domingo, 25 de abril de 2010

Conferência na Gulbenkian: Ecologia e Conservação de Anfíbios


São o grupo de vertebrados mais ameaçado do mundo. A destruição dos 'habitats', a introdução de espécies exóticas, as alterações climáticas e um fungo mortal extinguiram dezenas de espécies e ameaçam de desaparição muitas outras. Dia 30 de Abril, especialistas reúnem-se em Lisboa para discutir a conservação dos anfíbios

Para atrair as fêmeas, o macho do tritão-de-ventre-laranja barra-lhe o caminho, dobra a cauda para a frente, de maneira a mantê-la paralela ao corpo, e ondula-a em movimentos regulares, lançando partículas odoríferas, as feromonas, irresistíveis para a fêmea. Esta dança, conhecida pelos biólogos por "flamenco", é apenas uma das muitas fascinantes curiosidades do mundo dos anfíbios.

Ignorados pela maioria da população, os anfíbios sofrem uma das maiores ameaças do reino animal. Só nos últimos 20 anos, acredita-se que se tenham extinguido 168 espécies em todo o mundo, devido à perda de habitat, alterações climáticas e a um fundo mortal. Em Portugal existem algumas espécies endémicas que também se encontram em vias de desaparecer.
Para discutir o problema, especialistas de todo o mundo vão reunir-se, dia 30, na Fundação Calouste Gulbenkian. Inserida na NaturSapo - Campanha Nacional de Conservação de Anfíbios, a conferência sobre Ecologia e Conservação de Anfíbios é organizada pelo portal Naturlink e pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, da Universidade do Porto. "O objectivo é apresentar os principais trabalhos que existem sobre o tema, não só em Portugal, como nos países vizinhos", explica Rui Borralho, director do Naturlink.

Um dos casos mais preocupantes a apresentar na conferência é o insucesso da conservação da Rede Natura 2000 na Costa Vicentina. "O objectivo era travar a perda da biodiversidade nessa área protegida, mas o balanço final acabou por ser negativo. Muitas lagoas desapareceram ou foram drenadas e desapareceram alguns anfíbios. Vamos tentar perceber o que correu mal."

A presença de espécies exóticas , sobretudo a rã-de-unhas africana e o lagostim-vermelho-da-Luisiana, são outras das grandes ameaças. "O lagostim-vermelho alimenta-se de ovos e larvas de anfíbios. É das ameaças mais difíceis de erradicar. Não sabemos ao certo que medidas devem ser tomadas", diz. Nas zonas com maior densidade de lagostins, as populações de anfíbios (e também de peixes) descem a níveis de quase pré-extinção.
Outro dos temas em debate será a questão das doenças que já mataram populações inteiras no mundo. "Ainda não aconteceu no nosso país, mas pretendemos saber, com esta apresentação feita pelo Instituto Zoológico de Londres, em que medida isso pode afectar os anfíbios na Europa." Entre as quase 170 espécies que desapareceram, muitas habitavam em zonas tropicais, onde se desenvolvem fungos com regularidade, "mas temos algum receio que possam chegar até nós".

As alterações climáticas fazem também parte do grupo de temas em destaque, mais uma vez, sem se saber ao certo qual poderá ser o impacto real nos anfíbios. A verdade é que são animais "muito vulneráveis, com necessidade de terra e água para sobreviver e peles sensíveis à acção dos ultravioletas ou subidas de temperatura", salienta.

Entre o grupo de ameaças conta-se também a elevada mortalidade nas estradas, uma vez que os anfíbios, como animais lentos na deslocação estão sujeitos a vários atropelamentos. "Os balanço de mortes na Europa chega aos milhares." Para combater esta tendência, há medidas que vão ser postas em prática, como "a construção de passagens hidráulicas para anfíbios por baixo das estradas". Entre as espécies que mais sofre com atropelamentos em Portugal está o sapo-comum e a salamandra-de-pintas-amarelas. "As mais terrestres", diz.

Uma das acções mais importantes da NaturSapo é o estabelecimento de micro-reservas para anfíbios. "Neste momento já temos estabelecidos contactos com seis entidades privadas para a sua criação", diz Rui Borralho. Por outro lado, está também a ser estudada a possibilidade de reprodução e conservação de anfíbios em zonas de cidade. "A criação de pequenos lagos no meio de zonas urbanas pode ser uma forma de controlar algumas populações de anfíbios." E de alertar a população para a importância da biodiversidade. É que "os anfíbios, além de úteis para os agricultores, porque consomem insectos, são animais inofensivos e fundamentais na cadeia alimentar".

Fonte: Diário de Notícias

Garajau-rosado (Sterna dougallii) com ninhos ameaçados

Está em curso no ilhéu do Feno, Açores, uma operação de erradicação de ratos e gaivotas, as principais ameaças para a espécie.

Um dos mais importantes locais de nidificação dos garajaus-rosados em Portugal, no ilhéu do Feno, na Terceira, Açores, encontra-se novamente ameaçado por roedores e gaivotas. Para preservar a área onde anualmente se instalam centenas de exemplares desta espécie em vias de extinção, está já a decorrer uma campanha de erradicação destas duas ameaças.

Os trabalhos para a eliminação dos ratos começaram esta semana, mas foram dificultados pelo mau tempo, que condicionou o acesso ao ilhéu.

Também o combate às gaivotas, que envolve a utilização de armas de fogo, está inviabilizado, uma vez que já se encontram no ilhéu cerca de 80 garajaus-rosados. Por esta razão, as acções estão limitadas à destruição dos ninhos e à recolha dos ovos das gaivotas, que são predadoras dos ovos e das crias de garajau-rosado.

Os esforços que estão a ser desenvolvidos reflectem a importância dos Açores para os garajaus-rosados, já que o arquipélago alberga metade da população total desta ave na Europa. No ano passado foi registada a nidificação de 1198 casais nos Açores, dos quais 35% na ilha das Flores. Os estudos realizados em 2009 revelaram ainda um regresso significativo desta ave ao Ilhéu do Feno, onde nidificaram 263 casais.

Também conhecido como andorinha-do-mar-rósea, o garajau-rosado deve o seu nome à tonalidade rosa no peito dos exemplares adultos, que pesam cerca de 120 gramas e têm uma envergadura de 80 centímetros. A espécie reproduz-se entre Abril e Julho e alimenta-se de pequenos peixes, como o agulhão, chicharro e peixe-agulha.

Fonte: Diário de Notícias

Um atlas obrigatório para os apaixonados por hertpetofauna

Depois de uma primeira edição em 2008, o Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal chega às bancas com uma versão renovada. O lançamento oficial da obra, publicada pela Esfera do Caos, acontece no dia da conferência. Coordenado por Armando Loureiro, Nuno Ferrand de Almeida, Miguel A. Carretero e Octávio S. Paulo, o Atlas aborda a distribuição das várias espécies em Portugal, a história da sua presença e evolução no país, com apresentação detalhada de todas as espécies. Desde os sapos, às tartarugas, cobras ou lagartos.

sábado, 24 de abril de 2010

Morreu a segunda cria de lince-ibérico nascida em Silves

A segunda cria de lince-ibérico (Lynx pardinus) que nasceu a 4 de Abril no Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico de Silves, morreu no domingo passado. De momento estão em curso exames para apurar a causa da morte, disse hoje fonte daquele organismo.

A primeira cria nascida em cativeiro em Portugal, uma fêmea, tinha morrido a 11 de Abril.

“Ambas [as crias] terão morrido de forma aguda, num curto espaço de tempo. Não se registam lesões que indiciem maus tratos ou abandono por parte da mãe”, explicou o director do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico à agência Lusa.

Rodrigo Serra acrescentou que a progenitora, Azahar, reagiu “sem agitação” e tem o seu comportamento normalizado. “Azahar está bem, tendo dedicado estes últimos dias à recuperação do seu peso, comendo bem, e estando a socializar com o Drago [o macho com quem forma par]”, adiantou. Azahar foi o primeiro lince a chegar a Silves a 26 de Outubro do ano passado, vindo do Zoobotânico de Jerez de la Frontera.

No ano passado “40 por cento das crias que nasceram morreram até aos dois meses de idade”, salientou Rodrigo Serra.

