segunda-feira, 28 de junho de 2010

Guardaparques del Peru participaron en taller sobre legislación ambiental

Guardaparques del oriente peruano participaron en taller sobre legislación ambiental organizado por el SERNANP

Más de 40 guardaparques de cinco Áreas Naturales Protegidas de la
Región Loreto participaron en el I Taller de Legislación Ambiental,
organizado por el Servicio Nacional de Áreas Naturales Protegidas por
el Estado-SERNANP a través de la Jefatura de la Reserva Nacional
Pacaya Samiria y la Oficina de Enlace Territorial Oriente, el mismo
que tuvo lugar en Iquitos los días 22 y 23 de junio 2010 en los
ambientes de la sede del SERNANP.

El taller tuvo como objetivo capacitar al personal guardaparque sobre
los procedimientos en legislación ambiental aplicados al trabajo de
campo durante las actividades de control, protección e intervención a
ilegales que transportan madera rolliza o aserrada, paiche (Arapaima
gigas), taricaya (Podocnemis unifilis) y sus huevos, así como otros
recursos naturales que son extraídos de las áreas naturales
protegidas.

La jornada contó con la presencia de guardaparques que laboran en las
áreas naturales protegidas ubicadas al oriente del país, como son las
Reservas Nacionales Pacaya Samiria, Allpahuayo Mishana y Matsés y las
Zonas Reservadas Pucacuro y Güeppí. quienes mostraron su interés en
las exposiciones de la Defensora del Pueblo (Loreto), Dra. Lilia
Reyes, quien trató el tema “La Defensoría del pueblo y los bosques
naturales”, asimismo se expuso sobre la legislación pesquera de la
Amazonía, a cargo de Roy Lozano Olivera, de la Dirección Regional de
la Producción.

Por su parte, el SERNANP, a través de la Oficina de Asesoría Jurídica,
impulsó el tratamiento de la normatividad ambiental del Decreto
Legislativo No.1079, que hace referencia a la recuperación de
especímenes de flora y fauna en las ANP, el cual establece medidas que
garanticen la protección del patrimonio natural del país. También se
trató el tema de los delitos ambientales y las funciones y/o
procedimientos en los operativos policiales y la extracción ilegal de
madera a cargo de los especialistas de la RNPS.

Asimismo, se informó que se continuarán realizando talleres de
capacitación en legislación ambiental, uso público (turismo y
educación ambiental), conservación de recursos naturales (monitoreo
de paiche, censos de aves y otros).

Fuente: http://www.sernanp.gob.pe/sernanp/noticia.jsp?ID=196

EUROPARC Seminar - “The Price of Nature”

EUROPARC Seminar “The Price of Nature”: there is still a chance to be part of the discussion

Dear colleagues,

There are still a few places available for the first annual seminar in the EUROPARC Siggen series, kindly supported by the Alfred Topefer Foundation. It is entitled “The Price of Nature” and will be held at the Foundation’s Gut Siggen (DE) from Wednesday 21st until Friday 23rd July 2010. The event is free to EUROPARC members, including the seminar and workshops, all accommodation and meals (travel there and back is not included).

At the seminar we will consider what practical support is needed in describing the value of our protected areas, whilst too ascribing an economic value to the ecosystem services they provide for society. It will bring together those working on the economic aspects of ecosystem system services management with those pursuing the wilderness agenda. The aim is to work together to look at how individual protected areas and the EUROPARC Federation can take this topic forward in the future.

The two days will combine presentations, with participatory workshops to enable the exchange of experience and new ideas. There will be talks by Toby Ackroyd, Wild Europe Initiative, Sonja Gantioler, IEEP and Peter Glaves, Northumbria University (UK) and plenty of room to discuss issues and exchange experience.

If you are wondering what the TEEB report can do for you, if you want tools to find out the value of your protected area, or if you are concerned that we are losing sight of the intrinsic value of the natural world and want to preserve and mange wilderness in Europe, then join the discussion and be part of the process of developing that vision.

The price for non-members is 150€ and they will be allocated a place only if places are not fully taken up by members.

If you are interested in taking part please let us know by Monday 5th July. A draft programme and travel details are attached.

Kind regards,

Morwenna Parkyn
Communications Officer
--------------------------------
EUROPARC Federation
Waffnergasse 6
93047 Regensburg
Germany
Office tel: +49 (0)941 599 35 98-0
Fax: +49 (0)941 599 35 98-9
office@europarc.org
http://www.europarc.org/

sábado, 26 de junho de 2010

Nova Zelândia pondera levar Japão e caça à baleia a Tribunal Internacional


O Governo neo-zelandês decidiu ponderar levar o Japão e a caça à baleia ao Tribunal Internacional de Justiça, depois do fracasso das negociações da Comissão Baleeira Internacional (CBI) esta semana em Agadir, Marrocos.

A Nova Zelândia pode, assim, juntar-se à Austrália, país que anunciou no final de Maio que iria levar o Japão ao Tribunal de Haia.

“Tendo em conta o fracasso das negociações em Marrocos, vamos agora ponderar apresentar um processo junto do Tribunal Internacional de Justiça”, declarou ontem em comunicado Murray McCully, ministro neo-zelandês dos Negócios Estrangeiros. “Prevejo que a decisão seja tomada muito em breve”, adiantou, sublinhado a sua “decepção” com o beco sem saída a que chegaram as negociações.

Um dos maiores objectivos da delegação neozelandesa era conseguir um “acordo sobre o fim da caça à baleia nas águas da Antárctida o mais depressa possível”, explicou. Ainda assim, acrescentou, mesmo que o processo a decorrer na CBI não avance este ano, a Nova Zelândia vai “continuar a usar todos os meios disponíveis para alcançar o nosso objectivo”.

A Austrália decidiu levar o Japão ao Tribunal de Haia porque, diz, está a caçar baleias na Antárctida em nome da investigação científica.

Todos os anos, o Japão caça centenas de baleias em nome da “investigação científica”, uma excepção prevista na moratória da CBI à caça comercial, em vigor desde 1986. Em 2008/2009, as embarcações japonesas mataram 1003 baleias, ou 52 por cento das 1929 caçadas em todo o mundo. O número para a época de caça de 2009/2010, é de 850 baleias-anãs e 50 baleias-comuns. A Austrália e a Nova Zelândia anunciaram em Janeiro uma expedição para demonstrar que é possível estudar baleias sem as matar.

Ecologista contra a caça à baleia colocado na lista da Interpol a pedido do Japão

A Interpol colocou o responsável pela organização Sea Shepherd numa lista internacional de homens procurados, a pedido do Japão, foi hoje revelado.

A Guarda Costeira japonesa afirma que a Interpol aceitou listar o canadiano Paul Watson por este, alegadamente, conspirar para danificar os navios baleeiros que fizeram parte da frota japonesa no início deste ano.

Outro activista desta organização – que todos os anos tenta dificultar a caça à baleia, perseguindo a frota japonesa -, Peter Bethune, está a ser julgado em Tóquio por invadir propriedade alheia, neste caso, um navio baleeiro japonês.

Fonte: Publico.pt

Botânicos redescobrem planta que se pensava extinta

Os botânicos perderam-no de vista em 1950 e deram-no como extinto mas hoje, os Jardins Botânicos de Kew anunciaram que o feto Anogramma ascensionis foi encontrado na ilha de Ascensão, no Atlântico.

O pequeno feto foi encontrado, por acaso, pelos botânicos Phil Lambdon e Stedson Stroud – do Departamento de Conservação da ilha - que faziam um inventário de rotina às espécies de plantas da ilha de Ascensão. Quando decidiram descer uma encosta da montanha Verde, o vulcão da ilha, aperceberam-se de um minúsculo feto agarrado a uma rocha. Depressa reconheceram nele o Anogramma ascensionis.

Apenas foram encontradas quatro plantas, “numa precária existência” devido à falta de água. Mas, a julgar pelos testemunhos do botânico Sir Joseph Hooker, que lá esteve em 1876, a espécie era relativamente comum na ilha. O feto foi visto pela última vez em 1958 e em 2003 foi declarado extinto. Os Jardins Kew, que ajudaram na missão, acreditam que tal se deve à competição de outras espécies de fetos mais resistentes.

Mas a descoberta foi apenas o início de um desafio conservacionista que, nos últimos meses, tem tentado recuperar uma população frágil.

Os fetos estão agora a crescer numa estufa na ilha de Ascensão e nos Jardins Kew, em Londres, a partir dos esporos produzidos por duas das plantas. Das quatro plantas iniciais existem já 60. “Vamos fazer tudo o que nos for possível para manter estes fetos vivos”, comentou Stedson.

“Até agora, o cultivo desta planta frágil está a correr conforme o previsto, provavelmente até melhor do que qualquer pessoa tenha pensado”, comentou Matti Niissalo, responsável pelo Departamento de Conservação de Ascensão.

Actualmente apenas se conhecem dez espécies de plantas endémicas em Ascensão, ilha vulcânica. As cabras introduzidas pelos exploradores portugueses por volta de 1500 alimentaram-se da vegetação da ilha, antes de as espécies serem descobertas para a ciência. Não restou muito depois da introdução de coelhos, ovelhas, ratos, burros e mais de 200 espécies de plantas invasoras.

“Esperamos que este feto seja devolvido aos seus habitats na montanha, onde terá ajudado a estabilizar aquelas encostas”, segundo os Jardins Kew.

No entanto, alertam os botânicos, “todos os endemismos de Ascensão continuam perigosamente à beira da extinção”.

“Numa altura de perda de biodiversidade sem precedentes, esta descoberta excitante dá-nos esperança de que as espécies possam resistir”, comentou Stephen Hopper, director dos Jardins londrinos.

O trabalho foi conduzido pelo Projecto de Conservação de Plantas Endémicas da Ilha Ascensão, financiado pelo OTEP (Overseas Territories Environment Programme).

