quinta-feira, 8 de julho de 2010

Governo aprova “pacote” de estímulos na área da energia

O Governo aprovou hoje um conjunto de diplomas para reforçar a presença de biocombustíveis no sistema de transportes e para estimular a descentralização e a micro produção de electricidade em Portugal.

Este pacote de iniciativas legislativas foi apresentado pelo ministro da Economia, Vieira da Silva, em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros.

Sobre o primeiro decreto, referente à micro produção de energia, Vieira da Silva diz que estabelecerá uma simplificação, a par de novas regras, para a autorização e entrada na rede de produtores isolados de electricidade.

“Até 2020, o Governo tem como objectivo instalar 250 megawatts com recurso a estes micro produtores de electricidade”, referiu o ministro da Economia.

Em relação à resolução agora aprovada para a produção descentralizada de energia, Vieira da Silva afirmou que o estímulo à chamada “mini geração” de empresas terá um regime diferente do anterior aplicável aos produtores isolados.

“A possibilidade de aceder à mini geração dependerá da existência de concursos e de leilão de potência, sendo a atribuição destinada aos concorrentes que apresentarem melhores condições.” O ministro acrescentou ainda que “este concurso será aberto a empresas de serviços, que poderão trabalhar para outras instituições nos domínios da co-geração e produção eléctrica”.

Relativamente ao reforço da presença de biocombustíveis no sistema de transportes, o membro do executivo declarou que Portugal pretende duplicar a inclusão dos combustíveis fósseis, que actualmente está nos 5 por cento, nos próximos dez anos.

“Serão majoradas as incorporações que tenham como base matérias-primas de origem nacional. Haverá também um sistema de transição para assegurar que os actuais produtores de biocombustíveis sejam salvaguardados, mas queremos favorecer a instalação de uma nova geração de refinação de combustíveis de origem vegetal”, salientou o membro do executivo.

Fonte: LUSA

Castelo Branco - DinoExpo recebe ninho com ovos de Dinossáurios e Bebés


A maior exposição itinerante do Mundo sobre Dinossáurios, alguma vez reunida, está patente no Centro de Exposições do NERCAB, em Castelo Branco, Portugal, até final de Outubro.

A DinoExpo intitulada “Dinossáurios invadem Geopark Naturtejo” foi agora invadida por novas réplicas, entre elas, um ninho com ovos de dinossáurios, ovos com embriões e os bebés Iguanadon e Styracosaurus.

Nestas peças poderá encontrar ovos com mais de 150 milhões de anos como é o caso do ovo de um Alossaurídeo que foi encontrado em Portugal. Poderá também observar ovos de Oviraptor, de Sauropóde e de Teropóde.

Os dinossáurios eram animais ovíparos, daí os embriões se desenvolverem dentro de um ovo, fora do corpo da mãe, com substâncias alimentares e de protecção. Esta e outras curiosidades poderão ser reveladas numa descoberta de 3000 m2, com uma fascinante viagem aos nossos antepassados que conta com aves e répteis voadores, contemporâneos dos gigantes do passado.

A CP - Comboios de Portugal, a Rodoviária da Beira Interior e a organização da MAIOR exposição itinerante sobre Dinossáurios, alguma vez reunida no Mundo, criaram uma iniciativa denominada “De Comboio aos Dinossáurios - uma campanha amiga do Ambiente”, que oferece descontos no bilhete do comboio e na entrada da exposição, com garantia de transfer entre a Estação e Centro de Exposições, através do “autocarro dos Dinossáurios”.

Esta exposição encontra-se aberta diariamente entre as 10h00 e as 19h00, e pode ser visitada por todos, com acompanhamento feito por geólogos ou através de uma visita pedagógica no âmbito de programas educativos.

Saliente-se que as visitas pedagógicas, inseridas nos programas educativos do Geopark Naturtejo, estão sujeitas a marcação e destinam-se a alunos e professores do Ensino Pré-Escolar, Básico, Secundário, Profissional e Superior. Este programa é dinamizado por técnicos com formação adequada para explorar pedagogicamente os conteúdos adaptados aos diferentes níveis de ensino e para apoiar as actividades.

A esta oportunidade única de ver em Portugal uma grande exposição, que os Museus mais importantes do Mundo gostariam de ter, a Naturtejo acresce a oportunidade de explorar as belezas do Geopark Naturtejo, embarcando numa viagem que recua milhões de anos. O programa especial constituído pela Naturtejo inclui 3 dias / 2 noites de alojamento com pequeno-almoço, 1 Almoço com produtos regionais, visita acompanhada à Exposição “Dinossáurios invadem o Geopark”, realização do PR3-Rota dos Fósseis em Penha Garcia, com passagem pela aldeia típica, pelas ruínas do castelo templário, pelo Parque Icnológico (icnofósseis) e pelos moinhos de rodízio, visita ao Centro de Interpretação Ambiental de Castelo Branco: introdução da paisagem do Tejo Internacional (actividades virtuais) e visita aos Troncos Fósseis da Casa de Artes e Cultura do Tejo com 10 Milhões de Anos.

Não perca a oportunidade de visitar esta fascinante exposição dirigida para todas as idades e a preços acessíveis para os diferentes públicos: Individual: 6€
Grupos Escolares e Grupos Seniores (+25 participantes): 3.5€
Crianças 6 a 12 anos: 4€
Cidadãos Seniores (sujeito a apresentação do cartão de pensionista): 4€
Empresas (+25pessoas): 4€.

Para mais DinoInformações encontram-se disponíveis os seguintes contactos: Telefone: 272 320 176
Fax: 272 320 137
Central de Reservas: 707 200 065
Email: geral@naturtejo.com
Programas Educativos: programas_educativos@naturtejo.com; www.dinoexpo.com.pt ou www.naturtejo.com.

Ao longo da exposição não vai faltar animação, através de espectáculos de teatro, música, gastronomia, actividades lúdicas sobre paleontologia e apreciar encantadoras peças de merchandising relacionadas com o tema, entre outras.


Local e Duração da Exposição:

Centro de Exposições do Nercab

Avenida do Empresário – Praça Nercab

6000 – 767 Castelo Branco - Portugal

De 27 de Março a 30 de Outubro entre as 10h00 e as 19h00


Mais novidades Geopark Naturtejo

Elvas: Quercus alerta que só cerca de 10% dos ninhos poderão ser removidos

A Quercus considera "ineficaz" a operação montada para salvar a colónia de andorinhões-pretos da muralha de Elvas, prestes a ser demolida, e alerta que só dez por cento dos 300 ninhos serão passíveis de ser removidos.

O Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) confirmou hoje ao PÚBLICO que foi suspensa ontem de manhã a operação de remoção dos ninhos e encaminhamento dos andorinhões-pretos (Apus apus) para centros de recuperação. “Os trabalhos foram suspensos por causa da providência cautelar” interposta pela Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, explicou Anabela Isidoro, do ICNB. A intervenção aguarda agora a “luz verde”, ou não, de uma decisão judicial.

Através da providência cautelar, a Quercus quer “ganhar tempo para se conseguir chegar a um consenso”, disse Nuno Sequeira, vice-presidente da associação. A Quercus defende que se deve esperar pelo final do período de nidificação das aves, ou seja, duas a três semanas, período ao fim do qual as aves já podem voar. Além disso pede “uma perícia independente do LNEC [Laboratório Nacional de Engenharia Civil] à estabilidade do edifício” – a antiga muralha da igreja de São Paulo -, bem como que este proponha medidas de protecção, por exemplo, acrescentou ao PÚBLICO.

Segundo Nuno Sequeira, a operação de remoção de ninhos é “ineficaz” e “não vai resolver o problema” das aves. Ontem, quando “começaram os trabalhos no local, os vigilantes aperceberam-se de que o acesso a vários ninhos é muito limitado”. A estimativa é de que apenas dez por cento dos 300 ninhos possa ser removido. Anabela Isidoro confirma que existem “ninhos inacessíveis”, por estarem em locais “muito profundos”.

Aves resgatadas serão enviadas para três centros de recuperação

De acordo com Anabela Isidoro, as aves que forem resgatadas serão enviadas para os centros de recuperação de Monsanto, Quinta de Marim e Gouveia.

