segunda-feira, 22 de março de 2010

Limpar Portugal: cem mil voluntários recolheram 70 mil toneladas de lixo

Cerca de 100 mil voluntários recolheram anteontem, em nome da iniciativa “Limpar Portugal”, mais de 70 mil toneladas de lixo por todo o país, disse à Lusa um dos mentores do projecto.

“O tempo dificultou um bocado, mas apesar disso conseguimos reunir os 100 mil voluntários que queríamos. As opiniões técnicas é que conseguimos recolher 70 mil toneladas de lixo”, relatou à Lusa Paulo Torres, um dos três coordenadores nacionais e mentores do projecto. Dentro de dias, sublinhou, os aterros sanitários e as entidades de reciclagem poderão confirmar os números com mais precisão.

O mesmo responsável acrescentou que o lixo foi “apanhado pelo país fora, sem zonas melhores ou piores” ou nas quais a recolha tenha sido mais intensa. Ainda assim, adiantou que “apenas no concelho de Braga recolheram-se 400 toneladas” de lixo, “essencialmente em terrenos de floresta” e “estradas no meio de bouças”.

“Estamos bastante satisfeitos com o resultado e achamos que conseguimos passar a mensagem”, reforçou Paulo Torres, acrescentando que apenas se registou um problema com um dos elementos que recolhia lixo no âmbito da iniciativa.

“Tivemos um acidente com um voluntário de Condeixa, que estava no ‘Limpar Portugal’, foi atropelado e está no hospital”, avançou o mesmo responsável. “Não é um ferimento ligeiro, mas penso que está livre de perigo”, sublinhou Paulo Torres.

A ideia de recolher resíduos espalhados nas matas surgiu em Julho passado, quando o técnico de logística Nuno Mendes, de 38 anos e residente em Vila Nova de Famalicão, publicou no fórum da Internet do clube LandMania (para fãs de veículos Land Rover) um vídeo sobre um projecto concretizado em toda a Estónia, onde se reuniu mais de 10 mil toneladas de lixo.

A legenda “Para quando em Portugal?” suscitou de imediato o interesse dos associados Rui Marinho, com 43 anos e gerente de uma empresa de produtos químicos em Santo Tirso, e Paulo Torres, empresário de comércio de 50 anos e morador em Braga.

Nenhum tinha até então estado envolvido em associações ambientais, mas todos partilhavam uma preocupação: o lixo que encontravam durante os passeios em todo-o-terreno, desde para-choques, pneus, resíduos industriais e entulhos de obras a eletrodomésticos e sofás.

Com uma rápida divulgação na Internet, o projecto acabou por ganhar a atenção da comunicação social, das autarquias, de empresas públicas e privadas, do Ministério do Ambiente (que concedeu apoio logístico e jurídico) e da Presidência da República, que lhe atribuiu o alto patrocínio.

Os mentores acreditam que o facto de este ser um movimento cívico, que não aceita dinheiro, foi crucial para o envolvimento “espetacular” da sociedade, que resultou na identificação de cerca de 13mil pontos com lixo em todo o país, entre florestas e terrenos urbanos.

“Esperamos não ter de repetir, que as pessoas tenham compreendido a mensagem e que procurem desfazer-se do lixo de maneira conveniente”, sublinhou hoje Paulo Torres.

Fonte: LUSA

domingo, 21 de março de 2010

Borboletas estão a aparecer mais cedo no ano

Estudo sobre uma espécie comum de borboleta australiana mostra que a idade adulta é atingida 1,6 dias mais cedo por década.

Um estudo australiano demonstra que as borboletas de uma espécie muito comum naquele país estão a aparecer cada vez mais cedo no ano. A causa poderá estar relacionada com as mudanças climáticas a nível regional, concluem os autores.

O trabalho de investigação foi feito por uma equipa da Universidade de Melburne e incidiu no ciclo de vida da borboleta castanha Heteronympha merope, sobre a qual há registos detalhados há 65 anos. O que se verificou, neste estudo, é que a borboleta atinge o estado adulto 10 dias antes do que acontecia há 65 anos.

Feitas as contas, os cientistas apuraram que a antecipação do início do período adulto desta borboleta foi de 1,6 dias por década. Em simultâneo, verificou-se na zona de Melburne uma alteração da temperatura, com subida de 0,14 graus centígrados por década.

A equipa criou as lagartas de borboleta em ambiente de laboratório, para determinar o impacto fisiológico da temperatura. Foi depois desenvolvido um modelo climático de Melburne com base nesta informação. Finalmente, este modelo foi combinado com outros modelos do clima da região.

Segundo o líder da equipa, Michael Kearney, zoólogo da Universidade de Melbourne, este estudo poderá ajudar a elucidar os impactos da mudança climática na biodiversidade. "A alteração dos ciclos sazonais representa um desafio para as espécies", admite o cientista australiano. "Estudos como o nosso poderão ajudar a prever estas alterações e as suas consequências."

Fonte: Diário de Notícias

Vai haver cada vez mais ilhas de lixo no meio dos oceanos

Estão mais do que reconhecidas as duas ilhas de plástico existentes no Oceano Pacífico Norte e no Oceano Atlântico Norte, formadas por correntes marítimas convergentes. Mas existem mais três turbilhões destes que, caso não se faça nada, podem também ficar cheios de lixo.

"Todas as amostras obtidas na superfície no meio do Atlântico continham fragmentos de plástico, não importava onde deixávamos cair o nosso equipamento de arrasto." Quem relata é Anna Cummins, uma das cientistas que navegam a bordo do Sea Dragon, barco do projecto 5 Gyres. Este pretende comprovar que existe lixo flutuante em cada um dos cincos principais turbilhões oceânicos (gyres): no Pacífico Norte, Pacífico Sul, Atlântico Norte, Atlântico Sul e Índico.

Até agora foram comprovadas a existência de sopas de plástico no Pacífico e Atlântico Norte. Especialistas contactados pelo DN confirmam: é provável que nos outros turbilhões este fenómeno venha também a acontecer.

"O turbilhão oceânico de grande escala existe em todos os oceanos e não há dúvidas que pode ocorrer uma ilha de plástico em cada um deles", diz ao DN Jesus Dubert do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro.

