quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Grou-siberiano resgatado da extinção graças à cooperação entre países asiáticos


As Nações Unidas saudaram hoje a “excelente cooperação” entre a China, Rússia, Cazaquistão e o Irão, que deverá permitir salvar da extinção o grou-siberiano (Grus Leucogeranus), uma majestosa ave extremamente ameaçada.

“O futuro do grou-siberiano parece estar bem melhor graças aos esforços da China, do Irão, da Rússia e do Cazaquistão”, quatro países situados nas rotas de migração desta grande ave, declarou Claire Mirande, responsável pelo programa de conservação, apoiado pelo Global Environment Facility (GEF) e implementado pela Fundação Internacional para os Grous, através do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnua) em Nusa Dua, ilha indonésia de Bali.

De penas brancas e com 1,40 de altura, o grou-siberiano é considerado uma espécie Criticamente Ameaçada, com uma população estimada de três mil a 3500 indivíduos. Sete das 15 espécies de grous do planeta estavam ameaçadas de extinção na década de 1970.

Nas suas migrações anuais, esta ave percorre uma distância de cinco mil quilómetros desde os seus locais de nidificação no Norte da Sibéria em direcção ao Irão, ou ao Sul da China. Durante estas imensas viagens, os grous sobrevoam algumas das montanhas mais altas do planeta e alguns dos desertos mais secos.

Realizado pelo Pnua entre 2003 e 2009, o programa internacional permitiu “garantir a conservação e reabilitação de uma rede de 16 zonas húmidas, cerca de sete milhões de hectares [uma superfície semelhante à da Irlanda], em duas principais rotas de migração”, explicou Mirande. Grande parte destas zonas está ameaçada por fenómenos de seca.

Este programa, orçado em 46 milhões de dólares (cerca de 33,8 milhões de euros), vai ainda beneficiar outras espécies de aves aquáticas migradoras, como cegonhas, gansos, patos e garças, cujas populações estão em forte declínio na Ásia, informou o Pnua.

Este ano celebra-se o Ano Internacional da Biodiversidade e a história do projecto está contada num livro que o Pnua publicou hoje em Bali, “Safe Flyways for the Siberian Crane”.

“Este projecto salienta de que forma a conservação da biodiversidade e as preocupações humanas vão de mão dada, um pensamento chave para relembrar neste Ano da Biodiversidade”, comentou Achim Steiner, director-executivo do Pnua.


Fonte: Agencia France-Presse

Elevação do Tejo a Património da Humanidade debatida em conferência


Estudantes, cidadãos e especialistas de várias áreas científicas vão reunir-se amanhã no Mercado de Santa Clara, em Lisboa, numa conferência destinada a conhecer as potencialidades e vantagens da elevação do Tejo a Património da Humanidade da Unesco.

A iniciativa é promovida pela Escola Profissional Almirante Reis, perto da estação de Santa Apolónia, e pela Associação dos Amigos do Tejo, que está a trabalhar com a associação espanhola Tajo Sostenible num projecto de candidatura transnacional do rio a património mundial, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Segundo o director pedagógico da escola, Joffre Justino, à organização da conferência está subjacente o apoio à campanha, mas numa "lógica de aprendizagem, estudo e debate" que poderá depois resultar, com os alunos disponíveis, num conjunto de actividades de ajuda à concretização do projecto.

"Achámos que seria interessante para os alunos perceber a importância do Tejo enquanto património natural e histórico e enquanto elemento de mudança da própria sociedade, quer portuguesa quer espanhola - no fundo, o que podemos ganhar com a existência do Tejo", explicou.

Joffre Justino sublinhou que a sessão servirá para reforçar a política de ensino do estabelecimento, inserindo os alunos no "ambiente da vizinhança" e motivando-os a partir de experiências práticas.

A conferência, que decorre entre as 14h30 e as 17h30, conta com intervenções do biólogo António Antunes Dias (antigo director de parques naturais), o historiador e museólogo António Nabais, o almirante José Bastos Saldanha (presidente da direcção da Marinha do Tejo) e o presidente da Associação Amigos do Tejo, Carlos Salgado.

O público pode assistir ao encontro gratuitamente.

Tejo, um rio cheio de argumentos

Manuel Lima, biólogo que viveu sempre perto do Tejo e há décadas que o estuda, considera que o rio é extremamente rico em termos naturais e patrimoniais, tendo todas as condições para se candidatar a património mundial.

A ideia de apresentar à Unesco uma candidatura do rio Tejo a património mundial partiu da Associação dos Amigos do Tejo e da associação espanhola Tajo Sostenible.

Manuel Lima, autor de diversos livros sobre o Tejo, o seu estuário, fauna e flora, afirmou que o rio tem uma mão cheia de argumentos a seu favor. "É o maior rio da Península Ibérica, com cerca de 1070 quilómetros, é o maior estuário da Europa Ocidental e um dos dez maiores do mundo, e é riquíssimo em termos de património natural e cultural", enumerou. O biólogo sublinha que aqui se encontram "muitas espécies em vias de extinção, sobretudo no médio e alto Tejo, como a cegonha preta, o abutre negro, ou a águia imperial ibérica".

Manuel Lima considera que é aqui, na Baía do Seixal, que se situa uma das maiores riquezas ornitológicas do rio. "Passam por aqui sobretudo aves migratórias, que no Inverno chegam a números próximos dos 100 mil, como o alfaiate, que é símbolo da Reserva Natural do Estuário do Tejo, mas também pilritos, rolas-do-mar, pernas-vermelhas, pernas-verdes, pernas-longas, muitas espécies de patos". "Isto é um santuário para as aves, mesmo em termos internacionais. No caso do alfaiate, por exemplo, 60 por cento dos indivíduos da espécie a nível mundial encontra-se aqui no Inverno", acrescentou.

Embora reconheça que "este Tejo ainda não é aquele que todos desejam ter", o professor garante que "se percebe que tudo está, de alguma forma, a melhorar": "A evolução em termos de diminuição da poluição e de aumento da consciência ambiental é muito significativa", afirmou.

"A maior parte das autarquias ribeirinhas portuguesas, que são 28, bem como as espanholas, estão preocupados com a transformação do rio, depois da forte pressão das grandes indústrias que se instalaram à sua beira no século passado", acrescentou.

