segunda-feira, 19 de abril de 2010

Bactérias formam tapete do tamanho da Grécia no fundo do mar

Actualizem os livros por favor: há mais sete mil géneros de bactérias só na região Oeste do Canal da Mancha. A apresentação dos resultados do Censos da Vida Marinha dedicados ao mundo microscópico dos oceanos abriu mais uma brecha para o que não se vê.

O espectacular tapete que existe no oceano Pacífico é outra das muitas descobertas. Junto da placa continental ao largo do Chile, a profundidades com quantidades ínfimas de oxigénio, existem agregados de bactérias em forma de filamentos enormes que se espalham por quilómetros. Alguns têm mais de sete centímetros de comprimento e metade do diâmetro de um cabelo, visíveis ao olho nu. O tapete ocupa uma área equivalente à Grécia e faz lembrar os ecossistemas da Terra há mais de 650 milhões de anos.

"O Censos para a Vida Marinha tem imenso orgulho em reconhecer a maioria escondida", exaltou Ian Poiner, responsável pelo Censos. O projecto que decorre desde 2000 e termina este ano propôs-se fazer um levantamento global da vida dos oceanos.

Os números revelam o que Poiner quer dizer com "maioria". Segundo as mais recentes estimativas, em apenas um litro de água existem mil milhões de microrganismos. Juntando os microrganismos de todos os oceanos, teríamos um peso total equivalente a 240 mil milhões de elefantes, o que representa cerca de 50 a 90 por cento da biomassa marinha.

O que se conhece a nível de diversidade também está em expansão. O exemplo do Canal da Mancha não é isolado - fizeram-se amostras de 1200 locais espalhados pelo mundo e estima-se que haja cem vezes mais géneros de bactérias do que se conhece. A tecnologia genética deu um grande empurrão, pois permitiu sequenciar material genético de milhões de micróbios.

Um mundo novo

"Os cientistas estão a descobrir e a descrever um surpreendente mundo novo na diversidade e abundância microbiológicas, e nos padrões de distribuição e mudanças sazonais", sublinhou Mitch Sogin, investigador que lidera o projecto internacional dos Censos do Micróbios Marinhos.

Dos pólos aos trópicos existem muitas bactérias diferentes. Mas em cada local a maioria das espécies é muito pouco abundante, enquanto há um punhado que domina o ecossistema. Estas espécies dominantes não são as mesmas em todos os sítios. O que se pensa é que as bactérias raras aproveitam alterações do ambiente mais favoráveis que lhes permite obter a dominância.

As descobertas feitas agora dão força a esta teoria. Nas fontes hidrotermais que estão a 30 quilómetros da crista média atlântica, no fundo do oceano, à latitude de Marrocos, os cientistas verificaram através de análises de ADN que as bactérias raras que existem nas zonas formadas mais recentemente tornam-se as mais abundantes nas mais antigas.

O número de espécies de animais microscópicos que fazem parte do zooplâncton também aumentou. Até 2004 só se conheciam sete mil espécies, agora o número já duplicou para 14 mil. Segundo os investigadores, os dados aprofundam o conhecimento das relações entre os animais.

Fonte: Publico.pt

domingo, 18 de abril de 2010

Há um rato para salvar: O rato-de-cabrera (Microtus cabrerae)


A falta de capacidade para se adaptar a novos ambientes está a condenar o rato-de-cabrera (Microtus cabrerae) ao desaparecimento. A partir de 1 de Maio, os biólogos vão para o terreno colocar coleiras radiotransmissoras para estudar as colónias, numa operação de salvamento que poderá demorar anos.
O pequeno rato-de-cabrera, um exemplar exclusivo da Península Ibérica, tem cada vez menos espaço para subsistir nos campos de Portugal e Espanha, encontrando-se hoje ameaçado de extinção. A fragmentação dos habitats vem apertando o "torniquete" a uma população com exigências ecológicas muito restritas, que se dá mal com a chuva e com o frio, mas também com o tempo quente e seco. A partir de 1 de Maio, os biólogos vão para o terreno (ver caixa) numa operação de salvamento que poderá demorar anos.

A falta de capacidade para se adaptar a novos ambientes está a condenar o rato-de--cabrera ao desaparecimento. Há poucos estudos sobre a comunidade, mas os dados disponíveis são suficientes para afirmar que se não forem criadas condições adequadas para a sua ocorrência dificilmente o rato "luso-espanhol" irá passar à história.

"Só ocorre numa zona central, em zonas mais altas ou junto à costa, onde tem condições macroecológicas para o fazer. Ainda por cima, só ocorre em manchas de habitat muito pequenas, frequentemente inferiores a meio hectare", explica António Mira, docente do Departamento de Biologia da Universidade de Évora. E mesmo nessas pequenas manchas, o rato revela-se muito selectivo, escolhendo zonas de elevada humidade no solo e com ervas densas e altas.

Os montados de sobreiro e azinho, sobretudo quando existem clareiras, são áreas privilegiadas, desde que ofereçam a cobertura densa de extracto herbáceo e que não sejam zonas de pastoreio, já que a presença de gado afasta a espécie. O problema é que nos meses de Verão o pastoreio acaba por se concentrar nestas zonas, justamente por serem mais húmidas e as ervas permanecerem verdes durante mais tempo. Logo, mais apetecíveis.

"Estamos na presença de um exemplo de fragmentação de habitat, mas também o aumento dos perímetros de rega é prejudicial", alerta António Mira, preocupado com as "barreiras" que estão criadas às movimentações da espécie quando procura indivíduos de outras colónias para acasalar. "Isto é decisivo", diz, alertando que o rato-de-cabrera ocorre nas proximidades dos cursos de água ou em zonas onde os aquíferos estão mais próximos da superfície, permitindo mais humidade no solo. Seria este o terreno ideal para procurar parceiros, mas o facto de encontrar pelo caminho áreas inóspitas levam-no a retroceder nos intentos.

"Como isto são zonas de pequenas parcelas de terreno que estão muito separadas entre si, significa que cada população está muito isolada. Ou seja, eles não conseguem mover-se entre as várias manchas e vamos ter populações, cada vez, mais pequenas", lamenta o professor.

E quanto mais pequena for uma população mais curto será o caminho para a extinção, sobretudo numa espécie que se debate com colónias bastante reduzidas. Regra geral, uma colónia é formada apenas pelo casal e pela descendência de primeira e segunda geração. Os progenitores, que apresentam um padrão monogâmico, revelam dedicação parental durante as primeiras quatro semanas de vida das crias. Mas, depois, os "juvenis" tendem a procurar a sua própria casa.

Emissores de rádio vão mapear colónias

Um minucioso estudo sobre o rato-de-cabrera e o rato- -de-água vai arrancar a 1 de Maio, com o projecto Persiste. Por serem duas espécies com requisitos ecológicos semelhantes, os biólogos tencionam avaliar possíveis relações de competição e também apurar a influência da intensidade agrícola, alteração de zonas florestais ou as consequências do pastoreio. "O objectivo é saber qual a dispersão máxima das colónias. Quando é que se dispersam e quantos se dispersam", revela o biólogo. O estudo vai ser realizado com recurso à captura de animais e colocação de coleiras com emissores de rádio, o que permitirá traçar um mapa dos seus movimentos.
Fonte: Diário de Notícias

Países baleeiros vão aceitar compromisso na redução de capturas


Uma proposta de compromisso entre nações que capturam baleias e os países contrários a esta prática deverá ser apresentada em Junho na Comissão Baleeira Internacional, noticiou a BBC. As negociações sobre o tema decorrem em Washington e devem produzir um acordo na próxima semana.

O Japão parece aceitar a ideia de redução das suas capturas de baleias, embora continue a não aceitar o princípio da proibição. A Islândia é o país mais relutante dos três que prosseguem com capturas (o grupo inclui ainda Japão e Noruega). O núcleo dos adversários das capturas é liderado pela Austrália e Alemanha.