Segundo Ricardo Brandão, veterinário responsável pelo centro de Gouveia, o CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais) – estrutura do Parque Natural da Serra da Estrela, actualmente sob a gestão da Associação ALDEIA -, estas aves arriscam-se a ter uma taxa de recuperação inferior a 50 por cento. “São aves muito pequenas, com um elevado metabolismo, o que quer dizer que gastam a energia muito depressa, e estão quase sempre em voo. Estas aves não se dão bem em cativeiro, entram em stress”, considerou, lembrando que a melhor solução seria adiar a intervenção entre duas a três semanas.

O responsável pelo CERVAS, que desde o início do ano já recebeu um total de 190 animais, lembrou ainda que "as aves terão de ser alimentadas, uma a uma, de duas em duas horas”. Salientando que a missão “não é impossível” e que “espaço se arranja sempre”, o responsável sublinha que a dificuldade maior é ter pessoas”. Actualmente, o centro conta com 14 elementos, quatro delas pertencentes ao corpo técnico.

Em causa está a demolição da muralha de Elvas a pedido do Exército, responsável pelo imóvel, alegando o risco para a sua iminente derrocada. A obra avançou até que a Quercus alertou a GNR e o ICNB, uma vez que o andorinhão-preto é protegido pela legislação nacional. Segundo Sandra Moutinho, porta-voz do ICNB, o primeiro parecer do instituto foi no sentido de que a demolição deveria aguardar algumas semanas, até que as aves terminassem a sua nidificação e deixassem o local, como fazem todos os anos. Mas o Exército argumentou que a demolição era urgente. O ICNB acabou por autorizar a operação.

Fonte: Publico.pt

BP pretende estancar mancha no Golfo do México ainda este mês

A BP mostra-se optimista quanto a um possível estancamento da mancha de crude provocada pela explosão da plataforma petrolífera Deepwater Horizon no passado dia 20 de Abril.

Através da técnica botton kill, a British Petroleum (BP) vai tentar travar o jorro de petróleo até ao final deste mês. A técnica de botton kill consiste na injecção de uma elevada dose de lama e cimento através de poços de apoio. Esta estratégia é considerada difícil e perigosa, mas possui já um recorde significativo na estancagem de poços.

Em declarações ao jornal norte-americano Wall Street Journal (WSJ), Bob Dudley, director operacional da intervenção da BP no Golfo do México, afirmou que “no mundo perfeito sem interrupções, é possível estar preparado para estancar o poço entre os dias 20 e 27 de Julho”. Contudo, a operação está agora ameaçada pela temporada de furacões para a zona do Atlântico, que começou oficialmente a 1 de Junho.

Ontem, uma nova depressão tropical formou-se na zona do Golfo do México, chegando a atingir ventos de 55Km/h, depressão esta que veio perturbar ainda mais a limpeza do derrame.

Enquanto isso, o grupo petrolífero vai pondo em prática uma série de planos de contingência na tentativa de estancar o derrame o mais rapidamente possível. Um desses planos consiste na ligação dos poços de um oleoduto a um gasoduto existente no fundo do mar.

No dia 20 de Julho, a BP pretende emitir um relatório de todo o processo até agora feito tendo em vista a solução do problema. Segundo o WSJ, será também neste dia que o primeiro-ministro britânico David Cameron irá a Washington discutir com o presidente Barack Obama o futuro do grupo BP.

Fonte: Publico.pt

Número de plantas desconhecidas que estão ameaçadas é maior do que o previsto


Uma equipa de cientistas ingleses e norte-americanos calculou que estão por descobrir mais dez a 20 por cento de plantas com flor, chamadas angiospérmicas. Por isso, o número de espécies ameaçadas será maior do que o actualmente estimado. Esta é a conclusão de um estudo publicado ontem na revista Proceedings of the Royal Society B.

“Os cientistas estimam que, ao todo, podem existir entre cinco e 50 milhões de espécies, menos de dois milhões destas espécies foram descobertas até agora”, refere no comunicado Lucas Joppa, primeiro autor e investigador da Microsoft Research, em Cambridge. “Utilizando métodos novos, conseguimos refinar a estimativa total das espécies de plantas com flor e calcular quantas é que ainda não foram descobertas.”

A equipa foi buscar a informação que estava online no World Checklist of Seleceted Plant Families e no jardim botânico Kew Gardens. A partir dos dados conseguiram inferir a proporção de espécies ameaçadas. “Se calcularmos o número de espécies que agora estão ameaçadas e adicionarmos aquelas que ainda não foram descobertas, podemos estimar que entre 27 e 33 por cento de todas as plantas com flor estão ameaçadas de extinção”, diz David Roberts do Instituto de Durrell para a Conservação e Ecologia da Universidade de Kent, onde a investigação foi conduzida.

Segundo Joppa estas descobertas têm grandes implicações a nível de conservação já que, se as espécies são desconhecidas, o mais provável é serem muito raras e estarem ameaçadíssimas. “A percentagem reflecte o impacto global de factores como a perda de habitat e pode aumentar se tivermos em conta outras ameaças como as alterações climáticas”, refere o autor.

As plantas com flor foram a última grande invenção evolutiva no Reino Vegetal. Os fósseis mais antigos destas espécies conhecidos para a ciência são contemporâneas dos dinossauros. As primeiras plantas existiram há 140 milhões de anos.

Fonte: Publico.pt

A história da amizade entre uma marmota e uma ave


No Inverno, uma hiberna, a outra supõe-se que parte em migração. Na Primavera e no Verão encontram-se e partilham o mesmo condomínio. Segunda e última parte de uma expedição científica por Xinjiang.

O relato que ouviu de um cientista estrangeiro, de visita a Portugal no ano passado, encantou-o tanto que quis ver se era verdade — e foi assim que Nuno Monteiro acabou numa pradaria na China, 2500 metros acima do nível do mar.

A história é esta: na pradaria de Bayanbulak, que fica num planalto da cordilheira Tianshan, na região chinesa de Xinjiang, existe uma espécie de marmota que partilha a casa com uma ave durante a Primavera e o Verão. É por essa altura que ambas cuidam dos filhos que acabaram de nascer. Com a aproximação do Inverno e da neve que cobre o planalto, a marmota hiberna na sua toca e a ave pensa-se que parte para terras mais quentes. Talvez até África.

Há agora uma planície de gramíneas, um rio que corre em meandros, cada vez mais fortalecido pelo degelo da neve, uma montanha em redor que continua branca nos picos, o sol que desponta pela manhã fria, a brisa que se sente no rosto, um casal de cisnes que pousa na água, uma única casa nesta parte da pradaria, com vista desafogada, onde vive um guardador de lobos — e no chão muitos buracos, as tocas das marmotas, que são roedores.

Nunca tal associação surgiu descrita num artigo científico, mas foi esse o relato que Nuno Monteiro ouviu a Ablimit Abdukadir, quando este investigador do Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang visitou, em meados de 2009, o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) da Universidade do Porto.

“Relações tão próximas entre espécies tão distintas são raras. Envolvendo mamíferos, creio que não foram ainda descritas”, diz o biólogo do Cibio e docente de Parasitologia na Universidade Fernando Pessoa, no Porto.

“Achei a história apaixonante”, continua Nuno Monteiro. “Cresci a ver os documentários da BBC, invejando intensamente o David Attenborough pela sua capacidade de surgir entre a câmara e o mais exótico dos animais. Ouvia-o imediatamente a narrar a história desta amizade improvável, e achei que íamos para a frente com o projecto.”

Foram mesmo para a frente, ele e Albano Beja Pereira, zootécnico também do Cibio, e assim incluíram nos objectivos de uma expedição por Xinjiang, no coração da famosa Rota da Seda, o estudo da convivência invulgar entre uma marmota e uma ave.

À espreita no planalto

“Professor, isto são ‘caganitas’ de marmota?”, pergunta o biólogo português, perto de uma toca na planície de tufos rasteiros, a Ablimit Abdukadir.

“Oh, sim.”

“Vou recolhê-las.”

Pela planície vagueiam outros olhos atentos ao chão. Enquanto Ablimit Abdukadir, da etnia uigur, muçulmana e minoritária na China mas dominante na região de Xinjiang, se ocupa a identificar excrementos, Albano Beja Pereira traz mais tubos para guardar amostras destinadas a estudos de ADN. Com eles está Chen Shanyuan, estudante chinês de pós-doutoramento de Beja Pereira no Cibio há alguns anos, e que já conhecia Abdukadir. E Adil Tohti, outro uigur, o contacto local, que conduz os recém-chegados pelo território das marmotas.