Manuel Lima lembra que "o surgimento de novas espécies no estuário" é a prova de que "o rio está no caminho certo para poder ser classificado como património mundial": "Ultimamente apareceram aqui colhereiros, muitos flamingos, gansos do Nilo... aves muito raras. E algumas espécies voltaram, como a corvina, o cherne, o choco".

Para o biólogo, a candidatura do Tejo a património mundial terá ainda a vantagem de sensibilizar e motivar a sociedade, as empresas e os governantes para a importância de respeitar o rio, preservá-lo e promovê-lo. "Ainda não perdi a esperança de ver os golfinhos de volta ao Tejo".


Fonte: LUSA

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ministério do Ambiente iniciou processo de recrutamento de Vigilantes para o PNDI

O Ministério do Ambiente iniciou um processo de recrutamento de vigilantes para o Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) que, desde Outubro de 2009, funciona sem vigilância. Em resposta a um requerimento apresentado pelo Bloco de Esquerda (BE) na Assembleia da República, o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAOT) informa que, através do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), já "iniciou um processo de recrutamento externo de vigilantes a fim de suprir necessidades de vigilância nalgumas áreas protegidas com prioridade para o Parque Natural do Douro Internacional (PNDI)". Este processo encontra-se em "procedimento final de aprovação", refere o MAOT. "Para além disso, o ICNB tem montado um procedimento transitório de vigilância através dos seus meios dos Parques Naturais de Montesinho e Alvão", esclarece, acrescentando que aquele instituto estabeleceu ainda com o Serviço de Protecção da Natureza (SEPNA) da GNR "uma maior coordenação e presença de efectivos, o que permite a existência de operações todos os dias da semana no PNDI". Quanto às dificuldades logísticas que os serviços do PNDI enfrentam, o MAOT sublinha que, "nomeadamente ao nível das viaturas", estão em curso a aquisição de viaturas em sistema ALD e a aquisição, "através de uma parceria com a Autoridade Nacional de Protecção Civil, numa candidatura já efectuada ao QREN, de viaturas de prevenção e vigilância, aguardando-se a decisão de aprovação". O PNDI foi criado em Maio de 1998, tendo ficado desde logo previsto que o seu quadro de pessoal seria composto por sete técnicos superiores, três administrativos e oito vigilantes da natureza. O território do PNDI abrange os municípios fronteiriços de Figueira de Castelo Rodrigo, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro e Mogadouro, no canhão dos rios Douro e Águeda - que delimitam a fronteira com o "Parque Natural Arribes del Duero", criado em 2002 em território espanhol. Os dois parques formam no seu conjunto um dos maiores espaços protegidos da Europa, com uma superfície de 192.605 hectares. Fonte: LUSA

Vinte milhões de peixes vão ajudar a limpar o terceiro maior lago da China

Cerca de 20 milhões de peixes que se alimentam de algas vão ser lançados no lago Taihu, o terceiro maior da China, de momento ameaçado com a proliferação de algas devido à poluição, anunciaram as autoridades.

A poluição é um problema recorrente neste lago com 2400 quilómetros quadrados, que se estende pelas províncias de Zhejiang e de Jiangsu, na zona Este do país.

A degradação da qualidade da água deve-se aos resíduos industriais e agrícolas, que causam a proliferação de algas aquáticas e a falta de oxigénio da água.

No ano passado, as autoridades já libertaram no lago dez milhões de peixes, sobretudo carpas.

Em comunicado divulgado ontem, a Administração das Pescas no lago Taihu informou que mais 20 milhões de peixes serão lançados às águas, no âmbito de uma campanha orçada em 920 mil euros e financiada pelo Governo e donativos.

Em 2007, mais de 2,3 milhões de pessoas ficaram privadas de água por causa da presença maciça de algas naquele lago, importante fonte de água potável para a região.

Actualmente estima-se que 70 por cento dos cursos de água e lagos na China estão poluídos.

Fonte: Agencia France-Presse

"Promoção do Habitat do Lince-ibérico e do Abutre-preto no Sudeste de Portugal"

No dia 26 de Fevereiro de 2010 (sexta-feira), no Cine-teatro Caridade, em Moura (Pr. Sacadura Cabral), das 11h às 13h, decorrerá a Sessão Pública de Lançamento do Projecto LIFE+ “Habitat Lince Abutre”.

O projecto LIFE+ "Promoção do Habitat do Lince-ibérico e do Abutre-preto no Sudeste de Portugal", cujo acrónimo é “Habitat Lince Abutre”, é coordenado pela Liga para a Protecção da Natureza (LPN), contando com a parceria de diversas instituições públicas e privadas, entre as quais o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), que, em conjunto com a Fauna & Flora International (FFI), é também co-financiador.

São também parceiros o Centro de Estudos de Avifauna Ibérica (CEAI), a Associação de Jovens Agricultores de Moura (AJAM), a Associação Nacional de Proprietários e Produtores de Caça (ANPC), a Direcção-Geral de Veterinária (DGV/MADRP) e o Centro de Investigação e de Intervenção Social (CIS).

Financiado a 75% pelo Programa LIFE-Natureza da Comissão Europeia, este Projecto terá a duração de 4 anos.

Este projecto tem como objectivos contribuir para a conservação dos habitats de espécies como o lince e o abutre-preto (ver ilustração em cima à esquerda) com vista ao estabelecimento de populações residentes no sudeste de Portugal, uma das suas zonas históricas de ocorrência. Entre as várias acções a desenvolver no âmbito deste projecto e que vão ver divulgadas na sessão de lançamento contam-se workshops, diversas acções de conservação de habitats / formações vegetais e das espécies alvo e das suas presas principais e respectiva monitorização, caracterização sanitária das populações de espécies que partilham o habitat com o lince, plano de mitigação do uso de venenos, em cooperação com o programa Antídoto, contributos para a elaboração do Plano de Acção para a Conservação do Abutre-preto e articulação próxima com o Plano de Acção para a Conservação do Lince-ibérico, bem como a promoção da Rede Natura 2000 e a divulgação nos media de todo o projecto.

Para mais informações contacte:
Tel.: 217780097 ou
E-mail: lpn.naturezalpn.pt

Convite com programa da sessão (pdf)

Fonte: ICNB

Áreas de Protecção Ambiental: Alguém sabe para que servem?

