quarta-feira, 7 de abril de 2010

Encuentro Nacional de Gestión Participativa de Áreas Naturales Protegidas (Perú)


Entre el 25 y 26 de marzo del 2010 se llevó a cabo el Encuentro
Nacional de Gestión Participativa de Áreas Naturales Protegidas,
contando con la organización de PROFONANPE, el Banco Mundial (Perú) y
el Servicio Nacional de Áreas Naturales Protegidas (SERNANP).

Este evento reunió a muchos propietarios, usuarios, autoridades y
personajes relacionados al tema de conservación en el Perú y se contó
con un rico intercambio de exposiciones y actores en base al trabajo
de los últimos 6 años.

El encuentro contó con el concurso nacional “Compartiendo
Experiencias”, donde más de 100 concursantes se presentaron, y sólo
los 45 pre-seleccionados pudieron presentar sus proyectos en los dos
días que duró el evento. Cada experiencia contó con una presentación
de 20 minutos para enseñar su trabajo frente la audiencia y al jurado.
Al final de cada una, el público tenía la opción de votar y otorgarle
una calificación.

Al final de la jornada, se anunciaron a las tres experiencias
ganadoras:


Primer Puesto

Organización: Gobierno Regional de Pasco – Gerencia Sub Regional de
Oxapampa.

Ámbito de Intervención: Villa Rica – Oxapampa – Pasco.

Título de la Experiencia: El bosque de Sho`llet: construyendo
participación y desarrollo sostenible en la zona de amortiguamiento
del Parque Nacional Yanachaga Chemillen y Bosque de Protección San
Matías San Carlos.

Resumen: El Área de Conservación Municipal (ACM) Bosque de Sho`llet es
administrada por las municipalidades de Villa Rica y Oxapampa; es
decir, instituciones no movibles a largo plazo, considerando lo
establecido en la Ley Orgánica de Municipalidades Ley Nº 27972. Por
sus servicios ambientales y el atractivo turístico el ACM Bosque de
Sho`llet tiene una importancia cada día más creciente. La
participación de los colindantes y de varias instituciones públicas y
privadas garantiza la sostenibilidad del proyecto.


Segundo Puesto

Organización: ACR Comunal Tamshiyacu Tahuayo.

Ámbito de Intervención: Cuenca del Tahuayo – Loreto.

Título de la Experiencia: Gestión Comunal para la conservación
productiva en la Cuenca Alta del Tahuayo.

Resumen: Durante el proceso de elaboración del Plan Maestro del área,
se ha identificado al recurso hidrobiológico y al recurso paisajístico
como potencial para desarrollo comunitario, teniendo como lema “Sin
participación y producción no hay conservación”. La clave del éxito de
este proceso es la Co-gestión del ACR: Comité de Gestión (las
comunidades organizadas de la zona de amortiguamiento) y la jefatura
del ACR.


Tercer Puesto

Organización: Reserva Nacional del Titicaca.

Ámbito de Intervención: Huancane y Puno – Puno.

Título de Experiencia: Manejo comunitario de Schoenoplectus tatora en
la Reserva Nacional Titicaca.

Resumen: Se han constituido los comités de conservación como una
estrategia para el manejo y mitigación de la quema de la totora. Los
comités de conservación delegan guardaparques comunales voluntarios,
que son capacitados fortaleciendo sus capacidades, para las acciones
de control y vigilancia. Asimismo, las comunidades reciben beneficios
de capacitación en actividades relacionadas al turismo, manejo
ganadero y tecnología para la transformación de totora en alimentos
balanceados.

Fuente: Portal de Legislación sobre Áreas Naturales Protegidas (Perú).
http://www.legislacionanp.org.pe/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1

Panamá designou o seu quinto Sitio Ramsar



El Gobierno de Panamá ha designado su 5º Humedal de Importancia Internacional en la provincia de Ngoble Buglé: Humedal de Importancia Internacional Damani-Guariviara. El humedal de Damani-Guariviara se encuentra en la región biogeográfica de los Neotrópicos y el Caribe y comprende humedales costeros e interiores, como playas, pantanos, lagunas saladas y de agua dulce, ríos y manglares.
Según el resumen elaborado por Sofia Méndez Castillo, Asesora Auxiliar de Ramsar para América, el sitio posee un elevado valor biológico porque sustenta una gran diversidad de flora y fauna gracias a sus diferentes hábitat. La zona es un importante lugar de nidificación de tortugas, como la carey (Eretmochelys imbricata) en peligro crítico de desaparición, y sustenta asimismo especies inscritas en los apéndices I y II de la CITES y en la Lista Roja de la UICN, como el manatí (Trichechus manatus), los monos aulladores o saraguatos (Aloutta palliata), el águila harpía (Harpia harpyja), la tortuga cabezona (Caretta caretta) y la tortuga verde o cahuama (Chelonia mydas).

El área proporciona además medios de sustento a los grupos étnicos nómadas ngobe y buglé, que están entre las tribus más antiguas de Panamá, y se considera que encierra un elevado potencial etno-turístico y eco-turístico. Entre las muchas amenazas que pesan sobre el humedal están la deforestación, las prácticas agrícolas inadecuadas, la caza de subsistencia, la explotación excesiva de los recursos marinos, la minería y la contaminación de su zona de captación; como respuesta, se ha propuesto un plan de ordenación del sitio. En 2004, el sitio fue designado área protegida nacional en la categoría de Humedal de Importancia Internacional.

Fuente: http://www.ramsar.org/cda/es/ramsar-news-archives-2010-new-site-panama/main/ramsar/1-26-45-437%5E24533_4000_2__

Encontro das Polícias Ambientais e Guarda Parques do Platô das Guianas

Irá realizar-se o Encontro das Polícias Ambientais e Guarda Parques do Platô das Guianas, nos dias 6 e 7 de Maio de 2010, no Amapá,Brasil, e cujo programa disponibilizamos:
(clique na imagem para ampliar)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Duas crias de lince ibérico nasceram no centro de Silves no domingo de Páscoa


As duas primeiras crias de lince ibérico geradas em cativeiro em Portugal nasceram no passado Domingo de Páscoa no Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, em Silves, revelou hoje o Ministério do Ambiente.

As duas crias, "robustas e bastante activas", nasceram de parto natural. São a primeira descendência da fêmea Azahar - "flor de laranjeira" em árabe - que nasceu há cinco anos em liberdade e foi o primeiro animal a ser transferido de Espanha para o centro de Silves, em Outubro passado. Apesar de várias tentativas, Azahar nunca tinha conseguido engravidar no centro de reprodução de Jerez de la Frontera, de onde foi transferida para Portugal: o stress urbano daquele local terá inviabilizado a gravidez.

Após os partos, Azahar exibe "dedicação e tranquilidade" às duas crias, junto das quais está em permanência. O pai, de nome Drago, nasceu em cativeiro em La Olivilla e é também um dos 16 linces trazidos de Espanha no âmbito do esforço luso-ibérico de conservação do lince ibérico, uma espécie ameaçada de extinção.

Ainda segundo o Ministério do Ambiente, os partos decorreram normalmente e coincidiram com quatro outros nascimentos registados nos três centros de reprodução de linces em Espanha. "Confirma-se que nasceram dois linces no Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico. Nasceram no último domingo e são os dois primeiros nascidos em cativeiro desde que este programa foi criado. É uma boa notícia, ainda por cima tendo em conta que este ano se celebra o Ano Internacional da Biodiversidade", disse a ministra do Ambiente, Dulce Álvaro Pássaro.

"Se tudo correr bem, esperamos no futuro que estes e outros animais sejam libertados de forma a repovoarem a nossa natureza", acrescentou. No início de Março, o organismo espanhol encarregado da protecção do lince ibérico anunciou que uma infecção renal provocou a morte de três animais. O mesmo organismo estimava que um terço dos 72 animais mantidos em cativeiro em Espanha sofreria da mesma doença. O director do centro de Silves, Rodrigo Serra, disse na altura que uma das fêmeas em Portugal estava com um doença renal, mas não de origem infecciosa, avançando com a hipótese de ter sido provocada por "um problema tóxico" decorrente da alimentação ou de vacinas.

De uma população de 100 mil animais no início do século XX, o número de linces ibéricos, considerados os felinos mais ameaçados do mundo, situa-se hoje na ordem das duas centenas em estado selvagem, além daqueles que são mantidos em centros como o de Silves. Em Portugal, onde não eram avistados linces desde 1980, o objectivo do programa ibérico de reprodução é libertar os animais mantidos em cativeiro nos habitats naturais, como a serra da Malcata, e no sul do país.



Fonte: LUSA

Estudo estima que milhões de tartarugas morreram nas redes de pesca


Entre 1990 e 2008 morreram 85 mil tartarugas marinhas nas redes de pesca de todo o mundo devido à captura acidental. O número acaba de ser publicado num artigo da revista Conservation Letters e é a ponta do iceberg de um fenómeno que provavelmente atingiu milhões de indivíduos das sete espécies desta tartaruga.