A Islândia matou mais de 200 baleias no ano passado, valor que corresponde a um significativo aumento. As negociações apontam para uma quota pouco superior a 100 animais, o que poderá ser aceite pelos islandeses, segundo a BBC. O Japão tem um programa dito "científico", mas há provas de que alguma carne de baleia acabou por ser vendida em restaurantes. Esta circunstância contribuiu para suavizar a posição japonesa.

O compromisso já está a ser definido como a "proposta da paz", permitindo reduzir o número anual de capturas sem proibir definitivamente a caça às baleias.

Fonte: Diário de Notícias

Austrália: Sapos saem da ementa do gato-marsupial


Os gatos-marsupiais, uma espécie em risco, estão a ser dizimados por uma praga de sapos venenosos na Austrália.

Os cientistas conseguiram ensinar os gatos-marsupiais (Dasyurus hallucattus), ameaçados de extinção, a evitar comer os venenosos sapos gigantes (Bufo marinus) , introduzidos na Austrália nos anos 30 para controlar pragas de besouros nas plantações de cana-de-açúcar, mas que rapidamente se transformaram numa perigosa espécie invasora. Para evitar que os gatos-marsupiais se alimentem destes anfíbios na natureza, os ecologistas ofereceram-lhes sapos pequenos salpicados com um produto químico enjoativo. "Pensámos que se pudéssemos ensinar os gatos-marsupiais a associar o mal-estar aos sapos, poderíamos evitar que os comessem e acabassem por morrer, tornando o futuro da espécie ainda mais crítico", explicaram os cientistas. Os resultados, publicados no Jornal de Ecologia Aplicada da British Ecological Society, demonstraram que os gatos-marsupiais jovens submetidos ao "tratamento" de aversão pelo paladar passaram a evitar os sapos e sobre- viveram até cinco vezes mais que os outros. Os cientistas acreditam que poderão ensinar outros animais a evitar comer os sapos. A Austrália enfrenta uma praga de milhões de sapos, dotados de uma bolsa de veneno na cabeça capaz de matar até crocodilos.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 16 de abril de 2010

“Os Verdes” questionam Min. do Ambiente sobre plano de intervenção do rio Tejo

O Deputado José Luís Ferreira, do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que pede esclarecimentos ao Governo, através do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, sobre a elaboração do Plano Estratégico de Intervenção de Requalificação e Valorização do Rio Tejo, já determinado por despacho do Ministério do Ambiente.

“Os Verdes” querem esclarecimentos quanto os critérios de selecção estabelecidos para escolha das entidades que vão constituir a comissão consultiva que acompanhará a elaboração da proposta do Plano Estratégico.

PERGUNTA:

Depois de um Polis para as cidades e de um Polis para o litoral, o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, assumiu como objectivo o lançamento de um Polis para a requalificação dos rios portugueses.

O rio Tejo, pela sua dimensão, natureza, objectivos e capacidade integradora e pela sua intrínseca ligação a projectos prioritários do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, é a primeira de uma série de outras intervenções a realizar no âmbito do Polis Rios.

Assim, o Ministério, no seu Despacho n.º 5185/2010, veio determinar a elaboração do Plano Estratégico de Intervenção de Requalificação e Valorização do Rio Tejo. De acordo com o Despacho, a elaboração da proposta de plano será acompanhada por uma comissão consultiva composta por:

a) Um elemento do Gabinete da Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território, que coordena;
b) Um elemento do Gabinete do Secretário de Estado do Ambiente;
c) Um elemento do Gabinete da Secretária de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades;
d) Um representante do Instituto da Água;
e) Um representante do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade;
f) Um representante da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo;
g) Um representante da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo;
h) Um representante do Núcleo Empresarial da Região de Santarém NERSANT);
A estes elementos acrescem ainda um representante dos Municípios de Abrantes, Alenquer, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Constância, Golegã, Salvaterra de Magos, Santarém, Vila Franca de Xira e Vila Nova da Barquinha (alíneas i) a v)).

Em despacho autónomo, poderão ser designados outros membros, representantes de outras entidades com responsabilidades na área, mediante indicação das respectivas tutelas.

Na sequência desta iniciativa, o proTEJO – Movimento Pelo Tejo e a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, em comunicado, alertaram já para a necessidade de
que, na constituição da comissão consultiva deveria ponderar-se a inclusão de:

a) todos os municípios da bacia do Tejo, não excluindo a participação de municípios ribeirinhos com forte tradição cultural no Estuário do Tejo, Almada, Seixal, Barreiro, Loures, Moita, Montijo e Alcochete, nem daqueles que são banhados pelo Tejo Internacional, Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Gavião, Mação, Nisa e Vila Velha de Ródão, nem mesmo de municípios banhados por afluentes do rio Tejo e integrados na sua bacia hidrográfica;
b) representantes das associações de ambiente e de utilizadores (ex. pescadores ou turismo, etc.).

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exª O Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo a seguinte Pergunta, para que o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território me possa prestar os seguintes esclarecimentos:

1 - A que critérios obedeceu a selecção de entidades para a comissão consultiva para o Plano Estratégico de Intervenção de Requalificação e Valorização do Rio Tejo?
2 - Pondera o Ministério a inclusão das referidas entidades na comissão consultiva para o Plano Estratégico de Intervenção de Requalificação e Valorização do Rio Tejo?
3 - Em caso negativo, por que razão?

Fonte: "Os Verdes em Setúbal"

V Censo de Milhafres / Mantas nos Açores e Madeira - 17 e 18 Abril


A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) realiza sábado e domingo o V Censo de Milhafres (Buteo buteo) nos Açores, iniciativa que pretende recolher dados sobre a única espécie de ave de rapina diurna que existe no arquipélago.

O milhafre é uma ave que pode ser vista na maioria das ilhas do arquipélago dos Açores e apenas nas Flores e no Corvo não tem presença regular.
Esta ave de rapina assume especial importância no controlo de algumas pragas que afetam a região, nomeadamente de ratos.

O Censo desta espécie será igualmente realizado no arquipélago da Madeira, onde é conhecida por Manta.

Mais informação em: http://www.spea.pt/censobuteo/

Florestas Portuguesas vão ser vigiadas por 590 câmaras

Uma dezena estará a funcionar já este Verão nos distritos de Leiria, Lisboa e Santarém.
As florestas portuguesas vão passar a ser vigiadas por 590 câmaras de segurança. O projecto, coordenado pelo Ministério da Administração Interna (MAI), prevê, já este Verão, que estejam a funcionar cerca de uma dezena de câmaras nos distritos de Lisboa, Leiria e Santarém. O objectivo é melhorar a vigilância florestal e torná-la efectiva 24 horas por dia.

Ao DN o secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco, explica que para criar o projecto "foi constituído um grupo de trabalho no âmbito do MAI, encontrando-se na fase de elaboração do caderno de encargos, para lançamento de concurso". A equipa que deu corpo ao projecto de videovigilância das florestas portuguesas "programou a sua implementação em três fases, esperando-se que a primeira esteja operacional em 2011".

Quanto à hipótese das imagens servirem de prova para identificar e incriminar incendiários "é uma questão sobre a qual ainda não existe decisão". O secretário de Estado recorda que tal opção "estaria sempre sujeita a parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados". As câmaras de vigilância nas florestas vão ficar instaladas em infra-estruturas estatais, como torres de vigia, "com capacidade de transmissão de dados, por forma à optimização e racionalização de recursos, reduzindo os custos do projecto". Com esta centralização dos dados, pretende-se perceber quais as áreas mais críticas e melhorar a mobilização de meios para o combate aos fogos.

Segundo o plano que foi traçado, serão instaladas na primeira fase 256 câmaras. A grande maioria vai ficar em infra-estruturas já existentes, salienta Vasco Franco. Relembrando que o projecto contempla a instalação de 590 câmaras em todo o País, o secretário de Estado admite que este número possa "ser ajustado após a primeira fase". Já este ano, e a título experimental, vão entrar em funcionamento cerca de uma dezena de câmaras de videovigilância nos distritos de Leiria, Lisboa e Santarém. Estas câmaras, provisórias, podem, no entanto, "ser integradas no projecto global que o Governo pretende instalar no País".

