quarta-feira, 24 de março de 2010

Combate à erosão costeira recebe 100 milhões após inverno “agressivo”


Depois de um inverno “especialmente agressivo”, o combate à erosão costeira e a requalificação das zonas afectadas vão ser alvo este ano de um investimento de 100 milhões de euros, adiantou à Lusa a ministra do Ambiente.

Segundo Dulce Pássaro, as condições meteorológicas dos últimos meses foram motivo de preocupação em pontos mais vulneráveis, como as ilhas barreiras do Algarve (o caso que requer uma intervenção mais célere) ou a zona da Lagoa de Óbidos, mas “nenhuma situação é irrecuperável”.

“Vamos ter de investir mais, em alguns casos, em protecção, recuperação e requalificação”, afirmou Dulce Pássaro, referindo que os 100 milhões estimados para 2010 integram o Plano de Ação para o Litoral 2007-2013, que inclui verbas comunitárias, da administração central e de autarquias.

A ministra disse que o montante vai permitir “salvar a costa” portuguesa e sublinhou que a tutela não se vai coibir de solucionar os problemas a nível da construção que se coloquem nas zonas mais sensíveis.

“Respeitando os direitos das pessoas, temos de actuar, é uma questão de defendermos o bem público e de minimizarmos os riscos”, defendeu.

Já em Fevereiro, a Administração Regional Hidrográfica do Centro teve de intervir com urgência para proteger a avenida marginal de Ovar das investidas do mar, na praia do Furadouro, numa zona onde habitualmente há acumulação de sedimentos e não erosão.

O organismo informou que tem estado a avaliar uma solução definitiva em colaboração com a câmara: “Essas medidas passam pela elaboração de um projecto já em curso, para reforço do muro que limita a marginal, e que será alvo de uma candidatura ao Programa Operacional de Valorização do Território, dado existirem riscos evidentes”.

Segundo o presidente da autarquia, Manuel Alves de Oliveira, é fundamental intervir também em São Pedro de Maceda, onde o avanço do mar tem sido “muito acentuado” e aumentado o risco para uma base aérea e um antigo aterro.

Na Marinha Grande, a zona que gera maiores preocupações é São Pedro de Moel, onde o inverno provocou mais queda de rochas e as obras de estabilização das arribas só agora vai arrancar.

“A derrocada das arribas está iminente”, adiantou o vice-presidente do município, Paulo Vicente, apontando como outra inquietação a Praia da Vieira, cuja erosão atribui em parte ao “alargamento dos pontões do porto da Figueira da Foz”.

Mais a sul, a Câmara de Sines considera não existirem situações de “risco de derrocada imediata”, mas a palavra de ordem continua a ser, para o presidente Manuel Coelho, prevenir.

A falésia em que assenta a fortaleza do Pessegueiro, a praia da Samouqueira (Porto Covo) e a praia Vasco da Gama (Sines) são apontadas como as áreas mais vulneráveis.

Já no Algarve, ascendem a 14 as praias que foram alvo de reparações de arribas devido às tempestades de mar deste inverno, incluídas na classe dos anos em que se registaram as situações de rutura mais graves.

Tempestades de mar do inverno obrigam à reparação de 14 locais no Algarve

As tempestades de mar deste inverno no litoral algarvio obrigaram já a intervenções de reparação de arribas em 14 praias, disse à agência Lusa fonte da Administração da Região Hidrográfica do Algarve (ARH).

Foram já executadas intervenções de reparação das arribas nas praias de Belharucas, Olhos d’Água, Maria Luísa, Oura, Santa Eulália, Forte S. João e Inatel, no concelho de Albufeira, mas também em Armação de Pêra (Silves), Pintadinho, Caneiros (Lagoa).

As arribas nas praias Três Castelos e Careanos, no concelho de Portimão, no Tonel, em Vila do Bispo e Portinho do Forno, Aljezur, completam os 14 locais do litoral do Algarve em que a ARH teve de realizar obras de reparação.

O efeito das tempestades de mar no inverno 2009-2010 no litoral do Algarve “permite a sua inclusão na classe dos anos em que se registaram as situações de ruptura mais graves no litoral do Algarve, com período de retorno de 10 anos, nomeadamente as registadas nos anos de 1978/79; 1989/90 e 1995/96, em consequência quer da intensidade do fenómeno, quer da sua concentração no tempo, quer da sua frequência”, informa.

A persistência da agitação marítima com alturas igual ou superior a 2,5 metros atingiu um nível pouco frequente, com período de retorno da ordem de 20 anos, um quadro que originou uma mobilização global dos areais das praias, ou seja um “rebaixamento generalizado do nível de areia das praias e transferência da areia para a zona submarina”.

“Deste rebaixamento do nível da areia resultou em muitos casos, o aparecimento da plataforma rochosa e de calhau rolado, que constitui a base das praias suportadas por arribas”, explica a ARH.

A sequência das tempestades provocou também desmoronamentos nas arribas rochosas concentradas na frente costeira de Albufeira, entre as praias das Belharucas (a nascente) e a da Baleeira (a poente).

Também nas arribas arenosas entre a praia das Belharucas e o Garrão foram registadas diversas derrocadas. Um dos episódios foi na praia da Fuzeta, onde foram total ou parcialmente destruídas 44 das 71 casas ali existentes. Sete casas foram destruídas em Dezembro de 2009, 11 em Janeiro de 2010, 17 em Fevereiro e mais nove este mês.

No sistema de ilhas barreira da Ria Formosa foram também registados galgamentos em todas as ilhas e penínsulas, verificando-se atravessamento total das ilhas, sendo os mais significativos os que ocorreram na praia de Faro, ilha da Barreta, praia da Fuzeta e Ilha de Cabanas.

Durante este inverno foram ainda registados no Algarve níveis de sobreelevação das cotas da maré, com registos de 60 a 70 centímetros acima da maré prevista, de onde resultaram inundações em Ferragudo, Santa Luzia e Tavira.

Obras na Praia da Areia Branca avançam este ano para travar erosão agravada pelo Inverno

As obras de consolidação da arriba a norte da praia da Areia Branca (Lourinhã), onde uma parte desmoronou em 2005 sem fazer vítimas, vão avançar este ano após o Verão face ao avanço da erosão, revelou a autarquia.

“Obtivemos uma resposta da secretária de Estado do Ordenamento do território e as obras vão ser iniciadas este ano, após o Verão e durante seis meses”, afirmou à Lusa Vital Rosário, vereador com o pelouro da gestão do litoral na Câmara da Lourinhã.

A instabilidade da arriba na zona, conhecida por Casal dos Patos, é o caso mais preocupante do litoral do concelho, para onde está previsto desde 1997 um projecto de consolidação do talude, mas as obras têm vindo a ser adiadas pelo Instituto da Água (INAG).

Na zona, parte da arriba desmoronou em 2005, deixando uma vala de três metros no jardim de uma habitação e motivando uma queixa no Parlamento Europeu por parte dos seus proprietários um ano depois, a solicitar uma intervenção de fundo, além da retirada dos blocos instáveis.

“Por ser uma zona de grande afluência, deixa-nos muitas reservas em relação ao Verão, na medida em que temos tido uma evolução muito desfavorável de aumento do risco com infiltração das águas”, adiantou o autarca, que esteve já este ano no local com técnicos do INAG.

Neste sentido e para minimizar eventuais acidentes que possam ocorrer durante a época balnear, a arriba vai ser delimitada com um perímetro de segurança para evitar a aproximação dos banhistas.

O autarca explicou que existe risco de “deslizamento” da arriba em caso de um tremor de terra ou de um Verão muito seco, após as fortes chuvas de inverno, uma vez que se trata de um caso de infiltração de águas no topo da arriba que tornam o solo mais instável e sujeito a deslizamentos.

Apesar de ser uma zona com casas no topo da arriba, o principal perigo é para os banhistas que no verão se refugiam junto às arribas para se abrigarem do vento, disse.

Segundo o autarca, “em virtude das intempéries deste inverno, as arribas estão mais instáveis [em todo o concelho], têm ocorrido fenómenos de deslizamentos e queda de rochas”, existindo casos também preocupantes nas praias de Paimogo, Porto Barcas, Porto Dinheiro e Valmitão, para as quais não estão previstas obras de estabilização.