De forma simples, como preferiu explicar, o lixo acumula-se porque, depois de entrar no centro de um turbilhão, não consegue mais sair. Vejamos o caso do turbilhão do Atlântico Norte: "A corrente do Golfo, que sobe pela Flórida [EUA] em direcção ao Canadá funciona como um motor da circulação do Oceano Atlântico. Depois vira em direcção à Europa, descendo, por exemplo, pela corrente de Portugal. Ao chegar à zona equatorial sobe e fecha o ciclo". O resultado é uma acumulação de lixo no Mar de Sargaços, num turbilhão permanente do qual não há maneira de sair. O funcionamento dos outros vórtices é semelhante.

"Os plásticos a boiar têm o aspecto de medusas. As tartarugas alimentam-se destes animais, confundem-nos e podem morrer asfixiadas", conta Alexandra Cunha, presidente da Liga de Protecção da Natureza (LPN) e bióloga marinha. "O plástico não desaparece. Vai se desfazendo até só sobrarem partículas que vão poluir a água e envenenar os animais", acrescenta. Por outro lado, as aves e peixes de maior porte vão ficar com o estômago cheio de lixo o que vai dificultar a alimentação e digestão.

"Vim há pouco tempo de África e fiquei assustada com a falta de cuidado com o lixo. Há excesso de resíduos e os países não estão preparados. Não há reciclagem", conta a presidente da LPN, preocupada com a possibilidade de o lixo começar a ser despejado no mar em zonas próximas de dois dos turbilhões: o do Oceano Atlântico Sul e do Oceano Índico. Para Alexandra Cunha, as embalagens de plástico são uma mudança recente, com um resultado confortável, mas ambientalmente mau: "Há 30 anos não se bebia em garrafas de plástico e o caminho é voltar a usar-se embalagens reutilizáveis, como as garrafas de vidro que se devolvem."

A solução para prevenir o aumento das ilhas de lixo é diminuir drasticamente a utilização dos plásticos, mas como se acaba com aquelas que já existem? "Sinceramente, não sei o que se poderá fazer. Tem de se arranjar um processo para recolher todo aquele lixo", diz a ambientalista que deixa o alerta: "Arriscamo-nos a ficar com o mar cheio de lixo."

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 20 de março de 2010

Biodiversidade: especialistas alertam para agravamento da situação das espécies

Especialistas alertam para o agravamento do risco em que se encontram algumas espécies, depois de os ministros europeus do Ambiente terem esta semana adiado em uma década o objectivo de deter a perda de biodiversidade na UE.

Apesar do alerta, os especialistas em ambiente contactados pela Lusa mostraram-se pouco surpreendidos, considerando que o adiamento da meta, que apontava para 2010, era previsível.

“Do ponto de vista da conservação da natureza e da biodiversidade, adiar objectivos é sempre dramático porque a situação é já muito má”, mas “era previsível”, disse à Lusa Helena Freitas, professora da Universidade de Coimbra.

A especialista defendeu que as ameaças à biodiversidade nesta década são “particularmente importantes” devido à questão demográfica, quando se espera que nesta geração a população mundial aumente de seis para oito biliões. O acréscimo da procura de alimentos vai implicar a transformação de territórios ainda mantidos para a conservação da natureza.

Já Margarida Santos Reis, professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, reforçou a constatação de que “falhou” a integração dos diferentes eixos: do conhecimento, da tecnologia e da cultura.

Em Portugal, assistiu-se a “tentativas muito fracas” de subsidiar projetos sobre biodiversidade e “há alguns casos de sucesso”. Porém, “a situação está a agravar-se”, segundo a presidente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Alexandra Cunha.

“Não serve de nada dizer que se quer fazer e não avançar com mecanismos específicos, metodologias e instrumentos” para defender a biodiversidade, referiu.

“Está tudo por fazer”, apontou por seu lado Helena Freitas, que listou instrumentos necessários, como a estratégia nacional da conservação da natureza e biodiversidade, “em revisão há bastante tempo”, ou a criação de um centro de recursos nacionais para as variedades agrícolas.

Hélder Spínola, da Quercus, referiu que “os governos continuam a [definir] as opções sem ter em conta os impactos na biodiversidade”. Um dos exemplos da dissonância entre as intenções e a concretização é o plano de construção de 10 barragens, positivo porque se trata de apostar em energia renovável, mas que vai contribuir para uma maior perda de biodiversidade.

Alguns projectos “não tinham de deixar de acontecer para que se protegesse a biodiversidade, bastaria procurar áreas para a sua implementação que não coincidissem com os espaços definidos a nível nacional e europeu” para a preservação da natureza, salientou Hélder Spínola.

E cada vez é mais importante os responsáveis governamentais perceberem que “a preservação dos recursos naturais é a base de qualquer sustentabilidade económica dos países”, como realçou Helena Freitas.

Os ministros europeus do Ambiente decidiram na segunda-feira adiar, em uma década, o objectivo a que se haviam proposto, de deter o desaparecimento da biodiversidade na União Europeia até 2010.

A falta de instrumentos, a aplicação incompleta das normas sobre espaços protegidos e a insuficiente integração da biodiversidade nas outras políticas tornaram impossível cumprir o objectivo de parar com a extinção de espécies até ao corrente ano, como fora combinado na Cimeira de Gotemburgo (Suécia) em 2001.

Fonte: LUSA

Limpar Portugal: Ministra diz que país já não tem razão para gerir mal os resíduos

A ministra do Ambiente considerou hoje que o país já não tem razão para gerir mal os resíduos, prometendo tantas acções de sensibilização como as que forem necessárias para que se evite a sua deposição incorrecta.

“Já não temos razão para gerir mal os resíduos, porque nós temos infra-estruturas, temos sistemas para gerir bem os resíduos”, afirmou Dulce Pássaro que esta manhã participou na iniciativa “Limpar Portugal” no Pinhal do Rei, na Marinha Grande.

A governante, que se fez acompanhar por alunos, pela secretária de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades e outras entidades, recolheu lixo com o cuidado de deixar na floresta os resíduos biodegradáveis, mas colocando num saco o que “agride” o ambiente.