O lince-ibérico é uma espécie ameaçada de extinção e a espécie de felino mais ameaçada do mundo. A reprodução em cativeiro é uma solução de fim de linha. Estima-se que existam hoje menos de 150 linces-ibéricos. Em meados do século XIX, seriam cem mil, espalhados por toda a Península Ibérica. A espécie vive em Portugal numa situação de "pré-extinção".

Agora, o Plano de Acção para a Conservação do Lince-Ibérico em Portugal, de 2008, aponta como áreas prioritárias de intervenção Moura-Barrancos, Malcata, Nisa, São Mamede, Guadiana, Caldeirão, Monchique e Barrocal.

Para ajudar à recuperação da espécie, o Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro para o Lince-Ibérico (CNRLI) - começado a construir em Junho de 2008 e concluído em Maio de 2009 - alberga 16 animais cedidos pelo Governo espanhol no âmbito de um protocolo assinado em Julho do ano passado. Os linces chegaram entre 26 de Outubro e 1 de Dezembro.

Fonte: Publico.pt

Fêmea de lince-ibérico encontrada morta em Espanha


Uma fêmea de lince-ibérico (Lynx pardinus) com nove anos foi encontrada morta na zona de Doñana, Sul de Espanha, pouco depois de ter dado à luz duas crias. A equipa de biólogos conseguiu resgatar os dois pequenos felinos e diz que estão bem de saúde.

O cadáver de Lula, animal da população de Doñana, foi encontrado a 16 de Abril durante uma campanha de monitorização com radiotransmissores. Graças a estes dispositivos, os biólogos tinham detectado, um dia antes, o parto da fêmea a um quilómetro do local onde foi encontrada morta.

“A celeridade da actuação da equipa de seguimento permitiu resgatar as duas crias de Lula e levá-las para o centro de criação em cativeiro de El Acebuche [Parque Nacional de Doñana], onde foram estabilizadas e onde estão a receber cuidados”, contam em comunicado os responsáveis do Programa LIFE Lince, na Andaluzia.

A necropsia mostra que a morte foi causada por uma luta com outro animal.

Espanha libertou os primeiros linces para recuperar antigas populações

A reintrodução experimental de linces na zona de Guadalmellato, perto de Córdoba, para tentar recuperar antigas populações desta espécie, arrancou em Dezembro e já deu os seus resultados.

Entre Dezembro e Março, a equipa do programa LIFE libertou, pela primeira vez, três linces adultos. Estes animais – Caberú, Cascabel e Mata - tinham passado três meses numa zona cercada de aclimatação com três a quatro hectares. Agora, estão em liberdade total e são seguidos graças a coleiras GPS. Em Abril foi libertado um macho juvenil.

O próximo passo será libertar mais dois linces, os machos Elrón e Eclipe. Estes estão nos cercados intermédios desde Dezembro.

Reintroduções em outros locais já identificados, como na zona do rio Guarrizas (Jaén) ainda não têm data marcada mas deverão acontecer apenas em 2011.

A Junta da Andaluzia deu conta da “colaboração da sociedade em geral, nomeadamente dos proprietários privados” que estão predispostos a receber o lince-ibérico. Até ao momento existem na Andaluzia cerca de 150 mil hectares com algum tipo de cooperação entre proprietários de explorações agrícolas e as autoridades regionais de Ambiente.

Três crias nasceram nos cercados de Guadalmellato

Em meados deste mês nasceram três crias de lince num dos cercados de aclimatação de Guadalmellato. O conselheiro para o Ambiente da Junta de Andaluzia, José Juan Díaz Trillo, considera estes nascimentos como um “marco histórico na conservação deste animal”.

Em Portugal, os projectos arrancaram mais tarde. Mas no centro de reprodução em cativeiro em Silves já nasceram duas crias, a 4 de Abril, uma das quais acabou por morrer. Existem, assim, 17 animais em cativeiro.

O lince-ibérico é uma espécie ameaçada de extinção e a espécie de felino mais ameaçada do mundo. A reprodução em cativeiro é uma solução de fim de linha. Estima-se que existam hoje menos de 150 linces-ibéricos. Em meados do século XIX, seriam cem mil, espalhados por toda a Península Ibérica. A espécie vive em Portugal numa situação de "pré-extinção".

Fonte: Publico.pt

Lançamento do livro "A Grande Viagem dos Homens, através do tempo e do espaço"


Senhor Presidente da Direcção,
O Director-Geral da Agência Portuguesa do Ambiente, Professor António Gonçalves Henriques e a Sub-Directora Geral da Educação, Dr.ª Isabel Almeida, têm a honra de convidar V. Exa.
para o lançamento do livro "A Grande Viagem dos Homens, através do tempo e do espaço", da autoria de Júlio Moreira, que terá lugar no Auditório da Agência Portuguesa do Ambiente, no dia 28 de Abril, às 16:00 horas e que contará com presença da Doutora Sofia Vaz, investigadora da FCT/UNL.

Confirmação e reservas: rita.silva@apambiente.pt, tel. 214 721 489.

Convocatorias para el Programa de Guardaparque Voluntarios en ANP - Peru


Se adjunta CONVOCATORIAS para el Programa de Guardaparque Voluntarios en ANP
- Zona Reservada San Fernando
- Reserva Nacional Pampa Galeras - Bárbara D'Achille

Se ruega DIFUSIÓN.

*Informes: Blgo. Stive Marthans Castillo (Jefatura ANP: RNPG-BA y ZRSF)
smarthans@sernanp.gob.pe
Cel. 956946306 ó 1995149648
RPM: #860421


Antonio Tovar Narváez
Facultad de Ciencias Forestales
Universidad Nacional Agraria La Molina
Aptdo 12-056, Lima 12
Telf/Fax: (++51)(1)-3496102

Cientistas congoleses e belgas vão estudar a biodiversidade do rio Congo


Uma vasta equipa de biólogos congoleses e belgas vão embarcar para a próxima semana numa expedição de 47 dias para estudar a fauna e flora ao longo do rio Congo, foi anunciado esta quarta-feira.

Pelo menos 67 ornitólogos, biólogos, geólogos e outros especialistas vão marcar assim o Ano Internacional da Biodiversidade e o 50º aniversário da independência da República Democrática do Congo (celebrado a 30 de Junho).

Os investigadores vão de barco de Kisangani, no Norte do país, e têm como última paragem Kinshasa, a capital, a 1750 quilómetros de distância.

A expedição é organizada pelo Real Museu belga para o Centro Africano, a Universidade de Kisangani, o Instituto real belga de Ciências Naturais e os Jardins Botânicos nacionais na Bélgica.

Os espécimes recolhidos durante a viagem serão depositados num centro da biodiversidade em Kisangani, onde poderão ser estudados por cientistas de todo o mundo.

De acordo com os organizadores, a República Democrática do Congo não tem registos recentes da sua biodiversidade. Por isso acreditam ser possível encontrar novas espécies até agora desconhecidas.

Fonte: AFP

Quercus protesta contra descargas de suiniculturas na ribeira dos Milagres

Seja de noite ou de dia, os efluentes das suiniculturas da região de Leiria continuam a ir parar à ribeira dos Milagres. Hoje, quatro dias depois de uma nova descarga, a Quercus protesta no local e quer saber por que razão ainda não começou a ser construída a estação de tratamento concebida de propósito para resolver este “crime ambiental”.

O que fazer com os efluentes das mais de 400 suiniculturas – com 250 mil porcos - espalhadas por Leiria, Batalha e Porto de Mós é uma pergunta que já tem resposta há pelo menos dez anos. Mas esta é uma resposta mais teórica do que prática. A Estação de Tratamento de Efluentes de Suinicultura (ETES), planeada e aprovada, ainda não começou a ser construída.

Actualmente, “a maioria dos efluentes das explorações é espalhada nos terrenos agrícolas do Lis”, contou esta manhã Domingos Patacho, da Quercus, pouco antes do início do protesto organizado pela associação junto à ponte da Ribeira dos Milagres. A associação vai fazer um desfile de porcos para mostrar o seu "extremo descontentamento" com a contínua descarga de efluentes.

O espalhamento, autorizado desde 2004 como possibilidade temporária, é uma das três soluções possíveis, além do tratamento em estações próprias e das descargas controladas naquela ribeira.

“O problema é que esses espalhamentos são muito frequentes”, levando a concentrações muito elevadas nos solos, salientou. “Não há fiscalização eficaz nem tão pouco são feitas análises”. Além disso, os responsáveis “sentem-se desculpados em lançar para a ribeira porque a ETES ainda não existe”. Recentemente, a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Centro retirou a licença de espalhamento nos solos agrícolas.