Esta vem sendo uma pergunta intrigante para mim durante esses últimos meses, desde que iniciei a execução de meu trabalho de conclusão de curso na Área de Proteção Ambiental do Rio Curiaú, localizada próximo a cidade de Macapá. Com um trabalho um tanto complicado abordando um conceito antropológico sobre aspectos tradicionais, percepções locais e a influência negativa que tudo isto vem causando para o meio-ambiente, em especial para a eliminação de onças da região, começo a formular questionamentos, críticas e idéias com base em conversas e na receptividade que tenho tido pelos moradores em algumas áreas da APA.

Ler o Artigo completo (pdf)

Óleos alimentares usados põem a circular dez viaturas municipais

Os óleos alimentares usados que os moradores do Seixal entregam para serem transformados em biodiesel já permitem pôr em funcionamento dez viaturas municipais, informou a autarquia.

Fazem parte desta frota três veículos ligeiros de passageiros e sete veículos ligeiros de mercadorias.

No âmbito do projecto Óleo a Reciclar, Biodiesel a Circular, o município, a Agência municipal de Energia e a empresa Biosarg assinaram um protocolo de colaboração em Junho de 2008 que define que “por cada sete litros de óleos alimentares usados recolhidos, a autarquia recebe um litro de biodiesel resultante da transformação do óleo em biodiesel”, explica a câmara.

Com a instalação de oleões em vários locais do concelho do Seixal, a recolha permitiu que em Setembro do ano passado tenham começado a circular cinco viaturas municipais movidas a biodiesel B20 (mistura de 80 por cento de gasóleo e 20 por cento de biodiesel).

Além da frota, a câmara também utiliza este combustível no gerador da rede de emergência do edifício dos Serviços Operacionais.

Para o futuro está previsto alargar a utilização do biodiesel a viaturas pesadas e a máquinas de obra. Durante este ano estima-se que sejam consumidos cerca de 60 mil litros de biodiesel.

O projecto recolhe óleos alimentares usados dos vários oleões espalhados na via pública pelo conselho e também de diversas instituições sociais, desportivas e escolares. O objectivo é “sensibilizar a população relativamente ao destino adequado a dar aos óleos alimentares usados, reduzir os problemas de escoamento e tratamento das águas residuais domésticas devido à existência de óleos e gorduras provenientes das descargas nos colectores municipais de óleos alimentares usados, garantir um destino final adequado para os óleos alimentares usados e melhorar o desempenho ambiental do município”, explicam os responsáveis.

Fonte: Publico.pt

PNDI sem Vigilantes da Natureza - Resposta do Governo

Na sequencia desta informação:


Venho por este meio informar que o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda recebeu a resposta por parte do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território à pergunta do Bloco de Esquerda sobre a ausência de vigilantes da natureza no Parque Natural do Douro Internacional. Tanto a pergunta como a resposta seguem em anexo.



Os nossos melhores cumprimentos,
Hugo Evangelista
Assessor do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda

Ver Pergunta ao Governo
Ver Resposta do Governo


Segue-se a resposta de agradecimento por parte da APGVN:



Excelentíssimos Senhores



A Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza (APGVN) agradece todo o vosso interesse e empenho na defesa do Ambiente e na Conservação da Natureza.


Quanto às respostas vindas do Governo, lamentamos que mais uma vez o MAOT se esconda atrás de uma força militar repressiva como é a GNR e leve à morte lenta de uma profissão que em todo o mundo é reconhecida e valorizada. O MAOT ignora completamente o seu Corpo de Fiscalização escondendo-o o mais possível da opinião pública, levando-o à extinção a curto prazo devido à falta de recrutamento de novos elementos, no ICNB, nas CCDR´s e nas ARH´s o número de Vigilantes da Natureza é diminuto. A falta de meios para o exercício da vigilância, fiscalização e monitorização tem sido a arma utilizada para destruir a profissão, mas os Vigilantes da Natureza não desistem e mesmo sem o mínimo de condições tudo fazem para que a Natureza em Portugal seja defendida e perpetuada para as gerações vindouras.


Apresentamos a Vossas Excelências, a expressão da nossa mais alta consideração.


A Direcção da APGVN

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Comunicado - Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza

Na sequência da catástrofe que afectou a Ilha da Madeira, a Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza (APGVN) informa que tem estado a acompanhar a situação dos Vigilantes da Natureza da Madeira através de contacto telefónico com o companheiro Nelson Pereira, que nos tem colocado ao corrente da situação e nos comunicou que todos os colegas se encontram bem de saúde.
Hoje pela manhã os Vigilantes da Natureza apresentaram-se ao serviço, oferecendo-se para ajudar na recuperação das infra-estruturas e habitações destruídas, mais uma vez os companheiros da Madeira demonstraram o seu sentido de solidariedade e de grande empenho na ajuda ao próximo.
O seu valioso trabalho está a ser reconhecido pela população, o que nos enche de orgulho!

Aos habitantes da Madeira:
Em nome de todos os Vigilantes da Natureza enviamos as condolências aos que perderam os seus entes queridos, desejamos as melhoras aos feridos e apresentamos a nossa solidariedade aos que tudo perderam com esta catástrofe que se abateu sobre a Ilha da Madeira.


Sintra, 22 de Fevereiro de 2010

Quercus diz que bom ordenamento do território teria evitado tantas mortes

A presidente da Quercus, Susana Fonseca, afirmou hoje que um bom ordenamento do território na Madeira teria evitado tantas mortes e tantos danos materiais.

A responsável, que falava à margem da apresentação dos "Green Project Awards", defendeu a necessidade de haver um bom ordenamento do território para minimizar os impactos dos fenómenos climáticos extremos, que são cada vez mais frequentes.

"Todos os estudos indicam que os fenómenos extremos poderão tornar-se cada vez mais frequentes", afirmou, numa alusão ao mau tempo que assolou a ilha da Madeira no sábado passado, deixando um rasto de destruição e mortes.

Na opinião da dirigente da Quercus, é preciso ter "particular cuidado na ordenação dos espaços", pois se não é possível evitar todos os impactos, pode-se pelo menos minimizar e poderia ter havido "menos perdas de vida e menos perdas naturais".