Fonte: LUSA

I Censo da Galinhola na Madeira: 52 Voluntários contam Galinholas!

Aproxima-se a passos largos o Censo de Galinhola, evento previsto para os dias 28 de Março a 2 de Abril.
52 Voluntários já estão confirmados para participarem nas contagens, 35 dos quais oriundos de diversas partes do País e ainda de Espanha, Itália, Áustria e Holanda. Com a participação desta numerosa equipa será possível realizar cerca de 100 pontos de observação em apenas quatro dias.
A sessão de abertura terá lugar no dia 28 de Março às 11 horas, no CEF, situado no Montado do Pereiro. Neste evento contamos com a participação dos nossos parceiros e demais entidades públicas e privadas que desde logo se prontificaram a colaborar neste censo inédito na região.
Todos os interessados em assistir à sessão de abertura estão desde já convidados a comparecer e descobrir um pouco mais sobre esta espécie tão desconhecida da maioria dos madeirenses. Contamos consigo!

Mais informações em: http://censodagalinhola.blogspot.com/

Madeira poderá vir a integrar Convenção OSPAR de Protecção do Ambiente Marinho

A Madeira poderá integrar a Convenção OSPAR - Protecção do Ambiente Marinho do Nordeste Atlântico se esta se expandir para Sul como é interesse de alguns dos países signatários, disse à Agência Lusa o diretor regional do Ambiente.

Os representantes de seis países signatários da Convenção OSPAR (Alemanha, França, Reino Unido, Holanda, Espanha e Portugal) e de organizações não governamentais com interesse na proposta de área marinha protegida para a Zona de Fractura Charlie Gibbs, reúnem-se hoje no Funchal, para discutir vários aspetos e implicações desta iniciativa.

As organizações não governamentais envolvidas são o Fundo Mundial para a Vida Selvagem - WWF, Autoridade Internacional para o Leito do Mar, Comissão Baleeira Internacional, Comissão de Pescas do Oceano Atlântico nordeste, União Internacional para a Conservação da Natureza - IUCN e o Instituto da Conservação Biológica Marinha.

Fonte: Visão

Encuesta para categorías de áreas protegidas de UICN en el ambiente marino

La Comisión Mundial de Áreas Protegidas (CMAP) está preparando unas guías adicionales para aplicar el sistema de categorías de áreas protegidas de UICN en el ambiente marino. Se desarrolló una encuesta para apoyar este proceso. Sería excelente que pudieran apoyar este proceso completando la encuesta, y además re-enviando este correo a otras personas que puedan apoyar. La encuesta se puede completar hasta el 12 de abril en: http://www.surveymonkey.com/s/CBT7N86

Más información: Carolina García Imhof (WCPA – marine):
garciaimhof@hotmail.com

Fuente: Red Virtual de Areas Protegidas de Latinoamérica (22 de marzo
del 2010)

terça-feira, 23 de março de 2010

Presidente da República preocupado com o Ambiente!

O Presidente da República Portuguesa participou numa acção de limpeza no âmbito do Projecto Limpar Portugal, no Parque Natural de Sintra-Cascais, aproveitou a ocasião para se inteirar do trabalho desenvolvido pelos Vigilantes da Natureza na preservação dos habitats e na defesa da floresta. Esta é a segunda ocasião em que o Presidente da República faz questão de falar com os Vigilantes da Natureza. Na sua visita ao Parque Natural do Douro Internacional também dedicou algum do seu tempo ao contacto directo com os Vigilantes da Natureza, tendo transmitido aos responsáveis governamentais presentes a sua preocupação pelo número reduzido de elementos que constituem o Corpo Nacional de Vigilantes da Natureza.

APGVN

Reserva Natural Parcial do Garajau: protecção dos valores naturais marinhos

A primeira reserva exclusivamente marinha a ser criada em Portugal nasceu da vontade de um grupo de cidadãos e a paixão pelo mundo debaixo de água foi a razão que os moveu.
Por estas águas, os Meros são desde sempre os seus grandes companheiros de mergulho, no entanto a sua curiosidade e sociabilidade tornou-os presas fáceis dos arpões dos caçadores submarinos. Hoje, os Meros são uma espécie ameaçada em Portugal.
Porém, diz quem sabe, ao longo destes seis quilómetros de um azul profundo, estão concentradas todas as espécies de peixes existentes no Atlântico.
Os biólogos subscrevem a constatação. Aliás, a biodiversidade suportada por um habitat rochoso, propício à coabitação entre espécies e a necessiade de criar ali um viveiro e conciliar o turismo e a conservação da natureza, foram os fundamentos apresentados.
Em 1986 foram aceites. O Governo Regional da Madeira legislou. Criou a Reserva Natural Parcial do Garajau e em nome da protecção dos valores naturais, a pesca foi proibida e para além do mergulho, hoje, só é permitido nadar, andar à vela ou de canoa, na zona da reserva. A estação do Lazareto é o porto de abrigo dos vigilantes da natureza que patrulham a reserva e zelam pelo cumprimento da lei, para além de darem apoio ao mergulho amador.
Para as autoridades oficiais os objectivos estão conseguidos, os apanhadores de lapas protestam, e os cientistas apesar de reconhecerem o sucesso, confessam: fez falta um censos inicial e uma monitorização que permitisse suportar cientificamente as vantagens da existência da primeira reserva exclusivamente marinha do país.
Dezanove anos depois quem por ali sempre mergulhou sussurra: o desenvolvimento está a comprometer aquilo que até agora a Reserva Natural Parcial do Garajau conseguiu de algum modo conservar no seu imenso azul.

Fonte: RTP.PT

segunda-feira, 22 de março de 2010

Lista Vermelha de Invertebrados Europeus - UICN


No Ano internacional da Biodiversidade a IUCN, acaba de publicar a Lista Vermelha Europeia de Odonatas, Lepidopteros e Coleopteros, que se vão juntar às já publicadas Listas Vermelhas de Mamíferos, Anfíbios e Répteis.

A Internet está a ameaçar espécies raras, alertam especialistas

Alguns especialistas na conservação de espécies raras vieram a público alertar para o facto de a Internet ser hoje uma das maiores ameaças às espécies em vias de extinção. Nunca foi tão fácil como hoje comprar e vender crias de leão ou casacos de pele feitos de ursos polares. Tudo isso está à distância de um leilão online ou de uma entrada numa chatroom especializada.

Estas conclusões alarmantes foram apresentadas na Convenção que reúne 175 nações de todo o mundo dedicada ao Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES), em Doha, no Qatar.

Nesta cimeira, várias propostas que dariam mais protecção a espécies ameaçadas acabaram por ser derrotadas, segundo a BBC. No final desta semana os delegados decidem eventuais mudanças no comércio de marfim.

“A Internet está a tornar-se o factor dominante globalmente no comércio de espécies protegidas”, indicou Paul Todd, do International Fund for Animal Welfare.

O mesmo responsável disse que milhares de espécies ameaçadas são negociadas regularmente através da Internet e que os compradores e vendedores se aproveitam do anonimato que a World Wide Web fornece.

As pessoas que estão a tentar policiar este comércio dizem ser virtualmente impossível estimar qual a dimensão deste problema.

O maior mercado para este tipo de negócios é os EUA, seguidos da União Europeia, China, Rússia e Austrália.

Ontem, os delegados conseguiram banir todo o comércio de um tipo raro de salamandra iraniana, que o World Wildlife Fund diz ter sido devastado pelas compras e vendas online. Porém, as tentativas de proibição de venda de ursos polares, uma espécie de atum (Bluefin tuna) e corais raros acabaram por falhar, deixando os ambientalistas completamente desmoralizados, relata a correspondente da BBC em Doha.

Fonte: Publico.pt

Açores: Linhas de electricidade matam 3000 aves por ano

A colisão com linhas eléctricas e a electrocussão provocam anualmente a morte de cerca de 3000 aves nos Açores, segundo estimativas da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) que preocupam a Electricidade dos Açores (EDA).
"Estimamos que a interacção com as linhas eléctricas provoque a morte a cerca de 3000 aves por ano", afirmou Hugo Sampaio, técnico da SPEA, que desenvolveu um estudo sobre este problema em oito das nove ilhas dos Açores.