Fonte: Publico.pt

Ministério Público pede nulidade do licenciamento do oceanário Sea Life

Organismo confirma suspeitas da oposição e afirma que área construída no Parque da Cidade já vai nos 11,89 por cento, muito acima dos cinco por cento permitidos pelo PDM.

O Ministério Público (MP) avançou com uma acção administrativa especial para declarar a nulidade dos despachos camarários que levaram à aprovação do projecto e respectivo licenciamento do Sea Life, nas margens do Parque da Cidade do Porto. O MP considera ter havido uma violação do Plano Director Municipal (PDM) e avisa que os cinco por cento de impermeabilização máxima permitida no Parque da Cidade foram há muito ultrapassados. A área do parque impermeabilizada com construções rondará já os 11,89 por cento.

A decisão do MP surge na sequência de uma exposição apresentada pelo Bloco de Esquerda (BE) em Janeiro de 2009. Os bloquistas denunciavam a ilegalidade do licenciamento e pediam mesmo a perda de mandato do presidente da autarquia, Rui Rio, e do vereador do Urbanismo, na altura, Lino Ferreira. Esta última pretensão dos elementos do BE foi recusada pelo MP, o que não surpreendeu José Castro, deputado municipal do partido de esquerda. "A actual lei só admite tal sanção quando há uma conduta culposa (dolo directo), o que será sempre muito difícil de provar. O próprio Ministério Público diz que, apesar de a decisão do vereador do Urbanismo ser temerária, não seria possível avançar para a perda de mandato", disse ao PÚBLICO.

Nas restantes questões, o MP concordou com o BE, defende Castro. "Tal como tínhamos invocado, o Ministério Público considerou que o licenciamento em questão viola o PDM do Porto, porque, estando o oceanário [Sea Life] na UOPG [Unidade Operativa de Planeamento e Gestão] n.º 6, tinha que, previamente, como diz o PDM, ser elaborado um plano de pormenor", explica.

Demasiadas construções

O MP considera também que foi ultrapassada a impermeabilização máxima prevista pelo PDM para o Parque da Cidade. Esse valor seria de 5 por cento quando, com a construção do Sea Life, a impermeabilização chega aos 11,89 por cento. Pelas contas do MP, assentes em documentos fornecidos pela própria Câmara do Porto, a área verde total de utilização pública do parque será de 867.105 metros quadrados, pelo que o limite da impermeabilização situar-se-ia na ocupação de 43.355 metros quadrados. Neste momento, o Parque da Cidade terá já 103.083 metros quadrados ocupados por construções.

José Castro explica que, apesar do pedido de nulidade instaurado pelo MP, o BE não pretende a demolição do Sea Life. "Sempre achamos que poderia ser um projecto com interesse, desde que fosse feito como devia. A questão é que foi totalmente feito à pressa, para se ajustar a calendários eleitoralistas."

O bloquista repete a acusação, já expressa no ano passado, de o executivo liderado por Rui Rio introduzir "correcções e rectificações" ao PDM (aprovadas a 15 de Dezembro de 2009) com o objectivo de conseguir "contornar violações" ao documento de gestão municipal. Na altura, como hoje, José Castro refere o caso da UOPG n.º 6, sobre a qual o texto do PDM foi alterado, desaparecendo a formulação "esta UOPG é concretizada através de um plano de pormenor" para ser substituída por "esta UOPG deve ser concretizada através de um plano de pormenor". Uma nuance que visaria tornar opcional um plano que o MP considera ser obrigatório.

Fonte: Publico.pt

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Multas para quem não cumprir limites nas arribas

Quem danificar os sinais de aviso de perigo ou derrubar as barreiras de protecção nas praias com zonas de risco, ligadas a arribas em perigo de derrocada, vai pagar multas entre 200 a 750 euros.

Se se tratar de uma empresa, as coimas serão mais elevadas, entre 1000 a 2000 euros.

Esta são algumas das novas sanções aprovadas ontem em Conselho de Ministros, que entram em vigor quando for publicado em Diário da República o decreto-lei que cria o novo regime sancionatório para infracções praticadas pelos utilizadores da orla costeira, no que respeita à sinalética e barreiras de protecção.

Já quem não respeitar os limites das vedações ou os avisos das autoridades terá de pagar uma multa bem menos pesada, entre 10 e 50 euros, uma vez que se está a colocar em risco apenas a si próprio, adiantou ontem em conferência de imprensa a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro.

Questionada sobre a falta de meios de fiscalização da Polícia Marítima, a ministra respondeu que não é necessária vigilância adicional além da que hoje é feita. Além das capitanias dos portos e das polícias, também a Administração da Região Hidrográfica do Algarve tem poderes nessa área, afirmou.

Petróleo: Obama pede tempo para recorrer da suspensão da moratória

A administração Obama pediu ontem a um juiz federal para suspender a sua decisão de anular a moratória à exploração petrolífera a grande profundidade para que tenha tempo para recorrer e para que o Tribunal de Apelo se pronuncie.

Nos documentos dirigidos ontem à noite ao juiz Martin Feldman, de Nova Orleães, a administração Obama pede “uma suspensão temporária” da sua decisão.

“O Presidente (Obama) está profundamente convencido (...) de que continuar a explorar a essas profundidades sem saber o que aconteceu (durante a explosão da plataforma Deepwater Horizon, a 20 de Abril) não faz sentido nenhum”, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

Explorar poços petrolíferos a mais de um quilómetro de profundidade “ameaça a segurança dos trabalhadores nas plataformas e o ambiente no golfo (do México) a níveis que não podemos permitir”, concluiu Gibbs.

Na terça-feira, o juiz Martin Feldman anulou a moratória de seis meses decretada pela Administração Obama a 27 de Maio, na sequência da explosão da plataforma Deepwater Horizon. A decisão tomada pelo Presidente Barack Obama, enquanto procede a investigação às causas do acidente no Deepwater Horizon, fez parar a produção em 33 plataformas do golfo do México.

O juiz Martin Feldman justificou a sua decisão dizendo que a administração Obama não justificou a moratória de forma adequada. Este considerou ainda que a moratória de seis meses era “arbitrária” e demasiado “vasta”.

Além de recorrer da decisão do juiz, o secretário do Interior Ken Salazar disse que está disponível para rever a sua ordem inicial de suspender as novas explorações abaixo dos 152 metros, a fim de a tornar mais flexível.

BP mantém planos para exploração petrolífera no Alasca

Ainda assim, a BP prepara-se para avançar com uma controversa exploração petrolífera a cerca de cinco quilómetros da costa do Alasca. A perfuração será realizada a três quilómetros de profundidade para tentar chegar a um reservatório de crude que se acredita ter o equivalente a cem milhões de barris, noticia hoje o “New York Times”.

Todos os outros novos projectos no Árctico estão suspensos por causa da moratória. Mas o projecto da BP, chamado “Liberty”, está isento dessa moratória porque recebeu o “estatuto” de projecto onshore, apesar de estar a cinco quilómetros da costa. Tudo porque assenta numa ilha artificial – um monte com mais de 12 hectares de cascalho – construída pela BP.

O projecto já recebeu as licenças ambientais necessárias e aguarda pela luz verde das autoridades federais para começar a funcionar, provavelmente este Outono.

“Não faz sentido”, diz Rebecca Noblin, directora do Centro do Alasca para a Diversidade Biológica. “A BP acaba por causar a moratória. E agora no Árctico, onde se preparam para usar uma tecnologia que ainda não foi testada, ficaram a ser os únicos que podem explorar”.

O projecto “Liberty” situa-se numa zona que, durante o Inverno, é povoada por focas e ursos polares, e durante o Verão recebe a visita das baleias que migram através dessa região.

A BP descobriu o campo petrolífero “Liberty” em 1997, começou a construir uma plataforma em 2008 e estava a terminar os trabalhos em Abril quando a plataforma Deepwater Horizon explodiu. Duas semanas depois da adminitração Obama ter declarado a moratória de seis meses, a BP anunciou que o projecto “Liberty” iria continuar. Se for aprovado, este será o poço mais extenso do seu tipo em todo o mundo.

Fonte: Publico.pt

Exploração petrolífera ao largo da Rússia ameaça baleias-cinzentas


Os planos de exploração petrolífera ao largo da Rússia oriental colocam graves ameaças às baleias-cinzentas (Eschrichtius robustus) que ali se alimentam, alertaram hoje cientistas da Comissão Baleeira Internacional (CBI).

Segundo a BBC online, a empresa Rosneft deverá começar nas próximas semanas testes sísmicos ao largo da ilha Sakhalin. Estes planos deixaram o comité científico da CBI “extremamente preocupado”, o que o levou a pedir um adiamento. A Rússia diz estar consciente do problema e o Governo de Moscovo afirma acompanhar a situação junto da companhia.

Actualmente, as baleias-cinzentas têm apenas duas populações, geneticamente diferentes: no Pacífico Oriental (que migram entre o México e o Alasca) e no Pacífico Ocidental (entre a Rússia e a China). Estas últimas estão criticamente ameaçadas e só existem 130 animais, incluindo 20 fêmeas reprodutoras. Em 2003, a população de baleias-cinzentas ocidentais foram classificadas como Criticamente Ameaçadas pela Lista Vermelha da UICN (União Internacional de Conservação).

Estes animais - cuja zona de ocorrência será ao longo das costas da Rússia, Japão, Coreias e China - dirigem-se todos os Verões a Sakhalin para se alimentarem, numa zona de águas pouco profundas. Os cientistas desconfiam que é aqui que as progenitoras ensinam as suas crias a alimentar-se.

Greg Donovan, coordenador do comité científico da CBI, salientou que os testes sísmicos em Sakhalin “serão realizados durante o período com maior densidade de baleias-cinzentas, especialmente fêmeas e crias”, cita a BBC. “O comité científico está a pedir-lhes para adiarem os testes até ao próximo ano e fazê-lo o mais cedo possível, para coincidir com a altura de menor densidade de animais na zona”.