Longas filas para descarregar na ETAR Norte

O mau cheiro é apenas uma das faces mais visíveis deste problema. “Há três anos chegou a haver queixas de moradores em Leiria”.

No entanto, há suiniculturas que armazenam os efluentes em lagoas de retenção. Mas estas “não têm capacidade para mais de dois a três meses”.

A outra solução possível é levar os resíduos para a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) Norte de Leiria, da SIMLIS, com alguma capacidade para tratar destes efluentes. Mas são poucos os suinicultores que lá vão. “A capacidade de recepção da ETAR não é a melhor, demora muito tempo. Os suinicultores têm que esperar em longas filas para descarregar os seus camiões”, lembrou Domingos Patacho.

A “peça fundamental” era mesmo a ETES, com capacidade para tratar cerca de 1500 metros cúbicos por dia. Esta é uma estrutura que “já está planeada e com localização aprovada [na freguesia de Amor] mas não avança”, lamentou. “Queremos saber por que não está a ser feita”.

Poluição "bastante grave" da ribeira

Ainda assim, é a ribeira dos Milagres, a cerca de sete quilómetros dos campos do Lis, que continua a oferecer uma solução mais “à mão”. Apesar de não ser uma poluição química, “esta é uma poluição bastante grave”, por causa da elevada carga orgânica lançada para as águas. “Toda a biodiversidade da ribeira, incluindo peixes e invertebrados, sofre fortemente com as descargas”.

Domingos Patacho gostaria que houvesse um “empenhamento maior” das autoridades responsáveis, nomeadamente dos Ministérios do Ambiente e da Agricultura, e que estes tivessem “capacidade para reunir todas as entidades à mesma mesa”. A Quercus considera, antes, que há uma “incompetência transgovernamental” a juntar à “irresponsabilidade dos suinicultores”.

Em Janeiro deste ano, a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, assegurou que o problema das suiniculturas na região de Leiria, é para resolver esta legislatura. A ministra insistiu que a ETES já devia “estar a avançar”.

Na mesma altura, David Neves, presidente da Recilis - entidade criada para resolver a poluição das suiniculturas - defendeu igualmente que “o processo já devia estar concluído”, até porque “manter a situação tal como está não interessa”. Tanto mais que um ano antes, em Janeiro de 2009, David Neves assegurou que o "trauma" das suiniculturas iria "ficar resolvido dentro de dois anos".

A poluição da ribeira dos Milagres é um problema para o ministério do Ambiente que já vem de trás. O anterior ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, considerou, no ano passado, que o impasse para evitar descargas de suiniculturas na ribeira estava "a ultrapassar os limites do aceitável". "São crimes públicos lamentáveis que se arrastam há anos e que são feitos a coberto da noite. Não é um problema de impotência, é uma dificuldade objectiva de fiscalizar quem é o criminoso".

Fonte: Publico.pt

Máquinas fecharam a "aberta" da lagoa de Óbidos

A praia da Foz do Arelho, até então limitada a escassas dezenas de metros devido ao avanço do mar, adquïriu na quarta-feira uma dimensão que a transformou num areal de dezenas de quilómetros, que se estende até Peniche.

O "milagre" deveu-se ao fecho do canal de comunicação da lagoa de Óbidos com o oceano, que nos últimos meses se tinha vindo a deslocar para norte pondo em perigo a marginal da praia da Foz do Arelho e um emissário submarino que transporta águas residuais.

Uma primeira medida de emergência, a cargo do Inag - Instituto da Água, levou à colocação de pedras e sacos de areia na zona mais afectada, mas tornava-se agora necessário impedir que a "aberta" (nome pelo qual é conhecido o canal que liga a lagoa ao mar) insistisse em deslocar-se mais para norte.

A solução escolhida (na sequência de um estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil) consiste em tapar esta "aberta" e abrir outra no corpo central da lagoa, restabelecendo-se assim, à força, aquilo que a natureza recusava. Gruas, bulldozers e camiões pesados têm trabalhado desde o dia 29 de Março para escavar um novo canal no centro da lagoa, transportando a areia dali para a zona norte, onde foi amontoada até atingir uma dezena de metros de altura.

E foram esses milhares de metros cúbicos de areia que - após uma tentativa fracassada na terça-feira - foram no dia seguinte utilizados para tapar a "aberta", num duelo que demorou um dia inteiro entre as máquinas e a corrente que levava a areia que estas depositavam.

Ao fim da tarde, porém, o canal estava tapado e a lagoa de Óbidos ficou sem ligação ao oceano. Nos próximos dias, os técnicos do Inag esperam que ela vá enchendo graças aos dois afluentes - rios Arnóia e Real - que, com a ajuda das chuvas, irão criar um volume de água suficientemente grande para ajudar a romper a nova "aberta" que está a ser escavada a meio da lagoa.

Até lá, e sem qualquer canal a impedir o atravessamento das duas margens da lagoa, os residentes na região e visitantes poderão desfrutar de uma praia que se estende pelo Bom Sucesso (no lado sul da lagoa), no concelho de Óbidos, até praticamente ao Baleal, no concelho de Peniche.

Esta intervenção, com custos estimados em 319 mil euros, recorre apenas a meios mecânicos e exclui qualquer operação de dragagem, como era o desejo das câmaras das Caldas e de Óbidos e das juntas de freguesia circundantes à lagoa.

O Ministério do Ambiente diz que as dragagens - destinadas sobretudo a construir um muro guia por forma a fixar a "aberta" no mesmo sítio - só terão início depois do Verão, estando prevista para Junho a abertura de um concurso público internacional para esse efeito.

Fonte: Publico.pt

UNESCO: Quercus defende natureza da Arrábida


O vice-presidente da associação ambientalista Quercus, Francisco Ferreira, sugeriu ontem à comissão da candidatura da Arrábida a património mundial que mantenha em aberto uma eventual candidatura a património natural e não apenas a candidatura mista, até ouvir peritos internacionais.

"Eu acho que essa decisão definitiva deveria ser tomada imediatamente a seguir à vinda de peritos internacionais, que deveriam reflectir, não sobre esta proposta, mas sobre duas ou três propostas em aberto", disse Francisco Ferreira, citado pela Lusa. "A definição da área também nos parece um aspecto absolutamente crucial", acrescentou o ambientalista, preocupado com a extensão do território abrangido pela candidatura mista, que ultrapassa as fronteiras do Parque Natural da Arrábida, e com a inclusão da zona da cimenteira do Outão.

O dirigente da Quercus falava após a primeira reunião da comissão de acompanhamento da candidatura, que se reuniu no Convento da Arrábida. O presidente da Associação de Municípios da Região de Setúbal, Alfredo Monteiro, garantiu que a comissão ia ter em conta as sugestões da Quercus, lembrando, no entanto, que a candidatura já está a ser acompanhada pela Comissão Nacional da UNESCO e que serão ouvidos peritos internacionais antes de se concluir o processo de candidatura.

Fonte: LUSA

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Comissão Internacional propõe caça comercial à baleia por dez anos



Durante dez anos, o Japão, a Noruega e a Islândia poderiam caçar baleias para fins comerciais, não obstante uma moratória global. Esta proposta foi apresentada ontem pela Comissão Baleeira Internacional para tentar um consenso entre os países.

A Comissão alega que a sua proposta iria salvar entre quatro mil e 18 mil baleias durante uma década. Isto porque as três nações teriam, assim, quotas de captura mais baixas do que aquelas que praticam actualmente.

“Pela primeira vez desde a adopção da moratória à caça comercial à baleia teremos limites rígidos para todas as operações” relacionadas, explicou Cristian Maquieira, o presidente chileno da Comissão.

A proposta prevê uma monitorização muito apertada da caça à baleia e que mais nenhum dos 88 países membros da Comissão seja autorizado a iniciar operações durante a vigência deste plano a dez anos.

Além disso, o Oceano Antárctico seria designado um santuário. No entanto, o Japão estaria autorizado a caçar um número limitado de baleias dos mares em redor da Antárctica.

Os Estados Unidos dizem que vão considerar o plano mas acrescentaram que vão opor-se a qualquer proposta que levante a moratória internacional à caça comercial, habitualmente desrespeitada pelo Japão, Noruega e Islândia.

