terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Vigilantes da Natureza: Dia Nacional assinalado no Funchal e Rio Maior. Associação reclama o triplo dos profissionais para áreas protegidas

A Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza (APGVN) assinala hoje o Dia Nacional do Vigilante da Natureza com iniciativas no Funchal e em Rio Maior.

No Funchal, os elementos da Associação de Vigilantes da Natureza da Madeira participam numa sessão sobre a importância da profissão na conservação e preservação do património natural onde vão estar alunos do 3.º ciclo do ensino básico.

Em Rio Maior, onde é a sede do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, a APGVN vai apoiar o projeto de conservação da gralha-de-bico-vermelho, que está a ser desenvolvido pela associação ambientalista Quercus, em parceria com a Cooperativa Terra Chã e a Vodafone.

O presidente da Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza (APGVN), Francisco Correia, reclamou hoje a necessidade de triplicar o número destes profissionais, considerando que só assim é possível uma melhor defesa das áreas protegidas.
"O triplo de vigilantes não era o ideal, mas era muito bom. Pelo menos era o necessário para assegurar, de uma forma mais eficaz, a vigilância e salvaguarda das áreas protegidas", disse à agência Lusa Francisco Correia na data em que se assinala o Dia Nacional do Vigilante da Natureza.
Segundo a APGVN, existem no país 193 vigilantes da natureza em áreas protegidas, estando mais 28 integrados em Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e 31 nas Administrações das Regiões Hidrográficas.
"Há apenas 31 vigilantes para fiscalizar os cursos de água", declarou o dirigente, referindo que o número de vigilantes da natureza tem diminuído desde 1989, situação que demonstra "um desinvestimento dos últimos governos na profissão".
Segundo o presidente da APGVN, "há mais de seis anos que não entra nenhum vigilante da natureza", referindo a este propósito que o Parque Natural do Douro Internacional "não tem nenhum", enquanto o do Tejo Internacional "tem um".
Por outro lado, assiste-se à saída destes profissionais devido a situações de reforma como também ao facto de encontrarem outras carreiras mais atrativas do ponto de vista remuneratório, apontou o responsável.
"Estamos a ver a morte lenta da profissão", resumiu Francisco Correia, lamentando o que chama de "falta de preocupação" nesta matéria da tutela, o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território.
"Somos muito poucos para as necessidades. O número reduzido não permite a rotatividade nem um trabalho de continuidade", declarou, apontando o crescimento dos "riscos" nas áreas protegidas ou nos cursos de água face a esta situação.
O presidente da APGVN esclareceu que os vigilantes da natureza são "responsáveis pelo trabalho de vigilância, fiscalização, monitorização das espécies e sensibilização dos habitantes e dos visitantes dos parques", advertindo para as consequências se a sua presença se tornar mais escassa.
Francisco Correia apontou a este propósito o aumento da construção clandestina, o despejo de entulho, o corte de espécies, a poluição dos cursos de água ou os incêndios.
"Se não houver ninguém no terreno vai haver mais incêndios", assegurou o dirigente, vigilante da natureza no Parque Natural Sintra-Cascais.
Além de mais elementos e mais meios materiais para os vigilantes da natureza, o presidente da APGVN deseja ainda "a certeza de que a profissão continue como carreira especial da função pública".
"Que, finalmente, seja reconhecida a importância da profissão", frisou.

Fonte: LUSA Fotos: APGVN

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