Neste estudo, que apenas não incluiu a ilha do Corvo, foram encontradas 452 aves mortas por electrocussão ou colisão com linhas de transporte de electricidade no espaço de um ano, o que levou à estimativa de cerca de 3000 mortes anuais no arquipélago.
"Se acontece este mal, é porque alguma coisa está a falhar", admitiu José Manuel Marques, responsável pela Qualidade e Ambiente da EDA, acrescentando que a solução do problema pode passar pela colocação de sinalizadores nas zonas onde ocorrem mais colisões.
A SPEA e a EDA assinaram há quatro anos um protocolo para avaliar a interacção entre a avifauna e a rede de transporte e distribuição de energia eléctrica nos Açores.
O estudo, realizado durante um ano, detectou 452 aves mortas, das 315 por colisão com linhas eléctricas e 137 por electrocussão.
A espécie mais afectada pela electrocussão foi o milhafre, devido ao seu porte e hábitos de caça.
"Os milhafres têm uma visão muito apurada, é das poucas espécies que gosta de poisar nos postos para caçar", salientou Hugo Sampaio, acrescentando, no entanto, que o problema também atinge espécies mais pequenas, como gaivotas de patas amarelas, pombos das rochas, estorninhos malhados ou melros.
As ilhas Graciosa, Terceira, Santa Maria e Pico são, segundo este especialista, as que apresentam mais mortes por electrocussão, enquanto em S. Miguel se encontram as linhas mais modernas e os postes mais seguros.
A EDA, segundo José Manuel Marques, considera que "é importante actuar" nesta área, tendo passado a realizar desde 2009 "algumas acções na manutenção e construção de linhas conducentes à diminuição do impacto na avifauna".
Nesse sentido, a eléctrica açoriana pretende adquirir em breve dispositivos anticolisão, que serão colocados inicialmente em S. Miguel e na Terceira.
José Manuel Marques garantiu, no entanto, que a EDA vai intervir em todas as ilhas até 2011, alterando a configuração dos suportes de apoio das linhas, o que deverá evitar as mortes de aves por electrocussão.
"O plano da EDA abrange todas as ilhas, de acordo com o que foi estabelecido com a SPEA", afirmou, acrescentando que "os resultados deverão aparecer já este ano".
Relativamente às novas linhas de transporte de electricidade que vierem a ser construídas, José Manuel Marques assegurou que "já terão em consideração as novas tipologias de apoio".

Fonte: LUSA

Educação ambiental nas escolas é insustentável

A educação ambiental e a educação para o desenvolvimento sustentável nas escolas portuguesas é limitada, demasiado infantil e, ironicamente, insustentável. Este é o retrato crítico que resulta de um inquérito a 15.000 escolas e 2300 organizações não-escolares, cujos resultados estão num livro a apresentar hoje em Lisboa.

Cerca de metade das escolas e 30 por cento das outras organizações responderam ao inquérito, realizado entre 2005 e 2007. O resultado aponta para o papel preponderante das câmaras municipais entre as entidades que promovem a educação ambiental nas escolas: 58 por cento dos projectos são de autarquias. A esta quota somam-se ainda os projectos com empresas municipais.

A consequência é a limitação dos temas às questões dos resíduos, flora e fauna. Muitos estão directamente relacionados com as empresas patrocinadoras. "Esta prevalência de temas, patrocinadores e parceiros acaba por tornar a educação ambiental e a educação para o desenvolvimento sustentável demasiado instrumental", concluem os sociólogos Luísa Schmidt, Joaquim Nave e João Guerra em Educação Ambiental-Balanço e Perspectivas para Uma Agenda Mais Sustentável - o livro será apresentado numa conferência sobre o tema, no Instituto de Ciências Sociais.

Neste sentido, as actividades estão "a negligenciar o que se passa no "mundo real". A vertente do desenvolvimento sustentável deveria ser reforçada com ligações à economia e cidadania. As escolas deveriam ser "exemplo vivo" da sustentabilidade. Segundo o inquérito, os projectos são maioritariamente dirigidos apenas aos alunos, com pouco envolvimento da escola ou da comunidade onde se insere. Só nove por cento dos projectos desenvolvidos por organizações externas e 17 por cento dos realizados pelas próprias escolas se destinavam à comunidade educativa em geral.

O livro fala da "infantilização" da educação ambiental: 44 por cento dos projectos das escolas destinam-se a alunos do 1º ciclo, sobretudo em actividades recreativas e lúdicas. Só 12 por cento envolvem o secundário.

Para Luísa Schmidt, os projectos deveriam envolver mais os adolescentes e colocar os alunos a avaliar a realidade ambiental e de desenvolvimento sustentável na sua área, através da recolha de dados que pudessem ser validados e trabalhados depois por universidades. "No fundo, seria uma ciência participativa", afirma.

Os projectos também deveriam durar mais tempo: metade tinha a duração de apenas um ano lectivo, 11 por cento nem a isso chegava, embora 37 por cento ultrapassassem aquele limite. Conclusão: há uma "notória insustentabilidade das actividades de educação ambiental e educação para o desenvolvimento sustentável".

Fonte: Publico.pt

Dia da Água: Ministra assinala efeméride com participação no Congresso da Água

A ministra do Ambiente assinala hoje o Dia Mundial da Água com uma participação no 10.º Congresso da Água, que reúne no Algarve mais de 400 especialistas nacionais e estrangeiros para discutir as problemáticas relacionadas com os recursos hídricos.

Criado pelas Nações Unidas em 1993, o Dia da Água visa alertar para a necessidade do correcto e eficiente uso da água, chamando a atenção para um bem limitado e essencial à vida que não deve ser desperdiçado, pode ler-se num comunicado do Ministério do Ambiente.

Este ano, o dia tem como tema “Água Limpa para um Mundo Saudável”. Trata-se, segundo a vice-presidente da Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos (APRH), Alexandra Serra, de uma perspectiva transversal da água no meio hídrico e da sua utilização pelos diversos agentes, da agricultura à indústria, englobando o consumo humano.

Segundo Alexandra Serra, a qualidade nos meios hídricos é um dos temas que mais preocupa a comunidade técnica e científica em Portugal. “Esse vai ser o grande desafio”, assegura, acrescentando que, para se alcançarem as metas pretendidas, é necessário um investimento “muito importante”.

Após o investimento feito em estações de tratamento de águas residuais, o grande desafio que agora se coloca a Portugal é garantir a qualidade das massas de água e ecossistemas associados, defendeu.

“Melhorámos bastante nos últimos 15 anos, mas enquanto as nossas estações de tratamento de águas residuais sofreram uma melhoria significativa, as redes que conduzem as águas residuais domésticas a essas estruturas têm uma cobertura da ordem dos 76 por cento”, afirma a vice-presidente da APRH, Alexandra Serra.

A engenheira considera que este valor coloca Portugal numa posição positiva a nível mundial, mas não no contexto europeu: “Não estamos nos melhores, de todo”.

Fonte: LUSA

Entrevista ao SEFDR, Rui Barreiro: Apoios para a floresta vão aumentar

São várias as decisões do Governo anterior que o actual Ministério da Agricultura quer rever. Uma delas é o destino das matas públicas. Outra é os apoios previstos para a floresta. Aumentar o investimento é a grande prioridade.

Rui Barreiro, secretário de Estado das Florestas, não tem dúvidas: a situação que encontrou em relação ao Plano de Desenvolvimento Rural era “muito má”. Por isso, há várias coisas a mudar e a principal é tornar as medidas mais atractivas para o investidor. Outra das suas prioridades será a certificação das áreas florestais, dando o exemplo nas matas públicas. E hoje, Dia Mundial da Floresta, o Governo apresenta o primeiro certificado de gestão florestal de um bosque de gestão pública: 2.187 hectares na Serra da Lousã.

PÚBLICO: Suspenderam decisões do Governo anterior, entre as quais a privatização da gestão das matas públicas. O que acontecerá a este património?

Rui Barreiro Com a suspensão do código florestal, pretendeu-se alargar o prazo da discussão pública porque havia muitos agentes que consideraram que não tinha havido tempo para participar activamente na discussão.

Mas há algum aspecto em particular do código com que não estejam satisfeitos?