O presidente da Assistência Médica Internacional, Fernando Nobre e candidato à Presidência da República, presente no mesmo evento, afirmou que tem acompanhado os acontecimentos com "muita preocupação".

O responsável desloca-se na terça feira à Madeira, para discutir com as autoridades locais de que forma é que a organização que dirige pode ajudar ainda mais as populações.

Segundo Fernando Nobre, a delegação da AMI existente na ilha há mais de 12 anos tem estado a ajudar com equipas no terreno, tendo sido já distribuídos vestuário e bens de higiene aos deslocados.

Fonte: LUSA

Terceira edição dos Green Project Awards dedicada à pobreza e biodiversidade

Foi hoje lançada no Museu da Electricidade em Lisboa a terceira edição dos Green Project Awards, este ano dedicados à pobreza e biodiversidade. As candidaturas decorrem de 1 de Março a 31 de Maio.

Estes prémios, que distinguem projectos nacionais de desenvolvimento sustentável, são organizados pela Agência Portuguesa do Ambiente, Quercus e Grupo GCI.

“A importância do Green Project Awards está no facto de ser um desafio às diferentes entidades portuguesas de apresentarem o que têm feito na área da sustentabilidade e de, ao mesmo tempo, mobilizar e incentivar outros a fazerem mais e melhor”, comentou Susana Fonseca, presidente da Quercus.

A cerimónia de lançamento contou com a participação de Fernando Nobre, presidente da AMI, entidade que venceu, em 2008, o galardão na categoria de “Projectos”. “Há quem utilize a palavra sustentabilidade sem saber o que quer dizer. Sustentabilidade quer dizer futuro. Acredito que o Ambiente chegará, rapidamente, ao primeiro plano de importância da sociedade”, comentou.

Este é o Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social e o Ano Internacional da Biodiversidade.

“Os projectos de responsabilidade ambiental e a luta contra a exclusão social estão muito frequentemente ligados e raramente podem ser separados. É um equívoco achar que são duas coisas separadas”, notou António Gonçalves Henriques, director-geral da Agência Portuguesa do Ambiente.

Este ano, os prémios terão o apoio do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, juntando-se ao apoio actual dos ministérios da Economia, Finanças e Ambiente.

As categorias a concurso são “Produtos ou Serviços”, “Investigação & Desenvolvimento” e “Campanhas de Comunicação”. Os vencedores de 2009 foram a Entrajuda, CENIMAT – FCT e Ecopilhas; os vencedores de 2008 foram a AMI, INETI e a Sociedade Ponto Verde.

Fonte: Publico.pt

ONU alerta para expansão de “montanhas” de resíduos electrónicos

A explosão das quantidades de resíduos electrónicos, como computadores e telemóveis, vai provocar graves problemas sanitários e ambientais nos países em vias de desenvolvimento se não forem tomadas medidas rápidas para os reciclar, advertiu hoje a ONU.

“A venda de produtos electrónicos em países como a China e a Índia e nos continentes africano e sul-americano deverá aumentar muito nos próximos dez anos”, prevê um relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnua), antes de uma reunião esta semana em Bali.

“Se não for lançada nenhuma política para recolher e reciclar estes equipamentos, numerosos países vão ver-se com montanhas de resíduos electrónicos perigosos, com consequências graves para o Ambiente e saúde pública”, alerta o relatório.

Na verdade, a quantidade de resíduos electrónicos relacionados apenas aos computadores fora de uso deverá atingir 500 por cento na Índia, entre 200 e 400 por cento na África do Sul ou China, em relação a 2007. A progressão será também considerável para os telemóveis, televisões e frigoríficos.

Só a China já produz anualmente cerca de 2,3 milhões de toneladas de REEE (resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos), só ultrapassada pelos Estados Unidos, com três milhões. Grande parte é incinerada e não é tratada de forma correcta, nota o PNUA.

O relatório, que analisou onze países representativos, foi publicado quando os especialistas da convenção de Basileia sobre os resíduos perigosos estão reunidos hoje e amanhã em Bali, antes de uma assembleia geral do PNUA.

Para Achim Steiner, director do PNUA, “a China não é a única a enfrentar este imenso desafio”, que também diz respeito à “Índia, Brasil, México e outros países” como o Senegal, um dos países africanos tratados no relatório.

O responsável afirma que é “urgente” pôr a funcionar métodos de reciclagem que “ofereçam o potencial de gerar emprego, reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e recuperar importantes quantidades de metais”.

Fonte: Agência France Press

Comissão Europeia quer proibição do comércio internacional de atum-rabilho

A Comissão Europeia propôs hoje que a União Europeia (UE) apoie a proibição do comércio internacional de atum rabilho do Atlântico, a partir do próximo ano. O Japão já avisou que se opõe a qualquer proibição.

Bruxelas diz-se “extremamente preocupada com o facto de o excesso de pesca do atum rabilho do Atlântico, determinada em grande medida pelo comércio internacional, estar a reduzir gravemente as unidades populacionais desta espécie”.

A proposta de proibição será debatida com os Estados membros para se definir qual a posição comum da UE na próxima reunião da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção), a realizar em Doha, no Qatar, de 13 a 25 de Março.

“O nosso objectivo é assegurar um futuro viável para os pescadores, o que exige a existência de unidades populacionais saudáveis de atum rabilho, sendo óbvio para todos que a pesca intensiva desta espécie não é o caminho a seguir”, comentou Maria Damanaki, comissária responsável pelos assuntos marítimos e pescas.

Na verdade, a Comissão Europeia considera que, com base nos dados científicos mais recentes, o atum rabilho do Atlântico deve ser incluído no anexo I da CITES. Este reúne as espécies ameaçadas de extinção e cujo comércio está sujeito a legislação rigorosa, só podendo ser autorizado em circunstâncias excepcionais. Com a inclusão do atum rabilho nesta lista, o seu comércio internacional seria proibido.

Mas Bruxelas propõe que a inclusão da espécie no anexo I não seja imediata.

Em todo o caso, se a proibição entrar em vigor, “a Comissão procurará que as empresas de pesca artesanal sejam autorizadas a abastecer o mercado da UE com capturas provenientes das águas territoriais dos Estados-Membros”.

