segunda-feira, 5 de abril de 2010

Parque Natural de S. Mamede integra Observatório para Energia

O Parque Natural da Serra de São Mamede (PNSSM) vai acolher um Observatório Regional para a Energia (ORE), anunciou a Agência Regional de Energia e Ambiente do Norte Alentejano e Tejo (AreanaTejo), entidade promotora do projecto.

«O ORE surge como uma necessidade de possuir um ponto físico para divulgar os resultados dos trabalhos feitos pela AreanaTejo sobre a carta da energia», explicou à Lusa Tiago Gaio, da AreanaTejo.

De acordo com o responsável, o projecto vai ser desenvolvido na sede do Parque Natural, situada na Quinta dos Olhos d¿Água, no concelho de Marvão, em Portalegre.

«O projecto vai estar em funcionamento no final do verão. Em Setembro já deve estar à disposição de todos aqueles que visitam o PNSSM», declarou.

O ORE vai actuar como uma «espécie de quiosque informático», disponibilizando vários dados para os visitantes do PNSSM analisarem, uma área lúdica e uma área de informação e sensibilização para os turistas.

«Este projecto vai estar integrado num circuito que o PNSSM está a desenvolver e que abrange outros temas, nomeadamente a água e os resíduos. O tema sobre a energia será da responsabilidade da AreanaTejo», afirmou o responsável.

O projecto que a AreanaTejo vai apresentar contém um conjunto de informações sobre boas práticas energéticas e ambientais, de sensibilização e ainda dados sobre energias renováveis com a respectiva explicação teórica de cada uma dessas vertentes.

No entanto, Tiago Gaio explicou ainda que a AreanaTejo e o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), entidade que tutela o PNSSM, têm em curso um outro projecto de «continuidade» dirigido à gestão florestal.

«Vamos criar um plano de gestão florestal da área de intervenção do PNSSM com o objectivo de manter a mancha florestal definida e que tenha como contributo a absorção de dióxido de carbono», revelou.

Através deste projecto, vai haver um «contributo para a neutralidade carbónica da região, em conjunto com a questão relacionada com os consumos de energia» retirados naquela zona do Alentejo.

Fonte: TVI24

Brasil: Cientistas se unem em projeto de preservação da Mata Atlântica

Verde, ampla e com uma biodiversidade paradisíaca: esses tempos se foram. Hoje a Mata Atlântica na costa brasileira está mais para campos empoeirados do que para áreas férteis, e gasodutos atravessam a paisagem idílica.
Uma tentativa de conter a devastação da natureza foi iniciada por cientistas alemães e brasileiros. Dinario, como é chamado o projeto, é conduzido na Serra dos Órgãos, perto da cidade de Teresópolis, no Rio de Janeiro. Lá trabalham especialistas alemães em conjunto com parceiros brasileiros.

Juntos eles desenvolvem estratégias sustentáveis de utilização da terra na região, priorizando tanto a conservação da natureza como o desenvolvimento econômico. Desde 2007, o Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha incentiva o projeto, cujo parceiro brasileiro é a Embrapa. O objetivo é mostrar aos fazendeiros e às indústrias como eles podem se engajar na proteção do meio ambiente mantendo seus lucros.

O projeto é conduzido pelo professor Hartmut Gaese, do Instituto de Tecnologia Tropical da Universidade de Colônia.

– É o desafio de lidar com as regiões que, por meio dos mercados mundiais, também nos afetam.

Segundo o professor, essas regiões não estão sob pressão apenas devido ao aumento populacional, mas também porque a demanda por recursos está aumentando.

– O uso sustentável dos recursos é a questão central para a nossa sobrevivência futura.

A cientista Ana Turetta, da Embrapa, é a parceira do professor Gaese no projeto Dinario. Ela destaca o caráter piloto do projeto conjunto entre os dois países.

– Como o uso da terra e as mudanças no uso da terra são uma das maiores fontes de gases do efeito estufa e uma das principais causas do aquecimento global, esperamos ser um bom exemplo, por meio do desenvolvimento de sistemas sustentáveis, para o avanço no combate às mudanças climáticas –, declarou a cientista.

Ambos destacam que esperam seguir novos rumos na pesquisa sobre os ecossistemas e a sua influência no clima. O importante, ressaltam, é que esses novos caminhos sejam seguidos de forma metódica, porque os resultados poderão ser aplicados a outros ecossistemas.

O paraíso da fauna e da flora está visivelmente se esgotando. A Mata Atlântica acompanhava 5 mil quilômetros da costa brasileira e ia do sul do Rio Grande do Sul até o norte do Ceará. Originalmente, a biodiversidade da mata era ainda maior do que a da Floresta Amazônica.

Porém, como consequência da colonização intensa e do uso das terras, o paraíso natural, que antes ocupava uma área de mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, está hoje restrito a apenas 50 mil quilômetros quadrados.

As causas da devastação são o pastoreio excessivo, a agricultura, a contaminação das águas e as queimadas.

– Só restaram fragmentos da mata original, o que cria o temor de que em breve nada mais haverá. Isso levanta a questão de quão grandes devem ser esses fragmentos remanescentes para que eles possam existir como unidade ecológica –, diz Gaese.

Os esforços valem a pena, destaca o pesquisador. Segundo ele, poucas vegetações se regeneram mais rápido do que a floresta da costa brasileira. O que os cientistas dos dois países esperam agora é que o projeto, cujo final está previsto para este ano, seja mantido.

Fonte: Correio do Brasil

domingo, 4 de abril de 2010

Empresa com licença de gestão ambiental deitou 10 toneladas de lixo em serras

A descarga motivou uma queixa ao Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR, que garante que serão levantados autos. O lixo foi recolhido durante a iniciativa Limpar Portugal.

As cerca de 10 toneladas de resíduos industriais que os voluntários do projecto Limpar Portugal retiraram, no passado dia 20, das serras da Freita e de Mansores, no concelho de Arouca, foram afinal entregues a uma empresa com licença de gestão para resíduos não urbanos, que foi declarada insolvente em Fevereiro último. O lixo era constituído essencialmente por sobras de esponjas sintéticas utilizadas na construção de bancos para automóveis produzidos por uma empresa de São João da Madeira.

Conforme o PÚBLICO teve oportunidade de testemunhar no passado dia 20, na serra da Freita, para além do esforço físico, os voluntários do Limpar Portugal também correram riscos para removerem as cerca de sete toneladas de resíduos da serra mais três toneladas de Mansores. Boa parte deste lixo tinha sido lançada para escarpas íngremes, de difícil acesso e, para complicar ainda mais a recolha, no passado dia 20 choveu com intensidade e o nevoeiro era muito cerrado.

Descarga recente

Conhecedores da serra da Freita, os voluntários notaram que aquelas 10 toneladas tinham sido ali colocadas pouco tempo antes da acção Limpar Portugal, alegadamente com o objectivo de aproveitar esta iniciativa ambiental. Enquanto um tractor com braço mecânico carregava fardos de esponjas para uma camioneta, na serra da Freita, José Cerca, de 60 anos, um professor de Português, que estava a orientar cerca de 200 alunos da escola onde lecciona na recolha de lixo, logo demonstrou a sua indignação.

"Esta descarga deve ter sido feita há cerca de dez dias. Dá a entender que as pessoas se aproveitaram da campanha para se livrarem do lixo", denunciou. Também Isabel Vasconcelos, vice-presidente da Câmara de Arouca e responsável pelo pelouro do Ambiente, relatou o seu desagrado ao PÚBLICO: "É uma situação absolutamente escandalosa e isto é uma parte negativa que ninguém imaginava: aproveitarem-se da limpeza de dia 20 para se livrarem de resíduos."