Genericamente, o objectivo principal foi possibilitar que os diferentes agentes tivessem mais tempo para dar os seus contributos. É óbvio que nós próprios temos de fazer uma reflexão interna. Portanto suspendemos, para dar tempo a que os diferentes agentes se pronunciassem. Estávamos em condições de regulamentar. O que vai acontecer, espero eu, é que haja alguma participação activa, um balanço global e esperamos ter um novo código. Havia algumas questões técnicas que tinham de ser corrigidas. Um código não tem de ser apenas uma súmula de legislação, tem de ser um documento orientador e havia aspectos mais desenvolvidos que outros e portanto vamos tentar fazer um documento mais equilibrado. A intenção de fazer o código foi positiva e espero que com os novos contributos seja possível fazer um documento melhor.

Mas o que farão com as matas públicas?

As matas públicas são para nós muito importantes por duas razões. A primeira porque são um exemplo que o Estado tem de dar aos privados – a maior parte da floresta é privada mas a floresta pública tem de ser um exemplo, o que não é fácil face aos constrangimentos orçamentais, às dificuldades com que o Ministério se debate, etc. No entanto, temos de tentar ser exemplares. E vamos sê-lo. No caso da certificação florestal, por exemplo, vamos começar a dar exemplos nas matas públicas. Vamos tentar que não seja só aí, que possamos dar outro tipo de exemplos. Há algumas intenções de podermos utilizar parcerias, quer com autarquias, quer até eventualmente com empresas que possam melhorar a gestão. Estou-me a lembrar do caso da biomassa. Podemos incentivar e criar condições para que a pegada de recolha da biomassa seja mais reduzida, dando exemplos nas matas públicas. Há algum trabalho a fazer sendo que para nós as matas públicas são muito importantes e espero que continuem públicas.

O que estava em causa não era tanto a propriedade das matas mas mais a gestão.

O principal problema que temos neste momento é que houve um envelhecimento global dos quadros do ministério com uma diminuição acentuada desses mesmos quadros. O que temos de fazer é, por um lado, rejuvenescer, dentro das limitações todas que temos, e por outro lado criar condições para ter novas tecnologias de gestão. Hoje não precisamos de ter tanta gente nem de fazer da mesma maneira como se fazia. Estamos convencidos que é possível melhorar e potenciar as matas públicas porque os recursos aí existentes não são só a floresta mas a floresta na sua multifuncionalidade. E é nessa multifuncionalidade que devemos apostar.

Suspendeu também a lei orgânica da Autoridade Florestal Nacional. Porquê?

Considero que é necessário fazer algumas mexidas na lei orgânica da AFN mas também considero que não podemos cometer o erro que muitos cometem que é cada vez que vem um novo governo, tudo o do anterior vai fora. Estabelecemos algumas prioridades e uma delas prende-se com trazer meios financeiros para a floresta. Nós temos meios no Proder (Programa de Desenvolvimento Rural) e no Fundo Florestal Permanente. Essa é a nossa prioridade. Para reflorestar, para apoiar a certificação, para criar condições de investimento na floresta que é um bem importantíssimo em termos nacionais. Quando considerarmos que fechámos esse dossier, que as coisas estão em velocidade cruzeiro, aí teremos oportunidade de reflectir e eventualmente mexer na lei orgânica, que na nossa opinião precisa de ser mudada.

Quais os aspectos a mudar?

Eu acho que deveria haver mais capacitações regionais. A lei orgânica tem dois dirigentes de topo – um presidente e um vice-presidente – e três directores nacionais e depois tem cinco directores regionais que acabam por ter uma interlocução com cada um desses directores nacionais e não têm a capacidade de gestão de território que deveriam ter. Um director regional tem de ter mais meios e mais poder para interagir com a direcção nacional e para actuar, não apenas sectorialmente, mas na gestão global do espaço em tudo o que tenha a ver com a floresta, seja investimento, seja manutenção, seja prevenção de incêndios, etc, etc.

Houve várias propriedades do ministério que, com a reestruturação, ficaram ao abandono. Vão inverter essa situação?

Sou particularmente sensível a essas matérias. Primeiro porque conheço bem algumas áreas, como a Contenda, e sei as mais-valias que têm. No caso da Contenda, que é um bom exemplo, não temos tido condições de potenciar tudo aquilo que tem. É uma herdade espectacular, com muitos investimentos públicos ao longo de muitos anos e por isso estamos numa fase de reavaliação das decisões que foram tomadas sobre a Contenda.

Mas há outros casos.

Sim há mais, mas a Contenda é um caso específico porque é uma zona de caça nacional, está numa zona de fronteira entre Portugal e Espanha, tem de ser exemplar naquilo que é a gestão da caça, tem raças autóctones de diferentes espécies, tem mel, tem um investimento significativo no montado e portanto tem tanta valia que é exemplo daquilo que é a multifuncionalidade do ecossistema fundamental no sul do país. É um exemplo fabuloso que não pode ser perdido. Portanto o processo da Contenda foi reaberto por nós. Algum pessoal saiu, o director-regional anda a fazer alguns milagres – ainda há lá pessoal da AFN lá – e o protocolo com a câmara de Moura, que é proprietária do terreno, está a ser repensado. Temos de ver se as questões que a câmara levanta e se as suas pretensões – que serão legítimas – se compatibilizam com os interesses nacionais que devem ser mantidos naquele espaço.

Noutros casos, como o Cenasef (Centro Nacional de Sementes Florestais), vai-se recuperar aquela mais-valia que não se pode perder. Foram dadas instruções para ir à mobilidade buscar algumas das pessoas que faziam a apanha de pinhas, que é uma tarefa feita por gente especializada porque subir aos pinheiros e apanhar pinhas não é fácil, e o centro é importante para a conservação da biodiversidade e das espécies autóctones. Não podemos perder essa valência. Do ponto de vista orçamental fizemos alguns sacrifícios mas não afectamos muito estas áreas ligadas à floresta e portanto julgo que já condições para inverter algumas das decisões anteriores. Agora também é verdade que não podemos ter património a degradar-se. Temos de encontrar soluções que não serão únicas nem exclusivas para as diferentes situações que temos. Haverá condições para parcerias com as autarquias, com as associações de produtores florestais, com outro tipo de entidades de forma a que o património, nomeadamente o construído, possa ser recuperado.

Os produtores continuam a queixar-se dos atrasos no pagamento do Proder. Só agora foi paga a primeira tranche.

Nunca escondemos que a situação do investimento na floresta não era desejável nem a que gostaríamos de ter encontrado. A situação era má. A nossa grande prioridade é tentar que as medidas do Proder ligadas à floresta pudessem ser retemperadas para trazer mais dinheiro para o investimento. Houve algum arrefecimento no investimento florestal. Espero que 2010 seja o ano zero para voltarmos a ter um aquecimento.

Estão a rever medidas?

Sim e a tentar que as medidas florestais tenham mais dinheiro do que o que estava previsto. Até para serem mais atractivas para os investidores. Foram alargados os prazos para aprovação de candidaturas – vai até final de Maio – e por outro lado queremos criar condições para se tornarem mais atractivas para garantir mais investimento na floresta para cumprir uma das prioridades deste Governo: aumentar a área florestada.

Além do investimento nas plantações, há também o apoio para as questões de fitossanidade e já há críticas de que as associações não estão a ser apoiadas para o combate, por exemplo, ao nemátodo.

Não podemos reduzir as questões de fitossanidade ao nemátodo. Há muitos mais problemas e foi excessivo, nos últimos tempos, termos reduzido o problema ao nemátodo. Temos que ter em conta duas coisas: a fitossanidade é também uma arma comercial e portanto a fitossanidade também tem de ser entendida nessa perspectiva. Não podemos penalizar quem trabalha bem e beneficiar quem trabalha mal e portanto a fitossanidade tem de ser encarada da seguinte forma: quem consegue ter viveiros em condições, sem problemas de fitossanidade, consegue vender plantas certificadas, que garantam ao produtor mais-valias, esses têm de ser beneficiados. Os outros têm de ser penalizados. Não se pode transformar a fitossanidade num negócio, em que seja mais favorável ter problemas do que não os ter.