Adil Tohti vive na única casa de tijolos nesta parte da pradaria, sozinho com os 14 lobos que apanhou e gosta de manter em jaulas no quintal, com vista para os meandros do rio Kaidu. E já tem uma marmota enjaulada à espera da equipa. Diz ser proprietário de mil ovelhas, uma gota de água entre os 200 mil animais (vacas, iaques e cavalos, além de ovelhas) que pastam no imenso planalto habitado por 30 mil pessoas.

Ao fundo, a poucos minutos de jipe, avista-se a cidadezinha de Bayanbulak. A rua principal, de terra batida, é uma sucessão inesperada de hotéis e restaurantes, ao fim da travessia de algumas horas pelo planalto salpicado de manadas de iaques e de vacas e rebanhos de ovelhas brancas de cabeça preta.

Muitas vezes atrás do gado seguem pastores a cavalo. As iurtes, tendas circulares dos mongóis, povo nómada que partilha o vale com uigures e cazaques, deslumbram. As suas chaminés em forma de tubo fumegam, principalmente de manhã, e ao lado das tendas encontram-se sinais dos avanços tecnológicos. Estão munidas de painéis solares dispostos no chão.

A cidade congrega dez mil habitantes, muitos dos quais mineiros na região, e à noite o ar está impregnado de um cheiro a carvão vindo das lareiras de casas modestas, nas ruas mais recuadas. Os hotéis albergam os turistas que nos meses de Verão procuram estas paragens, afinal esta pradaria, uma das maiores da China, tem uma famosa reserva natural de cisnes, constituída por inúmeros pequenos lagos. Concentram-se aqui mais de um milhão de cisnes, mas as aves de diversas espécies podem chegar aos dez milhões.

Numa rua lateral, há um cinema e à sua frente dispuseram-se mesas de bilhar. Cibercafés também existem; e se pesquisarmos no Google a palavra “Xinjiang” o resultado na Wikipédia, em inglês, menciona os confrontos étnicos entre os uigures e os chineses hans, a etnia dominante na China, há um ano na capital da região, de que resultaram oficialmente quase 200 mortos e mais de mil feridos. Esses confrontos foram a manifestação mais violenta do clima de tensão étnica latente em Xinjiang. O Facebook ou o YouTube encontram-se, no entanto, bloqueados.

Passeando o olhar por cima do terreno com as tocas, avistam-se duas iurtes. Como serão por dentro?

E, zás, as marmotas aparecem e desaparecem — confundindo-se na paisagem ou entrando numa das várias aberturas das tocas. Percebe-se que têm o pêlo amarelado, com laivos negros.

É a Marmota baibacina, o nome científico da sua espécie. O que dá ela exactamente à ave, uma espécie de chasco? “Um T0”, brinca Nuno Monteiro. “Os chascos fazem os ninhos em buracos. Mas esta paisagem não tem grande diversidade para fazerem o ninho. Os chascos já têm um apartamento nos buracos das marmotas.”

E a ave, o que dá à marmota em troca? “Sendo herbívora, quanto mais a marmota sobe em altitude, menos alimento tem disponível. Se vivesse sozinha, não adiantaria subir muito, porque o esforço para procurar alimentos seria tanto que suplantaria os benefícios e em grande parte do tempo estaria preocupada com os predadores. Associada com um pássaro, pode ocupar novos territórios”, explica Nuno Monteiro. A ave põe-se em guarda e avisa as marmotas de potenciais predadores.

“Mas ainda não vimos ave nenhuma”, lamenta o biólogo a Beja Pereira, ao fim de algum tempo. Tivesse dito isto mais cedo e o seu desejo ter-se-ia já cumprido.

Ali está uma. Contente? “Não, ainda não a vi entrar na toca. Mas está a emitir chamamentos.” São os humanos que representam perigo.

O biólogo caminha na direcção da ave, observando-a: ela voa rente ao chão para aqui, para ali, e vai pousando. “Segue um padrão: tem uma série de sítios de pouso.”

Embora sem certezas ainda, deve ser um chasco da espécie Oenanthe isabellina, meio esbranquiçado por baixo, acastanhado no dorso e com pontas pretas na cauda. Come insectos.

Ave e marmota protagonizam as conversas. “Uma família de marmotas pode ter quatro ou cinco buracos”, diz Ablimit Abdukadir. “Quantos filhos têm?”, pergunta-lhe Beja Pereira. “Quatro a seis.”

As dúvidas surgem. “Não tenho a certeza de que a ave e a marmota vivam tão próximas como eu penso, porque as aves que vimos emitiam sons de alarme para muitos buracos”, questiona-se o biólogo.

As dúvidas logo se desfazem, quando uma ave aprece junto a um buraco. “Olha, entrou! Saiu e voltou a entrar.”

Timidamente, ela assoma-se e esconde-se ainda algumas vezes. Outras duas aves, um casal, prendem a atenção de Nuno Monteiro e Beja Pereira, especados no meio da planície, de costas voltadas para o resto da equipa, com casacos até aos joelhos.

Afinal, a história da amizade entre uma marmota e uma ave é mesmo a sério. “Uma coisa é ouvir [um relato], outra é ver com os próprios olhos. Fico satisfeito”, diz Monteiro.

Se um ninho estiver perto da entrada da toca, será fácil esticar o braço e apanhar um ovo para tirar ADN. Mas nenhum está. Já da marmota, além dos excrementos, os cientistas não tardariam a ter um tipo de amostras algo inesperado.

Tudo porque, no seu carro, Adil Tohti avança pela planície a grande velocidade, guinando para aqui, para ali, enquanto se dirige às duas iurtes que despertaram tanta curiosidade. Pelo caminho as marmotas que andam na pradaria assustam-se, desatam em correria, e uma acaba debaixo dos pneus — Chen Shanyuan e Ablimit Abdukadir aproveitam então para cortar pedaço das orelhas para recolher ADN e tirar as medidas ao bicho.

“Que idade tem o animal?”, pergunta Beja Pereira. “Quase três anos”, diz-lhe Abdukadir ao inspeccionar os dentes. “E viveria quanto tempo?” “Cinco a sete anos.” (Dentro de uma das tendas mongóis, ocupada por uma família nómada, dispõem-se duas camas, roupas meticulosamente dobradas, alguidares, fotografias emolduradas, uma lâmpada eléctrica pendurada do tecto ou uma salamandra no centro que aquece o espaço).

Um D. Juan da montanha

Interessado nas questões de evolução e nos laços de parentesco entre indivíduos de uma espécie, para Nuno Monteiro esta amizade improvável entre uma marmota e uma ave representa um sem-fim de especulações científicas. Por exemplo, os descendentes da família da marmota e a da ave continuam a viver juntos de ano para ano ou os seus laços são mais efémeros? Espera-se que o ADN de ambas dê algumas respostas.

“Com esse ADN, obtemos um perfil, uma espécie de impressão digital única para cada indivíduo. Quando amostrarmos as crias, saberemos quem são os pais e as mães. Teremos uma indicação do sistema reprodutivo das duas espécies”, explica o cientista português. “Serão os agregados familiares bem comportados (monogâmicos), ou existirão facadinhas no matrimónio? De uma época reprodutiva para a seguinte, os casais mantêm os laços ou escolhem-se novos parceiros? Quem é o ‘D. Juan’ da montanha? Em resumo, poderemos compreender em detalhe a biologia destas populações de aves e marmotas, e a intensidade da sua relação.”

Será que estas populações co-evoluíram? “Se a ligação for realmente profunda, poderá já estar escrita nos genes. Interessa-nos saber quão dependentes estão uma da outra, neste habitat específico.”

Muito antes de terem uma resposta, os cientistas portugueses ainda têm pela frente uma certa tarefa mais premente, no final da viagem que os levou a percorrer quase cinco mil quilómetros por Xinjiang, atrás de marmotas e aves (e dos burros selvagens da Ásia, como contámos na primeira parte do relato desta expedição, a 24 de Junho). Sempre atrás de excrementos, tudo pelo ADN. Pelo que é já longe de Bayanbulak, de regresso a Ürümqi, a capital de Xinjiang, após quase duas semanas na estrada, que a expedição tem o desfecho oficial. Nas escadas de um hotel, à noite, Nuno Monteiro e Beja Pereira retiram de uma geleira os excrementos guardados em tubos e embrulhados em papel de alumínio, para estudos de genética e de parasitas. Destapam o que recolheram ao longo da expedição, preparando e dividindo amostras, que vão seguir para Portugal de avião. “Os da marmota estão podres, eia, que bedum...”