“Uma parte importante da solução que hoje propomos é uma disposição especial para os navios de pesca artesanal”, acrescentou a comissária Maria Damanaki.

“Atendendo ao elevado risco de, a curto prazo, o atum rabilho do Atlântico desaparecer para sempre, não nos resta outra alternativa senão agir de imediato e propor uma proibição do comércio internacional desta espécie”, declarou o comissário europeu para o Ambiente, Janez Potocnik.

O anúncio da Comissão Europeia surge à margem de uma reunião em Bruxelas dos ministros europeus da Agricultura e das Pescas.

Japão opõe-se a qualquer proibição da pesca e comércio ao atum rabilho

Hoje, o Japão disse que se opõe a qualquer proibição da pesca e comércio ao atum rabilho. "Vamos fazer o que pudermos para que não seja adoptada" a inclusão da espécie no anexo I da CITES, disse Shingo Ota, negociador na Agência de Pescas do Japão.

Em caso de ser aprovada pelos 175 membros da CITES, o Japão poderá apresentar "uma reserva" quanto à sua aplicação, alertou Ota.

Em vez de uma proibição, as autoridades nipónicas avançam a ideia de uma pesca apoiada por mecanismos que permitam a continuação da espécie.

O Japão consome 80 por cento da produção mundial de atum rabilho, cuja carne é muito apreciada para o sashimi ou sushi.

Actualmente, o atum rabilho não beneficia de nenhuma protecção da CITES, a única organização mundial com autoridade para limitar ou proibir o comércio internacional de espécies animais ou vegetais ameaçadas.

Fonte: Publico.pt

Seminário reclama explorar neve da Serra da Estrela nas vertentes cultural e natural

Os participantes num seminário sobre a importância natural, cultural e económica da neve, que terminou ontem em Seia, concluíram que este recurso natural “deve ser aproveitado de uma forma mais integrada”, disse um elemento da organização.

Segundo José Conde, técnico superior do CISE - Centro de Interpretação da Serra da Estrela, que organizou o evento em parceria com a associação ALDEIA, “a neve é um recurso que deve ser explorado numa vertente cultural e natural” e não apenas “na vertente económica”.

Vários oradores nas jornadas apontaram “várias vias de investigação futura” no campo científico, nomeadamente nas áreas do clima e da geomorfologia da Serra das Estrela.

Por outro lado, salientou que devido ao aquecimento global do planeta, tudo indica que, no futuro, “a quantidade de neve existente na serra poderá não permitir que se faça o tipo de desporto ou de actividade que se faz hoje, por muito mais tempo”. “Convém que a região encontre alternativas a este modelo que temos agora”, disse o elemento da organização do seminário que juntou cerca de uma centena de participantes de vários pontos do país.

Também no campo desportivo e recreativo, a neve “tem muitos outros usos do que apenas o do esqui de pista”, lembrou. “Há outras alternativas, respeitando sempre a natureza e procurando sempre uma compatibilização com o território e com as pessoas que aqui residem”, defendeu.

José Conde resumiu que os participantes nos trabalhos também concluíram que a região da Serra da Estrela ficará a ganhar “se a neve for encarada de uma forma global e não apenas numa perspectiva excessivamente orientada para a exploração do esqui de pista”.

Na sua opinião “há outros aspectos muito curiosos acerca da neve, por exemplo acerca da biologia das espécies ou a adaptação da fauna e da flora que se podem aproveitar para fazer circuitos interpretativos e espaços museológicos que explorem essa vertente”.

Fonte: LUSA

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Seixal desafia população a instalar ninhos de chapim contra a lagarta-do-pinheiro

O aliado da Câmara do Seixal para combater a praga da processionária-do-pinheiro tem penas coloridas, canta e mede entre 11 e 16 centímetros. Mas é eficaz no seu papel de predador natural. A população foi desafiada a instalar ninhos de chapim e a partir de hoje já serão 123.

No dia em que terminaram as inscrições para o projecto "O Chapim vem ao Seixal", a 31 de Janeiro, a autarquia tinha 34 pessoas que ofereciam as suas casas para a instalação de ninhos para as cinco espécies de chapim que vivem no concelho. "Infelizmente, nem todos os que se inscreveram moram nas zonas incluídas no projecto, ou seja, áreas de pinhal", lamentou Jorge Didelet, director do Departamento de Ambiente da Câmara do Seixal. Por isso, hoje serão instaladas apenas 15 caixas-ninho nas zonas da Verdizela, Foros de Amora e Belverde. "Contamos com um grande apoio da população", comentou ao PÚBLICO, referindo-se a um projecto que começou em 2008. Nesse ano foram distribuídos 62 ninhos, dos quais resultaram 173 ovos e 100 crias. No ano seguinte foram instalados 46 ninhos e este ano, outros 15.

A operação decorre numa altura em que a praga se torna mais visível, entre Janeiro e Março. Longas filas de lagartas (Thaumetopoea pityocampa Schiff) descem dos seus ninhos nos pinheiros em direcção ao solo, em busca de locais para se enterrarem. O fenómeno não é inócuo. Os pêlos urticantes destas lagartas causam alergias na pele, nos olhos e no aparelho respiratório, colocando problemas de saúde pública.

A estratégia de combate da autarquia, que começou apenas com tratamentos químicos, passou, em 2006, a contar com a ajuda dos chapins, predadores naturais daquela lagarta e que se alimentam de sementes e insectos. Segundo a câmara, um chapim come até um terço do seu peso, todos os dias. Numa primeira fase, os ninhos eram instalados nas escolas onde o problema era mais sentido. Agora, toda a população está envolvida. "Além de instalarmos os ninhos, damos orientações às pessoas sobre como acompanhar os ninhos, como devem ser observadas as aves e quais os cuidados de limpeza a ter", explicou o responsável. Em média, o chapim vive cerca de quatro anos e cada casal coloca, por ano, entre cinco a seis ovos.

Fonte: Publico.pt

Endemismo Ibérico: Lacerta schreiberi - O lagarto de cabeça azul

Único e exclusivo da Península Ibérica, o lagarto-de-água está a desaparecer, devido à perda de 'habitat' resultante do abate da vegetação ripícola e a construção de barragens. As populações isoladas do Sul do País têm um risco acrescido. Mas há mais de 10 anos que não se faz nenhum estudo.

