar. Em 2005 estima-se existirem 150 indivíduos.

Fonte: Agence France-Presse

Quercus acusa Ikea de querer construir em solos da Reserva Agrícola Nacional

A associação ambientalista Quercus acusou hoje o gigante imobiliário sueco Ikea de querer construir uma nova loja no Algarve em solos classificados como Reserva Agrícola Nacional (RAN) e pede à CCDR/Algarve para “defender o ordenamento do território”.

“A Quercus teve conhecimento que a Ikea Portugal pretende construir uma nova loja no Algarve, tendo a empresa imobiliária (IMO 224 - Investimentos Imobiliários SA.) promovido a compra de cerca de 40 hectares de terrenos, em solos da RAN, no sítio de Alfarrobeira, próximo da Via do Infante”, lê-se num comunicado divulgado hoje pela associação.

A Quercus considera o “investimento do Grupo Ikea importante para a região” mas apela à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve para que “defenda o ordenamento do território”.

“Apesar do Ikea Portugal ter já entregue um pedido de viabilidade na CCDR do Algarve para terrenos condicionados no concelho de Loulé, a Quercus espera que as entidades públicas competentes não permitam a desafectação dos solos da RAN, nem promovam a alteração do Plano Director Municipal de Loulé para favorecer um interesse privado, sem que tenham sido estudadas alternativas de localização”.

A Quercus sugere ao Grupo para não insistir na construção de infra-estruturas em áreas condicionadas, “quando existem alternativas que deviam ser ponderadas na selecção de locais para investimento”.

A 10 de Dezembro do ano passado, a cadeia sueca anunciou que pretendia abrir uma loja e um centro comercial Inter Ikea em Loulé, um investimento no valor superior a 200 milhões de euros que permitirá criar 3000 postos de trabalho directo.

Fonte: LUSA

Governo investirá 500 milhões de euros na defesa da costa até 2013

A defesa da zona costeira é a prioridade mais imediata na lista dos afazeres de Dulce Pássaro, ministra do Ambiente desde finais de Outubro de 2009. Até 2013 deverão ser investidos 500 milhões de euros, revelou hoje ao “Jornal de Notícias”.

“Quero, no imediato, dedicar mais tempo ao litoral”, declarou a ministra. A tarefa será conseguida através de fundos europeus e nacionais e dos 500 milhões de euros previstos para a execução de um plano de acção que se estende até 2013.

Esta verba “permitirá combater a erosão, defender a orla costeira, requalificá-la e valorizá-la”, explicou.

Tanto mais que, para Dulce Pássaro, “o Ambiente é tudo menos um ministério pobrezinho”. Aliás, a ministra, que veio substituir Francisco Nunes Correia no cargo, está mais preocupada com a “escassez de recursos humanos” do que com os orçamentos.

Dulce Pássaro reconhece que nem tudo tem corrido bem na pasta do Ambiente. “Não estamos especialmente felizes com a questão das suiniculturas” na região de Leiria. De facto, em 2008, as entidades fiscalizadoras abriram 37 processos de contra-ordenação contra as suiniculturas da região do Lis, segundo números do Ministério da Rua do Século. A ministra pede soluções para “responsabilizar quem tem práticas inadequadas”.

Na secção dos assuntos que se arrastam há anos, a co-incineração é “um tema que já está esgotado”. A ministra lembra que o país tem “estruturas adequadas” para tratar aqueles resíduos industriais perigosos que não têm outro destino. Além disso, considera que “não devemos estar a sobrecarregar os nossos industriais ou produtores de resíduos com custos acrescidos pela circunstância de os exportarem”.

Dulce Pássaro mantém-se confiante na alínea dos transvases do rio Tejo em território espanhol. Depois de um encontro com a ministra do Ambiente espanhola, Elena Espinosa, em Dezembro, Dulce Pássaro adianta que “não está previsto nenhum transvase”. De qualquer modo, acrescenta, “nenhum transvase se pode fazer unilateralmente no quadro do direito internacional e comunitário”.

Em meados de Outubro, o diário espanhol “El País” noticiou que o executivo da Extremadura tinha encomendado um estudo, com o acordo do Ministério do Ambiente espanhol, sobre a viabilidade de um transvase a partir do Médio Tejo para os rios Segura e Guadiana. O ministério português disse, então, estar “atento à situação”.

