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quinta-feira, 17 de março de 2011

Segunda viagem a São Paulo – Cananéia: matando saudades!

Por Rayssa Barros:

No dia 28 de julho deste ano (2010) tive a oportunidade de realizar mais um sonho: retornar a São Paulo e visitar alguns amigos que lá deixei.
Viajar para mim é sempre sinônimo de muita aventura e emoção, no qual começo a curtir a viagem desde o momento do vôo.
Foram aproximadamente sete horas de viagem até chegar ao aeroporto de Congonhas. A cidade vista do alto é surpreendente: uma verdadeira selva de pedra, repleta de prédios de todas as formas, tamanhos e
alturas. Mais uma vez, ao descer da aeronave, fui surpreendida com o frio da capital, cerca de 10 graus ou menos.

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domingo, 7 de novembro de 2010

Nuno Ferrand de Almeida: Nunca Olhamos para o outro País que existe

Choca-o o pessimismo das elites portugueses. Acredita que o país tem pessoas e conhecimento que lhe garantem um futuro. Diz que as crises são uma espécie de "ajustes que é preciso fazer". Como "as réplicas de um terramoto". Tem uma convicção: "Vamos dar a volta a isto."
É biólogo, director do Cibio, Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, professor do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da mesma universidade, onde lecciona Genética e Evolução. Move-se no circuito da ciência internacional. Tem 47 anos e olha para o país com um inesperado optimismo, que esta entrevista acaba por explicar. Há 25 anos não tínhamos nada. Hoje temos nichos de excelência que podem ombrear com o melhor do melhor. Um país que tem isto tem futuro.



Esta entrevista ocorreu, por acaso, no dia em que terminava em Nagoya, Japão, a cimeira da ONU sobre a Biodiversidade.



Como é que se mobilizam as pessoas para a importância da biodiversidade, quando o mundo, e sobretudo as sociedades ocidentais que normalmente financiam estas iniciativas, atravessa uma tremenda crise económica da qual não se sabe ainda bem como vai sair?



É difícil, mas penso que podemos transformar esta crise numa oportunidade. A crise resulta também do modelo de crescimento que temos tido ao longo destes últimos 50 anos, praticamente desde o pós-guerra. E, se quiser, tem raízes históricas que começam há 10 mil anos, quando o homem começa a domesticar os animais, que é o início daquilo a que chamamos hoje "civilização".



Este distanciamento do homem em relação à natureza acentua-se com a Revolução Industrial. A maior parte das pessoas começa a dirigir-se para as cidades, onde hoje vive mais de 50 por cento da população mundial. Há uma espécie de dissociação entre a nossa espécie e a nossa vivência e o mundo natural, que é o mundo que nos suporta. Basicamente, aquilo a que chamamos "recursos naturais e recursos biológicos" fazem parte de uma pequeníssima camada a que chamamos "biosfera" e que tem recursos finitos.



Explicar isso não é nada fácil...



Não é nada fácil, mas este é o momento ideal precisamente por ser um momento de crise. É preciso que as pessoas percebam - e percebem agora melhor - que alguma coisa vamos ter de mudar, porque a perda de recursos a que se está a assistir hoje, a perda dos serviços dos ecossistemas, não é compatível com a preservação do enorme nível de bem-estar que alcançámos.



Mas é difícil explicar às pessoas que o papel de uma borboleta, de um pássaro ou de um lince são fundamentais para o seu bem-estar e para a sua sobrevivência.



Isso é importante, porque cada espécie vale por si. Mas não devemos ir por aí. Devemos explicar que há uma diferença qualitativa na crise da biodiversidade em relação a tudo o resto - às alterações climáticas, à poluição, à destruição do ambiente. A perda da biodiversidade é irreversível. Não há retorno possível.



O que está a dizer é que este modelo de desenvolvimento actual é insustentável?



É. Muita investigação recente mostra uma progressiva dissociação entre aquilo que ganhamos, o nosso rendimento, e os nossos níveis de bem-estar e de fruição da vida. Atingiu-se uma espécie de patamar que põe em causa aquilo que estamos a fazer. Não temos de crescer por crescer. Há outras maneiras de avaliar o progresso.



Mas essa é hoje a lógica das nossas sociedades...



Que é incompatível com os recursos que temos, porque são finitos.



O que está a propor é uma verdadeira revolução dos nossos padrões e do nosso modo de vida. Hoje, melhorar a vida das pessoas é melhorar o seu acesso ao consumo e a bens fundamentais, como saúde e educação.



Absolutamente. A ideia de consumo vai ter de ir mudando. Há muitas outras formas de fruir a vida que podem estar muito mais ligadas à nossa satisfação intelectual e que não estão ligadas ao consumo material. Vai demorar gerações a mudar, mas acho que esta crise que estamos a viver é o primeiro grande sinal...



Que implica uma mudança de valores?



Implica uma mudanças de valores. Temos de começar a pensar a economia global em termos mais ligados à sustentabilidade. Temos de evoluir para uma economia mais baseada na avaliação dos recursos que temos à nossa disposição e, depois, para uma maior justiça da distribuição, que também é fundamental. É chocante a continuação, ou mesmo o aumento da desigualdade numa altura em que a nossa capacidade para criar bem-estar nunca foi tão grande. E seria com muito poucos recursos que nós faríamos a grande diferença nos países a que chamamos "em desenvolvimento". Com muito poucos recursos, poderíamos rapidamente aumentar o bem-estar dessas pessoas em termos de alimentação, de saúde, de esperança de vida...



Aí, saímos da ciência para o patamar da política. É preciso organizar o mundo de outra maneira.



É isso que tem falhado.



A cimeira da biodiversidade no Japão [na semana passada] pôs em evidência um padrão comum de comportamento que se pode resumir assim: os países em desenvolvimento, mesmo os que são mais avançados, como a China ou o Brasil, apontam o dedo às sociedades desenvolvidas, responsabilizando-as pelo modelo que levou à delapidação dos recursos. Mas não abdicam de copiar esse modelo. Como se sai daqui?



A única via é a educação. É evidente que a ambição de países em vias de desenvolvimento que estão em grande crescimento é copiar os países ricos. Quando se pensa na China ou na Índia ou no Brasil, é isso que se vê.



Mas a natureza não aguentará?



Não aguentará. Já estamos a consumir muito mais do que aquilo que o planeta nos pode dar. Todos os estudos nos mostram isso, que está hoje traduzido na metáfora da pegada ecológica. Se continuarmos assim, vamos precisar de muito mais em muito pouco tempo e isso pode levar-nos a uma situação insustentável.



Que pode ameaçar o próprio homem?



Que vai, pelo menos, desencadear conflitos tremendos pelos recursos.



Este para mim é o momento ideal, por causa da crise, para começarmos a discutir estas coisas. E sou optimista, na medida em que penso que se tem vindo a fazer cada vez mais para resolver estes problemas a nível global. Nunca tivemos na ciência níveis tão avançados, em particular na biologia, e a biologia vai ser a ciência do século XXI. Já é um lugar-comum dizer isto. Atingiu níveis de maturidade e de aplicação que atingem todas as esferas da vida, da saúde ao ambiente, até à compreensão do mundo que nos rodeia e à compreensão da nossa própria natureza. O que é que somos, porque é que somos assim. É uma diferença qualitativa em relação à química e à física, que marcaram o século XIX e o século XX. Estamos a falar dos gnomas, da possibilidade de mudar geneticamente as plantas e os animais e isso é uma revolução que nos poderá permitir, por exemplo, responder a muitas das necessidades dos países em desenvolvimento, tornando a sua agricultura mais sustentável e as espécies mais resistentes.



A diferença hoje é que a biologia nos permite uma reflexão sobre o mundo e sobre nós próprios que, se calhar, não tínhamos tido antes. E sobre a partilha da vida com muitos outros milhões de espécies, algumas que estão ainda por conhecer e que vão ser fundamentais para o nosso bem-estar no futuro. Este vai ser um século marcado pela biologia e marcado por uma nova perspectiva que ela nos permite ter em relação ao planeta e a nós próprios. Sem dúvida.



Mas falta a tal resposta política, o governo global que possa harmonizar tudo isso, para conseguir concertar interesses.