Depois de ter trabalhado décadas no Ministério do Ambiente, Isabel Vasconcelos não quis deixar este crime impune e foi, logo nesse sábado, apresentar queixa ao Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR. Porém, tal não foi necessário, uma vez que a Naturveredas, empresa que gere o Parque de Campismo Refúgio da Freita, já o tinha feito, no passado dia 8 de Março. Porém, a queixa não produziu resultados práticos nos 12 dias que decorreram entre a sua apresentação e a acção de recolha do lixo.

Isabel Vasconcelos decidiu então resolver o problema. Logo na segunda-feira seguinte (dia 22) descobriu e contactou a fábrica que produziu os resíduos e percebeu que esta pagou, em 2008, uma quantia entre dois mil e três mil euros para a empresa Transportes Pelariguense dar um destino aos resíduos.

A Transportes Pelariguense dispõe do alvará de licença n.º 84/2007/CCDRN2, válido até 3 de Outubro de 2012, que lhe permite gerir resíduos não urbanos, mas, entretanto, foi declarada insolvente em Fevereiro último.

Empresa admitiu despejo

Ainda assim, a vice-presidente da Câmara de Arouca conseguiu atrair Adelaide Oliveira, sócia da falida Transportes Pelariguense, aos paços do concelho, logo na terça-feira (dia 23). Adelaide Oliveira pensou que se tratava de algum interessado num BMW que colocara à venda.

Perante as acusações de Isabel Vasconcelos, Adelaide Oliveira terá inicialmente negado responsabilidades no aparecimento das 10 toneladas de resíduos no concelho, mas depois acabou por reconhecê-las. A autarca conseguiu, deste modo, que o lixo fosse recolhido logo na quinta-feira seguinte (dia 25), para ser colocado em aterro.

O PÚBLICO tentou, por diversas vezes, contactar Adelaide Oliveira, por telefone, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição. Já o gabinete de comunicação da GNR informou que, após a queixa da Naturveredas, esteve no local no passado dia 16, "mas não foi identificada a origem dos fardos". Entretanto, a GNR acompanhou a limpeza de dia 20 e as diligências efectuadas por Isabel Vasconcelos, garantindo ainda que "serão levantados os respectivos autos".

Limpar Portugal: 100 mil recolheram 70 mil toneladas de lixo

A iniciativa Limpar Portugal, durante a qual foi descoberto este despejo ilegal, decorreu a 20 de Março. Em todo o país, cerca de 100 mil voluntários recolheram mais de 70 mil toneladas de lixo e foram identificados cerca de 13 mil pontos com resíduos, entre florestas e terrenos urbanos. A iniciativa foi trazida para o país por três portugueses que se inspiraram numa acção que teve o seu início na Estónia.

Fonte: Publico.pt

Após décadas de ausência, Chitas regressam ao Sul de Angola

Após décadas de ausência, dois felinos foram avistados na região do Namibe. Fim da guerra está a fazer fauna voltar.

É um regresso histórico. As chitas estão a voltar ao Sul de Angola, após décadas de ausência de um país devastado por 27 anos de guerra civil. A feliz novidade foi anunciada pelo fundo de conservação das chitas, o CCF.

"Estive no Sul de Angola à procura de vestígios da presença de chitas e ficámos maravilhados por encontrarmos dois espécimes", disse a investigadora daquele fundo, Laurie Marker, citada pela AFP.

Foi na província do Namibe que os felinos foram avistados, na zona do maior e mais antigo parque nacional de Angola, praticamente abandonado durante a guerra civil.

"O regresso da fauna selvagem é um benefício enorme para o país e para a biodiversidade de uma forma geral", sublinhou, estimamdo que possa ter igualmente um impacto positivo no turismo, praticamente inexistente em Angola.
O Ministério do Ambiente de Angola tinha anunciado em Janeiro a intenção de fazer de 2010 o Ano da Biodiversidade, através da recuperação de parques nacionais e da criação de novas zonas protegidas para as espécies selvagens.
No ano passado, os investigadores do CCF descobriram três palancas-negras, uma espécie particularmente ameaçada que só existe em Angola. Aquele antílope é mesmo o símbolo do país e dá nome à respectiva selecção de futebol.

Fonte: Diário de Notícias

Aprenda a plantar vegetais naturais em qualquer lado... incluindo na varanda

Aquele vaso que tem à entrada da sua casa pode ser um excelente local para semear uns coentros ou umas alfaces. Se não sabe como, leia este texto e veja como a Fundação Biológic@ o pode ajudar a comer vegetais saborosos e sem uma pinga de pesticidas nem herbicidas.
Com um puxão despachado, Teresa Fiúza arranca uma tangerina da árvore. Sem demora, abocanha a casca para ver se está boa. Após um sinal de aprovação, vira-se e exclama enquanto sorri: "Agricultura biológica é isto: ir à árvore, pegar na fruta e comer logo, sem haver preocupação se ela tem pesticidas ou herbicidas." Se acha que esta é uma ideia que lhe interessa, a Fundação Biológic@ pode dar uma ajuda com os seus cursos para hortas ecológicas. Ao alcance de todos, quer tenha um terreno com alguns hectares ou só uns vasos na varanda.

Teresa Fiúza estava calmamente sentada na sala da sua Quinta do Paraíso, quando ouviu falar pela primeira vez, no programa de televisão Biosfera, numa fundação que ensinava a plantar e a tratar de hortas biológicas. "Enviei logo um e-mail a mostrar-me interessada. Avisei que não era agricultora e que tinha apenas um bocado de terreno onde queria plantar umas alfaces para o Banco Alimentar", conta.

Sofia Lobo, da Biológic@, ficou interessada nesse "bocado de terreno" que afinal, ficou a saber mais tarde, eram 30 hectares. Agora, Teresa Fiúza, que participou num dos cursos da fundação, já tem um vasto quintal biológico. Lá planta, além das alfaces, couves, brócolos, cebolas, nabos, ervilhas, alhos e nabiças. "Sete mil pés, tudo natural", não se cansa de repetir.

"Qualquer espaço dá para fazer uma horta ou uma mini-horta. Só tem de se adaptar o que se pretende cultivar ao espaço", explica Sofia Lobo. Um quintal pode ser um bom local para plantar, assim como uns vasos na sua varanda, caso more num apartamento. "É algo que os ingleses fazem desde há muito, os chamados kitchen gardens e que, felizmente, têm vindo a ganhar cada vez mais adeptos em Portugal", diz. As preferências dos "agricultores de varanda" passam pelas ervas aromáticas e condimentares. De entre os legumes, as alfaces são as preferidas, mas há muitos que cultive de tudo, até batatas em vasos.

Nos cursos da Fundação Biológic@ aprende-se como controlar e tratar pragas sem químicos, assim como fertilizar as plantas sem usar adubos artificiais. "Ponho urtigas e outras plantas num bidão com água e uso como fertilizante. Tenho cavalos, ovelhas e patos e do que eles deixam aproveito para fazer compostagem", diz Teresa Fiúza, que condena os preços a que são vendidos os produtos "bio".

"Compro sementes biológicas que vêm do estrangeiro. Uma embalagem dessas sementes de alho-francês custa menos do que chupa-chupa. Não percebo como é que nos supermercados vendem pacotes de alho-francês a oito euros." Por isso promete que, quando começar a vender os seus produtos na Quinta - por volta de Maio ou Junho -, vai ter preços mais baixos do que os outros, porque "vender alho-francês a seis euros o quilo é pura especulação".