O problema da fitossanidade, tanto animal como vegetal, é sério e vamos tê-lo cada vez mais na ordem do dia, tanto mais que é cada vez mais utilizado como mecanismo comercial, de protecção dos diferentes países, quer na EU quer fora. Isto sendo certo que há algumas associações e agentes do sector que terão alguma razão, outros nem por isso, porque os principais afectadas pelos problemas de fitossanidade são sempre os produtores e os agentes e têm de ser eles os principais actores na defesa e na protecção dos seus produtos. Porque se estiverem sempre à espera que o Estado resolva os seus problemas, isso não acontecerá. Tem de haver níveis de exigência para quem produz, quem importa, quem compra. O Estado tem as suas obrigações de supervisão e acompanhamento mas os agentes também têm de ter a noção de que nunca será possível ao Estado garantir tudo através de apoios, porque os meios financeiros são limitados.

Mas o Proder tem medidas previstas para estes casos, mas os dinheiro não está a chegar aos produtores.

No que ao nemátodo diz respeito, muitos dos fundos financeiros para as medidas de combate vieram do Fundo Florestal Permanente e foram dados apoios às Organizações de Produtores Florestais e a toda a fileira. Portanto não foi pelos problemas do Proder que não houve meios para a fitossanidade.

Qual é o balanço neste momento?

Há um aumento da percentagem de casos positivos mas isso não é um indicador de um aumento da doença, o que houve foi um aumento da intensificação da amostragem.

Começaram a tirar amostras das copas?

Exactamente e isso dá um aumento. O nemátodo em Portugal está circunscrito. Em Março deverá sair legislação-chapéu para o nemátodo que identifica claramente as zonas afectadas e que permitirá garantir a actuação quer do Estado quer de outros agentes com o objectivo de criar condições para que ele não se propague. Porque se transformamos o nemátodo num negócio ele nunca vai acabar. E é essa a nossa preocupação.

Quantas árvores já foram abatidas?

1,9 milhões na região centro mas talvez 2,5 em todo o país. Temos protocolos com 36 Oorganizações de Produtores Florestais. Há muitos falsos positivos porque a identificação microscópica só se consegue obter vendo o órgão sexual e isso é tão difícil que muitos dos nemátodos identificados são outros que não aquele e muitos são quase autóctones. O nemátodo não é o único problema das coníferas e muitas vezes só ataca árvores fragilizadas. O bom maneio da floresta é essencial para evitar que as doenças se propaguem. Não se pode reduzir tudo ao nemátodo, embora este tenha um impacto financeiro significativo. Em 2010 vão ser dados também meios financeiros à indústria.

Agora há também um problema de fitossanidade nos viveiros.

Há viveiros e viveiros. Aqueles que trabalham bem, que utilizam plantas certificadas, normalmente não têm tantos problemas. Isso não significa que não os tenham. Que existem, desde os cancros resinosos até aos fungos – que cada vez aparecem mais. Mas a actividade de viveirista florestal, nos últimos anos, não teve grandes alterações porque não houve grandes investimentos. Tem havido alguma actividade por parte dos privados. Se olharmos para o património florestal temos muitos proprietários que não são produtores, são apenas proprietários e portanto vão ao mercado apenas quando vão vender a sua madeira ou a sua cortiça. Portanto, como não temos produtores que estejam no mercado todos os anos, a relação com o sector a montante é incerta. Quando florestam, contratam uma empresa que lhes faz tudo: trata os terrenos, faz a florestação, etc. As plantas certificadas, por exemplo, são mais caras e muitas vezes não são tidas em conta nos orçamentos globais. Por isso, muitas vezes os viveiristas não têm os cuidados que deveriam ter em relação à origem das plantas, os controlos secalhar precisavam de ser mais apertados. Não pode ser sempre o Estado a tratar dos problemas todos. O sector só se fortalecerá se houver níveis de exigência cada vez maiores, desde os agentes comerciais aos que plantam, passando pelos técnicos que fazem os projectos e acompanham os povoamentos. Só com a fileira toda envolvida na responsabilização teremos uma floresta mais produtiva.

No caso da fileira da cortiça, há também a preocupação com o declínio do montado. Como vê a questão?

Aquele sistema agro-silvo pastoril é essencial para a contenção da desertificação que as alterações climáticas prevêem. O montado, além da cortiça que é de facto importantíssima para os proprietários e para o país, faz parte de um ecossistema essencial para conter a desertificação e para manter alguma actividade económica, sustentável e multifuncional, em todo o sul do país. Este sistema agro-silvo pastoril é essencial, apesar de nalguns casos se ter exagerado, se ter posto excessiva carga animal.

Acha que o que se chama o declínio do montado se deve sobretudo a má gestão do solo?

Há várias razões. Há algumas zonas de montado cada vez mais reduzidas. Há alguma investigação sobre isso. O montado é um bom exemplo daquilo que é a floresta – longo prazo. Exige muita paciência, que não se compadece com o imediatismo da nossa sociedade. Há muitas questões técnicas a ter em conta, desde os solos à maquinaria utilizada, que pode destruir o montado. A questão do montado deve ser considerada em Portugal como prioritária, não apenas porque somos líderes mundiais da cortiça, mas também porque do ponto de vista do ecossistema mediterrânico e do sul do país, este sistema é o mais adequado. É certo que a compatibilização do regadio com as árvores acaba por ser complicada. Agora não tenhamos a menor dúvida que temos de continuar a ter uma política activa de protecção do montado, passando pela investigação, e toda a fileira tem de ter uma responsabilidade acrescida nisso. Até porque o montado tem potencialidades muito para além da rolha da cortiça. E há uma que é a questão ambiental que hoje não é valorizada - a da desertificação - que vai começar a ser mais valorizada. O sobreiro deveria ser o símbolo de Portugal. Por isso me custa muito dar autorizações de abate de sobreiros.

Tem-lhe aparecido muitos pedidos?

Alguns, mas eu sou muito exigente na verificação dos justificativos. No caso d último que autorizei eu próprio fui ao local para verificar que o abate que eu estava a autorizar era legítimo.

O centro do montado de Portel vai-se manter?

Vai. No país temos “n” espaços ligados à cortiça e ao sobreiro e isso não faz muito sentido. Temos Portel, Coruche, Montijo, Santa Maria da Feira, etc. Pretendia-se que Portel fosse um centro agregador dos outros todos. O que tem de acontecer é que todos estes centros têm de funcionar em rede. Portel tem dois técnicos, acesso a informação e tem possibilidade para dar apoio aos produtores.

Já vamos com alguns anos de implementação das Zonas de Intervenção Florestal (ZIF). Já há alguma que tenha provado que realmente é por aí o caminho para uma boa gestão da floresta, tornando-a mais resistente aos incêndios?

Há várias. Temos bons e maus exemplos, mas mais bons. A do Vale do Sousa é um caso. A Urze, na Serra da Estrela é outro.

Mas já se nota uma mudança na paisagem?

Claramente. Como temos uma pulverização de proprietários florestais de pequena dimensão e temos muita gente absentista, a gestão do espaço era impossível de se fazer se não houvesse esta gestão globalizada. As ZIF foi uma boa medida de política, que se deve continuar a incentivar, mas tem de se criar alguns mecanismos que permitam que ela sobreviva para além dos apoios que ainda têm do Estado e da UE.

Hoje temos 109 ZIF que cobrem cerca de 520 mil hectares e reúnem mais de 16 mil proprietários. Só para este ano temos quase 7,5 milhões de euros comprometidos para as ZIF a partir do Fundo Florestal Permanente. Há, assim um investimento grande dos contribuintes nas ZIF. Este ano ainda vamos ter mais porque como vamos dar incentivos à certificação florestal, vamos também utilizar as ZIF como exemplo.

Na certificação, vão começar pelas matas públicas?

Sim, mas para além disso vamos atribuir incentivos de forma a que consigamos ter 500 mil hectares de floresta certificada até 2013. Estamos a tentar antecipar-nos ao mercado. Neste momento, quem certifica é a fileira do eucalipto e alguma ligada ao montado. Mas nos anos mais próximos, os nórdicos vão começar a exigir mobiliário com madeira certificada. Portanto, temos de criar já condições para que os nossos produtores adiram a um sistema que vai ter, num futuro próximo, mais-valias.

O problema é que no eucalipto já se sabe quanto se ganha a mais por se vender madeira certificada, e no pinho ainda não há essas contas.