Falta. Mas penso que isso chegará cada vez mais aos grandes líderes mundiais por imposição das sociedades. Há um registo pessimista em relação à crise mundial - e, já agora, em relação à crise portuguesa - que não partilho. Se pensar que há 20 anos praticamente não havia investigação em Portugal e hoje estamos no nível em que estamos em menos de uma geração...



Em Portugal, temos a sensação que não sabemos o que nos pode acontecer no dia de amanhã. Há um discurso dominante profundamente derrotista...



Tremendo. Nas elites portuguesas instalou-se um pessimismo tremendo...



Como é que um cientista olha para tudo isto?



Sou optimista por natureza. Ainda sou relativamente novo, mas sei exactamente o que era Portugal há 25 anos, quando entrei para a Universidade do Porto, e o que se fez desde aí. Tinha 11 anos no 25 de Abril, mas sei como era Portugal antes disso. Estávamos fora do mundo.



Assistir em menos de 25 anos à transformação que se viveu em Portugal é um privilégio absolutamente extraordinário. Há 20 anos, eu nunca imaginaria que poderia ter um centro que faz investigação no mundo inteiro e que não fica nada atrás dos melhores centros do mundo e estou a falar de Berkeley, Cambridge ou Oxford. E ainda menos imaginaria - falo pela minha experiência, mas isso é visível em muitos outros centros de investigação em Portugal - que seríamos capazes de atrair tantos estrangeiros. Quase 50 por cento dos 1200 investigadores contratados nos últimos dois anos pelo Programa Ciência são estrangeiros e isto diz alguma coisa.



Nem nos apercebemos disso.



Mas isso é fundamental. O caminho tem de passar pela aposta na ciência e isso tem sido feito de uma forma notável. Nos últimos dez, 15 anos conseguimos chegar ao topo dos países que mais têm investido na ciência...



Mas partimos de uma posição muito recuada.



É verdade, não havia nada, ou havia pouco. Mas quando se fala hoje em 5 ou 6 mil artigos científicos publicados e reconhecidos internacionalmente [por ano], isso representa um avanço extraordinário. É quase um milagre. O número de doutorados... E disso as pessoas falam pouco e é preciso que falem muito mais. É preciso falar muito mais das pessoas que trazem conhecimento para cá e que produzem conhecimento cá.



É por isso que me choca muito o pessimismo constante das elites portuguesas. E isso tem reflexo sobre as pessoas. Esse pessimismo cola-se-nos à pele.



Como é que o explica? Mede-se tudo pelo défice?



Em parte é isso. Não sei. Mas não sei porque nunca se olha para o outro país que existe. Existem dois países. Todos os países têm dois países, mesmo que em Portugal essa diferença seja mais acentuada. Mas há 25 anos não tínhamos dois, tínhamos um, que era mau. Hoje temos um país que se distingue nas ciências, nas artes, na literatura, no desporto.



Mas há aquela sensação de que, quando estamos quase a conseguir o nosso objectivo de sermos "europeus", qualquer coisa nos impede. Historicamente, parece que nunca conseguimos percorrer a última milha. Acha que é isso que desmoraliza as pessoas?



Percebo isso. Mas a mim não me desanima. E digo-lhe já porquê: nunca achei que isso fosse possível numa geração. É preciso mais tempo. Estamos a falar de países como a Inglaterra, a França, a Alemanha, que têm uma tradição de mais de 100 anos de investigação e de produção de conhecimento, de reflexão, que nós não tínhamos. Vivíamos completamente marginalizados dessa Europa. Há 30 anos não havia um paper.



Penso que as nossas elites estão um bocadinho gastas na maneira como olham para o lado antigo do que foi Portugal, quando temos ao lado um país a desenvolver-se muitíssimo e a mostrar que é perfeitamente capaz de ombrear com os mais desenvolvidos. Claro que ainda temos o resto, que ainda pesa. E que alimenta essa espécie de frustração que se transmite nesse discurso e que é má, porque leva facilmente as pessoas a desanimarem, a acomodarem-se... Penso que é a nossa obrigação, e também da comunicação social, dar conta desse outro país. Não quero com isso desculpar algumas lideranças...



Justamente, temos hoje muito mais gente educada, universidades muito melhores, uma massa crítica que deveria ser mais exigente. Como é que se explica, então, a fragilidade das lideranças políticas?



Há aí uma contradição para a qual não tenho resposta. Há uma espécie de alheamento em relação ao serviço público e há uma espécie de dissociação progressiva em relação aos partidos e às pessoas que nos governam, que me assusta um pouco... Não sei responder a essa pergunta, só sei que ela faz parte das interrogações que muitos de nós colocamos.



Mas não há também uma responsabilidade das pessoas? Talvez que o país mereça uma coisa melhor e não se esteja a esforçar-se o suficiente para a ter?



Talvez. São contradições e desequilíbrios que julgo que resultam de transformações muito aceleradas do tecido social português. Este pode ser um momento em que isso seja muito visível.



Há já alguns anos perguntei a Manuel Castells onde estava a força maior da sociedade americana. A resposta foi curta: nas suas universidades. Artur Santos Silva dizia, numa entrevista que lhe fiz recentemente, que é nesse conhecimento acumulado nas nossas universidades que vamos de ter de ir buscar as condições do nosso futuro. Temos de transformar isso em valor económico. Como é que se faz isso?



Concordo absolutamente com essa visão, acho que é o único caminho. Muita gente, mesmo lá fora, tem dito isso mesmo. Mas aquilo que falta - a ligação entre o saber e a economia - é o que leva mais tempo. Outros países têm mecanismos muito mais eficazes para essa transferência, vão buscar às universidades o conhecimento para o transformar em valor acrescentado. Nós aí somos ainda muito mais frágeis.



Não pode ser o professor universitário a fazer isso, porque não o consegue. É mais uma dessas contradições ou desequilíbrios do nosso desenvolvimento. Mas as coisas começam a acontecer. Posso dar-lhe um exemplo da Universidade do Porto. Temos hoje três cátedras convidadas abertas - é a única universidade do país que as tem no domínio da biodiversidade -, que estão a atrair imenso interesse...



O que é uma cátedra convidada?



É um programa que o Ministério da Ciência e Tecnologia lançou e que tem como base o financiamento combinado da Fundação de Ciência e Tecnologia, a 25 por cento, e de uma empresa, a 75 por cento. Foi uma ideia excelente para promover a passagem de conhecimento que é desenvolvido nas universidades para as empresas. E estamos precisamente a lançá-las neste momento de crise. Já recebi telefonemas do estrangeiro, de Inglaterra, a perguntarem-me como é que um país que está à beira da falência está a lançar estas iniciativas na área da biodiversidade.



Vamos contratar três professores catedráticos, provavelmente fora - a ideia é trazer talentos de fora do país. As cátedras são suportadas pelo BES, pela Refer e pela EDP. A ideia é desenvolvermos precisamente aquilo em que ainda falhamos mais. O que temos de fazer é, em primeiro lugar, criar uma massa crítica, uma elite científica sólida e numerosa, como estamos a fazer, e depois, em consequência da geração de novas ideias, vão nascer novas empresas. Já estão a nascer. São cada vez mais.



Mesmo assim, o nosso tecido empresarial ainda não parece capaz de absorver os jovens que as universidades estão a educar. Essa é outra forma de impedir a utilização desse saber acumulado.



É mais uma dificuldade. Alguma coisa tem de ser feita. E esse problema também existe em outros países europeus. Veja o brain-drain da França para os Estados Unidos...



Em França é outra coisa, creio. Tem mais a ver com burocracia e menos com capacidade empresarial. Aqui, as empresas parece que não absorvem as pessoas mais qualificadas, que podiam, de facto, alterar a forma como fazem as coisas.



Isso é verdade. É mais difícil mudar uma empresa do que uma universidade. Isso, para mim, explica-se também pelas transformações aceleradas que vivemos e pelos desequilíbrios que elas geram. O que, para mim, é importante é ver que esses jovens portugueses são já competitivos. Veja o sucesso dos jovens investigadores portugueses no European Research Council no Verão passado. Muitos deles na área da biologia, num domínio altamente competitivo onde Portugal parte em desvantagem em relação aos outros concorrentes.



Hoje, o que está a sustentar as faculdades de ciências é a biologia. Colocam 200 alunos de Biologia por ano e, se for a ver, a Física quase não tem alunos. É impressionante. Há 20 anos, a Biologia era um curso para professores de liceu. Hoje já não há ninguém que vá para lá com esse fim. Vão porque a Biologia é a ciência do futuro, e eles sabem isso, tem a ver com muitos outros sectores de actividade...