A equipa norte-americana liderada por Brian Wallace reuniu todos os trabalhos publicados em revistas científicas, em relatórios e que foram apresentados em conferências para definir o padrão global da captura acidental destes animais. No entanto a realidade descrita é apenas um por cento do que se passa nos oceanos.

“Os relatórios que foram revistos cobrem menos de um por cento de todas as frotas, com pouca ou nenhuma informação sobre a pesca de pequena escala que acontece em todo o mundo. O que estimamos, de uma forma conservadora, é que a realidade total é provavelmente não de dezenas de milhares mas de milhões de tartarugas que foram mortas por bycatch [o termo inglês para pesca não selectiva] nas últimas duas décadas”, disse Wallace, que trabalha na divisão marinha da Conservação Internacional e na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, citado pela BBC News.

Seis das setes espécies de tartarugas marinhas que existem em todo o mundo estão na lista vermelha das espécies ameaçadas. A poluição e a captura acidental, que causa ferimento mortais ou impede as tartarugas de virem respirar à superfície, são algumas das maiores ameaças para estas espécies, que por terem um ciclo de vida lento demoram a repor a população.

“São números assustadores”, disse ao PÚBLICO Hélder Spínola, dirigente da Quercus. “Há três anos falava-se de 5 mil tartarugas mortas por ano devido ao bycatch só em Portugal”, recorda o ambientalista. Spínola explica que em Portugal a pesca através do palangre é a situação “mais preocupante”.

O palangre é uma linha comprida com vários anzóis utilizada para pescar por exemplo o peixe-espada. Foi um dos três métodos de pesca, juntamente com a rede de arrasto e a rede de emalhar, que foram alvo dos vários estudos compilados neste novo artigo.

Das várias regiões do mundo, o mar Mediterrâneo e a zona Este do oceano Pacífico são os casos mais preocupantes de captura acidental detectados. Os autores do estudo sugerem políticas de conservação para estas regiões que protejam as espécies, nomeadamente através da utilização de redes de pesca que salvaguardem estes animais.

Para Brian Wallace “as tartarugas-marinhas são espécies sentinelas que mostram como os oceanos estão a funcionar.” Hélder Spínola concorda, referindo que estes animais “estão no topo da cadeia alimentar e são muitos sensíveis.” O ambientalista sublinha as vantagens em delimitar regiões para a protecção das tartarugas, já que “estas regiões acabam por proteger outras espécies que a partir daqui podem repovoar outras zonas com actividade piscatória”.

Fonte: Publico.pt

Lince ibérico com infecção renal está a reagir "bem ao tratamento"


A lince ibérico Espiga, que está no Centro Nacional de Reprodução deste animal em Silves e sofre de uma doença renal que já matou quatro felinos da espécie em Espanha, está a "reagir bem ao tratamento".

"Está a reagir bem ao tratamento. A situação não se está a agravar", disse hoje fonte do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), recordando que a fêmea chegou de Espanha a 4 de Novembro de 2009. Portugal integra o Plano de Acção para a Conservação do Lince Ibérico, felino em vias de extinção, no âmbito do qual foi criado o Centro Nacional de Reprodução do animal em Silves.

Ao abrigo daquele projecto foram transferidos em Novembro e Dezembro passado 16 linces de Espanha para Portugal. Em Espanha já morreram quatro linces ibéricos desde Dezembro, mas nos próximos meses o número de animais mortos poderá aumentar para dez.

A directora do Programa de Criação em Cativeiro do Lince Ibérico em Espanha, Astrid Vargas, disse a 23 de Março que "dez exemplares de linces ibéricos criados em cativeiro poderiam vir a morrer nos próximos meses devido a uma infecção renal crónica que afecta quase 40 por cento dos linces criados em cativeiro", segundo a agência de notícias espanhola Europa Press. Em Espanha há 24 linces ibéricos criados em cativeiro a sofrer desta infecção renal que "não tem cura". Dez destes animais infectados estão com a doença em "estado avançado" e são esses dez linces que podem morrer nos próximos meses.

A Espiga, que também sofre da mesma doença renal, está no Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico de Silves, mas segundo o ICNB a situação "não se está a agravar". O responsável do Centro de Silves, Rodrigo Serra, disse, no início de Março, que a fêmea deverá ter vindo de Espanha já doente, porque a "doença só se manifesta quando 75 por cento do rim já está afectado", explicou.

Rodrigo Serra disse que a causa da infecção está ainda a ser estudada, mas acrescentou que na origem pode estar "um problema tóxico, adquirido através de qualquer composto químico da comida, das vacinas ou dos suplementos alimentares e vitamínicos". Para aquele responsável, ainda há a hipótese de se tratar de "uma doença idiopática, cuja causa nunca virá a ser conhecida, uma vez que não depende de um mas de um conjunto de factores".

Estima-se que existam 200 linces ibéricos a viver em estado selvagem, a maioria em parques naturais no sul de Espanha. No início do século XX existiriam cerca de 100 mil linces em Espanha e Portugal, segundo registos da época.

Fonte: LUSA

Movimento para a defesa do Tejo contra desvio de água para Múrcia


O movimento ProTejo considera "despropositados" e "imprudentes" os transvases temporários que têm sido aprovados pelas autoridades espanholas para a bacia do Tejo. De acordo com a organização que junta cerca de 500 entidades e cidadãos portugueses preocupados com o futuro do Tejo, a Comissão de Exploração do Transvase Tejo-Segura aprovou, no dia 31 de Março, o desvio excepcional de 114 hectómetros cúbicos (hm3) de água para a região de Múrcia.

O movimento defende que o Governo português deve exigir que as reservas se mantenham na bacia do Tejo, para que não se repitam os incumprimentos de caudais mínimos, e deve demonstrar o seu desagrado pela "gestão unilateral" das autoridades espanholas, que considera "contrária ao princípio da unidade da gestão hidrográfica estabelecido na Directiva Quadro da Água" aprovada pela União Europeia.

Segundo o ProTejo, os governos dos dois países deveriam definir caudais ambientais para a bacia do Tejo, de modo a evitar que a escassez de água nos períodos mais secos tenha efeitos negativos nos ecossistemas e na vida das populações.

O movimento, criado em 2009, tem-se reunido com os diversos grupos parlamentares, procurando sensibilizá-los para as suas preocupações. No dia 23 foi recebido pela Comissão Parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional, a quem expôs os seus objectivos de "defesa de uma gestão sustentável da bacia hidrográfica do Tejo e a consequente recusa da política de transvases em Espanha". O ProTejo agendou para 9 de Maio o segundo cruzeiro Vogar Contra a Indiferença, que pretende mobilizar centenas de cidadãos ibéricos para a luta pela defesa do rio.

No que diz respeito ao transvase para Múrcia (87,4 hm3 para irrigação e 26,6 para abastecimento de água) previsto para o segundo trimestre deste ano, o ProTejo sublinha que se vem juntar a outro de 60 hm3 já autorizado em Março. Frisando que as 15 barragens da bacia do Segura armazenavam em meados de Março 659 hm3, valor considerado positivo, a direcção do movimento português sublinha que as duas barragens da cabeceira do Tejo tinham comparativamente menos água e ficarão apenas com 23,5 por cento da capacidade se forem efectuados estes dois transvases. Acrescenta o ProTejo que, no dia 22, já a água debitada para Portugal era "inferior ao caudal mínimo ecológico semanal" estipulado na Convenção de Albufeira, o que "não garante" a saúde ambiental do Tejo em Portugal.

Fonte: Publico.pt

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Austrália: Maré negra ameaça grande barreira de coral

Petroleiro chinês encalhou num banco de areia junto à ilha de Kepel, Austrália. Está a derramar crude e ameaça um dos mais frágeis ecossistemas do mundo.


A fuga do petróleo de um navio chinês encalhado na costa australiana está a ameaçar a maior barreira de corais do mundo. A grande preocupação é que o petroleiro se parta em dois e a maré negra fique fora de controlo.

O alerta foi dado ontem ao início da manhã - hora portuguesa - pelas autoridades australianas . O Governo e o Estado de Queensland indicaram que o petroleiro Shen Neg 1 encalhou durante a madrugada de sábado num banco de areia a 70 quilómetros da costa, junto à turística ilha australiana de Kepel.

As autoridades alertaram para o perigo de fuga do petroleiro, que transporta 950 toneladas de crude. O navio está já a derramar pequenas quantidades de petróleo.

"A situação é séria e existe um risco muito real de que o barco se parta em dois, fazemos todos os esforços para limitar os danos na grande barreira", sublinhou a governadora de Queensland, Anna Bligh, às diversas agências internacionais.