Também em avaliação, ao longo destas três fases do projecto de videovigilância, vai estar a necessidade de complementar a videovigilância com a presença, efectiva, de pessoas nas torres de vigias, para melhorar a detecção de focos de incêndio, garante o secretário de Estado da Protecção Civil.

"A detecção tem de ser o mais eficaz possível para que a primeira intervenção possa surgir logo no início do foco de incêndio, pelo que a sobreposição dos dois modelos terá uma dimensão que em devido tempo será estabelecida", frisa Vasco Franco. A estimativa de custos do projecto é de 15 milhões de euros e o programa do MAI será candidato aos fundos europeus. "O grupo de trabalho está a preparar o processo da primeira fase para incluir no na candidatura ao Quadro de Referência Estratégico Nacional, a abrir antes do Verão", conclui o secretário de Estado.

Fonte: Diário de Notícias

Perú: Descoberta nova espécie de sanguessuga que se aloja no nariz

Foi no nariz de uma criança peruana que foi descoberta esta sanguessuga. Os investigadores dizem que a espécie já existia há 200 mil anos e deram-lhe um nome semelhante a um dinossauro.

Uma rapariga peruana da região de San Martin foi ao médico, em 1997, queixando-se de fortes dores de cabeça. Segundo a jovem, as dores teriam começado depois de uns mergulhos no rio. Após uma série de exames, os médicos descobriram a causa: a rapariga tinha uma sanguessuga gigante no nariz, que, descobriu-se agora, é de uma espécie que já andava na Terra no tempo dos dinossauros.

O facto de explorar os narizes alheios parece ser um hábito familiar da Tyrannobdella rex - nome que recebeu pelos seus 44,5 milímetros de comprimento e por ter uma única mandíbula com grandes dentes e uns órgãos genitais muito pequenos. "Não há dúvida de que a mais antiga espécie da família desta sanguessuga partilhou o mesmo meio dos dinossauros, há 200 milhões de anos. Os antepassados deste T. rex podem ter andado no nariz do outro T. rex", disse Mark Siddall, curador da Divisão de Zoologia de Invertebrados do Museu Americano de História Natural, ao jornal britânico Telegraph.

Até agora, os cientistas desconhecem qual é a sua fonte de alimento, apesar de considerarem que os locais favoritos deste invertebrado são o nariz e a boca dos mamíferos aquáticos, locais que "habitam" durante semanas.

A sua morfologia e o seu ADN levaram os investigadores a relacionarem a Tyrannobdella rex com outra sanguessuga que tem uma preferência pela boca das cabeças de gado mexicanas. Isto fez com que as relações de parentesco das sanguessugas fossem revistas. Os dados morfológicos e genéticos relacionam a T. rex com a Pintobdella chiapasensis, uma sanguessuga de Chiapas (México) que se alimenta apenas do tapir (animal sul--americano), mas que também infecta as vacas. Tem ainda relações com outras sanguessugas da Índia e Taiwan, como a Dinobdella ferox, conhecida por se alimentar de membranas mucosas e de já ter atacado humanos. Todas estas espécies e outras do México, África e Médio Oriente constituem a família das Praobdellidae, um grupo de sanguessugas com uma conduta alimentar semelhante que põem em risco a saúde humana.

Os antepassados desta família de sanguessugas compartilharam o meio ambiente com os dinossauros há 200 milhões de anos. A nova T. rex partilha este nome abreviado com outras quatro espécies. Estas incluem dois fósseis do período Minoceno; um caracol e um escaravelho; uma formiga que existe na Malásia na actualidade e ainda Terópodos do Período Cretáceo.

Fonte: Diário de Notícias

Jardim Zoológico de Bristol luta para salvar colónia de caracóis

Pode ser a última oportunidade de salvação para os caracóis Partula faba. O jardim zoológico de Bristol, no Reino Unido, está a tentar salvar os derradeiros exemplares desta espécie, que sobreviveram aos parentes canibais e às plantas invasoras no seu habitat.

Para proteger estes caracóis - nativos das ilhas da Polinésia Francesa - os técnicos colocaram--nos numa sala de clima controlado no zoo, que é o único local onde podem ser encontrados em todo o mundo. Com apenas um centímetro de comprimento, a colónia já produziu 15 crias, a mais pequena delas com apenas dois milímetros.

O Jardim Zoológico já tinha a sua própria colónia de caracóis Partula faba, à qual se juntaram mais elementos da espécie que foram doados pela Durrell Wildlife Trust (fundação inspirada no naturalista Gerard Durrell que tem como missão salvar espécies em vias de extinção) e ainda pelo Imperial College London, universidade dedicada às ciências naturais e à engenharia. A última remessa destes caracóis foi entregue no passado mês de Fevereiro. Na altura, um porta-voz do jardim zoológico afirmou que estes novos caracóis representavam "um significante impulso" na luta para salvar esta espécie.

"Os caracóis das árvores estão incrivelmente em perigo e a Partula faba é uma das espécies mais ameaçadas destas todas - eles vivem no limite da sobrevivência", admitiu Grier Ewins, do zoo de Bristol. O declínio desta espécie terá começado quando outros caracóis foram introduzidos na Polinésia Francesa. Presume-se que tal terá acontecido por altura dos anos 70 do século passado.

Esta invasão significou a perda das populações de caracóis das árvores - entre 1970 e 1990 - em 80%. A perda de habitat, devido a plantas daninhas, como a planta-veludo sul-americana, também afectou a sua sobrevivência.

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Quercus quer que Governo renuncie às quatro novas barragens no Tâmega


São seis as razões da Quercus para exigir ao Governo que renuncie à construção de quatro novas barragens no rio Tâmega (Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões). Entre elas a degradação da qualidade da água e a submersão de terras agrícolas.

Estas quatro barragens terão mais prejuízos que benefícios, escreve a Quercus no âmbito da Consulta Pública ao Estudo de Impacte Ambiental (EIA) que terminou ontem.

No entender da associação, as barragens irão causar a deterioração da qualidade da água e “afectar irreversivelmente vários ecossistemas valiosos, que são os últimos refúgios de espécies actualmente em perigo de extinção”.

Além dos impactos paisagísticos, estas obras implicarão a “submersão de importantes zonas de produção agrícola e florestal”, gerando perdas sócio-económicas para a região.

No seu parecer, a Quercus lembra que não foi equacionado um cenário zero – através do reforço da potência instalada nas barragens já existentes – e ainda que existem alternativas energéticas mais baratas e com menos impactos ambientais. Ou seja, a “aposta na redução do consumo e a promoção da eficiência energética”.

“Os benefícios apontados no EIA, nomeadamente a produção de energia eléctrica, afiguram-se-nos demasiado escassos para contrapor aos aspectos negativos identificados”, conclui a associação.

Até ao final de Junho deverá ser emitida, pelo secretário de Estado do Ambiente, a Declaração de Impacte Ambiental.

A Iberdrola já pagou ao Estado um prémio de concessão no valor de 303 milhões de euros pela exploração das barragens durante 65 anos. O empreendimento deverá ter um total de 1135 megawatts (MW) de potência e uma produção eléctrica anual de 1900 gigawatts hora (GWh), equivalente ao consumo de um milhão de pessoas, e representa um investimento de 1700 milhões de euros.

Fonte: LUSA

Greenpeace pede à Nestlé para não contribuir na destruição da floresta tropical


Trinta activistas da organização ecologista Greenpeace, vestidos de orangotangos, pediram hoje à Nestlé, na Suíça, para deixar de comprar óleo de palma a fornecedores que destroem as florestas tropicais da Indonésia.

Os activistas – vindos da Suíça, Alemanha e Reino Unido – aproveitaram a reunião anual dos accionistas da empresa, em Lausanne. “Estamos hoje aqui para dizer à Nestlé para mudar as suas políticas KitKatastróficas”, explicou Pat Venditti, responsável pelas Florestas na Greenpeace Internacional.

“Ao comprar produtos resultantes da destruição da floresta tropical, a empresa está não só a prejudicar o clima e a biodiversidade mas também a sua reputação”.