E isso não se deve ao medo da matemática?



Não, não acho. As pessoas sabem a importância da biologia e também sabem que a biologia absorveu imenso da química, da física, da matemática e tem imensas áreas de intersecção, não só com estas disciplinas mais exactas, como com a medicina, com o ambiente e até com a economia... Esse é um campo em grande desenvolvimento...



Que também pode ter impacte no desenvolvimento industrial nas área dos medicamentos, das biotecnologias. Há aqui um potencial...



Sem qualquer dívida. E há outra coisa, que já foi muito referida mas que nós nunca verdadeiramente aproveitámos, que é a nossa situação geográfica e a língua.



Esse é agora o discurso em moda. Descobrimos que não podemos colocar as fichas todas na Europa e que temos de começar a olhar para o Atlântico. Isto também faz sentido do ponto de vista de um cientista?



Faz todo o sentido. O Brasil é o país mais rico em biodiversidade. Temos aí muito espaço, porque desenvolvemos núcleos de excelência com os quais eles querem cooperar. Tenho muitíssimos alunos do Brasil a trabalhar cá e podiam ser muitos mais.



Temos de ir por aí: aumentar o nosso relacionamento com o Brasil em todas as áreas, incluindo na ciência e tecnologia.



E o resto do mundo? Podemos tirar mais partido da economia global? Também na ciência?



Os Estados Unidos são cruciais. Mais tarde vamos beneficiar de todo o esforço de investimento, feito nos últimos anos, com as parcerias que foram desenvolvidas com várias instituições de referência americanas - MIT, Carnegie Mellon, Austin Texas, Harvard Medical School. Estamos a falar das melhores universidades do mundo. Obviamente que há o espaço europeu, onde já nos movemos muito bem. Há o potencial da relação com o Brasil e toda a comunidade de língua portuguesa até Timor. É simbólico estarmos hoje aqui no Instituto de Investigação Científica Tropical, que para mim devia ser o motor e é o motor dessa relação. E há outro aspecto que, para mim, é muito importante por razões que ultrapassam a biologia e que são os países do Magrebe.



Temos alguma presença nesses países?



Temos uma relação muito sólida com as universidades desses países. O Cibio tem uma série de protocolos e projectos de formação avançada com alguns. Se apostarmos nessa formação avançada, estamos a criar laços com pessoas que vão ser as futuras elites decisoras. Somos muito bem aceites, porque há dificuldades de relacionamento com os antigos países colonizadores. E isso tem uma importância política e estratégica fundamental para a Europa, sobretudo depois do 11 de Setembro.



Antes de começarmos esta entrevista, estava a explicar-me a importância do reitor da Universidade do Porto na sua afirmação internacional. As lideranças podem, portanto, fazer a diferença?



Houve uma série de circunstâncias que fizeram com que várias pessoas com um papel muito relevante na ciência mundial tivessem regressado, trazendo com elas a sua experiência. Estou a falar de nomes como a Maria de Sousa, o Alexandre Quintanilha, o Sobrinho Simões, etc..., que se juntaram na Universidade do Porto e que criaram centros de excelência a nível internacional. Isso atraiu muita gente de toda a parte, estudantes e investigadores de muito talento que foram à procura dessas pessoas e do exemplo e da visibilidade dessas pessoas. Tudo isso é anterior aos últimos quatro ou cinco anos. Mas, depois, há esse esforço, que tem sido conduzido pelo professor Marques dos Santos e que tem mobilizado, como nunca se conseguiu fazer antes, toda a universidade.



Está a dar dois exemplos de como as pessoas que não se sujeitam às circunstâncias fazem toda a diferença.



Fazem completamente. O que o reitor também conseguiu fazer foi outra coisa muito importante que foi passar a Universidade do Porto a fundação, e isso significa um salto muito significativo em relação ao passado...



Quando o ministro Mariano Gago criou as fundações, foi tão criticado que parecia que ia acabar o mundo...



(riso) Exactamente. Mas agora tenho a certeza que muita gente vai fazer o que fez a Universidade do Porto. Isso, para mim, é mérito absoluto dele. Esse tipo de lideranças são absolutamente essenciais e sentimos muito a falta delas. Marcam completamente a diferença.



O retrato que acaba de fazer da ciência em Portugal fez-me lembrar que temos um caso muito interessante: o mesmo ministro da Ciência e Tecnologia há 15 anos, com um pequenino hiato de dois anos pelo meio. Damos pouco por isso, mas, se calhar, foi muito importante.



É absolutamente fundamental. E o ministro já tinha tido um papel anterior, quando liderou a antiga JNICT [Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica]...



Ainda no tempo dos governos de Cavaco Silva...



Exacto. Tem, de facto, um talento e uma percepção das prioridades e de como fazer o desenvolvimento científico do país que é, para mim, inigualável. Pode discordar-se ou concordar-se com isto ou aquilo, não é isso que interessa. Eu sou muito a favor da rotatividade, mas, neste caso, não há dúvida que o professor Mariano Gago deixou para sempre uma marca de mudança que acho que já não volta para trás. Quero acreditar que já não volta para trás, mas penso que a nossa posição ainda é frágil e que é preciso continuar.




Nuno Ferrand de Almeida: Nunca se olha para o outro país que existe

Continuo a pensar que era bom que estas coisas ligadas ao desenvolvimento científico fossem objecto de um pacto de regime para ficarem independentes da conjuntura política. Era bom que fosse claro, e para mim ainda não é completamente claro, que estas políticas são para continuar.



Se lhe perguntar como vê o país daqui a dez anos, o que responde?



Vamos dar a volta a isto. É como as réplicas depois de um terramoto. [As crises] são ajustes que é preciso fazer, que podem ser difíceis, que resultaram de perspectivas provavelmente falhadas. Mas vejo isso como um processo que é normal num país com um desenvolvimento tão acelerado como aquele que vivemos nas últimas décadas. Estou optimista. Temos hoje pessoas e conhecimento como nunca tivemos, temos níveis de bem-estar como nunca tivemos. Temos a obrigação de transmitir para nos tornarmos num país com níveis de cultura e de educação muito maiores a todos os níveis. Temos de fazer com que as pessoas se apercebam desses recursos e que percebam que podem ser utilizados.

Fonte: Ecosfera, O Público

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Rede Natura marítima em Portugal está atrasada e é insuficiente segundo a SPEA


Portugal está atrasado na declaração das zonas de protecção especial (ZPE) para aves marinhas. De acordo com a legislação comunitária, os estados-membros têm de designar ZPE no mar, a integrar na Rede Natura.

Em Portugal, uma das áreas já identificada como prioritária é a área envolvente do arquipélago das Berlengas, frente a Peniche. Uma área em que a SPEA tem trabalhado e que quer ver classificada o mais rapidamente possível.

Mas a área proposta pelo Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) é menor do que a que a identificada pela SPEA.

"Caso o Governo português não queira avançar com a nossa proposta teremos de avançar nós com uma queixa formal à Comissão Europeia”, lamenta Iván Ramírez, coordenador do Programa Marinho da SPEA.

Maria de Jesus Fernandes do ICNB responde que o instituto cruzou dados de várias fontes e que a área proposta ”é já bastante vasta e eventualmente a mais significativa.”

A designação como ZPE deverá acontecer ainda este ano. Para o Presidente da Câmara de Peniche, é fundamental conciliar a conservação das aves com as actividades económicas como a pesca.

O autarca tem, no entanto, a consciência que a designação da ZPE pode ser um factor distintivo e positivo para as Berlengas. António José Correia acredita que “há uma dimensão económica que está para além da pesca; há actividades como a observação das aves que podem gerar outro tipo de empregos”.