Tão especulativo que Sofia Lobo considera que no futuro a agricultura biológica poderá alimentar o mundo inteiro: "Se virmos bem a quantidade de desperdício alimentar que existe, principalmente nas grandes superfícies, concluímos que precisamos de menos alimentos do que o que consumimos. Há também imensas terras por cultivar, sendo Portugal exemplo disso, assim como o continente africano", explica.

A agricultora da Quinta do Paraíso conta ainda que descobriu a parte humana da agricultura biológica. Toda a família intervém nas culturas, juntando-se para semear, colher, lavar e comer os seus produtos.

Os seus netos levaram algumas alfaces para a escola, para os colegas comerem. A satisfação foi geral e todos elogiaram o "sabor natural a antigamente".

Fonte: Diário de Notícias

Melro-preto: Uma ave que gosta de viver na cidade

Mal-amado pelos agricultores, o melro-preto é uma ave que tem vindo a conquistar as cidades, sendo visita frequente de jardins e canteiros, à cata de alimentos. O seu canto forte enche as manhãs e os fins de tarde, sinal de que o tempo quente está a chegar.

Diz a sabedoria popular que, "quando o melro canta em Janeiro, é tempo de sequeiro o ano inteiro". A razão do ditado é que os machos desta espécie costumam cantar normalmente de Fevereiro a Junho, altura em que fazem os ninhos. "Cantam para atrair as fêmeas, para defender o território", explica Gonçalo Elias, coordenador do portal http://www.avesdeportugal.info/. Quando começam a cantar mais cedo, é sinónimo de que o tempo "está mais solarengo e será uma estação com menos chuvas, logo, piores colheitas".
O melro-preto (Turdus merula) é uma das espécies de aves mais abundantes em Portugal. Curiosamente, em Lisboa e noutras cidades tem-se tornado cada vez mais comum, sendo observado em jardins, mas também em telhados e antenas de prédios, aproveitando novos oportunidades de alimentação. A ave, dizem os especialistas, tem também maior tole-rância à presença humana do que no campo. Chegam a aproximar-se a menos de cinco metros. No meio rural, tem um comportamento mais nervoso e arisco, fruto, talvez, da pressão cinegética. O melro é uma espécie protegida. No entanto, devido às suas semelhanças morfológicas com outras aves, como os estorninhos (preto e malhado), muitos melros acabam nas mãos de agricultores ou vítima de caçadores. "Os estorninhos são aves com má reputação, que por vezes dão prejuízos em pomares, vinhas e olivais. Pontualmente, o melro pode sofrer da má vontade dos agricultores ", reconhece o biólogo Domingos Leitão, coordenador do Programa Terrestre da Sociedade Portuguesa para Estudo das Aves.

O melro-preto tem uma distribuição abundante por toda a Europa e Ásia. Em Portugal, pode ser encontrado em todo o território, à excepção da ilha de Porto Santo. Estima--se que existam no País entre 200 mil e dois milhões de aves, "apesar de ser uma estimativa pouco precisa", avança o biólogo.

Existem três subespécies em Portugal. No Continente encontramos o Turdus merula merula; nos Açores, o Turdus merula azoriensis (a mais pequena de todas); e na Madeira, o Turdus merula cabrerae. "Todas elas muito semelhantes, tornando difícil a sua distinção a olho nu, mas são diferentes do ponto de vista genético", acrescenta Domingos Leitão.

Além das aves residentes, pensa-se que nos meses de Inverno, haja uma imigração de alguns melros-pretos para a Península Ibérica. Gonçalo Elias salienta: "Este não é um dado muito conhecido, mas que efectivamente se supõe a presença de indivíduos vindos do Norte." Foram já encontrados melros anilhados no Reino Unido, França, Bélgica, Holanda, Alemanha e Dinamarca, o que demonstra terem vindo de outros países. Contudo, "os números são pouco representativos face às populações residentes, presentes em quase todos os habitats", acrescenta.

Apesar do estatuto de "não ameaçado", há algumas ameaças à espécie. "A população de melros, em geral, não está ameaçada, mas pode sofrer algumas perturbações, como a caça, a predação doméstica ou de animais selvagens", diz Gonçalo Elias. Domingos Leitão lembra que "a proliferação de gatos assilvestrados tem também um efeito negativo. A diferença é que o impacto na globalidade das aves não é tão acentuado como noutras espécies mais ameaçadas".

"Melro-de-bico-amarelo come a semente e o farelo." Apesar da má-fama junto dos agricultores, o melro é uma das aves mais enraizadas na cultura popular. E que está agora a conquistar as cidades.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 3 de abril de 2010

Diálogos na Cidade com João Alves - Director do Parque Natural da Ria Formosa.

João Manuel da Silva Alves, é natural de Santa Engrácia, Lisboa, e nasceu a 30 de Junho de 1959.
Licenciou-se em Biologia, em Outubro de 1982, pela Faculdade de Ciências da Universidade Clássica de Lisboa.
Efectuou o Estágio de conclusão do curso de Biologia, no ramo científico, na Reserva Natural do Estuário do Tejo e Zonas Envolventes, entre Setembro de 1991 e Outubro de 1992, versando o "Estudo da Flora e da Vegetação" desta zona.
Exerce actualmente, em regime de Comissão de Serviço, e desde 1 de Maio de 2007, o cargo de Director do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas - Sul, o qual integra três Parques Naturais: - Ria Formosa, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e Vale do Guadiana, para além das ZPE's e Sítios da Rede Natura do Algarve, do Baixo Alentejo e parte do Alto Alentejo.

Nota introdutória:
“Situando-se Faro numa ampla linha de contacto com a Ria Formosa e perspectivando-se no futuro próximo um estreitamento da sua relação com esta área natural excepcional, gostaria de lhe colocar um conjunto de questões que, longe de esgotar todas as problemáticas inerentes à relação cidade/ria, se me afiguram mais pertinentes na actualidade.”

A Defesa de Faro - “A acção dos areeiros foi durante anos uma situação que sob o ponto de vista ambiental e legal infringia todas as leis, mas que, pese embora esse facto, teimou em se manter activa. Qual a situação presente?”
João Alves - Presentemente, e desde meados de 2008, o licenciamento da ocupação, utilização e exploração de recursos do Domínio Público Hídrico (neste caso do Domínio Público Marítimo) é da responsabilidade da ARH-Algarve (Administração de Região Hidrográfica do Algarve). Porém, a actividade dos areeiros foi sendo progressivamente regulamentada e, com a aprovação do POOC Vilamoura – Vila Real de Santo António, em 2005, deixou de ser possível retirar areia do sistema da Ria Formosa. As dragagens de manutenção dos canais, deverão recolocar as areias, desde que de características adequadas, nos sistemas dunar ou nas praias das ilhas-barreira da própria ria. Para além das dragagens de manutenção dos canais ou de desassoreamento das barras, as únicas possíveis são as realizadas por pequenos operadores locais que recolhem e transportam areia para os viveiristas para recobrimento dos viveiros, com a devida autorização do PNRF e, actualmente, da ARH.

