domingo, 15 de novembro de 2009

Gronelândia perde gelo cada vez mais depressa

Anualmente, a massa perdida equivale a 273 quilómetros cúbicos. Nesta década, foram 1500.

A Gronelândia está a perder gelo a um ritmo mais elevado do que se supunha. Entre 2006 e 2008, nos meses de Verão, a camada de gelo sobre esta ilha perdeu o equivalente a 273 quilómetros cúbicos de água por ano, o que corresponde ao aumento do nível global do oceano em 0,75 milímetros.

Estes cálculos constam de um trabalho publicado pela revista Science e realizado por uma equipa da Universidade de Bristol, liderada por Jonathan Bamber. Os cientistas usaram um sofisticado modelo climático regional e observações de satélite que confirmaram de forma independente esse modelo.

Segundo explicou Bamber, o degelo acelerou em relação aos anos 90 e o processo poderá aumentar o seu ritmo nos próximos anos, pois as causas do fenómeno não desapareceram.

Se a massa de gelo da Gronelândia desaparecesse de uma vez, a subida global dos oceanos seria da ordem de sete metros. Nesta década, a Gronelândia já perdeu um total de 1500 quilómetros cúbicos (ou gigatoneladas, Gt), o que equivale a 5 milímetros de subida do oceano.

O degelo acelerou em meados da década de 90, mas durante alguns anos, a perda de massa foi compensada por dois fenómenos: o aumento da queda de neve e o facto de muita da água derretida voltar a congelar. Estes efeitos são cada vez menos visíveis.

Fonte: Diário de Notícias

Um pequeno carnívoro que poucos conhecem

Ágil e discreta, a marta (Martes martes) é uma quase desconhecida em Portugal. A sua presença foi detectada pela primeira vez na década de 80, confirmando que, afinal, este pequeno carnívoro também habita nas nossas florestas. No entanto, a reduzida densidade populacional e dificuldade de captura têm complicado uma investigação que pode ser necessária para a sobrevivência da espécie. É que, a julgar por alguns países como o caso da Inglaterra, a desflorestação e a pressão humana estão a colocar a marta em risco de extinção. Pelo menos no estado selvagem.

O primeiro animal observado foi encontrado morto numa zona próxima da serra da Estrela. A identificação não é fácil, dadas as semelhanças da marta com a sua congénere, a fuinha (Martes foina). "Só uma pessoa muito experiente consegue identificar as características que as distinguem. A fuinha é um dos carnívoros mais abundantes em Portugal e durante muitas décadas pensou-se que nem sequer existisse marta no País", diz Margarida Santos-Reis, investigadora do Centro de Biologia Animal da Faculdade de Ciências de Lisboa. Depois da primeira observação em Portugal, começou a haver um cuidado redobrado de procura destes carnívoros.

Continuam a ser observados alguns animais mortos (especialmente devido a atropelamentos). E, de vez em quando, encontram-se peles que se suspeitam pertencer à marta. Segundo um estudo português feito em 2006 e publicado no livro Martes in Carnivore Communities, tinham sido encontrados seis registos de observação directa da espécie desde 1988. Todos associados a zonas de precipitação elevada, florestas de carvalhos (escolhidas pela maior probabilidade de existência de abrigos) e ausência de campos agrícolas e florestas de pinheiros. "A população total estimada varia entre os 25 e os 294 indivíduos", refere o estudo.

A perda e a perturbação do habitat (devido a incêndios, construções de estradas e actividades turísticas) nas últimas décadas é uma das maiores ameaças. A professora Margarida Santos-Reis acrescenta o facto de "ser uma espécie que em acções de controlo de predadores é facilmente capturável e, por isso, quando são usados meios não selectivos a espécie acaba por sofrer". Por outro lado, em alguns países, a pelagem da marta é ainda usada e a espécie continua a ser explorada comercialmente. "A legislação europeia impede que isso aconteça, mas não existe nenhuma lei específica para a espécie no nosso país."

O Norte e centro de Portugal são as zonas de maior probabilidade de ocorrência da espécie, sendo que a população mais próxima é a que existe em Espanha e está separada por cerca de 60 quilómetros, o que significa que as populações portuguesas podem estar também isoladas em termos de reprodução.

Já nas suas áreas centrais de distribuição, correspondentes ao Norte e centro europeus, a marta não é uma espécie ameaçada. "Há locais onde inclusivamente é considerada uma espécie cinegética e por isso sujeita a acções de controlo".

Contudo, na zona mediterrânica e também no canto ibérico, por representar a franja da sua distribuição, tem densidades mais reduzidas. "A conservação da espécie é uma preocupação nesses países." Mas o que existe são dados pontuais, resultantes de alguns registos que indicam que, mesmo no passado, a espécie já existiria nessa zona.

Por outro lado, os censos e a monitorização destas espécies são muito complicados porque, na maioria das vezes, os animais vivem em reduzidas densidades. A sua distribuição é avaliada numa macroescala e baseada em poucos registos, o que pode afectar a capacidade de detectar a espécie, prejudicando as suas estratégias de conservação. A marta é um dos grandes exemplos deste problema.