Na realidade, a CBI já tinha feito o mesmo pedido a outra companhia, a Sakhalin Energy. “Seguiram as nossas recomendações e este ano estão a realizar os seus testes com um plano de mitigação muito detalhado e o mais cedo possível”, contou à BBC.

Na sua reunião anual, a decorrer em Agadir, Marrocos, a CBI aprovou um plano de conservação daquela população de baleias; a prioridade é identificar os locais de reprodução.

Fonte: Publico.pt

Bruxelas preocupada com dois projectos imobiliários no litoral alentejano

A Comissão Europeia diz-se preocupada com o facto de ter sido concedida licença de construção para dois projectos imobiliários em áreas protegidas nos distritos de Alcácer e Grândola. Portugal tem dois meses para se explicar.

Bruxelas lembra que os dois projectos serão construídos em zona de Rede Natura 2000 e sublinha os seus “impactos negativos previstos”, com “implicações importantes” nos habitats e espécies protegidas. “Se os projectos de desenvolvimento urbano forem realizados de acordo com os planos actuais, a consequência poderá ser a perda definitiva das áreas protegidas sensíveis”, alerta, em comunicado. Na sua avaliação de impacto ambiental, Portugal referiu, nomeadamente, dunas arborizadas e as moitas de zimbros, bem como dez espécies de anfíbios, 15 de répteis, 130 de aves e 21 de mamíferos.

Em causa, diz a Comissão, estão as estâncias balneares Costa Terra e Pinheirinho, que ocupam 200 hectares ao longo de dois quilómetros de costa.

“Entende-se por desenvolvimento sustentável aprender a viver com o que temos e não desperdiçar recursos naturais para obter lucros a curto prazo. Insto Portugal a adoptar uma visão a longo prazo para esta região e a intervir rapidamente para garantir a sua protecção adequada”, comentou Janez Potočnik, comissário europeu para o Ambiente.

Bruxelas lembra que estes dois projectos não estão sozinhos

A Comissão receia que “as zonas integradas na rede Natura 2000 situadas no litoral, entre Lisboa e a região do Algarve, estejam gravemente ameaçadas”. Tudo porque aqueles dois empreendimentos não são os únicos. A Comissão apurou que estão previstos mais cinco projectos de construção na mesma zona protegida, com uma capacidade total de 50 mil camas, e que além das estâncias de Costa Terra e Pinheirinho, mais três estâncias balneares obtiveram licenças de construção: A Herdade da Comporta/Carvalhal (347 hectares para 4973 camas), a Herdade da Comporta/Comporta (377 hectares para 5974 camas) e a Costa de Santo André (4 hotéis e uma aldeia turística com uma capacidade de 1200 camas).

Bruxelas critica como “problemática” a própria avaliação de impacto ambiental, na medida em que “não tem em conta os efeitos cumulativos [das outras estâncias] nem o impacto da fragmentação”.

A Comissão quer saber ainda por que razão, até à data, ainda não foram aplicadas quaisquer medidas no âmbito de um prometido plano de gestão, que incluiria uma zona de conservação privada.

Portugal tem dois meses para se conformar com este pedido, que assume a forma de um parecer fundamentado no quadro do procedimento por infracção da UE; caso contrário, a Comissão poderá interpor recurso contra Portugal junto do Tribunal de Justiça Europeu.

Já estão em curso alguns processos semelhantes. Foram enviados mais três pareceres fundamentados relativos a estâncias turísticas integradas na rede Natura 2000 no Sul de Portugal, duas na região do Algarve e uma no Sul do Alentejo.

Fonte: Publico.pt

Portugueses atrás dos burros selvagens da China

Partiram de Portugal para viajar quase cinco mil quilómetros, pelo coração da lendária Rota da Seda, em versão genética. Tinham em mira burros, marmotas e aves. Primeira de duas partes de uma expedição científica.

Pela mira telescópica, seis burros, alinhados lado a lado, cabeças levantadas, orelhas espetadas, olham na direcção de quem os olha ao longe.

“Eia, que espectáculo! Todos a olhar para cá”, diz Albano Beja Pereira.

“Oh, sim”, concorda Chen Shanyuan, quando chega a sua vez de espreitar pela mira, em cima de um tripé assente na areia.

“Posso ver?”, atira Nuno Monteiro.

Surgem umas orelhas com pontas pretas, crinas negras, cabeças e dorsos cremes, patas e ventres de um branco sujo, entre uma paisagem dominada pela areia pintalgada por vegetação rasteira, verde-escura.

O burro selvagem da Mongólia, o Equus hemionus hemionus, esquivo à presença humana, tem o estatuto de espécie ameaçada. Parente afastado dos burros domésticos, encontra-se em bolsas fragmentadas no Irão, Índia, Turquemenistão, Mongólia e Norte de Xinjiang, a região mais a ocidente da China.

E depois de Beja Pereira, Chen Shanyuan e Nuno Monteiro, também Ablimit Abdukadir se baixa para os contemplar pelo pequeno monóculo no tripé.

Continuam todos virados para cá, mas os quatro cientistas que os espiam conseguem manter-se incógnitos, a um quilómetro de distância, quais David Attenborough em plena expedição atrás dos burros selvagens da Ásia.

“Temos o vento contra nós, estamos na melhor situação possível”, diz Beja Pereira, 37 anos, zootécnico do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) da Universidade do Porto, enquanto deixa para trás, junto aos dois jipes por que se reparte a expedição, os outros cientistas e toma a dianteira para se ir aproximando dos burros.

Vai a pé, meio agachado, com a mochila às costas. Avança pelas franjas do deserto de Gurbantünggüt, no Norte de Xinjiang.

É uma planura arenosa, mil metros acima do nível do mar, coberta aqui e ali por uma crosta de sal que estala mal se pisa. Nem um arbusto alto que faça de esconderijo e dê alguma sombra. Nem uma pinga de água, que ficou esquecida no jipe, para acalmar os efeitos dos 35 graus pelas três da tarde.

Nem a sensação de isolamento associada ao deserto. Avista-se uma estrada alcatroada, a mesma utilizada minutos antes pelos jipes da equipa, que continua a ser cruzada por um constante ir e vir de camiões (tem restaurantes na berma, num deles haveria mais tarde de se pedir uma sopa de cogumelos e tofu, mais a mosca que vinha a boiar). E há um cercado, com um portão fechado a cadeado, que um guia local abre para a equipa.

Os burros não correm em total liberdade pela planície do Gurbantünggüt, o segundo maior deserto da China, a seguir ao Taklamakan, no Sul de Xinjiang. O cercado, na Reserva Natural de Ungulados Selvagens de Karamaile, com 158 mil hectares, impede-os de ir para a estrada.

No seu encalço, logo depois de Beja Pereira, segue Nuno Monteiro, 36 anos, biólogo do Cibio e docente de Parasitologia na Universidade O investigador Beja Pereira recolhe excrementos para análise do ADN Fernando Pessoa, no Porto. E o chinês Chen Shanyuan (ou Jay, a alcunha inglesa que adoptou para os ocidentais), de 30 anos, a viver em Portugal há algum tempo como estudante de pós-graduação de Beja Pereira. Ainda na dianteira, olhos postos no chão, o zootécnico cedo se depara com um objecto, o primeiro de todos, muito desejado pela expedição.

“Tens aí luvas?”, pergunta-lhe, cá de trás, Nuno Monteiro.

“Tenho”, diz Beja Pereira.

O que eles viajaram até este momento chegar.

Para sul, 1500 quilómetros

Chegaram dez dias antes, a Ürümqi (lê-se algo como “Urumquexi”), a capital de Xinjiang, região onde a etnia uigur (muçulmana, de origem turca e minoritária na China) vive há mais de quatro mil anos e ainda é dominante entre os 20 milhões de habitantes. Esperava-os Ablimit Abdukadir, investigador do Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang, membro do grupo de especialistas em felinos da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). É este uigur, 56 anos, que é o anfitrião de Beja Pereira, Nuno Monteiro e Chen Shanyuan – este da etnia han, que forma 91 por cento da população da China. Rota da Seda 2010 é o nome da expedição.

A capital fica apenas 400 quilómetros a sul da reserva natural de Karamaile. Mas, agora, os seus três milhões de pessoas, estradas largas, filas e mais filas de carros, arranha-céus no centro, triciclos, bicicletas, motorizadas eléctricas, bancas de fruta, de vegetais ou de comida na rua, lojas com cartazes gigantes em mandarim e uigur, um bazar internacional, mulheres com lenços na cabeça, enfim, a azáfama de uma qualquer grande cidade, a que não falta um restaurante da Kentucky Fried Chicken, parecem um mundo distante.

É que, até ao encontro com os burros selvagens da Mongólia, muitos foram os quilómetros de estrada, muitas as montanhas atravessadas, as horas no deserto, as sestas a que foi impossível resistir em longas rectas, as paragens em casas de banho improvisadas, muitos os solavancos.

Mais distantes ainda parecem os acontecimentos violentos que rebentaram a 5 de Julho do ano passado: durante alguns dias, as ruas de Ürümqi foram palco de confrontos entre uigures e chineses han, que resultaram oficialmente em 197 mortos e mais de mil feridos, no envio de milhares de soldados para manter a ordem e no corte dos telefones, Internet e e-mail, só há pouco tempo restabelecidos (em 1949, Xinjiang passou a ser controlada pela recém-proclamada República Popular da China, mas mantiveram-se os movimentos independentistas e de resistência uigur).

Logo à chegada, a expedição começou por arrancar em sentido oposto, para o Sul, portanto, rumo à Reserva Natural das Montanhas Arjin, a 1500 quilómetros de Ürümqi. Objectivo: ver outro burro selvagem da Ásia, o do Tibete, ou Equus kiang.

