quinta-feira, 4 de março de 2010

Descobrir o interior desertificado de burro, cavalo, bicicleta ou a pé pela Via Algarviana

Atravessar o interior algarvio desde o Cabo de S. Vicente até Alcoutim em cima de um burro e dormir em antigas escolas primárias é uma das aventuras da 3.ª Grande Travessia da Via Algarviana, evento que arranca dia 20 de Março.

As inscrições para participar na travessia pelo interior algarvio estão esgotadas na versão de bicicleta e a pé, mas ainda é possível participar na caminhada em cima do dorso de um cavalo ou de um burro, explicou João Ministro da associação Almargem, organizadora do evento ecoturístico.

Vão ser 14 dias de caminhada em plena serra algarvia. O percurso vai iniciar-se no Cabo de S. Vicente, junto a Sagres, no concelho de Vila do Bispo, e vai terminar em Alcoutim, explicou João Ministro.

O passeio, que termina dia 2 de Abril, está a ter muita procura, nomeadamente de estrangeiros e imigrantes. “Houve uma grande procura, porque esta via está a tornar-se muito popular. Temos belgas, alemães, austríacos, espanhóis, holandeses, israelitas e portugueses, obviamente”, enumerou o ambientalista.

A Travessia da Via Algarviana é “uma iniciativa promocional do interior algarvio e do seu potencial turístico” que serve principalmente para revelar as aldeias algarvias e as suas actividades culturais, mas também todo o património natural e museológico existente, esclareceu a Almargem, salientando o apoio que todas as autarquias algarvias estão a dar ao evento.

O grupo que vai fazer a caminhada integral e contínua da Via Algarviana vai demorar 14 dias, mas o percurso pode ser feito num menor espaço de tempo de bicicleta todo o terreno, que demora cinco dias, de cavalo ou de burro. Nas últimas duas versões o passeio demora nove dias e onze dias, respectivamente.

O alojamento é gratuito e assegurado pela organização. Segundo João Ministro, os participantes podem pernoitar em antigas escolas primárias ou Casas do Povo, uma oportunidade para conhecer património antigo português, observou, mas opcional.

A alimentação é por conta dos participantes e quem optar por participar na iniciativa a cavalo ou de burro de carga tem de pagar uma inscrição para assegurar o trabalho do guia turístico.

A travessia a cavalo é de 25 de Março a 2 de Abril e a de burro de 23 de Março a 2 de Abril.

Os preços de participação variam entre os 7,5 euros (caminhada) e os 16 euros (cavalo), mas as inscrições para a versão BTT e a pé estão esgotadas, havendo mesmo pessoas em lista de espera, alertou a Almargem.

A Via Algarviana é um projecto nascido em 1995, fruto da conjugação de esforço da Associação Almargem e Algarve Walkers, cujo objectivo foi implementar uma rota pedestre entre o Baixo Guadiana e Sagres para promover o ecoturismo, combate à sazonalidade e à desertificação do interior do Algarve.

Fonte: LUSA

quarta-feira, 3 de março de 2010

Agendada manifestação contra barragens no Tâmega

A Quercus, em conjunto com outras entidades de defesa do Ambiente, agendou para 13 de Março uma manifestação, em Amarante, contra a construção de cinco barragens na sub-bacia do rio Tâmega. Em causa está, de acordo com a associação, o perigo de destruição da biodiversidade da região.

O Governo, através do Programa Nacional de Barragens, projectou a construção de mais dez barragens em Portugal, cinco das quais no Tâmega. O presidente do núcleo do Porto da Quercus, Ricardo Marques, entende que esta é uma decisão irresponsável e imponderada, face à existência de formas mais económicas de produção de energia, que não põem em risco o meio ambiente. O responsável pelo núcleo defende que, após a conclusão do programa, o aumento de produção de energia no país, em cerca de três por cento, não justifica "o investimento nem os danos ambientais". Acrescenta que centenas de hectares da reserva agrícola da região poderão ficar submersos. Nesse sentido, diz não aceitar o argumento, por parte do Governo, de que esta medida trará novos postos de trabalho, já que, em contraponto, o sector agrícola será directamente afectado.

O Movimento Cidadania para o Desenvolvimento do Tâmega abriu uma petição on-line contra a construção da barragem do Fridão, em Amarante, já subscrita por 2230 pessoas. De acordo com o manifesto do movimento, a barragem projectada para esta localidade, "uma construção betonada erigida em pleno leito fluvial", terá 110 metros de altura, "superior à cota de assentamento do núcleo histórico de Amarante".

No sentido de obter um comentário, o PÚBLICO contactou o Ministério do Ambiente, que, até à hora do fecho desta edição, não respondeu.

Fonte: Publico.pt

Curso de Iniciação ao Birdwatching - Estarreja, 10 e 11 de Abril de 2010

No fim-de-semana de 10 e 11 de Abril, o BioRia promove um Curso de Iniciação ao Birdwatching. A Birds & Nature Tours organiza, em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), um curso destinado a interessados com pouca ou nenhuma experiência (nível iniciados).

A parte prática decorrerá nos Percursos do BioRia e nas Salinas de Aveiro e a parte teórica no Centro de Interpretação Ambiental em Salreu. A carga horária é de 16 horas. Com o objectivo de obter um elevado nível de aprendizagem e de participação, os cursos são limitados a 20 participantes.

Local: Centro de Interpretação Ambiental de Salreu / Percurso BioRia e Salinas de Aveiro
Formador: João Jara
Carga horária: 16 horas (10 horas parte prática / 6 horas parte teórica)
Inscrições: email booking@birds.pt | tel 913 299 990
Programa: http://www.birds.pt/pdfs/curso_ini_salreu_10_e_11_abril_2010.pdf


10 Abril

08h30 Encontro no Centro de Interpretação Ambiental de Salreu [Breve enquadramento das actividades a desenvolver; Regras gerais de observação; Material de observação]
09h30 Saída para a parte prática [Local a visitar: Percurso BioRia]
12h30 Almoço
14h00 Continuação da parte prática [Local a visitar: Percurso BioRia]
15h30 Parte teórica [Locais e periodos de observação; Fenologia das Espécies; Migrações; O que é uma Ave; Topografia de uma Ave; Plumagem e Padrões de Muda; Critérios de identificação]
16h45 Intervalo
17h00 Principais espécies [Aves aquáticas, Rapinas, Passeriformes]
18h15 Final

11 Abril

08h30 Encontro no Centro de Interpretação Ambiental de Salreu [a partir deste local, um autocarro do Município de Estarreja transportará os participantes para o local da parte prática. Local a visitar: Salinas de Aveiro]
12h30 Almoço
14h00 Continuação da parte prática [Local a visitar: Salinas de Aveiro]
15h30 Parte teórica [Principais espécies: Patos, Limícolas e Gaivotas]
16h45 Intervalo
17h00 Revisão e identificação das espécies observadas
18h15 Final

Indicações
* Para chegar ao Centro de Interpretação Ambiental de Salreu: seguindo a Estrada Nacional 109 que atravessa o Concelho de Estarreja e a freguesia de Salreu, seguir as indicações “Percurso de Salreu - BioRia” (coordenadas GPS: 40°43'56"N, 8°34'4"W).