Sabe-se que os mustelídeos de forma geral são espécies muito curiosas, que correspondem bem a estímulos externos. No entanto, a marta, sendo uma espécie florestal e nocturna, não tem por hábito aproximar-se do homem. Sabe-se que a fuinha tende também a esconder-se da presença humana, mas curiosamente, nas áreas onde coexiste com a marta, aproxima-se mais das zonas urbanas. Segundo Margarida Santos-Reis, uma das razões pode estar "no corpo mais robusto da marta, que é vantajoso em termos de competição com a fuinha e a empurra para os locais periurbanos".

Seria importante saber qual o seu estatuto actual, se ela se está a expandir ou não. "Até porque, com o abandono da agricultura e da pastorícia, muitas áreas florestais estão a recuperar. É, claro, uma tendência contrariada pelos fogos, mas existe." Existe também outro factor muito importante que afecta directamente a vida da espécie, a expansão do esquilo-vermelho. "É conhecido na Europa do Norte e Centro como uma das presas principais da marta. Esteve praticamente extinto em Portugal até à década de 80, altura em que começou a haver uma recuperação. Não sabemos até que ponto a marta está a corresponder a esta expansão."

Fonte: Diário de Notícias       Foto: Jiri Bohdal

Grous estão a ser contados nos campos de Évora

A contagem de grous começou ontem em Évora. Portugal acolhe habitualmente seis mil destas aves migratórias, distribuídas por meia dúzia de locais de invernia.


O grou (Grus grus) costuma chegar a Portugal em meados de Novembro, sendo o Alentejo o local de eleição para passar o tempo frio. Durante esta época, a ave procura planícies de campos abertos, optando, no rigor do Inverno, pelos montados de azinho.

Esta espécie enfrenta vários tipos de perigo, desde a destruição dos seus habitat de alimentação e substituição por áreas agrícolas, a perturbação dos locais de dormida, até mesmo ao abate por caçadores furtivos.

Por ser uma espécie protegida, a sua presença tem sido importante em determinadas áreas do território português, pois tem sido possível definir e estabelecer os limites de zonas de protecção especial para aves (ZPE), integradas na rede de espaços protegidos da Europa.

A monitorização dos grous começou a realizar-se há já 20 anos, na altura por iniciativa de um grupo de jovens eborenses, autodenominado Vamos Conhecer a Natureza de Perto. Actualmente, o projecto encontra-se sob a alçada do Centro de Estudos da Avifauna Ibérica, em colaboração com o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

Fonte: Diário de Notícias   Foto: Jiri Bohdal

Leomil: Lobo-ibérico ameaçado por parque eólico

Espécie protegida posta em causa com a construção do futuro Parque Eólico do Douro Sul.

A alcateia de lobos de Leomil, a sul do rio Douro, corre o risco de extinguir-se com a construção do Parque Eólico do Douro Sul, alerta a Quercus. Composto por 103 aerogeradores, o futuro parque será instalado nas serras de Leomil e da Nave (concelhos de Moimenta da Beira e Sernancelhe), bem no centro do habitat do lobo, afectando o seu território de distribuição, nomeadamente as zonas de reprodução e refúgio.

Actualmente, o lobo-ibérico (Canis lupus signatus) possui em Portugal uma população reduzida, de 300 indivíduos, restringida à região norte. Apesar de ser uma espécie protegida, prioritária para a conservação, as suas populações encontram-se em declínio, devido à perseguição por parte de agricultores e caçadores, ao extermínio das suas presas selvagens e à fragmentação e destruição dos territórios.

O parque eólico põe em xeque a viabilidade "dos únicos grupos reprodutores estáveis de lobo em todo o núcleo populacional a sul do rio Douro (actualmente estimado em não mais de cinco ou seis alcateias)", diz a Quercus.

A colocação das torres, a abertura de novos caminhos e a instalação de linhas de alta tensão irão perturbar e danificar os habitats de vida selvagem. No conjunto serão "afectados mais de 60% do território da alcateia, incluindo as suas zonas de reprodução e refúgio, pondo assim em causa não só a estabilidade reprodutora mas também a manutenção e sobrevivência de toda a população".

O próprio Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade reconhece o perigo e deu parecer desfavorável ao projecto. Mas a Secretaria de Estado do Ambiente já deu luz verde à instalação do parque.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 14 de novembro de 2009

AVISO - Abertura de concurso para Vigilante da Natureza Principal - CCDRLVT

Para conhecimento e divulgação pelos interessados, informa-se que foi publicado no dia 13 de Novembro de 2009, no Diário da República n.º 221, II Série, o aviso de concurso interno de acesso geral para provimento de 3 lugares na categoria de Vigilante da Natureza Principal, da carreira de Vigilante da Natureza, do Mapa de Pessoal da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT).

► Ver Aviso (pdf)

Estudo diz que investir para proteger a Natureza é altamente rentável

Investir milhões para proteger a diversidade da vida animal e vegetal permitirá, a longo prazo, um retorno do investimento cem vezes superior, estima um estudo do economista indiano Pavan Sukhdev, divulgado hoje.


Mais de mil milhões de pessoas dependem, directamente, dos recifes de coral, das florestas e dos mangais para a sua sobrevivência. E se os líderes políticos não tomarem, rapidamente, medidas radicais para travar a destruição destes recursos, tornar-se-ão inevitáveis conflitos, fomes e refugiados climáticos, alerta o estudo.