Há cerca de um mês, a Greenpeace lançou uma campanha expondo o papel da Nestlé na destruição da floresta tropical da Indonésia. Como resposta, a empresa suspendeu o seu contrato com o maior produtor de óleo de palma daquele país, Sinar Mas. No entanto, a empresa “continua a comprar óleo de palma indirectamente à Sinar Mas, através de fornecedores como a Cargill. Isto apesar de ter recebido mais de 200 mil emails e faxes de cidadãos preocupados pedindo-lhe para parar”, conta a Greenpeace em comunicado. Além disso, as embalagens usadas pela Nestlé utilizam papel da Asia Pulp & Paper, fábrica da Sinar Mas, acrescentam os ecologistas.

“Estamos a pedir aos accionistas para usarem a sua influência para garantir que os produtos da Nestlé não contenham produtos da Sinar Mas”, explicou Pat Venditti.

A organização divulgou ainda imagens de satélite e fotografias que, diz, mostram que a Sinar Mas continua a destruir zonas de elevado valor conservacionista, habitat para os orangotangos.

Na Alemanha, activistas escalaram esta manhã o edifício da sede da Nestlé em Frankfurt e fixaram uma faixa mostrando um orangotango ameaçado.

A Indonésia tem uma das taxas de destruição da floresta mais rápidas do planeta. As maiores causas são as plantações para extracção de óleo de palma e para produção de pasta de papel. Segundo a Greenpeace, a Sinar Mas tem actualmente 406 mil hectares de plantações para óleo de palma e pretende adquirir mais 1300 mil hectares na Papua e Kalimantan.

Fonte: Publico.pt                                            Foto: Greenpeace

Morte de cria de lince-ibérico continua por explicar

Análises vão prosseguir em Espanha e em duas semanas saber-se-á algo de concreto. Segunda cria está de boa saúde.

A análise da cria de lince-ibérico que morreu em Silves, no domingo de manhã, "não foi conclusiva e só dentro de duas semanas, depois de mais investigação, se poderá saber mais qualquer coisa sobre a causa da sua morte", como explicou ao DN fonte do ICNB (Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade). A segunda cria não apresenta, entretanto, quaisquer problemas e continua junto da mãe, Azahar, na caixa parideira.

As duas crias, as primeiras que nasceram no Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico, em Silves, no dia 4 deste mês, no Domingo de Páscoa, "estiveram sempre bem até domingo, dia em que uma delas morreu de causa aguda e de forma rápida", segundo explicou Rodrigo Serra, especialista em felinos e director do centro de Silves.

Tudo aconteceu no domingo de manhã. Através do circuito de videovigilância, os técnicos aperceberam-se de alguma instabilidade, no decurso da qual Azahar pôs o corpo da cria morta fora da caixa parideira. Tratava-se de uma fêmea, e o seu cadáver, depois de recolhido, pelos técnicos, foi enviado para o Centro de Análises e Diagnóstico de Málaga, em Espanha, já que é esta a entidade à qual o Programa de Cria ibérico atribui este tipo de perícias.

Para já, as análises são inconclusivas, pelo que só daqui a duas semanas, com uma avaliação mais profunda, se poderá saber algo concreto. Uma coisa é certa: não houve maus tratos por parte da progenitora, uma vez que o cadáver não apresenta qualquer tipo de sinal nesse sentido.

Entretanto, a segunda cria continua bem, junto da progenitora, dentro da caixa parideira, e não há indícios de que possa vir a ter problemas.

O risco de mortalidade das crias de lince-ibérico é, no entanto, algo com que os técnicos envolvidos no programa ibérico de conservação da espécie (que tem a pedra basilar na reprodução da espécie em cativeiro) contam à partida, já que a sua ocorrência tem sido uma constante, desde que a reprodução em cativeiro se iniciou em Espanha. Dados divulgados pelo ICNB mostram isso mesmo.

No ano passado, por exemplo, nasceram 28 animais nos centros de reprodução espanhóis e só 17 (39%) sobreviveram até aos dois meses de idade. Em 2008, a média não foi melhor: dos 16 animais que nasceram nesse ano, três morreram ou foram abortados, e outros seis tiveram de ser retirados às suas mães e criados à mão. Ou seja, "em circunstâncias normais provavelmente morreriam", segundo o ICNB.

Os dados do programa em Espanha revelam, ainda, que 70% das fêmeas inexperientes, que são mães pela primeira vez, como é o caso de Azahar, tiveram algum tipo de conduta anormal que levou ao abandono das crias, partos prematuros ou ausência de instinto maternal, embora nada disso tenha sucedido com Azahar.

No centro de Silves prossegue agora a vigilância da cria que se mantém viva, e para já de boa saúde, e da sua mãe, que está calma e continua a cuidar dela. Dentro de duas semanas se saberá algo mais.

Fonte: Diário de Notícias

PCP exige diálogo sobre Plano de Ordenamento do PNSACV


O Partido Comunista Português vai, através do seu grupo parlamentar, exigir ao Governo «um diálogo sério com as populações, associações e autarquias, no sentido de criar um Plano de Ordenamento (PO) que responda às necessidades das populações» do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV).

Segundo comunicado do grupo de trabalho deste partido para as questões do PNSACV, o PCP vai propor «na Assembleia da República a realização da cartografia de apoio à Rede Natura 2000, até hoje inexistente, instrumento fundamental para a implantação da rede no território sem lugar a arbitrariedades políticas ou administrativas».

É que, para este grupo de trabalho, «os documentos do Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), em discussão pública, merecem um conjunto de considerações, partindo da análise concreta da realidade local, da vivência das populações e, na perspectiva estratégica e sustentável para o desenvolvimento económico, social e cultural da região».

Para os comunistas, o Governo do PS insiste numa política de imposição de regras e proibições, sem qualquer fundamentação técnica e científica.

Por outro, acreditam que ficou esquecido que o grande objetivo quando foi criado o Parque Natural, em 1995, acompanhá-lo e monitorizá-lo, através de «uma equipa técnica do ICN, com vista a uma gestão adequada à salvaguarda dos recursos naturais, com a promoção do desenvolvimento sustentado da região e da qualidade de vida das populações».

Por isso, colocam algumas perguntas como: «onde estão os documentos que demonstram com clareza o cumprimento desses objetivos e as razões porque não foram alcançados e que razões existirão para que todos os cidadãos que residem no PNSACV vejam o Instituto Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e o próprio Parque como intrusos que vieram apenas para proibir e castigar a população, pondo em causa a harmonia que sempre existiu na beleza e preservação do litoral?».

Outra das referências que fazem está ligada à agricultura. «O Governo PS cria duas classes de agricultores – o agricultor do Perímetro de Rega do Mira e os outros agricultores (restantes) do Parque Natural. Mas nem a uns, nem a outros proporciona qualquer direito ou um futuro risonho».

Assim, na visão dos comunistas, quanto ao grande potencial agrícola, o Governo responde com um não ao seu desenvolvimento harmonioso, sustentável e potenciador da criação de postos de trabalho.

Por outro lado, além das diversas questões que se prendem com a ausência de fundamentação «técnica e cartográfica que determinam todo o funcionamento do Parque, dos manifestos erros e insuficiências da documentação, da inexistência de estudos científicos, o Regulamento e restantes documentos do Plano de Ordenamento são peças de uma política de ambiente que aposta no abandono das terras e na desresponsabilização do Estado perante a sua missão central de salvaguarda dos valores e recursos naturais», acredita o grupo.

O PCP defende também uma política de conservação da natureza que valorize a presença humana no território e que tenha em conta a solidariedade nacional para colmatar as imposições e limitações com que se confrontam os habitantes das áreas protegidas.

Por outro lado, afirmam que o Regulamento, agora em discussão pública, não pode ser analisado sem ter em conta a política de cobrança de taxas aos residentes, pois «acrescenta e sobrecarrega as populações e os residentes com os custos da manutenção e preservação de uma área protegida a favor do interesse e soberania nacionais».