Fonte: Publico.pt

The EUROPARC Federation: The EUROPARC's June E-News 2010


Welcome to the June issue of our E-News! In June directorate staff were networking intensively during the Green Week in Brussels. The EUROPARC Brussels event with the Valencia Region (ES) and the region of Saxony Anhalt (DE) was a great success and is reported on here as well as other important events that we attended during the week.

We also report on the European Day of Parks, the Nordic Baltic Seminar in Estonia, important news from the EUROPARC Council, our Conference in September and the following...

A link to our Brussels news and current EU funding opportunities
Reports from EUROPARC members on their European Day of Parks events
Important news from the EUROPARC Council
A personal report from NatuRegio trainee Iulia Olariu
Learn about human activity in Abruzzo, Lazio and Molisse National Park
More information about the Junior Ranger Camp
A book review of EUROPARC’s ‘Living Parks’ book
News from EUROPARC Germany and France
A tale from Estonia about the recent Nordic Baltic seminar
More Bang for Your Buck from EUROPARC Consulting
This month we explore Sutjeska National Park (BA)
    And more


Please follow this link to download the June E-News:

http://www.europarc.org/uploaded/documents/392.pdf

When you have read enough why not register a side meeting for our conference, read our Brussels news or go out and enjoy the sunshine whilst exploring one of your local protected areas.

Kind regards,

Morwenna Parkyn
Communications Officer

EUROPARC Federation
Waffnergasse 6
93047 Regensburg
Germany
Office tel: +49 (0)941 599 35 98-0
Fax: +49 (0)941 599 35 98-9
office@europarc.org
http://www.europarc.org/

Quercus consegue adiar remoção de ninhos de aves protegidas


Ministério obrigado a suspender trabalhos para retirar ninhos de uma muralha em Elvas por causa de providência cautelar.

O Ministério do Ambiente suspendeu esta quarta-feira os trabalhos para retirar ninhos de uma muralha em Elvas, onde nidifica uma das maiores colónias de andorinhão-preto do país, na sequência de uma providência cautelar interposta pela Quercus.

«Os trabalhos foram suspensos devido à entrada em tribunal de uma providência cautelar interposta pela Quercus», revelou à Lusa fonte do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB).

A mesma fonte acrescentou que o ICNB «aguarda» a decisão judicial, que deverá ser conhecida durante a tarde, para depois equacionar como vai agir neste processo.

A Quercus avançou na segunda-feira, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco, com uma providência cautelar para suspender a eficácia da licença da remoção de ninhos.

«O que nós queremos, em nome do bom senso, da transparência e de danos que podem ser irreversíveis, que seja adiado por 48 horas a remoção dos ninhos», afirmou o vice-presidente da Quercus, Nuno Sequeira.

As autoridades pretendem retirar os ninhos da muralha da Igreja de São Paulo, um espaço que pertence ao Exército, para proceder à demolição da respectiva muralha que, segundo as autoridades, está em «risco de ruir».

A Quercus considera que a remoção dos ninhos poderá provocar a morte à maioria das crias. De acordo com Nuno Sequeira, trata-se de uma operação que está «condenada ao fracasso», uma vez que o acesso aos ninhos é «limitado».

«E as poucas crias que sairão daqui (retiradas pelo ICNB) estão condenadas à morte dado que a taxa de sucesso deste tipo de aves em cativeiro situa-se entre os zero e cinco por cento», acrescentou.

Entretanto, o ICNB pediu ao Exército para avaliar a possibilidade de se suspender a obra até à conclusão da nidificação na colónia e a alternativa de ser criado um perímetro de segurança para evitar riscos para a segurança pública.

O Exército informou o ICNB do «risco de desmoronamento» e da «não exequibilidade de um perímetro de segurança, considerando que o adiamento dos trabalhos de demolição colocaria em risco vidas humanas», argumentos que levaram à emissão da licença «extraordinária» do instituto.

O ICNB comprometeu-se a «tentar maximizar as possibilidades de recolha dos espécimes da colónia», que serão encaminhados para os seus centros de recuperação de animais selvagens.

Fonte: http://www.tvi24.iol.pt/

Poeiras do Norte de África varrem Portugal continental

Há muita poeira no ar, e a culpa desta vez não é nem das indústrias, nem dos automóveis. É do deserto.Portugal está sob a influência de uma nuvem de poeiras vindas do Norte de África, que está contribuir para níveis elevados de partículas no ar.

É um fenómeno natural que acontece com alguma frequência, segundo Francisco Ferreira, especialista em poluição atmosférica e professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa. Portugal tem vindo, nos últimos dias, a ser varrido por uma massa de ar quente vindo do Norte de África e do interior de Espanha. E, além do calor, essa mesma massa de ar está a transportar as poeiras.

No Algarve, em alguns pontos onde choveu ontem, a poeira assentou sobre carros, varandas e roupas no estendal. “Se não chover, não se nota”, diz Francisco Ferreira. O único sinal pode ser uma faixa amarelada no horizonte.

As estações da qualidade do ar estão, no entanto, a acusar a passagem da nuvem do deserto. Dados de hoje, publicados pela Agência Portuguesa do Ambiente, indicam que, em vários pontos do país, a concentração de partículas (PM10) estava a ultrapassar o valor-limite para a protecção da saúde humana – que é o de 50 microgramas por metro cúbico, em média diária. “Parte desses valores é devida a esse fenómeno natural, não há qualquer dúvida”, afirma Francisco Ferreira.

Em 2009, situações semelhantes afectaram a qualidade do ar em Portugal durante 141 dias, quase um terço do ano. Já 2010 “está a ser mais fraco”, avalia Francisco Ferreira. Até agora, houve já 40 dias de influência da poluição natural vinda das zonas áridas do Norte de África.

A evolução desta situação é seguida diariamente pelo Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da FCT. O seu peso sobre a qualidade do ar não é contabilizado, no entanto, para efeitos de cumprimento da legislação comunitária – segundo a qual só pode haver 35 dias por ano com valores acima do limite para partículas. Ricardo Garcia

Fonte: Publico.pt

Incêndio está a ameaçar Pantanal no Paraguai


Um gigantesco incêndio que deflagrou na Bolívia está a ameaçar a parte paraguaia do santuário vegetal do Pantanal, uma região onde existem milhares de espécies de fauna e flora.

“O incêndio avançou pela zona do rio Negro, na fronteira entre o Paraguai e a Bolívia. Estende-se ao longo de 15 quilómetros e não está a mais do que 26 quilómetros a Norte da estação Três Gigantes no Pantanal”, anunciou a ONG Guyra Paraguai, citada pela AFP.

O incêndio foi intensificado pelos ventos de cerca de 30 quilómetros por hora que sopram de Norte, adiantou esta organização paraguaia de defesa da biodiversidade.

No ano passado, um incêndio idêntico, com origem na Bolívia, também afectou a parte paraguaia do Pantanal, que se estende da Bolívia ao Brasil e ocupa cerca de 200 mil quilómetros quadrados, recordou Roberto Segóvia, oficial da polícia de Bahia Negra, região a que pertence a estação de Três Gigantes. Esse incêndio deveu-se a uma seca prolongada que afectou aquela região no Norte do Paraguai.

O Pantanal é considerado uma das maiores riquezas do mundo em termos de biodiversidade e é visitado anualmente por inúmeros turistas. O ano passado um grupo de ambientalistas criou a ONG SOS Pantanal no Brasil, onde cerca de 17 por cento da zona florestal, mais de 25 mil quilómetros quadrados, foi já destruída e deu lugares a plantações de soja ou pastagens.

Segundo um relatório da organização Conservação Internacional, se o ritmo de plantação se mantiver toda a vegetação do Pantanal brasileiro desaparecerá em 45 anos.