A Comissão Europeia, que coordena a posição da União Europeia na Comissão, afirmou que vai estudar a proposta com os Estados membros e tentar chegar a uma posição comum antes das próximas negociações em Junho.

A culpa é das lacunas nas regras

“Quando a moratória à caça comercial começou, em 1986, teve um impacto imediato benéfico”, comentou Monica Medina, representante de Washington na Comissão Baleeira Internacional. Mas, com o passar do tempo, “as lacunas nas regras” permitiram que 35 mil baleias fossem capturadas desde 1986.

A proposta é um compromisso elaborado por Maquieira e o vice-presidente da Comissão, Anthony Liverpool, depois de dois anos de negociações que terminaram na semana passada em Washington sem acordo.

Os 88 Estados membros terão 60 dias para analisar a proposta antes de debatê-la na conferência anual da Comissão em Marrocos, em Junho.

Organizações ambientalistas e muitos países, incluindo a Austrália e Nova Zelândia, são a favor de uma proibição total da caça comercial à baleia.

“Esta proposta iria anular a moratória e legitimar a caça comercial. As consequências seriam catastróficas”, comentou Mark Simmonds, da Whale and Dolphin Conservation Society.

“Mas esta não é uma proposta da Comissão Baleeira Internacional, é uma proposta do seu presidente e vice-presidente. Não faço ideia daquilo que os outros países vão fazer”, acrescentou.

“É muito decepcionante”, lamentou Susan Lieberman, do Pew Environment Group. “Permite ao Japão caçar ao largo da costa da Antárctica e isso não é aceitável”, garantiu. O impacto das alterações climáticas é mais acentuado nas regiões polares e as águas em redor da Antárctica já estão a sofrer muita pressão, lembrou Lieberman.

Fonte: Agência Reuters

A.R. rejeita propostas sobre gestão ambiental para campos de golfe

A Assembleia da República rejeitou hoje dois projectos de lei, do Bloco de Esquerda (BE) e de “Os Verdes”, que obrigariam os campos de golfe a criar um programa de gestão ambiental e a serem submetidos a avaliação de impacte ambiental.

Os projectos receberam votos contra das bancadas do PS, PSD e CDS-PP e votos favoráveis do BE, PCP e PEV e baixam agora à respectiva comissão parlamentar.

Na legislatura passada, o Parlamento chumbou uma iniciativa idêntica de “Os Verdes” e aprovou um projecto de resolução do PS que levou à edição de um manual de boas práticas em 2009.

Os deputados ecologistas e bloquistas consideram, no entanto, que um documento sem carácter obrigatório e de base voluntária é insuficiente para assegurar um total respeito pelo ambiente e propõem que cada entidade gestora de um campo de golfe defina um programa de gestão específico, a renovar anualmente, e que o equipamento seja sujeito a uma avaliação de impacte ambiental.

Ambos os projectos de lei hoje rejeitados indicam que, nestes espaços, se deve recorrer à reutilização de águas residuais tratadas, tendo os campos já existentes três anos para adaptar o seu sistema de abastecimento de água.

O BE aponta também a proibição da rega dos relvados com sistemas de aspersão e a obrigatoriedade de análises periódicas do solo.

O partido ecologista refere a necessidade de dar preferência a métodos e produtos naturais no uso de pesticidas e fertilizantes e a definição de acções para sensibilizar os golfistas.

Os dois projectos prevêem ainda que os campos de golfe possam ser suspensos ou mesmo encerrados em situação de incumprimento do programa de gestão ambiental.

Fonte: LUSA

Requalificação da Ilha da Fuzeta deverá estar concluída no início da época balnear

A requalificação da Ilha da Fuzeta deverá estar concluída no início da época balnear, disse hoje a ministra do Ambiente, no dia em que começou a montagem do cais e o transporte de máquinas para as demolições das construções em risco.

“Estes trabalhos para a requalificação da Ilha da Fuzeta foram só possíveis com a compreensão das pessoas e entidades oficiais”, comentou Dulce Pássaro.

Os proprietários das casas construídas em Domínio Público Hídrico na ilha da Armona aceitaram desocupar as edificações até à data imposta pelo Governo - 23 Abril - para que sejam accionadas as demolições nos meados da próxima semana, adiantou fonte da assessoria do Ministério do Ambiente. A Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve toma posse administrativa das edificações a partir de segunda-feira, dia 26, e a partir dessa data as demolições podem avançar.

A primeira fase da requalificação – que prevê a demolição de construções em risco, remoção de escombros e limpeza final do areal da praia e do leito da Ria Formosa - “deverá estar terminada em Junho”, acrescentou a mesma fonte. A fase final de requalificação começará a seguir à próxima época balnear.

Força do mar destruiu um total de 44 casas na Fuzeta

Nos últimos dias, a força do mar atingiu seis casas, segundo a monitorização que está a ser feita à ilha. As tempestades de mar na praia da Fuzeta destruíram, total ou parcialmente, 44 das 71 casas existentes naquele núcleo habitacional. Sete casas foram destruídas em Dezembro de 2009, 11 em Janeiro de 2010, 17 em Fevereiro e mais nove em Março, segundo dados da ARH.

A ilha da Armona faz parte de um conjunto de ilhas da Ria Formosa, um sistema lagunar único no mundo, alvo do programa de requalificação Polis Litoral Ria Formosa.

O Polis tem um período de intervenção até 2012 e a área de intervenção é de 48 quilómetros de frente costeira e 57 quilómetros de frente lagunar, abrangendo os municípios de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António.

O objectivo principal é proteger e requalificar a zona costeira visando a prevenção de risco e promovendo a conservação da natureza e biodiversidade com uma gestão sustentável.

Fonte: LUSA

Estão a transformar as ilhas dos Açores num santuário para aves marinhas


As falésias rochosas da ilha do Corvo e ilhéu de Vila Franca do Campo já não têm mais espaço para as aves marinhas que aí fazem ninho. Estes espaços são o último refúgio para várias espécies que fogem dos predadores. Autoridades regionais e ornitólogos estão a dar uma ajuda oferecendo-lhes um santuário da biodiversidade.

Outrora espalhadas pelos quatro cantos da ilha do Corvo e do ilhéu de Vila Franca, a Sul de São Miguel, as aves marinhas encontram-se hoje concentradas nas falésias e nos locais mais remotos. A destruição dos ninhos, em cavidades naturais nas rochas e no solo ou em buracos escavados na terra, por predadores como o rato, o murganho e a cabra explica a fuga de cagarros (Calonectris diomedea), estapagados (Puffinus puffinus), frulhos (Puffinus assimilis) e painhos (Oceanodroma castro).

“A sobrevivência destas aves é incompatível com predadores”, explica Pedro Geraldes, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (Spea) e coordenador do Projecto LIFE Ilhas Santuário para as Aves Marinhas. Nos últimos anos, as populações de algumas aves têm diminuído drasticamente.

Uma nova colónia para as aves

Desde 2009, a Spea, a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, a Câmara Municipal do Corvo e a Royal Society for the Protection of Birds estão no terreno para tentar erradicar as espécies invasoras e recuperar habitats.

“Criámos 400 ninhos artificiais na ilha do Corvo [Reserva da Biosfera pela UNESCO] e no ilhéu de Vila Franca, próximos das falésias mas em zonas de terra, que já terão sido local de nidificação no passado”, acrescenta. A ideia é criar uma colónia artificial que atraia as aves para uma zona livre de predadores.

Pedro Geraldes adianta que nos 150 ninhos criados em Vila Franca “já há sinais de ocupação por parte de alguns cagarros. Mas os ovos só são postos no final de Maio”. As outras espécies “ainda não chegaram” para esta época de nidificação.

Os ninhos, câmaras subterrâneas com uma saída e equipados com sistemas de chamamento sonoro para atrair as aves, estão numa zona vedada a predadores e que vai sofrer acções de recuperação da vegetação endémica. “Será um habitat o mais natural possível”.

Corvo quer ser a primeira ilha habitada livre de predadores

Integradas nas acções do projecto – que prevê um investimento de um milhão de euros até 2012, co-financiados pela Comissão Europeia - foram ainda realizadas acções de educação ambiental, campanhas de marcação e esterilização de animais domésticos e acções ligadas à gestão e tratamento de resíduos.

Este projecto LIFE conta ainda definir um plano de erradicação das espécies predadoras. “Se o conseguirmos, o Corvo será a primeira ilha habitada do mundo com a característica de ser livre de predadores, tornando-a num exemplo internacional”, salientou o biólogo.