Se o virmos nas fotografias, o burro selvagem do Tibete tem a cabeça e o dorso mais castanhos e peludos do que o burro da Mongólia. É o maior dos burros selvagens da Ásia, e há um mistério em relação a ele. Existem três subespécies, uma delas nas Montanhas Arjin? Ou há apenas uma espécie, com variações ecológicas? “Ninguém sabe, é um quebra-cabeças”, diz Beja Pereira.

O facto de a Reserva Natural das Montanhas Arjin ser bastante fechada, em particular à entrada de estrangeiros, tem perpetuado este mistério. É para lá que a equipa se dirige primeiro.

Ürümqi-Korla, primeiro dia de viagem, com a passagem por um parque de geradores eólicos, quase sem fim, ainda às portas da capital e pela imensa cordilheira Tianshan, despida de árvores, em tons de castanho, creme e amarelo. Parece talhada à faca. Eis que, no meio de nada, ao fim de 550 quilómetros, surgem os arranha-céus de Korla, uma das cidades da célebre Rota da Seda, que durante séculos ligou a Ásia ao Mediterrâneo.

Korla-Qarqan, segundo dia, mais de 700 quilómetros, com travessia pela orla leste do deserto do Taklamakan em plena tempestade de areia. A realidade pelo vidro do jipe apresenta-se esbranquiçada e limitada a poucos metros, como se um nevoeiro se tivesse abatido na auto-estrada, e os grãos finíssimos entranham-se pelo nariz. Durante séculos, a Rota da Seda contornava o Taklamakan, a norte e a sul, convergindo na cidade-oásis de Kashgar. Então o deserto engolia quem se atrevesse a desafiá-lo, agora as suas reservas importantes de petróleo originaram a construção de auto-estradas que o cruzam sem temor.

Nem um vislumbre dos camelos selvagens de duas bossas, cada vez mais raros, criticamente ameaçados, que ainda vivem no Taklamakan, antepassados dos camelos domésticos com o mesmo número de bossas, e que a Sociedade Zoológica de Londres inclui entre os dez mamíferos mais raros do planeta (existirão menos de mil na China e na Mongólia).

E o terceiro dia, passado em Qarqan, cidade plana, 800 metros acima do nível do mar, outra importante passagem ao longo da Rota da Seda, foi para tratar da logística para a subida a quase quatro mil metros de altitude. Compraram-se agasalhos numa loja de material militar: casacos compridos verdes, gorros, luvas. Entre brincadeiras, Beja Pereira e Nuno Monteiro improvisaram poses militares, esticando os ombros e pescoços com ar imponente, que um capacete na loja atulhada ajudou a compor. Arranjam-se sacos de oxigénio, caso alguém se sinta mal nas alturas das Montanhas Arjin.

Há passeios pelo bazar, com as suas bancas de vegetais, sacos de arroz, carne pendurada ao ar livre, restos de uma vaca no chão, pães nan tendidos com a forma de pizzas e colados nas paredes do forno que os coze ali mesmo, ou roupas, tudo a três passos de uma das poucas mesquitas que se encontraram pelo caminho. Sorriem-nos, querem saber de onde vêm os estranhos. As mulheres, pintadas, de saltos altos, exibem os seus lenços garridos, a maior parte mantendo a cara destapada. Os homens optam quase sempre por cobrir a cabeça, ou com bonés ou chapéus de feltro ou os tradicionais chapéus muçulmanos bordados.

Há tempo para provar kebabs (espetadas de borrego) e o pollo (prato de arroz com pedaços de cenoura e um naco de borrego em cima), acompanhados pelo chá omnipresente a cada refeição.

O guardião da reserva

Qarqan-Montanhas Arjin, quarto dia de viagem, com um novo guia nesta etapa da expedição, o uigur Tursunjan Yakub, guarda-florestal do Departamento de Florestas de Qarqan. Sem se dar por isso, a altitude vai aumentando – até que a planície de areia e pedras, cortada por uma estrada em tal estado que tudo tremelica, começa a ceder lugar à montanha.

Um rio teima em ser presença constante, atravessado vezes sem conta nas curvas e contracurvas montanha acima; a três mil metros é altura de uma paragem.

De um lado, tem-se a visão panorâmica das encostas Arjin acabadas de subir, rocha e terra apenas, feridas pela erosão, e do pastor com quem nos cruzámos e que aí vem, montado no seu burro doméstico, um ponto minúsculo visto daqui. Olhando para o caminho a seguir, erguem-se ao fundo os picos com neve da Montanha de Kunlun, parte do sistema montanhoso dos Himalaias, na fronteira entre Xinjiang e o Tibete.

Segue-se um planalto. Casas de pastores, rebanhos de ovelhas, cavalos e camelos domésticos dispersam-se aqui e ali. Por fim, a chegada a uma estação de gestão da vida selvagem. Passaram seis horas desde a partida de Qarqan, viajaram-se apenas uns 200 quilómetros.

A estação fica num terreiro ventoso e frio, a cerca de 3600 metros de altitude. Há casas de tijolo, há um entreposto comercial, há gente ora sentada à porta, ora de um lado para o outro, ora a carregar mercadorias. “Nesta montanha, e à volta, vivem 500 pastores. São nómadas”, explica Ablimit Abdukadir. “Se precisam de sal, cigarros, combustíveis, fazem as compras aqui.”

No entreposto, há uma sala com dois telefones fixos muito requisitados, sofás velhos, caixas de soro injectável, que dá para uma sala de estar, cheia de gente a entrar e sair, com tapetes nas paredes, um televisor e um reconfortante fogão a carvão. O casal uigur que gere o entreposto recebe os visitantes com pães nan e chá, e logo a expedição volta à estrada, com a intenção de acampar mais acima.

É apenas preciso transpor uma cancela, uns metros à frente, que aguarda quem quer entrar na reserva natural. Numa tenda ao lado, um jovem chinês han, o guardião da reserva, quer ver, na autorização escrita dos trabalhos científicos da equipa para a região de Xinjiang, a referência específica às Montanhas Arjin. Como se as Arjin não fossem em Xinjiang. Ou, então, os estrangeiros teriam de pagar quatro mil euros.

Não consta tal referência na autorização, e nem Ablimit Abdukadir nem Chen Shanyuan conseguem demover o guardião da reserva. Numa última tentativa, de volta ao entreposto, um telefonema para um dos responsáveis da área protegida também não surte efeito.

O mistério dos burros selvagens nas Arjin, onde os cientistas estrangeiros não entram desde os anos 80, até porque a espécie está associada ao vizinho Tibete, uma zona politicamente conturbada, vai portanto manter-se para já.

Foram 1500 quilómetros desde Ürümqi, iria iniciar-se o caminho de volta, ao cair da tarde. O saco-cama, que preenche um quarto da mala de viagem, afinal não serviu para nada.

Era melhor nem pensar nos abanões no jipe até Qarqan, onde se chegaria à uma da manhã. Nem nos quilómetros até à capital (com um desvio de uns dias para procurar uma certa marmota e a ave que com ela partilha a toca, no planalto de pradarias de Bayanbulak, que ficam para a segunda parte do relato desta expedição). Atravessa-se de novo o Taklamakan, mas pelo centro, e a cordilheira Tianshan. De Ürümqi, a viagem continua para o Norte – em busca dos burros da Mongólia, e a visão, à segunda saída da capital, é a de uma sucessão de centrais térmicas e de refinarias de petróleo e gás natural, recursos em que Xinjiang é rica.

“Estou desiludido”, deixa escapar Ablimit Abdukadir. “Em ciência há sempre um risco”, responde-lhe Beja Pereira.

ADN a quanto obrigas

Voltemos então ao momento em que Beja Pereira e os companheiros andam atrás dos burros da Mongólia – os primeiros que finalmente vêem – e estão prestes a obter o que tanto ambicionam. Excrementos.

Caminhando pelo deserto, os animais juntam-se, começam a afastar-se e desaparecem. “Não dá para nos aproximarmos com tanta gente.”

Pelo terreno, Beja Pereira esborracha este e aquele dejecto com o pé, avaliando a sua frescura: “O que é que mais estraga o ADN? Os ultravioletas”, explica.

“Nuno, aqui está fresco”, avisa.

Através do ADN nos excrementos, Beja Pereira quer inferir o tamanho efectivo das populações de burros selvagens asiáticos – ou seja, o número de genomas únicos que se transmitem à descendência. Dois burros gémeos, por exemplo, contam como um só. Sem ter de os contar, e por meio de um método não invasivo, quer avaliar a consanguinidade dos animais e ver se todos têm igual oportunidade de se reproduzir. Quanto mais elevada for a consanguinidade, menor é a taxa de fertilidade e a viabilidade de uma população e, no final, da própria espécie. Uma auto-estrada que fragmente uma manada, deixando poucos machos de um dos lados, por exemplo, aumenta a endogamia: “Do ponto de vista do ADN, conseguimos ver se há um grupo à parte.”

Beja Pereira, que é membro do grupo de especialistas em equídeos da IUCN, tem estado a fazer este tipo de estudos para os burros selvagens africanos, criticamente ameaçados, mas faltava-lhe um termo de comparação com espécies próximas. Aliás, os burros selvagens de África (Equus africanus) valeram-lhe uma descoberta, com direito a um artigo na revista Science em 2004: anunciou que foram estes burros, e não as espécies asiáticas, a ser domesticados, há cinco ou seis mil anos. Foi o que revelaram as análises de ADN de burros selvagens africanos e de burros domésticos de 52 países, da Europa, África e Ásia.

Os antepassados de todos os burros domésticos são assim os burros selvagens de África, mais concretamente duas subespécies (o burro da Núbia, região no vale do Nilo, partilhada entre o Egipto e o Sudão, e o burro da Somália). De fora da domesticação ficaram os burros selvagens da Ásia, de que a espécie da Mongólia e a do Tibete são exemplos.