Assumindo que “já tinha noção” da quantidade de lixo despejada em pinhais e noutros espaços, Dulce Pássaro afirmou sentir-se incomodada com a falta de civismo.

“Acho que temos um caminho a fazer”, declarou, considerando o movimento cívico “Limpar Portugal como um “contributo fundamental” para a sensibilização.

Para a ministra, “os jovens já estão sensibilizados”, admitindo mesmo que serão os que “têm menos responsabilidade” nestes casos.

“É com eles que nós contamos para que efectivamente estejam atentos, mesmo em casa e no desenvolvimento de várias actividades, que contribuam para que nós possamos gerir bem os resíduos”, disse a ministra do Ambiente.

Questionada se deveria haver mais sensibilização, a responsável afirmou que quer os sistemas de gestão de resíduos como as autarquias têm apostado neste trabalho, mas prometeu fazer “sensibilizações tantas vezes quantas se justificarem até constatarmos a diminuição deste tipo de situações”.

“Em determinadas zonas do nosso país, onde foram colocadas quantidades significativas de resíduos fora dos locais adequados, as Câmaras Municipais - sem haver grandes oportunidades de mediatização - fazem um grande trabalho para reparar este tipo situações e depois enviar os resíduos para os sistemas de tratamento”, observou.

“Não se pense que não se tem feito trabalho”, acrescentou, referindo que “isto não é uma tarefa para o ministério sozinho desenvolver com a magnitude que tem”.

Dulce Pássaro disse ainda que a iniciativa “Limpar Portugal” deve envolver todos, justificando a escolha da mata nacional de Leiria por ser “um lugar emblemático”, onde o rei D. Dinis iniciou um trabalho de preservação ambiental que deve ter continuidade.

Fonte: LUSA

Atum-rabilho do Atlântico em queda mas comercialização continua

Uma proposta do Mónaco para proibir a comercialização do atum-rabilho do Atlântico foi ontem rejeitada na conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies em Perigo (CITES), a decorrer em Doaha, no Qatar. O sushi, para já, continua em alta.

Japão, Canadá e inúmeros países costeiros pobres opuseram-se à proposta alegando que isso devastaria as economias pesqueiras e ela foi rejeitada por larga maioria (68 votos contra 20).

A proposta da União Europeia que previa por seu turno um adiamento dessa eventual medida antes de ela ser posta em prática também não teve melhor sorte e foi esmagada na votação, por 72 votos contra 43.

Os stocks da espécie no Atlântico caíram 85% nas últimas décadas, desde o início da pesca industrial, e a organização responsável pela gestão da sua pesca, a International Comission for the Conservation of Atlantic Tunas (ICCAT), tem demonstrado ser ineficiente no desempenho dessa tarefa. Foi na sequência desse panorama que o Mónaco decidiu avançar com a proposta, com o apoio da União Europeia, de cientistas e de organizações ambientalistas, como a WWF ou o Environment Group, que não esconderam a sua decepção pelo desfecho da votação.

A WWF anunciou que vai lançar uma campanha junto de restaurantes e comerciantes, cozinheiros e consumidores para não consumirem aquele peixe. "É agora mais importante do que nunca que as pessoas façam o que os políticos não conseguiram fazer - parar o consumo do atum", disse Sergi Tudela da WWF.

Fonte: Diário de Notícias

Guardaparque do Parque Nacional Huascarán (Perú) encontrado morto!

Um Guardaparque do Parque Nacional Huascarán (Perú), localizado no Departamento de Áncash, foi encontrado morto no interior de uma das casas de Vigilância do Parque, junto ao corpo foi encontrado uma garrafa de água e alguns comprimidos, segundo informações fornecidas pela Policia.
O companheiro Mauricio Guillén Celestino, de 34 anos, foi encontrado na noite de Domingo pelo seu pai, após este ter recebido uma chamada telefónica a alertar para o ocorrido.
Elementos da Divisão de Investigação Criminal de Huaraz e o representante do Ministério Público deslocaram-se ao local, situado a 4300 metros de altitude na Cordilheira Branca.
Após efectuarem as diligências de investigação e terem trasladado o corpo, efectuou-se a autopsia, os resultados indicam que a morte se deve à existência de edema pulmonar.
Mas, segundo declarações proferidas pela Polícia os companheiros de trabalho de Guillén Celestino vão ser ouvidos no âmbito do inquérito policial à morte do Guardaparque.

Fonte: La Republica

Campanha: Conheça as Aves da sua Propriedade

Esta campanha insere-se no Projecto “Semear o Futuro” da SPEA, que incentiva a aplicação de medidas que promovam uma melhor gestão territorial dos meios agrícolas.

De 1 de Abril a 30 de Junho de 2010 a SPEA promove pela terceira vez uma campanha que proporciona aos Proprietário Agrícola, de forma gratuita, informação sobre as aves que existem na sua propriedade e as propostas de gestão agrícola mais favoráveis à conservação dessas aves na sua propriedade.

Duração
1 de Abril a 30 de Junho de 2010

Zonas Prioritárias
Portugal Continental


Mais informação em: http://www.spea.pt/index.php?op=aves

sexta-feira, 19 de março de 2010

Açores: SPEA organiza percurso pedestre para limpar lixo na estrada da Tronqueira

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, através do Centro Ambiental do Priolo e do Projecto Life Laurissilva Sustentável, organiza, amanhã, um percurso pedestre pela estrada da tronqueira, com o intuito de limpar o lixo encontrado ao longo do caminho.

Para além disso, o passeio irá permitir aos participantes ficar a conhecer melhor as espécies de plantas e aves que ocorrem nesta serra, habitat do priolo. O objectivo desta iniciativa visa contribuir para a conservação da área segundo explica Natália Melo.
Esta iniciativa está inserida no projecto Limpar Portugal e, neste mesmo dia, milhares de voluntários realizarão acções semelhantes em todo o país. O passeio terá lugar este sábado e a saída será às 9h do centro do Priolo.

Fonte: Rádio Atlântida

quinta-feira, 18 de março de 2010

Bruxelas ameaça levar Portugal a tribunal devido a poluição atmosférica

A Comissão Europeia enviou hoje uma última advertência escrita a Portugal por incumprimento das normas da União Europeia de qualidade do ar em relação a partículas de suspensão perigosas, após o que recorrerá para o Tribunal de Justiça europeu.