"Reconhecer e pôr um preço nos serviços prestados pela natureza à sociedade deve ser uma prioridade para os responsáveis políticos", explicou Pavan Sukhdev, principal autor do estudo "A economia dos sistemas ecológicos e da biodiversidade".

Investir cerca de 45 mil milhões de dólares (30 mil milhões de euros) por ano no desenvolvimento de áreas protegidas terrestres e marinhas permitirá garantir benefícios na ordem dos quatro a cinco mil milhões de dólares (2,6 e 3,3 mil milhões de euros) por ano, durante várias décadas, estima o economista.

No ano passado, a plantação de doze mil hectares de mangais no Sul do Vietname custou cerca de um milhão de dólares (669 milhões de euros) mas permitirá evitar despesas com a construção de diques na ordem dos sete milhões de dólares por ano (4,6 milhões de euros).

"Numa altura em que as alterações climáticas são um desafio global com repercussões locais, a biodiversidade é um conjunto de desafios locais", comentou Pavan Sukhdev, salientando que o exemplo dos mangais no Vietname poderá ser multiplicado por todo o mundo.

A menos de um mês da cimeira da ONU sobre o clima, em Copenhaga, a protecção das florestas tropicais surge como uma questão crucial. "A desflorestação representa 20 por cento das emissões de gases com efeito estufa", lembrou o economista.

Mas as florestas constituem também o mais importante dispositivo para atenuar as alterações climáticas porque capturam 15 por cento das emissões totais de dióxido de carbono", notou.

Durante a cimeira do G8 alargado aos grandes países emergentes, os maiores poluidores do planeta reconheceram que a Terra não deverá sofrer um aumento da temperatura superior a dois graus, reconhecendo os receios da comunidade científica. No entanto, para alguns ecossistemas poderá ser já demasiado tarde. Assim, os recifes de coral, dos quais dependem cerca de 500 milhões de pessoas no planeta, já estão numa curva descendente com um aumento da temperatura de cerca de um grau em relação à era pré-industrial.

"As soluções para as alterações climáticas encontram-se nos recursos naturais. Podemos utilizar a recuperação dos ecossistemas para a adaptação (às mudanças) e devemos utilizar os ecossistemas - as florestas, os oceanos - como principal ferramenta de redução" das emissões de gases com efeito de estufa, estimou.

O estudo, apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), foi lançado pela Comissão Europeia em 2007 e terá a sua versão final apresentada em Outubro de 2010. Numa primeira fase, apresentada em Maio de 2008, Pavan Sukhdev estimou que a erosão da biodiversidade representa um custo estimado entre 1350 e 3100 milhões de euros por ano.

Fonte: Publico.pt    Foto: Juan Carlos Ulate/Reuters

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Vinte icebergues da Antárctida a caminho da Nova Zelândia

Os cientistas da pequena ilha Macquarie estão com os olhos postos no oceano Pacífico. Pelo menos 20 icebergues, com extensões entre os 50 metros e os dois quilómetros, dirigem-se do Norte da Antárctida para a Nova Zelândia.
Há uma semana, os cientistas do programa polar australiano nem queriam acreditar no que viam, quando um bloco de gelo foi avistado a oito quilómetros da ilha. Tinha 50 metros de altura e 500 de comprimento.

Dean Miller, biólogo australiano do programa polar, foi o primeiro a avistar o icebergue. "Nunca tinha visto nada igual. Olhei para o horizonte e vi uma enorme ilha de gelo a fluturar", contou ao jornal "The Guardian".

Desde então, mais icebergues têm-se aproximado da ilha, flutuando ao sabor das correntes. Nas últimas 24 horas foram avistados pelo menos quatro, com extensões entre os 50 metros e os dois quilómetros.

O glaciologista daquele programa, Neal Young, afirma que existem pelo menos 20 icebergues em redor da ilha. É raro que estes blocos de gelo subam tanto para Norte e entrem em águas menos frias, salienta. "Das imagens de satélite podemos observar um grupo de icebergues, abrangendo uma área com cerca de mil por 700 quilómetros, distanciando-se da Antárctida com a corrente oceânica", lê-se num comunicado. O especialista acredita que estes icebergues são fragmentos recentes de um enorme bloco que se separou há nove anos da plataforma de gelo Ross.

O responsável pela estação na ilha, Cyril Munro, diz que esta tem sido uma semana excitante para os cientistas. "Todos têm os olhos postos no horizonte". Os cientistas que trabalham na ponta mais a Sul da ilha "ficaram espantados por verem aqui um icebergue com dois quilómetros", acrescentou. Os blocos de gelo deverão continuar para Norte e Este, em direcção à Nova Zelândia.

Gelos na Gronelândia também trazem novidades
Icebergues a caminho da Nova Zelândia são um cenário que poderá dar novos argumentos para as negociações climáticas na cimeira de Copenhaga, em Dezembro. Mas a verdade é que a Antárctida não tem a exclusividade nestas questões.

Ontem, a revista "Science" revela que o gelo da Gronelândia está a desaparecer mais depressa do que nunca. De 2006 a 2008, Verões mais quentes do que o costume elevaram o degelo a um ritmo sem precedentes, com uma perda anual de 273 quilómetros cúbicos, concluiu a investigação, que recorreu a imagens de satélite e a um modelo atmosférico regional.