Ainda relativamente a assuntos pendentes com Espanha, a ministra informou que o caso da refinaria Balboa “está parado”. As autoridades portuguesas enviaram para Madrid os seus pareceres. “Aguardamos a evolução”.

Fonte: Publico.pt

Vale Glaciar do Zêzere candidato a «Maravilha Natural de Portugal»

A Câmara Municipal de Manteigas apresentou a candidatura do Vale Glaciar do Zêzere, na Serra da Estrela, à eleição das «7 Maravilhas Naturais de Portugal». Classificado como Rede Natura 2000, o Vale Glaciar nasce na Nave de Santo António e estende-se ao longo de 13 km até Manteigas, o que faz dele um dos mais extensos da Europa.

Em forma de U, possui «belezas geológicas inigualáveis, como as austeras rochas graníticas dos Cântaros Magro, Gordo e Raso (situados a 1928 m de altitude), e reservas biogenéticas de elevado valor natural e paisagístico», adianta a autarquia em comunicado. É também um local de pastorícia, cujas marcas são as levadas e as cortes, locais de abrigo para pastores e rebanhos construídos em granito nas encostas.

A zona, integrada no Parque Natural da Serra da Estrela, falhou a candidatura a Património Natural da UNESCO, mas a autarquia acredita que tem potencial para esta classificação. A lista dos candidatos inclui cerca de 800 sítios por todo o país e ilhas, sendo que os 21 finalistas (três por cada categoria) terão de ser escolhidos até 7 de Março de 2010 e postos a votação pública até 7 de Setembro. A iniciativa destina-se a eleger os sete monumentos naturais com «um ou mais aspectos de raridade ou representatividade em termos ecológicos, estéticos, científicos e culturais».

Fonte: Ambiente online

domingo, 3 de janeiro de 2010

O ano de 2010 vai ser o da luta pela conservação dos tigres

O ano de 2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade e é também o ano chinês do tigre. A coincidência é feliz, já que este grande felino está no topo da lista dos dez animais que maiores riscos de extinção correm, segundo uma lista elaborada pelo Fundo para a Conservação da Natureza (WWF, na sigla em inglês), e vai servir de mote para as campanhas para a sua conservação durante todo o ano.

“O tigre vai ter uma importância icónica especial este ano”, disse ao jornal britânico "The Guardian" Diane Walkington, responsável pelo programa das espécies na WWF do Reino Unido. Outros animais nesta lista são os não menos icónicos ursos polares e pandas, mas este ano cedem a posição de ribalta ao tigre.

Das nove subespécies de "Panthera tigris" existentes no mundo, três (de Bali, do Cáspio e de Java) extinguiram-se no último século, e não se avistou nenhum animal de uma quarta subespécie, a dos tigres do Sul da China, nos últimos 25 anos.

Aliás, o último século não foi nada meigo para estes grandes carnívoros: a população de tigres foi reduzida em 95 por cento.

Isto foi resultado, por um lado, da caça normal e do avanço das populações humanas para áreas que antes eram florestas onde os tigres reinavam, mas também da caça furtiva, para obter apenas algumas partes do animal, usadas na medicina tradicional asiática.

Hoje, acredita-se que restem apenas cerca de 3200 tigres em todo o planeta (os de Benguela, Amur, da Indochina, de Sumatra e da Malásia). E, em alguns casos, as alterações climáticas estão a contribuir bastante para pôr em causa a sobrevivência destes grandes gatos, tal como a de outros animais dos ecossistemas sensíveis onde eles habitam. É o caso dos tigres nas zonas húmidas de Sunderbans, no Bangladesh e na Índia.

“Para salvar o tigre, temos de salvar também o seu habitat — onde vivem muitas outras espécies ameaçadas. Por isso, se conseguirmos salvar o tigre, vamos também conseguir salvar muitas outras espécies ao mesmo tempo”, disse Wakington ao "Guardian".

Daí a eleição de 2010 como o ano do tigre. O objectivo é mais do que duplicar a população destes grandes felinos até ao próximo ano chinês do tigre, em 2022.