Cursos de Birdwatching

A Birds & Nature organiza cursos de birdwatching. Estes cursos destinam-se a interessados com diferentes níveis de experiência e de interesses e incluem temas como a iniciação ao birdwatching, a identificação de grupos específicos de aves, a identificação de aves de determinadas áreas geográficas e assuntos como a fotografia ou a ilustração de aves.

Relativamente a este programa de cursos, a Birds & Nature estabeleceu um contrato de parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), entidade pública que tutela as áreas protegidas de Portugal. Ao abrigo deste acordo, o ICNB co-organiza e divulga os cursos de birdwatching da Birds & Nature, reconhecendo assim o interesse deste programa como forma de dar a conhecer o património natural das áreas protegidas portuguesas.

Os cursos compreendem uma parte prática e uma parte teórica; esta última, no entanto, incide essencialmente em aspectos como o trabalho de identificação com fotografias e o treino de audição de cantos e vocalizações. Cada curso tem geralmente uma duração de 2 dias, decorrendo habitualmente durante um fim-de-semana.

Este curso de birdwatchig é a segunda edição e uma aposta forte do BioRia dado o potencial que a região onde os percursos estão inseridos.

No próximo fim de semana o BioRia vai estar representado através da Região de Turismo do Centro na “Extremadura Birdwatching Fair”- Feira Internacional de Turismo ornitológico de 26 a 28 de Fervereiro.

Fonte: http://www.cm-estarreja.pt/

Quercus vê na instalação de loja da Decathlon ameaça ao montado de sobro

A instalação de uma loja da Decathlon em Setúbal, projecto que em Fevereiro obteve estatuto de Imprescindível Utilidade Pública, representa mais uma ameaça ao montado de sobro, denuncia hoje a Quercus.

Hoje termina a consulta do acompanhamento público relativo ao Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do projecto. A Quercus vem hoje sublinhar que deu parecer negativo ao Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução.

“Durante todo o período de acompanhamento público, a informação sobre o projecto não esteve disponível” no site da CCDR-LVT, “facto que pode ter condicionado a participação” pública, denuncia a associação em comunicado.

Em causa está a instalação da loja da Decathlon no Vale de Ana Gomes, freguesia de S. Sebastião e fora da área urbana de Setúbal. No local existe “uma linha de água que não deve ser afectada, zonas de espaço verde de protecção e um povoamento de sobreiros em bom estado de conservação”. Apesar disso, lembra a associação, o Governo emitiu um despacho com uma Declaração de Imprescindível Utilidade Pública, a 5 de Fevereiro, “para favorecer a viabilização do abate de sobreiros deste projecto, eminentemente privado, violando manifestamente a legislação de protecção do sobreiro, constituindo mais um processo escandaloso”. Segundo a Autoridade Florestal Nacional estarão em causa 231 sobreiros para abate.

No entanto, critica a Quercus, não foram “avaliadas alternativas à sua localização, situação inaceitável”, e as minimizações ou compensações dos impactos são insuficientes, no seu entender.

Outra crítica é o facto de o projecto não estar em conformidade com o Plano Director Municipal (PDM) de Setúbal.

Fonte: Publico.pt

Presidente da República concede alto patrocínio à iniciativa Limpar Portugal

A iniciativa "Limpar Portugal", destinada a promover uma mega operação de limpeza do país no dia 20, recebeu hoje o alto patrocínio do Presidente da República, disse à Lusa um dos coordenadores do projecto.

Após uma audiência com Cavaco Silva, em Belém, Paulo Torres referiu que a organização se sentiu "honrada" com o encontro e por ver as suas expectativas correspondidas.

"O apoio que pedimos foi que participe como voluntário e que nos dê o seu apoio institucional, o que nos foi concedido. O Presidente teve a amabilidade de nos conceder o alto patrocínio", afirmou.

"Este apoio poderá abrir-nos muitas portas e gerar outros apoios, a nível de divulgação e de meios", acrescentou.

Quanto à eventual presença do chefe de Estado numa acção de limpeza, Paulo Torres adiantou que Cavaco Silva se disponibilizou de imediato para participar com a esposa caso a sua agenda o permita.

Inspirada num projecto desenvolvido na Estónia em 2008, o "Limpar Portugal" foi lançado com o objectivo de reunir num só dia 100.000 voluntários para recolher o lixo de florestas e zonas verdes de todo o país.

A organização espera, contudo, ultrapassar este número de participantes e receber a associação de mais autarquias.

Até ao momento, estão já ligadas à iniciativa 145 câmaras e mais de 1000 freguesias.

A identificação dos pontos que requerem limpeza e a definição das actividades está a ser organizada pelos vários grupos que se estão a organizar localmente.

As informações sobre o projecto estão disponíveis na Internet (http://www.limparportugal.org/).

Fonte: LUSA

Poluição: Herbicida torna rãs machos em fêmeas

A atrazina, um dos herbicidas mais comuns na agricultura, no mundo, afecta as rãs machos, induzindo a feminização de um em cada dez destes animais. A descoberta foi feita por investigadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e publicada online na revista Preceedings of the National Academy of Sciences.

De acordo com os dados da equipa coordenada pelo biólogo Tyrone B. Hayes, 75 por cento dos machos ficam quimicamente castrados devido ao efeito da atrazina, o que os impede de se reproduzirem.

"As rãs machos não produzem testosterona e por isso não têm nada do que a testosterona implica, incluindo o esperma. Em alguns casos, a sua fertilidade não é mais do que dez por cento do normal", explicou o coordenador dos estudo, citado pela Science Daily.

A conclusão do cientista é clara: "Num ambiente em que têm de competir com animais da mesma espécie não expostos [àquele químico] eles não têm hipóteses de se reproduzir."

Por outro lado, dez por cento dos machos expostos à atrazina tornam-se fêmeas, algo que não ocorre naturalmente nos anfíbios, e estas podem acasalar com machos. Mas como são geneticamente machos, a descendência é composta apenas por machos.

O estudo foi feito em laboratório, mas existem evidências de que o mesmo efeito ocorre com as rãs no ambiente natural quando em contacto com a atrazina.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 2 de março de 2010

Livro: Conservación privada y comunitaria en los países amazónicos

Este libro presenta un estudio sobre la conservación privada y comunitaria en los países amazónicos. Tiene el doble propósito de informar sobre lo que viene pasando en la región, así como buscar elementos comunes y oportunidades que permitan mejorar la articulación entre los propietarios individuales y comunitarios que apuestan por planes de vida sostenibles basados en el buen uso de la tierra y las organizaciones y personas que trabajan en estos países impulsando estrategias de conservación.