Enquanto na agricultura, as agro-indústrias se mantêm no Ministério da Agricultura, no caso da floresta, só a produção é que está no ministério, na minha opinião erradamente. Tudo o resto é Economia. Isto faz com que hajam incentivos do lado da economia que depois não têm resposta do lado da produção. O regime de incentivos para a agro-indústria são controlados por via da agricultura. No caso da fileira do pinho, têm de ser os agentes económicos a dinamizar a exigência de madeira certificada. Agora ouve-se muito dizer que não há pinho. Se não, então vamos fazer reflectir na produção uma diferenciação positiva. Se os proprietários tiverem essa diferenciação positiva, não enviarão a madeira para funções menos nobres, canalizando-a para a construção e o mobiliário, que são as suas funções mais nobres. Mas para isso tem de haver resposta do mercado e têm de ser os agentes da fileira do pinho a incentivar a certificação, como aconteceu com a fileira do eucalipto e da cortiça, porque estes tinham mais-valias no mercado que podiam repercutir sobre quem produz.

Uma grande preocupação da indústria é a fuga da madeira para fins ditos “menos nobres” como a biomassa.

Eu também tenho essa preocupação. O problema das centrais de biomassa prende-se mais com o tipo de central – se é dedicada e utiliza apenas biomassa florestal e só serve para produzir energia eléctrica ou se é de co-geração ou até mesmo trigeração e utiliza todo o tipo de biomassa. São estas últimas que são mais rentáveis. As que utilizam apenas biomassa florestal não são solução.

Foram apontadas como solução rentável para os matos retirados das florestas no âmbito da defesa contra incêndios, mas estes matos acabam por ser um problema porque vêm carregados de humidade.

Por isso é que tem de haver a co-geração porque se produzirem calor, reduzem a humidade e têm condições de ter uma tarifa mais rentável. As centrais não são uma ameaça às fileiras do pinho ou outras desde que não sejam dedicadas. Há centrais que até resolvem problemas ambientais pois usam bagaço da azeitona e outros tipos de subprodutos pecuários.

Está também a ser canalizada madeira para as pellets.

Acho que também têm lugar no mercado. E estas utilizam várias fontes, como a casca da castanha, não é só floresta como se pensa. Deve ter o seu nicho do mercado. Até do ponto de vista das emissões de carbono, algumas das centrais que utilizam carvão, deveriam utilizar pellets. Mas a maior parte é exportada. Do ponto de vista energético é uma boa opção.

Uma das grandes reinvindicações dos produtores florestais é serem recompensados por sequestrarem carbono, já que prestam um serviço à sociedade que não é retribuído.

Totalmente de acordo. Temos de ver o que podemos fazer para fazer recair sobre os produtores a mais-valia do sequestro de carbono. E não só sobre os produtores florestais, já que os produtores de fruta ou os homens das pastagens também deveriam beneficiar de serem sequestradores de carbono, assim como aqueles que fazem mobilização mínima do solo. Muitas vezes esquecemos que se fizermos mobilização mínima estamos a ganhar três vezes em termos de carbono, isto é, não estamos a levantar o carbono que está no solo, estamos a lançar semente que vai sequestrar carbono e ainda estamos a utilizar menos trabalho de máquina, portanto menos energia fóssil, logo a libertar menos carbono para a atmosfera. É uma opção com vantagens triplas. Julgo que é uma reinvindicação legítima.

Estamos a tentar fazer um balanço de carbono de todo o sector agro-florestal porque a agricultura é muitas vezes vista só como poluidor por causa da pecuária e esquece-se tudo o resto. O sequestro de carbono deve ser um input para o rendimento dos produtores, desde a floresta até aos produtores de fruta ou o olival.

Como podia ser feita essa compensação?

Temos padrões internacionais de contabilização das emissões de carbono e para além do mercado de carbono, que é muito aliciante, temos de contabilizar o que vamos deixar de pagar no âmbito do protocolo de Quioto pelo facto de estarmos a atingir as metas. Podemos fazer recair nos produtores essas mais-valias, de que todos os cidadãos beneficiam. Os grandes poluidores, como algumas indústrias, têm obrigação de remunerar os outros que fazem o contrário. Temos de estudar as emissões do nosso sector e o sequestro efectivo. A própria pecuária tem capacidade compensar as suas emissões se tratar os efluentes numa central de biogás ou biomassa. Esse balanço tem de ser feito. Os sequestradores de carbono têm de ser compensados por isso.

Fonte: Público.pt

Limpar Portugal: cem mil voluntários recolheram 70 mil toneladas de lixo

Cerca de 100 mil voluntários recolheram anteontem, em nome da iniciativa “Limpar Portugal”, mais de 70 mil toneladas de lixo por todo o país, disse à Lusa um dos mentores do projecto.

“O tempo dificultou um bocado, mas apesar disso conseguimos reunir os 100 mil voluntários que queríamos. As opiniões técnicas é que conseguimos recolher 70 mil toneladas de lixo”, relatou à Lusa Paulo Torres, um dos três coordenadores nacionais e mentores do projecto. Dentro de dias, sublinhou, os aterros sanitários e as entidades de reciclagem poderão confirmar os números com mais precisão.

O mesmo responsável acrescentou que o lixo foi “apanhado pelo país fora, sem zonas melhores ou piores” ou nas quais a recolha tenha sido mais intensa. Ainda assim, adiantou que “apenas no concelho de Braga recolheram-se 400 toneladas” de lixo, “essencialmente em terrenos de floresta” e “estradas no meio de bouças”.

“Estamos bastante satisfeitos com o resultado e achamos que conseguimos passar a mensagem”, reforçou Paulo Torres, acrescentando que apenas se registou um problema com um dos elementos que recolhia lixo no âmbito da iniciativa.

“Tivemos um acidente com um voluntário de Condeixa, que estava no ‘Limpar Portugal’, foi atropelado e está no hospital”, avançou o mesmo responsável. “Não é um ferimento ligeiro, mas penso que está livre de perigo”, sublinhou Paulo Torres.

A ideia de recolher resíduos espalhados nas matas surgiu em Julho passado, quando o técnico de logística Nuno Mendes, de 38 anos e residente em Vila Nova de Famalicão, publicou no fórum da Internet do clube LandMania (para fãs de veículos Land Rover) um vídeo sobre um projecto concretizado em toda a Estónia, onde se reuniu mais de 10 mil toneladas de lixo.

A legenda “Para quando em Portugal?” suscitou de imediato o interesse dos associados Rui Marinho, com 43 anos e gerente de uma empresa de produtos químicos em Santo Tirso, e Paulo Torres, empresário de comércio de 50 anos e morador em Braga.

Nenhum tinha até então estado envolvido em associações ambientais, mas todos partilhavam uma preocupação: o lixo que encontravam durante os passeios em todo-o-terreno, desde para-choques, pneus, resíduos industriais e entulhos de obras a eletrodomésticos e sofás.

Com uma rápida divulgação na Internet, o projecto acabou por ganhar a atenção da comunicação social, das autarquias, de empresas públicas e privadas, do Ministério do Ambiente (que concedeu apoio logístico e jurídico) e da Presidência da República, que lhe atribuiu o alto patrocínio.

Os mentores acreditam que o facto de este ser um movimento cívico, que não aceita dinheiro, foi crucial para o envolvimento “espetacular” da sociedade, que resultou na identificação de cerca de 13mil pontos com lixo em todo o país, entre florestas e terrenos urbanos.

“Esperamos não ter de repetir, que as pessoas tenham compreendido a mensagem e que procurem desfazer-se do lixo de maneira conveniente”, sublinhou hoje Paulo Torres.

Fonte: LUSA

domingo, 21 de março de 2010

Borboletas estão a aparecer mais cedo no ano

Estudo sobre uma espécie comum de borboleta australiana mostra que a idade adulta é atingida 1,6 dias mais cedo por década.

Um estudo australiano demonstra que as borboletas de uma espécie muito comum naquele país estão a aparecer cada vez mais cedo no ano. A causa poderá estar relacionada com as mudanças climáticas a nível regional, concluem os autores.

O trabalho de investigação foi feito por uma equipa da Universidade de Melburne e incidiu no ciclo de vida da borboleta castanha Heteronympha merope, sobre a qual há registos detalhados há 65 anos. O que se verificou, neste estudo, é que a borboleta atinge o estado adulto 10 dias antes do que acontecia há 65 anos.