Nuno Monteiro quer saber quais são os parasitas e as bactérias presentes em espécies de zonas remotas como Xinjiang. “Apesar de ter havido uma ‘febre’ de explorar nichos novos, à procura de resistências a antibióticos e a antiparasitários em zonas mais remotas, ainda não se sabe muito sobre espécies emblemáticas como os burros e camelos”, explica Nuno Monteiro.

“Era aqui que eles estavam”, aponta Beja Pereira para o terreno espezinhado. “Este é mesmo, mesmo fresco.”

Como bolinhos, os cientistas embrulham as amostras em papel de alumínio ou guardam-nas em tubinhos, que transportam nos bolsos e mãos enquanto cirandam por ali. Mas eles querem mais excrementos e no dia seguinte, o 11.º da expedição, vão procurar outros burros, mais a norte na Karamaile. Seguindo as indicações de outro responsável da reserva, deixam a concorrida estrada alcatrão e metem-se por caminhos de terra. Com tantos furos de petróleo pela planície e minas de carvão mineral a céu aberto, andarão os burros por aqui?

Perde-se a vista neste mar de verde rasteiro e castanho, aos tombos nos jipes. Olha-se, pára-se, Beja Pereira esquadrinha a paisagem com os binóculos. Nada, apenas os vestígios que deixaram, pegadas e cocós, em redor de um charco.

O silêncio é absoluto, entrecortado por uma ave distante e um telemóvel que toca. “Oláaa. Ah pois éee, hoje é o Dia da Criança”, ouve-se Beja Pereira.

Quatro horas atrás dos burros, a tarde toda, mas nem vê-los. Para a manhã seguinte fica a derradeira tentativa, mais perto do local onde se viram os primeiros burros. Os contactos locais de Ablimit Abdukadir dizem que andava por ali uma manada. Será que é desta?

Pelo fresco da manhã, ainda da estrada de alcatrão, vislumbra-se um burro solitário, um macho, ao fim de mais de 4500 quilómetros por Xinjiang (região que representa um sexto do território da China) e de tantas massas chinesas picantes às refeições, pequeno-almoço incluído. Um prenúncio de sucesso? “Pode estar doente, ser velho ou recém-chegado à manada”, explica Beja Pereira.

Menos de meia hora de balanços pelo terreno irregular e os jipes param perto de um montículo de terra, de onde a paisagem repetitiva é perscrutada. Beja Pereira monta o tripé com a mira telescópica, Nuno Monteiro saca dos binóculos.

“Estou vendo!”, diz Beja Pereira. “Um, dois, três, quatro... vejo cinco.”

Põe-se a caminho, em passo apressado. Os pés enfiam-se na terra. Os outros ficam no monte para lhe irem apontando a direcção dos burros, a dois quilómetros de distância, que se confundem com o terreno.

“É realmente fresco”, diz dos excrementos que encontra, enquanto calça as luvas.

Os burros, e afinal são muitos mais, entram por fim no campo de visão. “Estão a comer.”

Curvado, vai até outro montículo com arbustos, uns metros à frente, de onde observa e filma. “São 37.”

O resto da equipa aproxima-se a pé. “Shhhh.”

Agachados à vez, vão atrás de Beja Pereira, de monte em monte de terra. “Não nos podemos mexer agora, estão todos a olhar para cá.”

É realmente um bom dia, resume Chen Shanyuan. “Quantos machos adultos há?”, sussurra Beja Pereira para Ablimit Abdukadir. “Talvez oito.”

Quando os burros se apercebem, a cerca de 200 metros, afastam-se e mantêm sempre uma distância de segurança. Agora que foram vistos, os cientistas saem de trás dos montes de terra. Já podem vasculhar o chão à vontade. “Onde virem moscas...”

Fonte: Publico.pt

BP reinstala cúpula e retoma recolha da fuga de petróleo

A cúpula que recolhe parte da fuga de petróleo do poço da BP no Golfo do México, e que foi retirada ontem devido a um acidente, já foi novamente instalada e está a funcionar, anunciou a companhia ontem à noite.

A cúpula “foi colocada com sucesso no seu lugar na (plataforma) Deepwater Horizon” às 18h30 locais (23h30 em Lisboa), declarou a BP em comunicado. Meia hora depois, o crude recomeçou a ser recolhido.

O sistema, tecnicamente designado lower marine riser package (LMRP) e instalado no dispositivo de segurança blow-out preventer (BOP), está ligado ao navio de exploração petrolífera “Discoverer Enterprise”, para onde está a ser transferido o crude.

A cúpula foi removida do BOP cerca das 08h45 locais (13h45 em Lisboa) como “medida de precaução”, depois de a BP ter detectado uma descarga inesperada de água do mar de uma válvula no “Discoverer Enterprise”.

Paralelamente, o outro sistema de recolha de crude – que implica a sua queima no navio “Q4000” – “continuou ininterruptamente durante o dia”, garante a BP.

Antes da suspensão temporária da cúpula, a BP tinha recolhido através dos dois navios mais de 27 mil barris de petróleo num espaço de 24 horas, “a maior quantidade diária recolhida até ao momento”, sublinhou.

Além disso, um total de 275 incêndios controlados a bocados da maré negra permitiu remover mais de 45,4 milhões de litros de crude das águas, revela a BP.

O Serviço norte-americano de Pescas e Vida Selvagem (FWS, Fish and Wildlife Service) libertou 62 pelicanos e um albatroz recuperados no Refúgio Nacional para a Vida Selvagem de Aransas, na costa do Texas. Esta foi a maior libertação de animais reabilitados desde o início da maré negra, a 22 de Abril. Actualmente, o FWS tem 499 funcionários no Golfo a coordenar a procura e recolha de animais petroleados e o seu encaminhamento para os locais de reabilitação.

Ontem, a NOAA (agência norte-americana de meteorologia e oceanos) levantou a proibição à pesca em mais de oito mil milhas quadradas (20,7 quilómetros quadrados) no Golfo do México porque “não observou petróleo na zona”, explica a BP. Actualmente continuam encerrados 32,5 por cento das águas federais do Golfo.

De momento, a resposta à maré negra conta com 35.600 funcionários que protegem a zona costeira, bem como 1585 elementos da Guarda Nacional, além de 6300 embarcações. Segundo as contas da BP, a maré negra já afectou 267 quilómetros do Golfo do México – aproximadamente 56 quilómetros no Luisiana, 65 no Mississípi, 69 no Alabama e 77 na Florida.

Já foram recuperados 115 milhões de litros de uma mistura de água e crude e aplicados 6,6 milhões de litros de químicos dispersantes, a maioria à superfície.

Fonte: Publico.pt

Embaixadores da candidatura do Garrano a Pat. Nacional apresentados domingo

Os embaixadores da candidatura do cavalo Garrano a Património Nacional, que visa defender uma espécie em risco de extinção, vão ser apresentados domingo publicamente em Ponte de Lima, durante a Feira do Cavalo.

Segundo fonte do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), que coordena a candidatura, entre os embaixadores contam-se o presidente da Fundação Alter Real, o presidente da Entidade Regional de Turismo Porto e Norte de Portugal e os presidentes das câmaras municipais de Ponte de Lima e da Golegã.

O presidente do IPVC e o anterior presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, são outros dos embaixadores da candidatura, tendo também sido convidados, aguardando-se a respetiva confirmação, o ministro da Agricultura, a ministra da Cultura e o diretor do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR).

O lançamento oficial da candidatura aconteceu em 2009 e foi apadrinhada por Duarte Pio de Bragança. Segundo o presidente do IPVC, Rui Teixeira, o garrano “é a figura mais emblemática da biodiversidade milenária de algumas zonas do Noroeste de Portugal”, pelo que a salvaguarda do seu património genético constitui, “mais do que um imperativo nacional e comunitário, um imperativo civilizacional”.

Para Nuno Brito, vice-presidente do IPVC, a candidatura a a Património Nacional “irá contribuir para a manutenção de um recurso biológico insubstituível”, evitando assim “a tendência regressiva de uma raça autóctone e reforçando o orgulho e a identidade de um povo”.

O garrano é uma raça protegida, devido ao risco de extinção, encontrando-se por isso muito poucos no meio selvagem e na posse de criadores. Com características únicas, o garrano distingue-se pelo pequeno tamanho, sendo considerado por vezes um pónei. “É muito dócil com as crianças, inteligente, trabalhador e de fácil treino, e demonstra uma aptidão fora do vulgar para a aprendizagem e execução da corrida em passo travado”, de acordo com o IPVC.

A quarta edição da Feira do Cavalo de Ponte de Lima abre hoje e receberá, até domingo, meio milhar de cavalos, dos quais 400 são de competição. Estarão presentes 60 criadores de todo o país e de Espanha, além de associações belga e inglesa de cavalo Lusitano, e de criadores franceses e um mexicano da mesma raça.

Fonte: LUSA

Negociações internacionais sobre caça à baleia chegaram a beco sem saída


A Comissão Baleeira Internacional (CBI), reunida em Agadir, Marrocos, à procura de um compromisso entre os países contra e defensores da caça à baleia, reconheceu hoje que as negociações chegaram a um beco sem saída.

“A proposta que estava em cima da mesa morreu”, disse o comissário alemão Gert Lindemann, durante a assembleia plenária.

Desde que os trabalhos começaram na segunda-feira, as delegações dos 74 países presentes em Agadir (de um total de 88 membros da CBI) passaram por dois dias de discussões à porta fechada, entre grupos regionais, para tentar aproximar pontos de vista.

Em causa estava a substituição da moratória à caça comercial – em vigor desde 1986 para travar a diminuição acentuada das baleias – por uma captura controlada. A proposta apresentada pelo responsável máximo da Comissão defendia um levantamento da moratória por dez anos mas impunha controlos mais rigorosos ao número de baleias passíveis de caçar. A ideia era recuperar o controlo em todas as caças - aborígene, comerical e científica - a fim de estabelecer quotas anuais que respeitassem as recomendações científicas para gerir os stocks.