A camada de gelo da Gronelândia contém água suficiente para causar uma subida média do nível do mar de sete metros, afirma aquela universidade. Desde 2000, a camada de gelo perdeu cerca de 1500 quilómetros cúbicos, o que representa uma subida de cinco milímetros.

"A perda de massa na Gronelândia tem vindo a acelerar desde o final da década de 90 e as causas do fenómeno sugerem que esta seja uma tendência para continuar num futuro próximo", lê-se num comunicado assinado por Jonathan Bamber, um investigador da Universidade de Bristol que participou no estudo.

Segundo os investigadores (das universidades de Utrecht, Delf e Bristol; do Instituto de Investigação Marinha e Atmosférica; do Real Instituto de Meteorologia da Holanda; e o Jet Propulsion Laboratory), esta perda de massa gelada explica-se com o aumento do degelo à superfície e com o facto de os glaciares estarem a dirigir-se mais rapidamente para o oceano.

Até 2100, o nível médio do mar deverá subir entre 28 e 43 centímetros, estima o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas.

Fonte: Público.pt         Foto: Tessa Bickford/Australian Antarctic Division

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Novas espécies de libélulas para o Parque Nat. do Vale do Guadiana


De Fevereiro a Junho de 2009, no âmbito de um estágio realizado no Parque Natural do Vale do Guadiana, foram recolhidas e identificadas 12 espécies de Odonata (Ordem a que pertencem as libélulas e libelinhas), entre as quais 4 novas espécies para a região: Sympecma fusca, Coenagrion caerulescens, Gomphus graslinii e Libellula quadrimaculata.
De acordo com o Livro Vermelho dos Invertebrados de Espanha, Gomphus graslinii está classificada com estatuto "em perigo" de extinção e Coenagrion caerulescens com estatuto "vulnerável".

Efectuado por Cristina Ramôa Vieira, este estágio de final de curso em Biologia, da Escola Superior Agrária de Beja, realizou-se no PNVG e sítio Guadiana da Rede Natura 2000, tendo sido amostrados catorze pontos ao longo da ribeira do Vascão, de modo a avaliar a Ordem Odonata, para se poder candidatar a ribeira ao estatuto de Zona Húmida ao abrigo da Convenção de Ramsar.

Fonte: ICNB Foto: Jean-Michel Faton

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Bancários limparam ribeira para evitar extinção de boga do Oeste

Meia centena de trabalhadores de uma empresa que gere cartões bancários estiveram ontem a limpar as margens de um troço do rio Alcabrichel, no concelho de Torres Vedras, para evitarem a extinção da boga do Oeste, uma espécie de peixe característica da região.
"Estivemos a fazer o corte de um conjunto de canas que abrangem as margens desta ribeira e as canas que foram retiradas vão depois cobrir parte das margens para garantir que ficam estabilizadas, em vez de se utilizar o habitual betão", explicou Francisco Ferreira, dirigente da associação ambientalista Quercus, que promoveu a iniciativa. Praticamente extinta nos rios da região devido à poluição provocada pelos esgotos domésticos e pelas suiniculturas, a boga do Oeste continua apenas a existir - ainda que de forma escassa - nos rios Alcabrichel e Sizandro, ambos no concelho de Torres Vedras.

A acção marcou o arranque de uma parceria de cinco anos entre a Quercus e a Unicre, a primeira empresa de capitais privados em Portugal a aderir ao compromisso de redução da chamada "pegada ecológica". "Temos um conjunto de iniciativas como a redução do papel e a redução [do consumo de] energia nos edifícios", afirmou o administrador da empresa, António Ramalho.

"O objectivo neste tipo de acções é que fora da actividade profissional e em conjunto com uma associação de defesa do ambiente os esforços se juntem no sentido de salvaguardar determinadas zonas naturais e, neste caso, recuperar a boga do Oeste", esclareceu Francisco Ferreira. A Quercus põe a hipótese de vir a desenvolver outras acções de limpeza e despoluição do rio Alcabrichel e de vir a plantar nas suas margens vegetação característica na zona, de modo a combater a erosão.

Fonte: LUSA

Especialista alerta para aumento da gravidade dos incêndios florestais

O especialista em incêndios florestais Domingos Xavier Viegas advertiu hoje que Portugal deve estar preparado para fogos de tal gravidade, que não será possível salvar casas nem a floresta e os populares terão de ser evacuados.
“Embora Portugal tenha já registado situações muito difíceis, em 2003 e 2005, pode haver ainda piores, com ainda mais danos.

Nestas circunstâncias extremas, não há sistema de Protecção Civil ou de defesa da floresta que seja capaz de o suportar. A população tem de ser avisada a tempo para sair e haverá muitas condições em que não será possível salvar nem floresta nem casas”, considerou.

O presidente da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) é o coordenador de um curso sobre “Comportamento do Fogo e Segurança Pessoal no Combate aos Incêndios Florestais”, que se realiza dia 20 em Coimbra.

Organizado pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF) da ADAI, no curso vão ser apresentadas as conclusões preliminares de um estudo realizado por uma equipa desta instituição acerca dos graves incêndios ocorridos no Sul da Austrália, em Fevereiro de 2009, em que morreram mais de 170 pessoas.