Em Janeiro de 2009, Bruxelas iniciou processos de infracção contra dez países, entre os quais Portugal, na sequência da entrada em vigor, em Junho de 2008, de uma nova lei comunitária que permite aos Estados-membros solicitar, em determinadas condições e em relação a determinadas partes do país, um prazo suplementar limitado para respeitar a norma aplicável, desde 2005, para as partículas em suspensão perigosas, as chamadas PM10.

Bruxelas pediu então explicações aos países que não respeitam os valores limite, em vigor desde 1 de Janeiro de 2005, relativos às partículas “PM10” e que não notificaram pedidos de prazos suplementares para cumprir as normas em todas as zonas de qualidade do ar em que os valores limite são excedidos.

A Comissão indica hoje que, na sequência dessa primeira advertência, foram arquivados os processos contra metade desses Estados-membros, prosseguindo acções contra cinco: Eslovénia e Suécia são levadas a tribunal (por os seus casos serem mais antigos), e é lançada uma advertência final a Portugal, Chipre e Espanha.

“Embora Chipre, Portugal e Espanha tenham notificado pedidos de prorrogação do prazo, a Comissão recusou a maior parte das zonas de qualidade do ar notificadas na medida em que não cumprem todas as condições impostas pela directiva”, explica a Comissão.

As partículas em suspensão perigosas, emitidas essencialmente pela indústria, pelo trânsito e pelo aquecimento doméstico, podem provocar asma, problemas cardiovasculares, cancro do pulmão e morte prematura, lembra a Comissão Europeia.

O processo por infracção tem início com uma primeira advertência escrita (“carta de notificação”) dirigida ao Estado-membro em causa e à qual este deve responder no prazo de dois meses. Se a Comissão não considerar a resposta satisfatória, esta primeira carta é seguida de uma última advertência escrita (“parecer fundamentado”) que expõe claramente a infracção e insta o Estado-membro a agir em conformidade num determinado prazo, normalmente de dois meses.

Se o Estado-membro não proceder em conformidade com o parecer fundamentado, a Comissão pode decidir recorrer ao Tribunal de Justiça.

Fonte: LUSA

Alto Alentejo vai reciclar mais do dobro de Lisboa e Porto

O sistema de tratamento de resíduos urbanos da Valnor, em Portalegre, dispõe de uma tecnologia inovadora que vai permitir reciclar mais de 50 por cento dos resíduos, o contribuirá para que o distrito ultrapasse largamente as taxas de reciclagem obtidas em Lisboa ou no Porto, explica a associação ambientalista Quercus, em comunicado. As instalações serão amanhã visitadas pelo secretário de Estado do Ambiente.

A tecnologia disponível naquela unidade consiste no Tratamento Mecânico e Biológico, isto é, “um processo que permite a separação para reciclagem de grandes quantidades de plásticos, metais, vidros e cartão, através do tratamento mecânico e transformação de resíduos orgânicos em composto, através do tratamento biológico por compostagem”, precisa a Quercus. A associação afirma, ainda, que tanto Lisboa como Porto, “que apostaram, há cerca de uma década, na incineração não ultrapassam os 20 por cento de reciclagem”.

Desta forma, a associação aplaude a visita que terá lugar amanhã mas “lamenta que a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, apesar da sugestão da Quercus, não participe também neste evento”, no sentido de ficar sensibilizada para instalar esta tecnologia em outras unidades em vez de aterros ou incineradores.

“A Quercus espera que o ministério aplique os conhecimentos que vai adquirir e exija que no novo sistema de gestão de resíduos urbanos, a criar pela fusão entre a Valorsul e a Resioeste, o qual será de longe o maior do país, seja obrigatória a introdução da tecnologia de TMB para os resíduos da região do Oeste, em vez de serem enterrados ou incinerados como está previsto”, lê-se no comunicado.

Fonte: Publico.pt

Quercus teme "pressão ainda maior" sobre o Ambiente

A associação ambientalista Quercus teme que a nova estratégia governamental para a energia transforme o Ministério do Ambiente em "alvo de uma pressão política e económica ainda maior", e acha que o departamento hoje tutelado por Dulce Pássaro entrou nos últimos anos numa "senda da cedência" face à economia, e assim tem continuado.

Ontem, na apresentação do novo plano, foi o próprio ministro da Economia, com a sua homóloga do Ambiente à frente, a referir a necessidade de "articulação" entre as duas áreas. Assegurou que ambas as presenças, na cerimónia, asseguravam que "existirá um fortíssimo empenhamento de articulação das políticas públicas" na concretização do plano.

Com o horizonte a 10 anos, 2010-2020, a nova estratégia prevê 31 mil milhões de euros de investimento privado e público na área da energia, reforçando o peso das renováveis, e a criação de 120 mil novos postos de trabalho. Pretende ainda reduzir a dependência energética do exterior para 74 por cento em 2020 e chegar, nesse ano a 60 por cento de energia eléctrica de fonte renovável.

Na avaliação ao plano, a Quercus acusa o Governo de falta de coerência, por defender, por um lado, políticas de redução da dependência energética face ao exterior e ao mesmo tempo ter "investimentos programados nos transportes, principal área da dependência portuguesa".

Na poupança energética, verifica que a promoção da certificação energética dos edifícios coexiste com casas novas com ar condicionado, sem capacidade para estender roupa e novos equipamentos de entretenimento que "anulam e até reduzem os esforços de eficiência energética feitos".

Ao lançamento da nova estratégia associaram-se ainda o anúncio da associação entre a Efacec, EDP e Novabase para a internacionalização do modelo português da rede de veículo eléctrico, e dos vencedores do concurso para os projectos de investigação e desenvolvimento nas tecnologias solares do futuro. As três empresas vão internacionalizar o conceito, as tecnologias e equipamentos da rede portuguesa, conhecida por Mobi-E. Algo semelhante ao realizado há alguns anos com a Via Verde.