O projecto termina no final de 2012 e terá sequência no futuro. “É apenas o tiro de partida para instalar novas colónias que, depois, atraiam mais aves”.

“Em pleno Ano Internacional da Biodiversidade, a protecção activa das populações de aves marinhas dos Açores é um factor crucial para a valorização do nosso património natural”, considerou Frederico Cardigos, director regional do Ambiente dos Açores, defendendo a necessidade de se encontrar “uma metodologia para erradicar autênticas pragas, como os ratos”.

O Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal classifica o estapagado como Em Perigo e o cagarro, o frulho e o painho com estatuto de Vulnerável.

Site do Projecto LIFE

Fonte: Publico.pt

Índios brasileiros prometem ocupar sítio de megabarragem na Amazónia

Grupos indígenas do Brasil preparavam-se para ocupar o local onde está prevista a construção da megabarragem de Belo Monte, na Amazónia, depois do empreendimento ter ultrapassado uma série de desafios legais e ter sido aprovado.

"Estamos prestes a partir e esperamos ocupar já o território", disse um líder local à agência francesa AFP. "Vamos construir uma aldeia permanente e não vamos de lá sair."

A barragem de Belo Monte, um projecto com 20 anos que os sucessivos governos não conseguiram levar avante, seria a terceira maior do mundo. O Presidente Lula da Silva defende a sua construção pela necessidade de energia limpa e barata, e lembra que as necessidades energéticas do país vão aumentar 2,5 vezes até 2030. Alguns responsáveis locais defendem o projecto pela geração de emprego: 18 mil empregos directos e 80 mil indirectos, estima o Governo.

Os críticos dizem que a obra vai custar mais do que o orçamentado (o Governo fala em 19 mil milhões de reais, cerca de 8 mil milhões de euros; as empresas estimam um mínimo de 30 mil milhões de reais, quase 13 mil milhões de euros) e que a derrapagem será paga pelos contribuintes brasileiros (quem venceu o concurso para a construção é um consórcio de empresas públicas), que o máximo da produção apenas será conseguido três meses por ano, e que as cerca de 800 comunidades de índios que moram à beira do rio Xingu vão ser duramente afectadas, perdendo os peixes essenciais à sua sobrevivência e ficando isoladas de comunidades vizinhas.

Os índios contam com o apoio de várias organizações ambientalistas como a Greenpeace e algumas figuras internacionais, como o realizador James Cameron, a actriz Sigourney Weaver ou o cantor Sting. Luiz Xipaya garantiu à AFP que a luta contra o projecto não acabou com a aprovação do consórcio para a sua construção. Cerca de 150 índios vão-se instalar agora no local, contou Xipaya, e vão receber reforços: no final do mês, deverão já ser 500 e finalmente chegarão a mil, antecipa.

A construção da barragem não está garantida, apesar de o concurso para a sua construção ter acabado por se efectuar, superando duas acções judiciais que ameaçaram a sua realização até à última hora. O especialista em energia Edmar Almeida disse ao jornal Estado de São Paulo que, "se o Governo não for muito voluntarioso", a complexidade da obra traz risco de atrasos e estes "podem afectar as tarifas e inviabilizar a obra". O Governo tem estado "totalmente empenhado", acrescentou Almeida. "Mas temos uma eleição", avisou.

Fonte: Publico.pt

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Corvídeo raro existente na Nova Caledónia sabe usar instrumentos

Espécie que existe na Nova Caledónia consegue resolver problemas complexos para obter a sua alimentação

Se o objectivo é obter comida, os corvos-da-nova-caledónia (Corvus moneduloides) não se poupam a rasgos de inteligência. Investigadores da universidade neozelandesa de Auckland, que há anos investigam os comportamentos desta ave rara mostraram agora que estes corvos conseguem usar uma combinação de três objectos para chegar ao seu objectivo: a comida. A investigação foi publicada na Proceedings of the Royal Society B.

Já se sabia que esta espécie de corvo, que é endémica daquele arquipélago situado na Oceânia, manipula instrumentos na natureza para obter alimento. É aliás a única ave que o faz e, às vezes, de forma bem criativa, resolvendo problemas complexos.

A equipa da Universidade de Auckland, coordenada pelo biólogo Russell Gray, já em 2007 tinha verificado que estes corvos conseguem encontrar soluções "inspiradas" em certas situações. Num artigo publicado nesse ano na Current Biology, a equipa dava conta de uma série de experiências com estas aves, em que elas tinham de retirar o seu alimento de um orifício suficientemente fundo para não lhe chegarem apenas com o bico, nem com um pequeno palito que lhes era fornecido. Além desse pequeno pau, os corvos dispunham de uma "caixa de ferramentas" onde existia um palito maior com o tamanho necessário para retirar o alimento do orifício. Só que aceder ao palito maior só era possível recorrendo ao palito mais pequeno. Por incrível que pareça, seis dos sete corvos testados conseguiram executar a tarefa. Agora a equipa de Russell Gray acrescentou novas dificuldades às aves. Desta vez, o palito mais pequeno estava pendurado num cordel e era preciso obtê-lo primeiro, para depois resgatar o pau maior e, com aquele, retirar o alimento do orifício.

A equipa usou outras sete aves retiradas da floresta para a experiência e elas conseguiram perceber como chegar ao alimento. A equipa acredita que a base deste comportamento, só exibido também por primatas, é extremamente complexo. "Foi surpreendente ver como os corvos resolveram o problema", adiantou o investigador Alex Taylor, citado pela BBC News.





Fonte: Diário de Notícias

ONU considera Presidentes das Maldivas e da Guiana Campeões da Terra

Os Presidentes das Maldivas e da Guiana são dois dos seis Campeões da Terra de 2010, galardão das Nações Unidas que distingue a liderança na conservação ambiental. Os vencedores foram anunciados hoje.

“Cada um dos vencedores exemplificam de que forma a acção, inspiração, dedicação pessoal e criatividade podem catalisar a transição para uma economia ‘verde’ de baixo carbono e eficiente”, considera a ONU em comunicado.

O Presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, foi distinguido por ser um “defensor apaixonado da floresta e dos ecossistemas” e o Presidente das Maldivas, Mohamed Nasheed, pela sua contribuição no combate internacional às alterações climáticas.

Os outros vencedores são Mostapha Zaher, director-geral da Agência de Protecção Ambiental do Afeganistão – “dinâmico advogado da sustentabilidade” -, Taro Takahashi, cientista japonês e pioneiro na investigação do ciclo de carbono nos oceanos, Zhou Xun, actriz chinesa e famosa activista por um estilo de vida sustentável e, por fim, Vinod Khosla, empresário norte-americano na área da energia limpa e co-fundador da Sun Microsystems.

“Os seis vencedores representam alguns dos pilares sobre os quais a sociedade pode construir um crescimento verde e um caminho para o desenvolvimento que una e não divida seis mil milhões de pessoas”, comentou Achim Steiner, secretário-geral do Programa da ONU para o Ambiente (PNUA).

Os galardões, criados em 2004, foram atribuídos numa cerimónia em Seul no Dia da Terra. Reconhecem sucessos nas áreas da Visão empresarial, política e liderança, ciência e inovação, inspiração e acção, e a categoria de 2010 Biodiversidade e gestão de ecossistemas.

Fonte:Publico.pt

Em três anos foram descobertas 123 novas espécies no Bornéu


A natureza não pára de nos surpreender e, nos últimos três anos, foi isso que aconteceu no coração do Bornéu, com a descoberta de 123 novas espécies. O maior insecto do mundo e um anfíbio sem pulmões estão nesta lista, divulgada pela WWF.

As descobertas foram feitas em 220 mil quilómetros quadrados de floresta tropical densa, protegida desde Fevereiro de 2007, pelo Bornéu, Malásia e Indonésia. Estes governos juntaram-se para criar um plano de acção a fim de conservar o coração daquela ilha.

“Como o mostraram os últimos três anos de descobertas científicas independentes, novas formas de vida estão a ser constantemente encontradas no coração do Bornéu”, comentou Adam Tomasek, coordenador da iniciativa na organização conservacionista WWF (Fundo Mundial para a Natureza).

“Descobrimos, em média, três novas espécies por mês; 123 ao longo dos últimos três anos e, pelo menos, 600 nos últimos 15 anos”, contou à AFP Tomasek.