Pouco preocupante. É esta classificação no Livro Vermelho dos Vertebrados que explica talvez o facto de, apesar da rápida regressão das populações, o último estudo sobre o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) datar já de há mais de dez anos.

Exclusivo da Península Ibérica, este pequeno lagarto, de cabeça azul e um tom verde vivo, apenas habita em zonas com permanência de água, o que o torna vulnerável, especialmente quando ocorre em pequenos grupos populacionais isolados.

No Norte a sua distribuição é mais homogénea, mas a população tem vindo a regredir; no sul, existe em menor número, uma vez que "muitas ribeiras têm tendência a secar, logo não há água suficiente para a sua sobrevivência", explica o biólogo José Brito.

No último estudo realizado, estimou-se uma população de 47 mil indivíduos na serra de Monchique, 115 mil em São Mamede e apenas 3,7 mil na serra do Cercal (distribuídas por três ribeiras). Todas são preocupantes, uma vez que para a espécie, populações abaixo dos 500 mil indivíduos são sinónimo de algum risco.

As principais ameaças à espécie estão ligadas aos factores que perturbam as linhas de água onde os lagartos-de-água habitam: construção de barragens, "que arrasa e acaba por afundar as margens das ribeiras e rios"; abate de vegetação ripícola (vegetação típica dos cursos de água, como salgueiros, amieiros, freixos e fetos) e a sua substituição por terrenos de pastoreio ou áreas florestais); e as alterações climáticas. "Uma seca acentuada, que torne as ribeiras em cursos de água temporários, poderá levar à extinção da espécie", salienta o biólogo.

Todavia, até agora "pouco foi feito para proteger a espécie". José Brito participou num estudo exaustivo sobre o lagarto-de-água, realizado entre 1994 e 1996, com o objectivo de assinalar as áreas prioritárias para a conservação. "Identificámos medidas de gestão que deveriam ser tomadas para proteger as populações isoladas, mas tanto quanto sei, nada foi posto em prática", refere.

Um dos objectivos é voltar a analisar em breve estas populações e saber o que lhes aconteceu na última década. "A situação pode ser já preocupante no caso das populações da serra do Cercal, onde deveria ter existido um esforço de implementação suplementar das medidas sugeridas no estudo."
Amante do sol, o lagarto-de-água não hesita em mergulhar na água quando ameaçado. Com uma esperança de vida de oito anos, este pequeno réptil, que pode atingir um máximo de 12 cm, excluindo a longa cauda, alimenta-se basicamente de insectos e aracnídeos, mas também inclui na sua dieta frutas e outros pequenos lagartos.

O Lacerta schreiberi tem ainda uma particularidade que o torna único. Na época da reprodução, entre a Primavera e meados do Verão, a cabeça dos machos ganha um tom azul muito forte. Quanto mais forte, maior o sucesso entre as fêmeas. E mais atractivo também aos olhos de todos os que apreciam a Natureza. Uma razão mais para redobrar os esforços para evitar que o lagarto-de-água tenha o mesmo destino de muitas outras espécies que hoje já só fazem parte do nosso imaginário.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Áreas protegidas podem salvar pinguim-do-cabo

A pesca e a fuga dos bancos de sardinha e anchova deixaram esta espécie em perigo. 

A criação de zonas marinhas interditas à pesca tem efeitos imediatos na conservação de espécies ameaçadas no topo da cadeia alimentar, como o pinguim-do-cabo, que se alimenta de peixe com interesse pesqueiro e está a perder na competição com os predadores humanos. É isso que demonstra um estudo publicado na revista científica Biology Letters.

O pinguim-do-cabo (Spheniscus demersus) - uma espécie endémica da região do Cabo, na África do Sul - sofreu uma queda abrupta de 60% entre 2001 e 2009, e em resultado disso está agora classificado como espécie em perigo.

O problema deve-se à escassez de alimento, dizem os cientistas, citados pela Science Daily. Os bancos de sardinha e de anchova, as espécies de que este pinguim se alimenta, emigraram para outras paragens e os que restaram são pescados para a alimentação humana. Mas uma experiência de um grupo de investigadores franco-sul-africanos mostra que criar zonas fechadas à pesca tem um impacto positivo imediato nas populações de pinguins.

Os investigadores do Centro de Ecologia e da universidade de Monpelier, em França, e da universidade sul-africana do Cabo, em colaboração com a agência governamental para as pescas do país africano, interditaram à pesca uma área com cerca de 20 quilómetros de raio em torno do território da maior colónia de pinguins desta espécie, na ilha de Sta. Cruz, em Algoa Bay (Port Elizabeth), desde de Janeiro de 2009.

A 50 quilómetros de distância, na mesma baía, e em volta de uma outra ilha, a Bird Island, onde reside uma outra colónia de pinguins, as actividades pesqueiras mantiveram-se inalteradas.

A equipa estudou o comportamento de procura de alimentos de 91 pinguins das duas colónias em 2008 e em 2009, ou seja, antes e depois do encerramento da área de Sta. Cruz à pesca.

Para isso foram usados aparelhos-miniaturas equipados com GPS e colocados nas costas dos animais, para registar a cada minuto a latitude e longitude dos seus percursos, além da medição da profundidade, segundo a segundo. Os dados recolhidos permitiram aos investigadores avaliar o esforço realizado por cada uma das aves na busca de alimento, com base no tempo de cada percurso, na distância percorrida e no número de mergulhos necessários e a sua profundidade.

Os resultados mostram que em 2008, antes da interdição de pesca em Sta. Cruz, os pinguins daquela colónia faziam 75% dos seus mergulhos em busca de alimento a mais de 20 quilómetros de distância da sua colónia, chegando a percorrer 150 quilómetros em apenas dois dias. Em 2009, três meses depois de a área ter sido encerrada à pesca, 70% dos mergulhos ocorriam a menos de 20 quilómetros da colónia, dentro da área marinha protegida. O tempo gasto na busca de alimento também diminuiu cerca de 30%, o que reduziu os gastos energéticos diários dos pinguins em cerca de 40%.

Na colónia irmã, em Bird Island, os pinguins mantiveram os mesmos padrões de comportamento em 2008 e 2009, mas ainda com maior dispêndio de energia por parte dos animais no segundo período de observação.