“Por um lado, interessa melhorar a defesa das casas e da floresta, mas há que ter em conta que, em condições extremas, os recursos de defesa não funcionarão e há que evacuar as pessoas a tempo, para evitar pôr populações e bombeiros em risco”, disse.

Ao adiantar algumas das conclusões da pesquisa feita pela equipa do CEIF/ADAI na Austrália, o cientista considerou que nestes incêndios se verificaram “condições de perigo excepcionais”, tendo surgido mesmo uma recomendação das autoridades para acrescentar outro nível de risco, um sexto, à escala de cinco. “Seria um risco de incêndio super-extremo, quando se registassem temperaturas superiores a 40 graus e os ventos soprassem a mais de 70/80 quilómetros por hora”, adiantou o professor catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Nos incêndios recentes na Austrália, “as condições de propagação foram de tal modo rápidas que as autoridades não conseguiram reagir e, em menos de meio-dia, arderam 400 mil hectares no Estado de Victoria. No caminho do fogo estavam várias casas, que não estavam preparadas para reagir”, disse Xavier Viegas, adiantando que o recurso a componentes de madeira na construção tornou estas residências mais vulneráveis às chamas.

“Às vezes há alguma relutância em deixar as casas. É preciso preparar as pessoas e quando for preciso, têm de sair”, salientou, preconizando que esta medida deve ser “obrigatória e urgente” quando houver condições extremas.

“Em Portugal, as piores condições para incêndios ocorrem quando há vento de Leste forte e ondas de calor”, observou.

O curso, que decorre no auditório da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra e contará com a presença do Embaixador da Austrália em Portugal, é leccionado por investigadores daquele centro de investigação, que se têm especializado na temática do comportamento do fogo e da segurança pessoal na frente dos incêndios e participado na investigação de diversos acidentes dentro e fora do país. Destina-se a técnicos florestais e das autarquias, agentes da protecção civil e investigadores.

Fonte: LUSA

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Chegaram mais quatro linces ao Centro Nacional de Reprodução em Silves

Chegaram mais quatro linces ontem à noite, ao Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro para o Lince-ibérico (CNRCLI) de Silves: dois machos, Ébano e Enebro, e duas fêmeas, Espiga e Era.

Os linces foram transferidos do Centro de Cría de La Olivilla, em Jaén, na Andaluzia, onde nasceram em 2008.

As duas fêmeas, Espiga e Era, são as duas linces que não tinha sido possível capturar na semana passada sem criar excessiva agitação nos animais, tendo ficado a sua transferência adiada para ontem.

Após terem sido libertados, cada um num dos cercados com um hectare, foi colocado um coelho vivo no cercado de cada um, que os caçaram. "Este é um indicador positivo sobre a adaptação ao novo espaço", considera o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB).

Actualmente, o centro na Herdade das Santinhas, em Silves, já tem sete linces. O primeiro, a fêmea Azahar, chegou no dia 26 de Outubro, vinda de Jerez de la Frontera. Seguiram-se Érica e Daman II a 30 de Outubro, de La Olivilla.

Até ao dia 1 de Dezembro dever-se-á completar esta fase de transferência de linces para Silves, ficando então o centro português responsável por 16 dos linces que integram o programa ibérico de reprodução em cativeiro desta espécie ameaçada de extinção.

Fonte: Público.pt  Foto: Nuno Veiga - LUSA

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Novo estudo: os animais usam os traços sexuais distintivos para distinguir rivais

Na biologia como no desporto, a cor é essencial para identificar os adversários. Mas, ao contrário do desporto, na biologia a cor diferente sinaliza os alvos a não atacar: os rivais são os machos da mesma espécie que, por terem uma coloração ou odores semelhante, são concorrentes directos na disputa pelas fêmeas.

Trata-se de uma questão prática, explicam os investigadores responsáveis pelo estudo. "O custo de atacar o macho errado e de ser atacado por ele desenvolve as diferenças de coloração e de pistas químicas, como os odores, para identificar os rivais", escreveram Gregory Grether e Cristopher Anderson na revista "Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences". Esta investigação é válida em locais onde duas espécies diferentes co-habitam e as probabilidades de se enganarem no adversário são maiores.

Os resultados trazem uma nova luz sobre um problema levantado desde Charles Darwin. Segundo o naturalista, as cores diferentes eram uma forma de atrair a atenção das fêmeas. Mas para os investigadores da Universitdade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), "as diferenças na cor permitem que as fêmeas consigam reconhecer entre as espécies diferentes", explica Grether. Com estes dados, retirados da observação de várias espécies de libelinhas, os investigadores encontraram "demonstrações claras de um processo de evolução que é, provavelmente, muito recorrente na Natureza, mas que tem sido muito negligenciado".

Fonte: Ionline

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Parques eólicos: A fonte de energia "limpa" ?

Este video foi captado no passado dia 27-10-2009 em Creta, na Grécia - um Grifo (Gyps fulvus) albaroado por aerogerador . Mas é algo que acontece com alguma regularidade em Espanha e também em Portugal, embora sobretudo com outras espécies.