Segundo um relatório divulgado hoje pelos ecologistas, aquela região alberga dez espécies de primatas, mais de 350 de aves, 150 répteis e anfíbios e dez mil plantas que não existem em mais local nenhum do mundo.

Os três governos comprometeram-se a melhorar a área protegida, a geri-la em conjunto, a apostar no ecoturismo e apoiar o desenvolvimento sustentável.

Os especialistas acreditam que a descoberta destas espécies pode ajudar a combater doenças como o cancro ou a sida.

Fonte: Publico.pt

Terra: 40 anos de celebração e continua tudo na mesma


Quercus avisa que excesso de consumo está a destruir o planeta.

"O nosso relacionamento com o planeta Terra piorou nos últimos anos. Apesar de estarmos mais eficientes, temos cada vez mais produtos a gastar mais. A pressão sobre a Terra está a tornar-se cada vez maior", avisa Susana Fonseca, presidente da Quercus. Por isso, esta associação ambiental admite que quarenta anos depois da primeira comemoração do dia da Terra, este planeta está na mesma ou pior.

O excesso de produção e de consumo parece ser a maior das "doenças" e a que provoca o resto dos males do mundo. A Quercus aponta, até, para a iminência de um cataclismo de magnitude planetária, em que as alterações climáticas são apenas um dos sintomas.

Dados da associação ambientalista indicam que, para mantermos este nível de consumo de recursos precisamos de um planeta e meio. No caso de Portugal, o número sobe para dois planetas e meio. É como ter um frigorífico cheio de comida em casa, mas o apetite voraz exigir dois e meio para sustentar a fome.

A culpa parece ser da nossa sociedade: "É-nos passada uma imagem de consumo e de luxo, em que o valor das pessoas vem daquilo que têm e não do que são. Isto é uma atitude insustentável para quem se preocupa com questões ecológicas", diz Susana Fonseca. Uma questão de elevada importância num planeta em que três em cada quatro pessoas vivem em países em débito ecológico.

Estas são as nações que não conseguem produzir dentro das suas fronteiras os produtos que consomem, nem desfazer-se dos resíduos que produzem. "Este desrespeito pelos limites do planeta Terra acontece quando apenas mil milhões de pessoas têm uma vida abastada, mil a dois mil milhões vivem em economias de transição e cerca de três a quatro mil milhões sobrevivem com apenas alguns euros por dia", diz a responsável da Quercus.

"Quarenta anos volvidos, não temos um balanço positivo da nossa relação com o planeta Terra. Face ao conhecimento que actualmente possuímos, estamos bastante aquém", conclui a presidente.

Mas, afinal, o que é que nestes 40 anos não conseguimos alterar para mudar este cenário? Em resposta, Susana Fonseca aponta três falhas: a primeira é o excesso de produção e de consumo. "A falha maior", aponta a ecologista: "Consumimos muito mais do que aquilo que necessitamos e os indicadores que se baseiam nisto não são sustentáveis." O problema terá começado nos anos 1980 quando passamos a ter um défice de pegada ecológica. A partir daí foi sempre a piorar.

O segundo problema destes 40 anos foi o não desenvolvimento de energias renováveis. "Há muito que as conhecemos, mas ninguém investe nelas", frisa Susana Fonseca, que lamenta que a crise de petróleo de 1973 não tenha ensinado nada acerca dos problemas deste combustível fóssil.

Em terceiro vem a falta de educação ambiental, uma questão que se estende a toda a gente, inclusive aqueles que têm as rédeas do mundo: "O que me espanta é que haja um consenso sobre as alterações climáticas, mas que ninguém tenha tido a coragem para que se assine um protocolo", critica. Para a Quercus, é preciso que as pessoas saibam viver com o planeta, "sem serem agressivos".

"É preciso formar pessoas, principalmente os líderes, antes que fiquemos sem recursos. O grande problema é que estivemos estes anos todos sem ligar nada ao planeta e agora temos de aprender rapidamente como tratar dele", acrescenta Susana Fonseca.

Passados 40 anos, o cenário não é famoso, por isso a ecologista espera que quando chegarmos aos 50 anos do dia da Terra, estes três problemas estejam resolvidos: "Isto sendo bastante optimista."

Fonte: Diário de Notícias

Conservação: quatro casos de sucesso e quatro casos de fracasso

Quatro casos de sucesso

Na história da conservação da natureza em Portugal há histórias que simbolizam o sucesso na recuperação ou preservação de espécies e habitats. Estas são apenas algumas delas.

Pássaro dos Açores vai sair da extinção

No coração da floresta sempre verde da ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, há pelo menos uma ave feliz. O priôlo (Pyrrhula murina), uma das aves mais ameaçadas da Europa, está prestes a sair da categoria de “criticamente em perigo” de extinção. A União Mundial de Conservação (UICN) prepara-se para a promover em Maio, fazendo entrar a pequena ave na lista das espécies “em perigo”, revelou Luís Costa, director executivo da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

No início deste século, a população mundial do priôlo estava reduzida a um grupo de entre 120 e 140 indivíduos, concentrada num cantinho montanhoso da ilha, nos concelhos do Nordeste e da Povoação. A ave, com 30 gramas e cerca de 16 centímetros de comprimento, estava a desaparecer devido à falta de alimento. A justificação estava no “recuo da floresta laurissilva e da proliferação das espécies exóticas”, explicou.

Hoje estima-se que a população de priôlo esteja algures entre os 500 e os 800 casais.

Mas as boas notícias não são fruto do acaso. De 2003 a 2008, a SPEA conseguiu recuperar 230 hectares de floresta nativa, através do corte e do controlo da vegetação exótica e da plantação de espécies autóctones. Tudo aconteceu no âmbito do projecto europeu LIFE "Recuperação do habitat do priôlo na zona de protecção especial Pico da Vara/Ribeira do Guilherme".

“As condições de trabalho não foram as melhores por causa dos declives daquela região montanhosa”, contou Luís Costa. Apesar disso, o esforço de recuperação daquela fl oresta ainda não terminou. Em 2009 arrancou um outro projecto, "Laurissilva Sustentável", através do qual a SPEA pretende recuperar mais 120 hectares. Para isso, está já a funcionar uma estufa e um viveiro para produzir plantas nativas da ilha. “Hoje temos 19 mil plantas”, disse Luís Costa. “O nosso objectivo é chegar a 2019 com mil casais de priôlo”, num total de 350 hectares de fl oresta recuperados.

O esforço – que também envolveu a Secretaria Regional do Ambiente, a Direcção Regional dos Recursos Florestais, as câmaras do Nordeste e de Povoação e a Universidade dos Açores – já foi distinguido como uma referência na Europa. Este mês, a plataforma Birdlife International citou-o como um dos cinco melhores projectos da União Europeia.

O regresso do falcão ao Alentejo

A pouco e pouco, o território do peneireiro-das-torres (Falco naumanni), o falcão mais pequeno de Portugal, espalha-se pelas planícies do Alentejo. Mais do que uma conquista, é o regresso da espécie a locais que foi obrigada a abandonar.

No final do século XX, a espécie estava a regredir, à medida que desapareciam as suas áreas de alimento nos campos de cereais. A agricultura de sequeiro era substituída pela de regadio e as searas por olival e vinha. ~

“Esta espécie depende de um habitat agrícola específi co, com cereal de sequeiro com pastagens, onde está o seu alimento”, explica Rita Alcazar, da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) em Castro Verde.

Há cerca de 20 anos que a LPN está presente nas planícies de Castro Verde com projectos agro-ambientais para recuperar o habitat de várias espécies de aves, uma das quais o peneireiro-das-torres. Rita Alcazar recorda o desaparecimento da colónia de 80 casais que existia no Castelo de Castro Marim.

“Temos recuperado várias colónias, estabelecendo protocolos de colaboração com proprietários para recuperar paredes de montes onde as aves pudessem nidifi car”, explicou. Foram instaladas caixas-ninho e erguidas torres de nidifi cação ou muros altos cheios de cavidades para as aves fazerem ninhos. Ao todo, a LPN já disponibilizou mais de 800 novos locais de nidifi cação.

“Resultou muito bem e a espécie conseguiu aumentar rapidamente nas colónias antigas e colonizar os novos locais.” Em menos de dez anos a população triplicou. Na década de 90 existiam 150 casais e em 2006, data do último censo, eram já 450. Para dar nova ajuda, a liga tem a funcionar em Évora um centro de reprodução que ajuda as aves feridas ou as crias que caem dos ninhos.