Fonte: AFP

Portugal vai ter programa para o mar profundo


Compromisso Portugal vai ter até ao fim do ano um programa científico específico para o mar profundo, com verbas próprias e destinado a todas as áreas com ela relacionadas, da oceanografia à bioquímica, biotecnologia ou geologia e geoquímica. A ideia é aproveitar e potenciar a capacidade científica e os meios já existentes no País e estabelecer novas parcerias internacionais para aproveitar os recursos no fundo marinho português e com isso gerar riqueza e novo conhecimento. A decisão saiu do encontro Ciência 2010, que ontem terminou em Lisboa.

"Nos próximos meses, certamente até final do ano, teremos essa estratégia definida", adiantou ao DN o ministro da Ciência, Mariano Gago que, juntamente com o ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, presidiu ontem à sessão Que Estratégia Científica para o Mar Porfundo? . Esta sessão encerrou uma sucessão de apresentações e de debates, ao longo dos quatro dias que durou o encontro Ciência 2010, sobre os diferentes trabalhos que estão a ser feitos pela comunidade científica portuguesa na área do mar profundo.

Ontem na sessão de discussão sobre a futura estratégia, e perante os dois ministros presentes, os cientistas sublinharam o crescimento exponencial das equipas e o know-how adquirido nos últimos 20 anos, e identificaram também várias fragilidades, que deverão ser tidas em conta, como notaram. Falta de tempo de navio para fazer investigação, necessidade de equipamentos, de novas parcerias internacionais e de partilha de dados são algumas delas. Os ministros tomaram nota.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O coordenador de conservação na WWF Portugal acredita (ambientalmente) no país

Luís Neves Silva vive no Alentejo, mas veio a Lisboa assistir uma conferência sobre biodiversidade e o seu valor no mercado. O Planetazul apanhou-o numa esplanada da Avenida da Liberdade no final do almoço. Apesar do tempo quente não houve tempo para cervejas e caracóis, mas não saímos da mesa até ficarmos a conhecer a relação com o ambiente do coordenador do programa de conservação da Organização Não Governamental (ONG) WWF em Portugal. E porque é que não vive em Lisboa, se foi aí que nasceu?

“Embora seja de Lisboa, assim que acabei o curso saí para trabalhar na área florestal. Tive um par de anos na Cova da Beira, na Beira Interior, que foi o início da minha carreira profissional”, responde ao Planetazul Luís Neves Silva, coordenador do programa de conservação da WWF Portugal.

Luís Neves Silva licenciou-se em Engenharia Florestal, fez uma especialização em Gestão de Recursos Naturais e meteu logo as mãos na terra . “Estive ligado a um projecto na Quinta da França, do qual resultou a constituição de uma empresa, que é a Terra Prima [ainda activa]”.

No fim desses anos mudou-se para o Alentejo e é aí que hoje vive com a família. “No Alentejo ainda tive alguns projectos ligados à parte de investigação, mas depois envolvi-me com algumas empresas ligadas ao Alqueva, nomeadamente no acompanhamento do impacte ambiental e na definição dos projectos e das medidas de minimização [da construção da barragem]”.

Foi nessa altura, durante a construção da barragem do Guadiana, que foi contactado pela WWF. “O primeiro projecto em que me envolvi foi o Programa Sobreiro, que tinha em vista a conservação dos montados de sobreiro e de azinheira. Dentro da parte florestal, que me ocupou os primeiros três anos, envolvemo-nos mais a fundo com a certificação, tendo sido implementado o sistema de certificação do Forest Stewardship Council (FSC)”.

Nos últimos dois anos, o trabalho de Luís Neves Silva e da WWF saiu da floresta e diversificou-se. “Recursos hídricos, em termos do uso responsável da água - publicámos o relatório da pegada hídrica de Portugal - e temos começado a trabalhar com as alterações climáticas”.


Comida e ambiente

Mas a saída de Lisboa não foi só resultado de uma obrigação profissional. “Sei que a questão de fundo na minha vida pessoal foi esta decisão de sair de Lisboa”, começa Luís Neves Silva.

Na opinião do coordenador da WWF é nas cidades médias que está a virtude e é esse o ponto que quer destacar da sua relação com o ambiente ( “Tinha pensado no que iria dizer, porque não vale a pena enumerar 30 coisas”, confessa). “Eu vivo numa cidade média [Vila Nova de Santo André, na costa alentejana] e a qualidade de vida é acima da média. Há infra-estruturas, serviços básicos de saúde, educação, há massa crítica, há vida social. Depois há muitas coisas que a grande cidade tem dificuldades em dar-nos: aí, para levar as crianças à escola, coisa em que eu de manhã gasto menos de três minutos a pé ou de bicicleta, perde-se um tempo infinito; temos espaços naturais onde os posso levar, para eles saberem que a natureza não é uma coisa estranha e distante. Para mim, essa é a decisão de fundo”, acrescenta.

Porém, essa sua decisão de vida e de carreira tem outro lado, menos correcto ambientalmente. “Isto tem um custo. A minha pegada ecológica é essa: estou a 100 km de Lisboa e tenho um trabalho em que faço viagens internacionais”. No meio da urbe, numa das avenidas mais poluídas do mundo, voltamos às vantagens das cidades médias. “Outra das questões que eu acho muito importante são os produtos que nós consumimos no dia-a-dia. A maioria da minha alimentação, cerca de dois terços, é produzida localmente”. Até já dava vontade de ir embora. “Nestes espaços há uma tendência menor para o consumismo. A oferta é menor e a pressão a que somos sujeitos é menor”, continua.


Decisão fora das mãos das pessoas

As vantagens apresentadas por Luís Neves Silva não pretendem ser um mapa, um guia para uma vida sustentável.“São as grandes linhas que têm alguma coerência com a minha vida profissional. Agora, não sou um fundamentalista. E não vejo que seja sequer por aí o caminho. Acho que as coisas têm de ser um misto entre as opções individuais e a própria organização da sociedade”.

A mesa onde nos apoiávamos, culpa dos defeitos da calçada portuguesa, balançava, mas Luís Neves Silva mantinha-se firme: “Só depender das decisões individuais é quase impossível. Até pela complexidade [das mesmas]”. E explica. “Muitos destes produtos têm um percurso muito complexo. O ciclo de vida dos produtos é complicado, mesmo para um especialista. Dizer que é mais eficiente consumirmos um guardanapo de papel ou irmos ao secador de ar quente não é óbvio”. A solução passará, afirma, por “reduzir consumos” e utilizar uma “melhor tecnologia” rumo a uma “sociedade mais eficiente”.

Ainda assim, na opinião do coordenador da ONG, o nosso rectângulo à beira mar nem está tão mau quanto isso. “Uma das coisas que tento contrariar é a ideia de 'que é só neste país', como diz a música do Sérgio Godinho. Acho que não é nada só neste país, somos um país extremamente equilibrado, no meio caminho entre os países ricos e países pobres, hemisfério Sul e Norte. Neste reajustamento que vai ter de haver a nível mundial, somos dos países que menos vai sofrer”.

E qual é esse reajustamento? “A nossa economia tem de entrar num modelo de sustentabilidade económica. Não podemos continuar a olhar da mesma maneira. Isso acabou, atingiu os limites. Não dá para crescer mais”, analisa. Se não fizermos nada para mudar, o mundo “vai implodir e vamos continuar a degradar o nosso estilo de vida”. Há pois aqui uma escolha a ser feita: “Se deixamos para as gerações vindouras a mesma qualidade de vida que nós temos ou se lhes vamos deixar aqueles piores cenários de ficção científica”.

Fonte: http://www.planetazul.pt/

Câmara vai intentar acção judicial para impedir demolição de casa na Arrábida


A Câmara Municipal de Setúbal vai intentar uma acção judicial, “com factos novos”, para impedir a demolição de uma casa ilegal de um agricultor no Parque da Arrábida, depois de a destruição ter sido suspensa temporariamente pelo tribunal.

A demolição da casa de Florentino Duarte foi hoje suspensa por um período de quatro a seis semanas, disse à agência Lusa a presidente da câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira. “O juiz decidiu a suspensão da ordem de demolição atendendo ao facto de uma filha do agricultor estar grávida de oito meses e de se encontrar num estado de grande aflição”, disse a autarca setubalense, adiantando que a situação foi devidamente comprovada através de um atestado médico.