Numa altura em que a proliferação destas instalações vai de "vento em popa" por terras lusas, serve esta mensagem para meditar se os Parques Eólicos são realmente a alternativa "limpa" que muitos políticos nos querem fazer crer. Em última análise: Existem realmente fontes de energia "limpas"??

domingo, 1 de novembro de 2009

Ex-Vigilante da Natureza publica livro sobre a paisagem do PNSAC


A Câmara Municipal de Torres Novas editou o livro da autoria de Fernando Faria Pereira, Arquitecto Paisagista, intitulado “ A Paisagem da Pedra”, alusivo ao Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.
O lançamento do livro teve lugar no dia 24 de Outubro enquadrado no programa da Exposição na Biblioteca Municipal de Torres Novas sobre o tema “As Pegadas dos Dinossáurios na Serra de Aire” que decorreu entre 9 e 31 deste mês.

Este livro tem como base o relatório de estágio de Fernando Faria Pereira (conhecido entre colegas e amigos como “Puças”) do final do seu curso de Arquitectura Paisagista, há 6 anos, onde se debruçou sobre as unidades de paisagem do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, região onde a pedra impera em toda a sua essência e história.
Fernando F. Pereira exerceu o cargo de Vigilante da Natureza durante cerca de 24 anos, estando actualmente reclassificado como técnico superior do ICNB desde Março do corrente ano.

Exímio contador de histórias e com especial jeito para crianças, foi, e é, um dos marcos na Educação Ambiental pelas Escolas onde passou, quer para alunos, quer para professores.

O Fernando “Puças” desde muito cedo teve um papel cooperativo, solidário e interventivo junto da APGVN e de todos os colegas em geral, denotando actualmente alguma saudade dos seus largos anos no exercício das funções de Vigilante da Natureza.

Mas o trabalho do Fernando em prol da conservação da natureza não terminou com a sua reclassificação. Nas suas novas funções no ICNB, continua a mesma pessoa em personalidade e companheirismo, sempre atento e interventivo naquilo em que acredita com o seu jeito “peculiar” que a ninguém deixa indiferente. Não esquece os Vigilantes da Natureza e continua com a maior afinidade aos mesmos.

Ser Vigilante da Natureza marca uma vida, independentemente daquilo que se possa vir a fazer no futuro!

Continua assim “Puças”, genuíno e igual a ti próprio. A Conservação da Natureza precisa de ti!!

Francisco Barros

sábado, 31 de outubro de 2009

Congresso Mundial de Guardaparques/Park Rangers

Começa amanhã o Congresso Mundial de Guardaparques!

Irá participar no Congresso o Vigilante da Natureza João Correia que apresentará uma comunicação sobre o tema "Vigilantes da Natureza". A sua participação não contou com o apoio de nenhuma entidade, devendo-se apenas ao seu esforço pessoal.

Clique na imagem para melhor visualização

APGVN

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O CNRLI de Silves passa hoje a ter cinco linces ibéricos

Segundo fonte do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, as fêmeas Espiga, Erica e Era, nascidas em 2008, e o macho Daman, de dois anos, são hoje transportados do centro espanhol de Olivilla, na Andaluzia, para o centro português.

Até ao próximo mês de Dezembro devem chegar, faseadamente, os restantes 11 animais que Espanha cedeu a Portugal para estimular a reprodução da espécie em vias de extinção.
Existem actualmente 250 linces ibéricos na natureza e 74 em centros de reprodução, encontrando-se a maioria dos animais em cativeiro.
Desde a década de 1980 que não existem populações estáveis de lince em Portugal, embora no ano 2000 tenham sido recolhidos dejectos de lince que comprovaram a sua presença em território nacional e desde aí se tenham registado alguns avistamentos da espécie em locais próximos da fronteira com Espanha.
"Não sabemos se não existe actualmente algum lince em Portugal. Poderão existir, mas não uma população estável. É esse repovoamento que pretendemos fazer", disse à Lusa a coordenadora executiva para o Plano de Acção do lince, Lurdes Carvalho.

O principal objectivo do plano é conseguir que Azahar e os outros 15 linces, que deverão chegar a Portugal no próximo mês de Novembro, produzam descendentes que possam mais tarde ser reintroduzidos na natureza e conservar a espécie em Portugal, ameaçada há várias décadas.

A serra da Malcata e o sul de Portugal são duas regiões do país onde se pretende fomentar a reprodução do coelho bravo, entre outras medidas, para poderem acolher o lince em liberdade, mas no sul a situação é mais difícil por muitos dos terrenos serem de privados.

Fonte: LUSA

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

GreenPeace: Vídeo com Sigourney Weaver alerta para a destruição dos oceanos




“O oceano profundo é o maior ecossistema do planeta, porém, continua amplamente inexplorado. Quanto mais desvendamos os seus mistérios, mais descobrimos o quão único este mundo estranho realmente é. Longe de ser uma simples planície árida, o fundo do mar alberga habitats e formas de vida complexos.”

Sigourney Weaver apoia este vídeo que alerta para a ameaça da pesca industrial a grande profundidade e insta os governos de todo o mundo a adoptar medidas concretas e urgentes que defendam a vida marinha nas profundezas dos oceanos.

Em Novembro deste ano a Assembleia Geral das Nações Unidas vai voltar a abordar este tema e vai decidir os próximos passos relativamente à implementação da resolução 61/105. Esta resolução pede a tomada de medidas imediatas que administrem os stocks de peixe de maneira sustentável e que protejam os ecossistemas marinhos vulneráveis de práticas de pesca destrutivas.