En este sentido, el libro contiene una sistematización de las distintas herramientas legales e incentivos diseñados e implementados para promover y dar seguridad jurídica a las iniciativas de conservación privadas y comunitarias en Bolivia, Brasil, Colombia, Ecuador, Guyana, Guayana Francesa, Peru, Surinam y Venezuela. El libro presenta reportes de la situación actual de las estrategias de conservación privadas y comunitarias en cada uno de estos países y un análisis comparativo, este último disponible en español e inglés. 
Bruno Monteferri y Diego Coll

Mais informação e download do livro em: http://www.actualidadambiental.pe/?p=4307

Boletim GUARDAPARQUES nº 96 - Edição de Março de 2010




Já está disponível o Boletim "Áreas Naturais Protegidas ... e GuardaParques" nº 96 de Março de 2010, com a edição de Daniel Paz Barreto. Muita informação relacionada com a comunidade mundial de Vigilantes da Natureza, sobretudo da América Latina.

Download (pdf)

Formigas do deserto orientam-se com mapas de odores

Insectos usam as duas antenas para cheirar em estéreo.

Vêem, mas acima de tudo cheiram. E por causa disso conseguem produzir um sofisticado mapa de odores do local onde se encontram para regressarem direitinhas ao ninho. Se assim não fosse, as formigas do deserto da espécie Cataglyphis fortis perder-se-iam irremediavelmente.

A descoberta é de uma equipa de investigadores do Instituto Max Planck em Jena, na Alemanha, que estudou e treinou formigas daquela espécie no deserto da Tunísia para perceber a sua estratégia de orientação naquela paisagem desolada. O artigo foi publicado na Frontiers in Zoology.

Markus Knaden, Kathrin Steck e Bill Hansson seguiram a pista das formigas no deserto e verificaram que elas saem todos os dias do ninho para procurar alimento. Afastam-se no máximo cerca de cem metros e quando encontram o que querem regressam imediatamente a casa.

Os investigadores identificaram por cromatografia as assinaturas químicas dos odores que as formigas utilizam para se orientarem de regresso ao ninho, através do deserto - cada micro-habitat tem uma assinatura específica que as formigas conseguem reconhecer.

Em seguida, a equipa treinou formigas para estas reconhecerem odores associados à entrada do seus ninhos e fizeram experiências para testar a sua capacidade de reconhecimento daqueles odores específicos, no meio de outros, colocando-as em lugares desconhecidos para elas. E as formigas foram direitinhas ao local com o odor ao qual tinha sido associado o seu ninho durante a fase de aprendizagem.

"Conseguiram aprender a reconhecer os odores e a orientar-se no terreno", explicou o cientista Markus Knaden, citado pela BBC News.

O segredo das formigas é que elas reconhecem os cheiros com as duas antenas e não com uma apenas. Ou seja, elas cheiram em estéreo, como acontece também com os ratos.

Para Markus Knaden, é uma estratégia de sobrevivência numa região extrema. "O deserto hostil parece exigir uma capacidade de orientação que combine qualquer pista disponível", afirmou à BBC News. A equipa quer estudar a seguir a relação entre o odor e a visão no contexto desta estratégia.

Fonte: Diário de Notícias

Comissão Europeia autoriza cultivo de batata transgénica

A Comissão Europeia anunciou hoje que autorizou o cultivo de uma espécie de batata geneticamente modificada, produzida pelo grupo alemão BASF. Esta é a primeira luz verde deste tipo dos últimos 12 anos na União Europeia, onde os transgénicos ainda suscitam acesa controvérsia.

A batata Amflora é um tubérculo concebido pela BASF destinado ao uso industrial, como a produção de papel, e à alimentação animal. Esta autorização põe fim a um processo que começou em Janeiro de 2003 na Suécia.

Além disso, Bruxelas também aceitou a comercialização, mas não o cultivo, de três variedades de milho transgénicas do grupo Monsanto, derivadas do MON 863 - MON863xMON810, MON863xNK603 e MON863xMON810xNK603 - segundo um comunicado do executivo europeu.

Estas autorizações são válidas por dez anos.

“Depois de uma vasta e profunda análise aos pedidos existentes sobre transgénicos, tornou-se claro para mim que não existem questões científicas que exijam mais estudo. Todas as questões científicas, especialmente as relativas à segurança, foram totalmente levadas em conta”, comentou o comissário europeu para a Saúde e Consumo, John Dalli. O comissário lembrou que estas decisões se basearam nos estudos da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar.

Paralelamente a estas autorizações, a Comissão Europeia lançou hoje uma reflexão sobre como combinar um sistema de autorização, baseado na ciência, com a liberdade dos Estados membros para decidir se querem ou não cultivar OGM.

Itália critica decisão de Bruxelas

O ministro italiano da Agricultura foi dos primeiros a criticar a decisão tomada por Bruxelas e apelou aos outros países europeus para fazerem uma "frente comum" contra os OGM.

"Somos contra a decisão assumida hoje pela Comissão Europeia de autorizar o cultivo de uma batata geneticamente modificada", declarou Luca Zaia, em comunicado.

"Romper com a prudência que tem sido respeitada desde 1998 é um acto que arrisca modificar profundamente o sector primário europeu. Mais. Não nos reconhecemos nesta decisão e voltamos a insistir que não permitiremos que ela ponha em causa a soberania dos Estados membros na matéria", acrescentou.

O Governo italiano vai avaliar qual a possibilidade de promover uma frente comum de todos os países que se queiram unir para "defender a saúde dos cidadãos e os agricultores", salientou.

Ecologistas europeus dizem-se "chocados"

Os ecologistas no Parlamento Europeu dizem-se "chocados" com a autorização dada por Bruxelas.

"Estou chocado por ver que o comissário para a Saúde e protecção dos consumidores, John Dalli, precisou apenas de algumas semanas nas suas novas funções para mostrar um apoio assim tão flagrante aos interesses industriais", considerou o eurodeputado dos Grupo dos Verdes, Martin Häusling.

"Existem sérias preocupações quanto ao gene" da batata Amflora "que é resistente aos antibióticos", acrescentou, lembrando que se mantêm "as dúvidas sobre as possíveis consequências sobre a saúde humana e o ambiente".

A luz verde de Bruxelas é, "no melhor dos casos inútil e no pior, perigosa", considerou.

"Esta decisão de retomar as autorizações de disseminação de OGM no Ambiente, abandonando o debate sobre os seus riscos, é inaceitável", disse a liberal francesa Corinne Lepage, vice-presidente da Comissão de Ambiente no Parlamento Europeu.