Anna Bligh afirmou ainda que o navio, de 230 metros de comprimento e que transportava também 65 mil toneladas de carvão, chocou contra a barreira quando navegava à velocidade máxima.

À hora de fecho desta edição, um barco da polícia permanecia junto ao navio para proceder à sua eventual evacuação. E o mar tinha sido pulverizado com um componente químico para estancar o derrame.

A Grande Barreira de Coral é o maior recife de coral do mundo, com uma extensão de cerca de 2.300 quilómetros, situada junto à costa nordeste do estado australiano de Queensland, sendo composta por cerca de 2.900 recifes, 600 ilhas continentais e 300 atóis de coral.

A primeira maré negra de grandes dimensões foi provocada pelo naufrágio do petroleiro Torrey Canyon, no Canal da Mancha, em 1967. Na altura foram derramadas mais de 100 mil toneladas de crude que afectaram cerca de 180 km de praia.

Fonte: Diário de Notícias

Outra maré negra histórica foi provocada pelo naufrágio do petroleiro Almoco Cadiz, em Março de 1978, que libertou mais de 230 mil toneladas de petróleo, contaminando 320 km de praias.



O maior desastre com petroleiros na história dos EUA foi o derrame de 40 mil toneladas de crude pelo petroleiro Exxon Valdez que encalhou num recife em Prince William Sound, Alasca, na noite de 24 de Março de 1989. Mais recentemente, Portugal e a Galiza, Golfo do México e ainda o Alasca foram afectados.
O impacto destas marés negras nos ecossistemas é enorme. A película formada na superfície da água impede a entrada da luz, que reduz a taxa de fotossíntese das plantas o que diminui a quantidade de oxigénio dissolvido na água provocando asfixia dos peixes e a proliferação de bactérias.

Indonésia transforma antigos rebeldes em guardas florestais


Durante décadas, o vasto interior da selva que cobre a província indonésia de Aceh, ao norte do país, ofereceu refúgio para milhares de rebeldes soldados de infantaria que travavam uma guerra de independência.

Agora, ainda marginalizados e desempregados, apesar de quase cinco anos de paz, muitos antigos separatistas fugiram de volta para a floresta, desta vez para derrubá-la.

“Falei com um antigo capitão rebelde recentemente e lhe perguntei por que ele continuava a cortar ilegalmente as florestas de Aceh”, disse Mohammad Nur Djuli, chefe do Corpo de Reintegração de Aceh, uma organização estabelecida pelo governo provincial em 2006 para ajudar ex-combatentes a se integrar à sociedade.

“Ele disse: ‘Tudo bem, você alimenta meus 200 homens e eu jogo esta serra no rio’. O que eu poderia dizer diante disso?”

Um programa do governo, chamado de Aceh Verde, espera fornecer uma resposta.

Cinco anos depois que um terremoto e um tsunami destruíram grande parte da província de Aceh, matando 170 mil pessoas, o governo provincial começou a instituir uma estratégia de desenvolvimento econômico. Ela busca incorporar o desenvolvimento sustentável, integrar antigos combatentes à sociedade e criar empregos que atingem o objetivo do antigo movimento separatista: garantir que lucros advindos de recursos naturais beneficiem a população local.

O programa Aceh Verde, embora ainda esta em seu estágio inicial, já produziu alguns resultados.

Centenas de antigos rebeldes, que conhecem a selva de Ulu Masen como ninguém, estão sendo treinados e remodelados como guardas florestais pela Fauna and Flora International, um dos grupos ambientais internacionais mais antigos em Aceh. Os novos guardas percorrem a floresta, armados com bússolas e corda de escalada, em busca de madeireiros e caçadores ilegais.

Os guardas florestais são selecionados por suas comunidades locais e operam como um grupo independente complementando uma força policial de floresta existente, ainda que pequena – seus antigos adversários. Os antigos rebeldes são treinados durante dez dias pela Fauna and Flora International.

Em sua cerimônia de formatura, exaustos e sujos, eles ficam de pé num rio cercado por tochas flamejantes para receber seus diplomas, que vêm na forma de abraços. Como num ritual de batismo, eles são mergulhados um a um no rio por seu “treinador mestre” e recebem um uniforme limpo para começar suas novas vidas.

“Muitos choram”, disse Matthew Linkie, gerente de programas da divisão de Aceh da Fauna and Flora International. “É impressionante ver isso entre esses homens endurecidos. Esses rapazes passam de marginais e criminosos a heróis. Eles estão se tornando nossos olhos e ouvidos, nos deixam saber o que está acontecendo em áreas bastante remotas da selva, lugares normalmente muito difíceis de monitorar”.

O Aceh Verde é ideia original do governador Irwandi Yusuf, que também é ex-rebelde, veterinário treinado nos Estados Unidos e fundador da divisão de Aceh da Fauna and Flora International. Ele apresentou o Aceh Verde para o mundo na Conferência de Mudança Climática das Nações Unidas em 2007, em Bali, onde, para o aplauso dos ambientalistas, ele declarou pretender transformar sua província num modelo mundial de sustentabilidade.

Analistas têm elogiado bastante o espírito do programa, que deixa entrever um futuro potencialmente brilhante para uma região conhecida por desastres e conflitos. Vários meses após a conferência de Bali, o governador declarou a interrupção de toda exploração madeireira na floresta de Ulu Masen e iniciou o programa de guardas florestais com a Fauna and Flora.

Em fevereiro de 2008, Ulu Masen se tornou a primeira floresta a ser internacionalmente reconhecida como protegida pelo programa das Nações Unidas chamado REDD (Reducing Emissions from Deforestation and Forest Degradation in Developing Countries). O sistema permite a países ricos compensar suas emissões de carbono pagando a países pobres para que preservem suas florestas. O projeto poder trazer a Aceh cerca de US$ 26 milhões em créditos de carbono se puder proteger com sucesso toda a selva de Ulu Masen, com 770 mil hectares.

“O Aceh Verde é a articulação de uma visão que Pak Irwandi tem há muito tempo”, afirmou Lilianne Fan, ex-agente humanitária que agora trabalha como conselheira para o governador no Aceh Verde, usando título de cortesia indonésio antes do nome do governador.

Aceh, que cobre a ponta norte da Ilha de Sumatra e possui população de mais de 4 milhões de pessoas, tem alguns dos depósitos mais ricos do mundo de riqueza natural, incluindo gás natural, petróleo, carvão, ouro, ferro, cobre, estanho e madeira dura. Foi a luta para controlar os lucros advindos desses recursos naturais que deflagrou a longa rebelião separatista.

Agora, o governo provincial, apoderado por um acordo de paz de 2005 que lhe dá autonomia limitada de Jacarta, capital da Indonésia, espera extrair esses recursos de forma sustentável e para o benefício de seus moradores.
Críticos afirmam que, embora o Aceh Verde seja uma boa ideia, a província não tem a infraestrutura de governo e a força de vontade para torná-lo efetivo.

Alguns agentes humanitários ironicamente se referem ao programa como “Aceh Marrom”, apontando que, nas áreas remotas onde eles trabalham, o barulho das serras ficou mais alto que nunca, apesar do Aceh Verde e da interrupção das atividades madeireiras. Em resposta, o governo afirma que ainda não é capaz de monitorar a floresta inteira.

Uma das forças por trás do Aceh Verde é uma necessidade urgente de melhorar a economia do local. Analistas afirmam que o crescimento é essencial para a manutenção da paz, mas a economia está hesitante à medida que os esforços multibilionários de reconstrução após o tsunami de 2004 estão diminuindo. Ambientalistas locais agora temem que, na pressa para compensar o desemprego que chegou com o fim de projetos de ajuda internacional aqui, o espírito do Aceh Verde seja diluído.

O governador “apoia os investidores, não o meio ambiente”, afirmou Arifsyah Nasution, coordenador da Kuala, uma organização guarda-chuva que representa 25 grupos ambientais locais. “O governador diz que eles estão fazendo as coisas de uma ‘forma verde’, mas ainda não vimos nenhum resultado. Para nós, é tudo jargão, uma forma de atrair investimentos de grande escala”.

No centro das dificuldades do Aceh Verde está a falta de um governo plenamente operante em grande parte da região. Mais de 30 anos de conflitos e o tsunami deixaram governos provinciais e locais em farrapos. A corrupção, especialmente na esfera local, continua a prevalecer, segundo organizações de monitoramento como a Transparency International.

“A equipe do Aceh Verde trabalha sozinha”, disse Nasution sobre o time do governador, que trabalha fora de Banda Aceh, a capital da província. “Há pouquíssima coordenação ou entendimento entre outros setores do governo. Há muitas regulamentações conflitantes em vários níveis do governo”, ele acrescentou. “É uma bagunça”.