Fonte: PÚBLICO

On Line: Espécies ameaçadas vão ter dia na Internet

As espécies em perigo de extinção, desde o urso polar à salamandra gigante, passando pelo grande tubarão branco até ao crocodilo de Cuba ou às belugas, vão ter, ao longo deste ano, o seu próprio dia na Internet. A iniciativa é da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla inglesa), que pretende traçar um retrato pormenorizado dos 365 animais e plantas em maior risco de desaparecerem. "Os governos têm de tomar medidas sérias para salvar estas espécies ameaçadas. O tempo está a esgotar-se para muitas delas. Há provas científicas que estamos à beira de uma extinção em massa. Este ano, estamos determinados a colocar o assunto, diariamente, na agenda dos políticos", diz Jane Smart, especialistas em biodiversidade da IUCN. Os peritos acreditam que existem 6 a 12 milhões de espécies que são ainda desconhecidas da Ciência.

Alytes cisternasii: Um sapo que leva a família às costas

O sapo-parteiro ibérico não está ameaçado em Portugal, mas em Espanha as populações do sapo-parteiro comum estão já a ser dizimadas pelo fungo 'chytridiomycosis', alerta a bióloga Ana Margarida Carvalho, que diz não conhecer programas específicos de conservação.

Endémico da Península Ibérica, este curioso sapo tem uma particularidade que o distingue da maioria dos outros anfíbios: é o macho que cuida dos ovos durante todo o período de incubação. Depois do acasalamento e das posturas, normalmente de 40 ovos unidos por um cordão, o macho enrola-o em torno das pernas e na parte inferior das costas, transportando-os até aos charcos ou ribeiras onde eclodem.

Estes cuidados parentais chegam a ser redobrados e em certos casos triplicados, uma vez que o mesmo macho pode carregar posturas de duas ou três fêmeas. O que totaliza praticamente 120 ovos. Um esforço titânico, se considerarmos que tem menos de 5 centímetros de comprimento.

A sua presença em Portugal remonta ao período glaciar do Pleistoceno, "há muitos milhares de anos, quando a espécie se refugiou na Península Ibérica", refere Ana Margarida Carvalho, bióloga e Mestre em Biologia da Conservação. No nosso país, distribui-se essencialmente a sul do Tejo; para Norte atinge o extremo este do Parque Natural do Montesinho. "As regiões com maior densidade populacional são o Alentejo e Algarve."

Apesar da grande ameaça global aos anfíbios, esta é uma espécie que parece contrariar a tendência. No Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal é considerada como 'Não preocupante', "porque existem indivíduos em abundância', explica Ana Margarida Carvalho. As suas ameaças, acrescenta a bióloga "são as mesmas que afectam os outros anfíbios" - destruição e fragmentação de habitats, principalmente devido à construção de estradas e barragens. "A construção da barragem do Alqueva, por exemplo, representou uma destruição significativa das zonas onde a espécie habitava".

Por outro lado, também as monoculturas florestais exóticas, a poluição e contaminação de rios e ribeiras representam riscos acrescidos para a sobrevivência da espécie, "em especial do Alentejo, onde ainda existem áreas de cultivo extensas. O uso de pesticidas e agro-químicos, acabam por poluir também algumas zonas húmidas, as áreas fundamentais para o sapo-parteiro ibérico desenvolver a sua fase larvar".

A introdução nos nossos rios de espécies exóticas, como o achigã, o perca-sol ou o lagostim-vermelho, "são outro factor de risco". Já em fase adulta, o sapo-parteiro ibérico tem como inimigos naturais, cobras de água e as aves de rapina nocturnas, como mochos e corujas, "mas que acabam por fazer parte da cadeia trófica", diz a bióloga. "Mas uma das potenciais ameaças para o futuro poderá ser o fungo chytridiomycosis, que já afectou populações de sapo-parteiro comum em Espanha", salienta Ana Margarida Carvalho.

Apesar de todos os estudos que têm vindo a ser feitos sobre a espécie, (por ser um endemismo ibérico), "não se conhecem programas específicos de conservação".

Conhecido pelos seus hábitos crepusculares, o sapo-parteiro ibérico sai dos abrigos ao anoitecer, alimenta-se e volta aos refúgios quando o sol nasce. Durante os meses mais quentes não sai dos abrigos, "tem hábitos escavadores e enterra-se com frequência, pois não suporta as temperaturas extremas. Só reaparece com as primeiras chuvas de Outono e apenas tem actividade quando existe 90% a 100% de humidade e a temperatura é de 10 a 15 graus".