ADF - “A poluição da Ria é um problema que se tem arrastado ao longo dos anos com impacto negativo na fauna e flora e nas actividades económicas. Ainda subsistem esgotos e efluentes industriais que são despejados directamente na Ria? As águas que são emitidas pelas ETAR's não põem em risco, devido à sua composição, o equilíbrio da salinidade das águas da Ria e consequentemente o seu ecossistema?”
J.A. - As situações que possam existir de lançamento de efluentes de qualquer natureza (que não os pluviais) na ria, sem o devido tratamento prescrito pela lei em vigor, são manifestamente irregulares. Não são do nosso conhecimento, casos concretos de lançamento continuado de efluentes em situação irregular. Esporadicamente, chegam ao nosso conhecimento ou são detectados pelos agentes de fiscalização, casos pontuais de escorrências “acidentais”, as quais são prontamente averiguadas, quer pelos Vigilantes da Natureza do PNRF, quer pelos da ARH ou da própria CCDR-Algarve. Sempre que são identificados os infractores, são promovidos autos-de-notícia e executados processos de contra-ordenação.
As ETAR’s, pelo seu lado, têm vindo a melhorar a sua eficiência, têm sido renovadas e reforçadas e as mais antigas, do tipo de “lagunagem”, que apenas procediam a tratamento primário (e parcialmente secundário) têm vindo a ser substituídas por novas unidades que funcionam em sistema fechado e que procedem a tratamento terciário, aumentando assim o nível de cobertura dos aglomerados populacionais e melhorando a qualidade da água que é lançada na ria. Mais informações podem ser obtidas junto da ARH e das Águas do Algarve.
Sobre a questão da salinidade, a quantidade de água lançada pelas ETAR’s comparada com o volume de água salgada que entra bidiariamente na ria e com as águas pluviais que entram no sistema directamente das chuvas e proveniente dos cursos de água, é muito pouco significativa. Por outro lado, os sistemas biológicos da ria estão adaptados a variações de salinidade, as quais são características dos sistemas lagunares como é o caso da ria Formosa.

ADF - “Também tem havido alguma controvérsia sobre a utilização da Ria para fins recreativos. Questões como a velocidade limite das embarcações, as zonas de circulação, a discriminação relativamente a alguns tipos de actividades náuticas, não são fáceis de resolver. E por último temos a poluição originada pelos barcos a motor. Consegue vislumbrar a fórmula para solucionar esta difícil equação?”
J.A. - Qualquer das situações que refere encontra-se regulamentada ou pelo POOC Vilamoura-Vila Real de Santo António, ou pelo Plano de Ordenamento do Parque Natural da Ria Formosa, entre outros diplomas. Um e outro classificam os canais existentes, em três níveis distintos, e determinam as embarcações que neles podem navegar e as respectivas velocidades. Também em ambos os casos, os diplomas legais foram amplamente participados por diversas entidades com responsabilidades e interesses locais, (desde as Autarquias, até ao IPTM, Autoridade Marítima, CCDR, Associações locais representativas de diversos sectores económicos) e estiveram acessíveis em longos períodos de discussão pública de modo a incorporarem as sugestões construtivas pertinentes. Por esta via foram alteradas, por exemplo, as velocidades de circulação nos canais. Finalmente, a Carta de Desporto e Turismo de Natureza, prevista no PO do PNRF, a elaborar pelo ICNB/PNRF e o Plano de Mobilidade e Circulação da Ria Formosa, previsto no Programa Estratégico do Polis Ria Formosa, identificarão e regulamentarão todo um largo conjunto de actividades desportivas, recreativas e de animação e turismo ambiental que se podem compatibilizar com a conservação dos recursos naturais da ria Formosa.

ADF - “A zona do Pontal situa-se dentro do Parque Natural da Ria Formosa. Contudo, existe uma forte pressão de interesses imobiliários, que pendem em permanência sobre o futuro daquele espaço. Por outro lado, a hipótese do Pontal se transformar num parque ambiental, com inúmeras valências de fruição, e poder constituir um reduto excepcional de educação ambiental, colhe a adesão da maior parte da população de Faro. Qual a sua posição relativamente a esta situação?”
J.A. - A zona do Pontal encontra-se classificada no PO do PNRF como zona de grande valia ambiental, sendo por isso área não edificável, pelo que não são permitidos empreendimentos imobiliários. A questão do parque ambiental, é compatível com a salvaguarda dos valores presentes, dependendo do conceito inerente a parque ambiental. Ele encontra-se previsto no Programa Estratégico do Polis Ria Formosa, mas deverá ser apenas um espaço requalificado de fruição das populações com um mínimo de infra-estruturas de apoio, como sejam observatórios de aves, trilhos pedonais, painéis informativos e zonas de descanso, etc.

ADF - “O ecoturismo, com todo um conjunto de actividades não poluentes, tais como a observação de aves, vela, remo, canoagem, mergulho, passeios pedestres e de barco, surf, etc, poderia ser uma mais-valia económica e cosmopolita que iria em muito beneficiar as regiões adjacentes à Ria. Por outro lado, temos tido uma exclusividade do turismo de massas que tem dificultado o desenvolvimento deste turismo ambiental. Qual a sua opinião sobre estas questões?”
J.A. - A resposta a esta pergunta ficou em parte já respondida numa das questões anteriores. Estão em curso os trabalhos tendentes à elaboração e publicação da Carta de Desporto e de Turismo de Natureza do PNRF, que irá regulamentar e definir quais as actividades desportivas, de recreio e de lazer, e os locais onde podem ser exercidos, compatíveis com os valores naturais, promovidos pelo ICNB/PNRF e, por outro lado, pela Sociedade Polis Litoral ria Formosa, o Plano de Mobilidade e Circulação da Ria Formosa, que irá complementar aquele instrumento.
Ambos os documentos regulamentares serão executados através de uma ampla participação pública, envolvendo todos os interessados, quer na óptica das empresas e promotores turísticos, quer na perspectiva das associações de defesa do ambiente.
Finalmente, não sendo de todo incompatíveis com a finalidade de um Parque Natural, as várias utilizações que se perspectivam não podem assumir níveis de tal modo intensos que constituam eles próprios um factor acrescido de perturbação e degradação do meio natural, afinal a razão de ser do interesse e do valor deste ecossistema.

Entrevista realizada por Fernando Silva Grade a João Alves
Director do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas – Sul do ICNB
Biólogo – Assessor Principal do quadro do ICNB

Post original no Blog "A DEFESA DE FARO" em: http://adefesadefaro.blogspot.com/2010/03/dialogos-na-cidade-com-joao-alves.html

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Greenpeace bloqueia carregamento de carne de baleia em Roterdão

Quinze activistas da organização ecologista Greenpeace acorrentaram-se esta manhã às amarras de um cargueiro que transportava carne de baleia com destino ao Japão no porto holandês de Roterdão.

"Vamos ficar o tempo que for necessário até termos a certeza de que os contentores com a carne de baleia não partem para o Japão", declarou um dos organizadores do protesto, Pavel Klinckhamers, à agência France Presse.

Os manifestantes acorrentaram-se cerca das 04h30 locais (03h30 em Lisboa) às amarras de um cargueiro de pavilhão panamiano proveniente da Islândia, para alertar contra um "carregamento ilegal" de carne de treze baleias, armazenada em sete contentores.

O cargueiro, que passou por Roterdão em trânsito para o Japão, deveria sair do porto holandês às 18h00 (17h00 em Lisboa), segundo uma porta-voz da polícia, Tinet Dejonge.

A caça à baleia com fins comerciais está interditada por uma moratória da Comissão Baleeira Internacional (CBI) de 1986. Essa moratória é ignorada pela Noruega e pela Islândia e contornada pelo Japão que, explorando uma lacuna jurídica do texto, afirma pescar baleias para fins científicos.

A CBI, organização que regula a caça e a conservação dos cetáceos, criou um grupo de trabalho de 30 países para analisar uma proposta de um programa limitado de caça comercial.

Hoje, à margem de uma reunião sobre este tema a decorrer em Wellington, na qual a Nova Zelândia manifestou apoio ao programa, a Austrália anunciou que se vai opor na próxima reunião do grupo de trabalho prevista para a próxima semana em Washington.