Fan afirmou que a equipe da Aceh Verde planejava passar os próximos dois anos fortalecendo habilidades de governança entre líderes locais e provinciais. Eles também estão revisando diretrizes florestais, assim como extração de recursos. Vários projetos estão previstos, disse Fan, incluindo uma parceria entre o governo indonésio e o banco alemão de desenvolvimento KfW para trabalhar recursos geotérmicos.

Para algumas pessoas, incluindo os antigos rebeldes que viraram guardas florestais, o Aceh Verde se tornou um tipo de doutrina provincial.

Kamarullah, 32 anos, ex-combatente rebelde que extraía madeira ilegalmente que, como muitos indonésios, usa apenas um nome, disse que agora se considerava um ativista ambiental.

“Eu nunca soube como usar a floresta com sabedoria”, disse ele, durante uma patrulha. “Agora eu entendo a importância da floresta. A partir de agora, sempre irei protegê-la, sua vida selvagem e o meio ambiente, mesmo que um dia eu não seja mais guarda florestal”.

(Fonte: G1)

Agência classifica composto do plástico como preocupante

O bisfenol A (BPA), substância usada em embalagens plásticas para alimentos, entrou para a lista de produtos químicos considerados preocupantes pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA.

O BPA é usado para tornar o plástico mais rígido, no caso de mamadeiras e potes para acondicionar comida, por exemplo. Uma pequena quantidade da substância costuma migrar da embalagem para o alimento.
Agências reguladoras como a Anvisa, no Brasil, ou a FDA, nos EUA, determinam a quantidade máxima da substância permitida nos recipientes.

A exposição crônica ao BPA pode interferir no sistema endócrino. "Uma das associações mais documentadas é com a disfunção da tireoide", diz Vania Maria da Costa, da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

A SBEM recomenda que embalagens plásticas contendo alimentos não sejam aquecidas. "Com o calor, aumenta a taxa de saída do BPA para o alimento", afirma Costa.

Os estudos disponíveis ainda não são conclusivos em relação aos riscos do bisfenol A. Mesmo assim, alguns países da Europa estão propondo leis para banir a substância de embalagens para alimentos e mamadeiras.

O governo dinamarquês proibiu provisoriamente, na semana passada, o uso do BPA em materiais que ficam em contato com alimentos para crianças de zero a três anos.

A decisão foi baseada em estudos do Instituto Nacional de Alimentos da Dinamarca, que apontam possíveis efeitos nocivos da substância. Novos estudos são esperados, mas o governo do país resolveu banir o BPA em caráter preventivo.

Na França, o Senado votou a favor da proibição do BPA em mamadeiras, baseado em relatório da agência de segurança em alimentos francesa, que aponta riscos potenciais à saúde. A proibição tem caráter provisório e será anulada se novas pesquisas trouxerem evidências sobre a segurança da substância.

Brasil - A inclusão do BPA na lista da agência de proteção ambiental norte-americana não modificou a atual legislação da FDA.

No Brasil, a Anvisa revisou a norma sobre elaboração de embalagens e equipamentos em contato com alimentos em março de 2008. As regras foram discutidas com os países-membros do Mercosul, e todos optaram por manter o uso de BPA nesses produtos. O limite estabelecido é de 0,6 mg de BPA para cada quilo da embalagem.

Segundo a Anvisa, nessa proporção a substância não oferece risco à saúde da população.

(Fonte: Folha Online)

Aljezur é palco da primeira discussão sobre plano de ordenamento do PNSACV

A discussão pública do plano termina no dia 30 de Abril.

O pavilhão dos bombeiros voluntários de Aljezur vai acolher, no próximo dia 16, às 20h30, a primeira sessão pública aberta à população sobre a polémica proposta de revisão do plano de ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Mais tarde, no dia 21, à mesma hora, a sessão pública vai realizar-se no Centro Cultural de Vila do Bispo.

Os presidentes de ambas as autarquias convidaram mesmo para estarem presentes nestas sessões o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, e o presidente do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Tito Rosa.

A discussão pública do plano arrancou no passado dia 18 de Março e termina no dia 30 de Abril. Este é um processo que decorre desde Maio de 2008, que passou por diversas versões e chega agora à fase de discussão pública.

No entanto, apesar de durante o processo terem sido acolhidas algumas propostas da Câmara de Aljezur e Vila do Bispo, ambas as autarquias já se manifestaram contra a proposta em cima da mesa. “O documento que agora chega ao conhecimento de todos está ainda longe, na nossa opinião, de merecer a nossa aprovação”, realça o presidente José Amarelinho.

De acordo com o autarca de Aljezur, os objectivos de conservação e preservação só serão alcançáveis se não forem reduzidos a um mero regulamento proibicionista, desresponsabilizado e redutor que “atira o homem para fora do ecossistema, quando dele não pode ser afastado”.

Desta forma, José Amarelinho afirma que “a câmara vai continuar a pugnar e trabalhar, de forma determinada e implacável, no sentido de ver corrigidos os vários pontos críticos ainda não contemplados”.

Fonte: NC/Jornal do Algarve

Polis de Aveiro quer acção urgente do Governo


“O Polis da Ria de Aveiro tem de ter uma acção urgente do Governo”, disse Ribau Esteves, presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), reclamando “uma atitude mais pro-activa” do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade.
O programa abrange 60 quilómetros de frente costeira e 128 quilómetros de frente lagunar em 12 municípios: Águeda, Albergaria, Aveiro, Espinho, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Oliveira do Bairro, Ovar, Sever do Vouga e Vagos.
O Polis Litoral foi lançado em 2008, pelo Governo, que prevê investimentos na ordem dos 96 milhões de euros, numa área de 37 mil hectares da Zona de Protecção Especial da Ria de Aveiro.

Fonte: Soberania do Povo.pt

Parque Natural de S. Mamede integra Observatório para Energia

O Parque Natural da Serra de São Mamede (PNSSM) vai acolher um Observatório Regional para a Energia (ORE), anunciou a Agência Regional de Energia e Ambiente do Norte Alentejano e Tejo (AreanaTejo), entidade promotora do projecto.

«O ORE surge como uma necessidade de possuir um ponto físico para divulgar os resultados dos trabalhos feitos pela AreanaTejo sobre a carta da energia», explicou à Lusa Tiago Gaio, da AreanaTejo.

De acordo com o responsável, o projecto vai ser desenvolvido na sede do Parque Natural, situada na Quinta dos Olhos d¿Água, no concelho de Marvão, em Portalegre.

«O projecto vai estar em funcionamento no final do verão. Em Setembro já deve estar à disposição de todos aqueles que visitam o PNSSM», declarou.

O ORE vai actuar como uma «espécie de quiosque informático», disponibilizando vários dados para os visitantes do PNSSM analisarem, uma área lúdica e uma área de informação e sensibilização para os turistas.

«Este projecto vai estar integrado num circuito que o PNSSM está a desenvolver e que abrange outros temas, nomeadamente a água e os resíduos. O tema sobre a energia será da responsabilidade da AreanaTejo», afirmou o responsável.

O projecto que a AreanaTejo vai apresentar contém um conjunto de informações sobre boas práticas energéticas e ambientais, de sensibilização e ainda dados sobre energias renováveis com a respectiva explicação teórica de cada uma dessas vertentes.

No entanto, Tiago Gaio explicou ainda que a AreanaTejo e o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), entidade que tutela o PNSSM, têm em curso um outro projecto de «continuidade» dirigido à gestão florestal.

«Vamos criar um plano de gestão florestal da área de intervenção do PNSSM com o objectivo de manter a mancha florestal definida e que tenha como contributo a absorção de dióxido de carbono», revelou.

Através deste projecto, vai haver um «contributo para a neutralidade carbónica da região, em conjunto com a questão relacionada com os consumos de energia» retirados naquela zona do Alentejo.

Fonte: TVI24

Brasil: Cientistas se unem em projeto de preservação da Mata Atlântica

Verde, ampla e com uma biodiversidade paradisíaca: esses tempos se foram. Hoje a Mata Atlântica na costa brasileira está mais para campos empoeirados do que para áreas férteis, e gasodutos atravessam a paisagem idílica.
Uma tentativa de conter a devastação da natureza foi iniciada por cientistas alemães e brasileiros. Dinario, como é chamado o projeto, é conduzido na Serra dos Órgãos, perto da cidade de Teresópolis, no Rio de Janeiro. Lá trabalham especialistas alemães em conjunto com parceiros brasileiros.

Juntos eles desenvolvem estratégias sustentáveis de utilização da terra na região, priorizando tanto a conservação da natureza como o desenvolvimento econômico. Desde 2007, o Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha incentiva o projeto, cujo parceiro brasileiro é a Embrapa. O objetivo é mostrar aos fazendeiros e às indústrias como eles podem se engajar na proteção do meio ambiente mantendo seus lucros.

O projeto é conduzido pelo professor Hartmut Gaese, do Instituto de Tecnologia Tropical da Universidade de Colônia.

– É o desafio de lidar com as regiões que, por meio dos mercados mundiais, também nos afetam.