Satisfeita com a suspensão temporária da ordem de demolição, Maria das Dores Meira garantiu, no entanto, que a autarquia irá fazer tudo o que for possível para impedir, de forma definitiva, a demolição da casa de Florentino Duarte. “A situação do senhor Florentino é um caso social porque se trata de um terreno que dá emprego e habitação à pessoa e aos familiares”, salientou Dores Meira, lembrando que o agricultor vive naquela moradia juntamente com a mulher, um filho menor, um neto e a filha.

“Com mais de 60 anos, e a viver num apartamento numa zona urbana, o senhor Florentino não só não conseguiria arranjar emprego como também não poderia dedicar-se à agricultura e à pastorícia, actividades em que nada prejudicam o Parque Natural da Arrábida”, acrescentou a edil setubalense.

Ao contrário do que aconteceu com a moradia de Florentino Duarte, em que a ordem de demolição foi suspensa temporariamente, foi já demolida uma segunda casa de segunda habitação, na zona dos Picheleiros, na terça-feira, e ao princípio da tarde de hoje decorriam os preparativos para a demolição de uma outra casa, perto da aldeia da Piedade em Azeitão.

As três demolições foram decididas pelos tribunais, na sequência dos processos promovidos pelo Parque Natural da Arrábida há mais de uma década, sendo que as três moradias em causa já tinham recebido uma ordem de demolição que deveria ter sido executada em Julho de 2002.

A moradia que deverá ser demolida esta tarde pertence a Ana Merelo, mulher do secretário de Estado da Justiça e Modernização Judiciária, José Magalhães. Em 2002, o Parque Natural da Arrábida executou uma sentença de demolição da casa clandestina, desabitada, na Aldeia da Piedade, apesar dos protestos de Ana Merelo, que, na altura, denunciou alegadas irregularidades processuais devido à inexistência de um mandado judicial.

O director do Parque Natural da Arrábida disse então que o parque estava a cumprir a sentença de demolição por ordem do tribunal, afirmando que as casas a demolir não cumpriram os embargos decretados há cerca de duas décadas.


Dezenas de pessoas tentam impedir demolição de casas ilegais na Arrábida

A presidente da Câmara Municipal de Setúbal está hoje a interceder junto do oficial de Justiça, que vai acompanhar a demolição de duas casas ilegais perto da aldeia da Piedade, Azeitão, uma propriedade de um agricultor e outra da mulher do secretário de Estado da Justiça.

Segundo revelou à agência Lusa uma fonte camarária, Maria das Dores Meira terá invocado o facto de se tratar de um “caso social”, uma vez que o referido agricultor não tem outra habitação. O agregado familiar do agricultor inclui também uma filha, que se encontra grávida, além de um filho menor de 14 anos, a mulher e um neto.

No local em que estão previstas demolições de duas casas, construídas no Parque Natural da Arrábida, encontram-se viaturas e agentes da GNR, o vereador das Obras Municipais da câmara de Setúbal, Carlos Rabaçal, e a presidente da junta de freguesia de São Lourenço, Celestina Neves, bem como dezenas de populares.

As casas são propriedade de Florentino Duarte e da advogada Ana Merelo, mulher do secretário de Estado da Justiça e da Modernização Judiciária, José Magalhães.

Florentino Duarte já tinha recebido uma ordem de demolição da moradia, emitida pelo Supremo Tribunal de Justiça em 2002, mas essa ordem nunca chegou a ser executada.

Em 2002, o Parque Natural da Arrábida executou uma sentença de demolição de uma casa clandestina, desabitada, na Aldeia da Piedade, apesar dos protestos de Ana Merelo, que denunciou alegadas irregularidades processuais devido à inexistência de um mandado judicial.

O director do Parque Natural da Arrábida disse então que o parque estava a cumprir a sentença de demolição por ordem do tribunal, afirmando que as casas a demolir não cumpriram os embargos decretados há cerca de duas décadas.

Os donos das casas, em 2002, queixaram-se de estar a ser alvos de maior rigor por parte das autoridades, em comparação com outros proprietários de casas clandestinas na Arrábida.

A presidente da câmara lamentou que o Ministério do Ambiente tivesse disponibilizado os meios necessários para a demolição “quando deveria preocupar-se mais em travar a exploração de pedreiras e a co-incineração na Arrábida”, que considerou serem situações bem mais prejudiciais para o Ambiente.

Fonte: LUSA

Nas Caraíbas existem corais que conseguem sobreviver ao calor


Uma equipa de investigadores norte-americanos e austríacos mergulham, de noite e de dia, nas águas de Puerto Morelos, México, para descobrir por que razão alguns corais das Caraíbas conseguem sobreviver ao aumento das temperaturas.

Andrea G. Grottoli, da Universidade estatal de Ohio, estuda recifes de coral há 17 anos. Desde o ano passado, passa o Verão entre Cancún e a Praia del Cármen, debaixo de água com a sua garrafa de oxigénio às costas e no laboratório marinho da Universidade Nacional Autónoma do México. Escolheu os recifes de coral das Caraíbas por serem os mais sensíveis ao fenómeno de “branqueamento” frequente, devido à subida da temperatura dos oceanos. O limiar de perigo é um aumento de 1 a 2ºC acima das temperaturas habituais. “Se as temperaturas elevadas se mantêm, os corais começam a morrer”, alertou a investigadora.

No âmbito de um projecto de três anos (2009-2011), financiado pela Função Nacional de Ciência dos Estados Unidos, no Parque Marinho de Puerto Morales, a equipa de Grottoli quer descobrir por que razão algumas espécies de coral “conseguem sobreviver sempre” e como fazem para recuperar.

Grottoli chegou a Puerto Morales a 15 de Junho. Desde então, a investigadora e a sua equipa têm mergulhado de noite e de dia para recolher amostras de zooplâncton e coral, nomeadamente a espécie Montastraea faveolata, classificada como Ameaçada na Lista Vermelha da UICN (União Internacional de Conservação).

Os fragmentos de coral são colocados em tanques no laboratório, onde alguns são expostos a temperaturas elevadas, como por exemplo 31,5ºC. Depois os cientistas estudam as características fisiológicas associadas à sobrevivência e mortalidade das diferentes amostras, na esperança de compreender o que ajuda os “sobreviventes” a aguentar águas mais quentes.

Fenómenos de "branqueamento" passam a bi-anuais nos próximos 30 anos

No oceano, as vítimas mais famosas das alterações climáticas são os recifes de coral, grupo que já existe há pelo menos 40 milhões de anos. “Quando expostos a temperaturas elevadas, às vezes uma subida de 1,5ºC, durante um mínimo de dez dias, os corais expelem as suas algas microscópicas [graças às quais os corais têm as suas cores vibrantes] e tornam-se esbranquiçados, dando-lhes uma aparência de ‘branqueamento’”, explicou Andrea Grottoli ao PÚBLICO.

Até agora, o episódio mais dramático aconteceu em 1997/1998 com o fenómeno El Niño. Cerca de 16 por cento de todos os recifes de coral do planeta foram danificados.

Mas Grottoli não tem o tempo a seu favor. Segundo a investigadora, nos próximos 30 anos, a frequência e intensidade dos fenómenos de “branqueamento” deverá aumentar, passando a acontecer duas vezes por ano. Mais a curto prazo, o trabalho de investigação foi afectado pela passagem do furacão Alex. O mau tempo dos dias que antecederam a chegada de Alex dificultou os mergulhos. A 24 de Junho, uma tempestade fez com que trabalhassem como se estivessem dentro de uma máquina de lavar, contou. E depois Alex chegou. “Perdemos três dias de trabalho e não conseguimos concretizar a tempo uma série de medições importantes. Mas, apesar disso, conseguimos continuar o nosso trabalho”, contou.

Com os resultados da sua investigação, Grottoli e a sua equipa esperam conseguir aconselhar os responsáveis de áreas marinhas protegidas e grupos conservacionistas sobre como proteger os corais, integrados num ecossistema que funciona como “casa”, protecção e fonte de alimento para muitas espécies marinhas. Além disso, actuam como barreira de protecção para as populações das zonas costeiras e fonte de alimento, através da pesca.

Segundo o Atlas Mundial dos Recifes de Coral, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnua) em 2001, estes ecossistemas ocupam cerca de 284.300 quilómetros quadrados, ou seja, uma área metade da superfície da França.