O seu canto só pode, por isso, ser ouvido nos meses entre o Outono e a Primavera, altura em que também se reproduz. As fêmeas preferem os machos que emitam as sonorizações mais graves, sinónimo de espécime maior. E quando ameaçado, o sapo-parteiro ibérico emite uma vocalização semelhante à do mocho-de-orelhas para assustar os perseguidores.

Fonte: Diário de Notícias Foto: Rafael Marquez

Há mil novas espécies de insectos no Brasil por descrever

Há pelo menos mil novas espécies de insectos da fauna brasileira em florestas tropicais no país nunca antes vistos pelo Homem, dizem os cientistas. Porém o avanço da monocultura ameaça a sobrevivência desses animais ainda desconhecidos.

Em cinco anos de investigação, um volume de 300 mil exemplares de insectos, entre moscas, mosquitos e besouros, foi recolhido por investigadores da Universidade de São Paulo (USP) em florestas tropicais do interior e do litoral do Brasil.

Dos milhares de insectos reunidos, os cientistas ficaram surpreendidos que uma em cada duas espécies de mosquitos e moscas da floresta Atlântica é nova. "Os números da biodiversidade da América do Sul e Central são muito grandes, comparáveis aos dos países do Sudeste Asiático que são áreas hiperdiversas", afirmou o biólogo Dalton de Souza Amorim.

E a quantidade de espécies a serem descritas pelos cientistas é enorme. "As que já foram descritas representam apenas uma parte do todo. Há uma grande parte que nem foi colectada ainda", explica.

O biólogo defende a necessidade de criar áreas de reservas de florestas do interior do Brasil, uma vez que esta diversidade, cuja importância ecológica se desconhece, está "extremamente ameaçada".

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 2 de janeiro de 2010

Queixa na UE por “incumprimento sistemático” da Lei Comunitária da Água

O porta-voz do movimento proTejo disse à agência Lusa que vai apresentar uma queixa à Comissão Europeia pelo “incumprimento sistemático e abusivo” da Lei Comunitária da Água, por parte do Estado espanhol.

Paulo Constantino, porta-voz português da associação, que conta com a adesão de meio milhar de cidadãos e de 21 organizações portuguesas e espanholas, afirmou que a proposta espanhola de reposição das águas do rio Tejo é “uma afronta ao ambiente e à política europeia da água” e que recusa “liminarmente” a política de transvases espanhola, considerando que “podem e devem ser implementadas alternativas aos transvases””.

Segundo o representante, as “tensões recentes” entre Portugal e Espanha motivaram uma “falsa esperança” na determinação do Estado português em exigir que a política de transvases espanhola permitisse a ambos os Estados membros alcançar o bom estado das águas em 2015, cumprindo a Directiva Quadro da Água.

“Tal não se verificou”, disse Paulo Constantino, que acrescentou “não haver apresentação de qualquer garantia de que não se repetirão os prejuízos ambientais causados pelo incumprimento dos caudais mínimos ecológicos estabelecidos da Convenção Luso-Espanhola” (Convénio de Albufeira).

O porta-voz do proTejo afirmou que as populações ribeirinhas da bacia do Tejo “não podem ficar impávidas e serenas enquanto o Governo espanhol reparte a água do Tejo pelas regiões autónomas, preparando à porta fechada novos transvases”, como denunciam os movimentos espanhóis em defesa do Tejo.

“O movimento tem o dever de exigir e defender o direito à água em quantidade e qualidade na bacia do Tejo, que garanta a preservação dos ecossistemas ribeirinhos, a sobrevivência das actividades económicas ligadas ao rio, e a vivência das populações ribeirinhas em comunhão com os seus rios, recuperando os laços culturais que as ligavam”, afirmou.

Para o movimento, Portugal “não pode aceitar que o Governo espanhol decida unilateralmente e à margem da Directiva Quadro da Água os transvases e os caudais ambientais da bacia hidrográfica do Tejo”, eventualmente sem considerar os impactos a jusante, quer ao nível ambiental quer ao dos diversos usos da água.

Por isso, o proTejo continuará a defender a intervenção da Comissão Europeia no sentido de avaliar o impacto da política de transvases de Espanha sobre o bom estado das águas da bacia hidrográfica do Tejo e, consequentemente, sobre a capacidade de Espanha e Portugal cumprirem a Directiva Quadro da Água em 2015, à semelhança da avaliação que já efectuou sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico.

