segunda-feira, 13 de junho de 2016

Governo quer PPP para gerir áreas protegidas

O ministro do Ambiente admite avançar com experiências piloto de gestão das áreas protegidas em parceria com autarquias e organizações não governamentais do ambiente. A ideia vai ao encontro de uma proposta do conselho consultivo do ambiente (CNADS). Mas várias outras ficam de fora.
Uma nova Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade — já que a atual caducou há seis anos, como lembra o CNADS — “não é uma prioridade” para o Governo, assume João Matos Fernandes ao Expresso.
Para o ministro do Ambiente o importante “é haver uma gestão de proximidade nas áreas protegidas”. E para isso estão a equacionar uma espécie de parcerias público privadas ou PPP (apesar do ministro não gostar de lhes chamar assim) com autarquias e organizações não governamentais do ambiente.
Para já, o ministro vislumbra "três possíveis áreas protegidas" onde poderá em breve vir a aplicar em regime piloto o novo modelo de gestão. Mas não adianta quais, uma vez que ainda não falou com os respetivos autarcas sobre o assunto. Esta ideia de definir políticas de gestão descentralizada para áreas, que no total abrangem 23% no território nacional, foram discutidas no Conselho de Ministros dedicado ao ambiente, que não aprovou qualquer medida concreta em relação a este dossiê.
A possibilidade de “parcerias com entidades terceiras, por contrato ou eventuais PPP” é uma das ideias veiculadas no mais recente parecer do CNADS, entregue no Ministério do Ambiente na passada sexta-feira e tornado público agora.
José Guerreiro, coordenador deste parecer, sublinha que “o Instituto de Conservação da Natureza tem de se manter como a entidade central que gere e regula os instrumentos de ordenamento”.
A reflexão sobre o modelo de gestão da Rede Nacional de Áreas Protegidas recomenda também ao Governo que reverta os atuais programas especiais de ordenamento do território (aprovados em 2013) à sua condição anterior de planos especiais. Segundo o CNADS, esta é uma condição “essencial" para evitar colocar em causa o papel das áreas protegidas.
Em causa está a intenção (aprovada pelo anterior Governo PSD-CDS) de reverter para os planos diretores municipais (PDMs) as regras dos planos de ordenamento das áreas protegidas. Tal “não é possível tecnicamente, uma vez que os planos especiais são multimunicipais”, argumenta José Guerreiro, sublinhando que as áreas protegias “representam um quarto do território e fazem parte da identidade nacional”. Ou seja, teme que a proteção destas áreas classificadas fique em risco uma vez que os PDM dizem respeito a cada município, enquanto que os parques e reservas naturais, se estendem por vários concelhos.
Porém, esta sugestão do conselho consultivo não será acatada pelo Governo. “Os atores do planeamento são os autarcas e defendemos que os cidadãos só têm de conhecer os PDM e que estes devem absorver o desenho dos planos especiais de ordenamento”, assume João Matos Fernandes. Contudo, o ministro admite que “há um conjunto de regras de defesa dos ecossistemas que é difícil de incorporar nos PDM”. Como tal, estão a trabalhar numa solução que deverá ser “apresentada até outubro”.
Sublinhando que o parecer do CNADS “é um documento significativo e bem estruturado”, o ministro do Ambiente diz que “o Governo também não quer planos de papel”. Refutando a continuação de planos que sejam “um somatório de proibições”, Matos Fernandes defende “o homem enquanto elemento claro de produção de biodiversidade”.
Para já, o ministro do Ambiente também não atenderá a sugestão do CNADS de repor a figura do diretor de área protegida: “Não haverá condições para tal nos tempos mais próximos, com excepção talvez do Parque Nacional do Gerês, mas concordamos que tem que haver uma ‘cara’ para cada parque natural”.


Fonte: Carla Tomás/Expresso

0 comentários:

Enviar um comentário