A decisão "constitui uma verdadeira declaração de guerra contra os cidadãos europeus, maioritariamente contrários aos cultivos OGM, da parte de (José Manuel) Barroso", o presidente da Comissão, acrescentou.

A organização Amigos da Terra também denunciou estas autorizações. "É um dia mau para os cidadãos europeus e para o Ambiente", disse em comunicado.

Fonte: LUSA, Publico.pt

Quercus exige avaliação ambiental de indústria química na Figueira da Foz

A Quercus solicitou a intervenção urgente da ministra do Ambiente para impedir que uma indústria de resinas, em instalação na Figueira da Foz, seja licenciada sem, alega a associação ambientalista, ter sido sujeita a avaliação ambiental.

Em comunicado, a Quercus alega que o procedimento para atribuição de licença ambiental à United Resins, indústria química de fabrico de resinas, está em curso "sem que a mesma tenha sido sujeita a avaliação de impacte ambiental (AIA)".

A decisão de isentar o projecto de AIA foi tomada, segundo a Quercus, pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), em Abril de 2009, depois de a mesma entidade, em Fevereiro do mesmo ano, "e bem", ter considerado que a instalação da fábrica carecia daquele procedimento.

A Quercus considera "absolutamente incompreensível" a alteração de entendimento por parte da CCDRC, "aparentemente com base em indicações sugeridas pelo próprio promotor".

Diz a associação que na base da decisão de isentar a empresa de avaliação ambiental está a alegação de que a área da unidade técnica, "onde serão manipuladas substâncias perigosas", tem menos de um hectare. "Tal entendimento configura uma inversão inaceitável da lógica do princípio da precaução", frisa a Quercus, classificando a situação de "precedente gravíssimo" e exigindo a intervenção da tutela.

Fonte do Ministério do Ambiente garantiu, no entanto, não ter recebido "qualquer pedido de intervenção" por parte da Quercus.

Já Alfredo Marques, presidente da CDDRC, admitiu que, num primeiro momento e baseada "em dados genéricos", por se tratar de uma indústria química, aquela entidade entendeu ser necessária a AIA, mas que esse entendimento foi mais tarde alterado por parecer técnico, baseado em "dados específicos".

"A empresa não produz produtos perigosos e o que vende também não é perigoso. Apenas importa produtos perigosos que são utilizados naquilo que produz, armazenados e manuseados num espaço extremamente restrito", explicou.

"É um espaço inferior ao que diz a lei [menos de um hectare] para serem obrigados a avaliação de impacte ambiental. Foi por isso, e exclusivamente por isso, que foram dispensados de a apresentar", garantiu Alfredo Marques.

Alterações climáticas: Metano no Árctico ameaça a vida

Um dos maiores temores dos cientistas que acompanham as mudanças climáticas está no fundo congelado do oceano Árctico. Sob o leito do mar estão os maiores depósitos de metano, um gás várias vezes mais poderoso do que o dióxido de carbono para aumentar a temperatura da Terra e destruir o clima que conhecemos desde os primórdios da civilização.

Cientistas registaram um aumento da libertação de mais 30% na quantidade desse gás metano da camada subterrânea de gelo permanente do Árctico, nos últimos quatro anos. Isto devido ao aquecimento das correntes marítimas na zona e ao derretimento do permafrost (solo congelado), que retém milhares de milhões de toneladas de metano, o que deve levar a um aumento de 10 graus centígrados na temperatura média da região até 2100.

Os depósitos de metano são importantes porque os cientistas crêem que o seu escape foi responsável, em épocas passadas, por mudanças climáticas bruscas e até pela extinção de muitas espécies.

É a primeira vez que a libertação de metano do fundo do mar é identificada na história recente da Terra. Embora a maior parte do metano se dissolva na água, parte chega à atmosfera e incrementa o aquecimento global.

Acredita-se que o metano contribuiu para os grandes períodos de aquecimento rápido da história da Terra, quando houve também grandes extinções de espécies. O detalhe é que esses grandes aumentos de temperatura do Planeta, provocados por fenómenos naturais, levaram milhares de anos para ocorrer, enquanto a mudança climática actual, provocada por emissões poluentes humanas, é medida em décadas.

Até recentemente, esta região de permafrost era considerada estável, mas agora os cientistas acreditam que a libertação de um gás de efeito-estufa tão poderoso pode acelerar o aquecimento global.

Fonte: Correio da Manhã

segunda-feira, 1 de março de 2010

THE THIN GREEN LINE - Edição de Janeiro-Março de 2010

A primeira edição 2010 do boletim informativo online (newsletter) da International Ranger Federation (IRF) - THE THIN GREEN LINE, já está disponível.
De salientar a publicação do artigo "Crónicas de um Vigilante da Natureza" da autoria de Francisco Correia, presidente da APGVN.

Download da edição (pdf) em inglês

Comissão Europeia lança consulta pública sobre florestas e alterações climáticas

A Comissão Europeia lançou hoje uma consulta pública sobre a protecção das florestas, os recursos florestais e o estado em que estes se encontram para tentar reunir informações que orientem as políticas em relação às alterações climáticas.

As respostas ao Livro Verde sobre a protecção das florestas contra as alterações climáticas - que podem ser dadas até 31 de Julho - irão orientar as propostas da Comissão Europeia para uma actuação a nível da União Europeia (UE) em relação a este sector.

Segundo dados de Bruxelas, as florestas e outros terrenos arborizados cobrem cerca de 176 milhões de hectares da UE (mais de 42 por cento do território da União). Nos últimos 60 anos, a área florestal tem aumentado continuamente e representa hoje cinco por cento da floresta mundial.

Na sua maioria, as florestas da UE têm crescido em termos de volume de madeira e reservas de carbono, removendo assim mais dióxido de carbono (CO2) da atmosfera.

Globalmente, a desflorestação, sobretudo nos países desenvolvidos, e outras reafectações dos solos são agora responsáveis por cerca de 12 a 15 por cento das emissões mundiais de CO2, segundo dados recentes.

No último século, as temperaturas médias na Europa aumentaram quase um grau centígrado e as previsões mais optimistas apontam para um aumento de dois graus centígrados até 2100.

As alterações climáticas estão a afectar a capacidade natural de adaptação dos ecossistemas e alterarão a adequação de regiões inteiras para certos tipos de floresta, deslocando a distribuição natural das espécies e provocando mudanças no crescimento dos povoamentos existentes. Fenómenos extremos como tempestades, incêndios florestais, secas e vagas de calor deverão tornar-se muito mais comuns aumentando assim a pressão sobre as florestas.