Quanto aos 15 projectos solares que ganharam o concurso e que, por isso, recebem um ponto de ligação à rede eléctrica, situam-se no interior do Alentejo e Algarve e pertencem à Efacec, Martifer, Abengoa, Reciclamas, Sapec, Tecneira, Luz.On, Glintt, Ramada, Hyperion, Selfenergy, Bragalux, Energena, Dalkia e Tom.

Fonte: Publico.pt

União Europeia falha meta da biodiversidade

Deveria cumprir-se este ano, mas o Conselho de Ministros do Ambiente da União Europeia (UE) e o comissário para aquela área, Janez Potocnick, foram obrigados a reconhecer que a meta dos 27 para a biodiversidade no espaço europeu falhou. "Não cumprimos o nosso objectivo para 2010", admitiu ontem, em Bruxelas, o comissário Potocnick, notando: "Não podemos repetir o erro."

O erro dos 27 da UE foi não terem posto em prática planos para travar a perda de biodiversidade no espaço europeu, como se tinham proposto para esta altura. O Conselho de Ministros adiou assim para 2020 a concretização dessa meta e solicitou à Comissão Europeia um plano de acção.

Fonte: LUSA

Lista Vermelha: Borboletas em risco na Europa

Grande-branca-da-madeira encontra-se entre as várias espécies mais ameaçadas.

Um terço das 482 espécies de borboletas da Europa sofreu um declínio visível na última década e 9% (43) estão agora gravemente ameaçadas de extinção, enquanto outros 10% (48) se encontram na fronteira desse perigo. Uma das que está à beira da extinção é uma borboleta branca da Madeira. Estes são dados da "Lista Vermelha das Borboletas Europeias", elaborada pela IUCN - International Union for Conservation of Nature, em colaboração com a União Europeia (UE), que foi divulgada ontem.

A grande-branca-da-madeira (Pieris wollastoni), borboleta única que só existe naquela ilha portuguesa, é uma das 43 espécies destes insectos que se encontram em situação crítica na Europa. Não é avistada há mais de 20 anos e há até quem já a tenha declarado extinta (ver caixa). Para inverter o problema que está a afectar estas espécies na Europa, a IUCN propõe no relatório que se invista, entre outra medidas, na protecção dos habitats, com a melhoria das políticas agrícolas, e na monitorização mais apertada das espécies ameaçadas.

A perda acelerada de habitats, com alterações drásticas nas práticas agrícolas, quer pela sua intensificação em algumas regiões quer pelo abandono noutras, é justamente um dos problemas- -chave para explicar o que está à acontecer às populações de muitas espécies de borboletas europeias. Mas as mudanças climáticas, sobretudo pelas secas mais intensas que acarretam, e a crescente pressão turística também estão entre os culpados do panorama pouco animador traçado no relatório da IUCN.

"A maioria das borboletas em risco são do Sul da Europa", adiantou Annabelle Cuttelod, a coordenadora da "Lista Vermelha Europeia" na IUCN, sublinhando que "a sua principal ameaça é a perda de habitat, a maior parte das vezes provocada por alterações nas práticas agrícolas, tanto pela intensificação como pelo abandono, ou devido às alterações climáticas, fogos florestais e a expansão do turismo".

De acordo com o levantamento feito pelos especialistas, é a prática intensiva da agricultura, que surge no topo das ameaças às espécies de borboletas europeias (afecta mais de 30 espécies), seguida de perto pelo abandono da terra (mais de 20 espécies afectadas) e pela mudança climática, sobretudo por causa das secas, com duas dezenas de espécies a sofrer impactos negativos em consequência deste problema.

Além do seu valor próprio, enquanto riqueza biológica, "as borboletas são importantes indicadores de biodiversidade e desempenham um papel importante nos ecossistemas, nomeadamente através das suas actividades polinizadoras", lê-se no relatório. Ou seja, o declínio acentuado das populações de um terço das borboletas europeias verificado durante o século XX, e que se prolongou até hoje, não é um bom sinal do ponto de vista da saúde dos ecossistemas onde esse declínio se manifesta.

Considerando apenas o território europeu da UE a 27 - o relatório faz essa especificação -, os especialistas contabilizam um total de 451 espécies de borboletas. Destas, 37 (8,5%) estão ameaçadas. Em Portugal existem 147 espécies de borboletas e, aparte a grande-branca-da-madeira, não existe mais nenhuma em risco crítico de extinção.

Multiplicar acções de protecção dos habitats é a palavra de ordem para o futuro imediato.

Fonte: Diário de Notícias

Guarda-Parques do Amapá - Uma data para relembrar...

Hoje foi mais um dia que entrou para a história da Associação de Guarda-parques do Amapá. É com muita felicidade que comunico a todos os amigos que se interessam pelas nossas atividades, que mesmo sem nunca ter nos conhecido pessoalmente, mas que sempre nos apóiam e nos dão força para continuar a lutar, que conseguimos dar o primeiro grande passo para a existência da profissão Guarda-parque no estado do Amapá. Hoje (dia 15/03/10), na Assembléia Legislativa, diante a vários deputados estaduais, foi aprovado o projeto de lei de caráter autorizativo, que cria as profissões de Guarda-Parque e Guarda-Florestal no estado do Amapá. No entanto, ainda faltam dois grandes passos para a concretização deste sonho: A aprovação do projeto de lei pelo Governador Estadual, e a publicação deste no diário oficial, para que realmente passe a se tornar uma lei.

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Balanço da Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável

No dia 22 de Março de 2010, irá realizar-se no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, uma Conferência intitulada: "Balanço da Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável", bem como a apresentação do livro: "Balanço e Prespectivas para uma Agenda mais Sustentável".

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segunda-feira, 15 de março de 2010

Aquecimento global encolhe aves na América do Norte

Estudo feito ao longo de 46 anos concluiu que várias espécies de pássaros estão a ficar mais pequenas e com menos peso. É a sua forma de adaptação à subida da temperatura

As aves estão a ficar mais pequenas e mais leves. A razão? O aquecimento global. É esta a conclusão de um grupo de investigadores que examinou os dados de quase meio milhão de pássaros que de 1961 a 2007 foram medidos e pesados na reserva natural na Pensilvânia (Estados Unidos). A maior diferença foi a diminuição em 4% de uma espécie (bico-grosso-de-peito-rosa). Os cientistas garantem que os animais não apresentam qualquer problema de saúde ou de risco de extinção, pois apenas se estão a adaptar à subida média da temperatura global, o que é visto como normal, pelo menos, por agora. Só a longo prazo será possível realmente entender o impacto da redução de tamanho e peso nas aves afectadas.