Fonte: Publico.pt

EUA: Aumentam restrições sobre centrais eléctricas a carvão


O governo dos Estados Unidos decidiu aumentar as restrições sobre produção de electricidade por centrais que queimam carvão na parte ocidental do país.

A Agência de Protecção do Ambiente (EPA, na sigla em inglês) disse que as novas regras permitirão reduzir até 2014 as emissões de dióxido de enxofre em 71 por cento e as de óxido de azoto em 52 por cento, ambas com referência aos níveis de 2005.

A regulação, designada como Regra Inter-Estatal do Ar Limpo, obriga 31 Estados -- do Massachusetts, no nordeste, ao Texas, no sudoeste -- a reduzirem as emissões que formam nuvens de poluição que podem percorrer longas distâncias devido ao vento.

A EPA prevê que as novas regras impeçam entre 14 mil a 36 mil mortes prematuras por ano.

As mudanças anularão e 'apertarão' regras definidas durante o governo anterior, do presidente George W. Bush.

A administradora da EPA, Lisa Jackson, disse que a regra, assinada na terça feira, melhorará a qualidade do ar e a saúde pública.

"Estamos a trabalhar para limitar a poluição na sua fonte, mais do que esperar que atravesse o país", declarou Jackson, em comunicado.

Prevêem-se ainda poupanças anuais, além dos milhares de vidas mencionados, de 120 mil milhões de dólares (95 mil milhões de euros) em custos de saúde e dias de baixa economizados.

Honte: Diário de Notícias

terça-feira, 6 de julho de 2010

Reserva natural do Estuário do Tejo prepara-se para ser destino turístico


Passear a pé, de bicicleta ou de barco ou espreitar em observatórios milhares de aves na Reserva natural do Estuário do Tejo vão passar a integrar a oferta turística da região de Lisboa. O compromisso para criar o plano de visitação desta área protegida foi assinado hoje em pleno rio Tejo.

“Não queremos ter só praias” para oferecer, disse esta manhã Luís Patrão, presidente do Turismo de Portugal, a bordo do “varino”, embarcação típica do Tejo, depois da assinatura do protocolo de colaboração para promover visitas regulares e organizadas à reserva natural. As “cabeças de cartaz” são o alfaiate (símbolo da reserva), o perna-longa, flamingo, garça-vermelha, perdiz do mar, colhereiro, coruja-das-torres, lontra e até o sisão. No total são 200 espécies de aves, 35 de mamíferos e 40 de peixes. No Inverno chegam a juntar-se naquela reserva mais de cem mil aves aquáticas.

Durante os próximos três meses, sete entidades – Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), câmaras municipais de Lisboa, Benavente, Vila Franca de Xira e Alcochete, Associação de Turismo de Lisboa e Entidade Regional de Turismo de Lisboa e Vale do Tejo – farão parte de um grupo de trabalho encarregado de propor um programa e calendário para abrir esta reserva natural ao turismo sustentável. O objectivo da experiência piloto será integrar nos circuitos turísticos usuais, a partir de Lisboa ou dos três concelhos ribeirinhos da reserva natural, a visita a locais de maior valor natural, pontos de observação de aves, rotas e circuitos recomendados e locais de lazer, restauração ou descanso.

Actualmente “há alguma sinalização e alguns percursos” na reserva natural, mas não existem outras infra-estruturas para receber visitantes, comentou João Carlos Farinha, director do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas – Zonas Húmidas. Hoje, quem visitar a reserva natural – criada em 1976 e com 14.192 hectares, a maioria privados – não tem a vida facilitada, à excepção dos peritos em ornitologia que já são visitantes habituados. O acesso pode fazer-se pela Ponta da Erva – mas terá de pedir acesso à Companhia das Lezírias -, sítio das Hortas ou pela ribeira das Enguias, em direcção a Pancas.

Um "tesouro" escondido às portas de Lisboa

“As pessoas não se dão conta que aqui há uma reserva natural”, admitiu Humberto Rosa, secretário de Estado do Ambiente. António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, reconheceu que nunca ali tinha estado. Depois de uma curta visita ao Mouchão do Lombo do Tejo, com 900 hectares e na mão de privados, o autarca viu dezenas de galeirões, garças-vermelhas, águias-sapeiras e outras espécies de aves a vogar pelas águas de uma lagoa ou a levantar voo. “Fiquei surpreendido com o que encontrei”, disse, referindo-se a um “tesouro” às portas de Lisboa e para o qual a cidade está ainda de costas voltadas. “Lisboa é uma capital europeia rodeada por áreas protegidas como a Reserva Natural do Estuário do Tejo, Arrábida, Sintra-Cascais, Arriba Fóssil da Costa da Caparica. É um luxo que temos de saber aproveitar”.

Para alterar a situação em que existe “alguma visitação embrionária”, Humberto Rosa disse ao PÚBLICO que falta “conhecimento, no sentido de saber que um espaço como este existe,” e a “organização de um circuito”. Para ajudar, a reforma do Programa de Turismo de Natureza veio simplificar os processos de licenciamento e regulamentação. “Este projecto é uma peça estratégica na nossa visão das áreas protegidas”, ou seja, a sua sustentabilidade económica. Se tudo correr bem, a ideia é aplicar este modelo de visitação a outras áreas protegidas da região.

Maria da Luz Rosinha, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, também defende que se deve “dar a conhecer o potencial do rio Tejo e desenvolver uma estratégia que permita aproveitá-lo e preservá-lo”. A autarca adianta que, até Outubro, conta ter um plano de aproveitamento dos mouchões do Tejo e a entrada em funcionamento do espaço de observação e visitação de aves (EVOA), na Ponta da Erva, para onde estão previstos entre 30 mil e 50 mil visitantes por ano.

Fonte: Publico.pt

Un vídeo da a conocer a los Agentes de Medio Ambiente de Andalucía


El amplio abanico de funciones que realizan los Agentes de Medio Ambiente de Andalucía son destacados en este vídeo producido por la Asociación de Agentes de Medio Ambiente y que da una idea clara, en unos pocos minutos, de las variadas tareas que desempeñan estos funcionarios públicos en pro de la conservación de la biodiversidad y los paisajes andaluces.



Encontro com a Ciência e Tecnologia: Genoma do sobreiro à espera de aprovação


Projectos de investigação sobre sobreiro foram debatidos ontem em Lisboa.

Um consórcio de investigadores, de empresas e de industriais portugueses quer descodificar o genoma do sobreiro, uma árvore vital para a economia portuguesa. O projecto foi submetido há cerca de três meses ao QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional), por um grupo de três entidades liderado pela Corticeira Amorim, mas ainda não há resposta. Existe um impasse processual e os proponentes aguardam uma solução. O ministro da Agricultura, António Serrano, disse ao DN que vai averiguar a situação.

Ontem, numa das concorridas sessões do Encontro com a Ciência e Tecnologia em Portugal, que decorre até amanhã no Centro de Congressos de Lisboa, essa foi uma das questões em foco.

A ideia de sequenciar o genoma do sobreiro não é de agora. Ela já germina há mais de uma década entre os investigadores que em Portugal se dedicam à genómica de plantas. E há boas razões para isso. O montado constitui cerca de um terço da floresta portuguesa e o sector da cortiça tem números fortes para apresentar no contexto da economia nacional: é o único do País que é líder a nível mundial.

Portugal detém 32 por cento da floresta de sobreiro a nível internacional, produz 52 por cento de toda a cortiça à escala mundial e processa 70 por cento de toda essa matéria-prima.

No entanto, 15 a 20 por cento do montado está afectado por doença e a qualidade da cortiça decaiu nos últimos anos. Além disso, o stress hídrico devido às secas, que se prevêem no futuro mais frequentes e mais intensas devido às alterações climáticas, coloca ainda maior pressão sobre esta floresta. Daí que uma das medidas a tomar (além das fito-sanitárias, de formação, ou outras) é a realização de estudos que ajudem a resolver estes problemas.

A sequenciação do genoma do sobreiro é um desses trabalhos de investigação, como concordam todos: investigadores, empresários e produtores incluídos.

"Sequenciar o genoma do sobreiro custará dois milhões de euros e levar- -nos-á dois a três anos a concluir", adiantou ao DN o investigador José Matos, do Instituto Nacional de Recursos Biológicos (INRB), uma das três entidades, a par da Corticeira Amorim e do Biocant (parque de biotecnologia), que submeteu o projecto ao QREN.