Feitas as contas, os cientistas apuraram que a antecipação do início do período adulto desta borboleta foi de 1,6 dias por década. Em simultâneo, verificou-se na zona de Melburne uma alteração da temperatura, com subida de 0,14 graus centígrados por década.

A equipa criou as lagartas de borboleta em ambiente de laboratório, para determinar o impacto fisiológico da temperatura. Foi depois desenvolvido um modelo climático de Melburne com base nesta informação. Finalmente, este modelo foi combinado com outros modelos do clima da região.

Segundo o líder da equipa, Michael Kearney, zoólogo da Universidade de Melbourne, este estudo poderá ajudar a elucidar os impactos da mudança climática na biodiversidade. "A alteração dos ciclos sazonais representa um desafio para as espécies", admite o cientista australiano. "Estudos como o nosso poderão ajudar a prever estas alterações e as suas consequências."

Fonte: Diário de Notícias

Vai haver cada vez mais ilhas de lixo no meio dos oceanos

Estão mais do que reconhecidas as duas ilhas de plástico existentes no Oceano Pacífico Norte e no Oceano Atlântico Norte, formadas por correntes marítimas convergentes. Mas existem mais três turbilhões destes que, caso não se faça nada, podem também ficar cheios de lixo.

"Todas as amostras obtidas na superfície no meio do Atlântico continham fragmentos de plástico, não importava onde deixávamos cair o nosso equipamento de arrasto." Quem relata é Anna Cummins, uma das cientistas que navegam a bordo do Sea Dragon, barco do projecto 5 Gyres. Este pretende comprovar que existe lixo flutuante em cada um dos cincos principais turbilhões oceânicos (gyres): no Pacífico Norte, Pacífico Sul, Atlântico Norte, Atlântico Sul e Índico.

Até agora foram comprovadas a existência de sopas de plástico no Pacífico e Atlântico Norte. Especialistas contactados pelo DN confirmam: é provável que nos outros turbilhões este fenómeno venha também a acontecer.

"O turbilhão oceânico de grande escala existe em todos os oceanos e não há dúvidas que pode ocorrer uma ilha de plástico em cada um deles", diz ao DN Jesus Dubert do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro.

De forma simples, como preferiu explicar, o lixo acumula-se porque, depois de entrar no centro de um turbilhão, não consegue mais sair. Vejamos o caso do turbilhão do Atlântico Norte: "A corrente do Golfo, que sobe pela Flórida [EUA] em direcção ao Canadá funciona como um motor da circulação do Oceano Atlântico. Depois vira em direcção à Europa, descendo, por exemplo, pela corrente de Portugal. Ao chegar à zona equatorial sobe e fecha o ciclo". O resultado é uma acumulação de lixo no Mar de Sargaços, num turbilhão permanente do qual não há maneira de sair. O funcionamento dos outros vórtices é semelhante.

"Os plásticos a boiar têm o aspecto de medusas. As tartarugas alimentam-se destes animais, confundem-nos e podem morrer asfixiadas", conta Alexandra Cunha, presidente da Liga de Protecção da Natureza (LPN) e bióloga marinha. "O plástico não desaparece. Vai se desfazendo até só sobrarem partículas que vão poluir a água e envenenar os animais", acrescenta. Por outro lado, as aves e peixes de maior porte vão ficar com o estômago cheio de lixo o que vai dificultar a alimentação e digestão.

"Vim há pouco tempo de África e fiquei assustada com a falta de cuidado com o lixo. Há excesso de resíduos e os países não estão preparados. Não há reciclagem", conta a presidente da LPN, preocupada com a possibilidade de o lixo começar a ser despejado no mar em zonas próximas de dois dos turbilhões: o do Oceano Atlântico Sul e do Oceano Índico. Para Alexandra Cunha, as embalagens de plástico são uma mudança recente, com um resultado confortável, mas ambientalmente mau: "Há 30 anos não se bebia em garrafas de plástico e o caminho é voltar a usar-se embalagens reutilizáveis, como as garrafas de vidro que se devolvem."

A solução para prevenir o aumento das ilhas de lixo é diminuir drasticamente a utilização dos plásticos, mas como se acaba com aquelas que já existem? "Sinceramente, não sei o que se poderá fazer. Tem de se arranjar um processo para recolher todo aquele lixo", diz a ambientalista que deixa o alerta: "Arriscamo-nos a ficar com o mar cheio de lixo."

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 20 de março de 2010

Biodiversidade: especialistas alertam para agravamento da situação das espécies

Especialistas alertam para o agravamento do risco em que se encontram algumas espécies, depois de os ministros europeus do Ambiente terem esta semana adiado em uma década o objectivo de deter a perda de biodiversidade na UE.

Apesar do alerta, os especialistas em ambiente contactados pela Lusa mostraram-se pouco surpreendidos, considerando que o adiamento da meta, que apontava para 2010, era previsível.

“Do ponto de vista da conservação da natureza e da biodiversidade, adiar objectivos é sempre dramático porque a situação é já muito má”, mas “era previsível”, disse à Lusa Helena Freitas, professora da Universidade de Coimbra.

A especialista defendeu que as ameaças à biodiversidade nesta década são “particularmente importantes” devido à questão demográfica, quando se espera que nesta geração a população mundial aumente de seis para oito biliões. O acréscimo da procura de alimentos vai implicar a transformação de territórios ainda mantidos para a conservação da natureza.

Já Margarida Santos Reis, professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, reforçou a constatação de que “falhou” a integração dos diferentes eixos: do conhecimento, da tecnologia e da cultura.

Em Portugal, assistiu-se a “tentativas muito fracas” de subsidiar projetos sobre biodiversidade e “há alguns casos de sucesso”. Porém, “a situação está a agravar-se”, segundo a presidente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Alexandra Cunha.

“Não serve de nada dizer que se quer fazer e não avançar com mecanismos específicos, metodologias e instrumentos” para defender a biodiversidade, referiu.

“Está tudo por fazer”, apontou por seu lado Helena Freitas, que listou instrumentos necessários, como a estratégia nacional da conservação da natureza e biodiversidade, “em revisão há bastante tempo”, ou a criação de um centro de recursos nacionais para as variedades agrícolas.

Hélder Spínola, da Quercus, referiu que “os governos continuam a [definir] as opções sem ter em conta os impactos na biodiversidade”. Um dos exemplos da dissonância entre as intenções e a concretização é o plano de construção de 10 barragens, positivo porque se trata de apostar em energia renovável, mas que vai contribuir para uma maior perda de biodiversidade.

Alguns projectos “não tinham de deixar de acontecer para que se protegesse a biodiversidade, bastaria procurar áreas para a sua implementação que não coincidissem com os espaços definidos a nível nacional e europeu” para a preservação da natureza, salientou Hélder Spínola.

E cada vez é mais importante os responsáveis governamentais perceberem que “a preservação dos recursos naturais é a base de qualquer sustentabilidade económica dos países”, como realçou Helena Freitas.

Os ministros europeus do Ambiente decidiram na segunda-feira adiar, em uma década, o objectivo a que se haviam proposto, de deter o desaparecimento da biodiversidade na União Europeia até 2010.

A falta de instrumentos, a aplicação incompleta das normas sobre espaços protegidos e a insuficiente integração da biodiversidade nas outras políticas tornaram impossível cumprir o objectivo de parar com a extinção de espécies até ao corrente ano, como fora combinado na Cimeira de Gotemburgo (Suécia) em 2001.

Fonte: LUSA

Limpar Portugal: Ministra diz que país já não tem razão para gerir mal os resíduos

A ministra do Ambiente considerou hoje que o país já não tem razão para gerir mal os resíduos, prometendo tantas acções de sensibilização como as que forem necessárias para que se evite a sua deposição incorrecta.

“Já não temos razão para gerir mal os resíduos, porque nós temos infra-estruturas, temos sistemas para gerir bem os resíduos”, afirmou Dulce Pássaro que esta manhã participou na iniciativa “Limpar Portugal” no Pinhal do Rei, na Marinha Grande.

A governante, que se fez acompanhar por alunos, pela secretária de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades e outras entidades, recolheu lixo com o cuidado de deixar na floresta os resíduos biodegradáveis, mas colocando num saco o que “agride” o ambiente.

Assumindo que “já tinha noção” da quantidade de lixo despejada em pinhais e noutros espaços, Dulce Pássaro afirmou sentir-se incomodada com a falta de civismo.