Das 102 espécies analisadas durante as várias épocas do ano, algumas vivem em zonas de reserva, outras migram no Inverno e as restantes são as que chegam dos neotrópicos. Josh Van Buskirk, da Universidade de Zurique (Suíça), Robert Leberman e Robert Mulvihill, do Mu-seu Natural de Carnegie da reserva na Pensilvânia, relataram as suas descobertas na revista científica Oikos.

"Em média, a descida do tamanho e peso das aves migrantes reduziu 1,6% em 46 anos", explicou Josh Van Buskirk, referindo-se aos animais que migram na América do Norte. Porém, há casos em que o animal teve uma queda de peso de 4%, como aconteceu com o bico-grosso-de-peito-rosa. O rouxinol-de-kentucky (3,3%) e o sanhaço-escarlate (2,3%) seguem-se na lista das aves em que a redução é mais expressiva.

E é no peso que a diferença é maior, pois, a nível de tamanho (calculado através da medição da asa), a redução é menos significativa.

Esta evolução ocorreu durante 20 gerações de aves, não sendo tão rápida como à primeira imagem pode parecer, avisam os especialistas.

Buskirk considera mesmo que "as consequências são positivas" para os animais, pelo menos para a maioria. "Outros estudos demonstram que algumas espécies vão beneficiar, enquanto outras podem ser prejudicadas", referiu Buskirk. Mas só o tempo irá comprovar esta teoria, revelando os benefícios e os efeitos prejudiciais.

A regra da biologia que explica a redução de tamanho e pe-so nos animais à medida que a temperatura global sobe é a lei de Bergman, mas por determinar está ainda como é que as aves se vão adaptar ao ficarem mais pequenas. Isto é, que consequências reais de sobrevivência podem ou não sofrer. Só a longo prazo é que se poderá tirar conclusões concretas, admitem os investigadores.

Certo, comprovado e documentado é que das 83 espécies que migram na Primavera, 60 ficaram mais pequenas; das 75 que migram no Outono, foram 66 aquelas onde se verificaram diferenças; no Verão, foram 51 espécies de 65 e, no Inverno, em 26 foram 20 as que perderam tamanho e peso.

Fonte: Diário de Notícias

Investigador alerta: Portugueses desperdiçam riqueza das algas

Portugal não está a aproveitar uma importante riqueza que são as algas, capaz de desenvolver indústrias locais, num país sem paralelo pela sua biodiversidade, onde se encontram espécies características do Norte da Europa, mediterrânicas e tropicais, segundo um especialista.

Apesar da sua extensa região costeira, da rica biodiversidade, e das múltiplas aplicações das macroalgas, como produto alimentar, na investigação biomédica, e nas indústrias alimentar, de cosmética e farmacêutica, Portugal praticamente não dispõe de actividades económicas associadas.

Leonel Pereira, especialista e docente na Universidade de Coimbra, ciente desse potencial, criou o portal português das macroalgas - o "MACOI - Portuguese Seaweeds Website" - e tem-se empenhado em divulgar junto de autarquias e associações o potencial desta riqueza natural, para a indústria e a gastronomia.

"Não há mais nenhum país europeu com estas características. Potencialmente deveríamos ter esta área muito desenvolvida em Portugal, porque temos condições ótimas e deveria haver muita gente a trabalhar neste sector, na investigação e utilização industrial e comercial", referiu à agência Lusa o investigador.

Contudo, recorda que em meados do século passado Portugal chegou a ser um dos maiores produtores mundiais de "agarófitas", do "agar" (substância extraída das algas marinhas), um componente com elevado valor económico, utilizado na indústria alimentar e na investigação científica, em culturas de tecidos e microbiológicas.

Segundo o docente, até então era o Japão que fornecia os mercados internacionais, mas a sua entrada na II Guerra Mundial ajudou a que a "muitas populações ribeirinhas", de pescadores, tirassem partido dessa actividade, sobretudo no Sudoeste alentejano e no Oeste.

Das várias empresas que na altura operavam com "agar" - frisou - agora só é conhecida uma, a multinacional Iberagar, instalada na Península de Setúbal, e trabalha exclusivamente com algas importadas.

Leonel Pereira realça que as características da costa portuguesa, muito exposta, e com grande ondulação, não favorece o desenvolvimento da maricultura, mas pode ser feita nos estuários dos rios, nas antigas salinas e nas rias, de Aveiro e Formosa, que, acredita, com a implementação da Diretiva Quadro da Água ficarão suficientemente despoluídas.

Nas antigas salinas poderia desenvolver-se uma "aquacultura multitrófica", ou seja, uma cultura em que simultaneamente se combinam a produção de peixes, bivalves ou mariscos, com a de macroalgas.

Optando pelas macroalgas adequadas elas poderão ter uma dupla função. Servirem de "biofiltradores naturais", de purificadores da água onde se produzem os peixes, e a sua biomassa aproveitada para fins industriais, alimentares, ou como fertilizantes.

Como Portugal não conseguirá produzir em larga escala como acontece nos países asiáticos, pelas condições adversas da costa, poderá apostar em nichos de mercado, e "tirar partido de qualquer coisa especial que os outros não conseguem", adiantou.

Na sua tese de doutoramento Leonel Pereira comparou as algas vermelhas de Portugal com as de outras partes do mundo e concluiu que as portuguesas "são das mais ricas na quantidade e na qualidade das 'carragenanas'", que têm um elevado uso na gastronomia e como aditivos da indústria alimentar.

Portugal poderá também tirar partido de uma preocupação da indústria transformadora das macroalgas, que a é de encontrar alternativas de fornecimento a médio prazo por receio de que as alterações climáticas inviabilizem as culturas em regiões actualmente produtoras. Como o país dispõe de microalgas características de águas frias e águas quentes, o impacto das alterações climáticas poderá ser menor nestas culturas.