A proposta tem sido considerada como a melhor hipótese em anos para encontrar um consenso entre os países e entre estes e a Comissão Baleeira Internacional. Algumas organizações ambientalistas aceitaram apoiar a proposta, afirmando que se não for possível, por agora, travar a caça comercial, pelo menos esta deve ser limitada. Mas os países que se opõem à caça apresentam como condição que o Japão respeite o santuário no Oceano Antárctico, criado em 1994.

Mas a proposta não foi aceite nem por uns nem por outros.

Do lado dos países contra a caça, os Estados Unidos lamentam a “incapacidade de adoptar um novo paradigma” e o Brasil uma “falta de maturidade política”.

Alguns delegados afirmam que as negociações fracassaram porque o Japão aceitou reduzir o número de baleias mortas anualmente mas recusou deixar de caçar no Oceano da Antárctida, onde quatro quintos de todas as baleias se vão alimentar. Um delegado japonês disse à Reuters que a falta de consenso sobre o santuário para baleias no oceano da Antárctica terá causado o fracasso das negociações mas insistiu que o Japão não teve culpa. “Não acredito ser a maneira mais apropriada para negociar discutindo apenas um elemento. Temos de ter um pacote”, comentou Hideki Moronuki, da Agência japonesa de Pescas. “Não estamos apenas a falar da questão do Oceano da Antárctida. Estamos a debater o futuro desta organização”.

O Brasil e a Nova Zelândia sugeriram “uma pausa, um período de reflexão para um regresso mais vigoroso para o próximo ano”. “Tivemos dois dias de negociações úteis mas ainda não temos uma resolução de consenso. Há uma ausência de vontade política para colmatar as lacunas e chegar a um compromisso”, comentou Geoffrey Palmer, coordenador da delegação neo-zelandesa.

Do outro lado, o Japão considerou que “não há nenhuma perspectiva de acordo no horizonte” porque “alguns membros não querem qualquer caça”, a não ser aquela já autorizada para permitir o continuar da tradição para alguns povos.

Para o neo-zelandês Geoffrey Palmer, é a própria identidade da CBI que está na origem do problema. "Há 20 anos que a própria CBI é motivo de divergência entre nós: será um organismo de conservação das baleias ou um tratado de caça? Poderá esta convenção associar os dois pontos de vista?", questionou. Palmer considera que “se não mudarmos esta organização nos próximos anos, as consequências serão fatais para a CBI. E ainda mais para as baleias".

Mónaco sugeriu “nova geografia baleeira”

Além da proposta da CBI, o Mónaco apresentou a sua alternativa. Sugeriu reorganizar a “geografia baleeira”, que passaria a limitar a caça não a países, com base em quotas, mas sobretudo às suas águas territoriais.

“A Noruega mostrou que é possível conduzir uma caça limitada, não apenas em termos de números mas também da zona de caça. É preciso redesenhar a geografia da baleia”, comentou Frédéric Briand, comissário do Mónaco na CBI. “Isto deve figurar no coração do processo de negociações (da CBI) se quisermos chegar a um acordo futuro”, acrescentou.

Para o Mónaco, “a sustentabilidade dos stocks é posta em causa se um país se adiantar e reclamar os recursos longe dos seus territórios. O controlo e a vigilância são difíceis em alto mar. Por isso, temos tendência a agir como turistas inconsequentes e desrespeitadores nas zonas” austrais. “Deixar um país caçar no oceano global é alucinante”.

“As baleias nestas águas não pertencem a nenhum país mas pertencem a todo o planeta”, insistiu Briand. “A linha vermelha é não caçar em águas internacionais”, resumiu.

Os três países que caçam baleias – Japão, Noruega e Islândia – capturaram mais de 1500 baleias em 2009; destas mais de mil foram mortas pela frota nipónica. Apesar da moratória, estes países caçam desde os anos 80, argumentando que não estão obrigados a cumprir a proibição, apesar da condenação internacional.

A caça empurrou algumas espécies – como a baleia azul, a baleia-de-bossa e a baleia-franca – para a beira da extinção na década de 80; as populações apenas agora começam a recuperar, dizem as organizações de conservação.

A CBI vai continuar reunida em Agadir até sexta-feira. Hoje concentra-se sobre o futuro da Comissão.

Fonte: Publico.pt

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Acidente suspende recolha de crude no golfo do México


A cúpula que recolhe parte da fuga de petróleo do poço da BP teve ontem de ser retirada, provavelmente devido a uma fuga de gases. O crude estava a sair livremente. Ontem também, morreram dois operários envolvidos nas operações de emergência, num incidente não relacionado.

Um veículo submarino operado remotamente "tocou numa das válvulas" da cúpula, aumentando a pressão interna, disse o comandante Thad Allen da Guarda Costeira, citado pela AFP, tentando explicar a origem do problema.

Na melhor das hipóteses, a cúpula seria reinstalada durante a madrugada portuguesa. Até ser inspeccionada a mistura de gases que dali saía, e solucionada a avaria, apenas funciona o outro sistema de recolha de petróleo, que implica a sua queima no navio Q4000, dizia a BP.

Quanto às duas mortes, uma terá resultado de um acidente numa piscina, e outra foi de um piloto de um barco envolvido nas operações de limpeza do crude, precisou o almirante Allen, sem mais detalhes.

Em Londres, a direcção da BP anunciou que o norte-americano Robert Dudley passou a comandar as operações do grupo contra a maré negra causada pela explosão da plataforma Deepwater Horizon, substituindo Tony Hayward.

Fonte; Publico.pt

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Peixes mortos numa ribeira do Douro Internacional

Um método ilegal de pesca furtiva com uso de veneno poderá ter originado a morte de uma centena de peixes numa ribeira do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), disse hoje fonte da GNR.

O caso foi detectado por uma patrulha do posto de Freixo de Espada à Cinta da GNR, que passava no local da ribeira do Mosteiro, próximo de Barca D´Álva e da foz deste curso da água com o rio Douro, na fronteira dos distritos de Bragança e Guarda.

De acordo com a fonte, a patrulha contabilizou cerca de uma centena de peixes mortos a boiarem na água, sobretudo barbos, e recolheu algumas amostras dos animais e da água que entregou ao Instituto de Conservação da Natureza (ICNB), através do PNDI.

O ICNB vai proceder a análises laboratoriais para apurar as causas da mortandade.

Segundo as autoridades, “tudo indica que não será poluição” e que a causa “poderá estar relacionada com veneno utilizado por pescadores furtivos para atordoarem os peixes e conseguirem apanhar uma maior quantidade”.

A fonte disse ainda que os peixes mortos estão hoje a ser recolhido pelo Parque Natural.

Fonte: LUSA

Simposio sobre cambio climático y las áreas protegidas de América Latina

Simposio sobre cambio climático y las áreas protegidas de América Latina

ANTECEDENTES

Desde el 2005 el Convenio sobre la Diversidad Biológica ha
identificado la necesidad de generar sinergias con el Convenio de
Cambio Climático. El Informe del Grupo de Expertos Técnicos Ad Hoc
sobre Diversidad Biológica y Cambio Climático concluyó que “La
biodiversidad en si misma es un componente necesario para una
estrategia de adaptación al cambio climático”. El grado de resistencia
del ecosistema, que a su vez está dictado por la estructura y función
de la biodiversidad, es un elemento esencial en los sistemas socio-
ecológicos, para que ellos mantengan su capacidad de adaptación.

En el 5to. Congreso Mundial de Parques, realizado en Durban, Sudáfrica
en el 2003, especialistas de todo el mundo advirtieron que el cambio
climático está dañando los espacios naturales protegidos y otros
hábitat valiosos en todo el mundo. Estos rápidos cambios están dando
como resultado la pérdida de especies raras o amenazadas. Autoridades
de áreas protegidas en todo el mundo han identificado que los efectos
del cambio climático son los responsables de la migración de especies
más allá de los propios límites de las áreas protegidas.

En la Declaración de Bariloche, uno de los resultados del II Congreso
Latinoamericano de Parques Nacionales y Otras Áreas Protegidas,
celebrado ,en el 2007, concluyó que: “…vemos con preocupación que el
impacto del cambio climático en forma de cambios en el régimen de
temperatura y precipitación, así como las consecuentes variaciones en
los patrones de distribución de biomasa y especies, constituye una
nueva amenaza para las áreas protegidas de Latinoamérica.” Los
asistentes del Congreso se comprometieron a trabajar para promover el
diseño de sistemas de áreas protegidas que permitan: lograr una mayor
adaptación al efecto del cambio climático, identificar la
vulnerabilidad de las áreas protegidas y establecer medidas de
mitigación.

La realización del Simposio nos permitirá contrastar y evaluar en
virtud a los resultados de la Cumbre sobre áreas Protegidas y Cambio
Climático en Granada, la Cumbre de Cambio Climático en Copenhague y la
Conferencia Mundial de los Pueblos sobre el Cambio Climático y los
Derechos de la Madre Tierra en Bolivia, que perspectiva innovadora de
gestión desarrollar, teniendo en cuenta que las áreas protegidas son
la principal estrategia para la conservación in situ y que protegen
los ecosistemas, bienes y servicios ambientales a partir de los cuales
desarrollar acciones de mitigación y adaptación.

Es importante reflexionar que tanto la adaptación social y ecológica y
la biodiversidad están íntimamente vinculadas. Los ecosistemas pueden
afrontar mejor los cambios climáticos en la medida que proveen
servicios esenciales a la sociedad y a su vez, las sociedades van
adaptándose mejor en medida de que se fortalecen sus medios de vida y
sus capacidades de resiliencia. Sin embargo, son necesarias
evaluaciones detalladas de estas relaciones con objeto tanto de
ilustrar el potencial de la biodiversidad en relación al tema de
adaptación al cambio climático y traducir los hallazgos en una
orientación práctica. Se recomienda trabajar en la identificación de
escenarios y en la planificación y articulación de políticas, desde la
identificación de la vulnerabilidad por parte de comunidades y pueblos
indígenas y generación de conocimiento y monitoreo.
.