Fonte: SIC, Programa Terra Alerta
http://sic.sapo.pt/online/noticias/programas/terraalerta/Artigos/20100926+Sobre+o+Mar.htm

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Populações de lince ibérico mais ameaçadas


Um dos três linces-ibéricos encontrados mortos este fim-de-semana em Doñana, Espanha, foi vítima de traumatismos múltiplos provocados por doze disparos, informaram as autoridades.
Esponja era uma fêmea com dois anos e meio e fazia parte do núcleo populacional de Puebla de Aznalcázar. De acordo com os resultados à necropsia, realizada no Centro de Análises e Diagnósticos da Consejeria de Médio Ambiente, foram encontrados, pelo menos, doze projécteis que atingiram os órgãos vitais do animal, noticia o “El Mundo” online. Dois encontravam-se alojados no crânio, quatro no peito, três na zona torácica, um na zona abdominal ventral, um no terço posterior e um último numa das extremidades posteriores. Esponja foi encontrada junta à estrada A-494 de Moguer (Huelva).
Este ano já morreram sete linces a viver em estado selvagem na região de Doñana. Este número significa que já se perdeu mais de dez por cento de uma das duas únicas populações viáveis do planeta.
Só no fim-de-semana passado foram encontrados mortos três animais, entre os quais Caribú (nascido em 2005) , lince que, no início do ano, atravessou a fronteira para Portugal e aí permaneceu três dias. Os outros foram Esponja (2008) e Fario (2009).
Para reforçar as populações selvagens de lince-ibérico (Lynx pardinus), a espécie de felino mais ameaçada de extinção do planeta, as autoridades espanholas começaram a libertar seis animais em cercados de aclimatação em Guadalmellato, Córdoba. Entre 14 e 21 de Dezembro foram libertados os primeiros três casais: Caberú e Charqueña, Cascabel e Diana e Elron e Eclipse. Todos provêem da população de Andújar-Cardeña. O objectivo das autoridades é que aqueles cercados, com cerca de quatro hectares, funcionem como elemento de fixação e de reprodução. Em Abril, Charqueña deu à luz três crias.
Quanto ao programa ibérico de reprodução em cativeiro, este ano conseguiram sobreviver nove crias, comparadas com as 17 conseguidas em 2009. No total, desde as primeiras crias de Saliega, em 2005, já nasceram 50 animais no âmbito do programa.

fonte: O Público

sábado, 12 de junho de 2010

SENSIBILIZAÇÃO AMBIENTAL: UMA REAÇÃO EM CADEIA! - Brasil


No dia 05 de junho de 2010 foi comemorado por nós o dia do meio ambiente, no qual foi realizado na Reserva Particular do Patrimônio Natural REVECOM a I Trilha Interpretativa em Comemoração a semana do meioambiente.
O evento contou com alunos do curso de Biologia da Universidade Vale do Acaraú – UVA, além de alunos da Universidade Federal do Amapá-UNIFAP, dos cursos de Ciências Ambientais e Biologia. Participaram também biólogos, professores e outros colegas interessados na causa ambiental.

O evento foi muito produtivo, uma vez que seu objetivo central era disseminar a Educação Ambiental, utilizando os conceitos de cidadania baseados principalmente na carta da terra, além de ressaltar o respeito do ser humano para com os outros seres vivos. A atividade teve a duração aproximada de seis horas e contou com a nobre presença do coordenador geral da RPPN REVECOM, Dr. Paulo Neme do Amorim, no qual o mesmo conduziu os participantes por grande parte do trajeto.

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Especies extinguidas: un síntoma irreversible del deterioro ambiental

La enfermiza relación que el hombre mantiene con su entorno natural tiene uno de los síntomas más alarmantes en la extinción de especies, dado su carácter de daño irreparable al patrimonio natural de toda la humanidad. Si bien en la historia evolutiva de cada especie existe el riesgo, más o menos lejano en el tiempo, de una casi segura extinción como la testimonian numerosas formas de vida que los paleontólogos permanentemente exhuman, el hombre se ha convertido en el principal factor de aceleramiento de dicho proceso usando para ello todo el arsenal que la civilización y la tecnología pusieron a su alcance consciente o inconscientemente.

Se calcula que por culpa humana ya han desaparecido del planeta unas 200 especies de anfibios, reptiles, aves y mamíferos desde 1600, tratándose en la mayoría de los casos de especies que poblaban pequeñas islas o áreas muy limitadas y que el ritmo de extinción actual es tan creciente que solo en el caso de las aves se estarían perdiendo 2 especies cada 3 años y que para el año 2000 se perdería una especie por año.

Estas cifras tan alarmantes nos obligan por si solas a esmerarnos en evitar esta verdadera "erosión genética" que nos priva entre otras cosas de especies que, amén de cumplir con roles peculiares y a veces irremplazables en los ecosistemas naturales, y de merecerse como cualquier otra forma de vida el pleno derecho a vivir que por sí solo debería ser un motivo que aconseje su cuidado y preservación, guardan numerosos secretos que pueden serla a la humanidad toda de sumo beneficio. Porque ¿Quién puede garantizar alguna medicina, látex, colorante, frutos, carne, etc, que nos ayudaran a subsistir en las diferentes regiones que el hombre se ve obligado a poblar llevado por la creciente explosión demográfica? ¿Qué mejor que una especie adaptada a esos ámbitos durante milenios para hacer posible o al menos grata la existencia en esos parajes recónditos que aceleradamente vamos poblando?.

Las pieles o cráneos que han quedado en los museos, las pinturas o fotos que se conservan de esas especies difuntas, de poca ayuda serán para responder esos interrogantes. Solo nos servirán como una ilustración fúnebre y concreta de la masacre producida y actuarán como una carga permanente en nuestra conciencia. Lejos de disminuir por el creciente movimiento verde o ambientalista que parece irse multiplicando en el mundo, la extinción de especies en nuestros días continúa sin indicios de mermar la celeridad con que se produce a pesar de todos los esfuerzos en sentido contrario que realizan cientos de entidades y distintas personalidades en todo el planeta. Es que, lamentablemente para muchos ecologistas o ambientalistas, la extinción de las especies, es decir, la pérdida de la biodiversidad o de la diversidad genética, al igual que la cuestión de las reservas naturales para amparar dicho patrimonio, resulta en apariencia una cuestión menor comparada con otras temáticas que parecen influir más directamente sobre la humanidad toda, especialmente sobre el hombre urbano que vive rodeado de smog y de ríos contaminados. Por ello el aparente desinterés, y la consecuente falta de espacio en los medios de difusión que cubren las noticias relacionadas con esta apasionante cuestión.

Y esto es importante recalcarlo ya que el desconocimiento general y la falta de una conciencia colectiva sobre esta temática debe considerarse como una de las principales causas de extinción.
¿Cómo defender una rana exclusiva de un pequeño arroyo o laguna si el turista que visita el paraje, lo contamina y arruina, creyendo que en definitiva el mismo es una simple laguna o un arroyo mas de esa región y no el hábitat exclusivo de una especie endémica, es decir única en el mundo de ese sitio?. Pero desde ya que no faltan otras razones y en un listado de mayor a menor implicancia aparece la transformación de ambientes naturales como la principal causa de extinción. En el poblamiento progresivo de todos los biomas del planeta, el hombre ha talado bosques y selvas milenarios, a veces en pocos minutos, valiéndose del fuego, ha transformado pastizales en campos de cultivo o pasturas e introdujo animales domésticos que alteraron la composición y la dinámica natural de las comunidades vegetales, creando muchas veces importantes focos de erosión, especialmente en las zonas áridas. Todos estos procesos privan a las especies de vastas superficies de su hábitat, fragmentando y disminuyendo sus poblaciones hasta llevarlas a la extinción.

Otro importante flagelo que contribuye a la extinción de las especies es la caza y la extracción de árboles y plantas con fines madereros, medicinales u ornamentales que tiene su máxima expresión, sin el tráfico comercial de pieles, cueros, plantas y animales vivos, y que especialmente en nuestro país reviste características alarmantes promoviendo la desaparición de las especies más codiciadas.

Estos factores unidos a la creciente contaminación ambiental, la introducción de especies exóticas que se asilvestran compitiendo con las nativas y el efecto fatal que tienen algunas enfermedades cuando las poblaciones disminuyen tanto que alcanzan un número o estado crítico, resultan mortales para numerosas formas de vida.

Son muchos los casos que a nivel mundial podríamos recordar en una fúnebre reseña de las especies perdidas de la fauna, pero referiremos solo algunos a modo de ejemplo.

Así en el Estrecho de Bering alguna vez pobló la ritina o vaca marina de Steller (Hydrodamalis stelleri), pariente gigante del dugón y el manatí, que se extingue solo 27 años después de su descubrimiento victima de los arpones de los balleneros que recorrían el estrecho. Se calcula que su población nunca debió haber superado los 1.500 ejemplares, y a pesar de que en el siglo XVIII las incursiones humanas por la región no eran muy frecuentes, bastaron para aniquilarla por completo.