Como prova do sucesso conservacionista, o programa LIFE 2002 a 2006 Peneireiro das Torres foi premiado pela Comissão Europeia em 2009 como um dos melhores 26 projectos para conservação das espécies.

Não significa que os bons resultados na conservação desta espécie, classificada como Vulnerável no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, se traduza num baixar de braços. Na calha estão já outros projectos, nomeadamente a construção de uma nova estrutura para nidificação no Vale do Guadiana e um esforço de reintrodução da espécie em Évora.

Foca-monge à conquista da Madeira

Os esforços para recuperar a população de lobo-marinho (Monachus monachus) da Madeira têm 22 anos. “Quando começámos a trabalhar, em 1988, existiam apenas entre seis e oito animais nas ilhas Desertas”, recordou Rosa Pires, do Parque Natural da Madeira.

A espécie, actualmente classificada como Criticamente em Perigo no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, ficou reduzida a uma população extremamente pequena: primeiro, por causa da caça para fi ns comerciais e, depois, devido à actividade pesqueira. Os lobos-marinhos, também conhecidos por focas-monge, acabavam presos nas artes de pesca, principalmente nas redes de emalhar, ou eram capturados ilegalmente. Em meados do século passado, agudizou-se o conflito entre o lobo-marinho e os pescadores, dado que ambos se batiam pelo peixe nos mares da Madeira.

As ameaças fizeram dela a foca mais rara do mundo e uma das espécies mais ameaçadas de extinção. Hoje a população do arquipélago da Madeira está estimada entre 30 e 40 animais e a sua área de distribuição deixou de ser exclusiva das Desertas e foi alargada à ilha da Madeira, com registos da sua presença desde 1997. Em 2000, este passou a ser um local de residência. “Antes só havia lobos-marinhos nas ilhas Desertas e agora estão em qualquer sítio da Madeira.”

É um facto que esta população ainda é demasiado pequena para deixar de causar preocupação, mas pode dizer-se que está em crescimento. Apesar disso, no ano passado só foi detectada uma cria, “o que não quer dizer que não tenham nascido mais”, disse Rosa Pires, explicando que 2009 foi um mau ano a nível de agitação marítima. “Não conseguimos muitos postos de observação.”

Um dos marcos nesta história de conservação é a criação da Reserva Natural das Ilhas Desertas, em 1990, cujo principal objectivo foi a protecção do lobo-marinho.

Além da monitorização contínua dos animais e da protecção do seu habitat, grande parte do esforço concentrou-se na sensibilização dos pescadores e da população em geral. “O nosso trabalho leva sempre em consideração a população madeirense, especialmente os pescadores”, explicou Rosa Pires, salientando a importância de não ignorar as suas condições socioeconómicas. “Estamos numa fase em que não podemos só criar reservas e legislação. Porque os animais não ficam confi nados a espaços.”

Laboratório de excelência no Porto

Os cientistas estão no centro da equação quando se fala de conservação da natureza. Em Portugal, há um laboratório que dá cartas dentro e fora de fronteiras.

O Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) recebeu, a 16 de Dezembro de 2008, a classificação de Excelente na última avaliação conduzida pelo painel internacional da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Foi o único centro na área da biodiversidade a receber essa distinção.

Criado em 2002, o Cibio começou a trabalhar com dez pessoas com o objectivo de aplicar a investigação à conservação. “Hoje são 70 doutorados e mais de 200 investigadores”, contou Nuno Ferrand Almeida, biólogo e coordenador científi co daquele centro, a funcionar na Universidade do Porto. O laboratório reúne investigadores das áreas da genética molecular e populacional, biologia populacional, taxonomia, ecologia, conservação e gestão dos ecossistemas e da paisagem. Do total dos investigadores, 20 por cento “não são portugueses, são de toda a Europa, Estados Unidos, China, Rússia, entre outros países”.

Actualmente, este centro de investigação tem pólos na Universidade dos Açores, na Universidade de Évora e no Instituto de Investigação Científica e Tropical, em Lisboa.

Segundo Nuno Ferrand Almeida, o centro funciona com base em três componentes da biodiversidade: diversidade genética das populações, distribuição das espécies e ecossistemas e, por fim, os recursos genéticos e a domesticação. Estas três vertentes são trabalhadas por 12 grupos de investigação. “Já há propostas para criação de mais dois grupos de trabalho que poderão avançar este ano”, adiantou.

Actualmente, o Cibio tem investigadores espalhados pelos quatro cantos do planeta, especialmente no Norte de África, em países como Tunísia, Mauritânia, Líbia e Marrocos. Ferrand Almeida explicou que colabora com as instituições responsáveis pelos parques naturais desses países para aconselhar na gestão das espécies.

O coordenador salienta o trabalho no âmbito da biologia do coelho, procurando saber, por exemplo, como se transformou a espécie selvagem em doméstica e tentando descobrir formas para fazer frente às doenças virais que ameaçam as populações.



Quatro casos de fracasso

Na história da conservação da natureza há histórias que simbolizam um fracasso na tentativa de preservar espécies ou habitats. Estas são apenas algumas delas.

Mimosa, a árvore fora de controlo

As florestas portuguesas já não conseguem esconder as flores amarelas da mimosa. Esta árvore, originária do Sul da Austrália e da Tasmânia, está hoje espalhada por todo o país de forma descontrolada. Tanto assim é que a Acacia dealbata ganhou o estatuto legal de espécie invasora. A Universidade de Coimbra (UC) acredita que talvez seja a mais agressiva em solo de Portugal Continental.

Tudo começou quando quisemos trazer esta árvore para fins ornamentais e para fixar os solos. Hoje é uma verdadeira dor de cabeça para associações fl orestais, municípios, empresas e particulares. E não é por desfear a paisagem. Elisabete Marchante, especialista em plantas exóticas e invasoras na UC, explica que a espécie, em povoamentos muito densos, “compete com as plantas nativas pelos recursos”, nomeadamente pela água, e “altera o funcionamento do solo”. Uma má notícia para as espécies autóctones, “que se adaptaram a características do ecossistema”.

Há vários anos que um pouco por todo o país se tenta controlar o avanço da mimosa. O método utilizado tem sido o corte da árvore. Mas sem grandes casos de sucesso para contar. Elisabete Marchante, investigadora do Centro de Ecologia Funcional daquela universidade, acredita que há coisas a melhorar. “A bem da eficácia, seria necessário aplicar sempre um herbicida para matar a raiz, o mais rapidamente possível a seguir ao corte da árvore. Mas nem sempre isso é feito.”

Mas mais grave é a falta de um controlo de continuidade. “Tentar controlar uma mancha de mimosas requer um acompanhamento que pode durar vários anos. Deve voltar-se várias vezes para controlar a germinação, que nunca deve ser uma operação a curto prazo.” De facto, esta árvore rebenta vigorosamente após o corte e “estes métodos nunca garantem que a mimosa não volte a germinar”. A missão torna-se quase impossível quando a mancha é de grande dimensão.

Os vários tipos de controlo de exóticas invasoras estão descritos na legislação desde 1999. Mas trata-se “apenas de linhas gerais, nada dedicado a cada espécie”. As pessoas foram tomando consciência de que esta bonita árvore é também perigosa: “Há casos de sucesso em que as pessoas se têm esforçado por não abandonar o controlo. Mas ainda há muito trabalho a fazer.”

Os últimos airos das Berlengas

As falésias rochosas das ilhas Berlengas, que albergam a única colónia do país de airos (Uria aalge), assistem ao desaparecimento desta ave marinha. Em 1995 restavam apenas 34 indivíduos de uma população que chegou a ter seis mil casais no início do século XX. Hoje, são avistadas “apenas oito a dez aves, que não se sabe ao certo se nidificam nas Berlengas”, contou Pedro Geraldes, especialista em aves marinhas da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

Escolhida como símbolo da Reserva Natural das Berlengas, esta espécie tem sofrido uma regressão drástica e hoje está classifi cada como Criticamente em Perigo pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Este estatuto tem poucas hipóteses de vir a mudar nos próximos tempos e o arquipélago, que representa o limite a sul da distribuição da espécie na Europa, poderá deixar de o ser.