De acordo com os cientistas, esta experiência mostra que existem benefícios imediatos na criação de uma área marinha protegida para a preservação das espécies ameaçadas no topo da cadeia alimentar, e confirmou ao mesmo tempo os impactos negativos da indústria de pesca na ecologia dos pinguins-do cabo.

Fonte: Diario de Notícias

Convocatória: votação do projeto-lei que cria a profissão de guarda-parque

A Associação de Guarda-Parques do Amapá informa a todos os guarda-parques capacitados no Amapá que encontra-se em processo de votação na Assembléia Legislativa o projeto de lei que cria os cargos de Guarda-parque e Guarda-florestal no estado Amapá. Para tanto, solicitamos sua ilustre presença no dia 01/03 ás 9:00 horas da manhã, para incentivarmos juntos a aprovação deste processo que beneficiará a todos os capacitados, bem como o estado, que ganhará um grande reforço na proteção de sua biodiversidade. Se voce se importa com a causa, sobretudo com a proteção das UC´s do Amapá, não deixe de comparecer!!!
É muito importante a participação de todos os guarda-parques, por isso, pedimos encarecidamente que divulgue esta informação aos amigos com o qual tem contato para que eles possam comparecer tbm!!! vista sua camisa (se tiver) e vá com ela!

Grata por sua atenção! contamos com vc!

Anselmo Costa e Rayssa Barros- AGPA

Comissária europeia para o Clima embarca em périplo diplomático

A nova comissária europeia para o Clima, Connie Hedegaard, vai embarcar em breve numa viagem diplomática para dar um novo fôlego às negociações, depois dos fracos resultados da cimeira de Copenhaga, em Dezembro passado.

As negociações terminaram com um acordo para limitar a 2ºC o aumento global das temperaturas, em relação a níveis pré-industriais. No entanto, o acordo não é vinculativo e as metas de redução de emissões propostas não são suficientes. Especialistas dizem que com elas o planeta vai aquecer mais 3,5ºC e não 2ºC.

Ontem, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, dirigiu uma carta aos líderes europeus onde defende que o bloco precisa de encontrar uma nova abordagem à política climática internacional.

“A maioria de nós esteve em Copenhaga e penso que ninguém ficou satisfeito com o resultado”, escreveu. “Tínhamos a esperança de que se mostrássemos o exemplo, ao comprometermo-nos com reduções de emissões de 30 por cento, seria suficiente para convencer os outros países. Mas isso não aconteceu. Apesar disso, esta não é a altura para a União Europeia começar a duvidar dos seus compromissos. Isso seria um erro”, insistiu.

“Trabalhar em conjunto para manter as nossas ambições em matéria de alterações climáticas continuará a ser um dos nossos principais desafios para este ano”, garantiu.

“Precisamos que o processo internacional continue, a partir daquilo que acordámos no Acordo de Copenhaga”. “Pedi a Connie Hedegaard, a comissária para a acção climática, para iniciar uma consulta a parceiros internacionais cruciais a fim de encontrarmos formas de revigorar o processo internacional”, acrescentou.

Hedegaard vai visitar várias capitais à procura de alianças, nomeadamente com África, China, Brasil e Estados Unidos.

A chanceler alemã Angela Merkel propôs acolher uma próxima reunião sobre o clima, em Junho em Bona, para preparar a próxima cimeira climática da ONU, em Novembro no México. A questão estará também na ordem do dia nas duas próximas cimeiras europeias, em Março e Junho, em Bruxelas.

Durão Barroso também pediu aos líderes europeus para que não se esqueçam do seu compromisso para, urgentemente, canalizar 7,3 mil milhões de euros em “ajudas climáticas” para ajudar os países pobres a reduzirem as suas emissões e a enfrentarem os impactos das alterações climáticas nas suas colheitas agrícolas.

Em Dezembro, os líderes europeus aceitaram disponibilizar 2,43 mil milhões de euros por ano, durante o período de 2010 a 2012. Mas as negociações de Copenhaga não conseguiram definir os canais de distribuição desse dinheiro.

“Um elemento importante nesta estratégia será a implementação do financiamento a curto prazo”, escreveu Durão Barroso. “Não devemos esquecer que aqueles que trabalhavam mais de perto connosco em Copenhaga eram os países em desenvolvimento, especialmente os mais pobres e vulneráveis”.

Muitos políticos europeus são a favor de mais negociações bilaterais com África.

Fonte: Publico.pt

Biodiversidade marinha da Antárctica na linha da frente das alterações climáticas

Os cientistas já identificaram mais de seis mil espécies no fundo do mar na Antárctica, bem como as zonas mais ricas em biodiversidade. Um estudo do British Antarctic Survey alerta agora que este mundo aquático está prestes a mudar com o aquecimento global.

As mais recentes descobertas relativas à vida marinha na Antárctica foram apresentadas este semana na AAAS (American Association for the Advancement of Science).

O biólogo marinho Huw Griffiths, do British Antarctic Survey (BAS) apresentou os resultados de um censo que começou em 2005 e deu conta da identificação de seis mil espécies que vivem no fundo do mar.

Este investigador, envolvido no Censo da Vida marinha da Antárctica (CAML) – que estuda a distribuição e abundância da biodiversidade marinha naquela região -, salienta que mais de metade daquelas espécies são únicas do continente gelado.

Estudos de monitorização, informação sobre a distribuição de espécies e modelos de aumentos de temperatura oceânicos ajudaram os cientistas a identificar as zonas mais ricas em biodiversidade.

No entanto, o impacto das alterações climáticas já estão a fazer-se sentir neste mundo aquático, numa das regiões do planeta que aquecem mais rapidamente.

Griffiths descreveu como as populações de Krill (os invertebrados que servem de alimento a pinguins, baleias e focas) estão a diminuir como resultado de uma redução da cobertura de gelo no mar. As áreas uma vez ocupadas pelo Krill estão a ser invadidas por um crustáceo muito mais pequeno (copepods). “Isto muda o equilíbrio da cadeia alimentar em benefício de predadores, como as alforrecas, que não são alimento de pinguins e outros predadores de topo”, salienta um comunicado do BAS.

Além disso, a redução da superfície de gelo no mar está a afectar os pinguins que se reproduzem no gelo.