Passados mais de quatro anos após a divulgação dos primeiros documentos e projetos de regulamentos do Parque, o PCP considera que se pode afirmar que, «pesem embora as ligeiras melhorias, mantém-se a linha central da política de isolamento das populações e de fundamentalismo insustentável, fazendo recair sobre os habitantes os custos da preservação da natureza».

Ao mesmo tempo, «o Estado continua sem cumprir o seu papel, retirando-se do território e da sua atividade fiscalizadora, estratégia de que é ilustrativa a política de privatização da gestão das áreas protegidas, a retirada dos Vigilantes da Natureza e Guarda-Rios do terreno e a flagrante falta de meios do ICNB para fazer cumprir uma verdadeira política de valorização dos recursos naturais», asseguram.

Por todas estas razões, os comunistas apelam a todos os cidadãos que participem ativamente nos diversos debates, encontros que se realizem por todo o território do PNSACV, preencham a ficha de participação e, apresentem as suas dúvidas quanto à sua situação real.

Fonte: Barlavento online


Costa Vicentina: PCP quer ouvir ministra do Ambiente “com carácter de urgência”

Os deputados comunistas querem esclarecimentos de Dulce Pássaro na Comissão de Ambiente da AR. E questionam o governo para “uma compreensão da real intervenção do ICNB no Parque Natural”.

Qual a lista das intervenções territoriais do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, nos últimos 5 anos?

Que programas de acompanhamento realizou nos últimos 5 anos às diversas medidas constantes da lista referida acima, se existir?

De quantos vigilantes da natureza e técnicos de ambiente dispõe o ICNB em tarefas afectas ao Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina?

De quantas viaturas operacionais dispõem os técnicos e vigilantes da natureza e qual a periodicidade da sua utilização?

Estas são as perguntas que o PCP endereçou à Ministra do Ambiente,usando a figura regimental das perguntas ao Governo da Assembleia da República e para as quais quer respostas, dado que, para os comunistas “o Governo continua a apostar numa política de conservação da Natureza que afirma como primeira prioridade o afastamento das populações e das suas actividades do meio em que se inserem”.

Para os deputados do PCP cria-se assim “a ilusão de que o abandono da terra favorece a conservação dos valores e recursos naturais, quando na verdade é o abandono das actividades humanas que cria as condições ideais para a degradação a que, infelizmente, vamos paulatinamente presenciando no território nacional”.

Alegando que o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina “é um exemplo claro dos efeitos que são produzidos por uma política de ambiente mal direccionada” os parlamentares criticam “a proibição excessiva, a cobrança de taxas, a imposição de normas absolutamente desproporcionadas para um conjunto de actividades e actos das populações".

Em contrapartida, há "permissividade total no que toca aos grandes empreendimentos e àquilo a que o Governo vem chamando «turismo de qualidade» quando na verdade deveria chamar «segunda habitação de luxo» e «turismo de elites»”.

Daí que, para que seja possível ter uma compreensão da real intervenção do ICNB no Parque Natural, o PCP entende como fundamental que “sejam conhecidas as intervenções reais que os serviços do Parque tenham tido no conjunto dos territórios sobre sua tutela”.

“Além dos licenciamentos, aplicação de multas, trabalhos burocráticos e administrativos, importa conhecer que medidas concretas, que intervenções físicas, no âmbito da salvaguarda dos valores biológicos, paisagísticos e geológicos foram realizados efectivamente pelo ICNB nesse Parque Natural”, referem no documento apresentado ao Governo.

Audição à Ministra na Comissão do Ambiente

As perguntas ao Governo sobre esta matéria são complementadas por um pedido de audição da Ministra Dulce Pássaro na Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território e do Poder Local da Assembleia da República, subscrito pelo deputado Miguel Tiago.

“Conhecidos que são os conteúdos, cartográficos e normativos, do Projecto de Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, e no decorrer do processo de consulta pública, novas questões se colocam que exigirão esclarecimentos diversos por parte do Governo”, justifica o deputado.

Segundo ele, “a ausência de estudos que fundamentem as opções de ordenamento, o desfasamento entre a cartografia e a realidade, a inexistência de uma cartografia de sítios e valores, incluindo os da Rede Natura 2000, são apenas factores que convergem para uma rejeição das propostas do Governo”.

Neste contexto, Miguel Tiago pretende a presença da Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território, com carácter de urgência, naquela comissão, para obter esclarecimentos, nomeadamente sobre a avaliação da vigência do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida e sobre as intenções e orientações expressas na proposta de Plano de Ordenamento do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

O deputado quer também “para documentar e possibilitar a melhor intervenção e fiscalização”, que sejam entregues à Comissão os estudos técnicos e científicos que documentam e fundamentam as opções políticas tomadas em todos os Planos de Ordenamento de áreas protegidas que se encontrem já em vigor ou em processo de elaboração ou consulta pública.

Fonte: Observatório do Algarve

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Geodiversidade e Biodiversidade no território do Litoral de Lisboa e Oeste


Integrado nas Comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade promovidas pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, o Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste leva a cabo uma Conferência sobre Geodiversidade e Biodiversidade no território do Litoral de Lisboa e Oeste. Esta iniciativa tem como principal objectivo a divulgação da diversidade do património natural existente neste território, sua singularidade e importância no quadro regional, nacional e internacional.

A Conferência decorre no próximo dia 22 de Abril entre as 09.30h e as 17.30h, no auditório da Ecoteca das Serras de Aire e Candeeiros, em Porto de Mós, de acordo com o programa em anexo.

Confirmação de presenças: secretariado do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, tel. 243999480;  fax. 243999488; email: pnsac@icnb.pt.

► Ver Programa

Fonte: ICNB

Grande Barreira de Coral: detidos 2 membros da tripulação do cargueiro chinês

As autoridades australianas anunciaram hoje que detiveram o capitão e o chefe de operações do cargueiro chinês “Shen Neng 1” que encalhou a 3 de Abril na Grande Barreira de Coral. O acidente destruiu três quilómetros deste ecossistema.

Os dois homens foram detidos pela polícia federal australiana por terem “causado danos no Parque Marinho da Grande Barreira de Coral”, explicaram as autoridades. O capitão, 47 anos, é acusado de ser responsável pelos danos e o seu colega, 44 anos, estava alegadamente de vigia quando o cargueiro encalhou.

As cicatrizes da Grande Barreira de Coral
Um mergulhador avalia os estragos causados pelo cargueiro chinês "Shen Neng 1" na Grande Barreira de Coral, que encalhou na zona a 3 de Abril. As autoridades temem agora os efeitos da toxicidade da tinta do casco do navio nos recifes. Foto: Great Barrier Reef Marine Park Authority/Reuters

Agora estes dois homens, detidos a bordo do “Shen Neng 1”, enfrentam multas elevadas e uma pena que pode ir até aos três anos de prisão. Ambos deverão ser presentes ao tribunal de Gladstone amanhã.

De momento sabe-se que o acidente causou a destruição em três quilómetros de recifes de coral. Mas ainda se desconhece a gravidade exacta do problema. Segundo o jornal “Sidney Morning Herald”, o navio oceanográfico “RV Cape Ferguson”, com uma equipa de cientistas marinhos a bordo, já está a caminho do local. Durante quatro dias, estes irão determinar, com a ajuda de câmaras vídeo e sonares, a escala exacta dos danos físicos e quanta tinta tóxica do casco do navio está no fundo do mar em Douglas Shoal.

Fonte: Publico.pt

Plano de Ordenamento do PNSACV estará nas mãos do Governo até ao Verão


O Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) conta entregar no início do Verão ao Governo a proposta de gestão para o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, revelou o presidente daquele organismo.

A revisão do Plano de Ordenamento desta área protegida está em discussão pública até 30 de Abril. O documento foi elaborado pela Hidroprojeto e é de Novembro de 2008.

Haverá depois cerca de dois meses para receber e avaliar as participações por escrito e, de seguida, é enviado para o Governo, explicou Tito Rosa.

O presidente do ICNB vai reunir até ao final deste mês com mais de 20 associações - ligadas à pesca, agricultura, pecuária, turismo, caça, hotelaria, mas também com produtores florestais, organizações não governamentais, escolas de surf ou associações de lazer e caravanismo - para discutir em detalhe a revisão do documento e estima que vão receber “muitas participações”.