Fonte: LUSA

Brasil: MMA transforma 7,5 milhões de hectares em unidades de conservação

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse nesta terça-feira (9), que houve um avanço considerável na implantação de Unidades de Conservação (UCs) no país. No total, desde o início da sua gestão, em maio de 2008, foram criados 7,5 milhões de hectares de Unidades de Conservação. O ministro anunciou também a ampliação e a criação, no mês de março, de novas UCs nos estados da Bahia, Espírito Santo, Piauí e Roraima.

O balanço foi feito durante a solenidade de assinatura de portarias que aprovam planos de manejo e criam conselhos de diversas unidades de conservação, realizada no auditório do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Brasília. "O Ministério do Meio Ambiente resolveu priorizar a implantação de fato, não deixar uma unidade sem chefe, uma unidade sem fiscal, uma unidade sem plano de manejo", disse Minc.

Dados do ICMBio mostram que, de maio de 2008 a março de 2010, foram apresentados 30 planos de manejo, documentos que definem as regras para uso das UCs. Até o final deste ano, outros 36 planos devem ser elaborados e outros 62 devem ser apresentados em 2011. De acordo com o balanço divulgado na cerimônia, o ICMBio priorizou a elaboração de planos de manejo para os Parques Nacionais e para as Reservas Extrativistas.

Em um ano e meio, em conjunto com o Serviço Florestal Brasileiro (SBF), com organizações não-governamentais e com a sociedade civil, o ICMBio conseguiu reduzir em 91% o número de unidades de conservação sem a presença de servidores, além de reduzir em 78,7% os incêndios nessas áreas e incrementar em 82,95% a arrecadação nas UCs. "Esse é um esforço que está se fazendo para mudar um quadro que, lamentavelmente, em função de um conjunto de fragilidades, levava a agenda de conservação das áreas protegidas e da conservação da biodiversidade a uma situação de abandono", disse Rômulo Mello, presidente do ICMBio. "Esse é um resgate para o qual o Instituto Chico Mendes foi criado", complementou Mello.

Na cerimônia, foram assinadas portarias que aprovam planos de manejo para as Florestas Nacionais do Amana e do Crepori (PA), o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (AP/PA), a Estação Ecológica dos Tupiniquis (SP) e a Reserva Biológica do Tapirapé (PA), além da Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) Rio das Lontras (SC) e da revisão do plano de manejo da Reserva Biológica de Jaru (RO).

As áreas garantem a conservação de áreas nos seis biomas brasileiros (Caatinga, Amazônia, Cerrado, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica). Por serem instituídas pelo poder público, as UCs estabelecem medidas de manejo e de fiscalização, ajudando a combater ações como o desmatamento.

No evento, que contou com a presença da secretária-executiva do MMA, Izabella Teixeira, e do diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SBF), Antônio Carlos Hummel, também foram assinadas portarias que criam conselhos no Parque Nacional da Serra das Confusões (PI), na Floresta Nacional Mapiá - Inauini (AM) e na Floresta Nacional do Purus (AM). Foram assinadas ainda portarias que alteram os conselhos do Parque Nacional do Jaú (AM), da Reserva Extrativista do Baixo Juruá (AM) e da Área de Proteção Ambiental Carste, de Lagoa Santa (MG).

Concessões Florestais - A aprovação dos planos de manejo é um dos requisitos para iniciar o processo de concessão florestal, mecanismo que permite a exploração de florestas públicas, por particulares, de forma econômica e ambientalmente sustentável.

Os editais para a concessão florestal nas Florestas Nacionais do Amana e do Crepori, localizadas respectivamente nos municípios de Itaituba e Jacareacanga, no oeste do Pará, estão previstos para serem lançados em junho e em julho de 2010. Em cada caso, um pré-edital será disponibilizado na página do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) na internet (www.florestal.gov.br) e também submetido a audiências públicas para receber sugestões da sociedade civil.

Com o plano de manejo e a concessão florestal, as florestas vão atrair investimentos sustentáveis para a região da BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), tais como a extração legal de produtos madeireiros e não-madeireiros (como óleos e cipó), incentivando a instalação de serrarias e de outras empresas. A previsão do ICMBio é que as concessões em Amana e Crepori gerem uma receita de R$ 8 milhões, criando cinco mil empregos para a população local. "A previsão inicial é uma produção de quase 500 mil metros cúbicos de madeira legal por ano", disse o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SBF), Antônio Carlos Hummel. "No contexto da BR-163, que é de ilegalidade e de desmatamento, isso é muito importante", acrescentou Hummel.
 (Fonte: MMA)

Serra da Arrábida candidata a Património Mundial - UNESCO

A candidatura da Arrábida a Património Mundial Misto da UNESCO deve ser formalizada em 2011. O processo é conduzido pela Associação de Municípios da Região de Setúbal, que aprova hoje o seu primeiro instrumento de trabalho.

A constituição da comissão executiva, que se concretiza hoje "é o ponto de partida para a nova fase da candidatura a património misto da Humanidade", avançou ao JN o presidente da associação, Alfredo Monteiro, lembrando que, após a inclusão da Arrábida, em Maio de 2004, na lista indicativa portuguesa na componente natural será agora necessário reformular, com a colaboração do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, os argumentos de candidatura abrangendo elementos culturais e imateriais.

Um projecto de todos

"Iremos aferir depois com a UNESCO se a candidatura neste novo âmbito está no bom caminho", nota o responsável, realçando que "este é um projecto de todos, da região e do país".

Apesar de não se querer comprometer com prazos, porque ainda há muito trabalho a fazer para sustentar técnica e cientificamente o dossiê, Alfredo Monteiro estima que "em 2011 haverá condições para formalizar a candidatura".

O presidente da Comissão Nacional da UNESCO avisa que "é um caminho muito longo e muito trabalhoso". Contudo, Fernando Guimarães considera que "esse trabalho é importante independentemente do resultado".

Um dos pontos fortes da Arrábida é a flora, tendo sido identificadas já 1450 espécies, muitas delas raras, numa vegetação marcadamente mediterrânica. "É dos poucos sítios onde tem tudo ao mesmo tempo: flora, fauna, geologia, pegadas de dinossauros, arquitectura civil, erudita, popular, saloia, religiosa e militar e fenómenos religiosos", realça o historiador Heitor Baptista Pato, frisando que em termos imateriais o Cabo Espichel é uma das maiores valias.