Segundo o professor, essas regiões não estão sob pressão apenas devido ao aumento populacional, mas também porque a demanda por recursos está aumentando.

– O uso sustentável dos recursos é a questão central para a nossa sobrevivência futura.

A cientista Ana Turetta, da Embrapa, é a parceira do professor Gaese no projeto Dinario. Ela destaca o caráter piloto do projeto conjunto entre os dois países.

– Como o uso da terra e as mudanças no uso da terra são uma das maiores fontes de gases do efeito estufa e uma das principais causas do aquecimento global, esperamos ser um bom exemplo, por meio do desenvolvimento de sistemas sustentáveis, para o avanço no combate às mudanças climáticas –, declarou a cientista.

Ambos destacam que esperam seguir novos rumos na pesquisa sobre os ecossistemas e a sua influência no clima. O importante, ressaltam, é que esses novos caminhos sejam seguidos de forma metódica, porque os resultados poderão ser aplicados a outros ecossistemas.

O paraíso da fauna e da flora está visivelmente se esgotando. A Mata Atlântica acompanhava 5 mil quilômetros da costa brasileira e ia do sul do Rio Grande do Sul até o norte do Ceará. Originalmente, a biodiversidade da mata era ainda maior do que a da Floresta Amazônica.

Porém, como consequência da colonização intensa e do uso das terras, o paraíso natural, que antes ocupava uma área de mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, está hoje restrito a apenas 50 mil quilômetros quadrados.

As causas da devastação são o pastoreio excessivo, a agricultura, a contaminação das águas e as queimadas.

– Só restaram fragmentos da mata original, o que cria o temor de que em breve nada mais haverá. Isso levanta a questão de quão grandes devem ser esses fragmentos remanescentes para que eles possam existir como unidade ecológica –, diz Gaese.

Os esforços valem a pena, destaca o pesquisador. Segundo ele, poucas vegetações se regeneram mais rápido do que a floresta da costa brasileira. O que os cientistas dos dois países esperam agora é que o projeto, cujo final está previsto para este ano, seja mantido.

Fonte: Correio do Brasil

domingo, 4 de abril de 2010

Empresa com licença de gestão ambiental deitou 10 toneladas de lixo em serras

A descarga motivou uma queixa ao Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR, que garante que serão levantados autos. O lixo foi recolhido durante a iniciativa Limpar Portugal.

As cerca de 10 toneladas de resíduos industriais que os voluntários do projecto Limpar Portugal retiraram, no passado dia 20, das serras da Freita e de Mansores, no concelho de Arouca, foram afinal entregues a uma empresa com licença de gestão para resíduos não urbanos, que foi declarada insolvente em Fevereiro último. O lixo era constituído essencialmente por sobras de esponjas sintéticas utilizadas na construção de bancos para automóveis produzidos por uma empresa de São João da Madeira.

Conforme o PÚBLICO teve oportunidade de testemunhar no passado dia 20, na serra da Freita, para além do esforço físico, os voluntários do Limpar Portugal também correram riscos para removerem as cerca de sete toneladas de resíduos da serra mais três toneladas de Mansores. Boa parte deste lixo tinha sido lançada para escarpas íngremes, de difícil acesso e, para complicar ainda mais a recolha, no passado dia 20 choveu com intensidade e o nevoeiro era muito cerrado.

Descarga recente

Conhecedores da serra da Freita, os voluntários notaram que aquelas 10 toneladas tinham sido ali colocadas pouco tempo antes da acção Limpar Portugal, alegadamente com o objectivo de aproveitar esta iniciativa ambiental. Enquanto um tractor com braço mecânico carregava fardos de esponjas para uma camioneta, na serra da Freita, José Cerca, de 60 anos, um professor de Português, que estava a orientar cerca de 200 alunos da escola onde lecciona na recolha de lixo, logo demonstrou a sua indignação.

"Esta descarga deve ter sido feita há cerca de dez dias. Dá a entender que as pessoas se aproveitaram da campanha para se livrarem do lixo", denunciou. Também Isabel Vasconcelos, vice-presidente da Câmara de Arouca e responsável pelo pelouro do Ambiente, relatou o seu desagrado ao PÚBLICO: "É uma situação absolutamente escandalosa e isto é uma parte negativa que ninguém imaginava: aproveitarem-se da limpeza de dia 20 para se livrarem de resíduos."

Depois de ter trabalhado décadas no Ministério do Ambiente, Isabel Vasconcelos não quis deixar este crime impune e foi, logo nesse sábado, apresentar queixa ao Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR. Porém, tal não foi necessário, uma vez que a Naturveredas, empresa que gere o Parque de Campismo Refúgio da Freita, já o tinha feito, no passado dia 8 de Março. Porém, a queixa não produziu resultados práticos nos 12 dias que decorreram entre a sua apresentação e a acção de recolha do lixo.

Isabel Vasconcelos decidiu então resolver o problema. Logo na segunda-feira seguinte (dia 22) descobriu e contactou a fábrica que produziu os resíduos e percebeu que esta pagou, em 2008, uma quantia entre dois mil e três mil euros para a empresa Transportes Pelariguense dar um destino aos resíduos.

A Transportes Pelariguense dispõe do alvará de licença n.º 84/2007/CCDRN2, válido até 3 de Outubro de 2012, que lhe permite gerir resíduos não urbanos, mas, entretanto, foi declarada insolvente em Fevereiro último.

Empresa admitiu despejo

Ainda assim, a vice-presidente da Câmara de Arouca conseguiu atrair Adelaide Oliveira, sócia da falida Transportes Pelariguense, aos paços do concelho, logo na terça-feira (dia 23). Adelaide Oliveira pensou que se tratava de algum interessado num BMW que colocara à venda.

Perante as acusações de Isabel Vasconcelos, Adelaide Oliveira terá inicialmente negado responsabilidades no aparecimento das 10 toneladas de resíduos no concelho, mas depois acabou por reconhecê-las. A autarca conseguiu, deste modo, que o lixo fosse recolhido logo na quinta-feira seguinte (dia 25), para ser colocado em aterro.

O PÚBLICO tentou, por diversas vezes, contactar Adelaide Oliveira, por telefone, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição. Já o gabinete de comunicação da GNR informou que, após a queixa da Naturveredas, esteve no local no passado dia 16, "mas não foi identificada a origem dos fardos". Entretanto, a GNR acompanhou a limpeza de dia 20 e as diligências efectuadas por Isabel Vasconcelos, garantindo ainda que "serão levantados os respectivos autos".

Limpar Portugal: 100 mil recolheram 70 mil toneladas de lixo

A iniciativa Limpar Portugal, durante a qual foi descoberto este despejo ilegal, decorreu a 20 de Março. Em todo o país, cerca de 100 mil voluntários recolheram mais de 70 mil toneladas de lixo e foram identificados cerca de 13 mil pontos com resíduos, entre florestas e terrenos urbanos. A iniciativa foi trazida para o país por três portugueses que se inspiraram numa acção que teve o seu início na Estónia.

Fonte: Publico.pt

Após décadas de ausência, Chitas regressam ao Sul de Angola

Após décadas de ausência, dois felinos foram avistados na região do Namibe. Fim da guerra está a fazer fauna voltar.

É um regresso histórico. As chitas estão a voltar ao Sul de Angola, após décadas de ausência de um país devastado por 27 anos de guerra civil. A feliz novidade foi anunciada pelo fundo de conservação das chitas, o CCF.

"Estive no Sul de Angola à procura de vestígios da presença de chitas e ficámos maravilhados por encontrarmos dois espécimes", disse a investigadora daquele fundo, Laurie Marker, citada pela AFP.

Foi na província do Namibe que os felinos foram avistados, na zona do maior e mais antigo parque nacional de Angola, praticamente abandonado durante a guerra civil.

"O regresso da fauna selvagem é um benefício enorme para o país e para a biodiversidade de uma forma geral", sublinhou, estimamdo que possa ter igualmente um impacto positivo no turismo, praticamente inexistente em Angola.
O Ministério do Ambiente de Angola tinha anunciado em Janeiro a intenção de fazer de 2010 o Ano da Biodiversidade, através da recuperação de parques nacionais e da criação de novas zonas protegidas para as espécies selvagens.
No ano passado, os investigadores do CCF descobriram três palancas-negras, uma espécie particularmente ameaçada que só existe em Angola. Aquele antílope é mesmo o símbolo do país e dá nome à respectiva selecção de futebol.