“Estamos interessados fazer uma discussão pública muito objectiva e em ter contributos positivos da população para ponderar sobre eles, levá-los em conta, e depois fazer a proposta ao Governo. Queremos ouvir várias associações e vamos discutir em detalhe”, garante o presidente do ICNB, apelando ao contributo da população.

O Plano de Ordenamento abrange os concelhos de Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo.

O PO-PNSACV prevê muitas intervenções, nomeadamente nas arribas da Carrapateira (Aljezur), da ribeira de Aljezur, dunas de S. Torpes (Sines) e dunas de Aivados/Malhão (Odemira), lagoas temporárias de Vila do Bispo, reserva biogenética de Sagres ou na Vila Rosalinda (Aljezur).

Estão também previstas intervenções para valorização do património cultural na Ilha do Pessegueiro (Sines) e sítios de natureza histórica de Aljezur e Vila do Bispo. A intervenção específica para valorização do património edificado vai ocorrer em Espartal, Vale da Telha (Aljezur) e Martinhal (Vila do Bispo), mas também na zona de povoamento disperso a Norte da Vila Nova de Milfontes (Odemira).

Fonte: LUSA

O valor da biodiversidade brasileira é maior que todo o PIB


- Entrevista especial com Roberto Gomes de Souza Berlinck -

“A biodiversidade que hoje conhecemos (pelo menos em parte) no nosso planeta é o fruto de 3,5 bilhões de anos de evolução biológica através dos processos de seleção natural. Foi este processo, ao longo de todo este tempo, que levou ao surgimento de todas as espécies biológicas conhecidas (e ainda não conhecidas)”. A definição é do professor e pesquisador Roberto Berlinck, em entrevista concedida, por e-mail, para a IHU On-Line. Ele enfatiza que a espécie humana faz parte da biodiversidade do planeta, mas que nenhuma outra espécie viva da Terra depende dos humanos. “Se a espécie humana for extinta, por qualquer razão, provavelmente a maioria das outras espécies vivas continuarão a existir, como bactérias, fungos, cianobactérias, plantas e animais. A espécie humana deixaria de existir muito antes que as espécies vegetais desaparecessem por completo”, argumenta. Para Berlinck, “as sementes constituem a fonte de informação e de geração de vida de diversas espécies vegetais. Com a perda da biodiversidade, espécies vegetais estão desaparecendo porque não conseguem se reproduzir”.

Roberto Gomes de Souza Berlinck possui graduação em Química pela Universidade Estadual de Campinas e doutorado em Ciências (Química Orgânica) pela Université Libre de Bruxelles. Atualmente é professor no Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP).

Confira a entrevista.


IHU On-Line - Quais as principais características que diferenciam a biodiversidade marinha e terrestre?

Roberto Berlinck - A biodiversidade marinha e terrestre é fundamentalmente diferente por um motivo simples: o meio marinho é aquoso, salino e, em função da profundidade onde os organismos vivos são encontrados, estes estão sob uma pressão muito grande (em termos de pressão atmosférica). Já os organismos terrestres vivem em um ambiente aéreo, constituído principalmente por nitrogênio (N2, 70% da atmosfera), intensa radiação luminosa e com fortes correntes de ar. Tais características ambientais fizeram com que as espécies terrestres e marinhas adquirissem características muito diferentes ao longo da evolução biológica. Por exemplo, as espécies de animais marinhos tiveram que desenvolver mecanismos para utilizar oxigênio dissolvido na água do mar. Já as espécies terrestres tiveram que desenvolver mecanismos para tolerar uma alta concentração de oxigênio no ambiente em que vivem. As espécies marinhas também tiveram que desenvolver maneiras de tolerar uma significativa concentração de sais no seu ambiente, o que não ocorre no ambiente terrestre. Desta forma, as espécies marinhas apresentam características anatômicas e fisiológicas inexistentes nas espécies terrestres. Por exemplo, vários tunicados (invertebrados marinhos) têm, em seu sangue, átomos de vanádio, um metal relativamente raro, que não ocorre na maioria dos organismos terrestres. Por outro lado, muitos insetos utilizam substâncias químicas voláteis, que se dispersam no ar, para se comunicar, o que não ocorre no ambiente marinho.

IHU On-Line - Como entender a disparidade do número de espécies entre ambiente terrestre e marinho? O que provocou esse fenômeno?

Roberto Berlinck - A resposta a esta pergunta não é simples. Recentemente foi publicado um artigo na revista científica Science que discute exatamente esta questão. O artigo foi comentado no meu blog, Química Viva, e a ideia que os autores do artigo apresentam é que a biodiversidade marinha é muito menor do que a biodiversidade terrestre, quando se considera o número de espécies nos dois ambientes. O levantamento mostra que de cada 10 espécies biológicas, nove situam-se em ambiente terrestre. Tal distribuição é relativamente recente, uma vez que, há 400 milhões de anos, a predominância era de espécies marinhas. Contudo, há cerca de 110 milhões de anos, as plantas terrestres começaram a sofrer um intenso processo de especiação (surgimento de novas espécies), bem como seus respectivos agentes polinizadores, micro-organismos associados e herbívoros predadores. Com a “explosão” das plantas floríferas há cerca de 110 milhões de anos, estas ocuparam praticamente todos os ambientes terrestres onde podiam se desenvolver. Como a dispersão das espécies pelo ar é muito mais rápida e pode atingir longas distâncias, o surgimento de um número excepcional de espécies terrestres foi muito favorecido.

Sendo a dispersão no meio marinho muito mais difícil, as espécies marinhas tendem a viver de forma aglutinada, formando comunidades de alta densidade populacional – os recifes de corais. As espécies que vivem intimamente associadas aos recifes de corais se tornam particularmente vulneráveis a doenças, predação e fatores ambientais, como aquecimento e ocorrência de desastres como maremotos e furacões. Tais fatos já foram extensivamente observados nos corais da região caribenha e das Bahamas. Os corais destas regiões estão continuamente expostos a enormes furacões que movimentam as águas oceânicas de maneira extremamente agressiva, deixando um enorme rastro de destruição de corais e suas espécies associadas. São necessárias décadas para que tais recifes voltem a apresentar suas características originais. O mesmo vale para corais da Grande Barreira de Corais da Austrália, que sofrem particularmente com efeito de branqueamento dos corais (morte de zooxantelas e outras cianobactérias) em decorrência de mudanças na temperatura da água bem como nas taxas de dissolução de dióxido de carbono na água do mar.

Outro fator que pode ter contribuído para um aumento significativo na biodiversidade terrestre é o aumento na vascularização das plantas superiores. Tal fator levou a um incremento importante na biomassa das plantas, e pode ter contribuído para a ocupação de nichos ecológicos ainda disponíveis. Em consequência, o número de espécies biológicas terrestres aumentou muito, deixando a biodiversidade marinha muito aquém em número de espécies. Vários fatores podem ter influenciado esta diferença, como a maior densidade da água quando comparada com a do ar, fazendo com que larvas de animais sejam transportadas com muito mais dificuldade no meio marinho do que no terrestre. A dissipação de calor na água é muito mais difícil, tornando os organismos marinhos mais suscetíveis a eventuais variações de temperatura. Desta forma, o ambiente terrestre seria muito mais propício para os processos adaptativos que regem o processo de evolução através da seleção natural.

IHU On-Line - Qual a importância de conhecer e preservar a biodiversidade? Ela é algo bom para quem e para o quê?