É urgente alertar a comunidade para a importância de proteger estes ecossistemas ameaçados antes das reuniões da AGNU.

Em Portugal a Greenpeace está a pedir aos grandes supermercados que dêem o exemplo assumindo as suas responsabilidades e deixando de comercializar espécies de profundidade. Estas empresas têm o dever de garantir aos seus consumidores a sustentabilidade de todo o peixe que comercializam e de não encorajar a destruição do fundo dos oceanos.

Desde o dia 16 de Outubro que a Greenpeace está na estrada para sensibilizar consumidores para as ameaças que os ecossistemas vulneráveis em alto mar enfrentam e para pressionar os retalhistas a tomar a liderança parando de comercializar espécies de peixe de profundidade.

Na Greenpeace acreditamos que este vídeo é uma boa oportunidade para divulgar as ameaças que os ecossistemas das águas profundas enfrentam e encorajar os portugueses a assinar a petição aos supermercados. Por isso estamos a pedir que divulguem o vídeo e a petição junto dos vossos contactos; que o coloquem nos vossos blogues ou sites, que o partilhem em redes sociais como o Facebook ou o Twitter e que o publiquem em fóruns.

Petição: Ajuda-nos a proteger um dos últimos refúgios da vida marinha do planeta!

Os melhores cumprimentos,

Osvaldo osvaldo.gago@greenpeace.org

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

CNRLI: O primeiro lince ibérico chegou hoje a Silves



Azahar, a primeira de 16 linces ibéricos que nas próximas semanas chegarão a Portugal para evitar a extinção da espécie, já foi libertada no centro nacional de reprodução em cativeiro destes animais, em Silves, constatou a Lusa no local.

A lince viajou hoje desde o jardim zoológico de Jerez de la Frontera, em Espanha, até Silves, onde foi libertada no cercado do centro de reprodução em cativeiro, uma espaço com cerca de mil metros quadrados e bastante maior do que aquele em que vivia.

Azahar viajou dentro de uma caixa desde Espanha, sempre monotorizada por um veterinário, e ao ser libertada no cercado de Silves mostrou-se nervosa e deu vários saltos, um comportamento que os técnicos do centro disseram à Lusa ser normal.

O animal, de cinco anos, viveu nos últimos três em cativeiro no jardim zoológico de Jerez de la Frontera e foi transferido hoje para Portugal ao abrigo do protocolo entre os ministros do Ambiente de Portugal e Espanha assinado em Agosto de 2007. O acordo tem como objectivo preservar uma espécie animal em vias de extinção.

Aos dois anos, Azahar foi capturada em Janeiro de 2006 em Sierra Morena, na Andaluzia, porque através das câmaras de videovigilância detectaram que ela tinha um alto nas costas e estava muito magra. A radiografia detectou uma vértebra partida e Azahar ficou em Jerez de la Frontera porque o centro espanhol precisava de capturar espécimes para procriar.

Fonte: LUSA Video: Ionline

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Primeiro lince chega ao Centro de Reprodução de Silves na segunda-feira

O primeiro de 16 linces chega esta segunda-feira, 26 de Outubro, ao Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves.

Outros 15 linces vão chegar durante o mês de Novembro, provenientes dos centros espanhóis de reprodução de Acebuche, no Parque Nacional de Donana, e de La Olivilla, anunciou hoje o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade.

Esta é uma etapa principal do Plano de Acção para a Conservação do Lince-ibérico em Portugal, que tem como objectivo viabilizar a conservação da espécie em território nacional, invertendo o processo de declínio continuado das populações que conduziu à situação actual de pré-extinção.

No contexto ibérico, o Plano de Acção visa contribuir para assegurar a viabilidade da espécie enquanto elemento fundamental dos ecossistemas mediterrânicos.

O Plano de Acção procura como uma meta final, a longo prazo, possibilitar a reintrodução do lince-ibérico na sua área histórica de distribuição. O modelo estratégico de actuação assenta num conjunto de medidas que se complementam: o programa de reprodução em cativeiro, a recuperação e a manutenção do habitat favorável, e a reintrodução de espécimes da espécie em territórios adequados.

Entre outros aspectos, ressalta a importância da gestão agrícola, florestal e cinegética para a criação das condições adequadas nos habitats potenciais de lince (para mais informação, consultar http://www.icnb.pt/).

O programa desenvolvido no CNRLI vai procurar favorecer o estabelecimento de uma população cativa de lince-ibérico viável do ponto de vista sanitário, genético e demográfico.

O CNRLI integra a rede ibérica de centros de reprodução de lince. Foi construído expressamente para servir este plano e inaugurado em Maio deste ano, resultando o seu financiamento de uma medida de sobrecompensação pela construção da barragem de Odelouca. A gestão é assegurada pelo ICNB.

Este primeiro lince é transportado em veículo especial desde o Zoobotânico de Jerez de la Frontera, em Espanha, e chega ao CNRLI na tarde desta segunda-feira.

O protocolo de bio-segurança associado ao programa de cativeiro do lince obriga a que não haja visitas aos centros de reprodução. Excepcionalmente, nesta segunda-feira, está previsto o acesso dos jornalistas interessados a uma sala de observação no centro.