Fonte: LUSA

Temporal na Madeira é "mais um sinal de um mundo que está em mudança"

Portugal “vai viver muito as alterações climáticas” e a violenta tempestade na Madeira é apenas mais um sinal de uma tendência global, defende António Baptista, director do centro norte-americano de Ciência e Tecnologia para a Observação de Margens Costeiras.

“Nenhum evento por si próprio é sinal de alterações climáticas. Não foi a primeira vez que aconteceu [uma tempestade na Madeira]. Há registos idênticos de há 30 ou 40 anos. Pode sim observar-se um conjunto vasto [de fenómenos] dos últimos anos (...) que representa um mundo que está em mudança”, disse António Baptista em entrevista à Lusa nos Estados Unidos.

Outros fenómenos invulgares nas zonas costeiras são o aparecimento de tipos de peixes em zonas onde historicamente não têm presença ou até a morte inexplicável de grande quantidade de espécimes.

“Quando posto num contexto de vários eventos extremos que estão a acontecer, temos indicação de que há mudança. (...) Faz sentido dizer que há mudanças profundas, mas não sabemos quais são”. As causas, afirma, estão lá: os gases com efeito de estufa estão a aumentar, o que tem influência directa na radiação solar e na temperatura. “Há causas básicas de mudança, estamos a ver os efeitos e temos de percebê-los”, disse.

Residente há mais de 20 anos nos Estados Unidos, e com fortes laços com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) português, Baptista foi um dos oradores do Encontro de Ciências do Oceano, que decorreu na semana passada em Portland, Estados Unidos.

Formado em engenharia civil na Academia Militar, fez mestrado e doutoramento no Massachussetts Institute of Technology nos anos 1980 e hoje é professor na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, além de diretor do centro para as zonas costeiras.

Pelas características geográficas - uma grande costa em relação à área total - Portugal “deve ser olhado como indicador” do impacto das alterações climáticas nas zonas costeiras, a nível internacional, acredita Baptista.

“As mudanças serão significativas, só não se pode saber quais”, afirmou o investigador.

Noutros pontos do planeta, os dados recolhidos apontam para maior variabilidade e maior frequência de ocorrência de tempestades, mas por enquanto “é difícil provar qual vai ser a mudança”.

“Não é possível voltar ao passado nas zonas costeiras. É preciso antecipar agora, tomar as medidas necessárias para ter zonas saudáveis, que permitam aos animais ser saudáveis e aos homens também. Não há ambiguidade ou dúvida. É profunda e irreversível a mudança”, afirma.

“Pode discutir-se qual é a grandeza das mudanças climáticas a nível global, mas não há dúvida de que os gases com ‘efeito de estufa’ estão a aumentar de forma espetacular. (...) A questão agora não é julgar a sociedade pelo que fez para que chegássemos a isto, mas olhar para o futuro e perceber o que fazer para gerir melhor os recursos”.

Investigador português nos EUA lidera projecto inovador de monitorização da costa

Um projecto inovador do centro norte-americano de Ciência e Tecnologia para a Observação de Margens Costeiras, liderado pelo português António Baptista, pretende acompanhar em tempo real o comportamento, cada vez mais imprevisível, dos ecossistemas costeiros.

“O Centro foi criado com a premissa de que há hoje uma necessidade chave de ter melhor conhecimento das zonas costeiras e de poder tê-la disponível de forma útil. Mas envolve uma série complicada de desafios”, disse Baptista em entrevista à Lusa.

Sobretudo, afirma o professor da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, as alterações climáticas e a acção humana sobre os ecossistemas costeiros faz com que hoje estes se comportem de uma maneira que os cientistas têm dificuldade em perceber.

A resposta pode passar pelo desenvolvimento de processos científicos para zonas costeiras com base num novo tipo de tecnologias, chamadas “collaboratories”.

Estas permitem que as observações feitas no terreno sejam disponibilizadas em tempo real aos investigadores e grupos envolvidos, através de uma central de transmissão de dados.

“A integração de sensores, modelos computacionais e tecnologias de informação e pessoas é um conceito que tem estado a ganhar força. Temos sido pioneiros no meu centro, que mantém colaborações com diversas universidades, vários parceiros académicos, empresariais e do próprio Estado” norte-americano.

O rio Columbia, o maior do noroeste dos Estados Unidos, que faz a fronteira entre estados de Washington e Oregon e desagua no Oceano Pacífico, tem sido cenário de pesquisas.

A equipa de António Baptista dispõe de um sistema piloto com estações de observação que recolhem informação em tempo real sobre níveis, correntes e mesmo de nutrientes ou quantidade de carbono, “indicadores de mudança profunda das zonas costeiras”.

Têm sido diversos os fenómenos atípicos registados na área: desde o declínio dos cardumes de salmão ao aparecimento de chocos, que acabaram por entrar temporariamente na dieta dos ursos. “Foi surpreendente do ponto de vista dos ecossistemas. Até há 10 anos não se viam chocos nestas paragens”, afirma Baptista.

“Todos estes processos têm de ser estudados para permitir antecipar em vez de reagir”, afirma.


Fonte: LUSA

Área de agricultura biológica na UE aumentou 21% entre 2005 e 2008

A área que ocupa a agricultura biológica na União Europeia chegou aos 7,8 milhões de hectares em 2008, depois de ter registado um aumento de 21 por cento entre 2005 e 2008, segundo dados do Eurostat divulgados hoje.

Em 2008, os cinco Estados membros com a maior área de agricultura biológica na UE a 27 eram Espanha (1,3 milhões de hectares), Itália (mil milhões), Alemanha (900 mil), Reino Unido (700 mil) e França (600 mil). Portugal tinha 233 mil hectares, ou seja, três por cento do total da UE.

De acordo com os dados do Eurostat, em 2007 a área de agricultura biológica representava apenas 4,1 por cento da área agrícola total na UE. Os países com maior proporção de culturas biológicas eram, nesse ano, a Áustria (15,7 por cento), a Suécia (9,9 por cento) e Itália (8,9 por cento). Em Portugal, essa percentagem era de 6,7 por cento.

Entre 2007 e 2008, a área biológica aumentou em todos os países, à excepção de Itália.

Ainda segundo o Eurostat, em 2008, a cultura agrícola mais cultivada eram os cereais, representando 44 por cento da área agrícola orgânica.

Relativamente a Portugal, os cereais representavam 74,7 por cento da produção nacional biológica, seguidos da forragem (23,3 por cento), culturas indústriais (1,9 por cento) e legumes (0,1 por cento).

Fonte: Publico.pt

Espécies de felinos muito raras captadas por câmaras vídeo no Bornéu

A 24 de Fevereiro, o Grupo de Especialistas em Felinos da UICN (União Internacional de Conservação da Natureza) revelou imagens inéditas de espécies de felinos muito raras, captadas por câmaras vídeo na Reserva Florestal de Dermakot, no estado de Sabah, na ilha do Bornéu, Malásia. São elas o gato-vermelho-de-bornéu (Catopuma badia), gato-leopardo-asiático (Prionailurus bengalensis), gato-de-cabeça-chata (Prionailurus planiceps) e a Pantera-nebulosa de Bornéu (Neofelis diardi).