Ontem, na sessão Sobreiro: genoma, ecologia e produção florestal, foram unânimes as opiniões sobre a necessidade de avançar nesse sentido. E houve até quem apelasse ao ministro da Agricultura António Serrano, que coordenou a própria sessão, para "ajudar a desbloquear a situação".

O problema, segundo apurou o DN, tem a ver com as próprias regras do QREN. É suposto de um projecto no seu âmbito possa ter aplicações imediatas. Algo que não se passará seguramente com a sequenciação do genoma do sobreiro. Essa informação será sobretudo importante a longo prazo para o futuro do montado e do sector económico que dele depende.

Questionado pelo DN, o ministro da Agricultura afirmou que o desfecho terá a ver "com o mérito científico do projecto" e sublinhou que a tutela, o ministério da Economia, "está sensibilizada para questão, já que este é um sector vital para economia nacional". E prometeu: "Vou ver qual é a situação."

Fonte: Diário de Notícias

Cinco primeiros meses do ano foram os mais quentes desde 1880


Os cinco primeiros meses deste ano foram os mais quentes desde 1880, quando começaram a ser registadas sistematicamente as temperaturas, informa um relatório do norte-americano Centro Nacional de Dados do Clima.
Entre Janeiro e Maio, as temperaturas combinadas da terra e dos oceanos estiveram 0,68 graus Celsius acima da média do século XX, indicou, por seu lado, o Instituto de Meteorologia, citado pela agência de notícias France Presse.

Em particular os meses de Março, Abril e Maio registaram temperaturas nunca antes atingidas e uma média de 0,73 graus Celsius acima do século passado.

Só o ano de 1998 teve igual número de meses (três: Fevereiro, Julho e Agosto) com temperaturas recorde.

Foi também em 1998 que se registaram, nos cinco primeiros meses do ano, as temperaturas mais elevadas antes do recorde do presente ano.

Desde o início do ano, o planeta aqueceu sobretudo no Canadá, no Norte dos Estados Unidos, no Sul da Gronelândia, no Norte de África, no Sudoeste Asiático, na Sibéria e no Sul da Austrália.

Em contraste, as temperaturas atingiram valores mais baixos do que o normal no Sudeste dos Estados Unidos, na Ásia Central e na Europa Ocidental, tendo a Alemanha tido, este ano, o mês de Maio mais frio desde 1991.

Também em Maio, o gelo do Árctico derreteu 50 por cento mais rápido do que o normal para aquele período do ano, assinalou o Instituto norte-americano.

As informações sobre o aquecimento global nos primeiros cinco meses do ano surgem no dia em que, por Portugal, os termómetros registam temperaturas na ordem dos 40 graus Celsius.

As previsões do Instituto de Meteorologia português apontavam para os 42 graus em Santarém, 40 em Setúbal, Évora e Beja e 39 em Lisboa.

Fonte: LUSA

segunda-feira, 5 de julho de 2010

ACT em Foco (parceiros): 1ª edição - junho 2010


É com grande satisfação que enviamos em anexo e no corpo do email a primeira edição da ACT em Foco, newsletter trimestral destinada aos nossos parceiros. Nela, você vai encontrar as principais notícias e novidades sobre os projetos e trabalhos que estamos desenvolvendo em parcerias com diversas Organizações e Associações, além de uma agenda para os próximos três meses.

A proposta da iniciativa é fortalecer a nossa comunicação e estreitar o relacionamento das nossas atividades.

Nos colocamos à disposição para quaisquer dúvidas.

Obrigado pela atenção.
Att,
Frederico Schlottfeldt
Coord. Comunicação da ACT Brasil
Tel: (61) 3323-7863/ (61) 9256-6129
SAS Q3 Bloco C Salas 301 a 306 Ed. Business Point
Brasília / DF

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Proteger o tubarão-azul da ameaça dos barcos


Investigador português apresentou estudo sobre o comportamento desta espécie. O objectivo é descobrir que medidas devem ser tomadas para a sua protecção.

A preservação do tubarão-azul é o objectivo de um estudo que Nuno Queiroz iniciou em Maio e com o qual quer traçar um "mapa" virtual para identificar os locais onde os barcos de pesca se cruzam com este peixe. Os primeiros resultados foram apresentados no Encontro com a Ciência e Tecnologia em Portugal, que ontem começou no Centro de Congressos em Lisboa e que se prolonga até quarta-feira.

O investigador português, de 31 anos, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, está a investigar as movimentações desta espécie, que nos últimos 15 anos perdeu 90% dos exemplares no Atlântico Norte. "Fala-se muito das baleias e dos golfinhos, mas pouco se diz sobre os tubarões", explicou ao DN, justificando assim uma das razões por que optou por estudar os tubarões-azuis.

Ao monitorizar o comportamento desta espécie e ao seguir os barcos de pesca por satélite, Nuno Queiroz pretende formar um "mapa" virtual das interacções entre os tubarões e os barcos. Ou seja, identificar zonas críticas onde estes encontros mais acontecem.

"O estudo ainda é recente. São precisos mais dados. No futuro, o que se pretende é perceber a eficácia de medidas de gestão. Isto é, reduzir a frota é suficiente? É necessário criar zonas marinhas de protecção?", questionou o investigador, que procura as respostas a estas questões.

Até ao momento, 40 tubarões foram monitorizados nas costas do Algarve e de Inglaterra. Foram colocados transmissores que têm a duração de quatro meses, disse Nuno Queiroz. E ao fim desse tempo soltam-se dos tubarões e regressam à superfície para depois serem analisados pelos especialistas.

As primeiras conclusões revelam que o comportamento do tubarão-azul "é mais variável do que o es".

Esta espécie tende a estar à superfície, realizando mergulhos dependendo do tipo de presa que procura. "Em alto mar, naturalmente que estes mergulhos são mais fundos", afirmou. Mas é precisamente em alto mar que a deslocação ainda se torna mais imprevista, o que pode ser explicado com o facto de o alimento ser mais raro.

No Ano Internacional da Biodiversidade, este tema foi um dos primeiros trabalhos a serem abordados neste encontro da Ciência 2010. Além do estudo sobre os tubarões-azuis, Maria Dornelas falou sobre a sua pesquisa nos recifes de corais na grande barreira na Austrália, Carlos Fonseca referiu o sucesso na reintrodução e gestão dos veados na serra da Lousã e James Harris a identificação e conservação da biodiversidade, dando como exemplo os répteis.

Fonte: Diário de Notícias

China vai receber nova ronda de negociações climáticas antes de Cancún

A China, um dos maiores poluidores do planeta, vai receber em Outubro uma nova ronda de negociações climáticas, pouco antes da cimeira internacional em Cancún, no México, anunciou hoje o “China Daily”, citando um responsável da ONU.

O director executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnua), Achim Steiner, disse ao jornal que a sua organização está a trabalhar com Pequim para organizar esta reunião no porto de Tianjin, perto de Pequim. As datas precisas ainda não foram definidas.

“A China vai apresentar algumas ideias e possibilidades para fazer avançar as negociações”, disse Steiner, questionado ontem durante uma visita à exposição universal em Xangai.

A próxima grande reunião internacional dedicada ao combate às alterações climáticas realiza-se de 29 de Novembro a 10 de Dezembro, em Cancún.

“O gesto da China é bastante positivo” e pode fazer “uma grande diferença” na preparação de Cancún, comentou Steiner, salientando, no entanto, que isso não significa que Pequim vai definir o programa das negociações.

A comunidade internacional tenta ainda ultrapassar o fracasso de Copenhaga, no final de 2009, onde um acordo foi negociado apenas por alguns chefes de Estado. O documento fixa como objectivo limitar o aumento da temperatura do planeta aos 2ºC, mas continua evasivo sobre os meios para o conseguir.

A China, o maior emissor de gases com efeito de estufa do mundo, recusou qualquer acordo vinculativo para as reduções de emissões, lembrando a responsabilidade histórica dos países desenvolvidos.

O objectivo é encontrar um acordo que garanta a continuação dos esforços multilaterais contra o aquecimento global, a primeira fase do Protocolo de Quioto, o único tratado internacional vinculativo para combater as alterações climáticas e que expira no final de 2012.

Fonte: AFP