La colonización de Sudáfrica cobró dos víctimas espectaculares: el hipotrago azul (Hippotragus Iencophaes) un gran antílope de cuernos curvados en forma de sable y el cuaga (Equus quagga) que parecía una mezcla de cebra y asno con rayas solo en la parte delantera. El primero solo vivía en un área muy restringida y comenzó a enrarecerse hacia 1774. Si bien en 1781 existía todavía una población aislada en un pequeño valle, cuando Henry Lichtenstein atravesó la región en 1803 tuvo noticias que el último había sido capturado en 1800. El cuaga, que alguna vez pobló en grandes manadas la zona de colonia del Cabo, fue capturada principalmente por los Boers (colonos holandeses) para alimentar a los trabajadores nativos. La persecución fue tan encarnizada que se estima que ya había desaparecido en estado silvestre hacia 1860. Los últimos sobrevivientes cautivos murieron en los zoológicos de Berlín y Ámsterdam en 1875 y 1883 respectivamente.

En Norteamérica se concentra uno de los listados negros más numerosos y que comienza con la exterminación total del pato del Labrador (Camptorhynchus labradoricus) por culpa de los cazadores y recolectores de huevos que lo diezmaron enrareciéndolo hacia 1860-1870. El último del que se supo, fue cazado en Long Island en 1875.

Continua con la paloma migratoria (Ectopistes migratorius) que al decir de Audubon con sus grandes bandadas oscurecía el cielo durante sus migraciones y que fue cazada en grandes cantidades comercializándose incluso su carne salada en grandes toneles, lo que sumado a la destrucción de los bosques de la zona oriental de los EEUU la privó del hábitat necesario tanto para anidar como para trasladarse durante sus migraciones. Hoy se cree que la disminución tan abrupta de esta abundante especie debió verse acelerado por alguna epizootia (o enfermedad) que hizo estragos en poblaciones artificialmente reducidas. La última de estas palomas en estado silvestre fue muerta en Wisconsin en 1899 en tanto que el último animal cautivo murió en 1914 en el zoológico de Cincinnati.

Otro caso interesante es el de la cotorra de Carolina (Conuropsis carolinensis) que acusada de ser una plaga de los manzanos y otros cultivos fue combatida con saña, destruyéndose incluso sus nidadas coloniales en arboles agujereados. Hacia 1870 se había enrarecido bastante en estado silvestre, pero había, tantas cautivas que se pensaba con optimismo que su recría seria todo un éxito. Lamentablemente la descoordinación existente entre los zoológicos (similar a la que vemos en Argentina en estos tiempos) no permitió el intercambio de ejemplares y la última murió en 1914, igual que la paloma migratoria, sin dejar descendencia.

La enumeración puede ser mucho más extensa y los detalles singulares de cada caso más o menos escalofriantes, pero creemos atinado dedicarnos ahora con algún detalle a nuestras especies extinguidas para asumir nuestras propias culpas, e intentar corregir el rumbo a tiempo.

Si bien el deficiente relevamiento biológico de nuestro territorio presenta numerosas lagunas de información, cada vez parece contar con menos apoyo oficial para profundizarse y completarse, lo que no permite efectuar un listado verídico y completo de las especies perdidas, nos referiremos a los casos más consensuados.

Entre los mamíferos contamos con un caso seguro de extinción, el del zorro-lobo de las Malvinas (Dusicyon australis) que al igual que el lobo de Jápon (Canis hodophilax) y el caracará de Guadalupe (Polyborus lutosus), otras especies insulares, fue acusado de plaga y en consecuencia exterminado con bastante rapidez. Era el único mamífero terrestre del archipiélago malvinense y a el se refirieron todos los viajeros que allí recalaron desde Byron y Bougainville hasta Darwin, quien obtuvo algunas pieles hoy depositadas en el Museo de Londres y se asombró de la mansedumbre de la especie que se acercaba sin desconfianza al mostrarle cualquier cebo a la distancia, lo que permitía acuchillarlo desde muy cerca. Fue el mismo Darwin, el que basándose en lo antes expuesto profetizó su extinción en el corto plazo. Así se calcula que hacia 1876 se capturó el último. Unas pocas pieles de estudio y la pintura de la ‘’Zoología del Beagle’’ es lo poco que nos resta, permitiéndonos apreciar su larga pelambre y la punta de la cola blanca que resultaba una rareza en el género Dusicyon. Hay quien sospecha que además de la mala fama de que gozaba entre los ganaderos insulares que lo acusaban de atacar el ganado ovino, hecho que ya nunca podrá ser corroborado, la incursión de buques peleteros o loberos que efectuaron grandes cacerías podrían haber sido el principal motivo de su declinación.

Las aves cuentan con un caso muy notorio: el del guacamayo violáceo o ‘’guaá-hovih’’ de los guaraníes (Anodorhynchus glaucus) un papagayo grande, de color celeste-verdoso que habría sido expectable hasta mediados del siglo XIX en Paraguay, norte de Uruguay, el sur de Brasil y el nordeste de Argentina. Por lo poco que sabemos de naturalistas como el Padre Sanchez Labrador, Félix de Azara, Alcides D’Orbigny y Martin de Moussy parecía habitar los campos con isletas de selva, palmares y fajas selváticas a lo largo de los ríos y no las selvas continuas ni los ambientes espinosos (ó xerófilos) y se alimentaba de frutos de cáscara dura como los de las palmeras que partía sin dificultad con su formidable pico. Las causas de su declinación son un verdadero misterio. Se sabe que se lo capturaba como ave ornamental e incluso para consumo humano y puede que esas capturas, la alteración del ambiente por la creciente colonización de la región, y en especial de sus aéreas de cría, combinada con alguna peste lo hayan llevado a la declinación final. En cuanto a la fecha de su desaparición se señalaba los comienzos de este siglo pero existirían registros de animales cautivos en el zoológico de Buenos Aires en 1936 y un registro visual del norte uruguayo de 1950.

Otras especies emparentadas que se habían extinguido por completo en el país, pero que afortunadamente subsisten aun en países vecinos son el guacamayo rojo o ‘’guaá-piutá’’ (Ara chloroptera) que convivió en el nordeste con la especie anterior, y el guacamayo verde o militar (Ara militaris) que alguna vez pobló las selvas salteñas y del que conservamos solo algunas pieles en los museos. Lamentablemente aun suelen aparecer ambas especies en el comercio clandestino tanto nacional como internacional. Sobre la situación actual (2010) de estas dos especies recomendamos la consulta de ‘’ Los que se Van. Tomo 1’’ del mismo autor (Chebez, 2008).

Finalmente comentaremos, con alguna esperanza, la historia del chorlo o zarapito esquimal o polar (Numenius borealis), un chorlo de pico curvado que anidaba en las zonas árticas y migraba a través de toda América escapando del invierno boreal y llegando a nuestro país tan al sur como Tierra del Fuego. Fue cazado en gran cantidad especialmente en el hemisferio norte, donde alguna vez Audubon se sorprendió por su numerosidad. Según crónicas de la época las pilas de animales muertos competían en altura con las del carbón que se utilizaba para alimentar a las primeras locomotoras. Lo cierto es que empezó a mermar y ya en la primera mitad de este siglo sus únicos hallazgos en nuestro país fueron comunicados como verdadera rareza. Si bien por los años transcurridos merecería figurar ya para nuestra fauna como una especie extinguida, la aparición de ejemplares aislados y en pareja en la década del ’70 en Norteamérica, nos permite alentar alguna esperanza respecto de la especie, que aun podría estar invernando en algún rincón aislado de nuestro país.

Como vemos, los argentinos ya tenemos motivos propios para alertarnos y preocuparnos por el futuro de nuestro patrimonio natural, de lo contrario, comentarios necrológicos como este se sucederán cada vez más a menudo.
Solo cambiando nuestro desinterés en estas cuestiones, permanentemente desplazadas de los focos de atención pública por situaciones políticas y económicas coyunturales, podremos revertir el camino inevitable a la extinción que corren muchas otras formas de vida (a las que nos referiremos en futuras notas), sino correremos el riesgo de ser los dueños y señores absolutos del planeta, pero nos sentiremos cada día un poco más solos…y culpables.