"Estou alarmado e muito preocupado com o apoio da Nova Zelândia a este projecto que não é válido e que representa um enorme compromisso face aos países que pescam a baleia", declarou o ministro australiano do Ambiente, Peter Garrett. A Austrália opõe-se firmemente a qualquer caça à baleia e ameaçou processar o Japão na justiça internacional se este continuar a pescar.

Entretanto, no Japão, o Ministério Público de Tóquio anunciou ter acusado formalmente o ecologista neo-zelandês Peter Bethune por ter ferido um marinheiro japonês de um baleeiro, "entrado ilegalmente em propriedade privada" e colocado "entraves a actividades comerciais" durante uma acção.

Bethune pertence à organização ecologista norte-americana Sea Sheperd, que reagiu afirmando, num comunicado, que o neo-zelandês é "um prisioneiro político" e questiona "a credibilidade do sistema judicial japonês" pelas acusações "absurdas". A organização esperava que Bethune fosse acusado de entrada ilegal mas considera que "as outras acusações são políticas".

Fonte: LUSA

quinta-feira, 1 de abril de 2010

PNSAC: Centenas de veículos participaram em marcha lenta pelo arranjo da estrada 361

Centenas de populares e veículos ligeiros e pesados participaram hoje numa marcha lenta de protesto, entre as povoações de Amiais de Cima e Alcanede (Santarém), para reclamarem o arranjo da estrada regional 361.

Na manifestação, que decorreu num troço de aproximadamente 7 quilómetros desta estrada, estiveram largas dezenas de veículos, sobretudo camiões de empresas locais, que entupiram por completo a circulação nesta zona durante quase duas horas, numa fila de veículos .

Entre buzinadelas, gritos e cartazes de protesto, a marcha lenta teve o objetivo de alertar para o mau estado desta estrada, que liga Alcanena a Alcanede, e cujo pavimento está degradado há mais de uma década.

“Este movimento cívico, que não tem ligações a partidos ou poderes, limitou-se a viabilizar um protesto que as populações desta zona já há muito queriam fazer”, referiu a outro dos coordenadores do movimento, Luís Ferreira.

“Quisemos dar uma mostra de força popular às entidades competentes e mostrar que as pessoas desta zona não estão a dormir e estão fartas desta situação”, referiu ainda Luís Ferreira, afirmando também que as populações desta zona “já não acreditam em promessas de obras que têm vindo a ser feitas há vários anos”.

Esta estrada serve uma população de quase 9000 habitantes, segundo cálculos da organização do movimento, nomeadamente das freguesias de Alcanede, Gançaria, Abrã e Amiais de Baixo. Nesta zona existe ainda alguma indústria, nomeadamente, o Grupo JJ Louro e a fábrica de curtumes Inducol, entre outros.

O presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores, que não esteve na manifestação, disse que está “totalmente solidário” com o protesto e considera “inadmissível como nesta situação única, a decisão dos técnicos do Parque [das Serras d’Aire e Candeeiros – PNSAC] têm mais poder de decisão do que o próprio Ministério das Obras Públicas que já há muito tempo tem intenção de fazer esta obra”.

Moita Flores referia-se à questão do troço entre Amiais de Cima e Alcanena, cujo traçado terá de ser corrigido, nomeadamente nalgumas curvas, e as obras necessitam de parecer prévio do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), visto que esta zona está em perímetro do Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros.

O movimento promotor do protesto diz ter recebido esta semana outra comunicação da empresa Estradas de Portugal (EP), responsável pela estrada, referindo que será lançado em breve o concurso para a primeira fase da obra, que irá decorrer entre Alcanede e Amiais de Cima, num custo previsto de 1,5 milhões de euros, segundo dados adiantados a Luís Ferreira pela delegação regional de Santarém da EP.

A segunda fase da obra, aquela que necessita de parecer prévio do ICNB, vai ligar Amiais de Cima a Alcanena e tem um custo previsto de 2 milhões de euros, segundo a mesma fonte.

Petição a exigir obras na estrada de Alcanede juntou mais de 4 mil assinaturas

A petição que esteve a circular na Internet e em papel para exigir obras na estrada regional 361, entre Amiais de Cima e Alcanede, juntou 4404 assinaturas válidas.

Estas assinaturas e a petição vão ser enviadas à Assembleia da República na próxima semana com o pedido de que o assunto seja debatido em plenário. A petição vai ainda ser enviada ao Instituto de Infraestruturas Rodoviárias, entidade que fiscaliza a empresa Estradas de Portugal (EP), responsável pela estrada regional 361. Serão também enviadas cópias à EP, o Governo Civil de Santarém, à Câmara Municipal de Santarém e aos deputados eleitos pelo distrito na Assembleia da República.

“Não vamos parar com este movimento até que a estrada seja arranjada”, salientou Luís Ferreira, garantido que vai haver outras acções, entre as quais, vai ser instalado um contador no Portal de Alcanede que fará a contagem dos dias entre a manifestação de hoje e o início das obras. “De três em três meses, vamos fazer outras acções no terreno, que ainda não estão definidas, e não vamos deixar morrer este assunto”, disse ainda.



Fonte: O Ribatejo

Actividades de Fim-de-semana: Sábados no Parque Biológico de Gaia

Todos os primeiros sábados de cada mês, o Parque Biológico de Gaia propõe um programa diferente e contempla os seus visitantes com várias actividades.

Para sábado, 3 de Abril, o programa é o seguinte:

11h00/12h00 – Atelier: “Descobrir as serpentes”

Nota: Nos ateliers há um máximo de 25 participantes e as inscrições terão de ser feitas, de acordo com a ordem de chegada, no próprio dia, junto da recepção do Parque.

14h30 – Conversa do mês: “Anfíbios e répteis do Parque”

15h00 – Abertura da exposição colectiva de fotografia da natureza “Anfíbios e répteis”

15h30/17h30 – Visita guiada pelos Técnicos do Parque e Percurso ornitológico.



Próximas iniciativas:

OBSERVAÇÃO DE AVES SELVAGENS NA RESERVA NATURAL LOCAL DO ESTUÁRIO DO DOURO

Na manhã de 11 de Abril, domingo, entre as 10h00 e o meio-dia, leve, se tiver, um guia de campo de aves europeias e binóculos à baía de S. Paio, no estuário do rio Douro, do lado de Gaia. Com telescópios, estará um técnico do Parque para observar as aves do Litoral.



ANILHAGEM CIENTÍFICA DE AVES

O Parque Biológico colabora com a Central Nacional de Anilhagem, coordenada pelo Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, num projecto europeu de Estações de Esforço Constante, para monitorização das aves selvagens.

Com a colaboração de ornitó logos, são capturadas aves, sendo então ob jecto de análise biométrica, ap ós o que são anilhadas e devolvidas à liberdade. Os visitantes do Parque podem assistir de passagem pelo percurso de descoberta da natureza a estas actividades. E, se gostarem, podem receber formação com vista a tornarem-se anilhadores, independentemente da sua profissão.

As sessões de anilhagem decorrem normalmente nos primeiros e terceiros sábados de cada mês, da parte da manhã, se não chover. Excepcionalmente, neste primeiro sábado de Março não se realizará.



PERCURSOS DE DESCOBERTA: “Na rota da transumância”

Sábado, 10 de Abril. Partida às 9h00 e chegada às 18h00, visita ao Parque Natural da Serra do Alvão. Inscrição necessária.



OFICINAS DA PRIMAVERA

De 29 Março a 2 Abril e de 5 a 9 de Abril, das 9h00 às 17h30, para crianças e jovens dos seis aos 15 anos. Coincide com as férias da Páscoa. Inscrição necessária.