OBJETIVOS

Objetivo general:

Analizar y evaluar el papel de las áreas protegidas en América Latina
y el Caribe como estrategia de mitigación y adaptación ante los
efectos del cambio climático.

Objetivos específicos:

- Analizar los resultados de las cumbres de cambio climático en
relación a la los sistemas de áreas protegidas de América Latina.
- Conocer los avances en la incorporación de las áreas protegidas como
estrategia de mitigación y adaptación ante el cambio climático en la
formulación de políticas públicas, legislación, planeación ambiental y
ordenamiento territorial en América Latina y el Caribe.
- Identificar, analizar y socializar entre los sistemas nacionales de
áreas protegidas de la región los avances conceptuales, metodológicos
y lecciones aprendidas para el análisis de impacto del cambio
climático en las áreas protegidas y sus zonas de influencia, así como
las oportunidades de desarrollo de programas y medidas de adaptación y
mitigación en ecosistemas prioritarios en América Latina.
- Elaborar una agenda para América Latina de posicionamiento de las
áreas protegidas como estrategia de mitigación y adaptación ante el
cambio climático y para fortalecer la planificación y manejo de los
sistemas de áreas protegidas de América Latina.
- Divulgar los resultados y recomendaciones de programas y proyectos
de monitoreo e investigación sobre impactos y las medidas de
adaptación ante el cambio climático desarrollados dentro de áreas
protegidas y en sus zonas de influencia.


LOS EJES TEMÁTICOS

El simposio se desarrollará a partir de cuatro ejes temáticos:

1. El papel de las áreas protegidas como estrategia de mitigación,
adaptación y comunicación ante el cambio climático en políticas
públicas, planeación ambiental, gestión de riesgo y ordenamiento
territorial.
2. Avances científico y técnicos sobre la inclusión del tema de cambio
climático en la planificación y manejo de los sistemas de áreas
protegidas.
3. Financiamiento de estrategias de mitigación y adaptación al cambio
climático para las áreas protegidas y sus zonas de influencia.
4. Experiencias en la inclusión de personas en riesgo, conformación de
redes sociales de aprendizaje e intercambio de saberes sobre cambio
climático en las áreas protegidas y sus zonas de influencia.


METODOLOGIA DEL SIMPOSIO

El desarrollo del Simposio se hará a partir de presentaciones
plenarias relacionados con los ejes temáticos donde al final de cada
exposición existirá un espacio de intercambio con el público para
aclarar dudas y recibir propuestas.

Así mismo, existirá relatores para cada eje temático que al final de
las jornadas presentarán en plenaria las conclusiones y
recomendaciones, para que sean retroalimentadas por el público, de tal
manera que sirva como base para la elaboración de la agenda regional.
Se conformará un comité técnico por los relatores de los diferentes
ejes temáticos, que se encargará de elaborar una propuesta de agenda
que será revisada, ajustada y posteriormente presentada como producto
del evento.


PUBLICO OBJETIVO DEL SIMPOSIO

El simposio esta dirigido a autoridades ambientales, administradores
de áreas protegidas, organizaciones no gubernamentales, Estados,
académicos, científicos, organizaciones sociales, sectores
productivos, sociedad civil y comunidades locales interesadas y con
experiencia en el posicionamiento de las áreas protegidas como
estrategia de mitigación y adaptación ante cambio climático.


PARTICIPACIÓN EN EL SIMPOSIO

INSCRIPCIONES: Las instrucciones para participar serán publicadas en
la segunda convocatoria, prevista para julio próximo. Se prevé que el
costo de inscripción será de US$ 100 por persona.

PONENCIAS: Las personas o instituciones que participarán del Simposio
como expositores serán seleccionadas por el Comité Organizador del
evento. Para tal fin, se les remitirá una carta de invitación para que
elaboren y remitan un resumen que será evaluado por dicho comité.

CURSO DE CAMBIO CLIMATICO Y MONTAÑAS: El grupo de trabajo de montañas
de la CMAP organizará un curso como espacio de trabajo, después del
Simposio.

MERCADO DE EXPERIENCIAS: A partir del lunes 8 de noviembre, se
establecerán stands por países, en los cuales las organizaciones
pÚblicas, privadas, pueblos indígenas, afro descendientes y
comunidades locales tendrán la oportunidad de divulgar su experiencia
en el tema.

DIA DE CAMPO: El viernes, 12 de noviembre se organizará una visita de
campo a un sitio de interés para los participantes del Simposio.


COMITÉ ORGANIZADOR DEL SIMPOSIO

El comité organizador del simposio está conformado por las siguientes
entidades:

1. Gobierno de Perú, Servicio Nacional de áreas Protegidas del Estado
(SERNANP), Ministerio de Ambiente (MINAM) de Perú
2. Red Latinoamericana de Cooperación Técnica en Parques Nacionales,
otras áreas Protegidas, Flora y Fauna Silvestres (REDPARQUES)
3. Oficina Regional de la FAO para América Latina y el Caribe
4. Oficina de UICN para América del Sur
5. Comisión Mundial de áreas Protegidas de UICN para Suramérica
6. Oficina Regional del PNUMA para América Latina y el Caribe

Se espera la valiosa participación, apoyo y contribución de muchas
instituciones y organizaciones públicas y privadas para aspectos
relacionados con la organización y el patrocinio del Simposio. Su
reconocimiento se irá incorporando en la medida que se establezcan los
acuerdos y compromisos.


FECHA Y LUGAR
Del 8 al 12 de Noviembre de 2010, en Huaraz, Perú.

IDIOMAS
El idioma oficial del Simposio será el Español, pero se aceptarán
trabajos en Portugués.

INFORMACIÓN Y CONSULTA

Servicio Nacional de Áreas Naturales Protegidas por el Estado

(SERNANP)
Ministerio del Ambiente (MINAM)
Tel./Fax: (511) 225-1055

simposio.ccl.anp@sernanp.gob.pe

http://www.sernanp.gob.pe/



Fuente: http://www.sernanp.gob.pe/simposio/index.php#

terça-feira, 22 de junho de 2010

EUA: Juiz levanta moratória à exploração petrolífera a grande profundidade

Um juiz do tribunal federal de Nova Orleães indeferiu a moratória de seis meses sobre a exploração petrolífera a grande profundidade decretada pela Administração Obama na sequência da explosão da plataforma Deepwater Horizon, responsável pela maior maré negra da história dos Estados Unidos.

A decisão foi tomada pelo Presidente Barack Obama, que a 27 de Maio suspendeu toda a actividade dos poços com profundidade superior a um quilómetro, parando a produção em 33 plataformas do golfo do México, enquanto procede a investigação às causas do acidente no Deepwater Horizon.

A medida foi contestada pelos legisladores do estado do Luisiana, alegando que a interrupção da produção petrolífera representaria uma segunda catástrofe económica para a região, já assolada por um desastre ambiental sem precedentes.

A companhia Hornbeck Offshore Services contestou judicialmente a decisão: hoje, o juiz Martin Feldman deu-lhe razão e levantou a moratória estabelecida pelo Presidente. Segundo escreveu, o Departamento do Interior não produziu argumentação necessária e falhou em demonstrar que as plataformas actualmente em operação constituam um risco iminente para a região.

A Casa Branca anunciou imediatamente que vai recorrer da sentença, e que não vai deixar de proceder a rigorosas inspecções à segurança das plataformas do golfo do México.

Fonte: Publico.pt

Degelo acelerou na zona ocidental da Antárctida


O degelo tornou-se mais rápido nos últimos anos na zona ocidental da Antárctida e isso está a contribuir, em cerca de dez por cento, para o aumento do nível do mar que se observa. Este é o resultado de um estudo realizado por investigadores da British Antarctic Survey e outros dois centros de investigação, e que foi publicado ontem na Nature Geoscience.

De acordo com as observações dos cientistas polares, é no glaciar de Pine Island que está a acontecer o maior degelo na região.

Para perceber por que motivo isso acontece, os investigadores utilizaram um veículo submarino autónomo para mergulhar sob o gelo oceânico que se prolonga para além de Pine Island. E o que descobriram foi que o glaciar, que antes assentava sobre um monte submarino, está agora desligado dele. Isso permitiu que o movimento do glaciar se tornasse mais rápido, por um lado. Por outro deixou caminho aberto a uma corrente submarina mais quente, que está a acelerar o seu degelo.

Os cientistas não sabem o que desencadeou este processo, sabem apenas que ele se iniciou durante os anos 70 do século XX.

Fonte: Diário de Notícias

Reino Unido enfrentará crise alimentar se não ajudar as abelhas


O Governo britânico lançou hoje um projecto, orçado em 10 milhões de libras (11,9 milhões de euros), para descobrir como travar o desaparecimento de abelhas e outros insectos polinizadores no país. Dentro de uma geração, poderá ter em mãos uma crise alimentar, alertam os cientistas.

As abelhas estão a desaparecer do Reino Unido a um ritmo mais elevado do que em qualquer outro país europeu. Segundo o jornal “Daily Telegraph”, mais de metade das colmeias morreu nos últimos 20 anos.

Estes animais, bem como outros insectos, polinizam e fertilizam as plantas das quais tiramos alimentos, como maçãs e abóboras, e são o garante da qualidade de frutos e legumes. Por exemplo, o “The Guardian” sublinha que o número de sementes de uma abóbora depende do número de espécies de insectos que polinizaram a planta.