 Gato-leopardo-asiático (Prionailurus bengalensis)

Gato-vermelho-de-bornéu (Catopuma badia)

 Gato-de-cabeça-chata (Prionailurus planiceps)

Pantera-nebulosa de Bornéu (Neofelis diardi)

Fotos: Sabah Wildlife Department e Sabah Forestry Department/Cat News/A. Wilting and A. Mohamed

Fonte: Publico.pt

Caça à baleia cria efeito de estufa, afirma cientista

Ao longos do último século, a caça à baleia resultou na libertação de uma quantidade de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera equivalente à destruição de 130 mil quilómetros quadrados de florestas.

A afirmação foi feita na passada quinta-feira por Andrew Pershing, um especialista norte-americano que trabalhou vários anos com uma equipa da Universidade de Maine para calcular a "pegada" de CO2 de décadas de caça industrial aos grandes cetáceos no último século.

Num encontro de ciências oceânicas, promovido pela Sociedade Norte-Americana de Geofísica, a equipa de Pershing comparou as baleias às "árvores do oceano", devido às quantidades de CO2 acumuladas nos seus grandes corpos. Quantidades que, segundo os investigadores, eram libertadas quando os baleeiros desmanchavam os animais à superfície.

"As baleias, como qualquer outro animal ou planta do planeta, são compostas numa grande percentagem de dióxido de carbono. E quando se mata uma baleia, removendo-a do oceano, está-se a retirar o CO2 do seu sistema de armazenamento e possivelmente a libertá-lo na atmosfera", disse o principal responsável pelo estudo.

Por outro lado, lembraram os investigadores, no passado era frequente o recurso ao óleo de baleia como combustível para as lamparinas, o que terá também potenciado a libertação de gases de efeito de estufa na atmosfera.

Em circunstâncias normais, defendeu Andrew Pershing, o CO2 contido nos corpos das baleias conserva-se por centenas ou milhares de anos nos oceanos. Estes animais são enormes, são predadores de topo, por isso a menos que sejam capturados, o mais provável é que [após a morte] deixem a sua biomassa no fundo do Oceano", explicou.

As conclusões deste estudo foram recebidas com alguma cautela. Mesmo por especialistas ligados a organizações defensoras da natureza. Em declarações ao site noticioso russo Ria Novotsku, Vasily Spiridonov, consultor do programa para os Oceanos do World Wildlife Fund (WWF) relativizou o peso da captura de cetáceos nas alterações climáticas.

"É óbvio que a quebra dramática nas populações de baleias alterou significativamente os ecossistemas oceânicos", admitiu. "No entanto, não creio que a caça à baleia tenha tido impacto significativo nos níveis de dióxido de carbono da atmosfera da Terra."

Os autores do estudo reconheceram que, por comparação com outras actividades industriais desenvolvidas pelo homem, a caça à baleia teve uma expressão relativamente pequena. Porém, insistiram que o seu impacto não deve ser desvalorizado. Até por se tratar, porventura, de uma das primeiras actividades humanas com estas consequências.

Com várias espécies de baleias à beira da extinção, a Comissão Baleeira Internacional (IWC) introduziu uma moratória à caça, em 1986, de forma a permitir a recuperação das populações destes cetáceos.

Porém, pelos menos nove países são responsáveis por centenas de capturas anuais: as elhas Féroe, a Gronelândia, a Islândia, a Indonésia,a Noruega, o Japão, o Canadá, a Rússia e os Estados Unidos. Em parte destes países a pesca é justificada com tradições de grupos minoritários, enquanto noutros (como o Japão) o pretexto é a pesquisa científica.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Portugal apresenta candidatura ao Congresso Mundial de Vig. da Natureza

A Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza (APGVN) entregou, hoje, a candidatura de Portugal à organização do próximo Congresso Mundial da International Ranger Federation (IRF) a realizar em 2012.
A International Ranger Federation (IRF) foi fundada em 1992, tendo como objectivo melhorar os padrões profissionais dos Ranger’s (Vigilantes da Natureza) em todo o mundo. As suas acções têm como finalidade cumprir com os objectivos da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), pretendendo compartilhar conhecimentos e recursos, e estabelecer comunicações a nível global com os seus filiados, promover o intercâmbio profissional e promover Congressos Mundiais a cada três anos, representar os Ranger’s e defender os seus interesses noutras organizações internacionais onde tem representatividade.
A IRF patrocinou seis Congressos Mundiais, o primeiro foi realizado em Zakopane na Polónia em 1995; o segundo em San José, Costa Rica em 1997; o terceiro no Kruger Park, na África do Sul em 2000; seguiu-se em 2003 o de Victoria na Austrália; o de Stirling, na Escócia em 2006 e o último em Santa Cruz na Bolívia em 2009.
Participam nestes eventos os representantes das associações filiadas na IRF. Os mais de quatrocentos delegados discutem os problemas que atingem a profissão a nível global, procuram e debatem soluções para que o seu desempenho possa ser melhorado e a Natureza seja melhor protegida.
A APGVN escolheu como local para a realização do evento a cidade do Funchal, esta distinção é uma forma dos Vigilantes da Natureza homenagearem os corajosos habitantes da Região Autónoma da Madeira e dos seus valorosos companheiros de profissão.
A APGVN tem a convicção que os danos provocados pela intempérie ocorrida recentemente na Madeira estarão praticamente resolvidos na data da realização do Congresso Mundial. Sabemos que é uma região altamente preparada para receber pessoas de todo o mundo. Esta região está capacitada a todos os níveis para acomodar um grande número de participantes, possuindo larga experiência na recepção de grandes grupos para encontros, congressos e reuniões.

A APGVN irá preparar com muita ponderação o tema principal a apresentar a debate, porque esta será uma oportunidade única para analisar os assuntos que realmente preocupam e afectam a profissão. Para além do Congresso a APGVN, prepara um conjunto de visitas às Áreas Protegidas existentes no Arquipélago da Madeira. A visita à Reserva Natural das Ilhas Desertas, na embarcação do Parque Natural da Madeira, denominado “Buteo”, uma antiga embarcação de transporte de peixe. Com esta visita os congressistas terão a oportunidade de observar a Foca mais ameaçada do Planeta, a Foca-monge (Monachus monachus), poderão ainda descobrir aves marinhas, como o Roque de Castro (Oceanodroma castro) e a espécie endémica da Madeira, Freira do Bugio (Pterodroma feae), e muitas outras espécies que habitam este território selvagem. Outro dos pontos altos das visitas será à Reserva Natural do Garajau, uma reserva exclusivamente marinha, onde se proporcionarão expedições em mergulho de escafandro. Está planeada uma visita à floresta Laurissilva, considerada uma relíquia florestal, sendo a nível dos Arquipélagos que formam a Macaronésia a que corresponde à melhor e mais extensa mancha florestal de Floresta Laurissilva Mundial, possuindo a classificação de património natural mundial da UNESCO. Iremos também visitar a ponta mais a Este da Ilha da Madeira, a Reserva Natural da Ponta de S. Lourenço, que nos proporcionará um fascinante passeio pedestre, que para além da observação da vida natural, nos oferecerá o contacto com os dois lados da costa Madeirense.
A APGVN aguarda com expectativa e com grande esperança a decisão da IRF, que no final de Maio irá divulgar qual dos países candidatos será o escolhido para acolher tão importante evento a nível mundial.