INTERNET GRÁTIS NO PARQUE

Os visitantes do Parque Biológico de Gaia podem navegar na Internet no bar, esplanada e parque de merendas. Mas há condicionantes: é necessário trazer um equipamento portátil compatível com a tecnologia WI FI e mediante a apresentação de bilhete de identidade e regi sto na recepç ão será depois entregue ao visitante um envelope com o nome de utilizador e palavra-chave de acesso, que será pessoal. A velocidade de ligação será 512Kb/128Kb e está restringida a duas horas e a 50 Mb de tráfego por utilizador por dia.

Mais informações:

GABINETE DE ATENDIMENTO

atendimento@parquebiologico.pt

Telefone directo: 227 878 138 – Fax 227 833 583

quarta-feira, 31 de março de 2010

Vigilantes da Natureza do PNSAC recolheram 86 animais feridos em 2009

No ano passado, os serviços de recolha  e de reencaminhamento  de animais sinistrados do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) receberam  86 espécimens. A maioria foi reencaminhada para o Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Monsanto (LX CRAS) e, depois de reabilitada, foi devolvida ao seu habitat natural.
Esse, é aliás, um dos momentos "mais gratificantes" dos Vigilantes da Natureza do Parque Natural. "Sentimos que foi mais um animal que escapou", afirma António José Silva, Vigilante da Natureza do PNSAC.

Dos 86 animais recolhidos, 14 ficaram feridos  na sequencia de colisões com viaturas, enquanto 15 apresentavam ferimentos causados por tiros. "Durante a época de caça, quase todas as quintas-feiras nos é entregue um animal", conta aquele vigilante, revelando que, no ano passado, receberam também oito animais que se encontravam em cativeiro.
Segundo António José Silva, a maioria desses casos é descoberta através de denúncias anónimas. "Numa primeira abordagem, tentamos sensibilizar as pessoas para o facto de se tratarem de espécies protegidas. Na generalidade das situações, as pessoas são sensíveis aos nossos argumentos e acabam por nos entregar os animais de livre vontade", conta o Vigilante da Natureza.

De acordo com os dados do PNSAC, o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR foi a entidade que mais animais entregou nos três pontos de recolha do Parque - Ecoteca em Porto de Mós, Monumento Natural das pegadas de Dinossaurios no Bairro e Serviços Administrativos em Rio Maior - totalizando 60 exemplares. Os Vigilantes da Natureza do PNSAC recolheram 20, enquanto os restantes seis animais chegaram aos serviços do Parque através de outras entidades ou cidadãos particulares.

Dos 86 animais recebidos, 25 eram Buteos (Águia-de-asa-redonda, muito comum na área do PNSAC). Foram ainda entregues 11 corujas-das-torres, outros tantos gansos-patolas, 5 cegonhas, 5 gralhas-pretas e 4 garças-reais, entre outras espécies. "A maioria dos animais que recebemos são aves, mas também acolhemos um ou outro mamífero, como raposas ou genetas", revela António José Silva.



Fonte: O Portomosense

Pesquisa científica: Sapos alteram-se antes dos sismos

Biólogos britânicos relatam alteração de comportamento sexual nos sapos machos cinco dias antes de ocorrerem sismos.
O comportamento de sapos na sua fase de reprodução poderá ajudar a prever algo tão imprevisível como um sismo, segundo um estudo publicado hoje no Journal of Zoology por investigadores de universidades do Reino Unido.

O que os biólogos Rachel Grant da Open University e Tim Halliday, da universidade de Oxford sustentam é que os sapos comuns machos (Bufo bufo) exibem uma "alteração brutal no seu comportamento cinco dias antes de ocorrer um sismo".

Foi exactamente isso que eles verificaram na cidade italiana de Áquila, no dia 6 de Abril de 2009, quando observavam os sapos da região no seu ciclo reprodutivo, e se deu um sismo com a magnitude de 6,3 na escala de Richter, que fez 229 vítimas mortais na cidade.

Os resultados que registaram sugerem que "os sapos comuns Bufo bufo são capazes de prever acontecimentos sísmicos importantes e de adaptar o seu comportamento em consequência disso", dizem os autores.

Os dois biólogos estavam em trabalho de campo, observando os sapos a cerca de 70 quilómetros de Áquila naquela altura, e verificaram que cinco dias antes do sismo 96 por cento dos sapos machos alteraram o seu comportamento. Em vez de se manterem activos, como sempre fazem enquanto dura a época reprodutiva, ficaram inactivos e, nos três dias que antecederam o sismo, os biólogos não registaram acasalamentos. Fugas de gás radão do solo poderiam estar implicadas nesta situação.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 30 de março de 2010

Primatas ameaçados por caça ilegal e práticas mágicas

Pelo menos uma centena de espécies de primatas é usada em todo o mundo em práticas da medicina tradicional ou em rituais mágicos ou religiosos, o que está a contribuir para acelerar o seu declínio. Esta é a conclusão de um estudo sobre o problema coordenado pela Universidade do Estado do Paraíba, no Brasil, e publicado na revista Mammal Review, da Mammal Society do Reino Unido.

Das 390 espécies avaliadas, 101 são perseguidas e caçadas regularmente para aproveitamento de partes dos seus corpos naquelas práticas, verificaram os cientistas.

"Apesar das legislações, o comércio e utilização de espécies de primatas nas medicinas tradicionais persiste", afirmou o coordenador do estudo, Rómulo Alves, citado pela BBC News.

Das 101 espécies caçadas com estes propósitos, 12 estão classificadas como criticamente ameaçadas, 23 como em perigo e 22 são consideradas vulneráveis. Esta ameaça junta-se às outras que estão a afectar os primatas no estado selvagem: perda de habitat e caça ilegal entre outras.

Fonte: Diário de Notícias

Curso Internacional: Aves Rapaces - Biología, Medicina y Conservación


Curso Internacional:  Aves Rapaces - Biología, Medicina y Conservación - 13 al 16 de abril, 2010

Organizan
Asociación Peruana de Cetrería y Conservación de Aves de Presa
APCCAP

FaunaVet-PERÚ

Objetivo:
Brindar conocimientos avanzados sobre biología, medicina y conservación en aves rapaces a estudiantes de pregrado, egresados, bachilleres, cuidadores, profesionales y personal afín a las áreas relacionadas a la medicina y conservación de aves rapaces.

Expositores invitados: Miguel Daniel Saggese, DVM PhD; y Mauricio Fabry DVM, MSc (c)

Programa
Curso teórico 4 días
Horario: 6:00 pm a 10:00 pm

Martes 13
06:00 - 07:00 Anatomía, fisiología y características principales de las aves rapaces
07:00 - 08:00 Procedimientos clínicos y toma de muestra de aves rapaces
08:00 - 09:00 Patología clínica de aves rapaces
09:00 - 10:00 Programa Bi-Nacional Cóndor Andino

Miércoles 14
06:00 - 07:00 Radiología
07:00 - 08:00 Enfermedades infecciosas I
08:00 - 09:00 Enfermedades no infecciosas II
09:00 - 10:00 Enfermedades no infecciosas

Jueves 15
06:00 - 07:00 Manejo, sujeción y examen físico
07:00 - 08:00 Anestesia
08:00 - 09:00 Cirugía ortopédica
09:00 - 10:00 Nutrición

Viernes 16
06:00 - 07:00 Situación de las aves rapaces en Perú - Causas de amenaza y problemas de conservación (Fernando Ángulo)
07:00 - 08:00 Principios de rehabilitación en aves rapaces
08:00 - 09:00 Enfermedades emergentes
09:00 - 10:00 Oftalmología

Lugar:
Auditorio Facultad de Ciencias Biológicas – Universidad Ricardo Palma

INSCRIPCIÓN:

Curso teórico
Profesionales, egresados, técnicos, cuidadores, bachilleres ……..…… S/. 100.00
Estudiantes de pre-grado ………………………………………………..….…...…… S/. 70.00
Incluye: CD resumen de ponencias, materiales para el curso y certificado de asistencia.