Agradecemos la colaboración de Mario De Fina para la transcripción de este artículo. http://www.losquesevan.com/articulos/especies-extinguidas-un-sintoma-irreversible-del-deterioro-ambiental-357

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A triste realidade da R.P.P.N. REVECOM: onde estão as autoridades para ajudar?


Hoje minhas palavras estão afogadas nas lágrimas que me tomaram ao ler este e-mail:

“Olá, queridas amigas.
Agora conseguimos parar. Anteontem foi um dia terrível e o de hoje super carregado. O quati que teve a cauda amputada, automutilou-se de novo. Sangrou muito, quase morreu. Sem anestésico para sedá-lo, tentei conseguir um empréstimo com o CETAS-IBAMA. Fiquei muito triste, ainda mais triste com as notícias de lá. A Dra. Sandra tinha o anestésico e prontificou-se a doar algumas doses. Quando soube que ela havia comprado o medicamento com seu próprio dinheiro (o CETAS também está em apuros) declinei da oferta e parti para a guerra, conseguindo setenta reais de doação, com os quais consegui comprar os medicamentos (Na Casa do Criador, em Macapá. Consegui um descontinho e comprei a três drogas por R$ 67,00)."

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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Notícias sobre o Amapá - O que é mais importante... A teoria ou a prática?


Nestas últimas semanas, venho acompanhado algumas ações consideradas importantes para o Amapá no contexto sócio-ambiental. Primeiramente, estive participando do Encontro das Polícias Ambientais e Guarda-parques do Platô das Guianas, realizado nos dias 5, 6 e 7 de maio de 2010. Infelizmente só pude comparecer no evento no dia da abertura, uma vez que no dia seguinte havia sido convidada a me fazer presente em outro evento.
No evento estavam figuras importantes do estado, como a promotora do meio-ambiente, Dra. Ivana Cei, Antonio Farias, secretário executivo do governo e o secretário do meio-ambiente, Paulo Vagner, além de outras figuras.

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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Delegação IRF presente no Congresso Int. “Healthy Parks Healthy People”


Decorreu na passada semana, de 11 a 16 de Abril, no Melbourne Convention Centre, na cidade Australiana de Melbourne, o primeiro Congresso Internacional intitulado “Healthy Parks Healthy People“. Contou com a participação de cerca de 1000 delegados em representação de 38 Países. Foi apresentado e discutido, em mais de 200 sessões, a relação entre a qualidade de vida das populações e a preservação e utilização sustentável dos espaços verdes em geral e das Áreas Protegidas em particular.

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João Correia

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Mais uma data para ficar para a história da AGPA...

Caros colegas guarda-parques!
Mais uma vez, seguindo a tradição de sempre mantê-los informados
sobre todos os passos que a Associação de Guarda-parques vem dando em
favor da natureza, venho informar, em nome de todos os colegas que
participaram direta ou indiretamente para chegarmos onde chegamos, que
hoje, dia 23 de abril de 2010, foi sancionada pelo Governador do estado do
Amapá a lei que cria a profissão de Guarda-parque no estado. A lei foi
publicada no diário oficial que circula na cidade e comemorada por nós com
muita felicidade por termos conquistado juntos essa vitória... Aliás... Que
vitória!

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quinta-feira, 18 de março de 2010

Guarda-Parques do Amapá - Uma data para relembrar...

Hoje foi mais um dia que entrou para a história da Associação de Guarda-parques do Amapá. É com muita felicidade que comunico a todos os amigos que se interessam pelas nossas atividades, que mesmo sem nunca ter nos conhecido pessoalmente, mas que sempre nos apóiam e nos dão força para continuar a lutar, que conseguimos dar o primeiro grande passo para a existência da profissão Guarda-parque no estado do Amapá. Hoje (dia 15/03/10), na Assembléia Legislativa, diante a vários deputados estaduais, foi aprovado o projeto de lei de caráter autorizativo, que cria as profissões de Guarda-Parque e Guarda-Florestal no estado do Amapá. No entanto, ainda faltam dois grandes passos para a concretização deste sonho: A aprovação do projeto de lei pelo Governador Estadual, e a publicação deste no diário oficial, para que realmente passe a se tornar uma lei.

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sábado, 6 de março de 2010

Guarda Parques: Algunos pensamientos... , por Marcelo Segalerba

Estimados,

En estos días hemos venido intercambiando algunas interesantes ideas con algunos de ustedes. Y en lo personal creo que las ideas al final tienen que dar paso a la acción concreta, orientarlas, o por lo menos intentarlo. De otra forma, no sirven para mucho.

Una cuestión que hemos venido conversando profundamente ha sido la falta de trabajo de muchos de la colectividad.

Observen por favor, que ya no estamos hablando si las condiciones de trabajo son penosas, denigrantes o insuficientes. Si dan o no, para sustentar al guarda y a su grupo familiar.

Estamos hablando de la carencia de un derecho básico de cualquier persona, de una forma digna de subsistencia, de una necesidad preocupante. Mucho más si hay que mantener una familia. Quienes se hayan quedado sin la fuente de subsistencia alguna vez, saben exactamente lo que se siente y a lo que me refiero.

En tal sentido, hoy existen infinidades de ejemplos de colegas en el colectivo, que se encuentran en esa difícil situación. Y para que la atención sea al colectivo y no a lo particular, no entrare en detalles de casos concretos.

Por otra parte, hemos observado como se han venido realizando llamados para ocupar posiciones en la Conservación de Áreas Protegidas, y estos sistemáticamente han desestimado las recomendaciones internacionales (muchas de la FIG, UICN, CDB, etc.), han desestimado experiencia anterior, estudios, amor por la camisa y formas legales de realizar esas convocatorias públicas.
Triste e injustamente, estos llamados se han venido convirtiendo en NICHOS DE POLÍTICOS Y SUS ASESORES, de formas de bajar los indices de desocupación del país (sin importar si se coloca a la persona correcta para el cargo), ha venido siendo una forma de desviar recursos, de pagar favores personales, de redistribuir gente de otros colectivos sin proximidad al nuestro y otras yerbas peores. Ejemplos negativos sobran en esta área.

Ahora. A cuantos de nosotros eso nos pesa en las noches o en el día?. Quienes al menos nos hemos preocupado tan solo un poco?
Continuaremos viendo como el colectivo es atropellado una y otra vez, sin que nadie se pare y diga se acabo, esto no va mas????????...Donde esta la mínima dignidad y respeto por la profesión que hemos escogido y por el amigo y colega Guarda?

Sepan que nadie en este planeta esta al margen de esta situación y a cualquiera le puede pasar en cualquier momento de su vida.

Hoy ya no es una fatalidad, un error, o una injusticia quedarse sin trabajo en la Conservación.

RESULTA QUE HOY LOS GUARDAS SON PERSEGUIDOS Y PENALIZADOS FUERTEMENTE, POR DECIR LA VERDAD, POR NEGARSE A LA CORRUPCIÓN Y LOS CORRUPTOS, POR HACER LAS COSAS BIEN, POR TRABAJAR POR LA NATURALEZA Y LA GENTE, POR NO PERDER SUS CONVICCIONES, Y EN DEFINITIVA POR NO VENDERSE AL BAJO PRECIO DE LA NECESIDAD, ANTE LAS SUCIAS MANOS DE AQUELLOS QUE MANIPULAN LA CONSERVACIÓN EN VARIOS PAÍSES, REGIONES E INSTITUCIONES.

PREGUNTO DE NUEVO: DONDE ESTAMOS NOSOTROS?? A DONDE ESTÁN LAS ASOCIACIONES, LA FEDERACIÓN, LA CAPACIDAD QUE CADA UNO DE NOSOTROS TIENE PARA SENTIR INDIGNACIÓN??

HAY QUE HACER ALGO EFECTIVO POR LOS GUARDAS, SUS FAMILIAS, LA NATURALEZA Y LA PROFESIÓN. QUE NO SEAN SOLO CONGRESOS CADA 3 AÑOS.
Los congresos SIEMPRE SON muy importantes, pero son simplemente un medio, un instrumento, un paso en un largo camino...., pero hace falta más.

Donde están las políticas sectoriales de fondo, siendo difundidas, aplicadas, defendidas, monitoreadas y corregidas??'