“Acho que temos um caminho a fazer”, declarou, considerando o movimento cívico “Limpar Portugal como um “contributo fundamental” para a sensibilização.

Para a ministra, “os jovens já estão sensibilizados”, admitindo mesmo que serão os que “têm menos responsabilidade” nestes casos.

“É com eles que nós contamos para que efectivamente estejam atentos, mesmo em casa e no desenvolvimento de várias actividades, que contribuam para que nós possamos gerir bem os resíduos”, disse a ministra do Ambiente.

Questionada se deveria haver mais sensibilização, a responsável afirmou que quer os sistemas de gestão de resíduos como as autarquias têm apostado neste trabalho, mas prometeu fazer “sensibilizações tantas vezes quantas se justificarem até constatarmos a diminuição deste tipo de situações”.

“Em determinadas zonas do nosso país, onde foram colocadas quantidades significativas de resíduos fora dos locais adequados, as Câmaras Municipais - sem haver grandes oportunidades de mediatização - fazem um grande trabalho para reparar este tipo situações e depois enviar os resíduos para os sistemas de tratamento”, observou.

“Não se pense que não se tem feito trabalho”, acrescentou, referindo que “isto não é uma tarefa para o ministério sozinho desenvolver com a magnitude que tem”.

Dulce Pássaro disse ainda que a iniciativa “Limpar Portugal” deve envolver todos, justificando a escolha da mata nacional de Leiria por ser “um lugar emblemático”, onde o rei D. Dinis iniciou um trabalho de preservação ambiental que deve ter continuidade.

Fonte: LUSA

Atum-rabilho do Atlântico em queda mas comercialização continua

Uma proposta do Mónaco para proibir a comercialização do atum-rabilho do Atlântico foi ontem rejeitada na conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies em Perigo (CITES), a decorrer em Doaha, no Qatar. O sushi, para já, continua em alta.

Japão, Canadá e inúmeros países costeiros pobres opuseram-se à proposta alegando que isso devastaria as economias pesqueiras e ela foi rejeitada por larga maioria (68 votos contra 20).

A proposta da União Europeia que previa por seu turno um adiamento dessa eventual medida antes de ela ser posta em prática também não teve melhor sorte e foi esmagada na votação, por 72 votos contra 43.

Os stocks da espécie no Atlântico caíram 85% nas últimas décadas, desde o início da pesca industrial, e a organização responsável pela gestão da sua pesca, a International Comission for the Conservation of Atlantic Tunas (ICCAT), tem demonstrado ser ineficiente no desempenho dessa tarefa. Foi na sequência desse panorama que o Mónaco decidiu avançar com a proposta, com o apoio da União Europeia, de cientistas e de organizações ambientalistas, como a WWF ou o Environment Group, que não esconderam a sua decepção pelo desfecho da votação.

A WWF anunciou que vai lançar uma campanha junto de restaurantes e comerciantes, cozinheiros e consumidores para não consumirem aquele peixe. "É agora mais importante do que nunca que as pessoas façam o que os políticos não conseguiram fazer - parar o consumo do atum", disse Sergi Tudela da WWF.

Fonte: Diário de Notícias

Guardaparque do Parque Nacional Huascarán (Perú) encontrado morto!

Um Guardaparque do Parque Nacional Huascarán (Perú), localizado no Departamento de Áncash, foi encontrado morto no interior de uma das casas de Vigilância do Parque, junto ao corpo foi encontrado uma garrafa de água e alguns comprimidos, segundo informações fornecidas pela Policia.
O companheiro Mauricio Guillén Celestino, de 34 anos, foi encontrado na noite de Domingo pelo seu pai, após este ter recebido uma chamada telefónica a alertar para o ocorrido.
Elementos da Divisão de Investigação Criminal de Huaraz e o representante do Ministério Público deslocaram-se ao local, situado a 4300 metros de altitude na Cordilheira Branca.
Após efectuarem as diligências de investigação e terem trasladado o corpo, efectuou-se a autopsia, os resultados indicam que a morte se deve à existência de edema pulmonar.
Mas, segundo declarações proferidas pela Polícia os companheiros de trabalho de Guillén Celestino vão ser ouvidos no âmbito do inquérito policial à morte do Guardaparque.

Fonte: La Republica

Campanha: Conheça as Aves da sua Propriedade

Esta campanha insere-se no Projecto “Semear o Futuro” da SPEA, que incentiva a aplicação de medidas que promovam uma melhor gestão territorial dos meios agrícolas.

De 1 de Abril a 30 de Junho de 2010 a SPEA promove pela terceira vez uma campanha que proporciona aos Proprietário Agrícola, de forma gratuita, informação sobre as aves que existem na sua propriedade e as propostas de gestão agrícola mais favoráveis à conservação dessas aves na sua propriedade.

Duração
1 de Abril a 30 de Junho de 2010

Zonas Prioritárias
Portugal Continental


Mais informação em: http://www.spea.pt/index.php?op=aves

sexta-feira, 19 de março de 2010

Açores: SPEA organiza percurso pedestre para limpar lixo na estrada da Tronqueira

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, através do Centro Ambiental do Priolo e do Projecto Life Laurissilva Sustentável, organiza, amanhã, um percurso pedestre pela estrada da tronqueira, com o intuito de limpar o lixo encontrado ao longo do caminho.

Para além disso, o passeio irá permitir aos participantes ficar a conhecer melhor as espécies de plantas e aves que ocorrem nesta serra, habitat do priolo. O objectivo desta iniciativa visa contribuir para a conservação da área segundo explica Natália Melo.
Esta iniciativa está inserida no projecto Limpar Portugal e, neste mesmo dia, milhares de voluntários realizarão acções semelhantes em todo o país. O passeio terá lugar este sábado e a saída será às 9h do centro do Priolo.

Fonte: Rádio Atlântida

quinta-feira, 18 de março de 2010

Bruxelas ameaça levar Portugal a tribunal devido a poluição atmosférica

A Comissão Europeia enviou hoje uma última advertência escrita a Portugal por incumprimento das normas da União Europeia de qualidade do ar em relação a partículas de suspensão perigosas, após o que recorrerá para o Tribunal de Justiça europeu.

Em Janeiro de 2009, Bruxelas iniciou processos de infracção contra dez países, entre os quais Portugal, na sequência da entrada em vigor, em Junho de 2008, de uma nova lei comunitária que permite aos Estados-membros solicitar, em determinadas condições e em relação a determinadas partes do país, um prazo suplementar limitado para respeitar a norma aplicável, desde 2005, para as partículas em suspensão perigosas, as chamadas PM10.

Bruxelas pediu então explicações aos países que não respeitam os valores limite, em vigor desde 1 de Janeiro de 2005, relativos às partículas “PM10” e que não notificaram pedidos de prazos suplementares para cumprir as normas em todas as zonas de qualidade do ar em que os valores limite são excedidos.

A Comissão indica hoje que, na sequência dessa primeira advertência, foram arquivados os processos contra metade desses Estados-membros, prosseguindo acções contra cinco: Eslovénia e Suécia são levadas a tribunal (por os seus casos serem mais antigos), e é lançada uma advertência final a Portugal, Chipre e Espanha.

“Embora Chipre, Portugal e Espanha tenham notificado pedidos de prorrogação do prazo, a Comissão recusou a maior parte das zonas de qualidade do ar notificadas na medida em que não cumprem todas as condições impostas pela directiva”, explica a Comissão.

As partículas em suspensão perigosas, emitidas essencialmente pela indústria, pelo trânsito e pelo aquecimento doméstico, podem provocar asma, problemas cardiovasculares, cancro do pulmão e morte prematura, lembra a Comissão Europeia.

O processo por infracção tem início com uma primeira advertência escrita (“carta de notificação”) dirigida ao Estado-membro em causa e à qual este deve responder no prazo de dois meses. Se a Comissão não considerar a resposta satisfatória, esta primeira carta é seguida de uma última advertência escrita (“parecer fundamentado”) que expõe claramente a infracção e insta o Estado-membro a agir em conformidade num determinado prazo, normalmente de dois meses.

Se o Estado-membro não proceder em conformidade com o parecer fundamentado, a Comissão pode decidir recorrer ao Tribunal de Justiça.

Fonte: LUSA