Assim, mais do que conservar a biodiversidade, o programa “Insect Pollinator Initiative” – que inclui nove projectos de investigação, a decorrer ao longo de cinco anos - pretende responder a um problema de segurança alimentar, comentou Matt Shardlow, director-executivo da organização Buglife. Este será o maior estudo realizado naquele país sobre as razões do desaparecimento dos insectos.

Tanto mais que se estima que o serviço prestado por estes insectos polinizadores represente um valor de 440 milhões de libras (526 milhões de euros) para a economia britânica. Dito de outra forma, se todos os insectos polinizadores desaparecessem do Reino Unido, as quebras de produtividade agrícola custariam à economia britânica 440 milhões de libras por ano.

Segundo o “Daily Telegraph”, a Universidade de Dundee vai investigar se alguns pesticidas danificam o sistema nervoso das abelhas, impedindo-as de encontrar as melhores fontes de alimento ou afectando a sua capacidade para se alimentarem e regressarem à colmeia.

Já a Universidade de Bristol vai analisar se as abelhas “gostam” mais de ambientes urbanos ou de “monoculturas” de plantações em espaços rurais. A investigadora Jane Memmott vai identificar os locais mais ricos em espécies de insectos polinizadores em Bristol, Reading, Leeds e Edimburgo.

Lorde Henley, ministro do Ambiente, explicou que estes projectos visam perceber as razões do desaparecimento das abelhas e apresentar formas para aumentar as suas populações. “As abelhas, e as borboletas têm um papel essencial para que tenhamos comida na nossa mesa, através da polinização de muitas plantações vitais. Esta iniciativa vai ajudar-nos a identificar por que razão estão os números das abelhas a diminuir e o que nos pode ajudar a tomar as medidas certas”, comentou, citado pelo “Daily Telegraph”.

Fonte: Publico.pt

Lince-ibérico: demitiu-se a directora do programa espanhol de criação em cativeiro


A investigadora Astrid Vargas, directora do programa espanhol de criação em cativeiro do lince-ibérico, apresentou a sua demissão, depois de sete anos à frente dos esforços para recuperar a espécie.

Na sua carta de despedida, à qual a agência espanhola Efe teve acesso, Vargas sublinha que o programa de criação em cativeiro superou as previsões iniciais, citou o “El Mundo”. Em vez dos 56 linces que a UICN (União Mundial para a Conservação) “pediu” em 2004 para 2010, hoje existem 78 animais no âmbito do programa de conservação ex-situ. Foi a partir destes linces que se começou a reintrodução no meio natural dos animais nascidos em cativeiro. “Apesar dos altos e baixos sofridos, o programa pode manter o compromisso adquirido nacional e internacionalmente de proporcionar animais nascidos em cativeiro para programas de reintrodução a partir de 2010”, escreveu.

Astrid Vargas, doutorada em Biologia da Conservação, referiu ainda que a sua saída acontece quando o programa “tem a estrutura, equipas e a solidez necessária para continuar com os objectivos estabelecidos”.

“Estamos a lidar com uma espécie à beira da extinção, ainda existem muitas lacunas sobre a biologia do lince e tivemos a oportunidade – e responsabilidade – de poder estudar a espécie com respeito e em profundidade”, acrescentou.

José María Oliet foi nomeado coordenador da Estratégia Nacional para a Conservação do Lince Ibérico. O Comité de Criação em Cativeiro do Lince Ibérico será coordenado por Iñigo Sánchez, do Zoobotânico de Jerez de la Frontera.

O programa espanhol de reprodução em cativeiro arrancou em 2003 depois de uma década de desentendimentos entre o Governo central e a Junta Autónoma da Andaluzia. Hoje existem 78 linces nos seus centros de reprodução. Os primeiros - Brezo, Brisa e Brezina - nasceram a 28 de Março de 2005 em Doñana. Brezina acabou por morrer numa luta entre irmãos, habitual na espécie.

No ano passado nasceram 28 animais mas apenas 17 conseguiu sobreviver.

Fonte: Publico.pt

BP defende que exploração petrolífera offshore deve continuar

Os investimentos e os projectos petrolíferos offshore devem continuar, apesar do acidente e da maré negra no Golfo do México, defendeu hoje Steve Westwell, responsável da petrolífera britânica BP, em nome do seu CEO Tony Hayward.

“Seria um erro grave criar um ambiente que impossibilite os investimentos em águas profundas”, considerou ao intervir no Congresso Mundial das Companhias Petrolíferas, esta manhã em Londres.

Inicialmente, seria Hayward, director-geral da BP, a discursar mas este preferiu dar a palavra ao colega. A empresa justifica a substituição com a declaração de que Hayward está totalmente dedicado à limpeza da maré negra, depois de ter sido surpreendido no sábado passado a assistir a uma regata de luxo na ilha de Wight, no Sul de Inglaterra.

Para Steve Westwell, os poços petrolíferos no mar têm um papel crucial no abastecimento mundial de energia. “A maré negra é um duro golpe para a BP numa região-chave. Mas a BP vai continuar a fornecer energia ao mundo”, garantiu.

Insistindo na necessidade de rever os procedimentos de segurança, Westwell considerou que a probabilidade de um novo acidente como o que aconteceu a 22 de Abril na plataforma Deepwater Horizon é “muito reduzida”. “Foi um acidente complexo, causado por uma combinação sem precedentes de erros humanos, de procedimentos, de sistemas e de equipamentos”, considerou.

Quando Steve Westwell começou a ler o seu discurso, uma activista da organização ecologista internacional Greenpeace levantou-se entre a assistência e apelou ao “fim da idade do petróleo”. A jovem foi levada pelos seguranças. Outros activistas ergueram um cartaz com o logótipo da BP sujo com tinta preta.

Dadas as fortes críticas à forma como Tony Hayward tem gerido a crise, Westwell revelou que a partir de agora será uma equipa gerida por Bob Dudley, veterano da BP na Rússia, a responsável pela resposta à maré negra. Hayward continuará a ter o controlo global mas terá menos intervenção no terreno, explicou.

Prolongamento ou suspensão da moratória à exploração petrolífera decidido amanhã

Mais de dez companhias envolvidas na exploração petrolífera offshore apresentaram queixa num tribunal norte-americano contra a moratória de seis meses imposta pela administração Obama, a 27 de Maio, na sequência da pior maré negra da história dos Estados Unidos. A moratória conduziu ao encerramento de 33 plataformas petrolíferas.

Amanhã, o juiz Martin Feldman vai decidir se suspende temporariamente aquela proibição, que as companhias petrolíferas consideram “arbitrária e caprichosa” e que, dizem, vai levar a despedimentos.

A administração Obama argumenta que a moratória é necessária para evitar mais acidentes, enquanto uma comissão presidencial investiga o que causou a explosão na plataforma.

Ontem, a Agência de Meteorologia norte-americana (NOAA), alargou a área onde a pesca é proibida de 33 para 36 por cento das águas federais no Golfo do México.

Fonte: Publico.pt

BP foi alertada para falhas na plataforma do Golfo do México

Funcionário detectou problemas no equipamento de segurança da Deepwater Horizon semanas antes da explosão mas acreditou que segunda peça substituiria material defeituoso.

A BP foi alertada para a existência de problemas técnicos no equipamento da plataforma Deepwater Horizon, semanas antes da explosão de 20 de Abril, responsável pelo maior derrame de crude da história dos EUA.

Numa entrevista à BBC, Tyrone Benton, o funcionário que identificou a falha no equipamento de segurança cuja função é precisamente evitar explosões, disse que a BP ignorou os avisos e não reparou o material defeituoso, confiando que outra peça que serve o mesmo fim pudesse substituí-lo.

Benton garantiu que tanto a BP como a Transocean, responsável pela operação e manutenção da plataforma, foram avisadas. "É totalmente inaceitável. Qualquer prova de que esse tipo de equipamento não está a funcionar devidamente devia levar à suspensão imediata da operação", comentou o professor Tad Patzek, especialista em exploração petrolífera da Universidade do Texas.

Benton não sabia dizer se o material defeituoso teria voltado a ser accionado depois do alerta. A reparação daquela peça obrigaria a uma paragem na actividade e a exploração do poço servido pela Deepwater Horizon, custava à BP 500 mil dólares por dia.

No depoimento perante o Congresso, o director executivo da BP, Tony Hayward, disse não existir nenhuma prova de que os custos da operação se tenham sobreposto às preocupações com a segurança. Mas os legisladores tinham extensa documentação que apontava para outros problemas técnicos no equipamento, nomeadamente em termos da sua concepção.

Entretanto, a petrolífera revelou que as operações de limpeza do derrame no golfo do México estão a decorrer com dois sistemas distintos: através de uma "cúpula de confinamento" no tubo do poço, que permite recolher uma parte do crude para cargueiros, e usando um novo esquema de contenção e queima do derrame. No domingo, a BP terá conseguido recolher e queimar 23.290 barris de petróleo. Ao mesmo tempo, a petrolífera admitiu que só tem capacidade para recolher um máximo de 28 mil barris por dia - a estimativa é que o poço liberte 60 mil barris a cada 24 horas.

Pagamento de indemnizações vai ser acelerado

Kenneth Feinberg, o ex-procurador federal que foi encarregado de gerir a conta de 20 mil milhões de dólares para apoiar as vítimas da maré negra, garantiu que o pagamento de indemnizações vai ser acelerado. "As pessoas estão numa situação desesperada e nós não devemos subestimar a emoção, frustração e raiva que os residentes do golfo sentem neste momento", disse, no final de uma visita à região.

A BP já gastou perto de dois mil milhões de dólares (cerca de 1,6 mil milhões de euros) nas operações de limpeza, um total que inclui 105 mil milhões de dólares em indemnizações a cerca de 32 mil queixosos.

Uma estimativa preliminar sugere que os pedidos de compensação possam ascender a mais de 600 milhões de dólares. E Feinberg esclareceu que as vítimas serão compensadas, desde que provem que as perdas se devem ao acidente.

Fonte: Publico.pt