Roberto Berlinck – Atualmente, este é um tema constante nos meios de comunicação, e vale a pena enfatizar: somos parte da biodiversidade. O ser humano é um animal como qualquer outro. Não somos especiais. Fundamentalmente, as únicas diferenças entre a espécie humana e as outras espécies biológicas são a consciência e a linguagem. Tais características tornaram a espécie humana única, porém não mais importante ou melhor. Por exemplo, a maior parte da fotossíntese é realizada por microalgas oceânicas (cerca de 80-90% de toda a fotossíntese do planeta Terra é realizada no mar). O processo de fotossíntese captura dióxido de carbono e, na presença de luz e água, transforma o CO2 em matéria orgânica (glicose) e oxigênio. No meu ponto de vista, considero os organismos fotossintetizantes muito mais importantes do que a espécie humana, pois as espécies de algas e plantas que realizam a fotossíntese mantêm a vida de todas as outras espécies que dependem delas. Nenhuma outra espécie viva da Terra depende da espécie humana. Se a espécie humana for extinta, por qualquer razão, provavelmente a maioria das outras espécies vivas continuarão a existir, como bactérias, fungos, cianobactérias, plantas e animais. A espécie humana deixaria de existir muito antes que as espécies vegetais desaparecessem por completo.

A percepção da importância da biodiversidade não se reduz a preservar e conservar a natureza porque ela é boa e bela, e sim porque a vida na Terra é uma gigantesca rede de inter-relações entre animais, vegetais e micro-organismos. Se, por acaso, partes desta rede forem severamente comprometidas, toda a rede estará comprometida. Uma vez que esta rede se estabeleceu, não é possível simplesmente ignorá-la. É preciso conhecê-la, cada vez melhor, para que possamos não apenas gerar conhecimento, mas também utilizarmos a biodiversidade de várias maneiras (na produção de alimentos e medicamentos; como lazer em zoológicos, museus, aquários etc.; em pesquisa biomédica), de forma responsável e sustentada.

IHU On-Line - Qual a especificidade da biodiversidade das sementes?


Roberto Berlinck - As sementes constituem a fonte de informação e de geração de vida de diversas espécies vegetais. Com a perda da biodiversidade, espécies vegetais estão desaparecendo porque não conseguem se reproduzir. Sendo assim, a constituição de bancos de sementes vegetais (atualmente existem vários no mundo todo) é extremamente importante para melhor se conhecer a distribuição dos vegetais na Terra, como estas sementes são importantes para a disseminação de espécies vegetais dos quais dependem insetos, aves e outros animais, bem como para servir de material de referência para análise genética de diferentes tipos de plantas e também propiciar o plantio de espécies raras e nativas que se encontram em extinção.

IHU On-Line - Como relacionar a biodiversidade com o processo de evolução e seleção natural das espécies?


Roberto Berlinck - A biodiversidade que hoje conhecemos (pelo menos em parte), no nosso planeta, é o fruto de 3,5 bilhões de anos de evolução biológica através dos processos de seleção natural. Foi este processo, ao longo de todo este tempo, que levou ao surgimento de todas as espécies biológicas conhecidas (e ainda não conhecidas).

IHU On-Line - O que significa para o mundo o conhecimento de que nossa biodiversidade é tão rica? Quais as implicações da abundância da biodiversidade para os outros setores da nossa sociedade, como a economia, por exemplo?


Roberto Berlinck - Como indiquei anteriormente, a biodiversidade é a parte mais importante de uma enorme rede, extremamente complexa, que chamamos de VIDA. O fato de o Brasil ser um país denominado “megadiverso” o coloca em destaque no cenário internacional, uma vez que possui entre 15% e 25% de toda a biodiversidade da Terra. É um dos poucos países que ainda possui uma biodiversidade tão extensa, boa parte ainda desconhecida. Portanto, é extremamente importante que sejam criados programas de pesquisa, desenvolvimento e aplicação de processos e produtos oriundos da biodiversidade brasileira. Estima-se que o valor da biodiversidade brasileira seja de 2 trilhões de dólares por ano, muito maior do que o PIB do Brasil. O potencial de utilização dos recursos oriundos da biodiversidade brasileira é incalculável. Apenas uma parte muito, mas muito pequena mesmo, destes recursos foi pesquisada e se tornou produtos de importância econômica, cultural e social. É importante assinalar que a exploração racional da biodiversidade também pode gerar produtos culturalmente importantes. A história do Brasil está intimamente relacionada à sua biodiversidade, a começar pela exploração do Pau-Brasil. A culinária brasileira está intimamente ligada à sua biodiversidade, como várias plantas do gênero Piper (que são os diferentes tipos de pimentas), peixes da região norte e centro-oeste, diferentes tipos de mandioca, uma enorme variedade de frutas, alimentos que fazem parte da cultura social. Além disso, muitas plantas foram (e ainda são) utilizadas na construção civil, móveis, embarcações, e que atualmente estão felizmente protegidas.

A biodiversidade brasileira não somente deve ser explorada para fins econômicos diretos, mas também para gerar conhecimento. Não se conhece quase nada sobre os mais diversos tipos de micro-organismos, insetos, plantas e organismos marinhos que podem gerar produtos de alto valor tecnológico agregado, como enzimas. Tais produtos podem beneficiar enormemente a população brasileira de diferentes maneiras: promovendo avanço científico, gerando conhecimento, possibilitando a geração de processos e produtos de interesse para a saúde humana, para a agricultura, e de muitas outras formas. Por isso, é muito importante que se estimule a pesquisa e o conhecimento sobre a fauna e a flora brasileira. Existem inúmeros pesquisadores no Brasil inteiro que se dedicam a estudar a biodiversidade brasileira, como forma de melhor conhecer e possibilitar a utilização racional dos recursos naturais. Tais pesquisas devem ser muito estimuladas, e o acesso à biodiversidade brasileira deve ser facilitado para os pesquisadores e estudantes que queiram se dedicar a melhor conhecer as plantas, animais e micro-organismos do Brasil.

IHU On-Line - Como a perda da biodiversidade pode influenciar na longevidade da vida terrestre, inclusive da sobrevivência da espécie humana?


Roberto Berlinck - Como eu disse acima, a espécie humana é parte da megarrede de VIDA do nosso planeta. Porém, não é parte essencial desta rede. Existem outros organismos que são muito mais importantes nesta rede, como aqueles que fazem fotossíntese (plantas, algas e microalgas) e os que degradam a matéria orgânica (bactérias e fungos). Se o desenvolvimento humano prolongar a utilização não-racional, não planejada, irresponsável e não-sustentada da biodiversidade, é muito provável que em algum momento esta rede de vida fique comprometida. A própria sobrevivência da espécie humana depende de ações que minimizem a exploração da biodiversidade de maneira inconsequente. Infelizmente, parece que os governos de muitos países ainda não estão cientes do problema real e não estão implementando ações efetivas que minimizem a perda de biodiversidade. Porém, a história da humanidade nos mostra, várias vezes, que é melhor se conhecer a fundo potenciais problemas que nos cercam, para tentar evitar que estes problemas se tornem crônicos, para que eventualmente possam ser solucionados. A conservação e preservação da biodiversidade não são diferentes. É extremamente difícil prever quais seriam as consequências de uma perda significativa de biodiversidade. Tenho certeza que ninguém gostaria de vivenciar esta experiência.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=31330

terça-feira, 13 de abril de 2010

Baleia morta aparece ao largo de Vilamoura, Algarve


Uma pequena baleia apareceu morta a cerca de uma milha a sul de Vilamoura, Algarve, e foi hoje trasladada para o aterro em elevado estado de decomposição, disse hoje à Lusa fonte da Polícia Marítima.

Há um mês uma baleia-de-barbas com 10 metros também apareceu no Algarve, na praia de Quarteira, em elevado estado de decomposição.

O animal marinho tinha dado à costa e os técnicos da autarquia de Loulé removeram o cetáceo também para o depositar num aterro.

Em declarações à Lusa, Élio Vicente, biólogo do Zoomarine em Albufeira, explica que a morte de baleias que aparecem ao largo da costa marítima, ou até mesmo nos areais, podem ter tanto de causa natural, nomeadamente de problemas fisiológicos, infeções bacterianas, problemas de parto, como pode estar relacionado com acidentes.

Há casos de animais mortos por terem ficado “presos em redes de pesca” ou por “atropelo de navios de carga, barcos de recreio ou motas de água” e basta uma pancada para ser fatal ou para causar ferimentos que causem mais tarde a morte do animal marinho, acrescentou o biólogo.