Fonte: Diário de Notícias

Aprenda a plantar vegetais naturais em qualquer lado... incluindo na varanda

Aquele vaso que tem à entrada da sua casa pode ser um excelente local para semear uns coentros ou umas alfaces. Se não sabe como, leia este texto e veja como a Fundação Biológic@ o pode ajudar a comer vegetais saborosos e sem uma pinga de pesticidas nem herbicidas.
Com um puxão despachado, Teresa Fiúza arranca uma tangerina da árvore. Sem demora, abocanha a casca para ver se está boa. Após um sinal de aprovação, vira-se e exclama enquanto sorri: "Agricultura biológica é isto: ir à árvore, pegar na fruta e comer logo, sem haver preocupação se ela tem pesticidas ou herbicidas." Se acha que esta é uma ideia que lhe interessa, a Fundação Biológic@ pode dar uma ajuda com os seus cursos para hortas ecológicas. Ao alcance de todos, quer tenha um terreno com alguns hectares ou só uns vasos na varanda.

Teresa Fiúza estava calmamente sentada na sala da sua Quinta do Paraíso, quando ouviu falar pela primeira vez, no programa de televisão Biosfera, numa fundação que ensinava a plantar e a tratar de hortas biológicas. "Enviei logo um e-mail a mostrar-me interessada. Avisei que não era agricultora e que tinha apenas um bocado de terreno onde queria plantar umas alfaces para o Banco Alimentar", conta.

Sofia Lobo, da Biológic@, ficou interessada nesse "bocado de terreno" que afinal, ficou a saber mais tarde, eram 30 hectares. Agora, Teresa Fiúza, que participou num dos cursos da fundação, já tem um vasto quintal biológico. Lá planta, além das alfaces, couves, brócolos, cebolas, nabos, ervilhas, alhos e nabiças. "Sete mil pés, tudo natural", não se cansa de repetir.

"Qualquer espaço dá para fazer uma horta ou uma mini-horta. Só tem de se adaptar o que se pretende cultivar ao espaço", explica Sofia Lobo. Um quintal pode ser um bom local para plantar, assim como uns vasos na sua varanda, caso more num apartamento. "É algo que os ingleses fazem desde há muito, os chamados kitchen gardens e que, felizmente, têm vindo a ganhar cada vez mais adeptos em Portugal", diz. As preferências dos "agricultores de varanda" passam pelas ervas aromáticas e condimentares. De entre os legumes, as alfaces são as preferidas, mas há muitos que cultive de tudo, até batatas em vasos.

Nos cursos da Fundação Biológic@ aprende-se como controlar e tratar pragas sem químicos, assim como fertilizar as plantas sem usar adubos artificiais. "Ponho urtigas e outras plantas num bidão com água e uso como fertilizante. Tenho cavalos, ovelhas e patos e do que eles deixam aproveito para fazer compostagem", diz Teresa Fiúza, que condena os preços a que são vendidos os produtos "bio".

"Compro sementes biológicas que vêm do estrangeiro. Uma embalagem dessas sementes de alho-francês custa menos do que chupa-chupa. Não percebo como é que nos supermercados vendem pacotes de alho-francês a oito euros." Por isso promete que, quando começar a vender os seus produtos na Quinta - por volta de Maio ou Junho -, vai ter preços mais baixos do que os outros, porque "vender alho-francês a seis euros o quilo é pura especulação".

Tão especulativo que Sofia Lobo considera que no futuro a agricultura biológica poderá alimentar o mundo inteiro: "Se virmos bem a quantidade de desperdício alimentar que existe, principalmente nas grandes superfícies, concluímos que precisamos de menos alimentos do que o que consumimos. Há também imensas terras por cultivar, sendo Portugal exemplo disso, assim como o continente africano", explica.

A agricultora da Quinta do Paraíso conta ainda que descobriu a parte humana da agricultura biológica. Toda a família intervém nas culturas, juntando-se para semear, colher, lavar e comer os seus produtos.

Os seus netos levaram algumas alfaces para a escola, para os colegas comerem. A satisfação foi geral e todos elogiaram o "sabor natural a antigamente".

Fonte: Diário de Notícias

Melro-preto: Uma ave que gosta de viver na cidade

Mal-amado pelos agricultores, o melro-preto é uma ave que tem vindo a conquistar as cidades, sendo visita frequente de jardins e canteiros, à cata de alimentos. O seu canto forte enche as manhãs e os fins de tarde, sinal de que o tempo quente está a chegar.

Diz a sabedoria popular que, "quando o melro canta em Janeiro, é tempo de sequeiro o ano inteiro". A razão do ditado é que os machos desta espécie costumam cantar normalmente de Fevereiro a Junho, altura em que fazem os ninhos. "Cantam para atrair as fêmeas, para defender o território", explica Gonçalo Elias, coordenador do portal http://www.avesdeportugal.info/. Quando começam a cantar mais cedo, é sinónimo de que o tempo "está mais solarengo e será uma estação com menos chuvas, logo, piores colheitas".
O melro-preto (Turdus merula) é uma das espécies de aves mais abundantes em Portugal. Curiosamente, em Lisboa e noutras cidades tem-se tornado cada vez mais comum, sendo observado em jardins, mas também em telhados e antenas de prédios, aproveitando novos oportunidades de alimentação. A ave, dizem os especialistas, tem também maior tole-rância à presença humana do que no campo. Chegam a aproximar-se a menos de cinco metros. No meio rural, tem um comportamento mais nervoso e arisco, fruto, talvez, da pressão cinegética. O melro é uma espécie protegida. No entanto, devido às suas semelhanças morfológicas com outras aves, como os estorninhos (preto e malhado), muitos melros acabam nas mãos de agricultores ou vítima de caçadores. "Os estorninhos são aves com má reputação, que por vezes dão prejuízos em pomares, vinhas e olivais. Pontualmente, o melro pode sofrer da má vontade dos agricultores ", reconhece o biólogo Domingos Leitão, coordenador do Programa Terrestre da Sociedade Portuguesa para Estudo das Aves.

O melro-preto tem uma distribuição abundante por toda a Europa e Ásia. Em Portugal, pode ser encontrado em todo o território, à excepção da ilha de Porto Santo. Estima--se que existam no País entre 200 mil e dois milhões de aves, "apesar de ser uma estimativa pouco precisa", avança o biólogo.

Existem três subespécies em Portugal. No Continente encontramos o Turdus merula merula; nos Açores, o Turdus merula azoriensis (a mais pequena de todas); e na Madeira, o Turdus merula cabrerae. "Todas elas muito semelhantes, tornando difícil a sua distinção a olho nu, mas são diferentes do ponto de vista genético", acrescenta Domingos Leitão.

Além das aves residentes, pensa-se que nos meses de Inverno, haja uma imigração de alguns melros-pretos para a Península Ibérica. Gonçalo Elias salienta: "Este não é um dado muito conhecido, mas que efectivamente se supõe a presença de indivíduos vindos do Norte." Foram já encontrados melros anilhados no Reino Unido, França, Bélgica, Holanda, Alemanha e Dinamarca, o que demonstra terem vindo de outros países. Contudo, "os números são pouco representativos face às populações residentes, presentes em quase todos os habitats", acrescenta.

Apesar do estatuto de "não ameaçado", há algumas ameaças à espécie. "A população de melros, em geral, não está ameaçada, mas pode sofrer algumas perturbações, como a caça, a predação doméstica ou de animais selvagens", diz Gonçalo Elias. Domingos Leitão lembra que "a proliferação de gatos assilvestrados tem também um efeito negativo. A diferença é que o impacto na globalidade das aves não é tão acentuado como noutras espécies mais ameaçadas".

"Melro-de-bico-amarelo come a semente e o farelo." Apesar da má-fama junto dos agricultores, o melro é uma das aves mais enraizadas na cultura popular. E que está agora a conquistar as cidades.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 3 de abril de 2010

Diálogos na Cidade com João Alves - Director do Parque Natural da Ria Formosa.

João Manuel da Silva Alves, é natural de Santa Engrácia, Lisboa, e nasceu a 30 de Junho de 1959.
Licenciou-se em Biologia, em Outubro de 1982, pela Faculdade de Ciências da Universidade Clássica de Lisboa.
Efectuou o Estágio de conclusão do curso de Biologia, no ramo científico, na Reserva Natural do Estuário do Tejo e Zonas Envolventes, entre Setembro de 1991 e Outubro de 1992, versando o "Estudo da Flora e da Vegetação" desta zona.
Exerce actualmente, em regime de Comissão de Serviço, e desde 1 de Maio de 2007, o cargo de Director do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas - Sul, o qual integra três Parques Naturais: - Ria Formosa, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e Vale do Guadiana, para além das ZPE's e Sítios da Rede Natura do Algarve, do Baixo Alentejo e parte do Alto Alentejo.

Nota introdutória:
“Situando-se Faro numa ampla linha de contacto com a Ria Formosa e perspectivando-se no futuro próximo um estreitamento da sua relação com esta área natural excepcional, gostaria de lhe colocar um conjunto de questões que, longe de esgotar todas as problemáticas inerentes à relação cidade/ria, se me afiguram mais pertinentes na actualidade.”