“Sem prejuízo de uma queixa, na forma de carta reivindicativa ibérica, que iremos propor para ratificação em Janeiro aos membros do movimento, para apresentar à Comissão Europeia e, talvez mais tarde, ao Provedor Europeu da Justiça, pelo facto da Comissão Europeia não fiscalizar devidamente a Directiva Quadro da Água”, explicou Paulo Constantino.

Fonte: LUSA

Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo - intervenções para aumento de divulgação

No ano em que se assinalará o 29º aniversário da atribuição da classificação como Reserva da Biosfera, o Paul do Boquilobo, no distrito de Santarém, vai ter um conjunto de intervenções para aumentar a divulgação junto da comunidade.
João Carlos Farinha, director-adjunto do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), disse à Lusa que a gestão desta reserva natural está a trabalhar com os municípios onde se situa o Paul do Boquilobo - Golegã e Torres Novas - para que sejam desenvolvidos projectos ligados à recuperação do espaço envolvente e à criação de percursos de visita.
Um dos projectos, que está a ser desenvolvido pela Câmara Municipal da Golegã, visa criar eco-pistas, isto é, percursos pedestres para permitir a realização de visitas desde o Equuspolis até esta área.
Outro dos projectos é a recuperação do edifício-sede, uma obra que já contou com o interesse de apoio do município de Torres Novas. Neste caso, o objectivo é dotar este edifício de condições para que os visitantes possam usufruir de exposições, de materiais didácticos e de equipamentos que lhes permitam conhecer melhor a biodiversidade desta reserva natural.
Para já, não estão definidos ainda os parâmetros concretos destes projectos, explica João Carlos Farinha, frisando que, no entanto, existe uma abertura dos parceiros do conselho estratégico ”para que estas propostas possam avançar".
O conselho estratégico junta o ICNB, os municípios, os agricultores e associações de regantes, institutos governamentais, organizações não-governamentais, entre outros parceiros.
Uma das ideias que tem estado em cima da mesa é a possibilidade de instalação de câmaras de vídeo na zona da reserva integral para que os visitantes possem observar o que ali existe sem necessidade de entrar no espaço, que permanece “intocável, muito pelo facto de ser propriedade pública" (cerca de 90% dos mais de 800 hectares), sob a gestão do ICNB, salientou à Lusa João Carlos Farinha.
A Reserva Natural do Paul do Boquilobo foi criada em 1980, tendo sido reclassifica como área protegida em 1997 e como Zona de Protecção Especial para Aves Selvagens em 1999. Em 1981, a UNESCO atribuiu-lhe o estatuto de Reserva da Bioesfera. Esta classificação significa o reconhecimento de uma área em que se consegue conciliar a preservação da biodiversidade com a actividade humana envolvente, neste caso, com a agricultura intensiva que se realiza nos campos em redor da reserva natural.
Este trabalho de conciliação no Paul do Boquilobo tem passado pela sensibilização dos agricultores para o uso mais sustentável dos solos, nomeadamente ao nível da questão dos pesticidas, da criação de muitos furos de água, da limpeza de canais e da sua correcta gestão, assim como da procura de manter os níveis de água na zona de reserva integral.
A poluição do Almonda tem sido um problema, mas João Carlos Farinha diz que os contactos realizados com as autarquias, sobretudo com a de Torres Novas, têm sido úteis para conseguir minimizar o problema.
O Paul do Boquilobo é uma área com cerca de 800 hectares, dos quais 196 são reserva integral onde se pode encontrar uma importante colónia de garças e de outras espécies de aves, sendo o único local em que se reproduz o zarro-comum. Alberga também várias espécies de peixes e mais de uma vintena de espécies de anfíbios e repteis, bem como alguns pequenos mamíferos como a lontra, o toirão ou o rato-de-cabrera.

Fonte: LUSA

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Descoberta a origem do cancro que ameaça de extinção diabos-da-Tasmânia

Uma equipa internacional de cientistas diz ter descoberto a origem do cancro que ameaça extinguir os diabos da Tasmânia, animal popularizado pela personagem “Taz” dos Looney Tunes, dentro de 25 a 35 anos, segundo um estudo publicado na revista “Science”.

Os cientistas descobriram que o cancro que, desde 1990, está a dizimar a população desta espécie de mamífero marsupial (Sarcophilus harrisii) tem origem num tipo específico de células. A doença caracteriza-se por tumores no focinho que se podem espalhar para os órgãos internos. É transmitida de animal para animal através das dentadas ou outro contacto físico.