Vía depósito en el BCP Cta. Corriente en soles FaunaVet-PERÚ SAC N° 191-1748294-0-34. Enviar imagen del voucher (scanner o fotografía) y ficha de inscripción al mail: info@faunvet-peru.com ó faunavet.peru@gmail.com


INFORMES
FaunaVet-PERÚ
info@faunavet-peru.com
http://www.faunavet-peru.com/
Cel: (+511) 991130879
Lima 03 - Perú


Con el auspicio de:

Zoocriadero El Huayco

Animal Life

Virbac

Bang

Universidad Ricardo Palma.
Facultad de Ciencias Biológicas, Escuela de Medicina Veterinaria.

Brigada de Fauna Silvestre


Daniel Montes Aliaga
FaunaVet-PERÚ
http://www.faunavet-peru.com/
dmontes@faunavet-peru.com
faunavet.peru@gmail.com
Cell: (+511) 991130879
Lima 03 - Perú

segunda-feira, 29 de março de 2010

Biodiversidade marinha: Corais da Polinésia destruídos

Ciclone 'Oli' varreu recife do Pacífico Sul, já atacado por predadores e que é agora terreno fértil para algas.

Primeiro foram as pragas de estrelas-do--mar, depois vieram os furacões. O recife de coral da Polinésia Francesa, um dos mais importantes do mundo, foi praticamente todo destruído pelo ciclone Oli, que fustigou a região no início de Fevereiro.

Depois de ter passado a 3 de Fevereiro pelas ilhas Leeward, onde provocou ondas de sete metros de altura e ventos de 170 km/h, o ciclone dirigiu-se para os arquipélagos do Pacífico Sul na madrugada de 4 de Fevereiro, onde ganhou ainda mais força. Quatro dias depois, o Departamento de Observação dos Corais de Moorea, uma das ilhas da Polinésia Francesa, pôs mãos à obra para perceber o impacte do Oli nos corais. E a conclusão foi pouco menos do que terrível: o recife de corais de um dos sítios mais bonitos do mundo está praticamente morto.

A ameaça não era nova. Os corais da Polinésia, considerados saudáveis até 2004, segundo um relatório internacional datado de 2008, estavam já severamente afectados por uma praga de estrelas-do-mar (a Acanthaster), grandes predadores destes organismos qualificados de maravilhas subaquáticas.

Mas, apesar disso, a estrutura física dos corais, mesmo das colónias já mortas, estavam praticamente intactas, o que dava grandes esperanças de regeneração. Até agora. A comparação entre os dados antes e pós-ciclone mostram quebras de rugosidade na ordem dos 50% até aos trinta metros de profundidade (ver caixa). Grande parte das colónias já mortas pela Acanthaster foi mesmo arrancada pela força das ondas.

A preocupação dos investigadores vira-se agora para o resto da vida marinha da zona, que vai ser afectada pelas mudanças nos recifes. Os cientistas estão já a recolher informação sobre a população de peixes e estrelas-do-mar para perceber em que medida diminuíram com a passagem do ciclone. Mas dois cenários estão já em cima da mesa: ou as algas se instalam definitivamente na zona, dominando e matando os corais, como já aconteceu noutras partes do globo; ou o recife consegue recuperar dos "destroços", mas nunca mais com o mesmo aspecto e as mesmas características. Regeneração que nunca aconteceria em menos de dez anos.

Fonte: Diário de Notícias

A DINOEXPO "DINOSSÁURIOS INVADEM O GEOPRAK NATURTEJO"

A maior exposição itinerante do mundo sobre Dinossáurios, alguma vez reunida, já se encontra patente no Centro de Exposições do NERCAB, em Castelo Branco, Portugal, a partir de 27 de Março até 30 de Outubro.
Esqueletos, crânios de dinossáurios, ovos, ninhos e ovos com embriões, garras e dentes são algumas das dinocuriosidades que poderão ser exploradas durante a DinoExpo a qual é promovida pela empresa holandesa Creatures & Features em parceria com o Geopark Naturtejo.

+ informação >>

VENHA FAZER UMA VIAGEM AO PASSADO

http://www.dinoexpo.com.pt/

http://www.facebook.com/profile.php?v=app_2344061033&ref=profile&id=100000484824716#!/event.php?eid=359029569780&index=1

http://www.geoturismo.org/profiles/blogs/dinossaurios-estao-a-chegar-ao?xg_source=activity

“Os Verdes” contra Cemitério Nuclear junto à fronteira portuguesa

O Partido Ecologista “Os Verdes” entregou ontem, em entidade competente, o seu parecer no quadro da consulta pública para a construção de um Armazém Temporário Centralizado (ACT) de resíduos nucleares em Espanha, Albalá (Cáceres), a cerca de 80km da fronteira portuguesa.

“Os Verdes” manifestam-se frontalmente contra esta possibilidade de localização, bem como quanto a outros locais próximos da fronteira, visto que é reconhecido internacionalmente que, para este tipo de resíduos nucleares, não existe ainda uma solução de armazenamento adequada. Para além disso, o processo de selecção foi conturbado e contestado por organizações ecologistas e partidos ecologistas espanhóis. Falta também, de acordo com o grupo Verdes/Aliança Livre Europeia no Parlamento Europeu, um adequado acompanhamento por parte da Comissão Europeia quanto a esta matéria.

O PEV considera ainda que, tratando-se de um local próximo da fronteira, tem de haver informação e acompanhamento por parte do Governo português, o que, de acordo com as informações disponíveis, parece não estar a acontecer.

No sentido de obter esclarecimentos quanto a este acompanhamento, o Deputado do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, José Luís Ferreira, entregou ontem na Assembleia da República duas perguntas, dirigidas ao Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, em que pretende saber se já houve algum pedido de informação ao Governo de Espanha sobre este assunto e que diligências pondera o Governo tomar face à hipótese de aprovação deste projecto.

EM ANEXO: PARECER E PERGUNTAS DE “OS VERDES”

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”
(T: 213 919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 - imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)
www.osverdes.pt

Lisboa, 27 de Março de 2010

Parecer
Perguntas ao MAOT
Perguntas ao MNE

Projecto BioDiversity4All - Biodiversidade para todos

Desde meados de Março que o site http://www.biodiversity4all.org/ já está online.

O projecto BioDiversity4All - Biodiversidade para todos está a criar uma base de dados online (http://www.biodiversity4all.org/) sobre a Biodiversidade em Portugal, fundamentada na participação activa da sociedade civil e da comunidade científica.

O BioDiversity4All cria a possibilidade de todos contribuírem com registos de observações de plantas, animais e fungos e de usufruírem dessa informação, segundo o conceito Web 2.0, através de um site fácil e divertido de utilizar e explorar.
Assumindo-se como uma plataforma aberta de ligação entre o público e a comunidade científica, permite criar diversos benefícios para a sociedade - O facto de não conhecermos o que nos rodeia distancia-nos da necessidade e importância de conservar e de interagir com a Natureza de uma forma sustentável.
Constituir uma base de dados pública e permanentemente actualizada com informação sobre a Biodiversidade nacional só será possível pela canalização da informação já existente em diversos projectos e associações específicas, bem como pela angariação da colaboração do público. Se unirmos todos estes grupos através de uma rede de colaboração para um fim comum, o resultado será bastante superior à soma das partes.
É necessária a colaboração de todos! Assim, cada vez que inserir um registo de observação no seu perfil pessoal do BioDiversity4All estará a contribuir para o conhecimento da Biodiversidade nacional e para a sua divulgação.