Isto porque a partir de 1430 foi instituído pelos sírios saloios, da margem Norte do Tejo, um sistema de organização de romarias de devoção à Nossa Senhora do Cabo Espichel. "Em cada ano uma freguesia (havia 30) era responsável pelo culto à senhora. É algo único em Portugal e na Europa inteira", explica.

Diversidade geológica

A época em que os continentes se separaram também está inscrita nos rochedos da Arrábida, sendo por isso a geologia outras das componentes da candidatura. "Está tudo à mostra e os geólogos têm aqui uma boa hipótese de estudo e de investigação. A diversidade de processos geológicos expostos é enormíssima, o que dá à Arrábida um aspecto de raridade", revela o geólogo José Carlos Kullberg, da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa.

Em termos de fauna, o destaque vai para algumas espécies raras de morcegos, para a águia-de-bonelli, que está em vias de extinção, e para a comunidade de golfinhos do Estuário do Sado. "A Arrábida tem uma comunidade animal que é muito próxima da da Península Ibérica. A fauna não tem a importância da flora, que é tremendamente importante nesta candidatura", reconhece o biólogo Jorge Palmeirim.

Fonte: Jornal de Notícias

A viagem do comboio da Biodiversidade - Estuário do Tejo e Vale do Sado

Périplo foi guiado por investigadores com objectivos orientados para resolver problemas.

O Comboio da Biodiversidade saiu às 10h, de Santa Apolónia, para uma viagem circular que atravessou o Estuário do Tejo e o Vale do Sado. Este passeio está inserido no Bioeventos 2010 – um conjunto de iniciativas de comemoração do Ano Internacional da Biodiversidade a decorrer em Portugal, com início este mês de Março.

O programa tem como principal objectivo divulgar a importância da biodiversidade nos diversos aspectos das sociedades humanas e o papel destas na sua preservação, sendo promovido pelo Museu Nacional de História Natural e pelo Centro de Biologia Ambiental, entidades da Universidade de Lisboa dedicadas à investigação, conservação e divulgação da biodiversidade.

O Comboio da Biodiversidade constituiu-se como uma grande tertúlia, onde os passageiros ainda desembarcam em Setúbal para uma visita à Serra da Arrábida, para apoiar a sua candidatura a Património Mundial da UNESCO. O grande objectivo é a necessidade de mobilização de todos para a resolução do problema da biodiversidade.


Os passageiros, pessoas ligadas a grupos de decisão político-económica, ao sector empresarial, ao ambiente e gestão de recursos naturais, para além de outras figuras, perfizeram um total de 150 – onde se encontravam Rui Barreiro, secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural; José Sá Fernandes, vereador da Câmara Municipal de Lisboa; Júlio Miranda Calha, presidente da Comissão Parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local; Fernando Andresen de Guimarães, presidente da Comissão Nacional da UNESCO; António Mexia, presidente do Conselho de Administração da EDP; António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa; Francisco Ferreira, Vice-presidente da Quercus; Sofia Castel-Branco do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB); Eugénio Sequeira da Liga para a Protecção da Natureza, Zé Pedro dos Xutos e Pontapés, Mário Laginha e João Cabral, entre muitos outros.

O périplo teve visita guiada por investigadores da Universidade de Lisboa, de várias áreas do conhecimento relacionadas com a temática da Biodiversidade – incluíndo Luísa Schmidt, Filipe Duarte Santos e João Ferrão, ex-secretário de Estado para o Ordenamento do Território.

Esta foi a primeira iniciativa do Bioeventos 2010 – integrado no programa do Comité Português para a biodiversidade, criada sob a égide da Comissão Nacional da UNESCO em parceria com o ICNB. A perda global da biodiversidade compromete a sobrevivência da nossa espécie e qualquer solução para o problema tem como base a interligação entre três eixos fundamentais, a ciência, a tecnologia e a cultura.

Fonte: CienciaHoje.pt

Redes de pesca matam entre 700 e 1,3 mil toninhas ao ano

Pesquisadores alertam para a morte de toninhas - uma espécie de golfinho - que ficam presas acidentalmente em redes de pesca no litoral brasileiro.

De acordo com Eduardo Secchi, do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), entre 700 e 1,3 mil toninhas morrem todos os anos no Rio Grande do Sul e no Uruguai por essa razão.

As redes de pesca chegam a ter entre 20 e 30 quilômetros. Mas, segundo Secchi, deveriam ter, no máximo, 7,5 km.

As toninhas geram somente um filhote a cada dois anos e costumam ficar próximas da costa. Por isso, acabam ameaçadas também pela poluição das águas.

Juntos, esses problemas têm feito o número de indivíduos da espécie declinar nos últimos anos. As toninhas estão classificadas como "vulneráveis" na lista vermelha de animais ameaçados de extinção da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

CONSERVAÇÃO
SeaWorld tenta salvar imagem após morte
O parque aquático SeaWorld, em Orlando (EUA), está preocupado com sua imagem após a morte da treinadora Dawn Brancheau, atacada por uma orca há quase 20 dias. Em um esforço de relações públicas, o parque agora tenta mostrar que também realiza resgates de animais que estão em condições precárias. "O SeaWorld acredita ser cada vez mais necessário oferecer à imprensa informações sobre os trabalhos na proteção da vida marinha (...). Temos diversas ações relacionadas ao resgate de animais que estão morrendo por causa da intoxicação em águas contaminadas e exploração predatória", diz um comunicado do parque distribuído à imprensa. Segundo a nota, só este ano foram resgatados 11 peixes-boi, que passaram por reabilitação no parque e depois foram devolvidos à natureza.

TENDÊNCIA
Galpões industriais
terão selo verde
O GR Jundiaí, condomínio de galpões industriais que está sendo construído no interior de São Paulo pela GR Properties, será o primeiro empreendimento do tipo a receber a certificação Leed, destinado a construções com menor impacto ambiental. O conjunto de galpões prevê uma economia de 20% no consumo de água e gestão dos resíduos da obra. No País existem 14 empreendimentos com o selo verde, a maior parte edifícios comerciais.

Fonte: Estadão.com.br