A Direcção da APGVN


População de mico-leão-dourado quintuplica em área florestal do RJ

Os registros feitos por um frei português conhecido como Thevet, em visita ao Brasil poucas décadas depois do “Descobrimento”, em 1558, descrevem um pequeno primata de pelo dourado cor de fogo e beleza estonteante, adotado pelos índios como animal de estimação. A juba ao redor da cabeça rendeu à espécie Leontopithecus rosalia, então abundante no país, o apelido de mico-leão-dourado.

Séculos depois, esses bichos foram classificados como criticamente ameaçados de extinção, situação que começou a mudar com o início de um projeto coordenado pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) na Área de Proteção Ambiental da bacia do Rio São João. Agora, os cientistas dizem que o mico-leão-dourado tem chances não só de escapar da ameaça que a caça e o desmatamento representam como pode ajudar na preservação de outras espécies.

Isso porque, segundo os especialistas, o primata reúne características ecológicas de diversos outros animais, como a alimentação diversificada e a necessidade de abrigar-se em habitats variados, por exemplo encostas e baixadas. Dessa forma, ao criar mecanismos que protegem o mico-leão, o projeto da Uenf desenvolve condições que beneficiam também as outras espécies existentes na bacia.

Segundo o coordenador do estudo, o professor da Uenf Carlos Ruiz, quando o projeto teve início, em 1983, havia 300 micos-leões-dourados na região. “Estabelecemos metas por meio da análise de viabilidade de população. Com isso, conseguimos ampliar o número de animais para 1.600, habitando uma área de 13 mil hectares de florestas”, afirma. A meta dos pesquisadores da universidade e das entidades parceiras da iniciativa, como a Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD), é chegar a um número mínimo de 2 mil primatas ocupando 25 mil hectares de áreas conectadas e protegidas.

A estratégia de conservação florestal é chamada de manejo adaptativo, na qual as atividades desempenhadas são modificadas de acordo com as necessidades do local. Exemplo disso são os projetos que incluem análises demográficas, pesquisas genéticas e até noções de educação ambiental voltadas para os moradores do entorno. “Também criamos os corredores ecológicos, que funcionam como pontes de vegetação replantada por cima do pasto de propriedades rurais particulares e que ligam duas florestas”, destaca.

Reservas

A população de micos existentes no estado do Rio de Janeiro, hoje, está distribuída ao longo de duas reservas biológicas, a União e Poço das Antas, ambas de responsabilidade do Instituto Chico Mendes da Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além disso, os animais podem ser avistados em 28 reservas particulares ou fazendas localizadas na bacia do Rio São João. Segundo a secretária-geral da AMLD, Denise Marçal Rambaldi, a área é estratégica em termos de biodiversidade e serviços ambientais. “Os benefícios obtidos a partir do trabalho feito com o mico, que é um animal extremamente exigente, são estendidos a outras espécies. Também visamos à proteção da área em si, sempre em conexão com os órgãos governamentais que viabilizam o processo”, explica.

De acordo com a AMLD, o mico-leão-dourado é um primata que vive em grupos familiares formados, em média, por seis indivíduos, podendo variar de dois a 14 membros. Eles podem viver até 12 anos na natureza e, em geral, reproduzem-se uma ou duas vezes por ano, em gestações que costumam durar até 120 dias. “Os micos se alimentam de frutos, néctar de flores e pequenos vertebrados”, explica Denise. Segundo ela, o problema da caça à espécie não foi exterminado por completo no Brasil. Porém, a maior dificuldade enfrentada atualmente é a perda e a fragmentação de florestas. “O Rio de Janeiro é um estado que cresce mais a cada dia que passa e, com isso, há o desaparecimento da mata. Por isso, a importância em conservar o que existe atualmente”, enfatiza a especialista.

A importância da área onde está a bacia do Rio São João é imensa, por abrigar quase toda a população de micos-leões-dourados existentes no Brasil. Com uma extensão de 150 mil hectares, essa parte da Mata Atlântica é a principal fonte de abastecimento de água de municípios fluminenses como Cabo Frio e Arraial do Cabo.

Características:

Saiba mais sobre o mico-leão-dourado:

# Vive em grupos familiares formados, em média, por seis indivíduos

# Pesa entre 550g e 600g e mede cerca de 60cm da cabeça até a ponta da cauda

# Na natureza, vive em média oito anos, mas pode chegar até os 12 anos

# Pode se reproduzir uma ou duas vezes por ano, com gestação de 120 dias que resulta, geralmente, no nascimento de filhotes gêmeos

# Alimenta-se de frutos silvestres, insetos, pequenos vertebrados e, eventualmente, da goma de algumas árvores

# Cada grupo utiliza uma área que varia entre 50 e 100 hectares, que é defendida da entrada de outros grupos de micos

# É um animal diurno que à noite se abriga em ocos de árvores ou emaranhados de cipós e bromélias

Fonte: Correio Braziliense

A fonte de energia que vem do lixo ou o último recurso após a reciclagem

A valorização energética dos resíduos urbanos pode ser uma solução para os cinco milhões de toneladas de lixo produzidos anualmente pela população portuguesa. Mas os ambientalistas contestam: é preciso apostar na reciclagem para que apenas 30% dos resíduos precisem de solução alternativa.

Papel, cartão, embalagens, restos de comida, vidro. São vários os resíduos produzidos numa habitação que nos parecem inúteis. Mas não são. Cada caixote do lixo alberga uma fonte alternativa de energia que, gerida adequadamente, daria para alimentar uma vivenda por três meses. Falamos da valorização energética dos resíduos urbanos. Incineração com captação de energia. Os ambientalistas consideram esta uma opção de recurso, isto porque "70% dos resíduos sólidos urbanos [RSU] são recicláveis".