Gostávamos de pedir o vosso apoio na divulgação, bem como as vossas opiniões. Neste momento é importante começarmos a adicionar dados, de forma a dinamizar e enriquecer a informação da base de dados - a vossa contribuição é muito importante. Podem criar perfis pessoais e/ou institucionais, caso considerem adequado. Nós podemos ajudar no que for necessário.

Criámos uma parceria com os BioEventos2010, programa do Museu Nacional de História Natural e do CBA -Centro de Biologia Ambiental, ao abrigo da qual vamos ser o site utilizado e promovido nas iniciativas, nomeadamente nas Estações da Biodiversidade e no Dia B - Dia da Biodiversidade.

Estamos a criar também diversas outras parcerias, que podem consultar na nossa página de parceiros.

Vamos continuar a procurar novos contactos e parceiros de forma a juntar o máximo de pessoas e instituições nesta plataforma e gostaríamos de contar convosco neste projecto.

Mais sobre o projecto:
http://www.biodiversity4all.org/index.cfm?p=45132D5B-FF11-E5F9-B40575264950A014


A equipa do BioDiveristy4All

Filipe Ribeiro
Luís Tiago Ferreira
Patrícia Tiago
Marcel Dix (yellowcat.nl)

domingo, 28 de março de 2010

Iniciativa "Plantar Portugal" - um cidadão, uma árvore

Depois da iniciativa Limpar Portugal, que juntou voluntários para a limpeza de florestas e zonas verdes no passado dia 20 de Março, o movimento cívico Plantar Portugal está a lançar um novo apelo à participação dos municípios e de voluntários para a reflorestação do país no mês de Novembro.

A iniciativa Plantar Portugal agendou de 23 a 28 de Novembro a Semana da Reflorestação Nacional, apelando à participação dos municípios e de voluntários para “plantar com respeito pela biodiversidade e pelas espécies autóctones”.

De acordo com Hélio Lopes, um dos promotores da iniciativa, a organização pretende começar a criar bancos de árvores por concelhos e por equipas que serão posteriormente utilizadas na Semana da Reflorestação Nacional.

O Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade apoia o movimento Plantar Portugal, que instituiu também este ano o Prémio Arvore de Cristal, atribuído ao arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Teles.

http://www.plantarportugal.org/pt/

“IX Semana da Floresta” alerta para a biodiversidade de Montejunto

Arrancou no dia 17 de Março, a “IX Semana da Floresta”, iniciativa de cariz lúdico-pedagógico, organizada pelo Município do Cadaval, que visa sensibilizar as crianças para a preservação do ambiente, da floresta e do ecossistema em geral. Neste que constitui o Ano Internacional da Biodiversidade, crianças do Pré-escolar ao 3.º Ciclo do Concelho subirão à Serra, até dia 26, para descobrir “O que se esconde em Montejunto?”.

A “Semana da Floresta” é, com efeito, uma iniciativa que há muito faz parte do imaginário da comunidade escolar do Concelho do Cadaval, nomeadamente das crianças e jovens que, anualmente, aguardam a habitual subida à Serra, que lhes permita aprender um pouco mais sobre o meio ambiente que as circunda e de como poderão contribuir para o preservar.

Explorando a temática da “Biodiversidade”, a Câmara Municipal do Cadaval planificou um conjunto de actividades específicas para cada nível de ensino, do pré-escolar ao 3.º ciclo, genericamente constituídas por diversos jogos temáticos e pelos designados “postos técnicos sobre a biodiversidade”, contando com o apoio de Vigilantes da Natureza do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.




Sável (Alosa alosa): Uma delícia em risco de desaparecer

É um maná em vias de desaparecer. Parente da popular sardinha e da espinhosa savelha, o sável é um gigante com as características de toda a família: gordo, saboroso e espinhoso. É também caro e raro na gastronomia, pois só é pescado nos finais do Inverno.
Vive no mar, a peneirar toneladas de água para engolir apenas o zooplâncton. Geralmente em Março, dirige-se para as embocaduras dos rios, em cardumes gigantescos, e sobe-os para a desova. Nessa viagem fluvial é capturado para se tornar o pitéu de muitos apreciadores.

As diversas práticas culinárias de preparação do sável provocam avalanches de sofredores de gula a acorrer aos festivais e centros tradicionais de preparação do bicho, um pouco por todo o País. A pesca do sável é, portanto, um importante recurso económico, mas ao mesmo tempo contribui para uma diminuição dos efectivos populacionais e coloca em risco a continuidade da espécie.

Para alguns apreciadores, quanto mais a montante for pescado, mais é apreciado. "O sável chega aos rios bastante gordo e todo o processo de subida é feito contracorrente, transpondo barreiras e desenvolvendo as gónadas. Daí que, muitos o prefiram comer quando capturado mais a montante, já em condições de atleta", explica Pedro Raposo de Almeida, professor da Universidade de Évora e investigador no Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências de Lisboa.
No nosso país, a subida dos rios está actualmente dificultada e muitas vezes até impossibilitada. A construção de barragens e de açudes, responsáveis pela interrupção das rotas migratórias, são a ameaça mais séria à espécie, classificada "em perigo" pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. "Quando chega aos rios, o sável traz reservas energéticas para a migração e para a reprodução. Ao entrar, deixa de se alimentar. Se gastar as reservas energéticas a ultrapassar barreiras, o processo de reprodução torna-se mais difícil", salienta Pedro Raposo de Almeida.

Se anteriormente à construção das barreiras, o sável e a sua congénere ocupavam nichos de reprodução diferentes, reproduzindo-se o sável mais a montante, actualmente dá-se muitas vezes uma sobreposição das áreas de desova das duas espécies. O aparecimento de híbridos, geralmente estéreis, leva também a uma quebra da população.

Como é frequente em muitas espécies, a grande maioria dos sáveis adultos morre depois de reproduzir. "Os juvenis têm de regressar ao mar, mas é complicado direccioná-los para as passagens construídas para o efeito nas barragens", alerta o investigador do Instituto de Oceanografia. Muitos juvenis não acedem às passagens e são sorvidos, acabando por morrer nas turbinas.
Pedro Raposo de Almeida alerta que "é necessário assegurar a continuidade longitudinal das áreas de reprodução da espécie, criando mecanismos eficazes de transposição de barreiras e assegurando um fácil regresso dos juvenis". O investigador refere que "algumas coisas têm de ser feitas a nível nacional, como a avaliação do estado das populações (através dos levantamentos das capturas) e o condicionamento da pesca em determinados locais e alturas do ano".
Apesar de existir pouca informação sobre os efectivos populacionais do sável, sabe-se que nos últimos anos a espécie tem sofrido uma acentuada redução. "Em Portugal, é das espécies que é possível que estejam mais ameaçadas em termos de conservação. É importante que não se esgote um recurso que é de todos", salienta Pedro Almeida.

Extremamente sensível, o sável entra facilmente em stress, acabando por morrer, o que torna a sua manipulação deveras complicada.

Fonte: Diário de Notícias

Boletim GUARDAPARQUE - Edição de Fevereiro - Março de 2010

Já está disponível o boletim informativo da IRF - Guardaparque - referente a Fevereiro - Março de 2010.

Download (pdf)