Nem mesmo a criação da reserva das Berlengas, em 1981, conseguiu travar o seu declínio, cujas causas ainda não estão preto no branco. “Existem várias possibilidades, como as artes de pesca (principalmente a rede de emalhar), o aquecimento global, a diminuição dos stocks piscícolas e a pressão das gaivotas. Mas o problema é que ainda não se conseguiu defi nir a causa principal”, disse o biólogo.

Fazendo lembrar um pequeno pinguim, o airo passa a maior parte do tempo na superfície da água, de onde mergulha em busca das suas presas. Esta situação acaba por tornar a ave particularmente susceptível às redes de pesca.

E os seus “vizinhos” nas Berlengas também não ajudam, especialmente a gaivota-depatas- amarelas (Larus cachinnans), que compete com o airo nas pescarias e pode mesmo ser um predador dos juvenis. Em meados dos anos 90, a Operação Larus tentou reduzir a população das gaivotas, mas sem sucesso duradouro. “Com tantas gaivotas na ilha, não há grandes condições para o airo. Nunca houve regras para o proteger, nem um esforço directo. Nem sequer se tentou, assumiu-se logo o declínio.”

Hoje não se sabe se esta colónia terá possibilidades de algum dia vir a recuperar. “Quando uma população atinge um nível muito baixo de indivíduos deixa de ser viável, tornando-se muito sensível à predação.”

Lagoas temporárias em silêncio

Se a biodiversidade que passa despercebida aos nossos olhos tivesse um símbolo, as lagoas temporárias seriam um bom candidato. Estes corpos de água de pequena dimensão estão dispersos por campos agrícolas ou bosques um pouco por todo o país. A sua principal característica é encherem-se no período das chuvas e secarem no Verão. No entanto, esta inconstância não impediu a União Europeia de considerá-las um dos habitats prioritários para a conservação da natureza. Nelas vivem espécies de plantas e de animais especializadas, muitas delas raras e do tempo dos dinossauros. Como o pequeno crustáceo Triops cancriformis – cujos ovos podem permanecer “adormecidos” nos sedimentos secos das lagoas durante anos – ou o camarão-fada. Este animal existe apenas numa lagoa em todo o Reino Unido. Ambas as espécies, com as suas formas, fazem lembrar os seres descobertos nas profundezas dos oceanos, raramente vistos e conhecidos. É um pequeno mundo de invertebrados, mas também de sapos, rãs e tritões, que apenas sobrevive porque estas lagoas não têm predadores, neste caso, peixes. E não têm peixes porque secam no Verão.

Mas os últimos 20 anos não têm sido favoráveis às lagoas temporárias. Segundo Pedro Beja, biólogo do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO), são habitats que “passam por um processo de destruição muito rápido”, sendo drenadas e terraplenadas, principalmente por causa da intensificação da agricultura e das construções urbanas. “Estão a desaparecer pouco a pouco e sem ninguém dar por isso.”

As lagoas temporárias mais bem estudadas estão no litoral alentejano. Em 1991, o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina fez um primeiro inventário. Foram encontradas, com a ajuda de fotografi a aérea, 295 lagoas. “Em 2009 voltámos aos mesmos locais. O que lhes aconteceu foi catastrófi co”, comentou. Desapareceram 45 por cento. E Pedro Beja pormenoriza: a taxa de desaparecimento fora do parque natural foi de 16 por cento; dentro da área protegida foi de 47. “O estudo mostrou que nem por estarem em parques naturais são protegidas. São um habitat que sofre com um fracasso das estratégias de conservação”. Esta história “ilustra a perda, quase sem se dar por isso, de uma biodiversidade que estava em todo o lado”.

O adeus à águia-pesqueira

O século XX traçou uma rota de declínio para a águia-pesqueira (Pandion haliaetus) em Portugal. Foi um caminho sempre descendente que terminou em 1997 com a morte da última fêmea, enrolada numa rede de pesca.

A espécie chegou a nidifi car desde a costa rochosa da Estremadura (possivelmente Pinhal de Leiria) até à costa sul algarvia (zona de Albufeira). O declínio começou no início do século XX, marcado pela campanha do Estado contra os animais tidos como nocivos, de 1938 a 1967. A águia-pesqueira estava na lista dos animais a abater. Mas depressa se percebeu que a espécie estava a desaparecer do país. Nos anos 70 existiam três casais a nidifi car e em 1992 apenas um. Em 1997, o biólogo Pedro Beja, então no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, recuperou o corpo da última fêmea, morta, num ninho das falésias, com a ajuda de um helicóptero da Marinha. O macho acabou por desaparecer em 2002.

Apesar da espécie ter beneficiado da criação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano em 1995, “nunca houve um projecto de recuperação activa” da espécie. A primeira tentativa só começou em 1997, “quando se avaliaram as condições para uma possível reintrodução da águiapesqueira”, contou Pedro Beja, hoje investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, na Universidade do Porto. Mas esta não foi uma história de sucesso. “Em 1997 foi construída a infra-estrutura para receber o projecto, no concelho de Vila do Bispo, estabelecidos contactos com eventuais dadores [de Finlândia, Escócia, Alemanha e Córsega] e havia apoio por parte das entidades” responsáveis. A reintrodução da águia-pequeira em Portugal chegou a ser considerada o projecto mais importante para a conservação da espécie no Mediterrâneo.

Mas tudo parou em 1998 quando mudou “a presidência do Instituto de Conservação da Natureza”, contou. “O projecto só precisava de uma decisão política e dos pedidos formais aos países dadores”, notou. Algo que nunca aconteceu. Em 1999, os responsáveis desistiram do projecto. “O fracasso da águia-pesqueira é também o fracasso da comunicação das questões de conservação da natureza. É preciso comunicar o interesse e o valor das espécies.”

Fonte: Publico.pt

Quercus afirma que o planeta está à beira do cataclismo

A Quercus alertou hoje para o risco que o planeta corre de entrar em cataclismo e salientou que só em Portugal o consumo e a produção de resíduos estão 70 por cento acima da sua capacidade.

A propósito do Dia da Terra, que se assinala na quinta feira, a Quercus lembra que existe um grande défice ecológico que põe a nu a insustentabilidade da humanidade.

"Infelizmente, quatro décadas passadas desde o momento em que se designou internacionalmente um dia para celebrar o Planeta Terra, os dados indicam que o caminho percorrido não tem ido no bom sentido e a nossa capacidade de conhecer e respeitar os limites da sustentabilidade do Planeta não tem progredido", afirmam os ambientalistas em comunicado.

No que respeita a Portugal, o panorama também é negativo: segundo dados de 2009, o país tem uma pegada ecológica de 4,4 hectares globais per capita quando tem apenas uma biocapacidade de 1,2 hectares globais per capita.

Isto significa que a pegada ecológica nacional está mais de 70 por cento acima da capacidade produtiva e de processamento dos resíduos produzidos.

De acordo com a Quercus, os dados mais recentes apontam para que a civilização humana esteja "prestes a causar um cataclismo de magnitude planetária, de que as alterações climáticas são apenas um dos sintomas".

"O actual sistema de produção e consumo intensivos pode ser comparado à imagem de um cometa em rota de colisão com o Planeta Terra. Para já estamos a sentir apenas a chegada de pequenos fragmentos que acompanham o cometa principal. Contudo, a aproximação é rápida, pelo que o tempo para reagir começa a escassear", afirma a associação.

Actualmente a produção e consumo a nível global excede em 40 por cento a capacidade de carga do planeta, pelo que seriam necessários 1,4 planetas para suprir as necessidades.

Mais de três quartos da população não consegue produzir dentro das suas fronteiras os recursos que consome, nem desfazer-se dos resíduos que produz.

A pegada ecológica do cidadão europeu ocupa, em média, 4,6 hectares globais e a de um cidadão dos EUA 9,6 hectares globais, quando a disponibilidade global é de 1,8 hectares globais per capita, afirma a Quercus.

"Este desrespeito pelos limites do planeta Terra acontece quando apenas mil milhões de pessoas têm uma vida abastada, mil a dois mil milhões vivem em economias de transição e cerca de três a quatro mil milhões sobrevivem com apenas alguns euros por dia", sublinha a associação.

Por isso, os ambientalistas deixam um alerta: considerando que a população mundial em 2050 terá previsivelmente crescido dos actuais 6 mil milhões para 9 mil milhões, será necessário que os europeus reduzam a pegada ecológica para 25 por cento da actual e os EUA para 10 por cento.

Fonte: LUSA