EN LO PERSONAL ME DUELE MUCHO VER A MIS AMIGOS Y COLEGAS SIN TRABAJO, PENANDO POR LAS INJUSTICIAS, TRANSITANDO VIDAS TERRIBLES EN LO PROFESIONAL, PERSONAL Y FAMILIAR.

PERDIENDO SU CALIDAD DE VIDA Y SALUD PAULATINA Y SILENCIOSAMENTE. PERO INEXORABLEMENTE.

Y POR ESTO Y POR MUCHO MAS NO ME CALLARE JAMAS. Y SE QUE SOMOS MUCHOS EN ESTA LINEA, Y ESO ES LO BUENO Y ESPERANZADOR.

ADVIERTO QUE NO DEBEREMOS CAER Y TRANSFORMARNOS EN LO QUE MUCHOS INTERESES OSCUROS A LA CONSERVACIÓN Y A LA VIDA PRETENDEN: EL DESINTERÉS POR EL PRÓJIMO, LA VIDA Y POR NOSOTROS MISMOS.

EN CONSECUENCIA, (Y AGUARDANDO COMPARTIR ALGUNAS DISCUSIONES CON USTEDES), LES PRESENTO ALGUNAS PROPUESTAS DE ACCIONES A REALIZAR: (SI ES POSIBLE A CORTO PLAZO). PENSANDO EN LOS AMIGOS QUE NO TIENEN PARA COMER O PARA MANTENER A SUS FAMILIAS.

1- GENERAR UNA BOLSA DE TRABAJO (DONDE TODOS COOPEREMOS PRESENTANDO LLAMADOS EN LA CONSERVACION). EN TAL SENTIDO, UTILICEMOS LOS ESPACIOS QUE TENEMOS (GUARDAPARQUES@googlegroups.com, EL BOLETIN DE DANIEL, LA RED ESPAÑOLA, LA PORTUGUESA, LA AUSTRALIANA, LA FINA LINEA VERDE, LA PAGINA DE LA IRF, DE LAS ASOCIACIONES).

2- REALIZAR UN COMUNICADO INTERNACIONAL OFICIAL VIA FIG, ASOCIACIONES Y GREMIOS. PARA GOBIERNOS, ESTADOS, DEPARTAMENTOS, MUNICIPALIDADES E INSTITUCIONES. COMENTANDO QUE ESTAREMOS MONITOREANDO A NIVEL MUNDIAL ESTOS ASPECTOS RELATIVOS A CONTRATACIÓN, OPRESIÓN DE GUARDAS, TRABAJO INSALUBRE Y CORRUPCIÓN.

3- DIFUNDIR RESOLUCIONES O CONTRATACIONES DUDOSAS A NIVEL GENERAL. GENERAR EL CONOCIMIENTO PUBLICO, EL INTERCAMBIO, LA INDIGNACIÓN Y LA DENUNCIA. LUEGO LA JUSTICIA DEBERÁ HACER SU PARTE.

4- ARTICULAR DENUNCIAS FORMALES EN LOS DISTINTOS PAÍSES POR MEDIO DE LAS INSTITUCIONES LOCALES DE REPRESENTACIÓN DE GUARDAS. ESTAS DEBEN LLEGAR A LOS ÓRGANOS COMPETENTES DE FORMA EFECTIVA.

5- TENER UN CANAL ABIERTO EN LA FIG E INSTITUCIONES LOCALES, PARA ORIENTAR LOS PROCESOS DE LLAMADOS DE PERSONAL PARA ÁREAS PROTEGIDAS. SI ES POSIBLE EXIGIR Y PARTICIPAR ACTIVAMENTE DE LOS PROCESOS Y DE LAS AUDITORIAS.

6- QUE LA FIG Y LAS ASOCIACIONES PROVEAN UN SERVICIO PROFESIONAL (ABOGADO LABORAL) PARA AUXILIAR A MIEMBROS SOLICITANTES.

7- QUE LA FIG Y LAS ASOCIACIONES DESARROLLEN UN CUERPO PROFESIONAL AUDITOR INTERNACIONAL SOBRE CONDICIONES DE TRABAJO DE LOS GUARDAS. DONDE SE REALIZEN AUDITORIAS, INFORMES PUBLICOS Y SE REALIZE UN RANKING DE LOS PAISES E INSTITUCIONES QUE TRATAN A SUS GUARDAS DE LA MEJOR Y PEOR MANERA. ANTE ESTO, ENVIAR INFORMES A NACIONES UNIDAS, LA ORGANIZACION MUNDIAL DE TRABAJO, UICN, CDB, PRENSA INTERNACIONAL Y OTRAS.

8- TENER ESTAS Y OTRAS DIRECTRICES PLASMADAS EN LA PAGINA WEB DE LA FIG Y DE LAS ASOCIACIONES, PARA LIBRE Y ESPONTANEA CONSULTA DE TODOS.


FINALMENTE, ME GUSTARÍA DESPEDIRME DE USTEDES RECORDANDO A LOS AMIGOS QUE HAN SIDO DESPOJADOS DE SUS FUENTES DE SUBSISTENCIA, DE SU INTEGRIDAD, DE LAS CONDICIONES MÍNIMAS Y DIGNAS DE VIDA.

RECORDAR, A AQUELLOS QUE NO CONSIGUEN VIVIR DE LO QUE AMAN, POR MAS QUE DESESPERADAMENTE LO INTENTEN A DIARIO.

TAMBIÉN RECORDAR AQUELLOS GUARDAS Y SUS FAMILIAS QUE HAN SIDO TAN AFECTADOS CON LOS TRÁGICOS ACONTECIMIENTOS NATURALES, COMO ES EL CASO DE CHILE.

GRAN Y FRATERNAL ABRAZO A LA DISTANCIA DESDE BRASIL,

MARCELO


RECUERDEN:

"SI QUEREMOS TENER ÁREAS PROTEGIDAS, VALORES Y UNA OPCIÓN DE VIDA FUTURA, PROTEJAMOS HOY AL GUARDA Y SU PROFESIÓN"

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Áreas de Protecção Ambiental: Alguém sabe para que servem?

Esta vem sendo uma pergunta intrigante para mim durante esses últimos meses, desde que iniciei a execução de meu trabalho de conclusão de curso na Área de Proteção Ambiental do Rio Curiaú, localizada próximo a cidade de Macapá. Com um trabalho um tanto complicado abordando um conceito antropológico sobre aspectos tradicionais, percepções locais e a influência negativa que tudo isto vem causando para o meio-ambiente, em especial para a eliminação de onças da região, começo a formular questionamentos, críticas e idéias com base em conversas e na receptividade que tenho tido pelos moradores em algumas áreas da APA.

► Ler o Artigo completo (pdf)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Crónicas de um Vigilante da Natureza - Francisco Correia, presidente da APGVN

O Dia Nacional do Vigilante da Natureza foi instituído há vinte anos, quando uma Fundadora da associação e na época Dirigente da Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza (APGVN) apresentou em reunião de Direcção a proposta de criação do dia comemorativo da profissão.
A Vigilante da Natureza Helena Cachucho justificou a escolha do dia 2 de Fevereiro, por ter sido nesta data que ingressaram no então Serviço Nacional de Parques Reservas e Conservação da Natureza a maioria dos cerca de duzentos Vigilantes da Natureza recém formados no primeiro curso da profissão, que teve lugar no longínquo ano de 1988, na Vila de Manteigas, em pleno coração do Parque Natural da Serra da Estrela.
Desde então o Dia Nacional do Vigilante da Natureza é comemorado com grande orgulho pelos profissionais e por todos aqueles que vêm na profissão o garante da conservação da natureza e da biodiversidade no nosso país.
A APGVN está sempre na primeira linha de combate, na defesa da profissão, sendo reconhecida como tal pelas instituições governamentais e civis do nosso país, mas, existe uma faceta menos conhecida, a grande capacidade que tem demonstrado ao longo dos seus 20 anos de existência, no envolvimento com as populações que residem nas áreas protegidas. Recordo com saudade os tempos em que a APGVN organizava expedições aos locais que estavam a ser estudados e onde se projectavam a constituição de novas áreas protegidas, onde colocava em prática um dos grandes pilares da formação dos Vigilantes da Natureza, o então muito divulgado (entre os Vigilantes da Natureza) CCPL (Contacto Com a População Local). Nestas incursões ao interior do país procurávamos sentir o pulso às populações, conhecer as suas tradições, os seus anseios e a sua visão do futuro. Dedicávamos os dias de expedição na recolha de dados sobre as tradições locais e no levantamento de habitats e espécies existentes.
Na sequência das expedições efectuadas resolvemos contribuir para a campanha da organização ecologista QUERCUS que queria adquirir a propriedade denominada por “Monte Barata”, oferecendo um donativo para o projecto que foi a génese da criação do Parque Natural do Tejo Internacional.