“As regiões polares estão entre os locais do planeta que aquecem mais rapidamente e as previsões sugerem que, no futuro, iremos ter temperaturas mais elevadas nas águas de superfície, um aumento na acidificação dos oceanos e uma redução do gelo marítimo no Inverno”, comentou Griffiths. “Tudo isto tem um efeito directo na vida marinha”.

“Os animais marinhos demoraram milhões de anos a adaptar-se às condições das águas da Antárctica e são extremamente sensíveis à mudança”, salientou. “Os oceanos polares são ricos em biodiversidade. Se as espécies não puderem deslocar-se ou adaptar-se às novas condições, acabarão por morrer. A perda de uma única espécie é uma perda de diversidade global”, sustentou.

O Censo da Vida marinha da Antárctica é uma iniciativa que se insere no âmbito do Ano Polar Internacional para investigar e compreender a abundância da biodiversidade marinha da Antárctica.

Fonte: Publico.pt

Austrália faz ultimato ao Japão para deixar de caçar baleias

O Japão deve deixar de caçar baleias, sob pena de ser levado aos tribunais internacionais, advertiu hoje o primeiro-ministro australiano Kevin Rudd, na véspera de uma visita do chefe da diplomacia nipónica à Austrália.

Rudd garantiu que Camberra vai “trabalhar com os japoneses para reduzir, através da negociação, o número das suas capturas para zero”.

“Se não conseguirmos esse acordo pela via diplomática, deixem-me dizer-vos que vamos apelar ao Tribunal Internacional de Justiça”, advertiu numa entrevista à estação de televisão Channel 7. E mais. Rudd garante que tem provas fotográficas da expedição anual dos baleeiros japoneses nos mares do Sul.

Este ultimato surge na véspera de uma visita do ministro japonês dos Negócios Estrangeiros, Katsuya Okada.

“A caça à baleia pelo Japão tem um fim científico, legal, realizado em águas internacionais em virtude de uma convenção internacional”, defendeu Okada em conferência de imprensa em Tóquio. “Vou explicar a posição do Japão no meu encontro com o primeiro-ministro Rudd”. Okada referiu que pretende abordar “esta questão calmamente, porque a relação bilateral Japão-Austrália é muito importante”. De facto, a Austrália mantém ligações económicas muito próximas com Tóquio, o seu maior mercado de exportação.

O Japão caça os cetáceos ao abrigo da “investigação científica”, prática tolerada pela Comissão Baleeira Internacional que tem em vigor uma moratória à caça com fins comerciais.

Activista neo-zelandês está a bordo do "Shonan Maru 2" a caminho do Japão

Há anos que esta pesca é perturbada por ecologistas, nomeadamente da associação Sea Shepherd, que envia os seus barcos para acompanhar a frota baleeira nipónica. Os activistas afirmam que já conseguiram salvar a vida a centenas de baleias.

Um trimarã ultra-rápido dos activistas, o “Ady Gil”, naufragou depois de uma colisão a 6 de Janeiro com o “Shonan Maru 2”, um dos navios japoneses. Esta segunda-feira, o capitão do barco destruído, o neo-zelandês Peter Bethune, conseguiu subir a bordo deste navio baleeiro para protestar.

Segundo a Sea Shepherd, Bethune pediu ao capitão do baleeiro para “se entregar” por “tentativa de assassinato dos seis membros” do “Ady Gil” e entregou-lhe uma factura de três milhões de dólares (2,2 milhões de euros) pela destruição do seu barco.

O “Shonan Maru 2” abandonou o resto da frota baleeira, que continua activa nas águas da Antárctida, para levar Bethune para o Japão e entregá-lo às autoridades. O navio deverá demorar algumas semanas até chegar ao Japão.

Segundo a New Zealand Press Association (NZPA), o ministro neo-zelandês dos Negócios Estrangeiros, Murray McCully, falou com Bethune e diz que este está a ser bem tratado, a bordo do “Shonan Maru 2”.

Fonte: Publico.pt

Peixes do rio Mondego vão ter ponte para passar sobre açude de Coimbra

Peixes como a lampreia e o sável vão poder passar sobre o açude de Coimbra graças a uma escada, cujo auto de consignação foi assinado ontem, na presença da ministra do Ambiente, Dulce Pássaro.

A escada de peixes representa um investimento de cerca de 3,5 milhões de euros, incluindo IVA, que permitirá conciliar as funções de “um açude-ponte multiusos”, ao nível da rega e do abastecimento de água à indústria, com os objectivos ecológicos, no entender de Dulce Pássaro.

Por outro lado, sublinhou, “a pressão sobre a lampreia e o sável deixa de existir”, o que se traduz também em vantagens económicas para os concelhos do distrito de Coimbra banhados pelo Mondego, possibilitando que aquelas e outras espécies piscícolas ascendam como no passado para as zonas a montante do açude-ponte.

A ministra considera que a escada “tem muita importância” para a salvaguarda da biodiversidade do rio Mondego, especialmente para estas “espécies importantes para a economia da região”. Todos os anos, a gastronomia tradicional à base da lampreia atrai milhares de visitantes a Penacova, Montemor-o-Velho, Coimbra e Figueira da Foz.

Dulce Pássaro lembrou que quando o açude-ponte do Mondego foi construído, nos anos 80, foi instalada uma primeira escada de peixes, a qual “não se revelou tão eficiente como se pretendia”. A nova escada “foi objecto de estudos científicos” e garante “mais segurança para atingir os objectivos”.

O projecto prevê “o controlo do trânsito das espécies para montante e para jusante”, determinante “para obter a avaliação da eficácia da passagem de peixes”, através da instalação de um sistema de monitorização biológica e hidráulica, que terá “funções técnicas, científicas e didácticas”.

Foi igualmente incluída no projecto a construção de uma sala para visitas públicas.

Na cerimónia presidida pela ministra do Ambiente, que homologou no local a adjudicação da obra à empresa Tecnovia Açores, intervieram ainda Teresa Fidélis, presidente da ARHC, José Manuel Proença, do Instituto Nacional da Água, Pedro Raposo de Almeida, professor da Universidade de Évora, e Carlos Encarnação, presidente da Câmara Municipal de Coimbra.

Fonte: LUSA