Fonte: Barlavento online

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Novidades da campanha outonal de anilhagem na RNLSAS

No final de Setembro de 2009, no âmbito da campanha outonal de anilhagem, foram capturados dois indivíduos de duas espécies nunca antes anilhadas em Portugal, nomeadamente:

- Íbis-preto – Plegadis falcinellus.
Até à década de 90 (séc. XX), esta espécie era muito rara em Portugal, mas, nos anos mais recentes, um aumento significativo da população que nidifica no sul de Espanha levou a que o Íbis-preto se tenha tornado uma espécie mais frequente em Portugal, incluindo, naturalmente, na Lagoa de Santo André.


- Felosa-boreal – Phylloscopus borealis

Esta pequena ave insectívora é um visitante acidental raro em Portugal, mas muito comum no Norte da Europa. Trata-se de uma das maiores migradoras do Velho Continente, viajando até ao Sudeste asiático.






Fonte: ICNB Fotos: Paulo Encarnação - Vigilante de Natureza, Anilhador e Co-responsável pela Estação de Anilhagem de Stº André

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Centro de Recuperação de Animais Selvagens do PNRF tem nova gestão


A 14 de Outubro de 2009, na Quinta de Marim (Olhão), nas instalações do Centro de Educação Ambiental de Marim (CEAM), do Parque Natural da Ria Formosa, teve lugar o acto de transmissão da gestão do Centro de Recuperação de Animais Selvagens (CRAS) do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, IP para a Associação Aldeia.

Com a nova gestão a assegurar pela ALDEIA, o CRAS, passará a adoptar a designação de “RIAS” (Centro de Recuperação e Investigação de Animais Silvestres) e visa dar continuidade à recepção, tratamento e recuperação de animais silvestres, com vista à sua libertação na natureza.

Foto: alguns dos participantes na cerimónia. Ao centro, 1º plano, o Presidente do ICNB, Eng. Tito Rosa, à esquerda o Dr. Hugo Lopes, veterinário e co-coordenador do RIAS, à direita, um pouco atrás, o Director do DGAC Sul, Dr. João Alves e à direita (1º plano) o Vigilante da Natureza Daniel Santos, ligado ao CRAS. Imagem gentilmente cedida pela Assoc. Aldeia.

A concessão da gestão deste espaço, propriedade do ICNB, foi possível mediante:
- a constituição de uma parceria entre este Instituto e a ALDEIA, previamente submetida a concurso público, tendo a duração de 3 anos e podendo ser renovada por acordo entre as partes envolvidas; e
- o estabelecimento de um protocolo entre o ICNB e a ANA – Aeroportos de Portugal, SA, no âmbito da iniciativa Business & Biodiversity, traduzido na prestação de apoio financeiro por parte da ANA.

O “RIAS” tem como área de intervenção todo o Sul de Portugal, estando integrado na Rede Nacional de Centros de Recuperação de Animais Selvagens. Note-se que, a recolha de Animais Selvagens feridos ou debilitados, de espécies não cinegéticas, é assegurada pelos Técnicos e Vigilantes da Natureza do ICNB e pelas várias entidades policiais, nomeadamente do SEPNA-GNR e da Autoridade Marítima/Capitanias. Todavia, qualquer cidadão pode proceder à entrega directa, no RIAS, de exemplares de animais feridos de espécies não cinegéticas.

Fonte: ICNB

Mais informação: http://rias-aldeia.blogspot.com/

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Leomil: alcateia de lobo-ibérico ameaçada por parque eólico

O último reduto do lobo ibérico a sul do Douro pode estar ameaçado pela construção de um parque eólico na zona onde vive a alcateia de Leomil, a mais importante e estável desta região do país.
“Pode ser um golpe muito grave para a população de lobos a sul do Douro”, alertou um dos investigadores que tem acompanhado esta alcateia nos últimos anos, frisando que “a construção deste parque eólico é um ataque ao seu último reduto”.

Em causa está a sobrevivência da alcateia de Leomil, que vive numa zona isolada, tranquila e quase sem acessos, que será radicalmente transformada com a instalação do Parque Eólico do Douro Sul, com 103 aerogeradores. Segundo os investigadores, a construção deste parque afectará “mais de 60 por cento do território da alcateia”, incluindo centros de actividade e o local de reprodução, o que pode colocar em causa a sua sobrevivência.

Esta alcateia, enquanto fonte de animais dispersantes, assume também relevância na manutenção da população de lobos na região, pelo que poderá ser também colocada em causa a sobrevivência de toda a população desta espécie a sul do Douro, que já se encontra “isolada e ameaçada”.

O lobo é uma espécie prioritária para a conservação segundo a Directiva Habitats, da União Europeia, além de estar classificado em Portugal como espécie ‘em perigo de extinção’. A legislação nacional proíbe o abate e a captura de lobos, mas também a destruição ou deterioração do seu habitat e a sua perturbação, nomeadamente durante o período de reprodução.

A população de lobos existente a sul do Douro é muito reduzida, apresenta um nível elevado de fragmentação e possui um pequeno efectivo reprodutor, pelo que se caracteriza por uma grande instabilidade populacional. A mais importante e estável alcateia desta região vive na Serra de Leomil, que, apesar de ser um dos últimos redutos do lobo, não possui qualquer estatuto especial de protecção.

Fonte: Diário Digital