A APGVN para além de uma associação profissional também é reconhecida legalmente como Organização Não Governamental do Ambiente, todas as suas acções têm como meta a protecção e salvaguarda da Natureza, porque só com profissionais bem equipados e motivados as nossas maravilhosas áreas protegidas poderão perdurar para que as gerações futuras possam usufruir delas.
A APGVN no Dia Nacional do Vigilante da Natureza realiza acções de Conservação da Natureza em cooperação com entidades regionais, tendo estas merecido a participação dos Dirigentes máximos do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, que reconhecem a importância destas actividades em parceria com os agentes locais, temos como exemplo a plantação e sementeira de carvalhos no projecto “ 1 Milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela” que se realizou no Parque Natural da Serra da Estrela em parceria com a Associação “Amigos da Serra da Estrela”; a plantação de espécies autóctones realizada no município de Cascais em colaboração com a Agência do Ambiente de Cascais “Cascais Natura” e a recente acção de apadrinhamento de uma cabra serrana do rebanho comunitário de Chãos, que faz parte do projecto de recuperação da Gralha-de-bico-vermelho levada a cabo pela Cooperativa “Terra Chã”, pela Associação Ambientalista “QUERCUS” e pela operadora de telecomunicações “Vodafone”.
O Dia Nacional do Vigilante da Natureza de 2 de Fevereiro de 2010, contou com a participação de um grupo assinalável de profissionais, este ano as comemorações centraram-se em dois locais distintos um no território continental e outro no arquipélago da Madeira. Na ilha da Madeira os companheiros debateram numa sessão pública, aberta à comunidade escolar, o presente e o futuro da profissão. Esta sessão contou com a grande maioria dos Vigilantes da Natureza do arquipélago, os que não estiveram presentes encontravam-se em serviço nas ilhas Selvagens e nas Desertas, o que não permitiu a sua participação no local oficial das comemorações, mas assinalaram e celebraram o Dia nos seus postos de trabalho. Também no continente a participação é limitada porque existe a necessidade de garantir os serviços mínimos de vigilância nas áreas protegidas.
No Funchal (Madeira) as celebrações contaram com a presença do Secretário Regional do Ambiente e em Rio Maior com a participação do Vice-presidente do ICNB – Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, da Directora do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste e do Director Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Norte.
Depois da sessão solene na sede do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros e da apresentação do trabalho de investigação realizado pelo Vigilante da Natureza Francisco Barros, sobre a Gralha-de-bico-vermelho, o grupo de participantes dirigiu-se à Serra onde foi apresentado pelo Vigilante da Natureza António Frazão o projecto de recuperação da Gralha-de-bico-vermelho. Neste local procedeu-se à cerimónia de apadrinhamento da APGVN a uma das Cabras Serranas, este pequeno donativo é importante para ajudar a manter este projecto fundamental, que pretende através da utilização de práticas antigas de pastoreio devolver à Gralha-de-bico-vermelho o habitat de que necessita para que a espécie prospere.
Durante a tarde os participantes percorreram os locais propícios para a alimentação da espécie e à contagem dos indivíduos de um bando de Gralha-de-bico-vermelho que nos brindou ao entardecer. Já ao anoitecer visitámos um pequeno atelier artesanal onde a Dona Adélia produz os seus maravilhosos chás e os seus magníficos licores, todos estes produtos são concebidos com o seu saber e conhecimento de anos dedicados ao estudo das plantas das serranias que circundam a sua habitação.
Estes contactos com as pessoas que vivem nos locais que nós queremos proteger são de facto o culminar da nossa dedicação à Conservação da Natureza e da Biodiversidade, trazer para o nosso lado as gentes que habitam as áreas protegidas é um passo de gigante no caminho do sucesso para a preservação destes sítios únicos e inigualáveis do nosso país.
O Dia Nacional do Vigilante da Natureza simboliza o nosso trabalho, dedicação e sacrifício na defesa da Natureza.

Não encontramos uma razão para desistir!
Não encontramos um motivo para deixar de sonhar!


Texto: Francisco Correia


Celebração do Dia Nacional do Vigilante da Natureza 
 Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros

Sessão solene em Rio Maior, Sede do PNSAC: V.N. Francisco Barros; Vice-presidente do ICNB, Dr. Carlos Figueiredo; Directora do DGAC LLO, Eng^Sofia Silveira; Presidente da APGVN, Dr. Francisco Correia 


Apresentação do trabalho de investigação realizado pelo Vigilante da Natureza Francisco Barros, sobre a Gralha-de-bico-vermelho no PNSAC

Chegada á cumeada da Serra dos Candeeiros

Apresentação do projecto "Conservação da gralha-de-bico-vermelho na Serra dos Candeeiros" pelo V.N. António Frazão

Cerimónia de apadrinhamento de uma cabra serrana do rebanho comunitário.
Entrega de Certificado de Apadrinhamento pelo Pastor da Cooperativa Terra Chã, Joaquim Neves

Foto de grupo após o almoço no restaurante da Cooperativa Terra Chã.

Saida de campo para prospecção de zonas de alimentação da Gralha-de-bico-vermelho e contagem de bandos

Bando de Gralhas-de-bico-vermelho, observado ao final da tarde.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Arquitectura urbana, verdadeira armadilha para algumas espécies de morcegos

São várias as vezes que os Vigilantes da Natureza do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros afectos ao programa “Coabitação e exclusão de morcegos” (ver aqui) são chamados a intervir perante a solicitação de particulares.

Hoje foi mais um dia em que foram contactados para recolher um morcego que já há 2 dias teimava em não sair de uma varanda de um apartamento em Santarém e cuja residente tinha pavor do animal, embora tivesse consciência de se tratar de espécie protegida e querer ajudar com a melhor boa vontade. Dizia-nos que o animal não conseguia voar e que deveria estar ferido ou debilitado.

Quando nos deslocamos ao local, deparámos com uma varanda de 1m de largura (com parede em volta com mais de 1m de altura) forrada a mosaico vidrado e com um aparelho de ar condicionado colocado junto a um dos extremos. Entre o dito aparelho e a parede (sem qualquer aderência), existia uma fresta de cerca de 2 cm.

Tratava-se de um morcego-rabudo (Tadarida teniotis), uma das espécies de morcegos maiores da Europa, que decerto achou confortável o abrigo proporcionado pelo espaço ente o dito aparelho de ar condicionado e a parede. O grande problema que encontrou foi quando pretendeu sair. Sem aderência para conseguir subir em qualquer parede, sem aderência e espaço suficiente no chão da dita varanda, bem como a elevação e estanquicidade das paredes, tentava em vão levantar voo sem qualquer sucesso, tal como uma pessoa a tentar subir um pau de sebo extremamente engordurado.

De facto, ao nos depararmos com a situação, percebemos que alguns detalhes da arquitectura urbana são de facto autênticas armadilhas para algumas espécies de morcegos. Entram, mas dificilmente conseguem sair.



O Morcego-rabudo Tadarida teniotis é uma das espécies de quirópteros menos conhecidas em Portugal, não existindo até à data informação adequada para avaliar o risco de extinção, nomeadamente quanto à redução do tamanho da população e à tendência de declínio. Ver estatuto da espécie segundo o Livro Vermelho do Vertebrados de Portugal.
Esta espécie encontra-se no Anexo BIV da Directiva Habitat, sendo de interesse comunitário, cuja conservação exige protecção rigorosa.





O exemplar, após observação, não mostrando qualquer traumatismo nem sintomas de debilidade, foi libertado ao anoitecer com sucesso.

Nota: Todos os Vigilantes da Natureza que procedem à manipulação de morcegos, têm vacinação anti-rábica em dia. Não é de todo aconselhável manusear um morcego de mãos nuas por quem não está habilitado nem vacinado.

Texto e fotos: Francisco Barros