Fonte: LUSA

Diferendo entre Israel e países árabes bloqueia cimeira euro-mediterrânica


A IV Conferência Ministerial Euro-Mediterrânica sobre a Água, onde deveria ser adoptada uma nova estratégia para a gestão dos recursos hídricos, resultou num “falhanço”, como descreveu o secretário de Estado francês para os Assuntos Europeus, Pierre Lellouche. E tudo por causa de um diferendo quanto à nomenclatura utilizada para designar os territórios palestinianos ocupados.

No documento final – que se tentava aprovar em Barcelona – lia-se: “territórios ocupados”. Israel não aceitou. Em alternativa, propôs-se outra expressão: “territórios sob ocupação”. Eram então os representantes dos países árabes que discordavam da expressão.

A discussão não teve fim e bloqueou a adopção de um texto final. “Infelizmente não conseguimos chegar a um acordo”, disse Lellouche à agência francesa AFP, que deixou claro que os países estiveram de acordo em 99 por cento das questões técnicas relacionadas com a gestão da água no Mediterrâneo.

E lamentou o que hoje aconteceu na conferência: “O acesso à água não deveria ser uma fonte de tensão porque a água é um factor essencial para a vida, de desenvolvimento e de paz”.

O secretário-geral da União para o Mediterrâneo, o jordano Ahmad Masa'deh, também se mostrou desapontado com o resultado da reunião: "Isto levanta algumas dúvidas relativamente ao futuro da União para o Mediterrâneo".

Estavam presentes na conferência os ministros do Ambiente da União para o Mediterrâneo, que inclui os 27 Estados-membros da União Europeia, os países do Norte de África, dos Balcãs e do Médio Oriente – incluindo países árabes e Israel.

Fonte: Publico.pt

Morreu uma das duas crias de lince-ibérico nascidas em Silves


Uma das duas primeiras crias de lince-ibérico (Lynx pardinus) nascidas em cativeiro em Portugal, no centro de reprodução de Silves, morreu no passado domingo de causas ainda desconhecidas, foi revelado esta noite.

De acordo com os resultados de uma primeira autópsia entretanto realizada, a cria, uma fêmea, não apresenta sinais de maus tratos, de malformações ou de ter sido rejeitada pela progenitora, informou ao PÚBLICO Sandra Moutinho, assessora do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

"As duas crias de lince ibérico estiveram sempre bem até domingo, dia em que uma delas morreu de causa aguda e de forma rápida", explicou em declarações à agência Lusa o director do Centro de Reprodução do Lince Ibérico, Rodrigo Serra.

A fim de perceber quais as causas da morte serão realizados diversos testes ao longo das próximas duas semanas.

A mãe, Azahar – o primeiro lince a chegar a Silves a 26 de Outubro do ano passado, vindo do Zoobotânico de Jerez de la Frontera – “já está mais calma e a outra cria também está bem”, acrescentou Sandra Moutinho. As duas crias nasceram a 4 de Abril.

O lince-ibérico é uma espécie ameaçada de extinção e a espécie de felino mais ameaçada do mundo. A reprodução em cativeiro é uma solução de fim de linha. Estima-se que existam hoje menos de 150 linces-ibéricos. Em meados do século XIX, seriam cem mil, espalhados por toda a Península Ibérica. A espécie vive em Portugal numa situação de "pré-extinção".

Para ajudar à recuperação da espécie, o Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro para o Lince-Ibérico (CNRLI) - começado a construir em Junho de 2008 e concluído em Maio de 2009 - alberga 16 animais cedidos pelo Governo espanhol no âmbito de um protocolo assinado em Julho do ano passado. Os linces chegaram entre 26 de Outubro e 1 de Dezembro.

Fonte: Publico.pt

Tinta tóxica do cargueiro chinês está a destruir parte da Grande Barreira de Coral


A maior ameaça à Grande Barreira de Coral, onde o cargueiro chinês “Shen Neng 1” encalhou a 3 de Abril, não são as três toneladas de combustível derramadas mas sim a tinta tóxica do casco e a cicatriz que o navio deixou ao encalhar.

De acordo com o “Sidney Morning Herald”, citando as autoridades do Parque Marinho da Grande Barreira de Coral, o cargueiro destruiu os corais ao longo de um quilómetro, ao largo de Queensland, em Douglas Shoal.

O cargueiro esteve dez dias encalhado em cima dos recifes de coral e só ontem as autoridades australianas conseguiram removê-lo e levá-lo em segurança para o largo da ilha Great Keppel. Ao longo desse tempo, o casco foi esmagando os corais, enquanto oscilava com a força das correntes e dos ventos.

“São os estragos mais graves alguma vez infligidos por um navio que já registámos na Grande Barreira de Coral”, declarou David Wachenfeld, cientista daquela área protegida.

O presidente do parque marinho, Russell Reichelt, disse que os trabalhos de limpeza estarão entre os mais complexos de sempre naquela zona. O navio “não encalhou e ficou no mesmo sítio”, disse à ABC, notando que o cargueiro se deslocou cerca de um quilómetro depois de ter encalhado.

Uma avaliação inicial detectou uma grande quantidade de tinta e destruição nos corais. “A tinta está a matar os corais da zona e das proximidades”, salientou. No local está uma equipa de cientistas marinhos a realizar uma avaliação total dos estragos ambientais. “É muito preocupante porque a ideia destes produtos é serem tóxicos para impedir que os organismos marinhos se instalem nos cascos dos barcos”, acrescentou.

“Acidentes como este deixam, muitas vezes, cicatrizes nos recifes onde os corais foram esmagados e compactados”, comentou o ministro federal do Ambiente, Peter Garrett, em comunicado.

Hoje, o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, considerou “absolutamente escandaloso” que o cargueiro tenha seguido uma rota considerada ilegal pelo Governo.

A Grande Barreira é o mais vasto organismo coralino do planeta, que se estende por mais de dois mil quilómetros. Com um elevado interesse científico, este local é considerado precioso devido à sua diversidade marinha e por albergar espécies ameaçadas de extinção.

Fonte: Publico.pt

Grupo de cidadãos assume defesa do património ambiental e cultural de Gaia


Um grupo de cidadãos de Gaia, designadamente da zona costeira do concelho, anunciou ontem a criação de uma associação que visa divulgar e defender o património cultural e ambiental do concelho.

Denominada Verdegaia, esta associação que foi criada a 15 de Março, pretende “acompanhar a evolução do concelho, o seu património cultural e ambiental”, afirmou Manuel Pontes, da comissão administrativa.

Segundo referiu, a ideia é “tentar denunciar situações que estejam erradas, até eventualmente violadoras de leis, e elogiar aquilo que está bem feito”.

A Verdegaia defende que “as forças do progresso são múltiplas e que nem sempre é possível conciliar as suas dinâmicas”, entendendo que “cabe também aos cidadãos a responsabilidade de se mobilizarem para encontrar espaços de diálogo e de convergência em torno das questões que, directa ou indirectamente, os afectam”.

Assim, a Verdegaia propõe-se identificar o património que, “por inércia dos homens, permanece incógnito e que urge, por isso, expor publicamente para ser transmitido condignamente às gerações futuras, bem como sensibilizar e alertar para o património ameaçado que importa defender”.

O responsável destacou ainda que, contando para já com cerca de 30 sócios, a Verdegaia tem o objectivo “ambicioso” de, no prazo de um ano, atingir “algumas centenas” de associados, “principalmente da juventude, que está desmotivada e descrente”. A Verdegaia pretende fazer a divulgação das suas iniciativas através de escolas, juntas de freguesia e entidades presentes no concelho gaiense.

“Em breve”, adiantou, a associação promoverá um concurso fotográfico sobre “O feio e o bonito em Vila Nova de Gaia”.

Outra das iniciativas é a promoção de um ciclo de conferências sobre aspectos do património do concelho, estando já marcada para 29 de Maio a primeira “conversa sobre...”. O responsável referiu que esta conferência contará com a presença de Silvestre Lacerda, director da Torre do Tombo, e versará sobre “De Gaya a Vila Nova de Gaia: aspectos históricos e culturais das vivências em espaços humanizados”.

Fonte: LUSA