A Defesa de Faro - “A acção dos areeiros foi durante anos uma situação que sob o ponto de vista ambiental e legal infringia todas as leis, mas que, pese embora esse facto, teimou em se manter activa. Qual a situação presente?”
João Alves - Presentemente, e desde meados de 2008, o licenciamento da ocupação, utilização e exploração de recursos do Domínio Público Hídrico (neste caso do Domínio Público Marítimo) é da responsabilidade da ARH-Algarve (Administração de Região Hidrográfica do Algarve). Porém, a actividade dos areeiros foi sendo progressivamente regulamentada e, com a aprovação do POOC Vilamoura – Vila Real de Santo António, em 2005, deixou de ser possível retirar areia do sistema da Ria Formosa. As dragagens de manutenção dos canais, deverão recolocar as areias, desde que de características adequadas, nos sistemas dunar ou nas praias das ilhas-barreira da própria ria. Para além das dragagens de manutenção dos canais ou de desassoreamento das barras, as únicas possíveis são as realizadas por pequenos operadores locais que recolhem e transportam areia para os viveiristas para recobrimento dos viveiros, com a devida autorização do PNRF e, actualmente, da ARH.

ADF - “A poluição da Ria é um problema que se tem arrastado ao longo dos anos com impacto negativo na fauna e flora e nas actividades económicas. Ainda subsistem esgotos e efluentes industriais que são despejados directamente na Ria? As águas que são emitidas pelas ETAR's não põem em risco, devido à sua composição, o equilíbrio da salinidade das águas da Ria e consequentemente o seu ecossistema?”
J.A. - As situações que possam existir de lançamento de efluentes de qualquer natureza (que não os pluviais) na ria, sem o devido tratamento prescrito pela lei em vigor, são manifestamente irregulares. Não são do nosso conhecimento, casos concretos de lançamento continuado de efluentes em situação irregular. Esporadicamente, chegam ao nosso conhecimento ou são detectados pelos agentes de fiscalização, casos pontuais de escorrências “acidentais”, as quais são prontamente averiguadas, quer pelos Vigilantes da Natureza do PNRF, quer pelos da ARH ou da própria CCDR-Algarve. Sempre que são identificados os infractores, são promovidos autos-de-notícia e executados processos de contra-ordenação.
As ETAR’s, pelo seu lado, têm vindo a melhorar a sua eficiência, têm sido renovadas e reforçadas e as mais antigas, do tipo de “lagunagem”, que apenas procediam a tratamento primário (e parcialmente secundário) têm vindo a ser substituídas por novas unidades que funcionam em sistema fechado e que procedem a tratamento terciário, aumentando assim o nível de cobertura dos aglomerados populacionais e melhorando a qualidade da água que é lançada na ria. Mais informações podem ser obtidas junto da ARH e das Águas do Algarve.
Sobre a questão da salinidade, a quantidade de água lançada pelas ETAR’s comparada com o volume de água salgada que entra bidiariamente na ria e com as águas pluviais que entram no sistema directamente das chuvas e proveniente dos cursos de água, é muito pouco significativa. Por outro lado, os sistemas biológicos da ria estão adaptados a variações de salinidade, as quais são características dos sistemas lagunares como é o caso da ria Formosa.

ADF - “Também tem havido alguma controvérsia sobre a utilização da Ria para fins recreativos. Questões como a velocidade limite das embarcações, as zonas de circulação, a discriminação relativamente a alguns tipos de actividades náuticas, não são fáceis de resolver. E por último temos a poluição originada pelos barcos a motor. Consegue vislumbrar a fórmula para solucionar esta difícil equação?”
J.A. - Qualquer das situações que refere encontra-se regulamentada ou pelo POOC Vilamoura-Vila Real de Santo António, ou pelo Plano de Ordenamento do Parque Natural da Ria Formosa, entre outros diplomas. Um e outro classificam os canais existentes, em três níveis distintos, e determinam as embarcações que neles podem navegar e as respectivas velocidades. Também em ambos os casos, os diplomas legais foram amplamente participados por diversas entidades com responsabilidades e interesses locais, (desde as Autarquias, até ao IPTM, Autoridade Marítima, CCDR, Associações locais representativas de diversos sectores económicos) e estiveram acessíveis em longos períodos de discussão pública de modo a incorporarem as sugestões construtivas pertinentes. Por esta via foram alteradas, por exemplo, as velocidades de circulação nos canais. Finalmente, a Carta de Desporto e Turismo de Natureza, prevista no PO do PNRF, a elaborar pelo ICNB/PNRF e o Plano de Mobilidade e Circulação da Ria Formosa, previsto no Programa Estratégico do Polis Ria Formosa, identificarão e regulamentarão todo um largo conjunto de actividades desportivas, recreativas e de animação e turismo ambiental que se podem compatibilizar com a conservação dos recursos naturais da ria Formosa.

ADF - “A zona do Pontal situa-se dentro do Parque Natural da Ria Formosa. Contudo, existe uma forte pressão de interesses imobiliários, que pendem em permanência sobre o futuro daquele espaço. Por outro lado, a hipótese do Pontal se transformar num parque ambiental, com inúmeras valências de fruição, e poder constituir um reduto excepcional de educação ambiental, colhe a adesão da maior parte da população de Faro. Qual a sua posição relativamente a esta situação?”
J.A. - A zona do Pontal encontra-se classificada no PO do PNRF como zona de grande valia ambiental, sendo por isso área não edificável, pelo que não são permitidos empreendimentos imobiliários. A questão do parque ambiental, é compatível com a salvaguarda dos valores presentes, dependendo do conceito inerente a parque ambiental. Ele encontra-se previsto no Programa Estratégico do Polis Ria Formosa, mas deverá ser apenas um espaço requalificado de fruição das populações com um mínimo de infra-estruturas de apoio, como sejam observatórios de aves, trilhos pedonais, painéis informativos e zonas de descanso, etc.

ADF - “O ecoturismo, com todo um conjunto de actividades não poluentes, tais como a observação de aves, vela, remo, canoagem, mergulho, passeios pedestres e de barco, surf, etc, poderia ser uma mais-valia económica e cosmopolita que iria em muito beneficiar as regiões adjacentes à Ria. Por outro lado, temos tido uma exclusividade do turismo de massas que tem dificultado o desenvolvimento deste turismo ambiental. Qual a sua opinião sobre estas questões?”
J.A. - A resposta a esta pergunta ficou em parte já respondida numa das questões anteriores. Estão em curso os trabalhos tendentes à elaboração e publicação da Carta de Desporto e de Turismo de Natureza do PNRF, que irá regulamentar e definir quais as actividades desportivas, de recreio e de lazer, e os locais onde podem ser exercidos, compatíveis com os valores naturais, promovidos pelo ICNB/PNRF e, por outro lado, pela Sociedade Polis Litoral ria Formosa, o Plano de Mobilidade e Circulação da Ria Formosa, que irá complementar aquele instrumento.
Ambos os documentos regulamentares serão executados através de uma ampla participação pública, envolvendo todos os interessados, quer na óptica das empresas e promotores turísticos, quer na perspectiva das associações de defesa do ambiente.
Finalmente, não sendo de todo incompatíveis com a finalidade de um Parque Natural, as várias utilizações que se perspectivam não podem assumir níveis de tal modo intensos que constituam eles próprios um factor acrescido de perturbação e degradação do meio natural, afinal a razão de ser do interesse e do valor deste ecossistema.

Entrevista realizada por Fernando Silva Grade a João Alves
Director do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas – Sul do ICNB
Biólogo – Assessor Principal do quadro do ICNB

Post original no Blog "A DEFESA DE FARO" em: http://adefesadefaro.blogspot.com/2010/03/dialogos-na-cidade-com-joao-alves.html

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Greenpeace bloqueia carregamento de carne de baleia em Roterdão

Quinze activistas da organização ecologista Greenpeace acorrentaram-se esta manhã às amarras de um cargueiro que transportava carne de baleia com destino ao Japão no porto holandês de Roterdão.

"Vamos ficar o tempo que for necessário até termos a certeza de que os contentores com a carne de baleia não partem para o Japão", declarou um dos organizadores do protesto, Pavel Klinckhamers, à agência France Presse.

Os manifestantes acorrentaram-se cerca das 04h30 locais (03h30 em Lisboa) às amarras de um cargueiro de pavilhão panamiano proveniente da Islândia, para alertar contra um "carregamento ilegal" de carne de treze baleias, armazenada em sete contentores.

O cargueiro, que passou por Roterdão em trânsito para o Japão, deveria sair do porto holandês às 18h00 (17h00 em Lisboa), segundo uma porta-voz da polícia, Tinet Dejonge.

A caça à baleia com fins comerciais está interditada por uma moratória da Comissão Baleeira Internacional (CBI) de 1986. Essa moratória é ignorada pela Noruega e pela Islândia e contornada pelo Japão que, explorando uma lacuna jurídica do texto, afirma pescar baleias para fins científicos.