Agora, os cientistas da Universidade Nacional da Austrália, coordenados por Elizabeth Murchison, determinaram que a doença tem origem nas células de Schwann, um tipo de tecido que protege as fibras nervosas.

No âmbito da investigação, através da análise de células retiradas dos tumores, a equipa identificou um marcador genético que poderá vir a ser utilizado para diagnosticar a doença.

Os cientistas acreditam que a sua descoberta pode ajudar a desenvolver os tratamentos adequados. “As nossas conclusões significam um grande avanço na corrida para salvar os animais da extinção”, comentou Elizabeth Murchison, que trabalha com o laboratório norte-americano Cold Spring Harbor.

“Agora que olhámos bem para o perfil genético dos tumores podemos começar a procurar os genes e os processos envolvidos na formação dos tumores”, adiantou Greg Hannon, que também participou no estudo.

Em Maio, o Governo australiano aumentou o grau de protecção à espécie e listou-a como ameaçada devido a esta doença.

Fonte: Publico.pt

Ministra do Ambiente quer envolver todos os cidadãos na preservação das espécies

A ministra do Ambiente pretende aproveitar 2010, Ano Internacional da Biodiversidade, para sensibilizar o cidadão comum sobre a importância da preservação das espécies na qualidade de vida de cada um.

'Não queremos que continue a ser uma preocupação de elites técnicas, queremos que desça ao cidadão porque temo-nos dado conta que mesmo técnicos de outras áreas olham para a biodiversidade com desconhecimento', disse Dulce Pássaro à agência Lusa.

A ministra planeia, por isso, desenvolver várias acções de sensibilização e divulgação ao longo do ano para 'levar a temática da biodiversidade ao cidadão'.

Portugal vai também acompanhar os trabalhos de duas grandes conferências mundiais sobre o tema, a realizar no Dubai (em Março) e no Japão (no Outono), acrescentou.

Por cá, serão postas em marcha várias iniciativas de alerta para a importância da biodiversidade na qualidade de vida dos cidadãos. 'Sentimos que é uma área relativamente à qual o cidadão não conhece a importância que tem', referiu a ministra.

As áreas protegidas vão ter, cada uma, um guia de biodiversidade, tema que levará à realização de vários workshops, além de um ciclo de conferências que o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade realizará em parceria com uma instituição bancária sobre 'Biodiversidade: Economia/Sociedade'.

Em preparação está também um pequeno jornal, mas de grande divulgação, que será distribuído nas áreas de abastecimento de combustível, bem como acções coordenadas com as universidades, adiantou.

O programa ainda não está fechado, mas todas as iniciativas, que incluem várias edições e reedições, visam sublinhar a importância da biodiversidade junto dos vários agentes e actividades humanas, f risou a ministra.

'A perda de biodiversidade a médio e longo prazos vem traduzir-se na perda de qualidade de vida e por vezes temos iniciativas que vêm a traduzir-se na extinção de uma espécie com pouca expressão física', frisou.

Como exemplo, referiu a sobrevivência das orquídeas: 'São polinizadas graças a um pequeno insecto. Se se compromete o habitat desse insecto uma coisa tão bonita como as orquídeas naturais (selvagens) pode pura e simplesmente extinguir-se'.

Isto para dizer que há vários elementos da cadeia de manutenção de várias espécies que 'não podem ser postos em causa'.

'É muito importante contribuirmos todos para a preservação da biodiversidade do planeta', apelou Dulce Pássaro.

Portugal tem quatro sítios classificados pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), três nos Açores - Corvo, Flores e Graciosa - e Paul de Boquilobo, no Ribatejo.

As Berlengas ainda não conseguiram a classificação e a ministra pretende fazer primeiro um ponto de situação sobre este processo para ver 'quais foram os constrangimentos' e se há espaço para investir ou não em novas candidaturas.

O que está no Orograma do Governo é o alargamento da rede de áreas protegidas, mas 'mais para o meio marinho', avançou, justificando: 'As áreas protegidas que temos são essencialmente no espaço terrestre.'

A ministra afirmou que, 'em harmonia com a política comunitária', o Governo português pretende alargar a Rede Natura 2000 ao meio marinho.

A governante admitiu que a classificação de um território nem sempre é bem acolhida, devido às restrições que impõe à actividade humana, mas garante que o processo é muito participado e procura gerar consensos.

Fonte: LUSA