"Tendo em conta a crescente quantidade de resíduos que é produzida e a escassez de espaço territorial necessário para a implantação de aterros sanitários de grande dimensão para o seu destino final, a incineração possui a indiscutível vantagem de reduzir de forma significativa - à volta de 90% - o volume de resíduos ao qual terá de ser dado um destino final definitivo", explicou ao DN Luís Teixeira de Lemos, director do Departamento de Ambiente da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, do Instituto Politécnico de Viseu.

Existem várias vantagens no processo de incineração com captação de energia. Dá-se um destino mais nobre a algo que não terá uso: dados do Ministério do Ambiente de 2008 põem 65% dos resíduos sólidos urbanos nos ater- ros, enquanto apenas 9% são reciclados.

A Quercus contesta. Rui Berkemeier, membro da associação ecologista, explicou ao DN que os números do Ministério do Ambiente não mostram o real valor daquilo que pode ser reciclado. "Dando um número redondo, 70% dos RSU são recicláveis. Mas para isso é preciso apostar em métodos de triagem mais eficientes", diz. Um desses métodos a serem seguidos, exemplificou o ambientalista, é o que foi instalado na empresa de gestão de RSU da zona de Portalegre, Valnor: "É um exemplo a nível europeu. Aplicaram o princípio da engenharia de minas e da sua triagem de materiais." Por causa disto, a Valnor consegue separar dois terços do plástico, que é tratado para poder ser reciclado da melhor forma. "Uma taxa su-perior à média europeia", acrescenta.

Em Portugal existem três incineradoras integradas em sistemas de gestão de resíduos urbanos: a da Valorsul, na região da Grande Lisboa Norte; a da Lipor, na região do Grande Porto; e a da Valorambiente, na ilha da Madeira. Todas estas unidades produzem energia.

Ao DN, o Gabinete de Imprensa do Ministério do Ambiente afirmou que a incineração com aproveitamento de energia "constitui uma forma de produção de energia que contribui para a redução da dependência externa e para o combate às alterações climáticas". Rui Berkemeier contesta a opinião do ministério devido à baixa eficiência das incineradoras: "Perdem 50% do calor e a produção de energia equivale a 24% daquilo que é queimado", informa.

Há inclusive diferenças no CO2 poupado em cada processo: uma tonelada de plástico poupa 1,4 toneladas de CO2, enquanto cada tonelada de RSU incinerada poupa 200 quilos de CO2 e emite 400 quilos. "No final, o saldo de emissões é negativo", completa.

Tanto o ministério como a Quercus consideram que a incineração é uma forma de captação de energia limpa. Apesar de algumas emissões (na opinião dos ecologistas) o Governo considera este processo "um destino mais nobre do que a eliminação em aterro". Mais uma vez os ecologistas discordam e pedem uma aposta superior na reciclagem: "Um siste-ma de recolha selectiva porta a porta a nível nacional vai fazer com que se recicle mais", conclui a Quercus.

Fonte: Diário de Notícias

Meixão: A enguia bebé que vale ouro em Espanha

A pesca ilegal de juvenis está a ameaçar a sobrevivência da enguia nos rios portugueses. As capturas só são permitidas no rio Minho, mas a tentação do lucro é enorme: o meixão, como é conhecida a enguia bebé, chega a custar mais de mil euros o quilograma nos restaurantes espanhóis.

Para os espanhóis é uma iguaria de luxo. Em alguns países asiáticos também. Em Portugal, o meixão ou angula (juvenil da enguia) não consta habitualmente nos cardápios dos restaurantes, mas é capturado ilegalmente ao longo de quase toda a costa para exportação: um negócio que rende milhares de euros, mas que coloca em perigo a tão cobiçada enguia.
"A enguia-de-vidro (meixão) é muito apreciada na região de Espanha. Daí ter de existir captura suficiente para servir os imensos restaurantes e o apetite voraz em relação ao petisco que eles fazem com a angula", disse ao DN José Eduardo Rebelo, doutorado em Biologia e docente na Universidade de Aveiro.
Embora a pesca do meixão tenha sido proibida em 2000, em todos os rios à excepção do Minho, a GNR apreende regularmente, em acções de fiscalização, dezenas de quilos de meixão pescado ilegalmente nos rios portugueses. Para capturar o juvenil da enguia, os pescadores usam redes idênticas às mosquiteiras, que não deixam escapar praticamente nenhum peixe. É que o petisco chega a ser vendido a 500 euros o quilograma. E nos restaurantes pode atingir os mil euros.

O meixão tem a forma típica da enguia, mas o corpo é transparente e bastante mais pequeno (mede entre 4 e 5 centímetros). Nasce no mar dos Sargaços (no meio do Atlântico) e viaja depois até aos rios europeus. Isto porque, no Outono, as enguias adultas partem dos rios para o mar dos Sargaços, onde desovam a profundidades elevadas.

"Quando atinge a área da postura, a fêmea faz a desova, o macho faz a postura dos espermatozóides e com o esforço ambos morrem", explica José Rebelo. Cada fêmea faz a postura de milhões de ovos.

Após subirem à superfície, as larvas da enguia começam a ser arrastadas pela corrente quente do golfo do México até às costas europeias. "Fazem uma viagem de aproximadamente dois anos até chegar ao rio: nessa viagem, 80% das enguias de vidro morrem", conta o biólogo.

Das sobreviventes, poucas resistem às adversidades do novo meio. "Dos 20% que sobrevivem, cerca de 80% morrem: a mortalidade natural é muito grande devido à necessidade de adaptação às condições do novo meio e grande parte morre também devido à influência do homem, que a apanha."
Durante a migração, a enguia-de-vidro não se alimenta e a viagem até à costa europeia é feita à deriva. Só após essa longa viagem, que chega a atingir os 7500 quilómetros, é que a angula começa a ter capacidade autónoma de movimentação.

É também nessa fase, quando o meixão chega aos rios, que o homem comete o infanticídio da enguia. É que o meixão capturado, além de já não entrar na cadeia alimentar dos outros peixes, não atinge o estado adulto e jamais regressará ao mar dos Sargaços para desovar. A sobrepesca dos juvenis aparece assim como uma das principais ameaças à continuidade da espécie.

Ao chegar aos rios, os juvenis da enguia penetram até às zonas limpas, onde ficam durante 7 a 15 anos, até regressarem ao mar dos Sargaços, já adultos, para reproduzirem. Nenhuma enguia regressa.

Alertando para a complexidade do ciclo de vida da espécie, José Rebelo refere que "é necessário ter em conta que a enguia só se reproduz uma vez na vida, que é uma espécie migratória catádroma, o que implica grandes adaptações fisiológicas (passa da água salgada para água doce e da água doce para água salgada) e que passa muito tempo como enguia-de-vidro (meixão), sendo muito apreciada nessa fase". E deixa o aviso: "Uma pesca desmesurada às larvas da enguia pode ter como consequência a extinção da espécie."

Fonte: Diário de Notícias