A CBI, organização que regula a caça e a conservação dos cetáceos, criou um grupo de trabalho de 30 países para analisar uma proposta de um programa limitado de caça comercial.

Hoje, à margem de uma reunião sobre este tema a decorrer em Wellington, na qual a Nova Zelândia manifestou apoio ao programa, a Austrália anunciou que se vai opor na próxima reunião do grupo de trabalho prevista para a próxima semana em Washington.

"Estou alarmado e muito preocupado com o apoio da Nova Zelândia a este projecto que não é válido e que representa um enorme compromisso face aos países que pescam a baleia", declarou o ministro australiano do Ambiente, Peter Garrett. A Austrália opõe-se firmemente a qualquer caça à baleia e ameaçou processar o Japão na justiça internacional se este continuar a pescar.

Entretanto, no Japão, o Ministério Público de Tóquio anunciou ter acusado formalmente o ecologista neo-zelandês Peter Bethune por ter ferido um marinheiro japonês de um baleeiro, "entrado ilegalmente em propriedade privada" e colocado "entraves a actividades comerciais" durante uma acção.

Bethune pertence à organização ecologista norte-americana Sea Sheperd, que reagiu afirmando, num comunicado, que o neo-zelandês é "um prisioneiro político" e questiona "a credibilidade do sistema judicial japonês" pelas acusações "absurdas". A organização esperava que Bethune fosse acusado de entrada ilegal mas considera que "as outras acusações são políticas".

Fonte: LUSA

quinta-feira, 1 de abril de 2010

PNSAC: Centenas de veículos participaram em marcha lenta pelo arranjo da estrada 361

Centenas de populares e veículos ligeiros e pesados participaram hoje numa marcha lenta de protesto, entre as povoações de Amiais de Cima e Alcanede (Santarém), para reclamarem o arranjo da estrada regional 361.

Na manifestação, que decorreu num troço de aproximadamente 7 quilómetros desta estrada, estiveram largas dezenas de veículos, sobretudo camiões de empresas locais, que entupiram por completo a circulação nesta zona durante quase duas horas, numa fila de veículos .

Entre buzinadelas, gritos e cartazes de protesto, a marcha lenta teve o objetivo de alertar para o mau estado desta estrada, que liga Alcanena a Alcanede, e cujo pavimento está degradado há mais de uma década.

“Este movimento cívico, que não tem ligações a partidos ou poderes, limitou-se a viabilizar um protesto que as populações desta zona já há muito queriam fazer”, referiu a outro dos coordenadores do movimento, Luís Ferreira.

“Quisemos dar uma mostra de força popular às entidades competentes e mostrar que as pessoas desta zona não estão a dormir e estão fartas desta situação”, referiu ainda Luís Ferreira, afirmando também que as populações desta zona “já não acreditam em promessas de obras que têm vindo a ser feitas há vários anos”.

Esta estrada serve uma população de quase 9000 habitantes, segundo cálculos da organização do movimento, nomeadamente das freguesias de Alcanede, Gançaria, Abrã e Amiais de Baixo. Nesta zona existe ainda alguma indústria, nomeadamente, o Grupo JJ Louro e a fábrica de curtumes Inducol, entre outros.

O presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores, que não esteve na manifestação, disse que está “totalmente solidário” com o protesto e considera “inadmissível como nesta situação única, a decisão dos técnicos do Parque [das Serras d’Aire e Candeeiros – PNSAC] têm mais poder de decisão do que o próprio Ministério das Obras Públicas que já há muito tempo tem intenção de fazer esta obra”.

Moita Flores referia-se à questão do troço entre Amiais de Cima e Alcanena, cujo traçado terá de ser corrigido, nomeadamente nalgumas curvas, e as obras necessitam de parecer prévio do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), visto que esta zona está em perímetro do Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros.

O movimento promotor do protesto diz ter recebido esta semana outra comunicação da empresa Estradas de Portugal (EP), responsável pela estrada, referindo que será lançado em breve o concurso para a primeira fase da obra, que irá decorrer entre Alcanede e Amiais de Cima, num custo previsto de 1,5 milhões de euros, segundo dados adiantados a Luís Ferreira pela delegação regional de Santarém da EP.

A segunda fase da obra, aquela que necessita de parecer prévio do ICNB, vai ligar Amiais de Cima a Alcanena e tem um custo previsto de 2 milhões de euros, segundo a mesma fonte.

Petição a exigir obras na estrada de Alcanede juntou mais de 4 mil assinaturas

A petição que esteve a circular na Internet e em papel para exigir obras na estrada regional 361, entre Amiais de Cima e Alcanede, juntou 4404 assinaturas válidas.

Estas assinaturas e a petição vão ser enviadas à Assembleia da República na próxima semana com o pedido de que o assunto seja debatido em plenário. A petição vai ainda ser enviada ao Instituto de Infraestruturas Rodoviárias, entidade que fiscaliza a empresa Estradas de Portugal (EP), responsável pela estrada regional 361. Serão também enviadas cópias à EP, o Governo Civil de Santarém, à Câmara Municipal de Santarém e aos deputados eleitos pelo distrito na Assembleia da República.

“Não vamos parar com este movimento até que a estrada seja arranjada”, salientou Luís Ferreira, garantido que vai haver outras acções, entre as quais, vai ser instalado um contador no Portal de Alcanede que fará a contagem dos dias entre a manifestação de hoje e o início das obras. “De três em três meses, vamos fazer outras acções no terreno, que ainda não estão definidas, e não vamos deixar morrer este assunto”, disse ainda.



Fonte: O Ribatejo

Actividades de Fim-de-semana: Sábados no Parque Biológico de Gaia

Todos os primeiros sábados de cada mês, o Parque Biológico de Gaia propõe um programa diferente e contempla os seus visitantes com várias actividades.

Para sábado, 3 de Abril, o programa é o seguinte:

11h00/12h00 – Atelier: “Descobrir as serpentes”

Nota: Nos ateliers há um máximo de 25 participantes e as inscrições terão de ser feitas, de acordo com a ordem de chegada, no próprio dia, junto da recepção do Parque.

14h30 – Conversa do mês: “Anfíbios e répteis do Parque”

15h00 – Abertura da exposição colectiva de fotografia da natureza “Anfíbios e répteis”

15h30/17h30 – Visita guiada pelos Técnicos do Parque e Percurso ornitológico.



Próximas iniciativas:

OBSERVAÇÃO DE AVES SELVAGENS NA RESERVA NATURAL LOCAL DO ESTUÁRIO DO DOURO

Na manhã de 11 de Abril, domingo, entre as 10h00 e o meio-dia, leve, se tiver, um guia de campo de aves europeias e binóculos à baía de S. Paio, no estuário do rio Douro, do lado de Gaia. Com telescópios, estará um técnico do Parque para observar as aves do Litoral.



ANILHAGEM CIENTÍFICA DE AVES

O Parque Biológico colabora com a Central Nacional de Anilhagem, coordenada pelo Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, num projecto europeu de Estações de Esforço Constante, para monitorização das aves selvagens.

Com a colaboração de ornitó logos, são capturadas aves, sendo então ob jecto de análise biométrica, ap ós o que são anilhadas e devolvidas à liberdade. Os visitantes do Parque podem assistir de passagem pelo percurso de descoberta da natureza a estas actividades. E, se gostarem, podem receber formação com vista a tornarem-se anilhadores, independentemente da sua profissão.

As sessões de anilhagem decorrem normalmente nos primeiros e terceiros sábados de cada mês, da parte da manhã, se não chover. Excepcionalmente, neste primeiro sábado de Março não se realizará.



PERCURSOS DE DESCOBERTA: “Na rota da transumância”

Sábado, 10 de Abril. Partida às 9h00 e chegada às 18h00, visita ao Parque Natural da Serra do Alvão. Inscrição necessária.



OFICINAS DA PRIMAVERA

De 29 Março a 2 Abril e de 5 a 9 de Abril, das 9h00 às 17h30, para crianças e jovens dos seis aos 15 anos. Coincide com as férias da Páscoa. Inscrição necessária.

INTERNET GRÁTIS NO PARQUE

Os visitantes do Parque Biológico de Gaia podem navegar na Internet no bar, esplanada e parque de merendas. Mas há condicionantes: é necessário trazer um equipamento portátil compatível com a tecnologia WI FI e mediante a apresentação de bilhete de identidade e regi sto na recepç ão será depois entregue ao visitante um envelope com o nome de utilizador e palavra-chave de acesso, que será pessoal. A velocidade de ligação será 512Kb/128Kb e está restringida a duas horas e a 50 Mb de tráfego por utilizador por dia.

Mais informações:

GABINETE DE ATENDIMENTO

atendimento@parquebiologico.pt

Telefone directo: 227 878 138 – Fax 227 833 583